S. José, Esp. da V. Santa Maria

19 de Março de 2009

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Alegrai-vos, ó Virgem Maria, M. Luís, NCT 647

Lc 12, 42

Antífona de entrada: Este é o servo fiel e prudente, que o Senhor pôs à frente da sua família.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Ao celebrarmos a Solenidade de S. José, Esposo da Virgem Santa Maria, queremos também hoje comemorar o dia do pai. Vamos ter presente as intenções e necessidades de todos os pais da Terra.

O Pai adoptivo de Jesus, deixou a todos os pais e educadores grandes lições a imitar.

Homem justo, foi Amigo íntimo de Deus, cumprindo sempre, com fé e humildade a vontade do Senhor. Guarda e Protector da Sagrada Família, foi fiel executor dos planos de Deus.

Com humildade e espírito de serviço, venceu as muitas dificuldades que a Sagrada Família teve que enfrentar. O segredo de tantas vitórias está na sua profunda vida interior, aliada a uma grande humildade e simplicidade, que importa saibamos imitar.

 

Oração colecta: Deus todo-poderoso, que na aurora dos novos tempos confiastes a São José a guarda dos mistérios da salvação dos homens, concedei à vossa Igreja, por sua intercessão, a graça de os conservar fielmente e de os realizar até à sua plenitude. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: S. José, pai adoptivo de Jesus, assume a paternidade legal do próprio Filho de Deus. Por ele, Jesus, será chamado Filho de David e ficará ligado à história dos homens.

 

2 Samuel 7, 4-5a.12-14a.16

 

4Naqueles dias, o Senhor falou a Natã, dizendo: 5a«Vai dizer ao meu servo David: Assim fala o Senhor: 12Quando chegares ao termo dos teus dias e fores repousar com os teus pais, estabelecerei em teu lugar um descendente que nascerá de ti e consolidarei a tua realeza. 13Ele construirá um palácio ao meu nome e Eu consolidarei para sempre o seu trono real. 14aSerei para ele um pai e Ele será para Mim um filho. 16A tua casa e o teu reino permanecerão diante de Mim eternamente e o teu trono será firme para sempre».

 

Este texto, respigado da célebre profecia dinástica do profeta Natã, em que se garante a estabilidade da descendência de David à frente do povo de Israel – «o teu trono será firme para sempre» (v. 16) –, irá alimentar a esperança de restauração messiânica, após o desterro de Babilónia e justifica o título de «Filho de David» dado a Jesus ao longo do Novo Testamento (cf. Mt 1, 1; 9, 27; 12, 23; 15, 22; 20, 30-31; 21, 9; 22, 42; Act 2, 30; 13, 22-23; Rom 1, 3; 2 Tim 2, 8; Apoc 5, 5; 22, 16). O texto é escolhido para a solenidade de S. José, por ser ele quem garante a Jesus a sua descendência de David (Mt 1, 1; Lc 1, 31-33: «reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reino não terá fim»); com efeito, segundo a lei, José era pai de Jesus, um dado suficiente para Ele ser considerado descendente de David, embora também Maria devesse ser descendente de David, dado o costume de os casamentos se fazerem dentro da parentela.

4 «Naqueles dias», isto é, na mesma noite em que o profeta Natã tinha apoiado a resolução do rei David de vir a construir uma casa digna para a arca da aliança que substituísse o modesto tabernáculo feito de cortinados. A mensagem divina para David é que não vai ser ele a conseguir uma casa (templo) para Deus, mas vai ser o próprio Deus a erguer-lhe uma casa (descendência) que permanecerá eternamente. O profeta joga com o duplo sentido da palavra hebraica «báyit», casa e dinastia (v. 11-12).

 

Salmo Responsorial     Sl 88 (89), 2-3.4-5.27 e 29 (R. 37)

 

Monição: Cantemos as misericórdias do Senhor realizadas na nossa história e na nossa vida. Ao Amor infinito que Deus nos tem, respondamos com uma vida de entrega, que é a melhor tradução do nosso amor.

 

Refrão:         A sua descendência permanecerá eternamente.

 

Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor

e para sempre proclamarei a sua fidelidade.

Vós dissestes: «A bondade está estabelecida para sempre»,

no céu permanece firme a vossa fidelidade.

 

Concluí uma aliança com o meu eleito,

fiz um juramento a David meu servo:

Conservarei a tua descendência para sempre,

estabelecerei o teu trono por todas as gerações.

 

Ele Me invocará: «Vós sois meu Pai,

meu Deus, meu Salvador».

Assegurar-lhe-ei para sempre o meu favor,

a minha aliança com ele será irrevogável.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Abraão foi um grande modelo de fé. Pela fé foi declarado pai de muitos povos. A fé de S. José foi também posta à prova. Nesses momentos, por vezes bem difíceis, sempre deu respostas reveladoras da sua fé.

 

Romanos 4, 13.16-18.22

 

Irmãos: 13Não foi por meio da Lei, mas pela justiça da fé, que se fez a Abraão ou à sua descendência a promessa de que receberia o mundo como herança. 16Portanto a herança vem pela fé, para que seja dom gratuito de Deus e a promessa seja válida para toda a descendência, não só para a descendência segundo a Lei, mas também para a descendência segundo a fé de Abraão. 17Ele é o pai de todos nós, como está escrito: «Fiz de ti o pai de muitos povos». Ele é o nosso pai diante d’Aquele em quem acreditou, o Deus que dá vida aos mortos e chama à existência o que não existe. 18Esperando contra toda a esperança, Abraão acreditou, tornando-se pai de muitos povos, como lhe tinha sido dito: 22«Assim será a tua descendência». Por este motivo é que isto «lhe foi atribuído como justiça».

 

Se na 1.ª leitura se falava de David, ascendente de S. José, nesta fala-se de outro ascendente mais longínquo, Abraão, o primeiro Patriarca do antigo povo de Deus. S. José é o Santo Patriarca do novo Povo de Deus, pois tem sobre Jesus os direitos legais de pai. 22Assim como Abraão foi pai de muitas nações (v. 17) também o Patriarca S. José é Pai e Patrono da Igreja de Cristo.

 

Aclamação ao Evangelho         Sl 83 (84), 5

 

Monição: A S. José é revelado o Mistério da Encarnação do Verbo de Deus. Ele aparece como homem atento e obediente ao Senhor. Por vontade de Deus, passa a velar os dois tesouros, que são Jesus e Maria.

 

Cântico: J. Santos, NRMS 40

 

Felizes os que habitam na vossa casa, Senhor:

eles Vos louvarão pelos tempos sem fim.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 1, 16.18-21.24ª

 

16Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo. 18O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. 19Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. 20Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». 24aQuando despertou do sono, José fez como lhe ordenara o Anjo do Senhor.

 

S. Mateus centra o seu relato do nascimento de Jesus na figura de S. José (S. Lucas na de Maria), com uma clara intencionalidade teológica de apresentar Jesus como o Messias, anunciado como descendente de David. Isto é posto em evidência logo de início: «Genealogia de Jesus Cristo (=Messias), Filho de David» (v. 1). Como a linha genealógica passava pelo marido, é a de José que é apresentada. Os elos são seleccionados para que apareçam três séries de 14 nomes, obedecendo a uma técnica rabínica, chamada gematriáh, ou recurso ao valor alfabético dos números; assim o número 14, reforçado pela sua tripla repetição – «catorze gerações» – (no v. 17), sugere o nome de David, que em hebraico se escreve com três consoantes (em hebraico não se escrevem as vogais) que dão o número catorze ([D=4]+[V=6]+[D=4]=14). A concepção virginal antes de ser explicada e justificada pelo cumprimento das Escrituras (vv. 18-25), é logo anunciada na genealogia, pois para todos os seus elos se diz «gerou», quando para o último elo se diz «José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus» (v. 16).

18 «Antes de terem vivido em comum»: Maria e José já tinham celebrado os esponsais (erusim), que tinham valor jurídico de um matrimónio, mas ainda não tinham feito as bodas solenes (nissuim ou liqquhim), em que o noivo trazia festivamente a noiva para sua casa, o que costumava ser cerca de um ano depois.

«Encontrava-se grávida por virtude do Espírito Santo»: isto conta-se em pormenor no Evangelho de S. Lucas (1, 26-38), lido na festa da Imaculada Conceição (ver comentário então feito). Ao dizer-se «por virtude do Espírito Santo», não se quer dizer que o Espírito Santo desempenhou o papel de pai, pois Ele é puro espírito. Também isto nada tem que ver com os relatos mitológicos dos semideuses, filhos dum deus e duma mulher. Além do mais, é evidente o carácter semítico e o substrato judaico e vétero-testamentário das narrativas da infância de Jesus em Mateus e Lucas; ora, nas línguas semíticas a palavra «espírito» (rúah) não é masculina, mas sim feminina. Isto chegava para fazer afastar toda a suspeita de dependência do relato relativamente aos mitos pagãos. Por outro lado, na Sagrada Escritura, Deus nunca intervém na geração à maneira humana, pois é espiritual e transcendente: Deus não gera, Deus cria. As narrativas de Mateus e Lucas têm tal originalidade que excluem qualquer dependência dos mitos, coisa totalmente contrária à verdade da Revelação divina.

19 «Mas José, seu esposo…». Partindo do facto real e indiscutível da concepção virginal de Jesus, aqui apresentamos uma das muitas explicações dadas para o que se passou. Não dispomos da crónica dos factos, pois a intenção do Evangelista era primordialmente teológica, embora sem inventar histórias, pois, em face dos dados das suas fontes, nem sequer disso precisava. Maria nada teria revelado a José do mistério que nela se passava e José ao saber da gravidez de Maria, não a denuncia como adúltera; sendo um santo, «justo», não a condena, pois conhecia a santidade singular de Maria; não admite qualquer suspeita, mas pressente que está perante algo de sobrenatural e não quer intrometer-se num mistério que o ultrapassava. É assim que «resolveu repudiá-la em segredo», evitando, «difamá-la» (colocá-la numa situação infamante) ou simplesmente «tornar público» («deigmatísai») o mistério messiânico. A sua delicadeza extrema levava-o a não pedir explicações a Maria. Ela também não falou de algo tão extraordinário, inaudito e incrível. Maria calava, sofria também, deixando nas mãos de Deus a sua honra e as angústias por que José iria passar por sua causa; Deus, que tinha revelado já a Isabel o mistério da sua concepção, podia igualmente vir a revelá-lo a José.

20 «Não temas receber Maria, tua esposa». O Anjo não diz: «não desconfies», mas: «não temas». Segundo a explicação anterior, José deveria andar amedrontado com algo de divino e misterioso que pressentia: Julgando-se indigno de Maria, decide não se imiscuir num mistério que o transcende; «tomado dum assombro sagrado perante a novidade de tão grande milagre, perante a proximidade de tão grande mistério, quis deixá-la ocultamente... José tinha-se, por indigno...» (S. Bernardo). Zerwick pensa que o texto poderia mesmo traduzir-se: «embora o que nela foi gerado seja do Espírito Santo, Ela dar-(te-)á à luz um filho ao qual porás o nome de Jesus», exercendo assim para Ele a missão de pai». O Anjo não só elucida José, como também lhe diz que ele tem uma missão a cumprir no mistério da Incarnação, a missão e a dignidade de pai do Salvador. Comenta Santo Agostinho: «A José não só se lhe deve o nome de pai, mas este é-lhe devido mais do que a qualquer outro. Como era pai? Tanto mais profundamente pai, quanto mais casta foi a sua paternidade... O Senhor não nasceu do germe de José. Mas à piedade e amor de José nasceu um filho da Virgem Maria, que era Filho de Deus».

23 «Será chamado Emanuel». No original hebraico de Isaías 7, 14, temos o verbo no singular (forma aramaica para a 3ª pessoa do singular feminino: weqar’at referido a virgem, que é quem põe o nome = «e ela chamará»). Mateus, porém, usa o plural, que não aparece na tradução litúrgica, (kai kalésousin: «e chamarão»), um plural de generaliza­ção, a fim de que o texto possa ser aplicado a S. José, para pôr em evidência a missão de S. José, como pai «legal» de Jesus (era ao pai que pertencia pôr o nome, não à mãe). Mateus não receia adaptar o texto à realidade maravilhosa, muito mais rica do que a letra do anúncio profético. Note-se que esta técnica de actualização (o deraxe) não é arbitrária, pois se baseia na regra hermenêutica rabínica chamada al-tiqrey («não leias»), a qual consiste em não ler um texto consonântico com umas vogais, mas com outras (o hebraico escrevia-se sem vogais). Neste caso, trata-se de «não ler» as consoantes do verbo (wqrt) com as vogais que correspondem à forma feminina (tanto da 3ª pessoa do singular da forma aramaica, como da 2ª pessoa do singular da tradução dos LXX: weqar’at – «e tu chamarás»), mas de ler com as vogais que correspondem à 2ª pessoa do singular masculino (weqar’ata «e tu chamarás» (lembrar que em hebraico há formas diferentes para o masculino e feminino das 2ª e 3ª pessoas dos verbos). Como pensa Alexandre Díez Macho, «com este deraxe oculto, mas real, Mateus confirma as palavras do anjo do Senhor no v. 21: «e (tu, José) o chamarás». Assim, S. João Crisóstomo parafraseia: «Tu lhe farás as vezes de pai, por isso, começando pela imposição do nome, Eu te uno intimamente com Aquele que vai nascer» (Homil. in Mt, 4).

25 «E não a tinha conhecido...» S. Mateus pretende realçar que Jesus nasceu sem prévias relações conjugais, mas por um milagre de Deus. Quanto à posterior virgindade o Evangelista não só não a nega, como até a parece insinuar no original grego, ao usar o imperfeito de duração («não a conhecia») em vez do chamado aoristo complexívo como seria de esperar, caso quisesse abranger apenas o tempo até ao parto (Zerwick). Uma tradução mais à letra seria «até que Ela deu à luz» (em vez de: «quando Ela deu à luz»), uma afirmação que não significa necessariamente que depois já não se verificasse o que até este momento acontecera (assim é também em Jo 9, 18).

 

Ou:

São Lucas 2, 41-51a

41Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. 42Quando Ele fez doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa. 43Quando eles regressavam, passados os dias festivos, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. 44Julgando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-l’O entre os parentes e conhecidos. 45Não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à sua procura. 46Passados três dias, encontraram-n’O no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. 47Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas. 48Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados e sua Mãe disse-Lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». 49Jesus respondeu-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». 50Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse. Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso.

 

Quando faziam 12 anos, os rapazes israelitas começavam a ter os deveres e direitos da Lei mosaica, incluindo o dever de peregrinar a Jerusalém. Os judeus costumavam deslocar-se em caravanas e em grupos separados de homens e de mulheres, as crianças podiam fazer viagem em qualquer dos grupos; nas paragens do caminho, as famílias reuniam-se. É neste contexto que se desenrola o relato. A atitude de Jesus de ficar em Jerusalém é deveras surpreendente. Não deveria ter avisado os pais ou outros familiares? O que não faz sentido é buscar a explicação do sucedido numa rebeldia ou na irresponsabilidade dum adolescente – este rapaz é o Filho de Deus –, embora o relato evangélico possa fornecer luzes aos pais que se deparam com situações similares de filhos perdidos.

A teologia de Lucas talvez nos possa dar alguma pista para a compreensão do episódio narrado. «Jerusalém» não é simplesmente o centro da vida religiosa de Israel. Para os evangelistas, e de modo singular para Lucas, Jerusalém representa o culminar de toda a obra salvadora de Jesus, por ocasião da Páscoa da Paixão, Morte e Ressurreição. É por isso que Lucas, ao pôr em evidência a tensão de Jesus para a sua Paixão, apresenta grande parte do seu ensino «a caminho de Jerusalém», onde Jesus tem de padecer para ir para o Pai e entrar na sua glória (cf. Lc 24, 26). A teologia de Lucas não é abstracta e desligada da realidade. Ora a realidade é que Jesus não é apenas «o Mestre», Ele é «o Profeta», e, por isso mesmo, não ensina apenas quando exerce a função de rabi, mas, em todos os passos da sua vida, actua como Profeta, ensinando através dos seu agir, mormente através de acções simbólicas de profundo alcance, por vezes bem chocantes. O «Menino perdido» – já não é tão menino, pois é um jovem no pleno uso dos seus direitos como judeu – é um Profeta que realiza uma acção simbólica para proclamar quem é e qual é a sua missão: «Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?» Ele é o Filho de Deus, e tem de cumprir a missão que o Pai lhe confiou – «em Jerusalém» –, ainda que isto lhe custe bem e tenha de fazer sofrer aqueles que mais ama – «aflitos à tua procura» (v. 48). O episódio passa-se em Jerusalém, como prenúncio e paralelo de um sofrimento bem maior, também em Jerusalém. A lição é clara: não se pode realizar plenamente a vontade do Pai do Céu e, ao mesmo tempo, evitar todo o sofrimento tanto o próprio como o dos seres mais queridos; subir a Jerusalém é subir à Cruz, e subir à Cruz é «elevar-se» ao Céu, também em Jerusalém (cf. Lc 24, 50-51).

41 «Os pais de Jesus». «Teu pai» (v. 48). Uma vez que Lucas tinha acabado de falar tão explicitamente da concepção virginal de Jesus, não tem agora qualquer receio de nomear S. José como pai (virginal) do Senhor.

49 «Eu devia estar na Casa de Meu Pai». A tradução de «tá toû Patrós mou» pode significar tanto «a casa de meu Pai», como «as coisas (assuntos, vontade) de meu Pai». A verdade é que o redactor pode ter querido dar à resposta de Jesus uma certa ambiguidade: «Não sabíeis que Eu tenho de estar nas coisas de meu Pai» (e que, por isso, me deveria encontrar aqui no Templo)»?

50 «Eles não entenderam». A resposta do Menino envolvia um sentido muito profundo que ultrapassava uma simples justificação da sua «independência». Não alcançam ver até onde iria este «estar nas coisas do Pai», mas também não se atrevem a fazer mais perguntas. Estamos postos perante o mistério do ser e da missão de Jesus; é mais um «sinal» e mais uma «espada» (cf. Lc 2, 34-35).

 

Sugestões para a homilia

 

Os caminhos de Deus, são caminhos de felicidade.

S. José foi fidelíssimo aos planos de Deus.

Importância, encantos e ameaças à Família.

1. Os caminhos de Deus são caminhos de felicidade.

«Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor», assim afirmámos há momentos. Foi para vivermos alegres no tempo e na eternidade que Deus, nosso Pai, nos chamou à vida. Desta verdade não podemos duvidar. Ele ama-nos com Amor infinito. Se desejamos viver contentes, felizes, muito mais o deseja o Pai que tanto nos ama. Mas, se assim é, porque será que tanta gente chora e se sente infeliz? A lógica da fé, diz-nos que a culpa não é, nem pode ser de Deus. A culpa é dos homens.

Ele criou os homens livres e respeita a sua liberdade até às últimas consequências. Assim há quem aceite seguir com fidelidade os caminhos do Senhor e quem, por acreditar mais noutros «deuses», os rejeite. Tal rejeição é a causa de todas essas lágrimas.

2. S. José foi fidelíssimo aos planos de Deus.

S. José foi fidelíssimo aos planos, sempre amorosos do Senhor. E por o ser, apesar das muitas dificuldades que teve de vencer, foi sempre um homem felicíssimo: viu-se constituído Guardião e Protector da Sagrada Família – o que de mais precioso jamais existiu á face da Terra.

Esta fidelidade tinha por base uma grande humildade, espírito de serviço, vida de oração e uma profunda fé.

3. Importância, encantos e ameaças à Família.

Para a consecução da alegria que todos tanto desejamos, Deus, nosso Pai, quis que cada um de nós nascesse numa Família. A família é um grande património da humanidade.

O facto de Jesus, querer viver em Família, com Maria e José, durante trinta anos, reservando apenas três para a vida pública, diz bem da importância que Ele tem pela Família.

São bem conhecidos os atentados a esta instituição divina, na hora que passa. Os divórcios, uniões de facto, a não aceitação de filhos etc. etc. são caminhos de retrocesso da humanidade, causa de tanta tristeza, mesmo de muitas lágrimas.

Como é urgente voltarmo-nos para a Sagrada Família, a cujos destinos presidiu S. José! Viveu pobre, experimentou as agruras do exílio e a incompreensão dos homens, mas viveu em total fidelidade ao Senhor, por isso não duvidamos: foi feliz.

S. José com o fruto do seu trabalho, procurou que não faltasse o indispensável a Jesus e Sua Mãe, Maria Santíssima.

Com que carinho e cuidado, S. José ensinou a arte de carpinteiro ao próprio Filho de Deus!

Como seria belo, após um dia de trabalho na oficina de Nazaré, assistir à oração em família, presidida por S. José.

E que imaginar da alegre convivência desta Família, durante e após as frugais refeições preparadas, com tanto esmero e carinho, por Nossa Senhora?

Quando certo dia, Jesus ficou em Jerusalém, sem que eles o soubessem, José e Maria não descansaram enquanto O não voltaram a encontrar. Que grande lição para tantos pais que, por vezes, desconhecem a paradeiro de seus filhos e não os procuram!

Após uma vida longa, trabalhosa, mas feliz, S. José deixou este mundo entre os braços de Jesus e de sua castíssima Esposa, Maria Santíssima. Com razão, foi proclamado Padroeiro da Boa Morte. Que bom será partir deste mundo com S. José a nosso lado! Que tenhamos essa dita. Com ele estará Nossa Senhora e Jesus misericordioso para nos julgar.

S. José, do reino dos Céus, proteja o Santo Padre, a Santa Igreja Universal, as nossas famílias e todos os pais.

 

Fala o Santo Padre

 

«O exemplo de São José é um forte convite a desempenhar com fidelidade e humildade

a tarefa que a Providência nos destinou.»

 

Celebra-se hoje, 19 de Março, a solenidade de São José (…). A figura deste grande Santo, mesmo sendo bastante escondida, reveste na história da salvação uma importância fundamental. Antes de tudo, pertencendo ele à tribo de Judá, ligou Jesus à descendência davídica, de forma que, realizando as promessas sobre o Messias, o Filho da Virgem Maria se pôde tornar verdadeiramente «filho de David». O Evangelho de Mateus, de modo particular, ressalta as profecias messiânicas que encontraram cumprimento mediante o papel de José: o nascimento de Jesus em Belém (2, 1-6); a sua passagem através do Egipto, onde a Sagrada Família se tinha refugiado (2, 13-15); a alcunha «Nazareno» (2, 22-23). Em tudo isto ele demonstrou-se, ao mesmo nível da esposa Maria, herdeiro autêntico da fé de Abraão: fé no Deus que guia os acontecimentos da história segundo o seu misterioso desígnio salvífico. A sua grandeza, ao mesmo nível da de Maria, sobressai ainda mais porque a sua missão se desempenhou na humildade e no escondimento da casa de Nazaré. De resto, o próprio Deus, na Pessoa do seu Filho encarnado, escolheu este caminho e este estilo a humildade e o escondimento na sua existência terrena.

O exemplo de São José é para todos nós um forte convite a desempenhar com fidelidade, simplicidade e humildade a tarefa que a Providência nos destinou. Penso antes de tudo, nos pais e nas mães de família, e rezo para que saibam sempre apreciar a beleza de uma vida simples e laboriosa, cultivando com solicitude o relacionamento conjugal e cumprindo com entusiasmo a grande e difícil missão educativa. Aos sacerdotes, que exercem a paternidade em relação às comunidades eclesiais, São José obtenha que amem a Igreja com afecto e dedicação total, e ampare as pessoas consagradas na sua jubilosa e fiel observância dos conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência. Proteja os trabalhadores de todo o mundo, para que contribuam com as suas várias profissões para o progresso de toda a humanidade, e ajude cada cristão a realizar com confiança e com amor a vontade de Deus, cooperando assim para o cumprimento da obra da salvação.

Papa Bento XVI, Angelus, Solenidade de S.José, 19 de Março de 2006

 

Oração Universal

 

Irmãos, reunidos para celebrar as maravilhas que Deus realizou em S. José,

Homem justo e humilde,

Elevemos ao Pai do Céu as nossas súplicas,

Dizendo, com alegria: Ouvi-nos, Senhor.

 

1.     Pela Santa Igreja, espalhada pelo mundo,

Para que anuncie a palavra de Deus com alegria,

E dê fruto no coração dos seus fieis,

Oremos, irmãos.

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

2.     Pelos pais e mães de família,

Para que a oração em família e os sacramentos

Alimentem a sua fé e a de seus filhos,

Oremos, irmãos.

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

3.     Pelos jovens dos nossos Seminários

E pelos que trabalham na sua formação,

Para que os dons do Espírito Santo os iluminem,

Oremos, irmãos.

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

4.     Pelos pais de família

Para que à semelhança de S. José

Se dediquem de alma e coração à educação integral de seus filhos.

Oremos, irmãos.

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

5.     Pelos homens que ganham o pão com o seu trabalho,

Para que os seus direitos sejam respeitados

E a sua dignidade humana reconhecida,

Oremos, irmãos.

 

R. Ouvi-nos, senhor..

 

6.     Por todos nós aqui reunidos em assembleia,

Para que, por intercessão de S. José

Tenhamos uma boa morte, na paz de Deus,

Oremos, irmãos.

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

Senhor, nosso Deus, velai por todos os filhos da Igreja,

Para que, nas alegrias e provações desta vida,

Descubram, como São José, a vossa vontade

E colaborem na obra da redenção.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho que convosco vive na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Confiarei no meu Deus, F. Silva, NRMS 106

 

Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor, a graça de servir ao vosso altar de coração puro, imitando a dedicação e fidelidade com que São José serviu o vosso Filho Unigénito, nascido da Virgem Maria. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio de São José [na solenidade]: p. 492

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Jesus, que fez os encantos de S. José, quer entrar em nós pela Sagrada Comunhão. Que S. José nos ajude a recebê-lO com muita fé, respeito e amor.

 

Cântico da Comunhão: Ó famintos de Pão divino, J. Santos, NRMS 89

Mt 25, 21

Antífona da comunhão: Servo bom e fiel, entra na alegria do teu Senhor.

 

ou

Mt 1, 20-21

Não temas, José: Maria dará à luz um Filho e tu lhe darás o nome de Jesus.

 

Cântico de acção de graças: Os justos viverão eternamente, M. Faria, NRMS 36

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que na solenidade de São José alimentastes a vossa família à mesa deste altar, defendei-a sempre com a vossa protecção e velai pelos dons que lhe concedestes. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Desejando as maiores Bênçãos de Deus para os pais desta Comunidade e os do mundo inteiro e com o propósito firme de honrar S. José, imitando-o na fidelidade aos planos de Deus e no amor a Jesus e a Maria Santíssima, ide em paz e o Senhor vos acompanhe.

 

Cântico final: Outrora S. José, M. Faria, NRMS 5 (I)

 

 

Homilias Feriais

 

6ª Feira, 20-III: Uma maior aproximação de Deus.

Os 14, 2-10 / Mc 12, 28-34

Perdoai-nos todas as nossas faltas e aceitai o que temos de bom.

O profeta Oseias pede ao povo de Israel que volte para Deus, que não se alie a outros povos poderosos, que tenha confiança no Senhor (cf Leit). Deus compromete-se a ajudar: «amá-los-ei generosamente pois a minha indignação vai desviar-se deles» (Leit).

Jesus confirma que Deus é o único Senhor e que é necessário amá-lo sobre todas as coisas e com todo o empenho (cf Ev). Nesta Quaresma procuremos aproximar-nos mais de Deus, amá-lo mais, dando-lhe a primazia, fazendo um esforço maior.

 

Sábado, 21-III: Os sacrifícios agradáveis a Deus.

Os 6, 1-6 / Lc 18, 9-14

Pois eu quero o amor, e não os sacrifícios, conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos.

Esta afirmação do profeta concorda com as palavras de Jesus na parábola. O fariseu orgulhava-se de oferecer vários sacrifícios e o publicano manifestava humildemente o seu amor, através da contrição (cf Ev).

Como agradar a Deus? «Todas as actividades (dos leigos), orações, iniciativas apostólicas, a sua vida conjugal e familiar, o seu trabalho de cada dia, os seus lazeres, se forem vividos no Espírito de Deus, e até as provações da vida, se pacientemente suportadas, tudo se transforma em sacrifício espiritual, agradável a Deus» (CIC, 901).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          Alves Moreno

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                 Duarte Nuno Rocha

 


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