25º Domingo Comum

19 de Setembro de 2004



RITOS INICIAIS


Cântico de entrada: Povo por Deus reunido, H. Faria, NRMS 103-104


Antífona de entrada: Eu sou a salvação do meu povo, diz o Senhor. Quando chamar por Mim nas suas tribulações, Eu o atenderei e serei o seu Deus para sempre.


Introdução ao espírito da Celebração


A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam: convosco.

É com esta saudação, que encontramos nas cartas de S. Paulo, que o presidente da assembleia litúrgica se dirige aos presentes. Viver na graça de Deus, no amor de Deus, na alegria de Deus, deve ser a nossa preocupação máxima. A nossa salvação, a nossa felicidade está em Deus (antífona de entrada). A Ele devemos recorrer. Ele satisfará os anseios do nosso coração.


Oração colecta: Senhor, que fizestes consistir a plenitude da lei no vosso amor e no amor do próximo, dai-nos a graça de cumprirmos este duplo mandamento, para alcançarmos a vida eterna. Por Nosso Senhor...



Liturgia da Palavra


Primeira Leitura


Monição: Amós ganhava a sua vida como pastor e cultivador de sicómoros. Ele fez-se profeta, não porque precisasse desse ofício para ganhar a vida, mas porque Deus o chamou: Vê, profetiza ao meu povo de Israel. Denuncia as injustiças contra os pobres, os pecados dos que procuram o seu proveito à custa da opressão dos irmãos.


Amós 8, 4-7

4Escutai bem, vós que espezinhais o pobre e quereis eliminar os humildes da terra. 5Vós dizeis: «Quando passará a lua nova, para podermos vender o nosso grão? Quando chegará o fim de sábado, para podermos abrir os celeiros de trigo? Faremos a medida mais pequena, aumentaremos o preço, arranjaremos balanças falsas. 6Compraremos os necessitados por dinheiro e os indigentes por um par de sandálias. Venderemos até as cascas do nosso trigo». 7Mas o Senhor jurou pela glória de Jacob: «Nunca esquecerei nenhuma das suas obras».


O profeta Amós pregava no Reino do Norte nos tempos de Jerobão II, no séc. VIII a. C. Não cessava de fustigar todos os vícios dum povo esquecido de Deus, dado às vaidades e à exploração dos mais fracos, muitas vezes através da fraude e do abuso do poder.

5 «Quando passará a lua nova?». No calendário, a lua nova marcava o primeiro dia do mês que era dia de festa, um dia de descanso em que não se podiam, portanto, fazer negócios, como em dia de sábado. A avareza e a exploração do pobre está bem escalpelizada e continua a ter grande actualidade.


Salmo Responsorial Sl 112 (113), 1-2.4-6.7-8 (R. cf. 1a.7b ou Aleluia)


Monição: O Senhor levanta os fracos, e vai em auxílio dos oprimidos. Também nós o devemos fazer.


Refrão: Louvai o Senhor, que levanta os fracos.


Ou: Louvai o Senhor, que exalta os humildes.


Ou: Aleluia.


Louvai, servos do Senhor,

louvai o nome do Senhor.

Bendito seja o nome do Senhor,

agora e para sempre.


O Senhor domina sobre todos os povos,

a sua glória está acima dos céus.

Quem se compara ao Senhor nosso Deus, que tem o seu trono nas alturas

e Se inclina lá do alto a olhar o céu e a terra.


Levanta do pó o indigente

e tira o pobre da miséria,

para o fazer sentar com os grandes,

com os grandes do seu povo.


Segunda Leitura


Monição: S. Paulo recomenda assiduidade na oração. Nela devemos ter presentes todas as necessidades. Meter a vida na oração e a oração na vida.


1 Timóteo 2, 1-8

Caríssimo: 1Recomendo, antes de tudo, que se façam preces, orações, súplicas e acções de graças por todos os homens, pelos reis 2e por todas as autoridades, para que possamos levar uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade. 3Isto é bom e agradável aos olhos de Deus, nosso Salvador; 4Ele quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade. 5Há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, 6que Se entregou à morte pela redenção de todos. 7Tal é o testemunho que foi dado a seu tempo e do qual fui constituído arauto e apóstolo – digo a verdade, não minto – mestre dos gentios na fé e na verdade.8Quero, portanto, que os homens rezem em toda a parte, erguendo para o Céu as mãos santas, sem ira nem contenda.


1 «Que se façam preces». É uma verdade de fé que Deus «quer que todos os homens se salvem», mas, apesar de tudo, não se salvarão sem oração. Podemos ajudar os outros a salvarem-se com a nossa oração, com a qual já Deus conta nos planos da sua Providência. A oração obtém graças que ajudam a nossa liberdade a corresponder livremente aos desígnios divinos, pois ainda que Deus nos queira salvar a todos, não nos quer salvar sem a nossa livre colaboração.

5 «Um só Mediador...» Deus, sendo único, é Deus para todos e não apenas para uma nação (como os falsos deuses). Ele salva-nos pela mediação de Jesus Cristo, o qual, por ser Deus e Homem, é Mediador apto e eficaz, podendo unir os homens inimigos pelo pecado com Deus, oferecendo a sua vida como redenção. Esta mediação exerce-se através da sua Humanidade. Esta mediação é única, embora participem misteriosamente dela, de modo subordinado, os Santos e especialmente a Virgem Maria.


Aclamação ao Evangelho 2 Cor 8, 9


Monição: Iluminados pela Palavra de Deus saberemos dar a razão da nossa fé e esperança. Aclamemo-l'O.


Aleluia


Jesus Cristo, sendo rico, fez-Se pobre,

para nos enriquecer na sua pobreza.


Cântico: Aclamação-2, F. da Silva, NRMS 50-51



Evangelho *

Nota de rodapé

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.


Forma longa: São Lucas 16, 1-13; forma breve: São Lucas 16, 10-13

Naquele tempo, 1disse Jesus aos seus discípulos:

[«Um homem rico tinha um administrador que foi denunciado por andar a desperdiçar os seus bens. 2Mandou chamá-lo e disse-lhe: ‘Que é isto que ouço dizer de ti? Presta contas da tua administração, porque já não podes continuar a administrar’. 3O administrador disse consigo: ‘Que hei-de fazer, agora que o meu senhor me vai tirar a administração? Para cavar não tenho força, de mendigar tenho vergonha. 4Já sei o que hei-de fazer, para que, ao ser despedido da administração, alguém me receba em sua casa’. 5Mandou chamar um por um os devedores do seu senhor e disse ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu senhor?’. 6Ele respondeu: ‘Cem talhas de azeite’. O administrador disse-lhe: ‘Toma a tua conta: senta-te depressa e escreve cinquenta’. 7A seguir disse a outro: ‘E tu quanto deves?’ Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’. Disse-lhe o administrador: ‘Toma a tua conta e escreve oitenta’. 8E o senhor elogiou o administrador desonesto, por ter procedido com esperteza. De facto, os filhos deste mundo são mais espertos do que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes. Ora 9Eu digo-vos: Arranjai amigos com o vil dinheiro, para que, quando este vier a faltar, eles vos recebam nas moradas eternas.»]

10«Quem é fiel nas coisas pequenas também é fiel nas grandes; e quem é injusto nas coisas pequenas, também é injusto nas grandes. 11Se não fostes fiéis no que se refere ao vil dinheiro, quem vos confiará o verdadeiro bem? 12E se não fostes fiéis no bem alheio, quem vos entregará o que é vosso? 13Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque, ou não gosta de um deles e estima o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro».


Esta é mais uma parábola que, para a nossa maneira de pensar, é desconcertante. Temos de ter em conta que se trata do género literário de parábola, em que os diversos elementos que nela entram não têm qualquer valor alegórico, mas são meros elementos de encenação dum ensinamento central, que se quer veicular. Está fora de dúvida que Jesus dá por sabido que a atitude do administrador é profundamente imoral, mas quer simplesmente que nos fixemos na habilidade e engenho que devemos pôr em chegar ao Reino dos Céus. O mesmo problema põe-se relativamente à parábola do próximo Domingo, a do rico e do pobre Lázaro.

6 «Cem talhas». A medida de capacidade aqui referida é o bat, correspondente a 36,4 litros.

7 «Cem medidas». Trata-se da medida chamada Kor que equivalia a 10 bat.

8 «O senhor elogiou o administrador», não pela sua desonestidade, mas pela sua esperteza. A Neovulgata considera que aqui o senhor é o proprietário, (como o nosso texto, pois utilizam minúscula), mas há autores que pensam que é Jesus, um pormenor que em nada altera o ensinamento. Jesus quer que no que diz respeito ao Reino de Deus recorramos a todos os meios humanos honestos, mas não aprova os desonestos, pois um fim bom nunca justifica o recurso a meios maus, segundo o princípio da Ética: «o fim não justifica os meios»; a Ética cristã não é pragmática.

«Os filhos deste mundo», um hebraísmo (o genitivo de qualidade) com que se designam os mundanos; os filhos da luz, isto é, os iluminados pela luz que vem de Deus, por Jesus Cristo (cf. Jo 1, 9), isto é, os cristãos.

9 «Arranjai amigos... eles vos recebam nas moradas eternas». Usando bem as riquezas, concretamente para ajudar o próximo, conseguir-se-ão amigos que nos ajudarão a ser recebidos no Céu – «nas moradas eternas». «Amigos» também podia ser uma forma de designar a Deus, evitando pronunciar o seu nome inefável. «Com o vil dinheiro», à letra «com a mamona da injustiça»; mamona é um termo aramaico, que o Evangelista não traduziu para grego, e que significa: dinheiro, lucro, riquezas. As riquezas dizem-se injustas – «vil dinheiro» –, porque muitas vezes são adquiridas injustamente e degradam o homem.

10-12 Há um certo paralelismo nestas sentenças do Senhor, o que deixa ver que aqui «coisas pequenas» (v. 10) são as riquezas, o «vil dinheiro» (v. 11), o bem alheio (v. 12), que, por maiores que sejam, são perecedouras e quase nada, comparadas com os bens espirituais e eternos, que são «o verdadeiro bem» (v. 11) e «o que é vosso» (v. 12), isto é, o que autenticamente é nosso porque está de acordo com o nosso ser espiritual e nos acompanhará eternamente.

13 «Nenhum servo pode servir dois senhores». Um escravo ou criado não tinha horário de trabalho e tinha de estar totalmente dedicado a servir o seu senhor, sem lhe restar a mínima possibilidade de atender outro patrão. Deus também exige de nós que todos os nossos pensamentos, palavras e acções sejam todos e sempre orientados para O amarmos e servirmos. Não temos uma vida para servir a Deus e outra para cuidar das coisas materiais; de tudo havemos de fazer um serviço a Deus e ao próximo, por amor a Deus. Os bens e os cuidados deste mundo tendem a converter-se num fim último, em ídolos, escravizantes sucedâneos de Deus.


Sugestões para a homilia


Parábola «escandalosa».

Não servir ao dinheiro.

Somos administradores dos bens do Senhor.

Parábola «escandalosa»

Jesus ensinou por meio de parábolas. Elas assinalam um traço característico das suas catequeses. Como bom pedagogo, toma conta de nós no ponto em que nos encontramos e progressivamente nos leva a aprofundar as verdades da fé e os preceitos da lei.

Acontece porém, que nem sempre as Suas parábolas são correctamente entendidas. Já na parábola dos operários enviados a trabalhar para a vinha (Mt 16,1) houve murmuração contra o proprietário, por parecer que esta não era justa quanto ao salário que pagavam.

Agora chegávamos a elogiar o feitor infiel. Parábola «escandalosa». Será verdade?

S. Agostinho interroga-se a si mesmo porque é que o Senhor apresenta esta parábola, e responde: Não foi porque aquele servo fosse um modelo a imitar, mas porque foi cauteloso, previdente para o futuro. Deve envergonhar-se o cristão que carece deste empenho.

O Senhor quer que ponhamos, nos assuntos da nossa vida espiritual, o empenho, o entusiasmo e a habilidade de que muitos colocam naquilo que lhes interessa, que lhes é mais intimo e querido.

Cristãos convictos e conscientes precisam-se com unidade de vida: não podem ter um tempo para Deus e outro para os negócios deste mundo. Não se pode servir a dois senhores: «a Deus e ao dinheiro» mas servir com a casa de Israel a Deus nos afazeres de cada dia «...amarás o Senhor nosso Deus com todo o teu coração» (Dt 6, 4).

O cristão não há-de apegar-se às riquezas nem por nelas o seu coração. «As riquezas são-nos estranhas porque estão fora da nossa natureza; não nascem connosco, não nos sobrevivem. Cristo, ao contrário, é nosso porque é a vida (S. Ambrósio).

Não servir ao dinheiro

«Que afã põem os homens nos seus assuntos terrenos! Ilusões de honras, ambição de riquezas, preocupações de sensualidade. Quando tu e eu pusermos o nosso afã nos assuntos da nossa alma teremos uma fé viva e operante, não haverá obstáculo que nos vença nos nossos empreendimentos de apostolado» (Caminho, 317).

«Não servir ao dinheiro porque o dinheiro corrompe. Basta ouvir ou ler as notícias que todos os dias nos chegam. Políticos, magistrados, comerciantes, administradores, industriais, empresários são os alvos preferenciais dos tentáculos venenosos do dinheiro.

Cuidado. Precisamos de rezar a 'Ladainha do dinheiro' – livrai-nos, Senhor, do dinheiro que escraviza, que corrompe, que leva a juramentos falsos, que encandeia, mata. Do dinheiro proveniente do roubo, do tráfico de droga, da prostituição, da indústria e do comércio da pornografia. Do dinheiro proveniente do dispensável trabalho ao domingo. Do dinheiro proveniente do comércio do sexo...» (Silva Araújo).

Para evitar tudo isto é necessário subordinar a posse, o domínio e o uso das coisas criadas ao seu uso legítimo e vantajoso.

Administradores dos bens do Senhor

Compreende-se que este mundo, dominado pelo império de Mamona será e que é obcecante, tenha dificuldade em amar, a advertência de Jesus: «não podeis servir a Deus e as riquezas». E mais: aceitar a sua palavra de ordem, procurar primeiro, o Reino de Deus e a Sua justiça... justiça, e tudo mais vos será acrescentado.

Deus, o seu reino, a sua justiça não serão coisas de outro mundo, inúteis para o progresso deste? Se muitos não se atrevem a responder afirmativamente a esta interrogação, nem por isso a sociedade amorfa, que as multidões constituem, deixar de ser Santo, construída sobre fundamentos só de matéria, sem ideias de longa trajectória que tão depressa se apagam.

Havemos de servir a Deus com o dinheiro, o prestígio profissional, com a iniciativa e a responsabilidades pessoais que o Senhor elogia com clareza ao referir-se aos filhos deste mundo.

Tudo quanto diz respeito ao bem comum, ao ensino, à defesa da vida, à família, à liberdade, à igualdade de direitos perante a lei, deve ser objectivo das nossas pregações. As leituras desta Missa, sobretudo o Evangelho, lido nas linhas e reflectido nas entrelinhas e posto em vida, levam-nos a combater as injustiças, o abuso dos mais fracos, a marginalização dos pobres e a defender os que são tratados injustamente. Os primeiros cristãos punham tudo em comum em favor dos mais pobres. E nós, o que é que vamos fazer hoje? Deus convida-nos também a partilhar.


Fala o Santo Padre


«Jesus é o mediador entre Deus e os homens»


1. «Porque há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo Homem, que Se deu em resgate por todos» (1 Tm 2, 5).

Nesta expressão do apóstolo Paulo, tirada da primeira Carta a Timóteo, está contida a verdade central da fé cristã. […]


2. «Há um só Deus». O Apóstolo afirma em primeiro lugar a absoluta unicidade de Deus. Os cristãos herdaram esta verdade dos filhos de Israel e partilham-na com os fiéis muçulmanos: é a fé no único Deus, "Senhor do céu e da terra" (Lc 10, 21), omnipotente e misericordioso.

Em nome deste único Deus, dirijo-me a todos os que não aderem a uma fé religiosa e a quantos procuram a verdade. Desejaria repetir-lhe as célebres palavras de São Paulo, que tive a alegria de ouvir de novo no passado mês de Maio no areópago de Atenas: «Deus... não se encontra longe de cada um de nós. É n'Ele, realmente, que vivemos, nos movemos e existimos» (Act 17, 27-28). Volta à memória o que escreveu o vosso grande poeta Abai Kunanbai: «Pode-se duvidar, porventura, da sua existência / se todas as coisas, na terra, dele dão testemunho?» (Poesia 14).


3. «Há um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo Homem». Depois de ter indicado o mistério de Deus, o Apóstolo dirige o olhar para Cristo, único mediador de salvação. Uma mediação realça Paulo noutra das suas cartas que se realizou na pobreza: «Sendo rico, Se fez pobre por vós, a fim de vos enriquecer pela pobreza» (2 Cor 8, 9; Aclamação ao Evangelho).

Jesus «não reivindicou o direito de ser equiparado a Deus» (Fl 2, 6); não quis apresentar-se à nossa humanidade, que é frágil e indigente, com a sua esmagadora superioridade. Se o tivesse feito, não teria obedecido à lógica de Deus, mas à dos prepotentes do mundo, denunciada sem meias palavras pelos Profetas de Israel, como Amós, de cujo livro é tirada a primeira Leitura de hoje (cf. Am 8, 4-6).

A vida de Jesus foi coerente com o desígnio salvífico do Pai, «que deseja que todos os homens se salvem e conheçam a verdade» (1 Tm 2, 4). Ele testemunhou fielmente esta vontade, dando-se «a Si mesmo em resgate por todos» (1 Tm 2, 6). Dando-se inteiramente por amor, obteve-nos a amizade com Deus, perdida com o pecado. Ele sugere-nos esta «lógica do amor» também a nós, pedindo que a apliquemos sobretudo sendo generosos com os necessitados. É uma lógica que pode irmanar cristãos e muçulmanos, comprometendo-os a construir juntos a «civilização do amor». É uma lógica que supera qualquer tipo de astúcia deste mundo e nos permite fazer amizades verdadeiras, que nos recebem «nos tabernáculos eternos» (cf. Lc 16, 9), na «pátria» do Céu. […]


5. Os cristãos são, ao mesmo tempo, habitantes do mundo e cidadãos do Reino do Céu. Empenham-se sem reservas na construção da sociedade terrena, mas permanecem orientados para os bens eternos, como que imitando um modelo superior, transcendente, para o realizar cada vez mais e melhor na existência de cada dia.

O cristianismo não significa afastamento dos compromissos terrenos. Se por vezes, em algumas situações de incerteza, dá esta impressão, isto deve-se à incoerência de muitos cristãos. Na realidade, o cristianismo autenticamente vivido é como o fermento para a sociedade: fá-la crescer e amadurecer a nível humano e abre-a à dimensão transcendente do Reino de Cristo, realização feita pela nova humanidade. Este dinamismo espiritual vai buscar a sua força à oração, como recordou há pouco a segunda Leitura. […]


6. A oração deve ser sempre acompanhada por obras coerentes. A Igreja, fiel ao exemplo de Cristo, nunca separa a evangelização da promoção humana, e exorta os seus fiéis a ser, em todos os ambientes, promotores de renovação e de progresso social. […]

João Paulo II em Astana, Cazaquistão, 23 de Setembro de 2001


Oração Universal


Confiados no amor de Deus,

supliquemos-Lhe por intermédio de Nosso Senhor Jesus Cristo.


1. Pelo Santo Padre, bispos e sacerdotes: para que repartam a Palavra de Deus

e administrem os Sacramentos digna e frutuosamente,

oremos, irmãos.


2. Pela nossa Pátria e seus governantes:

para que nos governem, na justiça e na verdade,

à luz da Palavra de Deus,

oremos, irmãos.


3. Por todos nós aqui reunidos:

para que, tendo recebido a Palavra de Deus,

a vivamos no exercício da caridade,

da solidariedade e da tolerância,

oremos, irmãos.


4. Pelos presos, doentes e emigrantes:

para que encontrem a compreensão

e a ajuda de que carecem,

oremos, irmãos.


5. Por todos os homens:

para que saibam usar os dons de Deus no serviço do bem,

oremos, irmãos.


6. Pelos nossos irmãos falecidos:

para que o Senhor Ihes perdoe os pecados:

e os receba no Seu reino glorioso,

oremos, irmãos.


Senhor, ajudai-nos a ser bons administradores

dos vossos dons e construtores de uma sociedade mais fraterna.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.



Liturgia Eucarística


Cântico do ofertório: Em redor do teu altar, M. Carneiro, NRMS 42


Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, os dons da vossa Igreja, para que receba nestes santos mistérios os bens em que pela fé acredita. Por Nosso Senhor...


Santo: F. dos Santos, NCT 201


Saudação da Paz


Pondo de parte o egoísmo e a dureza do coração vivamos no amor e na concórdia.

Saudai-vos na paz de Cristo


Monição da Comunhão


Esta é a carne e o sangue do Cordeiro. É o mesmo Pão descido do Céu. Eucaristia quer dizer acção de graças. Sei-o bem?


Cântico da Comunhão: A minha carne é verdadeira comida, F. da Silva, NRMS 102

Sl 118, 4-5

Antífona da comunhão: Promulgastes, Senhor, os vossos preceitos para se cumprirem fielmente. Fazei que meus passos sejam firmes na observância dos vossos mandamentos.

Ou. Jo 10, 14

Eu sou o Bom Pastor, diz o Senhor; conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-Me.


Cântico de acção de graças: É bom louvar-Te Senhor, M. Carneiro, NRMS 84


Oração depois da comunhão: Sustentai, Senhor, com o auxílio da vossa graça aqueles que alimentais nos sagrados mistérios, para que os frutos de salvação que recebemos neste sacramento se manifestem em toda a nossa vida. Por Nosso Senhor...



Ritos Finais


Monição final


Celebramos a Eucaristia. Precisamos de a viver no dia a dia. Jesus rezava e convivia. Também nós assim o devemos fazer. Como diz o poeta: Que eu veja como irmão, quem, ao meu lado, vive e precisa que lhe façam bem.


Cântico final: Deus é Pai, Deus é Amor, F. da Silva, NRMS 90-91



Homilias Feriais


25ª SEMANA


2ª feira, 20-IX: A graça de Deus e as nossas disposições.

Prov 3, 27-34 / Lc 8, 16-18

Pois àquele que tiver dar-se-á, mas àquele que não tiver, até o que julga ter lhe será tirado.

É assim a actuação da graça de Deus na nossa vida. Quando correspondemos às graças, receberemos outras novas; mas quando não nos empenhamos em ser dóceis à ajuda do Espírito Santo, ficamos cada vez mais pobres. A vida interior exige sempre um progresso, uma correspondência, um novo empenho. Pelo contrário, quem não avança, retrocede: «se disseres basta, estás perdido» (S. Agostinho).

Deus abençoa e concede novas graças, quando nos encontra com boas disposições: «Ele abençoa a residência dos justos... aos humildes concede o seu favor. Os sábios hão-de alcançar a glória...» (Leit.).


3ª feira, 21-IX: S. Mateus: Alcançar o estado de homem adulto.

Ef 4, 1-7. 11-13 / Mt 9, 9-13

Jesus ia a passar, quando viu um homem chamado Mateus, sentado no posto de cobrança, e disse-lhe: Segue-me.

Como aconteceu com os outros discípulos, a quem o Senhor chamou para serem Apóstolos, S. Mateus deixou rapidamente o que fazia para se dedicar ao serviço do Senhor. A partir de então acompanhou o Senhor e pode testemunhar a sua vida: ouvir os seus ensinamentos, ver os seus milagres, participar na Última Ceia...

A todos nos é pedido este maior conhecimento do Senhor: «No fim chegaremos todos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao estado do homem adulto, à medida da estatura de Cristo na sua plenitude» (Leit.).


4ª feira, 22-IX: Confiança plena em Deus..

Prov 30, 5-9 / Lc 9, 1-6

Disse-lhe então: Não leveis nada para o caminho, nem cajado, nem saco, nem pão, nem dinheiro.

Jesus quer fazer ver aos Apóstolos, quando os envia para a primeira missão apostólica, que têm que aprender a apoiar-se nos meios sobrenaturais, que é Ele que dá toda a eficácia. As curas, as conversões, os milagres hão-de atribuir-se à omnipotência divina.

A mesma confiança se há-de notar nos pedidos que fazemos ao Senhor na nossa oração: «Duas coisas vos peço, Senhor, não mas negueis até que eu morra: afastai de mim a fraude e a mentira; não me deis pobreza nem fortuna, deixai que eu tenha o alimento necessário. É que, na abundância, poderia renegar-vos...» (Leit.).


5ª feira, 23-IX: Um desejo forte de ver a Deus.

Ecl 1, 2-11 / Lc 9, 7-9


(Herodes): Mas quem é este homem, de quem oiço dizer tantas coisas? E procurava ver maneira de ver Jesus.

O desejo de ver o rosto de Cristo é fundamental para a nossa vida, pois «nele, Deus nos abençoa fazendo resplandecer sobre nós a luz do seu rosto. Sendo ao mesmo tempo, Deus e homem, Ele revela-nos também o rosto autêntico do homem, revela o homem a si mesmo» (João Paulo II; NMI, 23). O resto das coisas acaba por ser uma desilusão: «Todas as coisas produzem cansaço, ninguém o pode explicar; o olhar não consegue ver bastante...» (Leit.).

O desejo de Herodes ver Jesus não deve ter sido muito forte. E o meu desejo? Que eu me esforce por vê-lo de perto na leitura do Evangelho, na contemplação dos mistérios do Rosário...


6ª feira, 24-IX: Como saber qual o ‘momento oportuno’?

Ecl 3, 1-11 / Lc 9, 18-22

Para tudo há um momento oportuno, para cada coisa há um tempo debaixo do céu.

O momento mais oportuno para cada coisa é, em princípio, aquele em que devemos levar a cabo a vontade de Deus para cada um de nós. O Senhor quer que vivamos e santifiquemos o momento presente, cumprindo com responsabilidade o dever correspondente a esse momento.

No Evangelho de hoje também o Senhor nos ensina que há-de haver um momento para a oração («Jesus estava a orar sozinho»); um momento para o sofrimento («O Filho do Homem tem de sofrer muito... tem que ser morto e ressuscitar ao terceiro dia»).


Sábado, 25-IX: A Cruz é um bem?

Ecl 11, 9 - 12, 8 / Lc 9, 43-45

O Filho do homem vai ser entregue nas mãos dos homens. Mas eles não entendiam aquela linguagem.

A pregação sobre a Cruz, a mortificação, o sacrifício, o sofrimento, como um bem, como um meio de salvação, há-de ser sempre difícil de entender (cf. Ev.), quando se encara apenas com olhos humanos. À primeira vista é mais uma desilusão: «Desilusões e mais desilusões... Tudo é desilusão» (Leit.).

No entanto, a fé ajuda-nos a ver que, sem sacrifício, não há amor, não há verdadeira alegria, não há purificação dos pecados, não há encontro com Deus. O caminho da santificação pessoal passa necessariamente pela Cruz.







Celebração e Homilia: Armando A. Barreto Marques

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Homilias Feriais: Nuno Romão

Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha


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