Apresentação do Senhor

02 de Fevereiro de 2009

 

Festa

 

BÊNÇÃO E PROCISSÃO DAS VELAS

 

 

Primeira forma: Procissão

 

 

1.  À hora marcada, reúnem-se os fiéis numa igreja secundária ou noutro local apropriado, fora da igreja para a qual se dirigirá a procissão. Os fiéis têm nas mãos as velas apagadas.

 

2.  O sacerdote aproxima-se, acompanhado dos ministros, revestido com paramentos brancos como para a Missa. Em vez da casula pode levar o pluvial, que deporá no fim da procissão.

 

3.  Enquanto se acendem as velas, canta-se a antífona: O Senhor virá com poder e iluminará os olhos dos seus servos. Aleluia, ou outro cântico apropriado.

 

4.  O sacerdote saúda a assembleia como habitualmente e em seguida faz uma breve admonição para exortar os fiéis a celebrarem activa e conscientemente este rito festivo. Para isso, pode dizer estas palavras ou outras semelhantes:

 

Caríssimos irmãos:

Celebrámos com muita alegria, há quarenta dias, a solenidade do Natal do Senhor.

Hoje é o santo dia em que Jesus foi apresentado no templo por Maria e José. Exteriormente cumpria as prescrições da lei, mas na realidade vinha ao encontro do seu povo fiel.

Aqueles dois santos velhos, Simeão e Ana, tinham vindo ao templo sob a inspiração do Espírito Santo; iluminados pelo Espírito, reconheceram o Senhor e anunciavam-no a todos com entusiasmo.

Também nós, aqui reunidos pelo Espírito Santo, caminhemos para a casa do Senhor ao encontro de Cristo. Aí O encontraremos e O reconheceremos na fracção do pão, enquanto aguardamos a sua vinda gloriosa.

 

 

5.  Terminada a admonição, o sacerdote procede à bênção das velas, dizendo de mãos juntas:

 

Oremos:

Senhor nosso Deus, fonte e origem de toda a luz, que neste dia mostrastes ao santo velho Simeão a luz que veio para se revelar às nações, humildemente Vos suplicamos: santificai com a vossa + bênção estas velas e ouvi a oração do vosso povo que se reuniu para as levar solenemente em honra do vosso nome, de modo que, seguindo sempre o caminho da virtude, chegue um dia à luz que jamais se extingue. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Ou então

 

Oremos:

Senhor Deus, fonte e origem da luz eterna, infundi no coração dos fiéis a claridade da luz que não tem ocaso, para que todos nós, iluminados no vosso templo santo pelo esplendor destas luzes, mereçamos chegar um dia à luz da vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

E asperge as velas com água benta sem dizer nada.

 

6.  Seguidamente, o sacerdote recebe a vela que está preparada para ele e dá início à procissão, dizendo:

 

Caminhemos em paz ao encontro de Cristo.

 

7.  Durante a procissão, canta-se a seguinte antífona com o respectivo cântico, ou outro cântico apropriado:

 

Antífona:   Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.

 

Agora, Senhor, segundo a vossa palavra,

deixareis ir em paz o vosso servo.

 

Antífona:   Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.

 

Os meus olhos viram a salvação

que oferecestes a todos os povos.

 

Antífona:   Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.

 

8.  Ao entrar a procissão na igreja, canta-se a antífona de entrada da Missa. O sacerdote, depois de chegar ao altar, faz a devida reverência e, se parecer oportuno, incensa-o. Depois vai para a sua sede; ali, depõe o pluvial (se foi usado na procissão) e veste a casula.

 

Segue-se o canto do Glória, depois do qual, como de costume, diz a Oração Colecta. A Missa continua na forma habitual.

 

 

Segunda forma: Entrada Solene

 

9.  Os fiéis reúnem-se na igreja com as velas na mão. O sacerdote, revestido de paramentos brancos, acompanhado dos ministros e de uma representação da assembleia, dirige-se para o lugar mais conveniente, à porta da igreja ou dentro dela, onde ao menos uma grande parte dos fiéis possa ver facilmente o rito e participar nele.

 

10.            Quando o sacerdote tiver chegado ao lugar destinado para a bênção das velas, acendem-se as velas, enquanto se canta a antífona O Senhor virá com poder, ou outro cântico apropriado.

 

11.            Em seguida, o sacerdote, depois da saudação e da admonição, procede à bênção das velas, como acima se indica (nn. 4-5). Segue-se a procissão em direcção ao altar, durante a qual se canta a antífona própria ou um cântico apropriado (nn. 6-7). Para a Missa, observe-se o que está indicado no n. 8.

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: A Luz de Cristo, Az. Oliveira, NRMS 88

Salmo 47, 10-11

Antífona de entrada: Recordamos, Senhor, a vossa misericórdia no meio do vosso templo. Toda a terra proclama o louvor do vosso nome, porque sois justo e santo, Senhor nosso Deus.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A liturgia cristã, precisamente quarenta dias após o Natal, revive o mistério da Apresentação de Jesus no Templo. O Menino, que Maria e José levam com emoção ao Templo, é o Verbo encarnado, o Redentor do homem.

A bênção das velas, que antecede a celebração litúrgica, simboliza Cristo Luz do Mundo, indispensável para quem não quer caminhar nas trevas. A procissão até ao altar, representa a nossa peregrinação através desta terra, guiados pela luz de Cristo e a vela lembra-nos o nosso próprio baptismo.

Comemorando o acontecimento que nesse dia teve lugar em Jerusalém, também nós somos convidados a entrar no Templo, para meditar sobre o mistério de Cristo, unigénito do Pai que, com a sua Encarnação e a sua Páscoa, se tornou o primogénito da humanidade redimida e luz para todo o Mundo.

Saibamos com generosidade de coração e repletos da luz do Espírito receber e intensificar essa luz de esperança e de paz, procurando viver com toda a intensidade esta celebração.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, humildemente Vos suplicamos que, assim como o vosso Filho Unigénito foi neste dia apresentado no templo, revestido da natureza humana, assim também, de alma purificada, nos apresentemos diante de Vós. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A profecia de Malaquias afirma que o Senhor vem ao seu Templo para purificar o povo do pecado, a fim de que possa apresentar a Deus ofertas com justiça. A oferta de Si mesmo ao Pai é a salvação que Cristo mereceu para cada ser humano, esperando que cada um O aceite e n’Ele se integre para se inundar de luz, irradiá-la e entrar na luz perpétua, sem ocaso e sem sombras.

 

Malaquias 3, 1-4

2Assim fala o Senhor Deus: «Vou enviar o meu mensageiro, para preparar o caminho diante de Mim. Imediatamente entrará no seu templo o Senhor a quem buscais, o Anjo da Aliança por quem suspirais. Ele aí vem–diz o Senhor do Universo –. 2Mas quem poderá suportar o dia da sua vinda, quem resistirá quando Ele aparecer? Ele é como o fogo do fundidor e como a lixívia dos lavandeiros. 3Sentar-Se-á para fundir e purificar: purificará os filhos de Levi, como se purifica o ouro e a prata, e eles serão para o Senhor os que apresentam a oblação segundo a justiça. 4Então a oblação de Judá e de Jerusalém será agradável ao Senhor, como nos dias antigos, como nos anos de outrora.

 

A leitura do profeta Malaquias é um pequeno extracto da passagem (2, 17 – 3, 5) relativa aos tempos escatológicos – o dia do Senhor –, em que se dará uma radical purificação do sacerdócio («os filhos de Levi», v. 3).

1 «Anjo da Aliança». Ele é o próprio Senhor «por quem suspirais». A profecia teve o seu pleno cumprimento em Jesus Cristo, o Filho de Deus enviado à terra. A vinda deste «Anjo da Aliança» será preparada por um «mensageiro», que, segundo a interpretação dada em Mt 11, 10, é João Baptista, o Precursor. Daqui procede o uso da Liturgia, que dá o título de Santo Anjo a Cristo.

Tenha-se em conta que, por vezes, no Antigo Testamento, se designa com o nome de Anjo o próprio Deus que se manifesta: assim em Gn 16, 7.13 e Ex 3, 2, etc.. Nestes casos, «anjo» não tem o sentido corrente de enviado de Deus, mas o de presença ou manifestação visível de Deus.

 

Salmo Responsorial     Salmo 23 (24), 7.8.9.10 (R. 10b)

 

Monição: Neste salmo, entoamos um hino de júbilo e de louvor a Cristo, verdadeiro sacramento de Deus em Quem se manifestou a glória do Altíssimo.

 

Refrão:      O Senhor do Universo é o Rei da Glória

 

Levantai, ó portas, os vossos umbrais,

alteai-vos, pórticos antigos,

e entrará o Rei da glória.

 

Quem é esse Rei da glória?

O Senhor forte e poderoso,

o Senhor poderoso nas batalhas.

 

Levantai, ó portas, os vossos umbrais,

alteai-vos, pórticos antigos,

e entrará o Rei da glória.

 

Quem é esse Rei da glória?

O Senhor dos Exércitos,

é Ele o Rei da glória.

 

 

Aclamação ao Evangelho         Lc 2, 32

 

Monição: Vivamos esta hora festiva em que Jesus, como Luz dos Povos, se apresenta no Templo de Jerusalém. Aclamemos essa Luz que nos transmite o Evangelho que vai ser proclamado.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação4, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.

 

 

Evangelho *

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São Lucas 2, 22-40          Forma breve: São Lucas 2, 22-32

22Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, 23como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor», 24e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. 25Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel e o Espírito Santo estava nele. 26O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor 27e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, 28Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: 29«Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, 30porque os meus olhos viram a vossa salvação, 31que pusestes ao alcance de todos os povos: 32luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo».

[33O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d’Ele se dizia. 34Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição – 35e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». 36Havia também uma profetiza, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada 37e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. 38Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. 39Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. 40Entretanto, o Menino crescia e tornava-Se robusto, enchendo-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.]

 

A ida de Maria a Jerusalém para cumprir a lei da purificação das parturientes (Lv 12) serve de ocasião para que José e Maria procedam a um gesto que não estava propriamente prescrito pela Lei. Apresentar ali o Menino ao Senhor é um gesto de oferta que mostra que Ele não lhes pertence e que se sentem meros depositários dum tesoiro de infinito valor. Pode também ver-se o sentido de imitação do gesto de Ana, mãe de Samuel (Sam 1, 11.22-28). Mas se a lei não preceituava a «apresentação», obrigava ao resgate do primogénito varão (não pertencente à tribo de Levi). Segundo Ex 13, o primogénito animal devia ser oferecido em sacrifício, ao passo que o primogénito humano devia ser resgatado, tudo isto em reconhecimento pelos primogénitos dos israelitas não terem sido sacrificados juntamente com os dos egípcios. O preço do resgate eram 5 siclos do santuário. Cada siclo de prata, no padrão do santuário, constava de vinte grãos com o peso total de 11,4 gramas. S. Lucas não fala deste resgate de 57 gramas de prata, que podia ser pago a qualquer sacerdote em qualquer parte da nação judaica; o evangelista apenas faz uma referência genérica ao cumprimento da Lei (v. 23; cf. Ex 13, 2.12-13).

24 A lei da purificação atingia toda a parturiente, a qual contraía impureza legal durante 7 dias, se dava à luz um rapaz, (Ex 12, 28, mas a jurisprudência judaica já tinha acrescentado mais 33 dias, um total de 40) e durante 14 dias, se tinha uma menina (tinha subido na época para 80 dias). No fim desse tempo, devia ser declarada pura mediante a oferta no templo duma rês menor (podia ser um cordeiro) e duma pomba ou rola. Quando a mãe não dispunha de meios para oferecer uma rês menor, podia oferecer um par de pombas ou rolas, como aqui se refere.

Tenha-se em conta que a «impureza legal ou ritual» não incluía a noção de pecado, ou de impureza moral. De modo particular todas as coisas relativas à transmissão da vida, mesmo no caso de serem moralmente boas, como a maternidade e o uso legítimo do matrimónio, ou moralmente indiferentes, como a menstruação e a polução nocturna, tornavam a pessoa impura, isto é, inapta para o culto de Deus Santo. A razão disto estava no carácter sagrado da vida e da sua transmissão. Parece que tudo isto implicava alguma perda de vitalidade, que devia ser reparada mediante certos ritos, para de novo poder entrar em comunhão com Deus, a plenitude e a fonte da vida. Estas leis tinham uma finalidade eminentemente didáctica: o povo de Israel era um povo santo, especialmente dedicado a Deus e ao seu culto, e em comunhão com Ele (cf. Ex 19, 5-6; Lv 19, 2). Todas as normas de pureza ritual faziam-no tomar constantemente consciência das suas relações particularíssimas com Deus e do sentido cultual da sua vida diária. A verdade é que a frequência e abundância dos ritos nem sempre foi alicerçada num coração dedicado a Deus, tendo degenerado no formalismo religioso tão denunciado pelos profetas e por Jesus Cristo (cf. Is 29, 13; Mt 15, 7-9).

Em face disto, o rito da Purificação de Maria, não pressupõe a aparência sequer de qualquer imperfeição moral ou legal da parte da SSª Virgem, como se poderia pensar. O gesto de Maria aparece como uma singular lição de naturalidade, de obediência e de pureza, cumprindo uma lei a que não estava sujeita, por ser a aeiparthénos, a sempre Virgem; Maria, a tão privilegiada, não quer para si um regime de excepção e privilégio.

25 «Simeão», de quem não temos mais notícias (em parte nenhuma se diz que era velho), aparece como um dos «piedosos» do judaísmo que esperava não um messias revolucionário (como os zelotas), mas o verdadeiro Salvador – «a consolação de Israel». Apesar do que se diz no v. 34, não parece ser sacerdote, não estando no serviço do templo, mas tendo vindo lá «movido pelo Espírito» (v. 27). Há quem o considere filho do grande rabino Hillel e pai do célebre Gamaliel I (Vacari; cf. Act 5, 34; 22, 3), mas sem provas convincentes.

33 A naturalidade com que S. Lucas chama a S. José «pai de Jesus» não implica qualquer contradição com o que antes afirmou em 1, 26-38. Aqui visa o poder e missão paterna, de modo nenhum a ascendência carnal.

35 «Assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». Estas palavras ligam-se a «sinal de contradição». É que, diante de Jesus, não há lugar para a neutralidade: a sua pessoa, a sua obra e a sua mensagem fazem com que os homens revelem o seu interior, tomando uma atitude pró ou contra; a aceitação e a fé será, para muitos, motivo de salvação, ou «ressurgimento espiritual» («se levantem»), ao passo que a rejeição culpável será motivo de que muitos se condenem («muitos caiam»).

36-37 Põe-se em relevo a sua longa viuvez, como algo digno de veneração.

38 Não se afasta do Templo: hipérbole para indicar a frequência diária.

39 Este v. corresponde a Mt 2, 23, mas Lucas não relata aqui a fuga para o Egipto.

40 A Teologia explicita que «o Menino crescia», não só na manifestação da sabedoria, mas também no conhecimento experimental.

 

Sugestões para a homilia

 

A purificação do Povo

Por luz que brilha nas trevas

É mensagem de plena actualidade

A purificação do Povo

Segundo o profeta Malaquias o Senhor haveria de enviar um mensageiro que purificaria a religião de Israel, agindo como o «fogo dos fundidores» e a «lixívia dos lavandeiros», isto é, viria ao seu Templo para purificar o povo do pecado, a fim de que pudesse apresentar a Deus ofertas com justiça.

Tal profecia cumpriu-se com a vinda de Jesus. Ele introduziu a única religião agradável a Deus, a do coração, a do amor ao homem. Anulou a religião inventada pelos homens, a que não era manifestação de fé e de adesão a Deus, mas que se regia por sinais fantásticos e práticas sem sentido. Instituiu a Eucaristia como expressão plena de anuência à sua promessa de vida.

Não precisará ainda a nossa prática religiosa de ser purificada com o «fogo» e com «lixívia»? Não a reduziremos a simples ritos que não modificam o nosso coração, nem nos deixam viver calmos por causa dos nossos interesses, das nossas paixões, das nossas inconstâncias? Já teremos em nós a verdadeira Luz?

Por uma luz que brilha nas trevas

A chamada Festa da Luz, celebra a primeira entrada de Jesus no Templo. Ele foi levado pelos braços de sua mãe e pelo coração religioso de José, o pai por adopção e por mística missão. O velho Simeão, ao receber nos braços o menino, voltou o seu rosto para o alto e rezou: «agora posso descansar em paz, pois meus olhos viram a Salvação... luz para as nações, glória para Israel... sinal de contradição».

A luz é algo indispensável. Sem ela é impossível ver, anda-se sem segurança e sempre se está em perigo de tropeçar, de cair e de originar fracturas. A luz é necessária para agir, para trabalhar, para viver. Mas há cegos mesmo diante da mais brilhante luz, há míopes para quem falta luz, mesmo quando ela exista. Se isto é verdade para a vida comum, é bem verdade também para a vida interior. Há uma luz que brilha para além dos olhos, penetra o íntimo do ser humano e tem força de eternidade.

Jesus é essa verdadeira luz.

Mensagem plena de actualidade

A mensagem litúrgica deste dia torna-se, assim, luz para o homem que parece andar às apalpadelas, buscando claridade, e ansiando por ver. Uma nuvem com contornos de relativismo, de materialismo e de raiva cismática de poder e de dinheiro parece toldar os olhos e negar-lhe a visão da salvação. Ofertas de conforto e de riquezas materiais, são como lâmpadas que queimam prometendo a felicidade com manhas disfarçadas de liberdade religiosa.

A festa da Apresentação do Senhor é, pois, um convite à revisão. A luz brilhou nas trevas. É preciso não permitir que as trevas sejam outra vez mais espessas que a luz.

Brilhe a luz de Cristo em nós e diante dos homens, para que vejam as Suas boas obras e dêem glória a Deus.

 

Fala o Santo Padre

 

«Cristo é-nos apresentado como mediador que une Deus e o homem abolindo as distâncias, eliminando qualquer divisão.»

 

A hodierna festa da Apresentação de Jesus no Templo, quarenta dias depois do seu nascimento, apresenta diante dos nossos olhos um momento particular da vida da Sagrada Família: segundo a lei moisaica, o menino Jesus é levado por Maria e José ao templo de Jerusalém para ser oferecido ao Senhor (cf. Lc 2, 22). Simeão e Ana, inspirados por Deus, reconhecem naquele Menino o Messias tão esperado e profetizam sobre Ele. Estamos na presença de um mistério, ao mesmo tempo simples e solene, no qual a Santa Igreja celebra Cristo, o Consagrado do Pai, primogénito da nova humanidade.

 

A sugestiva procissão dos Círios no início da nossa celebração fez-nos reviver a majestosa entrada, cantada no Salmo responsorial, d’Aquele que é «o rei da glória» (Sl 23, 7-8). Mas quem é o Deus poderoso que entra no Templo? É um Menino; é o Menino Jesus, entre os braços da sua mãe, a Virgem Maria. A Sagrada Família cumpre tudo o que a Lei prescrevia: a purificação da mãe, a oferenda do primogénito a Deus e o seu resgate mediante um sacrifício. Na primeira Leitura a Liturgia fala do oráculo do profeta Malaquias: «Imediatamente entrará no seu santuário o Senhor» (Mal 3, 1). Estas palavras comunicam toda a intensidade do desejo que animou a expectativa da parte do povo hebreu ao longo dos séculos. Entra finalmente na sua casa «o cordeiro da aliança» e submete-se à Lei: vai a Jerusalém para entrar, em atitude de obediência, na casa de Deus.

 

O significado deste gesto adquire uma perspectiva mais ampla no trecho da Carta aos Hebreus, proclamado hoje como segunda Leitura. Nele é-nos apresentado Cristo, o mediator que une Deus e o homem abolindo as distâncias, eliminando qualquer divisão e abatendo todos os muros de separação. Cristo vem como novo «sumo sacerdote misericordioso e fiel no serviço de Deus, para expiar os pecados do povo» (Hb 2, 17). Observamos assim que a mediação com Deus já não se realiza na santidade-separação do sacerdócio antigo, mas na solidariedade libertadora com os homens. Ele inicia, ainda Criança, a andar pelo caminho da obediência, que percorrerá até ao fim. Ressalta bem isto a Carta aos Hebreus quando diz: «Quando vivia na carne, ofereceu... orações e súplicas... Apesar de ser Filho de Deus, aprendeu a obedecer, sofrendo e, uma vez atingida a perfeição, tornou-se para todos os que Lhe obedecem fonte de salvação eterna» (cf. Hb 5, 7-9).

 

A primeira pessoa que se une a Cristo no caminho da obediência, da fé provada e do sofrimento partilhado é a sua mãe, Maria. O texto evangélico mostra-no-la no gesto de oferecer o Filho: uma oferenda incondicional que a envolve em primeira pessoa: Maria é a Mãe d’Aquele que é «glória do seu povo, Israel» e «luz que ilumina as nações» (cf. Lc 2, 32.34). E ela mesma, na sua alma imaculada, deverá ser trespassada pela espada do sofrimento, mostrando assim que o seu papel na história da salvação não termina no mistério da Encarnação, mas se completa na amorosa e dolorosa participação na morte e na ressurreição do seu Filho. Levando o Filho a Jerusalém, a Virgem Mãe oferece-o a Deus como verdadeiro Cordeiro que tira os pecados do mundo: apresenta-o a Simeão e a Ana como anúncio de redenção; apresenta-o a todos como luz para um caminho seguro pela via da verdade e do amor.

 

As palavras que neste encontro vêm aos lábios do idoso Simeão - «Os meus olhos viram a tua salvação» (Lc 2, 30) - encontraram eco no coração da profetiza Ana. Estas pessoas justas e piedosas, envolvidas pela luz de Cristo, podem contemplar no Menino Jesus «a consolação de Israel» (Lc 2, 25). A sua expectativa transforma-se assim em luz que ilumina a história. Simeão é portador de uma antiga esperança e o Espírito do Senhor fala ao seu coração: por isso pode contemplar aquele que muitos profetas e reis tinham desejado ver, Cristo, luz que ilumina as nações. Reconhece naquele Menino o Salvador, mas intui no espírito que em seu redor se jogará o destino da humanidade, e que deverá sofrer muito por parte de quantos o rejeitarão; proclama a sua identidade e a missão de Messias com as palavras que formam um dos hinos da Igreja nascente, do qual irradia toda a exultação comunitária e escatológica da expectativa salvífica realizada. O entusiasmo é tão grande que viver e morrer são a mesma coisa, e a «luz» e a «glória» tornam-se uma revelação universal. Ana é «profetiza», mulher sábia e piedosa que interpreta o sentido profundo dos acontecimentos históricos e da mensagem de Deus neles escondido. Por isso pode «louvar a Deus» e falar «do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém» (Lc 2, 38). A prolongada viuvez dedicada ao culto no templo, a fidelidade aos jejuns semanais, a participação na expectativa de quantos aspiravam pelo resgate de Israel concluem-se no encontro com o Menino Jesus. […]

 

Bento XVI, Vaticano, 2 de Fevereiro de 2006

 

Oração Universal

 

Senhor,

verdadeira luz do Mundo

atendei as preces dos vossos fiéis

que, com humildade, vos imploram:

 

Ouvi, Senhor, a oração do vosso Povo.

 

1.  Pelo Santo Padre, bispos, presbíteros e diáconos,

para que com o exemplo e a palavra esclarecida

dêem a conhecer Cristo, verdadeira luz do mundo,

Oremos, irmãos.

 

2.  Para que sejam iluminados pela luz de Cristo

todos aqueles que procuram a verdade

de coração sincero,

oremos, irmãos.

 

3.  Por todos os baptizados, para que sejam luz para os homens

através de uma fé estável

e de uma fidelidade permanente ao baptismo recebido,

oremos, irmãos.

 

4.  Para que, à semelhança de Maria,

mostremos disponibilidade no serviço

e sejamos sinal de oposição aos contravalores deste mundo,

oremos, irmãos.

 

5.  Por todos aqueles que espontaneamente se consagraram

ao serviço especial de Deus e dos irmãos,

para que o comprovem com generosidade e alegria,

oremos, irmãos.

 

6.  Por todos os que Vos desejam ver eternamente,

para que sejam iluminados no seu caminho

pela luz de Cristo,

oremos, irmãos.

 

 

Deus todo-poderoso,

que recebestes hoje no Vosso Templo

a Jesus Cristo Vosso Filho,

dignai-Vos por Seu intermédio escutar as nossas preces.

Ele que é Deus convosco,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Hoje, ao templo do Senhor, A. Cartageno, NRMS 88

 

Oração sobre as oblatas: Senhor, que na vossa bondade quisestes que o vosso Filho Unigénito Se oferecesse a Vós como Cordeiro sem mancha pela vida do mundo, fazei que Vos seja agradável a oblação da vossa Igreja em festa. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

Cristo, luz das nações

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte. Hoje o vosso Filho, eterno como Vós, é apresentado no templo e proclamado pelo Espírito Santo glória de Israel e luz das nações. Por isso, vamos com alegria ao encontro do Salvador e com os Anjos e os Santos proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 14

 

Monição da Comunhão

 

Depois de vivermos a festa da Apresentação de Jesus no Templo, não poderemos ficar indiferentes à mensagem que ela nos transmitiu. Que a Comunhão que vamos receber nos ajude a ser continuidade e sinal da luz que auferimos, na comprovação da fidelidade ao amor que nos concedeis.

 

Cântico da Comunhão: Cantemos todos em coro, Az. Oliveira, NRMS 88

Lc 2, 30-31

Antífona da comunhão: Os meus olhos viram a salvação que oferecestes a todos os povos.

 

Cântico de acção de graças: Felizes os que habitam na vossa casa, M. Valença, NRMS 48

 

Oração depois da comunhão: Deus de bondade, que respondestes à esperança do santo Simeão, confirmai em nós a obra da vossa graça: assim como lhe destes a alegria de receber em seus braços, antes de morrer, a Cristo vosso Filho, concedei que também nós, fortalecidos por estes sacramentos, caminhemos ao encontro do Senhor e alcancemos a vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A luz só tem sentido se realmente iluminar. Correr para a Luz é o que fazem os que receberam o dom da fé pelo baptismo e pelo agir da Igreja, guardiã da luz única de Cristo que a todos quer iluminar para sempre.

Procuremos junto daqueles que connosco vivem o dia-a-dia ser chama que transmite essa imagem viva, luminosa e exemplar de Jesus, única luz para o mundo.

 

Cântico final: Deus é Pai, Deus é Amor, F. da Silva, NRMS 90-91

 

 

Homilias Feriais

 

4ª SEMANA

 

3ª Feira, 3-II: O Senhor ‘toca-nos’.

Heb 12, 1-4 / Mc 5, 21-43

São tantos os antigos a atestar-nos as grandezas da fé, que se diriam uma nuvem a rodear-nos.

São muito valiosos os testemunhos dos antigos. «No entanto, para nós, Deus previa destino melhor: a graça de crer no seu Filho Jesus, ‘guia da nossa fé, que Ele leva à perfeição’ (Leit)» (CIC, 147).

Jesus realizou o milagre da cura da hemorroísa, que lhe tocou na veste, porque viu a sua fé: «foi a tua fé que te salvou» (Ev). Nós estamos sempre a ‘tocar em Jesus’ quando participamos na Missa, quando o recebemos na Comunhão, quando fazemos oração, quando lhe oferecemos o nosso trabalho.

 

4ª Feira, 4-II: Fé e provações.

Heb 12, 4-7. 11-15 / Mc 6, 1-6

E não pode fazer ali nenhum milagre. Estava admirado pela falta de fé daquela gente.

«Jesus entristece-se por causa da ‘falta de fé’ dos seus conterrâneos (Ev) e da pouca fé dos seus discípulos» (CIC, 2610).

Como aceitamos as provações habituais? Não esqueçamos o conselho: «É que o Senhor corrige aquele que ama e castiga a todo o filho que toma a seu cuidado. É para vossa correcção que tendes provações; é como filhos que Deus vos trata» (Leit). Nas contrariedades, dores e sofrimentos, tenhamos presente que são uma prova do amor de Deus para connosco, e Ele só quer o nosso bem.

 

5ª Feira, 5-II:Continuação da obra de Cristo.

Heb 12, 18-19. 21-24 / Mc 6, 7-13

Os Apóstolos partiram e pregaram que era preciso cada um arrepender-se. Expulsavam muitos demónios, ungiam com óleo numerosos doentes e curavam-nos.

«Seguindo-o, eles (os discípulos) adquirem uma nova dimensão da doença e dos doentes. Jesus associa-os à sua vida pobre e servidora. Fá-los participar no seu ministério de compaixão e de cura. E eles ‘partiram e pregaram’ (Ev)» (CIC, 1506).

Também nós precisamos adquirir uma melhor visão da doença e dos doentes. Procuremos prestar-lhes pequenas atenções: visitas, companhia, pequenos serviços… E não nos esqueçamos de lhes sugerir que recebam a Unção dos Enfermos, insinuada nesta passagem: «ungiam com óleo numerosos doentes» (Ev) (cf CIC, 1511).

 

6ª Feira, 6-II:Participação activa no sacrifício de Cristo.

Heb 13, 1-8 / Mc 6, 14-29

E mandou imediatamente um guarda, com a ordem de trazer a cabeça de João.

Recordamos anualmente o martírio de João Baptista e este relato sempre nos emociona. O mesmo acontece com a narração de qualquer martírio. Mas devemos sempre pasmar-nos mais com o «memorial sacrificial em que se perpetua o sacrifício da cruz e o banquete sagrado da comunhão do Corpo e Sangue do Senhor» (CIC, 1382).

Procuremos participar mais activamente no sacrifício de Cristo, fonte e centro de toda a vida cristã, oferecendo a Deus a vítima divina e a nós próprios, juntamente com Ele (cf João Paulo II).  

 

Sábado, 7-II:As Cinco Chagas do Senhor.

Is 53, 1-10 / Mt 8, 5-11

O castigo que nos salva caiu sobre Ele e, por causa das suas chagas, é que fomos curados.

A festa das Cinco Chagas do Senhor recorda-nos que Ele sofreu tudo isto por causa das nossas faltas: «A morte redentora de Jesus deu cumprimento sobretudo à profecia do Servo sofredor (cf Leit). O próprio Jesus apresentou o sentido da sua vida e da sua morte à luz do Servo sofredor» (CIC, 601).

Aceitemos o convite do Senhor para nos metermos nas suas chagas, tal como fez com Tomé. Este fez um acto de fé, bem como uma contrição profunda: «’meu Senhor e meu Deus’» (Ev).

 

 

Celebração e Homilia:          António E. Portela

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                 Duarte Nuno Rocha

 


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