Santa Maria Mãe de Deus

D. M. da Paz

01 de Janeiro de 2009

 

Na Oitava do Natal do Senhor

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Senhor, trazei-nos a paz, Az. Oliveira, NRMS 90-91

Sedúlio

Antífona de entrada: Salvé, Santa Mãe, que destes à luz o Rei do céu e da terra.

 

Ou

cf. Is 9, 2.6; Lc 1, 33

Hoje sobre nós resplandece uma luz: nasceu o Senhor. O seu nome será Admirável, Deus forte, Pai da eternidade, Príncipe da paz. E o seu reino não terá fim.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O êxito de uma empresa depende de um bom começo, da comunhão fraterna entre os membros que a compõem, familiares, amigos e conhecidos, e trabalhadores.

A nosssa preocupação é a espiritual, de comunhão com Deus, com Maria Mãe de Deus, com a igreja.

A felicidade depende do trabalho para melhorar o nosso amor à santificação no ano que começamos.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que, pela virgindade fecunda de Maria Santíssima, destes aos homens a salvação eterna, fazei-nos sentir a intercessão daquela que nos trouxe o Autor da vida, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Escutemos a fórmula da benção do povo de Israel, para obter benevolência de Deus e paz i.e. todo o conjunto de bens.

 

Números 6, 22-27

22O Senhor disse a Moisés: 23«Fala a Aarão e aos seus filhos e diz-lhes: Assim abençoareis os filhos de Israel, dizendo: 24‘O Senhor te abençoe e te proteja. 25O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável. 26O Senhor volte para ti os seus olhos e te conceda a paz’. 27Assim invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel e Eu os abençoarei».

 

24-26 Esta é uma bênção própria da liturgia judaica, ainda hoje usada. É tripla e crescente: com três palavras a primeira; com 5 palavras e com 7 as seguintes (no original hebraico). A tríplice invocação do Senhor, faz-nos lembrar a bênção da Igreja, em nome das Três Pessoas da SS. Trindade.

Quando, ao começar o ano civil, nos saudamos desejando Ano Novo feliz, aqui temos as felicitações, isto é, as bênçãos que o Senhor – e a Igreja – nos endereça.

 

Salmo Responsorial     Salmo 66 (67), 2-3.5.6 e 8 (R. 2a)

 

Monição: Salmo de gratidão pelas colheitas; seja, ainda, de súplica de graças para o ano que começa.

 

Refrão:      Deus Se compadeça de nós

            e nos dê a sua bênção.

 

Deus Se compadeça de nós e nos dê a sua bênção,

resplandeça sobre nós a luz do seu rosto.

Na terra se conhecerão os seus caminhos

e entre os povos a sua salvação.

 

Alegrem-se e exultem as nações,

porque julgais os povos com justiça

e governais as nações sobre a terra.

 

Os povos Vos louvem, ó Deus,

todos os povos Vos louvem.

Deus nos dê a sua bênção

e chegue o seu temor aos confins da terra.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Esta leitura descreve-nos um efeito da Incarnação do Filho de Deus, «nascido duma mulher», isto é, MARIA, para recebermos a adopção de filhos.

 

Gálatas 4, 4-7

Irmãos: 4Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher e sujeito à Lei, 5para resgatar os que estavam sujeitos à Lei e nos tornar seus filhos adoptivos. 6E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: «Abbá! Pai!». 7Assim, já não és escravo, mas filho. E, se és filho, também és herdeiro, por graça de Deus.

 

O texto escolhido para hoje corresponde à única vez que S. Paulo, em todas as suas cartas, menciona directamente a Virgem Maria. Não deixa de ser interessante a alusão à Mãe de Jesus, sem mencionar o pai, o que parece insinuar a maternidade virginal de Maria.

5 Segundo o pensamento paulino, Cristo, sofrendo e morrendo, satisfaz as exigências punitivas da Lei, que exigia a morte do pecador; assim «resgatou os que estavam sujeitos à Lei» e mereceu-nos vir a ser filhos adoptivos de Deus. O Natal é a festa do nascimento do Filho de Deus e também a da nossa filiação divina.

6 «Abbá». Porque somos realmente filhos de Deus, podemos dirigirmo-nos a Ele com a confiança de filhos pequenos e chamar-Lhe, à maneira das criancinhas: «Papá». «Abbá» é o diminutivo carinhoso com que ainda hoje, em Israel, os filhos chamam pelo pai (abbá). S. Paulo, escrevendo em grego e para destinatários que na maior parte não sabiam hebraico, parece querer manter a mesma expressão carinhosa e familiar com que Jesus se dirigia ao Pai, a qual teria causado um grande impacto nos próprios discípulos, porque jamais um judeu se tinha atrevido a invocar a Deus desta maneira; esta é a razão pela qual a tradição não deixou perder esta tão significativa palavra original de Jesus.

 

Aclamação ao Evangelho         Hebr 1, 1-2

 

Monição: Jesus será como indica o Seu nome, o realizador da salvação; n’Ele está a paz e toda a economia da redenção total e definitiva.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação3, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Muitas vezes e de muitos modos

falou Deus antigamente aos nossos pais pelos Profetas.

Nestes dias, que são os últimos, Deus falou-nos por seu Filho.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 2, 16-21

Naquele tempo, 16os pastores dirigiram-se apressadamente para Belém e encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura. 17Quando O viram, começaram a contar o que lhes tinham anunciado sobre aquele Menino. 18E todos os que ouviam admiravam-se do que os pastores diziam. 19Maria conservava todas estas palavras, meditando-as em seu coração. 20Os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes tinha sido anunciado. 21Quando se completaram os oito dias para o Menino ser circuncidado, deram-Lhe o nome de Jesus, indicado pelo Anjo, antes de ter sido concebido no seio materno.

 

Texto na maior parte coincidente com o do Evangelho da Missa da Aurora do dia de Natal (ver notas supra).

21 Repetidas vezes se insiste em que o nome de Jesus é um nome designado por Deus: o nome, etimologicamente, significa aquilo que Jesus é na realidade, «Yahwéh que salva».

 

Sugestões para a homilia

1. Mãe de Deus

Na oitava do Natal a Igreja celebra a festa de «Maria, Mãe de Deus».

Acentua-se nas leituras a referência ao «filho de Maria» e «Nome do Senhor» mais do que Maria.

A preponderante atenção sobre o Filho não reduz o papel da Mãe; Maria é totalmente Mãe de Deus porque esteve em total relação com Cristo; por isso honrando-a, o Filho é mais glorificado.

Assim exprime-se a missão de Maria na história da salvação, que está na base do culto e da devoção do povo cristão; Maria não recebeu o dom de Deus só para si, mas para levá-lo ao mundo.

2. Mãe do homem

Jesus ou Deus salva introduz-nos em cheio no mistério de Cristo: da encarnação ao nascimento, à circuncisão, até a realização pascal da morte e ressurreição, Jesus é todo o Seu ser

perfeita benção de Deus,

dom de salvação e de paz para os homens,

em Seu nome somos salvos.

A oferta da salvação vem por Maria e ela a apresenta ao povo de Deus, como outrora aos pastores.

Maria que deu a vida ao Filho de Deus, continua a apresentar aos homens a vida divina.

Por isso é considerada mãe de cada homem que nasce para a vida de Deus, e mãe de todos.

«Com os orientais também nos honramos «Maria sempre Virgem, solenemente proclamada santíssima Mãe de Deus pelo Concílio de Éfeso, para que Cristo fosse reconhecido, em sentido verdadeiro e próprio, Filho de Deus e filho do homem».

3. Viver como filhos de Deus

a) O facto de sermos filhos de Deus faz-nos herdeiros, na esperança de chegarmos a ser algum dia aquilo que Cristo já é: Filhos, no sentido pleno da palavra. O que Ele é neste momento, consitui para nós a garantia daquilo que nós seremos.

Inspira-nos confiança para maiores intimidades com Deus, na oração: «Pai Nosso…»

b) Dignidade humana e cristã: Esta nossa nobreza obriga-nos a viver os compromissos do baptismo.

Somos irmãos, temos a mesma fé, recebemos o mesmo baptismo e temos o mesmo Deus como Pai.

Não haja medo de Deus, desconfiança, temor aos Seus castigos, – Ele é justo –, não é nenhum polícia, mas Pai.

c) Trabalhemos para acabarem as diferenças sociais, sem dar importância à grandeza das famílias, títulos, riquezas ou cargos; as superioridades de raça, condição social, económica, se revejam cristamente;

- aceitação de Cristo pela fé;

- coerência com o nosso novo nascimento pelo baptismo, como reforço da nossa:

- dignidade humana e cristã,

- fraternidade universal,

- sentido de confiança em Deus,

- sentido de vivência cristã familiar e comunitária.

 

 

Fala o Santo Padre

 

«No início de um novo ano, somos convidados a colocarmo-nos na escola da discípula fiel do Senhor.»

 

Na hodierna liturgia o nosso olhar continua a voltar-se para o grande mistério da encarnação do Filho de Deus enquanto, com particular ênfase, contemplamos a maternidade da Virgem Maria. No trecho paulino que ouvimos (cf. Gl 4, 4), o Apóstolo refere-se de maneira muito discreta àquela, mediante a qual o Filho de Deus entra no mundo: Maria de Nazaré, a Mãe de Deus, a Theotokos. No início de um novo ano, somos como que convidados a colocarmo-nos na sua escola, na escola da discípula fiel do Senhor, para que Ela nos ensine a acolher na fé e na oração a salvação que Deus deseja derramar sobre quantos confiam no seu amor misericordioso.

 

A salvação é um dom de Deus; na primeira leitura, ela foi-nos apresentada como bênção: «Que o Senhor te abençoe e proteja... te mostre o seu rosto e te conceda a paz» (Nm 6, 24.26). Aqui, trata-se da bênção que os sacerdotes costumavam invocar sobre o povo no final das grandes solenidades litúrgicas, particularmente na festa do ano novo. Encontramo-nos na presença de um texto muito significativo, cadenciado pelo nome do Senhor, que se repete no início de cada versículo. Um texto que não se limita a uma simples enunciação de princípio, mas tende a realizar aquilo que afirma. Como se sabe, no pensamento semítico a bênção do Senhor produz, pela sua própria força, o bem-estar e a salvação, do mesmo modo como a maldição dá lugar à desgraça e à ruína. Além disso, a eficácia da bênção é concretizada de maneira mais específica por parte de Deus que nos protege (cf. v. 24), que nos é propício (cf. v. 25) e que nos concede a paz, ou seja, que nos oferece a abundância da felicidade.

 

Fazendo-nos ouvir esta antiga bênção, no início de um novo ano solar, é como se a liturgia quisesse encorajar-nos a invocar, por nossa vez, a bênção do Senhor sobre o novo ano, que dá os seus primeiros passos, a fim de que ele seja para todos nós um ano de prosperidade e de paz. […]

 

«Maria, porém, conservava todos estes factos e meditava sobre eles no seu coração» (Lc 2, 19). O primeiro dia do ano é colocado sob o sinal de uma mulher, Maria. O Evangelista Lucas descreve-a como a Virgem silenciosa, constantemente à escuta da palavra eterna, que vive na Palavra de Deus. Maria conserva no seu coração as palavras que provêm de Deus e, unindo-as como num mosaico, aprende a compreendê-las. Na sua escola, também nós queremos aprender a tornar-nos atentos e dóceis discípulos do Senhor. Com a sua ajuda maternal, desejamos comprometer-nos a trabalhar alegremente na «construção» da paz, na esteira de Cristo, Príncipe da Paz. Seguindo o exemplo da Virgem Santa, queremos deixar-nos orientar sempre e unicamente por Jesus Cristo, que é o mesmo ontem, hoje e para sempre (cf. Hb 13, 8). Amém!

 

Bento XVI, Vaticano, 1 de Janeiro de 2006

 

Oração Universal

 

Conscientes da nossa vocação de cristãos e de responsáveis pela paz no mundo,

oremos a Deus, Pai de todos os homens.

 

1.  Para que a Igreja anuncie fielmente o Evangelho da paz

e se sinta cada vez mais ao serviço da Humanidade,

oremos ao Senhor.

 

2.  Para que os responsáveis dos povos procurem o bem comum

sem se deixarem levar pela ambição pessoal ou prestígio do poder,

oremos ao Senhor.

 

3.  Para que durante este ano de 2009 todos os homens de boa vontade

trabalhem lado a lado pela paz, liberdade e justiça,

oremos irmãos.

 

4.  Para que a Santa Igreja, com o auxílio da Mãe de Deus,

alcance a unidade e a paz, receba com abundância os frutos do Espírito,

estenda ao mundo inteiro a sua maternidade espiritual

e revele a todos os povos a salvação de Deus,

oremos irmãos.

 

5.  Para que Deus nos conceda um ano feliz

em bens da terra e graças do céu e nos abra o coração ao amor do próximo, ~

oremos irmãos.

 

Deus criador do mundo, escutai as nossas orações e dai aos nossos tempos

a tranquilidade e a paz. Por Nosso Senhor Jesus Cristo…

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Santa Maria, Mãe de Deus, M. Simões, NRMS 41

 

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, que dais origem a todos os bens e os levais à sua plenitude, nós Vos pedimos, nesta solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus: assim como celebramos festivamente as primícias da vossa graça, tenhamos também a alegria de receber os seus frutos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio de Nossa Senhora I [na maternidade] p. 486 [644-756]

 

No Cânone Romano diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Nas Orações Eucarísticas II e III faz-se também a comemoração própria do Natal.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

«A todos os que O receberam … deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus».

Vivamos a comunhão com Cristo.

 

Cântico da Comunhão: O Verbo fez-se Carne, Az. Oliveira, NRMS 52

Hebr 13, 8

Antífona da comunhão: Jesus Cristo, ontem e hoje e por toda a eternidade.

 

Cântico de acção de graças: Senhor, fazei de mim um instrumento, F. da Silva, NRMS 6 (II)

 

Oração depois da comunhão: Recebemos com alegria os vossos sacramentos nesta solenidade em que proclamamos a Virgem Santa Maria, Mãe do vosso Filho e Mãe da Igreja: fazei que esta comunhão nos ajude a crescer para a vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A Eucaristia é o sacramento da unidade, do alimento e salvação contínua desta grande família cristã. Dediquemos-lhe mais amor neste novo ano.

 

Cântico final: O Povo de Deus Te aclama, M. Carneiro, NRMS 33-34

 

 

Homilias Feriais

 

6ª Feira, 2-I: O pseudo-messianismo.

1 Jo 2, 22-28 / Jo 1, 19-28

Ele (João) declarou: Eu sou a voz de quem brada no deserto: ‘Endireitai os caminhos do Senhor’.

O último dos profetas traz uma mensagem de esperança: é a ‘voz’ do Messias que vai chegar’ (cf Ev).

Mas juntamente com o aparecimento do Messias, também aparecerá o anti-Cristo, que é «um pseudo-messianismo em que o homem se glorifica a si mesmo, substituindo-se a Deus e ao Messias Encarnado» (CIC, 675). Também nós nos podemos pôr no lugar de Deus quando fazemos tudo, ou quase tudo, como se Ele não existisse. Sigamos o conselho de S. João: «permanecei em Cristo» (Leit).

 

Sábado, 3-I: Santíssimo Nome de Jesus.

1 Jo 2, 29-3, 6 / Jo 1, 29-34

João Baptista viu Jesus, que lhe vinha ao encontro e exclamou: Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Celebramos hoje a memória do Santíssimo Nome de Jesus, nome que lhe foi imposto no momento de circuncisão.

S. João Baptista mostrou que Jesus é «o Cordeiro pascal, símbolo da redenção de Israel na primeira Páscoa» (CIC, 608). E S. João: «Bem sabeis que Jesus se manifestou para tirar os pecados» (Leit). No nome de Jesus está a esperança do perdão, Ele concede o perdão dos pecados. Todos os que começam a ter devoção a este nome encontram a glória e a salvação (cf S. Bernardino de Sena).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          Ferreira de Sousa

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                 Duarte Nuno Rocha

 


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