VIA SACRA

COM OS PASTORINHOS DE FÁTIMA

 

 

 

Algumas INSTRUÇÕES

 

Se é possível, um sacerdote ou Diácono, de alva e estola vermelha, preside, na capela-mor, ou num lugar destacado, se a Via-Sacra for realizada ao ar livre ou noutro lugar, fora do templo.

Vários leitores dividem entre si o texto, declamado pausadamente:

                

No princípio de cada estação, o que preside anuncia-a e, depois de uma breve pausa, diz:

                 – Nós Vos adoramos e bendizemos, ó Jesus!

                 Todos respondem:

                 – Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!

     No final de cada estação, quem preside reza um Pai nosso ou um Glória ao Pai... e acrescenta:

                 – Tende compaixão de nós, Senhor!

                 Todos respondem:

                 – Tende compaixão de nós!

                 Termina rezando um Pai nosso pelas intenções do Sumo Pontífice.

                 Dois acólitos com velas e um crucífero, com uma cruz, deslocam-se no interior do templo ou do recinto, de cada vez que vai começar uma nova estação

   

***

 

Oração preparatória (Pode omitir-se)

 

Na companhia da Tua a minha Mãe, a Senhora das Dores,

de S. José que, da eternidade,

 contempla, com espanto, a loucura dos homens,

dos Anjos que desagravam tantas ofensas à divina Majestade

e de todos os santos do Antigo Testamento que esperaram a Tua vinda,

quero percorrer humildemente o caminho do Calvário.

Ajuda-me, Senhor, a não ficar ao lado, cheio de curiosidade,

para Te ver passar carregado de sofrimento,

contentando-me em apontar os culpados,

a condenar as suas atitudes,

e a sair daqui lavando as minhas mãos, como se fosse um inocente.

Quero meter-me no meio de cada cena Paixão

para contemplar  as Tuas Palavras, gestos e silêncios,

e assumir a parte que me cabe em tudo isto.

Preciso da Tua ajuda amiga,

para não cair na superficialidade das considerações,

mas, guiado pelo Espírito Santo,

compreender um pouco mais a lição que me queres dar:

• o Amor infinito da Santíssima Trindade por mim,

 e por cada uma das pessoas humanas;

• a fealdade do pecado – também o venial –

e o valor da Graça santificante,

pelo preço com que me é restituída;

• o tesouro do sofrimento que me torna mais semelhante a Ti

e pode obter do Céu mais graças que todas as orações e jejuns.

 

Que eu aprenda a olhar para a Tua Paixão e Morte

com os olhos e o Coração de Maria Santíssima,

sempre Virgem e Senhora das Dores.

Amen.

 

João Paulo II, de saudosa memória, deu-nos um novo itinerário da Via-Sacra unicamente baseado nos passos da Paixão que se encontram na Sagrada Escritura.

Vamos procurar percorrer este caminho da Vida dolorosa do Senhor, como o seguiram os Pastorinhos de Fátima, durante a breve existência dos dois mais novos.

A Paixão de Cristo continua na Sua Igreja, em cada pessoa humana, mais visíveis numas do que noutras, até ao fim do mundo.

Muitas vezes, para O seguirem mais de perto na Paixão, Ele escolhe almas de eleição, como escolheu na nossa terra os três Pastorinhos de Fátima e a Beata Alexandrina de Balasar.

Também nós queremos aprender neste livro da Paixão de Jesus, imolando a nossa vida em união com a vontade do Pai.

 

*

1ª Estação

 

JESUS NO HORTO DAS OLIVEIRAS

 

     • «Então saiu e foi, como de costume, para o Monte das Oliveiras e os discípulos acompanharam-n'O.

Quando chegou ao local, disse-lhes: 'Orai, para não entrardes em tentação'.

Depois afastou-Se deles cerca de um tiro de pedra e, pondo-Se de joelhos, começou a orar, dizendo: «Pai, se quiseres, afasta de Mim este cálice. Todavia, não se faça a minha vontade, mas a tua».

Então apareceu-Lhe um Anjo, vindo do Céu, para O confortar. Entrando em angústia, orava mais instantemente e o suor tornou-se-Lhe como grossas gotas de sangue, que caíam na terra. Depois de ter orado, levantou-Se e foi ter com os discípulos, que encontrou a dormir, por causa da tristeza. Disse-lhes Jesus: 'Porque estais a dormir? Levantai-vos e orai, para não entrardes em tentação'». [1]

 

• Jesus prepara-Se para a Sua Paixão, Morte e Ressurreição com duas horas de oração no Jardim das Oliveiras. Conversa com o Pai, entre lágrimas e suor de Sangue que atravessa a roupa e corre por terra, abrindo-Lhe a intimidade do Seu Coração divino.

Ensina-nos que orar não é repetir distraidamente fórmulas com rotina, com tibieza e na distracção, mas falar na intimidade com Deus.

Nas duas horas de adoração no Horto, o Divino Mestre ensina-nos duas verdades:

– A conformidade perfeita com a vontade do Pai, querendo apenas o que Ele quer. Deus escolhe o melhor para nós. Podemos confiar inteiramente n’Ele, porque é o melhor dos pais e é omnipotente.

Humanamente falando, Jesus recebe forças para enfrentar corajosamente a Paixão e Morte. No fim de orar, Jesus diz tranquilamente aos Apóstolos: «Levantai-vos! Vamos!»

Durante a oração, «apareceu-Lhe um Anjo que O confortava». Quando oramos, somos confortados e temos uma fé mais forte, uma visão mais clara e optimista dos problemas que nos oprimiam.

Se nos oprimem tantas dificuldades, é porque somos poucos os que oramos e os que oramos somos poucos.

 

• A irmã Lúcia conta-nos na IIª Memória: «Passado bastante tempo, em um dia de verão, em que havíamos ido passar a sesta a casa, brincávamos em cima dum poço que tinham meus pais no quintal a que chamávamos o Arneiro... De repente, vemos junto de nós a mesma figura ou Anjo, como  me parece que era, e diz:

– Que fazeis? Orai muito. Os Corações Santíssimos de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente, ao Altíssimo, orações e sacrifícios.

– Como havemos de nos sacrificar? – perguntei eu.

– De tudo o que puderdes, oferecei a Deus sacrifício em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e súplica pela conversão dos pecadores. Atraí assim, sobre a vossa Pátria, a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo, aceitai e suportai, com submissão, o sofrimento que o Senhor vos enviar» [2].

De aí em diante, e cada vez mais, a oração vai tornar-se a força dos Pastorinhos e aceitam generosamente a cruz. Rezam o Terço todos os dias. E, enquanto a Lúcia vai à escola, obedecendo à indicação de Nossa Senhora, o Francisco e Jacinta passam longas horas na igreja, diante do Sacrário, até que a doença os impossibilita de ir lá.

 

• Senhor: fazei que aprendamos convosco

a rezar mais e melhor, até que a nossa vida seja uma oração contínua,

obedecendo à Vossa recomendação:

«É preciso orara sempre e nunca desfalecer.»

Queremos ter um plano de oração individual e em família,

e recorrer ao Vosso Coração divino com toda a confiança,

 especialmente quando a nossa cruz nos parecer muito pesada.

_____________

 

2ª Estação

 

JESUS, ATRAIÇOADO POR JUDAS, É PRESO

 

• «Ainda Ele estava a falar, quando apareceu uma multidão de gente. O chamado Judas, um dos Doze, vinha à sua frente e aproximou-se de Jesus, para O beijar. Disse-lhe Jesus:

'Judas, é com um beijo que entregas o Filho do homem?'.

Ao verem o que ia suceder, os que estavam com Jesus perguntaram-Lhe: 'Senhor, vamos feri-los à espada?'

E um deles feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. Mas Jesus interveio, dizendo: 'Basta! Deixai-os'. E, tocando na orelha do homem, curou-o. Disse então Jesus aos que tinham vindo ao seu encontro, príncipes dos sacerdotes, oficiais do templo e anciãos: 'Vós saístes com espadas e varapaus, como se viésseis ao encontro dum salteador. Eu estava todos os dias convosco no templo e não Me deitastes as mãos. Mas esta é a vossa hora e o poder das trevas.'

Apoderaram-se então de Jesus, levaram-n'O e introduziram-n'O em casa do sumo sacerdote [3]

 

• A traição de Judas deixa-nos desconcertados. Foi chamado por Jesus para fazer parte dos Doze e seguiu-O com entusiasmo algum tempo; frequentou a escola do Mestre durante três anos, acompanhou-O de dia e de noite; esteve presente em muitos milagres que Jesus fez e talvez tivesse mesmo realizado algum, quando foi enviado na missão dos setenta e dois discípulos. Jesus confiou-lhe um lugar de confiança entre os Apóstolos: era o tesoureiro.

Como foi possível chegar a tanta baixeza de trair o maior Amigo da sua vida? É um assunto de profunda meditação para todos nós. Podemos encontrar muitas razões.

– Somos de barro muito frágil, e capazes de todos os crimes, se o Senhor não nos amparar. Não censuremos ninguém, quando o virmos cair. Procuremos ajudá-lo a levantar-se.

– Não era sincero. Quando se queixa dos gastos da mulher pecadora que sacrifica o perfume caro para ungir Jesus, lamentando que não se venda para dar o dinheiro aos pobres, S. João tem o cuidado de nos informar que Judas era ladrão e metia a mão no saco, às escondidas.

– Resistiu a deixar-se apaixonar por Jesus Cristo, a entregar-se todo a Ele, foi arrefecendo e caiu na tibieza; tornou-se superficial, era cobarde, com medo de se encontrar consigo próprio, dar conta da sua situação real e tomar medidas.

– Tinha um defeito e não lutou contra ele: era agarrado ao dinheiro, embora não tivesse muita quantidade no saco.

Judas não queria a morte de Jesus. Perdeu o Amor e brincou com a vida de Jesus. Pensou que O entregaria, cobrava os 30 dinheiros, mas Ele não Se deixaria prender, como tantas vezes acontecera em que escapara das mãos dos inimigos. Judas fugiria com o dinheiro, para recomeçar a vida longe dali.

Quando soube que Jesus Se deixara prender e fora condenado à morte, como não amava, caiu no desespero e enforcou-se. Temos de combater os defeitos e de amar o Senhor sem medida.

Todas as pessoas têm defeitos. O importante é combatê-los, antes que se tornem como árvores frondosas que não se podem abater.

 

• Os Pastorinhos e Fátima também tinham defeitos. Jacinta amuava facilmente e era muito agarrada. No jogo dos botões, era preciso que Lúcia a ameaçasse de não voltar a jogar com ela, se os não restituísse.

O Francisco gostava de pregar partidas aos irmãos e, quando se julgava ofendido, era difícil de calar, como declara o pai.

Mas combateram-nos com generosidade, e agora estão nos altares.

 

• Senhor Jesus:

Ajudai-me a conhecer e a combater os meus defeitos;

a procurar a ajuda na Direcção Espiritual

e a força nos Sacramentos para os vencer.

Fazei-me humilde,

para que nunca me convença de que já nada tenho a corrigir.

E dai-me um amor apaixonado por Vós

que me leve a combater a tibieza

e a ser capaz de mudar de vida,

levantar-me e recomeçar o caminho

todas as vezes que for necessário.

______________

 

3ª Estação

 

JESUS É CONDENADO PELO SINÉDRIO

 

• «Os que tinham prendido Jesus levaram-n'O à presença do sumo sacerdote Caifás, onde os escribas e anciãos se tinham reunido.

Entretanto, os príncipes dos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um testemunho falso contra Jesus para O condenarem à morte, mas não o encontravam, embora se tivessem apresentado muitas testemunhas falsas.

Então, o sumo sacerdote rasgou as vestes, dizendo: 'Blasfemou. Que necessidade temos de mais testemunhas?

Acabais de ouvir uma blasfémia. Que vos parece?'

Eles responderam: 'É réu de morte'». [4]

 

• O que procurava o Sinédrio – o tribunal religioso de Jerusalém – não era a verdade sobre Jesus, mas um pretexto para o condenar. Acalentavam um ciúme pelo poder do Divino Mestre e recusavam-se a aceitar as Suas exigências.

Par o conseguir, arranjaram testemunhas falsas, mas estão não estavam de acordo. E quando Jesus declarou a verdade – que Ele era o Filho de Deus, o Messias prometido no Antigo testamento – tiraram daí pretexto para O condenar.

Muitos cristãos juram falso nos tribunais, com a maior das facilidades. Invocam e chamam Deus, para confirmar aquilo que é mentira. Jurar falso, seja por que motivo for, é sempre um pecado grave.

Mas noutras ocasiões também julgamos injustamente. Quando uma pessoa não nos agrada, porque feriu o nosso orgulho, porque estamos dominados pela inveja, pelo ciúme, pela ambição, tudo nos serve de pretexto para murmurar, interpretar mal o que dizem ou fazem, para condenar.

Não julgueis. A medida que usardes para os outros é a que será utilizada para vós, adverte-nos Jesus.

 

• Os Pastorinhos sofreram muito com os julgamentos injustos. A mãe da Lúcia estava convencida de que a filha mentia e trazia enganada toda a gente. Como consequência, era castigada e repreendida com frequência. Os familiares chegaram a atribuir-lhe as culpas da grave doença do coração que afectou e da qual miraculosamente curada, quando a filha foi pedir a sua cura junto da azinheira. 

Muitas pessoas insultavam-nos, como se fossem mentirosos e algumas chegaram mesmo a bater-lhes.

Somente depois do milagre do sol, em 13 de Outubro, toda esta tempestade de insultos e incompreensões amainou.

 

• Senhor da misericórdia:

Queremos, neste momento, pedir-Vos perdão pelas nossas injustiças:

quando julgamos as outras pessoas dominados pela inveja, pela leviandade

que nos impede de ver claro.

Queremos implorar o Vosso perdão

para as vezes em que as outras pessoas são injustamente tratadas

e nós permanecemos cobardemente em silêncio,

para não ter que nos incomodarmos,

e não passarmos um mau bocado,

defendendo a verdade e a justiça.

______________

 

4ª Estação

 

JESUS É NEGADO POR PEDRO

 

     • «Entretanto, Pedro estava sentado no pátio. Uma criada aproximou-se dele e disse-lhe: 'Tu também estavas com Jesus, o galileu'. Mas ele negou diante de todos, dizendo: 'Não sei o que dizes'.

Dirigindo-se para a porta, foi visto por outra criada que disse aos circunstantes: 'Este homem estava com Jesus de Nazaré'. E, de novo, ele negou com juramento: 'Não conheço tal homem'.

Pouco depois, aproximaram-se os que ali estavam e disseram a Pedro: 'Com certeza tu és deles, pois até a fala te denuncia'. Começou então a dizer imprecações e a jurar: 'Não conheço tal homem'.

E, imediatamente, um galo cantou. Então Pedro lembrou-se das palavras que Jesus dissera: 'Antes de o galo cantar, tu Me negarás três vezes'. E, saindo fora, chorou amargamente [5]

 

• Pedro foi chamado por Jesus Cristo para ser Apóstolo, e amava-O sinceramente.

Quando o Mestre perguntou aos Doze — depois da promessa de instituição da Santíssima Eucaristia – se também eles, recusando a fé nesta promessa divina, queriam ir-se embora, como tinham feito muitos discípulos, Pedro respondeu com sincera espontaneidade: «A quem iremos, Senhor? (Só) tu tens palavras de vida eterna!» Era como se dissesse: «Sem Vós, a nossa vida nunca mais tem sentido!»

Jesus escolhera-o para ser o primeiro chefe visível da Igreja, o primeiro Papa.

Com foi então possível este descalabro, na noite da Paixão? Tropeçou em pequenos defeitos que não procurou combater, até sofrer esta dura experiência.

– Pedro era orgulhoso. Quando Jesus anuncia que vai ser preso e morto, mas que ao terceiro dia ressuscitará, Pedro queria impor o seu parecer ao Divino Mestre.

– Era presunçoso em extremo. Quando, na intimidade do Cenáculo, na noite de Quinta-feira Santa, Jesus anunciou que todos os Apóstolos O iriam abandonar, Simão Pedro protestou, ofendido: «Ainda que todos Te abandonem, eu nunca Te abandonarei!»

– Confiado nas próprias forças, dorme, enquanto Jesus faz oração, apesar de os ter advertido: «vigiai e orai, para não cairdes em tentação; porque o espírito está pronto, mas a carne é fraca.» Agarrado às suas ideias, desobedece ao Senhor e fere Malco.

Enquanto Jesus é julgado, com um pequeno tropeço – uma pergunta duma criada – nega com juramento que não conhece Jesus. O respeito humano e o medo vencera-o.

Mas, como amava o Senhor, arrependeu-se e voltou a trás. A partir dali, será mais humilde.

 

• Lúcia – a mais velha dos três Pastorinhos – ficou assustada com o que lhe disse o pároco sobre os acontecimentos da Cova da Iria: «Tudo o que ali se passa pode ser obra do demónio!»

Vergada pela insistência da mãe, a pedindo-lhe que desenganasse as pessoas, achou que o mais cómodo seria desistir. Resolveu, pois, não voltar mais à Cova da Iria.

Eis como ela nos conta o que aconteceu: «No dia 12, pela tarde, começou a juntar-se o povo que vinha para assistir aos acontecimentos do dia seguinte» e tornava-se inadiável tomar uma decisão. De facto, a notícia das Aparições já tinha chegado longe. [6]

Lúcia, atormentada pela dúvida, sentiu-se na obrigação de comunicar aos primos a sua decisão de não ir no dia seguinte à Cova da Iria. Os primos responderam com firmeza:

– «Nós vamos. Aquela Senhora mandou-nos lá ir». [7]

Lúcia pediu-lhes então: «Olha: se a Senhora te perguntar por mim, diz-lhe que não vou, porque tenho medo que seja o demónio». [8]

 «No dia seguinte, – diz a Lúcia – ao aproximar-se a hora em que devia partir, senti-me de repente impelida a ir, por uma força estranha, a que não me era fácil resistir. Pus-me, então, a caminho e passei por casa de meus Tios a ver se ainda lá estava a Jacinta. Encontrei-a no quarto, com seu Irmãozinho Francisco, de joelhos ao pé da cama, chorando.

– Então vocês não vão? – lhes perguntei.

– Sem ti não nos atrevemos a ir. Anda, vem.

– Já cá vou – lhes respondi.

Então, com um semblante já alegre, partiram comigo. O povo esperava-nos em massa pelos caminhos e a custo conseguimos lá chegar». [9]

 

• Senhor, dai-nos humildade para reconhecermos que somos fracos,

e que, sem a Vossa ajuda, somos capazes de todos os crimes.

Fazei-nos corajosos para voltarmos atrás,

quando for necessário reconhecer que demos um passo mal dado.

Que o amor sincero e humilde ao Vosso Coração

nos leve ao arrependimento dos pecados

e a recomeçar com a Vossa ajuda.

______________

 

5ª Estação

 

JESUS É JULGADO POR PILATOS

 

• «Entretanto, Jesus foi levado à presença do governador, que Lhe perguntou: 'Tu és o Rei dos judeus?' Jesus respondeu: 'É como dizes.'

Nessa altura havia um preso famoso, chamado Barrabás. E, quando eles se reuniram, disse-lhes: 'Qual quereis que vos solte? Barrabás, ou Jesus chamado Cristo?' Ele bem sabia que O tinham entregado por inveja.

Eles responderam: 'Barrabás.' Disse-lhes Pilatos: 'Que hei-de fazer de Jesus, chamado Cristo?' Responderam todos: 'Seja crucificado'.

Pilatos, vendo que não conseguia nada e aumentava o tumulto, mandou vir água e lavou as mãos na presença da multidão, dizendo: 'Estou inocente do sangue deste homem. Isso é lá convosco.'

Soltou-lhes então Barrabás. E entregou-lh'O para ser crucificado [10]

 

• O tribunal religioso de Jerusalém – o Sinédrio – não tinha competência para aplicar a pena de morte. Só o poder do Império romano, ali representado pelo governador Pôncio Pilatos, estava capacitado para o fazer.

Ali se dirigem os judeus, procurando uma razão aceitável, embora falsa, para que Jesus seja condenado à morte. Acusam Jesus de ser um revoltoso contra o poder de Roma.

Pilatos reconhece a inocência de Jesus, mas, apegado ao poder, tem medo d perder o lugar. Para mais, sua esposa avisa-o para que não se meta com este Justo, porque tinha sofrido muito em sonhos por causa dele.

Começa por tentar movê-los pela compaixão, apresentando Jesus em estado lamentável. Está coroado de espinhos, tem um farrapo vermelho sobre os ombros, a servir de manto e uma cana na mão, a fingir ridiculamente de ceptro real. Mas a multidão pede, aos gritos, que lh’O tire de diante dos olhos, em resposta ao que lhe com ironia: «Eis o vosso rei!».

Propõe-lhes, então, a escolha entre Jesus – que espalhara amor e misericórdia nos três anos de vida pública – e Barrabás – um assassino e barulhento.

Assim, Pilatos vai descendo de degrau em degrau, até ceder, entregando Jesus à morte, para ser crucificado. Na verdade, não se pode negociar com a morte dos inocentes e com a injustiça.

 

• Também os Pastorinhos de Fátima foram julgados injustamente e sofreram às mãos da autoridade civil.

O Administrador de Vila Nova de Ourém, braço da maçonaria naquele concelho, queria a todo o custo conhecer o segredo revelado em 13 de Julho na Cova da Iria, e do qual ouvira falar. Começou por lhes prometer ficticiamente riquezas e roupas valiosas.

Perante a recusa das crianças, ameaçou-as de que, se não obedecerem aos seus desejos, iria mandar fritá-las em azeite e encenou todo este drama, com um guarda a elevar cada uma delas pelo braço, mergulhada em lágrimas, de tal modo que os três Pastorinhos pensavam que se tratava de algo a sério e, com isto, sofreram muito.

Finalmente, como última pressão, meteu as três crianças de 7, 8 e 10 anos na cadeia de delinquentes comuns e só as liberta quando o povo começa a agitar-se e ele teme as consequências.

Depois do julgamento injusto de Pilatos, quantos inocentes têm sido julgados condenados até aos nossos dias!

Como são os nossos julgamentos das pessoas, e as nossas sentenças nas conversas de murmuração?

 

• Senhor: Dai-me a fortaleza necessária para defender sempre a verdade,

também quando a injustiça é cometida contra os meus irmãos,

e não apenas quando prejudica os meus interesses.

Ajudai-me a defender os que não sabem nem podem defender-se;

A proclamar a verdade e a justiça,

Mesmo que isso me prejudique ou faça passar um mau bocado.

______________

 

6ª Estação

 

JESUS É FLAGELADO E COROADO DE ESPINHOS

 

«(Pilatos) soltou-lhes então Barrabás. E, depois de ter mandado açoitar Jesus, entregou-lh'O para ser crucificado.

Então os soldados do governador levaram Jesus para o pretório e reuniram à volta d'Ele toda a coorte. Tiraram-Lhe a roupa e envolveram-n'O num manto vermelho. Teceram uma coroa de espinhos e puseram-Lha na cabeça e colocaram uma cana na Sua mão direita.

Ajoelhando diante d'Ele, escarneciam-n'O, dizendo: 'Salve, Rei dos judeus!'

Depois cuspiam-Lhe no rosto e, pegando na cana, batiam-Lhe com ela na cabeça [11]

 

• Pilatos entregou Jesus para ser flagelado. Era este um castigo somente aplicado às pessoas de categoria inferior: os escravos, os miseráveis e os que não eram cidadãos romanos.

Despiram-n’O completamente, ataram-n’O de pés e mãos a uma coluna de pedra preparada com duas argolas que O obrigavam a manter-se curvado para a frente.

Homens forte e rudes fizeram chover sobre o dorso delicado de Jesus uma chuva de vergastadas, com látegos de couro com pedaços de ferro, fragmentos de osso e de outros materiais que pudessem magoar as costas e o peito do Divino Mestre, até que o Seu corpo divino se tornou uma só ferida. O Sangue divino espalha-se pelo pavimento e tinge de vermelho a coluna.

Jesus expia, neste indizível tormento, a nossa procura louca de prazer sensível. Oferece ao Eterno Pai a reparação da nossa gula e sensualidade dos solteiros, casados e pessoas consagradas.

O tormento só termina quando começam a temer que Jesus não resista a tanta brutalidade, impossibilitando-os de gozar o espectáculo da crucifixão. Mas vai continuar até ao momento em que termine a sua vida mortal. Cada movimento renovará as dores da flagelação.

 Seguidamente, um grupo de soldados tece uma coroa de espinhos – melhor diríamos um verdadeira capacete – e enterram-lho na cabeça delicada.

Finalmente, não saciados de tanta crueldade, escarnecem d’Ele, dando-Lhe bofetadas, cuspindo e dirigindo-Lhe insultos e frases de escárnio. Neste momento, o mestre divino, com certeza, pensa nos teus  meus pecados de orgulho e intercede por nós ao terno Pai.

 

• Lúcia, Jacinta e Francisco, em 13 de Julho de 1917, depois da visão do inferno, ouviram Nossa Senhora dizer-lhes com «bondade e tristeza: 'Vistes o Inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores; para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. Se fizerem o que eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz.'»

A partir daí, as crianças procuram mortificações voluntárias: fome, sede, paciência nas tribulações, uma corda rude que atam à cinta, para servir de cilício, flagelam as pernas com urtigas e permanecem prostrados longo tempo em oração.

Eis um exemplo desta sede de mortificação, contada pela Lúcia: «A sede fazia-se sentir e não havia pinga d'água para beber! A princípio, oferecíamos o sacrifício com generosidade, pela conversão dos pecadores; mas, passada a hora do meio-dia, não se resistia.

Propus, então, aos meus companheiros, ir a um lugar, que ficava cerca, pedir um pouco de água. Aceitaram a proposta e lá fui bater à porta duma velhinha que, ao dar-me uma infusa com água me deu também um bocadinho de pão que aceitei com reconhecimento, e corri a distribuir com os meus companheiros. Em seguida, dei a infusa ao Francisco e disse-lhe que bebesse:

– Não quero beber — respondeu.

– Por quê?

– Quero sofrer pela conversão dos pecadores.

– Bebe tu, Jacinta!

– Também quero oferecer o sacrifício pelos pecadores!

Deitei então a água na cova duma pedra, para que a bebessem as ovelhas e fui levar a infusa à sua dona.» [12]

As três crianças desejavam completar na sua carne inocente o que falta à Paixão de Cristo, socorrer os pecadores que se encontram em perigo de condenação eterna.

 

• Ajudai-me, Senhor,

a não me deixar manchar por este ambiente de sensualidade

que se respira nas conversas, no modo de vestir, nas atitudes

e nos Meios de Comunicação Social: livros, filmes, sítios da internet.

Fazei que lute contra a tentação de querer substituir-Vos orgulhosamente

E Vos adore como nosso Deus e Senhor.

_____________

 

7ª Estação

 

JESUS É CARREGADO COM A CRUZ

 

• «Levando a cruz, Jesus saiu para o chamado Lugar do Calvário, que em hebraico se diz Gólgota.

Disse Jesus: 'Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Porque quem quiser salvar a sua vida há-de perdê-la; mas quem perder a sua vida por Minha causa, há-de encontrá-la. Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida?'» [13]

 

• O tormento da cruz era um castigo aplicado aos maiores criminosos e de menor categoria social, como pena máxima e suprema humilhação. Também a esta ignomínia não podia ser condenado um cidadão romano.

Jesus carregou para o Calvário o madeiro pregado no qual iria morrer, agora vestido com as próprias roupas, para que todos o pudessem reconhecer.

Nos primeiros anos da história do cristianismo, os discípulos de Jesus envergonhavam-se de representar o nosso Deus na Cruz. Depois, timidamente, começaram a fazer a Sua imagem vestido de rei e com a cruz em jeito de trono.

Finalmente tornou-se num símbolo de vitória. Coroa as torres das catedrais e todos os cristãos querem trazer consigo o crucifixo.

A cruz simboliza para nós em tudo o que nos custa e se pode transformar em amor nesta vida, e em glória eterna no Céu.

A cruz é o nosso trabalho, o feitio que temos, as limitações de saúde, os sonhos que não conseguimos a realizar, as pessoas que vivem connosco, e outras limitações da vida.

O divino Mestre convida-nos a aceitar tudo isto com amor e generosidade. Promete-nos força e consolação interior para levar esta cruz e uma felicidade eterna.

A cruz e alegria não aparecem, à luz da fé, como duas realidades incompatíveis. Quando aceitamos e abraçamos a cruz, a alegria torna-se parte dela.

 

• Francisco e Jacinta recebem, entre outras, a cruz da doença. Jacinta está decidida a não perder qualquer oportunidade de se mortificar. Lúcia apresenta-nos lindos e variados exemplos desta generosidade da pequena pastorinha. Anima-nos a verificar quanto lhe custava ir cedendo em coisas que lhe exigiam sacrifício.

«Um dia, sua Mãe levou-lhe uma chícara de leite e disse-lhe que o tomasse.

– Não quero, minha Mãe – respondeu, afastando com a mãozinha a chícara.

Minha Tia (a)teimou um pouco e depois retirou-se, dizendo:

– Não sei como lhe hei-de fazer tomar alguma coisa, com tanto fastio!

Logo que ficámos sós, perguntei-lhe:

– Como desobedeceste assim a tua Mãe e não ofereces este sacrifício a Nosso Senhor?

Ao ouvir isto, deixou cair algumas lágrimas, que eu tive e felicidade de limpar, e disse:

– Agora não me lembrei!

E chama pela Mãe, pede-lhe perdão que toma tudo quanto ela quiser. A Mãe traz-lhe a chícara do leite; toma-o sem mostrar a mais leve repugnância. Depois, diz-me:

– Se tu soubesses quanto me custou a tomar!» [14]

 «Sua Mãe sabia quanto lhe repugnava o leite. Um dia, levou-lhe, junto com a chícara do leite, um belo cacho de uvas.

– Jacinta - lhe disse - toma lá. Se não puderes tomar o leite, deixa-o ficar e come as uvas.

– Não, minha Mãe, as uvas não as quero, leve-as. Dê-me antes o leite que o tomo.

E, sem mostrar a mínima repugnância, tomou-o. Minha tia retirou-se contente, pensando que o fastio da sua filhinha ia desaparecendo. Depois voltou-se para mim e disse-me:

– Apeteciam-me tanto aquelas uvas e custou-me tanto tomar o leite! Mas quis oferecer este sacrifício a Nosso Senhor». [15]

 

• Senhor:

ajudai-me a levar a minha cruz, sem queixas nem lamentações.

Fazei que a transporte com alegria,

Pois Vós gostais de todo aquele

Que Vos oferece o coração com um sorriso.

Ensinai-me a transformar os pequenos nadas de cada dia

Numa canção de paz e de amor.

______________

 

8ª Estação

 

JESUS É AJUDADO PELO CIRENEU

 

• «Quando O conduziam, lançaram mão de um certo Simão de Cirene, que vinha do campo, e puseram-lhe a cruz às costas, para a levar atrás de Jesus.»

«Disse Jesus aos Seus discípulos:

'Vinde, benditos de Meu Pai; recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e deste-Me de comer; tive sede e destes-Me de beber...

Em verdade vos digo: Quantas vezes o fizestes a um dos Meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes' [16]

 

• Vendo que as forças de Jesus se esgotavam rapidamente e já não aguentava o peso do madeiro, caindo por terra constantemente, e receosos de que morresse antes de saciarem a sede de vingança quando o crucificassem e O vissem expirar na Cruz, lançaram mão de um lavrador que vinha do campo fatigado do trabalho, e obrigaram-no a transportar o pesado madeiro.

Contrariado, ao princípio, Simão de Cirene mudou completamente de sentimentos e tornou-se um apaixonado amigo de Jesus e nunca mais esquecerá estes momentos de contacto com a cruz do Salvador.

Deus recompensou-os nos seus filhos – Alexandre e Rufo – que vieram a ocupar um papel destacado na Igreja primitiva.

À frente de Simão caminha Jesus, cambaleante, mas sereno, sem uma queixa nem lamento, amparado, e vez em quando, pelos soldados, para não cair.

Parece dizer-nos que, nos caminhos da vida, é necessário ajudar os outros e deixar-se ajudar.

Por egoísmo e preguiça, fingimos que não vemos as necessidades de ajuda dos outros; por soberba e auto-suficiência, recusamo-nos a receber ajuda dos que nos querem auxiliar.

 

• Quando teve a visão do inferno, em 13 de Julho, a Jacinta sentiu-se fortemente impressionada com a sorte dos pobres pecadores que recusam converter-se e mudar de vida, sem pensarem na desgraça irremediável que os espera. Movida por estes sentimentos, qualquer sacrifício lhe parecia insignificante.

Havia uma pobre mulher que deixava arrastar pelo vício do álcool e insultava sempre os pastorinhos, atirava-lhes pedras e fazia outras diabruras, quando os via passar junto da sua porta.

Certa vez, depois de ter feito o que pôde, fechou a porta e tentou ver, pelo buraco da fechadura, a reacção das crianças. A Jacinta levantava, nessa ocasião, os olhos ao céu e pronunciava a forma costumada de oferecimento.

Tanto bastou para que a mulher, inteiramente desconcertada, mudasse de vida, deixando a vida alcoólica para sempre. 

 

• Senhor, ajudai-me a ajudar mais os que precisam da minha ajuda;

 a vencer o egoísmo para não pensar só em mim,

e a sentir como próprias as necessidades alheias.

Tornai-me suficientemente humilde

Para aceitar que me ajudem, me aconselhem

e me chamem a atenção para que tudo, em mim, Vos desagrada.

_____________

 

9ª Estação

 

JESUS ENCONTRA AS MULHERES DE JERUSALÉM

 

• «Seguia-O uma grande multidão de povo e mulheres que batiam no peito e se lamentavam, chorando por Ele.

Mas Jesus voltou-Se para elas e disse-lhes: 'Filhas de Jerusalém, não choreis por Mim; chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos... Porque se tratam assim a madeira verde, que acontecerá à seca?'» [17]

 

• O caminho do Calvário é uma pregação eloquente e contínua.

Neste encontro de Jesus com as mães de Jerusalém que erguiam os filhos nos braços, para que recebessem a última bênção, ao mesmo tempo que lamentavam os tormentos a que submetiam o Senhor, Jesus parece dizer-lhes que o sentimentalismo religioso pouco ou nada adianta. O importante é mudar o mundo, assumindo cada um a responsabilidade que lhe cabe.

No caso destas mães, o que elas devem fazer, em vez de se lamentarem em altos brados, é cumprirem com fidelidade a missão que o Senhor lhes confiou, educando cuidadosamente os filhos.

São os pais que devem preparar um mundo melhor, acolhendo e educando bem os filhos. Não adianta lamentar que o mundo está mal, se nada fazemos para o tornar melhor.

Somos nós que damos entrada ao mal, umas vezes, encolhendo preguiçosamente os ombros e fechando os olhos cobardemente para não ver; outras, entregando mesmo os nossos destinos a pessoas sem cabeça e sem coração.

Interroguemo-nos diante do Senhor: que posso eu fazer, para que o ambiente seja mais conforme à vontade de Deus?

 

• Com paciência, sabedoria e arte de joalheiros, os pais dos Pastorinhos modelaram o coração dos filhos nas virtudes humanas: o amor da verdade, a alegria, o espírito de serviço, a generosidade no trabalho, a fortaleza e compaixão pelos mais carenciados...

Recomendavam-lhes que rezassem o Terço, enquanto guardavam os rebanhos no monte, a pesar da sua tenra idade.

Habituados à obediência, mesmo longe da vigilância dos pais, a quem não queriam mentir, no regresso a casa, os três zagalos descobriram uma artimanha infantil para tornar esta obediência mais suave. Deixemos que a Lúcia no-lo explique, com toda a simplicidade.

«Tinham-nos recomendado que, depois da merenda, rezássemos o Terço; mas, como todo o tempo nos parecia pouco, para brincar, arranjámos uma boa maneira de acabar breve: passávamos as contas, dizendo somente: Ave Maria, Ave Maria, Ave Maria! Quando chegávamos ao fim do mistério, dizíamos com muita pausa, a simples palavra: Padre Nosso! E assim, em um abrir e fechar de olhos, como se costuma dizer, tínhamos o nosso Terço rezado!» [18]

Educavam os filhos pelo trabalho que eles podiam fazer, sem tolher uma infância normal e feliz. Procuravam ocupá-los, entregando-lhes a guarda dos rebanhos, até que, por falta de quem os levasse para as pastagens, se viram forçados a vendê-los.

Acautelavam-nos contra as más companhias, para que não fossem contagiados pela corrupção de algumas delas.

 

• Senhor:

ajudai-me a deixar de lado  sentimentalismos inúteis

que a nada conduzem,

e a assumir com fortaleza e sentido de responsabilidade os meus deveres.

Ajudai-me, pela oração confiante, e por um trabalho feito oração,

pela perfeição com que o faço e procurar criar à minha volta,

a procurar fazê-lo com perfeição e amor.

Ajudai-me a colaborar na existência de um mundo melhor,

Pela oração confiante, o trabalho responsável

e a cooperação fraterna.

______________

 

10ª Estação

 

JESUS É CRUCIFICADO

 

• «Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, crucificaram-n'O a Ele e aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda.

Depois de O terem crucificado, repartiram entre si as Suas vestes, tirando-as à sorte, e ficaram ali sentados a guardá-l'O.

Por cima da Sua cabeça puseram um letreiro, indicando a causa da Sua condenação: 'Este é Jesus, o Rei dos judeus'.» [19]

 

• Três grossos e rombos cravos pregaram o corpo de Jesus no madeiro. O som cavo do bater do martelo agride os ouvidos dos presentes e fá-los estremecer de horror.

Abrem generosamente as fontes da Redenção e o Preciosíssimo Sangue e Jesus corre em abundância.

E como os músculos, atormentados por este novo tormento, se contraem, é necessário que uma corda atada ao pulso, e puxada impiedosamente, para distender o braço de Jesus, até que a mão chegue ao furo aberto na madeira.

Sem perda de tempo, levantam o madeiro ao alto e, com ele, o Corpo ensanguentado de Jesus.

Suspenso entre o Céu e a terra, Jesus não pode apoiar-Se nas mãos nem nos pés, para conseguir respirar, porque o peso do corpo abriria ainda mais as chagas dos cravos. E assim, com dificuldade progressiva em respirar, acabará por morrer asfixiado.

Pronuncia frases breves: «Meu Pai, por que Me abandonaste?» Jesus experimenta, por momentos, a suprema desgraça dos que, tendo abandonado a Deus até ao último momento, sofrem a eterna solidão do inferno. «Tenho sede!» É o tormento de quem perdeu muito sangue e nada bebeu desde a Última Ceia até àquele momento. Mas atormenta-O também a sede de tantas pessoas nas quais está presente: sede de amor, de justiça, de compreensão, de ajuda. Quem se apressa a dar-lhe um pouco de água?

 

• É muito impressionante a doença e morte do beato Francisco Marto. Afectado pela pneumónica, o Francisco sabe perfeitamente que vai partir. Quando lhe dizem que ainda via melhorar, a sua resposta é um «não» proferido com uma misteriosa certeza.

No entanto, embora sofrendo muito, está sempre alegre na doença. Quanto lhe custava esse sorriso, só na eternidade o saberemos. Manifestou uma paciência heróica, sem se abrir em desnecessárias confidências.

Todavia, quando lhe perguntavam se sofria muito, respondia com serenidade: «Sim, mas sofro tudo por amor de Nossa Senhor.» [20] Outras vezes respondia: «Bastante; mas não importa. Sofro para consolar a Nosso Senhor; e depois, daqui a pouco, vou para o Céu. [21] »

Quando compreendeu que já não podia usar a corda para se mortificar, entregou-a à Lúcia. Mas continuou a fazer apostolado na doença. Continuava com a grande preocupação de desagravar o Senhor especialmente ofendido na Santíssima Eucaristia.

Fez a Primeira Comunhão pouco antes de morrer. Naquela época só permitiam comungar a quem tivesse já doze anos, embora o Papa S. Pio X tivesse ordenado já em 1910 que as crianças deviam comungar logo que tivessem uso da razão.

Pediu à irmã e à prima que o ajudassem a fazer o exame de consciência para se confessar bem, e pediu à mãe, na véspera de comungar, que o deixasse estar em jejum até ao momento de comungar, embora estivesse doente. No dia 4 de Abril, uma sexta-feira, pelas dez horas da noite, partiu ao encontro do Senhor, sem uma queixa, e com um sorriso nos lábios. Despediu-se com um «Adeus, até ao Céu!...» Com dez anos, nove meses e quatro dias, terminara a sua vida na terra, para a continuar na eternidade.

 

• Senhor: com toda a confiança

Vos entrego o meu passado, o presente e o futuro.

Creio que escolheis com infinito amor

o que é melhor para mim.

Enquanto vou sendo pregado na cruz,

pela falta de saúde, pelas limitações progressivas no andar, no ver e no ouvir;

e mesmo se encontrar a incompreensão,

quero manter o olhar contemplativo da alma no Vosso rosto sereno,

para Vos imitar.

_____________

 

11ª Estação

 

JESUS PROMETE O REINO AO BOM LADRÃO

 

• «Foram crucificados com Ele dois salteadores, um à direita e outro à esquerda.

Os que passavam insultavam-n'O e abanavam a cabeça, dizendo: 'Tu que destruías o templo e o reedificavas em três dias, salva-Te a Ti mesmo; se és o Filho de Deus, desce da cruz':

Entretanto, um dos malfeitores, que tinham sido crucificados insultavam-n'O dizendo: 'Não és Tu o Messias? Salva-Te a Ti mesmo e a nós também'.

Mas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o: 'Não temes a Deus, tu que sofres o mesmo suplício?

Quanto a nós, fez-se justiça, pois recebemos o castigo das nossas más acções. Mas Ele nada praticou de condenável'. E acrescentou: 'Jesus, lembra-Te de Mim, quando vieres com a Tua realeza'.

Jesus respondeu-lhe: 'Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso'.» [22]

 

• Dois homens, um de cada lado de Jesus no Calvário, enfrentam a morte. Os dois encheram a vida de crimes, roubando e matando, semeando a dor e a revolta na sua passagem.

Um deles contorce-se, inconformado, e interpela Jesus com irreverência. Não reconhece os seus crimes e quer ser livre da cruz, como se tivesse a consciência limpa.

O outro, depois de um sério exame de consciência, reconhece que está a receber o castigo merecido pela vida que levou. A justiça não lhe pode valer. Resta-lhe a misericórdia do condenado que está no centro.

Cheio de confiança, bate à porta do coração divino. A resposta chega quase antes de soar o último golpe na porta: «Hoje!» «Agora mesmo estarás comigo no Paraíso!» O ladrão fica desorientado, porque Lhe tinha pedido apenas que se lembrasse dele.

Nunca teremos razão para desesperar, seja qual for a situação em que nos encontrarmos, porque a maior alegria de deus é perdoar.

Aproximemo-nos confiadamente deste Coração divino, no Sacramento da reconciliação e Penitência.

Caminhemos com humildade, reconhecendo, como o bom ladrão, que somos pecadores dispostos a mudar de vida com a Sua ajuda.

E ouviremos, com admiração, as mesmas palavras dirigidas ao bom ladrão: «Hoje!» «Agora mesmo» estás perdoado.

 

• Contam-se diversas graças alcançadas pela Beata Jacinta, ainda em vida. Uma tia da Lúcia veio a Aljustrel pedir à Jacinta que rezasse por um seu filho. Tendo recebido educação religiosa, tornou-se um verdadeiro filho pródigo. Roubou tudo o que pôde aos pais e gastou-o. Começou então uma vida de vadio, até que o meteram na cadeia de torres Novas.

Certa noite conseguiu evadir-se da prisão e fugiu pelo meio dos montes. Perseguia-o o medo de ser novamente apanhado e perdeu-se na escuridão da noite.

Lançou mão do recurso que aprendera em casa dos pais: pôs-se de joelhos e começou a rezar.

«Passados alguns minutos, afirmava ele, aparece-lhe a Jacinta, pega-lhe por a mão e condu-lo à estrada (de) macadame que vem do Algueirão ao Reguengo, fazendo-lhe sinal que continuasse por ali. Quando amanheceu, achou-se a caminho de Boleiros, reconheceu o ponto onde estava e, comovido, dirigiu-se a casa dos pais. [23] »

Ele afirmava que vira a Jacinta. Mas quando Lúcia lhe perguntou se era verdade ela lá ter ido ter com ele, afirmou sempre que não, que nem sabia onde eram esses pinhais e montes onde ele se perdera. E acrescentou: «Eu só rezei a Nossa Senhora por ele, com pena da tia Vitória.»

 

• Senhor Jesus:

Ajudai-me a reconhecer os meus pecados,

fugindo de me desculpar com o meu feitio,

com o ambiente do trabalho e da família,

ou com qualquer outro motivo.

Enchei-me de confiança

Para bater à porta do Vosso Coração misericordioso,

Para que façais descer sobre mim o refrigério confortante

Do Vosso perdão.

E poderei, então, começar uma vida nova,

Até que se abram diante de mim

As portas do paraíso.

______________

 

12ª Estação

 

JESUS, NA CRUZ, SUA MÃE E SEU DISCÍPULO

 

«Estavam junto à cruz de Jesus Sua Mãe, a irmã de Sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas e Maria Madalena.

Ao ver Sua Mãe e o discípulo que Ele amava, Jesus disse ao discípulo: "Eis a tua Mãe!

E a partir daquele momento, o discípulo recebeu-A em sua casa [24]

 

• Sentindo que se aproximava o fim da Sua vida mortal, Jesus faz uma proclamação no trono da Cruz. João Paulo II chama-lhe «testamento admirável». (Fátima, 13 de Maio de 1982).

Os Seus olhos vão perdendo a capacidade de ver; aos Seus ouvidos chegam cada vez mais raramente os insultos dos que estão ali.

Aproveitando um espaço de silêncio, entrega Maria Santíssima aos cuidados de João Evangelista e a este – também a cada um de nós – confia a Sua Mãe virginal.

S. José partira já para a eternidade e o Mestre, num gesto de carinho filial, pensando na viuvez de Maria, garante-lhe um amparo humano.

Mas o gesto é muito mais significativo e rico: proclama solenemente neste momento a maternidade universal de Nossa Senhora. Estando cada um de nós unido a Cristo pelo Baptismo, até ao ponto de formar com Ele o Corpo Místico, Maria, ao ser Mãe da Cabeça – Jesus Cristo – é Mãe de todos nós, Mãe da vida divina que recebemos no Baptismo.

A sua maternidade é um convite mais a que procuremos crescer na intimidade com Ela, amando-A, conversando, pela oração – especialmente do terço e outras orações marianas – e confiando-lhe os nossos problemas.

Deste modo, imitamos o Apóstolo S. João, que A levou para sua casa. É este o ideal de toda a devoção mariana: viver continuamente com Maria.

Ao mesmo tempo, a sua maternidade é um convite estímulo para que nos ajudemos o mais possível uns aos outros. Tal como nas famílias numerosas e unidas, os filhos mais velhos ajudam a mãe a cuidar dos mais novos, Maria pede a nossa colaboração humilde no cuidado daqueles que estão mais próximos de nós.

Assim começamos a viver na terra a comunhão e partilha da Verdade e do Amor que nos aguardam no Céu.

 

• Na aparição de 13 de Junho, Lúcia fez um pedido a Nossa Senhora:

« – Queria pedir-lhe para nos levar para o Céu.

A resposta foi imediata:

– Sim; a Jacinta e o Francisco levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-se de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração.

– Fico cá sozinha? – perguntei com pena.

– Não, filha: E tu sofres muito? Não desanimes. Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus. [25] »

Mais tarde. Já no Carmelo de Coimbra, a Irmã Lúcia gostava muito rezar junto de uma imagem do Imaculado Coração de Maria, colocando-se numa posição em que a mão da imagem poisava sobre a cabeça da irmã. Talvez recordasse esta consoladora promessa: Eu nunca te deixarei.

 

• Ajudai-me, Senhora,

a trazer-vos para a minha casa – para a minha vida –

contando-vos os meus segredos e preocupações,

 e pedindo-vos ajuda nas dificuldades que vou encontrando.

Que o vosso Coração Imaculado

seja para mim também o auxílio e o refúgio.

Seguro na vossa mão, não terei medo de caminhar.

________

 

13ª Estação

 

JESUS MORRE NA CRUZ

 

«Depois, sabendo que tudo estava consumado e para que se cumprisse a escritura, Jesus disse: 'Tenho sede'. Estava ali um vaso cheio de vinagre. Prenderam a uma vara uma esponja embebida em vinagre e levaram-no à boca.

Quando Jesus tomou o vinagre, exclamou: 'Tudo está consumado'.

Era já quase o meio dia, quando as trevas cobriram toda a terra, até às três horas da tarde, porque o sol se tinha eclipsado.

O véu do templo rasgou-se ao meio: E Jesus exclamou com voz forte: 'Pai, em Tuas mãos entrego o Meu espírito'. Dito isto, expirou [26]

 

• Depois de três horas de longa agonia, Jesus vê aproximar-se o fim da Sua vida mortal. A respiração é cada vez mais ofegante, pelo esforço que faz para encher de ar os pulmões.

Queixa-Se de que tem sede. É talvez o único pedido e lamentação que faz em toda a Paixão. Desde a Última Ceia que não prova qualquer alimento ou bebida. Além disso, suou muito nos Jardim das Oliveiras, perdeu abundantemente Sangue na flagelação e Coroação de espinhos, e despendeu enorme esforço para levar o madeiro.

Mas este alimento é também simbólico. Presentes na Paixão de Jesus estão todos os sequiosos do mundo: sedentos de verdade, de justiça, de amor, e de compreensão. E Ele quer todos andemos mais atentos aos que sofrem.  

A última oferta dos homens, na vida do Filho de Deus sobre a terra, é o vinagre azedo e agressivo.

A terra cobre-se de trevas, como que a tentar esconder o crime hediondo que acaba de ser cometido: a morte do Redentor do mundo.

Antes, no Jardim das Oliveiras, tinha rogado ao Pai que, se possível, afastasse d’Ele o cálice do sofrimento. Agora pode dizer com toda a serenidade: "Tudo está consumado", ou seja, cumpri fielmente o programa que Me confiastes.

O véu do Templo de Jerusalém ocultava aos olhos humanos o Santo dos santos. Agora, cada pessoa pode aproximar-se com toda a confiança do Pai.

Com a Sua morte libertou-nos do medo à morte e transformou-a em momento de encontro com o rosto do Senhor: do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

 

• Nossa Senhora prometera, na aparição e Junho, que viria em breve buscar o Francisco e a Jacinta para os levar para o Céu.

Chegara a vez da Jacinta ir ao encontro da Senhora tão linda que pudera contemplar na Cova da iria.

Quando a doença se agravou, já sabia que estava a chegar ao fim da sua caminhada na terra, embora os familiares e amigos continuassem a alimentar a esperança da cura.

Depois de algum tempo recolhida na cama, em casa dos pais, foi levada para o Hospital de Vila Nova de Ourém, onde esteve os meses de Julho e Agosto de 1919. Tinha então dez anos e alguns meses. Em breve concluíram que nada podiam fazer, dada a gravidade da doença e, por isso, voltou para Aljustrel.

Nossa Senhora perguntou-lhe se queria sofrer mais, pela conversão dos pecadores. Iria para Lisboa, terra desconhecida para ela, e longe da família. Aceitou generosamente mais este sacrifício e foi em 21 de Janeiro de 1920. Internada no Hospital infantil de D. Estefânia, em 2 de Fevereiro, ali foi submetida a um tratamento intensivo. Operaram-na, mas apenas conseguiram aumentar o seu sofrimento. Queixava-se ao pessoal de enfermagem das muitas dores. Três dias antes da morte, parece que Nossa Senhora lhe retirou todo o sofrimento.

Sabendo que se aproximava a hora de ir ao encontro de Deus, pediu os últimos sacramentos. O pároco dos Anjos prometeu trazer-lhe a Sagrada Comunhão no dia seguinte, mas já não foi possível. No dia 20 de Fevereiro, uma sexta-feira, como o Francisco, às 22:30 da noite, vou levada para o Céu.

Depositaram o caixãozinho numa das dependências da igreja paroquial de Anjos. Estava vestida de branco e azul, como pedira. Na manhã do dia 24, seguiu de comboio para Vila Nova de Ourém, onde foi colocado no jazigo dos Condes de Alvaiázere. Mais tarde, a relíquia foi transportada para a Basílica de Fátima.

 

 

• Senhor:

Desde agora entrego em Vossas mãos

o meu passado, o presente e o futuro.

Sois a infinita Sabedoria, e escolheis com paternal carinho

o que há de melhor para mim.

Que eu termine a minha vida na terra

Com a alegria de quem vai para uma festa,

embora consciente das minhas inumeráveis limitações pessoais,

quero fazer da minha vida

um hino de amor à Vossa Vontade.

______________

 

14ª Estação

 

JESUS É DEPOSTO NO SEPULCRO

 

«Então, o véu do templo rasgou-se em duas partes, de alto a baixo; a terra tremeu e as rochas fenderam-se. Abriram-se os túmulos e muitos corpos de santos que tinham morrido ressuscitaram; e saindo do sepulcro, depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade e apareceram a muitos.

Estavam ali, a observar de longe, muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galileia, para O servirem. Entre elas encontravam-se Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.

Ao cair da tarde, veio um homem rico de Arimateia, chamado José, que também se tinha tornado discípulo de Jesus.

Foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus: E Pilatos ordenou que lho entregassem. José tomou o corpo, envolveu-o num lençol limpo e depositou-o no seu sepulcro novo que tinha mandado escavar na rocha.

Depois rolou uma grande pedra para a entrada do sepulcro, e retirou-se [27]

 

• Depois de o centurião romano ter verificado a morte de Jesus, trespassando-Lhe o lado com uma lança o qual abre um manancial de onde brotou Sangue e água, o Corpo do Divino Mestre foi retirado cuidadosamente da Cruz.

Não havia tempo suficiente para lavar o Corpo ensanguentado e as chagas, porque o Sábado — era um grande dia aquele Sábado – principiava com o pôr do sol de sexta-feira e nele estava proibido qualquer trabalho.

José de Arimateia cedeu a sepultura que tinha que tinha cavado na rocha para si, ali mesmo, num jardim próximo.

Limitaram-se, pois, a cobrir o corpo de Jesus com uma mistura de mirra e aloés, para evitar qualquer assomo de corrupção. Envolveram-no num lençol e colocaram-no dentro da gruta, esperando, depois do descanso sabático, prepará-lo para uma sepultura definitiva.

Apesar das contínuas afirmações de Jesus, eles não acabavam por acreditar na Ressurreição gloriosa do Mestre.

Rolaram uma grande pedra em forma de moa de moinho para a entrada do sepulcro e retiraram-se meditando no que tinha acontecido naquele dia.

Entretanto, Jesus preparava-lhes a grande surpresa da Ressurreição gloriosa, na madrugada do Primeiro Dia da semana. 

 

• João Paulo II deslocou-se às Cova da Iria em 12 de Maio do ano jubilar 2000, para beatificar os dois Pastorinhos, Francisco e Jacinta. A manhã de 13 apresentou-se radiante de sol.

No alto da Basílica estavam duas bandeiras monumentais que ocultavam aos olhos dos presentes os retratos dos dois irmãos Pastorinhos.

Às nove horas da manhã o Santo Padre entrou no grande recinto. Concelebraram com ele 9 Cardiais, todo o Episcopado Português e muitos Bispos de outros países e cerca de mil sacerdotes. 

Meio milhar de crianças tomaram lugar na escadaria da esplanada e nas primeiras cadeiras. Lúcia estava presente perto do altar. Também as pombas brancas fizeram a sua aparição, poisando na escadaria, depois de algumas voltas, como que a saudar a imagem de Nossa Senhora levada triunfalmente para junto do altar da Celebração.

Uma vibrante salva de palmas ergueu-se ao Céu, quando o Santo Padre inscreveu as duas crianças no catálogo dos Beatos.

Este dia ficou imortalizado também pela revelação da terceira parte do Segredo revelado em 13 de Julho de 1917.

 

• Senhor:

Eu creio que, para além de tantas maravilhas da terra,

Nos espera a alegria do Céu

E, no fim dos tempos, a nossa ressurreição.

Confiamos na Vossa misericórdia

Para vivermos na esperança de uma ressurreição gloriosa.

Queremos cantar, como o Servo de Deus,

Frei Bernardo de Vasconcelos:

«Para alem da morte, a vida;

Para alem da terra, o Céu.

Ó morte, foste vencida!

Forte poder te venceu!»

 

 

Fernando Silva

Na Peregrinação Nacional da Legião de Maria

Cova da Iria, 25 de Outubro de 2008.

 

 

 

 

[1] S. Lucas 22, 39-46.

 

[2] MEMÓRIAS, II, pg. 62.

 

[3] S. Lucas 22, 47-54.

 

[4] S. Mateus 26, 57. 59. 65-66

 

[5] S. Mateus, 26, 69-75.

 

[6] Cf MIL II, II, nº 5, pg. 67-68; DE MARCHI, pg. 75.

 

[7] MIL II, II, nº 6, pg. 69.

 

[8] MIL II, II, nº 6, pg. 69.

 

[9] MIL II, II, nº 6, pg. 70.

 

[10] S. Mateus 27, 11. 16-18. 21b-24. 26.

 

[11] S. Mateus 27, 25-30.

 

[12] MIL I, I, nº 9, pg. 31-32.

 

[13] S. João 19, 17; e S. Mateus 27, 16 124-26.

 

[14] MIL I, III, nº 1, pg. 42.

 

[15] MIL II, III, nº 7, pg. 92.

 

[16] S. Lucas, 23, 26; e S. Mateus, 25, 34. 40.

 

[17] S. Lucas 23, 27. 31.

 

[18] MIL, I, nº 6, pg. 28.

 

[19] S. Mateus 27, 33.35.

 

[20] MIL, II e III, nº 7, pg. 91.

 

[21] MIL, IV, nº 16, pg. 144.

 

[22] S. Mateus 27, 37; S. Lucas 23, 33-38.

 

[23] MIL, IV, III, nº 1, pp. 174-175.

 

[24] S. João  19, 25-27.

 

[25] MIL, IV, II, nº 5, pp. 161-162.

 

[26] S. Mateus 27, 56-57; S. Lucas 23, 44-49.

 

[27] S. Mateus 27, 51-53. 55-60.

 

 

 

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial