nossa senhora de lurdes

DIa MUndial Do doente

11 de Fevereiro de 2008

 

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Louvada seja na terra, F. dos Santos, NRMS 33-34

Sedúlio

Antífona de entrada: Salvé, Santa Mãe, que destes à luz o Rei do céu e da terra.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Nossa Senhora quis aparecer em Lurdes a Bernadette para transmitir uma mensagem de salvação ao mundo. Vamos agradecer-Lhe, procurando cumprir o que nos recomenda. Vamos pedir-Lhe, neste Dia Mundial do Doente, por todos os que sofrem.

 

Oração colecta: Vinde em auxílio da nossa fraqueza, Senhor de misericórdia, e concedei que, celebrando a memória da Imaculada Mãe de Deus, sejamos purificados dos nossos pecados. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Profeta Isaías anima-nos a vivermos na esperança e na alegria. Maria Santíssima continua hoje connosco para que nunca desesperemos, mantendo sempre a esperança num futuro melhor.

 

Isaías 66, 10-14c

 

10Alegrai-vos com Jerusalém, exultai com ela, todos vós que a amais. Com ela enchei-vos de júbilo, todos vós que participastes no seu luto. 11Assim podereis beber e saciar-vos com o leite das suas consolações, podereis deliciar-vos no seio da sua magnificência. 12Porque assim fala o Senhor: «Farei correr para Jerusalém a paz como um rio e a riqueza das nações como torrente transbordante. Os seus meninos de peito serão levados ao colo e acariciados sobre os joelhos. 13Como a mãe que anima o seu filho, também Eu vos confortarei: em Jerusalém sereis consolados. 14Quando o virdes, alegrar-se-á o vosso coração e, como a verdura, retomarão vigor os vossos membros. A mão do Senhor manifestar-se-á aos seus servos».

 

O texto, faz parte dum discurso dotado de rara beleza poética, no final do livro de Terceiro Isaías. Jerusalém, é apresentada como uma mãe, que com seus peitos sacia de consolação e deleite os seus filhos que regressam do exílio (vv. 10-11). Bela acomodação do texto à Virgem Maria feita pela Liturgia de hoje.

12 «A paz como um rio» é uma figura da paz messiânica que Cristo trouxe à «nova Jerusalém» que é «nossa Mãe», a Igreja (cf. Gal 4, 26-27), «o Israel de Deus». A Virgem Maria é imagem, modelo e Mãe da Igreja.

 

Salmo Responsorial     Jt 13, l8bcde.19 (R. 15, 9d ou Lc 1, 42)

 

Monição: Louvemos Maria. Cantemos-Lhe com entusiasmo. Ela é nossa Padroeira. Ela é nossa Rainha. Ela é nossa Mãe.

 

Refrão:      Tu és a honra do nosso povo.

Ou:           Bendita sois Vós entre as mulheres.

 

Bendita sejas, minha filha, pelo Deus Altíssimo,

mais do que todas as mulheres da terra

e bendito seja o Senhor nosso Deus,

criador do céu e da terra.

 

Ele enalteceu de tal forma o teu nome

que nunca mais deixarão os homens

de celebrar os teus louvores

e recordarão eternamente o poder de Deus.

 

 

Aclamação ao Evangelho         Lc 1, 45

 

Monição: Há dois mil anos as pessoas escutaram Jesus a ensinar a Sua Doutrina. Hoje Ele mesmo nos dirige a Sua Palavra no Evangelho que agora vai ser proclamado.

 

Aleluia

 

Cântico: Az. Oliveira, NRMS 36

 

 

Evangelho

 

São João 2, 1-11

Naquele tempo, 1realizou-se um casamento em Caná da Galileia e estava lá a Mãe de Jesus. 2Jesus e os seus discípulos foram também convidados para o casamento. 3A certa altura faltou o vinho. Então a Mãe de Jesus disse-Lhe: «Não têm vinho». 4Jesus respondeu-Lhe: «Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora». 5Sua Mãe disse aos serventes: «Fazei tudo o que Ele vos disser». 6Havia ali seis talhas de pedra, destinadas à purificação dos judeus, levando cada uma de duas a três medidas. 7Disse-lhes Jesus: «Enchei essas talhas de água». Eles encheram-nas até acima. 8Depois disse-lhes: «Tirai agora e levai ao chefe de mesa». E eles levaram. 9Quando o chefe de mesa provou a água transformada em vinho, – ele não sabia de onde viera, pois só os serventes, que tinham tirado a água, sabiam – chamou o noivo 10e disse-lhe: «Toda a gente serve primeiro o vinho bom e, depois de os convidados terem bebido bem, serve o inferior. Mas tu guardaste o vinho bom até agora». 11Foi assim que, em Caná da Galileia, Jesus deu início aos seus milagres. Manifestou a sua glória e os discípulos acreditaram n’Ele.

 

O evangelista não visa contar o modo como Jesus resolveu um problema numas bodas, mas centra-se na figura de Jesus, que «manifestou a sua glória», donde se seguiu que «os discípulos acreditaram n’Ele» (v. 11). Toda a narração converge para as palavras do chefe da mesa ao noivo: «Tu guardaste o melhor vinho até agora!» (v. 10). Esta observação encerra um sentido simbólico; o próprio milagre é um «sinal» (v. 11), um símbolo ou indício duma realidade superior a descobrir, neste caso: quem é Jesus. Podemos pressentir a típica profundidade de visão do evangelista, que acentua determinados pormenores pelo significado profundo que lhes atribui. O vinho novo aparece como símbolo dos bens messiânicos (cf. Is 25, 6; Joel 2, 24; 4, 18; Am 9, 13-15), a doutrina de Jesus, que vem substituir a sabedoria do A. T., esgotada e caduca. A abundância e a qualidade do vinho – 6 (=7-1) vasilhas [de pedra] «de 2 ou 3 metretas» (480 a 720 litros) – é um dado surpreendente, que ilustra bem como Jesus veio «para que tenham a vida e a tenham em abundância» (Jo 10, 10; cfr Jo 6, 14: os 12 cestos de sobras). O esposo das bodas de Caná sugere o Esposo das bodas messiânicas, o responsável pelo sucedido: n’Ele se cumprem os desposórios de Deus com o seu povo (cf. Is 54, 5-8; 62, 5; Apoc 19, 7.9; 21, 2; 22, 17).

Também se pode ver, na água das purificações rituais que dão lugar ao vinho, um símbolo da Eucaristia – o sangue de Cristo –, que substitui o antigo culto levítico, e pode santificar em verdade (cf. Jo 2, 19.21-22; 4, 23; 17, 17). Há quem veja ainda outros simbolismos implícitos: como uma alusão ao Matrimónio e mesmo à Ressurreição de Jesus, a plena manifestação da sua glória, naquele «ao terceiro dia» do v. 1 (que não aparece no texto da leitura).

Por outro lado, também se costuma ver aqui o símbolo do papel de Maria na vida dos fiéis (cf. Apoc 19, 25-27; 12, 1-17), Ela que vai estar presente também ao pé da Cruz (Jo 19, 25-27): «e estava lá a Mãe de Jesus» (v. 1). Ao contrário dos Sinópticos, nas duas passagens joaninas fala-se da Mãe de Jesus, como se Ela não tivesse nome próprio; é como se o seu ser se identificasse com o ser Mãe de Jesus, a sua grande dignidade. Trata-se de duas menções altamente significativas: os capítulos 2 e 19 do IV Evangelho aparecem intimamente ligadas precisamente pela referência à «hora» de Jesus, numa espécie de inclusão de toda a vida de Cristo. A Mãe de Jesus não é mais um convidado numas bodas; é uma presença actuante e com um significado particular, nomeada por três vezes (vv. 1.3.5), atenta ao que se passa: dá conta da situação irremediável, intervém e fala, quando o milagre que manifesta a glória de Jesus podia ser relatado sem ser preciso falar da sua Mãe, mas Ela é posta em foco.

1 «Caná»: só S. João fala desta terra (cf. 4, 46; 21, 2), habitualmente identificada com Kefr Kenna, a 7 Km a NE de Nazaré, o lugar de peregrinação, mas as indicações de F. Josefo fazem pensar antes nas ruínas de Hirbet Qana, a 14 Km a N de Nazaré.

3 «Não têm vinho». A expressão costuma entender-se como um pedido de milagre. A exegese moderna tende a fixar-se em que a frase não passa duma forma de pôr em relevo uma situação irremediável, de molde a fazer sobressair o milagre. Mas, sendo a Mãe de Jesus a chamar a atenção para o problema, consideramos que Ela é apresentada numa atitude de oração. Com efeito, a oração de súplica e de intercessão não consiste em exercer pressão sobre Deus, para O convencer, mas é colocar-se na posição de necessitado e mendigo perante Deus, é pôr-se a jeito para receber os seus dons. A intercessão de Maria consiste em pôr-se do nosso lado, em vibrar connosco, de modo que fique patente a nossa carência e se dilate a nossa alma para nos dispormos a receber os dons do Céu. Ela aparece aqui como ícone da autêntica oração de súplica e de intercessão; e é lícito pensar que isto não é alheio à redacção joanina, pois o milagre acaba por se realizar na sequência da intervenção da Mãe de Jesus (mesmo que alguns não considerem primigénio o diálogo dos vv. 3-4).

4 «Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora». A expressão «que a Mim e a Ti?» (ti emoi kai soi?) é confusa, pois pode significar concordância – «que desacordo há entre Mim e Ti?» –, ou então recusa – «que de comum (que acordo) há entre Mim e Ti?». Sendo assim, a expressão «ainda não chegou a minha hora», presta-se a diversas interpretações, conforme o modo de entender «a hora»: ou a hora de fazer milagres, ou a hora da Paixão. Para os que a entendem como a de fazer milagres, uns pensam que Jesus se escusa: «que temos que ver com isso Tu e Eu? (=porque me importunas?), com efeito ainda não chegou a minha hora», e só a insistência de Maria é que levaria à antecipação desta hora; ao passo que outros (E. Boismard, na linha de alguns Padres) entendem a frase como de um completo acordo: «que desacordo há entre Mim e Ti? porventura já não chegou a minha hora?»; assim se justificaria melhor a ordem que Maria dá aos serventes. Para os que entendem «a hora» como a da Paixão, também as opiniões de dividem acerca de como entender a resposta de Jesus; para uns, significaria acordo, como se dissesse: «que desacordo há entre Mim e Ti? com efeito, ainda não chegou a minha hora, a de ficar sem poder; por isso não há dificuldade para o milagre» (Hanimann); para outros, que entendem a hora do Calvário como a hora da glorificação de Jesus, de manifestar a sua glória, dando o Espírito, a expressão quer dizer: «que temos a ver Tu e Eu, um com o outro?» («que tenho Eu a ver contigo?»), uma expressão demasiado forte, a mesma que é posta na boca dos demónios (cf. Mc 5, 7; 1, 24). Com uma expressão tão contundente, a redacção joanina poria em evidência a atitude de Jesus, que, longe de ser ofensiva para a sua Mãe, o que pretende é mostrar a independência de Jesus relativamente a qualquer autoridade terrena, incluindo a materna (Gächter). Mas o apelo para que Maria não intervenha tem um limite: é apenas até que chegue a hora de Jesus; até lá, tem de ficar na penumbra (o que é confirmado pelas ditas «passagens anti-marianas»: Lc 2, 49; 8, 19-21 par; 11, 27-28). Então Ela vai estar como a nova Eva, a Mãe da nova humanidade, ao lado do novo Adão, junto à árvore da Cruz, daí que seja chamada «Mulher» em Jo 19, 26, como nas Bodas de Caná.

 

Sugestões para a homilia

 

Nossa Senhora de Lurdes

Bernadette viu Nossa Senhora

Dia mundial do Doente

Nossa Senhora de Lurdes

Nossa Senhora na Sua vida terrena procurou ajudar sempre as outras pessoas.

Assim, avisada pelo Anjo que Isabel ia ser mãe, foi ao seu encontro, ficando em sua casa até ao nascimento de João Baptista.

Quando, nas Bodas de Caná reparou na aflição dos noivos, nada pediu a Jesus apenas Lhe disse não terem vinho. Sabia que o milagre aconteceria, como se veio a confirmar.

Ao pé da Cruz, com a Sua presença, Jesus sente-se reconfortado no meio dos horríveis sofrimentos.

Através dos séculos interveio várias vezes, transmitindo mensagens de conversão, esperança e salvação à humanidade.

Assim aconteceu em Lurdes no século XIX. Como devemos agradecer à nossa Mãe do Céu! Que em cada dia da nossa vida Lhe mostremos com amor filial que queremos viver sempre para o Senhor nosso Deus.

Com Bernadette será mais fácil o caminho da perfeição.

Bernadette viu Nossa Senhora

Bernadette faleceu em 16 de Abril de 1879 com 35 anos de idade.

Quem hoje se dirigir à Igreja do Convento de Saint Gildard em Nevers, França, pode ver ainda o seu rosto sorridente como nos dias de êxtase. Milagre grande, sem dúvida! Quantos milagres se verificaram na vida desta santa!

No ano de 1858 apareceu-Lhe Nossa Senhora que, como Mãe carinhosa, queria, deste modo lembrar a todos que a vida não acaba com a morte. Por isso há que preparar no mundo a felicidade eterna do Céu...

Bernadette sabia que a Cruz do Senhor tinha sido bem pesada. Mas foi pela Cruz que salvou o Mundo. Por isso suportou tudo por Seu amor.

À asma e outros males que a afligiam desde criança, vieram juntar-se outros sofrimentos: pessoas que não acreditavam que ela tinha visto a Virgem Maria, ameaças das autoridades civis, incompreensão do próprio Pároco, indelicadezas de Religiosas...

Quando fez a Profissão, a Madre Geral disse dela: «Não serve para nada! Por isso conservá-la-emos aqui a ajudar a Irmã enfermeira». E que anjo de enfermeira foi Bernadette!... Um dia a Superiora mandou-a ficar com um menino doente nos braços enquanto falava com a mãe. No fim pousou no chão o menino que foi a correr para a sua mãe apesar de nunca ter andado antes...

Hoje celebramos também o Dia Mundial do Doente.

Dia Mundial do Doente

Tinha tantos sonhos e projectos para realizar ao longo da minha vida! Parecia-me tão fácil o caminho a percorrer!

Mas Tu, Senhor, tinhas previsto para mim, desde sempre, uma vida diferente. Só compreendi deveras como era feliz quando comecei a ficar doente. Oh como era belo trabalhar, passear, contemplar a beleza dos campos, dos montes, do mar, conviver com as pessoas!...

O que eu sofro, desde que me encontro retido no leito de dor, ninguém o pode imaginar! Se não tivesse Fé não conseguiria carregar a cruz sem me revoltar. Mas Tu estás comigo para me apontares um novo caminho de felicidade. Como Te agradeço, Senhor!

Meu corpo está doente mas acredito que um dia se vai juntar de novo à minha alma com os dotes dum corpo glorioso para não mais sofrer por toda a eternidade.

Quantas vezes fico sozinho porque os que têm saúde não dispõem de tempo para me visitar. Eles têm que trabalhar, ir ao café, ler o jornal, ouvir rádio, ver televisão... Por isso o tempo não lhes chega para estarem cinco minutos comigo...

Senhor, Tu que sofreste horrivelmente o suplício da Cruz, não me abandones nunca! Que a Virgem Maria, Senhora das Dores, me acompanhe sempre! Que os médicos, enfermeiros, familiares e amigos me tratem como gostariam de ser tratados se estivessem no meu lugar!

Tinha tantos sonhos e projectos para realizar ao longo da minha vida! Tudo se transformou em sofrimento que Te ofereço, Senhor, pela salvação do Mundo!

 

Fala o Santo Padre

 

Dado que no fecho desta edição, ainda não havia sido redigida a Mensagem para o XVII DIA MUNDIAL DO DOENTE, publicamos a Mensagem do ano transacto.

 

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI

PARA O XVI DIA MUNDIAL DO DOENTE - 2008

 

Prezados irmãos e irmãs

 

1. A 11 de Fevereiro, memória da Bem-Aventurada Virgem de Lourdes, celebra-se o Dia Mundial do Doente, ocasião propícia para reflectir sobre o sentido do sofrimento e sobre o dever cristão de o assumir em qualquer situação onde ele estiver presente. No corrente ano, esta significativa celebração vincula-se a dois importantes acontecimentos para a vida da Igreja, como se compreende já do tema escolhido: «A Eucaristia, Lourdes e o cuidado pastoral dos doentes»: o sesquicentenário das aparições da Imaculada em Lourdes e a celebração do Congresso Eucarístico Internacional em Québec, no Canadá. De tal modo, oferece-se uma oportunidade singular para considerar a estreita ligação que existe entre o Mistério eucarístico, a função de Maria no projecto salvífico e a realidade da dor e do sofrimento do homem.

 

O sesquicentenário das aparições em Lourdes convida-nos a dirigir o olhar para a Virgem Santa, cuja Imaculada Conceição constitui o dom sublime e gratuito de Deus a uma mulher, para que pudesse aderir plenamente aos desígnios divinos com fé firme e inabalável, apesar das provações e dos sofrimentos que teria de suportar. Por isso, Maria é modelo de abandono total à vontade de Deus: acolheu no seu coração o Verbo eterno e concebeu-o no seu seio virginal; confiou em Deus e, com a alma trespassada pela espada da dor (cf. Lc 2, 35), não hesitou em compartilhar a paixão do seu Filho, renovando no Calvário aos pés da Cruz o «sim» da Anunciação. Meditar sobre a Imaculada Conceição de Maria é, por conseguinte, deixar-se atrair pelo «sim» que a uniu admiravelmente à missão de Cristo, Redentor da humanidade; é deixar-se arrebatar e orientar pela mão dela, para pronunciar por sua vez o «fiat» à vontade de Deus com toda a existência impregnada de alegrias e tristezas, de esperanças e desilusões, na consciência de que as provações, a dor e o sofrimento tornam rica de sentido a nossa peregrinação na terra.

 

2. Não se pode contemplar Maria, sem ser atraído por Cristo e não se pode contemplar Cristo sem sentir imediatamente a presença de Maria. Existe um laço inseparável entre a Mãe e o Filho gerado no seu seio, por obra do Espírito Santo, e sentimos este vínculo de maneira misteriosa no Sacramento da Eucaristia, como os Padres da Igreja e os teólogos evidenciaram desde os primeiros séculos. «A carne que nasceu de Maria, tendo vindo do Espírito Santo, é o pão descido do céu», afirma Santo Hilário de Poitiers, enquanto no Sacramentário Bergomense, do séc. IX, lemos: «O seu seio fez florescer um fruto, um pão que nos cumulou de um dom angélico. Maria restituiu à salvação aquilo que Eva tinha destruído com a sua culpa». Sucessivamente, São Pier Damiani observa: «Aquele corpo que a Beatíssima Virgem gerou e alimentou no seu seio com cuidado maternal, sem dúvida aquele corpo e não outro, agora recebemo-lo do altar sagrado, e bebemos o seu sangue como sacramento da nossa redenção. É isto que professa a fé católica, é isto que ensina fielmente a santa Igreja». O vínculo da Santa Virgem com o Filho, Cordeiro imolado que tira os pecados do mundo, estende-se à Igreja, Corpo místico de Cristo. Maria recorda o Servo de Deus João Paulo II é «mulher eucarística» com toda a sua vida, pelo que a Igreja, vendo-a como seu modelo, «é chamada a imitá-la também na sua relação com este Mistério santíssimo» (Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia, 53). Nesta perspectiva, compreende-se ainda mais por que em Lourdes, ao culto da Bem-Aventurada Virgem Maria, se une uma forte e constante evocação à Eucaristia, com Celebrações eucarísticas quotidianas, com a adoração do Santíssimo Sacramento e com a bênção dos enfermos, que constitui um dos momentos mais fortes da passagem dos peregrinos pela gruta de Massabielle. A presença em Lourdes de numerosos peregrinos enfermos e de voluntários que os acompanham ajuda a reflectir sobre o cuidado maternal e terno que a Virgem manifesta diante da dor e dos sofrimentos do homem. Associada ao Sacrifício de Cristo, Maria Mater Dolorosa, que aos pés da Cruz sofre com o seu Filho divino, é sentida particularmente próxima da comunidade cristã que se reúne à volta dos seus membros sofredores, que trazem em si os sinais da paixão do Senhor. Maria sofre juntamente com aqueles que vivem na provação, com eles espera e representa o seu conforto, sustentando-os com a sua ajuda materna. E não é porventura verdade que a experiência espiritual de numerosos enfermos impele a compreender cada vez mais que «o Redentor divino quer penetrar na alma de todas as pessoas que sofrem, através do Coração da sua Mãe Santíssima, primícias e vértice de todos os redimidos» (João Paulo II, Carta Apostólica Salvifici doloris, 26)?

 

3. Se Lourdes nos leva a meditar sobre o amor materno da Virgem Imaculada pelos seus filhos doentes e sofredores, o próximo Encontro eucarístico internacional será uma ocasião para adorarmos Jesus Cristo presente no Sacramento do altar, para nos confiarmos a Ele como a Esperança que não engana, acolhendo-O como remédio da imortalidade que cura o físico e o espírito. Jesus Cristo redimiu o mundo com o seu sofrimento, com a sua morte e com a sua ressurreição, e desejou permanecer connosco como «pão de vida» na nossa peregrinação terrestre. «A Eucaristia, dom de Deus para a vida do mundo»: este é o tema do Congresso Eucarístico, que põe em evidência o facto de que a Eucaristia é a dádiva que o Pai oferece ao mundo, do seu Filho único, encarnado e crucificado. É Ele que nos reúne em volta da mesa eucarística, suscitando nos seus discípulos uma atenção amorosa pelos sofredores e pelos enfermos, em quem a comunidade cristã reconhece o rosto do seu Senhor. Como relevei na Exortação Apostólica pós-sinodal Sacramentum caritatis, «quando celebram a Eucaristia, as nossas comunidades devem ter cada vez mais consciência de que o sacrifício de Cristo é por todos; assim, a Eucaristia impele todo o que nele acredita a fazer-se 'pão repartido' para os outros» (n. 88). Deste modo, somos animados a comprometer-nos pessoalmente no serviço aos irmãos, de maneira especial aos que estão em dificuldade, uma vez que a vocação de cada cristão consiste na verdade em ser, juntamente com Jesus, pão repartido para a vida do mundo.

 

4. Por conseguinte, parece claro que precisamente da Eucaristia a pastoral no campo da saúde deve haurir a força espiritual necessária para socorrer com eficácia o homem e ajudá-lo a compreender o valor salvífico da sua própria salvação. Como pôde escrever o Servo de Deus João Paulo II, na mencionada Carta Apostólica Salvifici doloris, a Igreja vê nos irmãos e nas irmãs que sofrem, como que múltiplos sujeitos da força sobrenatural de Cristo (cf. n. 27). Unido misteriosamente a Cristo, o homem que sofre com amor e com abandono dócil à vontade divina torna-se oferenda viva pela salvação do mundo. O meu amado Predecessor afirmava ainda que «quanto mais o homem se vê ameaçado pelo pecado, quanto mais se apresentam pesadas as estruturas do pecado, que comporta o mundo de hoje, maior é a eloquência que o sofrimento encerra em si mesmo, e tanto mais a Igreja sente a necessidade de recorrer ao valor dos sofrimentos humanos para a salvação do mundo» (Ibid., n. 27). Portanto, se em Québec se contempla o mistério da Eucaristia, dom de Deus para a vida do mundo, no Dia Mundial do Doente, num paralelismo espiritual ideal, não apenas é celebrada a participação concreta do sofrimento humano na obra salvífica de Deus, mas dele podem ser usufruídos, num certo sentido, os preciosos frutos prometidos àqueles que acreditarem. Deste modo a dor, acolhida com fé, torna-se a porta através da qual entrar no mistério do sofrimento redentor de Jesus, para alcançar juntamente com Ele a paz e a felicidade da sua Ressurreição.

 

5. Enquanto dirijo a minha saudação cordial a todos os enfermos e a quantos cuidam deles de diversas maneiras, convido as comunidades diocesanas e paroquiais a celebrarem o próximo Dia Mundial do Doente, valorizando plenamente a feliz coincidência entre o sesquicentenário das aparições de Nossa Senhora em Lourdes e o Congresso Eucarístico Internacional. Que ele seja uma ocasião para sublinhar a importância da Santa Missa, da Adoração eucarística e do culto da Eucaristia, fazendo com que as Capelas dos Centros de assistência à saúde se tornem o coração pulsante em que Cristo se oferece incessantemente ao Pai pela vida da humanidade. Também a distribuição da Eucaristia aos enfermos, feita com decoro e com espírito de oração, constitui um verdadeiro conforto para quem sofre, angustiado por todas as formas de enfermidade.

 

Além disso, o próximo Dia Mundial do Doente seja uma circunstância propícia para invocar, de forma especial, a protecção maternal de Maria sobre quantos são provados pela doença, sobre os agentes que trabalham no sector da assistência médica e sobre aqueles que desempenham funções no campo da pastoral da saúde. Penso, de modo particular, nos sacerdotes comprometidos neste campo, nas religiosas e nos religiosos, nos voluntários e em todos aqueles que se preocupam com dedicação efectiva em servir, no corpo e na alma, os enfermos e os necessitados.

 

Confio todos a Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, Imaculada Conceição. Que Ela ajude cada um a dar testemunho de que a única resposta válida à dor e ao sofrimento humano é Cristo que, ressuscitando, venceu a morte e nos deu a vida que não conhece ocaso. Com estes sentimentos, é de coração que concedo a todos vós uma especial Bênção Apostólica.

 

Bento XVI, Vaticano, 11 de Janeiro de 2008

 

Oração Universal

 

Irmãos, oremos a Deus Omnipotente

e imploremos a Sua misericórdia,

dizendo confiadamente:

Interceda por nós a Virgem Cheia de Graça.

 

1.  Para que a Santa Igreja manifeste ao mundo

a vida e a doutrina de Jesus

a fim de que possamos viver no Seu Amor,

oremos, irmãos.

 

2.  Para que as famílias permaneçam unidas,

vivendo em felicidade, harmonia, amor

e nelas surjam vocações para a vida consagrada e matrimonial,

oremos, irmãos.

 

3.  Para que os povos mergulhados em guerra

afastem as divisões, discórdias e injustiças

e fomentem a concórdia e a paz,

oremos, irmãos.

 

4.  Para que todos nós aqui presentes

nos deixemos seduzir pelo Senhor Jesus,

cumprindo sempre a Sua vontade ,

oremos, irmãos.

 

5.  Para que os doentes e todos os que sofrem

não sejam abandonados e descubram na doação

um sentido novo para as suas vidas,

oremos, irmãos.

 

6.  Para que os nossos familiares e amigos falecidos

alcancem a bem-aventurança eterna no Céu

onde os esperamos encontrar um dia,

oremos, irmãos.

 

Senhor nosso Deus e nosso Pai,

dignai-vos atender estas súplicas

e, por intercessão da Virgem Santa Maria,

concedei-nos o que for melhor para nós.

Por N. S. J. C. Vosso Filho que é Deus Convosco

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Em redor do teu altar, F. da Silva, NRMS 42

 

Oração sobre as oblatas: Venha, Senhor, em nosso auxílio o vosso Filho feito homem; Ele, que ao nascer da Virgem Maria, não diminuiu, antes consagrou a integridade de sua Mãe, nos purifique das nossas culpas e Vos torne agradável a nossa oblação. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio de Nossa Senhora: p. 486 [644-756] e pp. 487-490

 

Santo: M. Simões, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

O Senhor vem até nós. Recebamo-l’O como O acolheu Maria em Seu seio virginal. É na Eucaristia que recebemos as graças que precisamos para cumprirmos a missão que nos foi confiada.

 

Cântico da Comunhão: Eu vim para que tenham vida, F. da Silva, NRMS 70

cf. Lc 11, 27

Antífona da comunhão: Bendita seja a Virgem Maria, que trouxe em seu ventre o Filho de Deus Pai.

 

Cântico de acção de graças: Cantai, cantai ao Senhor, F. da Silva, NRMS 22

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes neste sacramento celeste, fazei que, celebrando com alegria a festa da Virgem Santa Maria, imitemos as suas virtudes e colaboremos generosamente no mistério da nossa redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vamos partir. Os doentes que não puderam vir a esta Missa esperam agora a nossa companhia. Com Santa Bernadette rezemos a Nossa Senhora pelos que sofrem e por todos os que necessitam da nossa ajuda.

 

Cântico final: Deus é Pai, Deus é amor, F. da Silva, NRMS 90-91

 

 

Homilias Feriais

 

5ª Feira, 12-II: Consequências da dignidade da pessoa.

Gen 2, 18-25 / Mc 7, 24-30

Não convém que o homem esteja só. Vou fazer-lhe uma ajudante que se pareça com ele.

«Ser homem e ser mulher é uma realidade boa e querida por Deus: têm pois uma dignidade inamissível e que lhes vem imediatamente de Deus» (CIC, 369).

Consequências desta dignidade: todos os progressos da sociedade, da ciência, estão em função da pessoa humana. Esta dignidade é concedida no momento da concepção, pelo que deve respeitar-se o direito à inviolabilidade da vida e a veneração à maternidade. Também o uso dos bens materiais há-de facilitar e promover o aperfeiçoamento espiritual da pessoa humana.

 

6ª Feira, 13-II: Endeusamento bom.

Gen 3, 1-8 / Mc 7, 31-37

(A serpente): Mas Deus sabe que, no dia em que o comerdes, sereis como deuses, conhecendo o bem e o mal.

«Neste pecado, o homem preferiu-se a si próprio a Deus e, por isso, desprezou Deus: optou por si contra Deus, contra as exigências da sua condição de criatura e, daí, contra o seu próprio bem. Pela sedução do Diabo, quis ser ‘como Deus’ (Leit), mas sem Deus, antes de Deus e não segundo Deus» (CIC, 398).

A sedução do Diabo continua e vamo-nos deixando enganar. Mas Jesus encarnou e vem ajudar-nos a recuperar a nossa condição de criaturas: «tudo tem feito admiravelmente» (Ev). Através da graça que nos concede ficamos divinizados.

 

Sábado, 14-II: S. Cirilo e Metódio, Padroeiros da Europa.

Act 13, 46-49 / Lc 10, 1-9

Designou o Senhor setenta e dois discípulos e mandou-os em missão dois a dois, a todas as cidades e lugares.

Esta mesma cena se repetiu no século IX com os irmãos Cirilo e Metódio, que foram evangelizar os povos eslavos (cf Oração). Além de uma intensa actividade evangelizadora, conseguiram também preparar os textos litúrgicos em língua eslava, pondo à disposição daqueles povos a riqueza da Palavra de Deus.

Paulo e Barnabé voltaram-se igualmente para os pagãos (cf Leit) que, «cheios de alegria, glorificaram a palavra do Senhor» (Leit). Peçamos aos santos Padroeiros da Europa que nos ajudem a ultrapassar as dificuldades, para que a palavra de Deus possa chegar a mais pessoas.

 

 

Celebração e Homilia:          Aurélio Araújo Ribeiro

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                 Duarte Nuno Rocha

 


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