26º Domingo Comum

26 de Setembro de 2004



RITOS INICIAIS


Cântico de entrada: Eu vim para que tenham vida, F. da Silva, NRMS 70

Dan 3, 31.29.30.43.42

Antífona de entrada: Vós sois justo, Senhor, em tudo o que fizestes. Pecámos contra Vós, não observámos os vossos mandamentos. Mas para glória do vosso nome, mostrai-nos a vossa infinita misericórdia.


Introdução ao espírito da Celebração


Mais uma vez nos reunimos aqui para partilharmos a celebração da fé, dispostos a continuar o seguimento de Jesus.

Pode ser que a mensagem de hoje nos volte a parecer exigente, principalmente se temos um coração tíbio. No domingo passado, ouvimos dizer: «Não podeis servir a dois senhores; não podeis servir a Deus e ao dinheiro». Hoje, por meio de uma parábola, Jesus vai falar-nos dos dois extremos da vida: do justo e do injusto, do nobre e do ordinário, do humano e do desumano. A celebração só tem sentido, se se ligar à vida.


Oração colecta: Senhor, que dais a maior prova do vosso poder quando perdoais e Vos compadeceis, infundi sobre nós a vossa graça, para que, correndo prontamente para os bens prometidos, nos tornemos um dia participantes da felicidade celeste. Por Nosso Senhor...



Liturgia da Palavra


Primeira Leitura


Monição: O profeta Amós denuncia o comportamento do povo que, vivendo alguns anos em paz e prosperidade, se entregou a uma vida dissoluta e longe de Deus. E não só. Também os pobres e abandonados, foram deixados a si mesmos. Amós chama ainda a atenção do povo para a insignificância e curta duração de semelhante vida.


Amós 6, 1a.4-7

Eis o que diz o Senhor omnipotente: 1a«Ai daqueles que vivem comodamente em Sião e dos que se sentem tranquilos no monte da Samaria. 4Deitados em leitos de marfim, estendidos nos seus divãs, comem os cordeiros do rebanho e os vitelos do estábulo. 5Improvisam ao som da lira e cantam como David as suas próprias melodias. 6Bebem o vinho em grandes taças e perfumam-se com finos unguentos, mas não os aflige a ruína de José. 7Por isso, agora partirão para o exílio à frente dos deportados e acabará esse bando de voluptuosos».


A leitura que é uma censura do profeta do século VIII à vida opulenta e fácil, frequentemente à custa da miséria do próximo, foi escolhida em função do Evangelho de hoje.

6 «A ruína de José». O profeta pode referir-se tanto à miséria física de tantos compatriotas, como à corrupção moral que alastrava no Reino do Norte. Aqui é dado o nome de José ao Reino do Norte, em vez do nome de Efraim, corrente nos profetas, a tribo mais importante, pelo facto de Efraim ser filho de José, filho de Jacob, que não deu o seu nome a nenhuma tribo (Manassés e Efraim era filhos de José, que deram o seu nome às respectivas tribos).


Salmo Responsorial Sl 145 (146), 7-10 (R.1b ou Aleluia)


Monição: Porque o Senhor ampara os pobres e o desvalidos, porque ama o justos e alenta os tristes, temos razões para o louvar de todo o coração.


Refrão: Ó minha alma, louva o Senhor.


Ou: Aleluia.


O Senhor faz justiça aos oprimidos,

dá pão aos que têm fome

e a liberdade aos cativos.


O Senhor ilumina os olhos dos cegos,

o Senhor levanta os abatidos,

o Senhor ama os justos.


O Senhor protege os peregrinos,

ampara o órfão e a viúva

e entrava o caminho aos pecadores.


O Senhor reina eternamente.

O teu Deus, ó Sião,

é Rei por todas as gerações.


Segunda Leitura


Monição: S. Paulo lembra que um homem de fé não é aquele que sabe muitas coisas acerca de Deus, mas o que vive na fidelidade ao baptismo. Com efeito, crer não é tão somente aceitar um credo. É empenhar-se e identificar-se com Cristo.


1 Timóteo 6, 11-16

Caríssimo: 11Tu, homem de Deus, pratica a justiça e a piedade, a fé e a caridade, a perseverança e a mansidão. 12Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para a qual foste chamado e sobre a qual fizeste tão bela profissão de fé perante numerosas testemunhas. 13Ordeno-te na presença de Deus, que dá a vida a todas as coisas, e de Cristo Jesus, que deu testemunho da verdade diante de Pôncio Pilatos: 14Guarda este mandamento sem mancha e acima de toda a censura, até à aparição de Nosso Senhor Jesus Cristo, 15a qual manifestará a seu tempo o venturoso e único soberano, Rei dos reis e Senhor dos senhores, 16o único que possui a imortalidade e habita uma luz inacessível, que nenhum homem viu nem pode ver. A Ele a honra e o poder eterno. Amen.


12 «Combate o bom combate da fé». Muitas vezes S. Paulo compara a vida cristã a uma luta desportiva ou mesmo guerreira, uma vez que sem esforço aturado não se pode permanecer fiel a Cristo (cf. Cor 9, 24-27; Col 1, 29; 2 Tim 4, 7).

«Fizeste tão bela profissão de fé…», no momento do Baptismo, ou, talvez como pensam alguns, antes da sua Ordenação; também poderia tratar-se simplesmente de um testemunho corajoso perante as autoridades pagãs.

15-16 É mais uma doxologia de sabor litúrgico (ver outras nesta carta: 1, 17; 3, 16), uma espécie de jaculatória de louvor a Deus, um desabafo duma alma enamorada de Deus Uno e Trino, que frequentemente S. Paulo deixou passar para os seus escritos.


Aclamação ao Evangelho 2 Cor 8, 9


Monição: O Senhor não deixará sem castigo o rico avarento, não tanto pela riqueza em si, mas pelo desprezo dado ao pobre que à porta. A avareza, o luxo e o supérfluo de uns tantos continuam a opor-se à miséria, à nudez, à fome, à falta de acesso á cultura de dois terços da humanidade. Eis o fardo que pesa sobre nós.


Aleluia


Jesus Cristo, sendo rico, fez-Se pobre,

para nos enriquecer na sua pobreza.


Cântico: Aclamação-1, F. da Silva, NRMS 50-51



Evangelho


São Lucas 16, 19-31

Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: 19«Havia um homem rico, que se vestia de púrpura e linho fino e se banqueteava esplendidamente todos os dias. 20Um pobre, chamado Lázaro, jazia junto do seu portão, coberto de chagas. 21Bem desejava saciar-se do que caía da mesa do rico, mas até os cães vinham lamber-lhe as chagas. 22Ora sucedeu que o pobre morreu e foi colocado pelos Anjos ao lado de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. 23Na mansão dos mortos, estando em tormentos, levantou os olhos e viu Abraão com Lázaro a seu lado. 24Então ergueu a voz e disse: ‘Pai Abraão, tem compaixão de mim. Envia Lázaro, para que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nestas chamas’. 25Abraão respondeu-lhe: ‘Filho, lembra-te que recebeste os teus bens em vida e Lázaro apenas os males. Por isso, agora ele encontra-se aqui consolado, enquanto tu és atormentado. 26Além disso, há entre nós e vós um grande abismo, de modo que se alguém quisesse passar daqui para junto de vós, ou daí para junto de nós, não poderia fazê-lo’. 27O rico insistiu: ‘Então peço-te, ó pai, que mandes Lázaro à minha casa paterna – pois tenho cinco irmãos – 28para que os previna, a fim de que não venham também para este lugar de tormento’. 29Disse-lhe Abraão: ‘Eles têm Moisés e os Profetas: que os oiçam’. 30Mas ele insistiu: ‘Não, pai Abraão. Se algum dos mortos for ter com eles, arrepender-se-ão’. 31Abraão respondeu-lhe: ‘Se não dão ouvidos a Moisés nem aos Profetas, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se convencerão’.


20 «Um pobre chamado Lázaro». Em hebraico, Eliázar significa «Deus ajuda». O facto de que é dado um nome ao pobre fez pensar a alguns Padres que não se trata duma parábola, mas dum exemplo com um fundo histórico. De qualquer modo, não é provável que Jesus se tenha servido dum conto egípcio, como alguém supôs, acrescentando-lhe os vv. 27-31.

21 «Os cães vinham lamber-lhe as chagas», um pormenor que põem em evidência a extrema miséria do pobre, pois não lhe servem de alívio, mas de humilhação, já que os judeus os consideravam animais impuros e por isso não os costumavam domesticar.

22-23 Segundo as teorias farisaicas da retribuição, na situação até aqui descrita, nada havia de censurável, uma vez que nesta vida cada um tem já a sorte que merece: o justo, a abundância e o bem-estar; o pecador, a miséria e o sofrimento. Com esta «parábola» Jesus pretende desfazer de vez esse equívoco corrente e ensinar a remuneração na outra vida. Não era que nos livros do Antigo Testamento ainda não houvesse referências suficientemente claras à outra vida, mas uma concepção demasiado imediata, utilitarista e mesmo materialista da vida por parte dos judeus levava-os a não dar a devida atenção ao que Deus já tinha revelado para o entenderem e traduzirem na vida. Aqui Jesus dá uma machadada definitiva nas falsas ideias farisaicas acerca da retribuição. A morte é o momento em que chega a hora da verdade: «o pobre morreu…, o rico morreu…» (v. 22) e a situação de cada um mudou também; o pobre «foi colocado ao lado de Abraão» (à letra, foi para o seio de Abraão), para um lugar ou estado de descanso e alegria onde estavam as almas dos justos. O rico foi metido «em tormentos», noutra zona da «mansão dos mortos» (o hádes em grego, o xeol em hebraico, em latim inferi/infernos).

Não se pense que falta à parábola qualquer motivação ética; com efeito, o pobre é agora feliz não porque antes sofreu, e o rico sofre não porque antes gozou, mas porque não fez caso do pobre, por ser dos que serviam ao dinheiro (cf. v. 13), e, por isso mesmo, não podia servir a Deus nem fazer bem ao próximo. Por outro lado, o pobre, ao ser uma figura posta em contraste, além de desgraçado seria também piedoso. Não se dá, pois, aqui uma simples inversão de papéis, mas uma verdadeira retribuição de carácter perpétuo (cf. v. 26): um abismo impede de passar de um lado para o outro.

24-31 É importante ter em conta que o diálogo entre o rico e Abraão não pode ser tomado à letra, não passa duma encenação para dar vigor ao ensino central da parábola; com efeito, os condenados não se podem mostrar arrependidos nem zelosos da salvação dos vivos, mesmo até dos seus familiares, pois carecem da virtude da caridade. Pela mesma razão, também não é válido refutar o espiritismo com os dados desta parábola, como por vezes se faz. As parábolas, enquanto tais, visam um ensinamento concreto e particular, embora nalgumas se tenha vindo a dar, mesmo já na tradição prévia à sua redacção nos Evangelhos canónicos, um valor alegórico a alguns elementos secundários, conforme põem em relevo muitos estudos científicos da actualidade sobre as parábolas de Jesus.

31 Moisés e os Profetas, isto é, os ensinamentos do Antigo Testamento. Para quem não quer obstinadamente crer, os milagres não valem nada, já que Deus respeita a nossa liberdade.


Sugestões para a homilia


1. Uma parábola para o presente

2. Urge uma cultura de solidariedade

3. Memória de São Vicente de Paulo

1. Uma parábola para o presente

A liturgia de hoje propõe-nos a parábola evangélica do pobre Lázaro e do rico avarento. Ela proclama com clareza que, no contraste entre ricos insensíveis e os pobres necessitados de tudo, Deus está com estes últimos.

Para muitos a parábola seria apenas um convite a aceitar cada um sua situação, a resignar-se, a carregar a cruz, a não se rebelar contra a injustiça, a esperar no «além» onde Deus consertaria os desmandos humanos. Entendida assim a parábola, a mensagem evangélica teria de se aliar com um conformismo sem medida que ajudaria a manter a desordem estabelecida, a injustiça humana, a exploração e a miséria.

Mas esta parábola não é uma promessa para o futuro. Aponta, essencialmente, para a vida presente, é dirigida aos cinco irmãos do rico, que nadavam na abundância e no esbanjamento. Por isso o diálogo continua: «Pai – insistiu o rico, suplico-te, manda Lázaro à casa do meu pai, porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não venham também eles para este lugar de tormento. Mas Abraão respondeu: Eles têm Moisés e os Profetas, que os escutem!»

A presença de um profeta no meio do povo faria com que os homens se modificassem, implorou o rico ao Senhor. Contudo, nem o facto de ter sido enviado o Messias – Jesus Cristo – tocou o íntimo do homem.

2. Urge uma cultura de solidariedade

Na verdade, a realidade comprova, muitas vezes, que os ricos acabam por perder-se no labirinto enganador das riquezas, diminuem a sensibilidade diante das necessidades e lamentos dos pobres, e desbaratam a vida, presos a um estúpido egoísmo.

Este texto recorda-nos que, quando não há sensibilidade, é porque há egoísmo e corrupção. A tentação egoísta de ter e de gozar bate à porta de todos. Cada dia que passa existe mais publicidade sedutora que cria novas necessidades. Até parece que a felicidade não é possível sem ter e sem consumir muitas coisas, quando realmente ela assenta noutros valores.

O que é certo é que é difícil a generosidade, se não se descobrir o valor da pobreza. Muitos preferimos abrir antes o coração às riquezas do que ao Evangelho. Só que elas, quando tomam conta do coração, cegam-nos.

É neste sentido que surge a parábola do rico e do pobre, que descreve e denuncia a falta de solidariedade, bem como as desigualdades escandalosas que existem entre os seres humanos. Ao mesmo tempo, chama a atenção para o trágico e amargo fim que têm os que não repartem, os que são insensíveis e os que escamoteiam os pobres.

Sabemos que existem muitos milhões de pessoas que passam miséria e fome, que não tem casa, que se encontram privadas da instrução mais elementar, não dispõem das curas necessárias em caso de doença e não encontram trabalho. Até pode acontecer que, perto de nós, haja mendigos com nome próprio. Como é que explicamos isto, com o Evangelho na mão?

Torna-se, pois, urgente promover uma cultura de solidariedade, que iniciem no íntimo de cada um, na capacidade de se deixar interpelar por quem se encontra em necessidade.

3. Memória de São Vicente de Paulo

Festeja-se amanhã a memória litúrgica de São Vicente de Paulo, o apóstolo da caridade. Ao pensarmos nesta insigne testemunha do amor de Deus e dos irmãos, sobretudo dos mais pobres e abandonados, somos convidados a dirigir a nossa atenção para um dos maiores desafios que interpelam a nossa consciência: o contraste deveras intolerável entre a porção da humanidade que goza de todas as vantagens do bem-estar económico e do progresso científico, e a grande massa de quantos vivem em condições de extrema miséria. Que o exemplo de S. Vicente nos ajude todos nós a crescermos na dimensão da fraternidade.

Que a Santíssima Virgem, invocada como Consoladora dos aflitos, também se possa servir dos nossos braços e do nosso coração para fazer chegar a quem se encontra em necessidade o seu conforto e a sua solicitude materna.


Fala o Santo Padre


«É o caminho da pobreza que nos permitirá transmitir aos nossos contemporâneos ´os frutos da salvação´».


3. «Bem-aventurados os pobres em espírito.»

A pobreza é, de facto, um traço essencial da pessoa de Jesus e do seu ministério de salvação e representa um dos requisitos indispensáveis, para que o anúncio evangélico encontre atenção e acolhimento junto da humanidade actual.

À luz da primeira Leitura, tirada do profeta Amós, e ainda mais da célebre parábola do «rico comilão» e do pobre Lázaro, contada pelo evangelista Lucas, nós, venerados Irmãos, somos levados a examinar-nos acerca da nossa atitude para com os bens terrenos e acerca do uso que deles fazemos. Somos convidados a verificar até onde chega na Igreja a conversão pessoal e comunitária para uma efectiva pobreza evangélica. Voltam-nos à memória as palavras do Concílio Vaticano II: «Tal como Cristo consumou a redenção na pobreza e na perseguição, também, para poder comunicar aos homens os frutos da salvação, é a Igreja chamada a seguir o mesmo caminho» (Lumen gentium, 8).


4. É o caminho da pobreza que nos permitirá transmitir aos nossos contemporâneos «os frutos da salvação». Como Bispos, somos chamados, portanto, a ser pobres ao serviço do Evangelho. Ser servidores da palavra revelada, que, quando é necessário, levantam a sua voz em defesa dos últimos, denunciando os abusos daqueles que Amós chama os "que vivem comodamente" e os «voluptuosos». Ser profetas que põem, em evidência com coragem os pecados sociais ligados ao consumismo, ao hedonismo, a uma economia que produz uma inaceitável diferença entre luxo e miséria, entre povos «comilões» e inumeráveis «Lázaros» condenados à miséria. Em todas as épocas, a Igreja fez-se solidária com estes últimos, e teve Pastores santos, que se puseram ao lado dos pobres, como apóstolos intrépidos da caridade.

Mas, para que a voz dos Pastores seja credível, é necessário que eles próprios dêem prova de uma conduta desligada dos interesses privados e solícita para com os mais fracos. É necessário que sejam exemplo para a comunidade que lhes está confiada, ensinando e amparando o conjunto de princípios de solidariedade e de justiça social que formam a doutrina social da Igreja.


5. «Tu, homem de Deus» (1 Tm 6, 11): Com este título, qualifica São Paulo a Timóteo na segunda Leitura, há pouco proclamada. É uma página em que o Apóstolo traça um programa de vida perenemente válido para o Bispo. O Pastor deve ser «homem de Deus»; a sua vida e o seu ministério estão inteiramente sob a senhoria divina e tiram luz e vigor do sobreeminente mistério de Deus.

Continua São Paulo: «Tu, homem de Deus, ... segue a piedade, a justiça, a fé, a caridade, a paciência e mansidão» (v. 11). Quanta sabedoria naquele «segue»! A Ordenação episcopal não infunde a perfeição das virtudes: o Bispo é chamado a prosseguir o seu caminho de santificação com maior intensidade, para chegar à estatura de Cristo, Homem perfeito.

Acrescenta o Apóstolo: «Combate o bom combate da fé e conquista a vida eterna...» (v. 12). Orientados para o Reino de Deus, enfrentemos, caros Irmãos, a nossa fadiga de cada dia pela fé, sem procurar outra recompensa senão aquela que Deus nos dará no fim. Somos chamados a fazer esta «solene profissão de fé diante de muitas testemunhas» (v. 12). O esplendor da fé torna-se, assim, testemunho: reflexo da glória de Cristo nas palavras e nos gestos de todo o seu fiel ministro.
Conclui São Paulo: «Ordeno-te diante de Deus que guardes este mandamento sem máculas e sem repreensão até à aparição de nosso Senhor Jesus Cristo» (v. 14). «O mandamento!»

Nesta palavra está Cristo todo: o seu Evangelho, o seu testamento de amor, o dom do seu Espírito que leva a lei ao seu cumprimento. Os Apóstolos receberam dele esta herança e confiaram-no-la a nós, para que seja conservada e transmitida intacta até ao fim dos tempos. […]

Embora se trate de uma missão árdua e fatigante, nenhum perca a coragem. Com Pedro e os primeiros discípulos também nós renovamos confiantes a nossa sincera profissão de fé: Senhor, "à tua palavra lançarei as redes" (Lc 5, 5)! À tua palavra, ó Cristo, queremos servir o teu Evangelho para a esperança do mundo! […]


João Paulo II, na Missa de Abertura da X Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, Roma, 30 de Setembro de 2001


Oração Universal


Oremos a Deus Pai de misericórdia,

por Seu Filho e nosso Senhor

a Sua graça e misericórdia.

Digamos:

R. Senhor, nós temos confiança em Vós.


1. Para que a Igreja, fiel depositária

e transmissora do amor de Deus,

para que viva a solidariedade e o amor de Cristo,

oremos ao Senhor.


2. Por esses 15% da humanidade

que se apoderou dos recursos do mundo,

perante a imensa massa dos deserdados da terra:

para que meditem contritos a parábola de Jesus,

oremos ao Senhor.


3. Pelos Lázaros deste mundo:

para que compreendam que Deus

não os quer resignados na sua pobreza, mas activos na sua dignidade,

no seu compromisso e na sua reivindicação;

oremos ao Senhor.


4. Por todos os cristãos:

para que compreendamos que o nosso cristianismo

tem de passar as situações concretas nosso mundo;

oremos ao Senhor.


5. Por todos os que têm mais e podem mais,

para que promovam a fraternidade humana,

oremos ao Senhor.


6. Por todos aqueles que sofrem a angústia do desemprego

ou de um salário insuficiente,

oremos ao Senhor.


7. Por todos nós,

para que sejamos sensíveis aos problemas dos outros,

oremos ao Senhor.


(outras intenções)


Ó Deus, que através da parábola do rico e do pobre Lázaro, Jesus nos ensina

que devemos ter uma preocupação constante com o atendimento e serviço aos pobres

e que seremos julgados pelo amor que tivermos praticado,

dai-nos um coração atento e solidário para percebermos a Vossa presença

nos irmãos excluídos do «banquete da vida» e para nos comprometermos com a construção

de uma sociedade sem barreiras intransponíveis, onde todos se sintam «filhos de Abraão».

Por Nosso Senhor.



Liturgia Eucarística


Cântico do ofertório: Atei os meus braços, M. Faria, NRMS 9 (II)


Oração sobre as oblatas: Deus de misericórdia infinita, aceitai esta nossa oblação e fazei que por ela se abra para nós a fonte de todas as bênçãos. Por Nosso Senhor...


Santo: F. da Silva, NRMS 14


Monição da Comunhão


Comunhão é símbolo de caridade, de generosidade até ao sacrifício, e de alimento multiplicado ao repartir. Muitas vezes rezamos: «O pão nosso de cada dia nos dai hoje». Aquele que participa nesta, mesa eucarística não pode fechar o coração aos necessitados.


Cântico da Comunhão: Senhor eu creio que sois Cristo, F. da Silva, NRMS 67

cf. Sl 118, 9-5

Antífona da comunhão: Senhor, lembrai-Vos da palavra que destes ao vosso servo. A consolação da minha amargura é a esperança na vossa promessa.

Ou: 1 Jo 3, 16

Nisto conhecemos o amor de Deus: Ele deu a vida por nós; também nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos.


Oração depois da comunhão: Fazei, Senhor, que este sacramento celeste renove a nossa alma e o nosso corpo, para que, unidos a Cristo neste memorial da sua morte, possamos tomar parte na sua herança gloriosa. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.



Ritos Finais


Monição final


Acabámos de celebrar a fé à luz da Palavra de Deus. Oxalá que ambas tenham influência na nossa vida pessoal e social. A solidariedade e a mútua ajuda são a palavra de ordem para o nosso compromisso desta semana. Que o sentido comunitário e a atenção em relação aos que vivem ao nosso lado sejam valores que sobressaiam em cada um de nós. Ponhamos em prática estes desejos. Que O Espírito Santo nos ilumine e nos faça descobrir a felicidade, servindo e amando.


Cântico final: Ficai connosco Senhor, M. Borda, NRMS 43



Homilias Feriais


26ª SEMANA


2ª feira, 27-IX: O valor das provações.

Job 1, 6-22 / Lc 9, 46-50

Em tudo isto, Job não cometeu pecado, nem disse contra Deus qualquer insensatez.

Job vai recebendo notícias das sucessivas desgraças que se abateram sobre a sua família, os seus rebanhos e as suas terras (cf. Leit.). Vai aceitando tudo como vindo do Senhor, para seu bem.

Para que na nossa vida haja frutos abundantes, é preciso que padeçamos algumas provações, como Job. Essas provações ajudar-nos-ão a sermos mais pacientes; a estarmos mais desprendidos dos bens materiais; a aceitarmos a vontade de Deus ainda que nos desagrade; a pensarmos que tudo é para nosso bem se, de facto, amamos a Deus...


3ª feira, 28-IX: A dor: sinal menos ou sinal mais?

Job 3, 1-3. 11-17. 20-23 / Lc 9, 51-56

(Job): Desapareça o dia em que eu nasci... Porque não morri no ventre de minha mãe, ou não expirei o sair do seio materno?

Job lamenta-se por ter nascido e estar a sofrer tantos padecimentos (cf. Lit.).

Os sofrimentos apresentam-se de muita formas e nenhum deles é espontaneamente querido por ninguém. E, no entanto, Jesus toma a resolução de morrer em Jerusalém (cf. Ev.), porque nos quis redimir precisamente pela Cruz. A partir de então a dor passa a ter um novo sentido. Ele proclama bem-aventurados os que choram, os que sofrem alguma coisa nesta vida: doença, dor física, pobreza, difamação, injustiça... A fé altera o sinal da dor de menos para mais.








Celebração e Homilia: Nuno Westwood

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Homilias Feriais: Nuno Romão

Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha


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