Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo

 

Missa do Dia

25 de Dezembro de 2008

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Glória a Deus e paz na terra, Az. Oliveira, NRMS 52

Is 9,6

Antífona de entrada: Um Menino nasceu para nós, um Filho nos foi dado. Tem o poder sobre os seus ombros e será chamado Conselheiro admirável.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Igreja celebra o Nascimento do Deus Menino. Com os textos da Missa da Vigília recorda-nos que Jesus vem inserir-se na História da família humana. A missa da meia-noite celebra o cumprimento das profecias: Um Menino nasceu para nós! Seu nome é Jesus, que quer dizer «Deus salva». A Liturgia da Palavra da Missa da Aurora descreve-nos a resposta dos Pastores. Face ao anúncio do Anjo, eles vão a toda a pressa a Belém. A Missa do Dia revela-nos a identidade de Jesus. Ele é O Verbo eterno que assumiu a nossa humanidade para nos tornar participantes da sua divindade!

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que de modo admirável criastes o homem e de modo ainda mais admirável o renovastes, fazei que possamos participar na vida divina do vosso Filho que Se dignou assumir a nossa natureza humana. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: «Como são belos os pés do mensageiro que proclama a salvação!» O texto do Profeta Isaías refere-se ao fim do Exílio do Povo de Deus. A Liturgia escolheu esta passagem para nos anunciar uma boa nova: Jesus vem à terra para nos salvar com o seu santo braço, isto é, com o seu poder!

 

Isaías 52, 7-10

7Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa nova, que proclama a salvação e diz a Sião: «O teu Deus é Rei». 8Eis o grito das tuas sentinelas que levantam a voz. Todas juntas soltam brados de alegria, porque vêem com os próprios olhos o Senhor que volta para Sião. 9Rompei todas em brados de alegria, ruínas de Jerusalém, porque o Senhor consola o seu povo, resgata Jerusalém. 10O Senhor descobre o seu santo braço à vista de todas as nações e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus.

 

Esta página maravilhosa de Isaías que se refere à boa nova do fim do desterro trazida a Jerusalém pelos «belos pés do mensageiro que anuncia a paz», serve, na Liturgia de hoje, como de um hino triunfal a Cristo que vem à terra.

10 «O Senhor descobre o seu santo braço». Antropomorfismo que contém uma expressiva e frequente metáfora: o braço designa o poder e a força. Descobrir o braço é manifestar o poder.

 

Salmo Responsorial     Salmo 97 (98), 1.2-3ab.3cd-4.5-6 (R. 3c)

 

Monição: Cantai ao Senhor um cântico novo! O salmo 97 convida-nos a cantar com alegria um hino de louvor ao nosso Deus pelas maravilhas que Ele operou. Com o nascimento do Deus Menino deu a conhecer a salvação a todos os povos: Todos os confins da terra viram a salvação do nosso Deus! 

 

Refrão:         Todos os confins da terra

                      viram a salvação do nosso Deus.

 

Cantai ao Senhor um cântico novo

pelas maravilhas que Ele operou.

A sua mão e o seu santo braço

Lhe deram a vitória.

 

O Senhor deu a conhecer a salvação,

revelou aos olhos das nações a sua justiça.

Recordou-Se da sua bondade e fidelidade

em favor da casa de Israel.

 

Os confins da terra puderam ver

a salvação do nosso Deus.

Aclamai o Senhor, terra inteira,

exultai de alegria e cantai.

 

Cantai ao Senhor ao som da cítara,

ao som da cítara e da lira;

ao som da tuba e da trombeta,

aclamai o Senhor, nosso Rei.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Muitas vezes e de muitos modos falou Deus aos nossos pais pelos profetas! Agora Jesus é a Palavra definitiva do Pai. A Revelação divina atinge a sua plenitude. O autor sagrado mostra-nos a dignidade e a identidade de Jesus Cristo: Ele é o esplendor e a substância da glória do Pai!

 

Hebreus 1, 1-6

1Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. 2Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo. 3Sendo o Filho esplendor da sua glória e imagem da sua substância, tudo sustenta com a sua palavra poderosa. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, sentou-Se à direita da Majestade no alto dos Céus 4e ficou tanto acima dos Anjos quanto mais sublime que o deles é o nome que recebeu em herança. 5A qual dos Anjos, com efeito, disse Deus alguma vez: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei»? E ainda: «Eu serei para Ele um Pai e Ele será para Mim um Filho»? 6E de novo, quando introduziu no mundo o seu Primogénito, disse: «Adorem-n’O todos os Anjos de Deus».

 

Hebreus, o célebre escrito doutrinal e exortatório, começa com um prólogo solene que nos situa, sem rodeios, perante a suma dignidade da pessoa de Jesus Cristo, à semelhança do prólogo do Evangelho de S. João. Começa por mostrar que é n’Ele que o Pai nos fala e se revela de modo exaustivo e definitivo, em contraste com toda a revelação anterior, fragmentária, variada e feita numa fase da história da salvação já superada. «Falou-nos por seu Filho», por isso a história da salvação chegou ao seu apogeu e plenitude, de modo que já não há lugar para mais nenhuma revelação ulterior (cf. DV, 4). Como observa S. João da Cruz, o Pai tendo-nos dito a sua própria Palavra, já não tem mais outra palavra para nos dizer (cf. Subida ao Monte Carmelo, 2, 22).

3 «Esplendor da glória de Deus. Fórmula muito expressiva no original, mas dificilmente traduzível em toda a sua riqueza. O Filho é a irradiação da substância do Pai, distinto d’Ele, mas da mesma substância; é «Deus de Deus, luz de luz», como diz o símbolo de Niceia para exprimir a processão, ou origem do Filho no Pai, sendo com Ele um mesmo e único Deus.

«Imagem do ser divino». À letra, «reprodução da sua essência». Mais que imagem, quer significar, no original, a marca deixada pelo sinete no lacre, por um selo branco no papel, ou pela matriz na moeda cunhada. O Filho identifica-se com o Pai, quanto ao ser divino, mas esta imagem põe em evidência sobretudo a distinção de Pessoas na igualdade, como o cunho se distingue do objecto cunhado. A primeira expressão visa mais a identidade da natureza («esplendor», ou luz e irradiação).

 

Aclamação ao Evangelho

 

Monição: Hoje uma grande luz desceu sobre a terra. Jesus é a luz verdadeira que ilumina a todos! O salmista pedia-nos: «Ao som da tuba e da trombeta aclamai o Senhor, nosso Rei.» De pé, aclamamos o Verbo eterno que se fez homem para nos salvar.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação1, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Santo é o dia que nos trouxe a luz.

Vinde adorar o Senhor.

Hoje, uma grande luz desceu sobre a terra.

 

 

Evangelho *

Nota de rodapé

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São João 1, 1-18           Forma breve: São João 1, 1-5.9-14

1No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, 2Ele estava com Deus. 3Tudo se fez por meio d’Ele e sem Ele nada foi feito. 4N’Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens. 5A luz brilha nas trevas e as trevas não a receberam. 6(Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. 7Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. 8Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz.). 9O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem. 10Estava no mundo e o mundo, que foi feito por Ele, não O conheceu. 11Veio para o que era seu e os seus não O receberam. 12Mas, àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. 13Estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. 14E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade. 15(João dá testemunho d’Ele, exclamando: «Era deste que eu dizia: ‘O que vem depois de mim passou à minha frente, porque existia antes de mim’». 16Na verdade, foi da sua plenitude que todos nós recebemos graça sobre graça. 17Porque, se a Lei foi dada por meio de Moisés, a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. 18A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigénito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer.)

 

A leitura evangélica de hoje é o prólogo do IV Evangelho, que constitui a chave para uma profunda compreensão de toda a obra do discípulo amado e da Pessoa adorável de Jesus Cristo: Ele é o Verbo incriado, o Deus Unigénito, que assumiu a nossa condição humana e nos oferece a possibilidade de ser filhos de Deus. Discute-se se o Evangelista compôs este texto para encabeçar a sua obra, ou se aproveitou algum hino litúrgico já existente (a que acrescentaria os vv. 6-9.13.15.17-18). Tem a forma dum poema em que os seus 18 versos se podem agrupar em 4 estrofes (vv. 1-5; 6-8; 9-13; 14-18), cada uma com uma ideia central, que se vai ampliando e esclarecendo progressivamente. Este prólogo é como uma solene abertura de uma grande obra musical, onde os grandes temas a desenvolver ao longo do Evangelho começam por ser apontados: o Verbo Incarnado, Luz e Vida dos homens, Messias e revelador do Pai, os testemunhos a seu favor, a resposta humana de aceitação ou de rejeição, bem como as consequências de transcendental importância que tem a dramática alternativa em que o homem é posto perante a pessoa de Jesus.

1 «No princípio». Esta expressão faz-nos pensar no início do Génesis, onde se falava da Primeira Criação, que culminou com a criação do homem; no IV Evangelho fala-se duma Nova Criação, a Redenção operada pelo Verbo Incarnado, que culmina na elevação do homem à dignidade de filho de Deus. A própria noção de «princípio» é diferente em Gn 1, 1 e em Jo 1, 1: lá designava o início do tempo, aqui exprime o princípio absoluto que transcende o tempo e nos situa na própria eternidade de Deus. É muito expressivo o imperfeito de duração do verbo grego «eimi» repetido no v. 1, com três matizes: havia ou existia, estava, era, em contraposição com o aoristo de verbo «gínomai» no v. 3: tudo «foi feito», ao passo que o Verbo «existia», permanecia na existência («havia o Verbo»)! Não é possível fazer uma afirmação mais forte e clara da divindade de Jesus – o Verbo que se fez homem (v. 14) – do que esta frase com que S. João inicia o seu Evangelho: «O Verbo era Deus». Com razão desde os Santos Padres o IV Evangelista é figurado pela águia (cf. Ez 1, 10), pois o seu voo sobe de chofre até às alturas da divindade de Cristo e o seu olhar aquilino penetra nas profundezas do mistério da Pessoa divina de Jesus, no seio da Santíssima Trindade.

3 «Tudo foi feito por Ele». Esta expressão não significa que o Verbo foi o meio ou instrumento de que o Pai se serviu para criar. Ele age juntamente com o Pai e com o mesmo e único poder. A preposição grega «diá» («por») não se usa com genitivo para indicar apenas a causa instrumental; também pode indicar a causa principal como é aqui o caso e em Rom 11, 36. Esta expressão também evidencia que o Verbo não é criatura, uma vez que tudo o que foi feito, foi feito por Ele, em aberto contraste com a sabedoria, que Provérbios e Eclesiástico personificam (Prov 8, 22 ss; Sir 1, 4; 24, 8-9), a qual foi criada e nasceu.

4 «Vida». «Luz». São estes dois dos grandes temas do IV Evangelho (cf. Jo 8, 12; 14, 6). «A Vida era a Luz dos Homens»: o Verbo é a Luz da Vida (Jo 8, 12), Luz que conduz à Vida, Vida que é Luz, e Luz que é Vida. São dois conceitos que caracterizam a esfera da divindade, em oposição antagónica com as trevas, que são o reino de Satanás e seus sequazes. Este antagonismo que está patente ao longo dos escritos paulinos e joaninos, era corrente na literatura da época tanto judaica (em especial de Qumrã), como depois na gnóstica.

5 «As trevas não a receberam». Também se pode traduzir «não a compreenderam», ou «não a dominaram» (tendo em conta o contexto joanino da luta entre a luz e as trevas).

6-8 João não se interessa no seu Evangelho por nos dar a conhecer a vida ou a pregação moral do seu antigo mestre (Jo 1, 37 ss), mas não perde uma ocasião de pôr em realce o seu «testemunho» em favor de Jesus (Jo 1, 16.19.29.35; 3, 27; 5, 33). A insistência, em especial nestes versículos do prólogo (6-8.15) que interrompem o ritmo do poema, concretamente ao dizer que João «não era a Luz», pode dever-se a querer refutar os «joanitas», uma espécie de seita que seguia o Baptista, sem ter chegado a aderir a Cristo (cf. Act 19, 3-4).

9 Este versículo tem diversas traduções legítimas; a litúrgica segue a tradução preferível da Neovulgata, ao passo que a Vulgata dizia: «era a luz verdadeira que ilumina todo o homem que vem a este mundo».

10 «Não O conheceu», isto é, não O reconheceu como o Verbo de Deus e Salvador.

11 «Os seus» poderia designar o povo de Israel, enquanto propriedade de Deus (cf. Ex 19, 5; Dt 7, 6), mas parece designar, dado o paralelismo com o v. anterior, a humanidade no seu conjunto. A observação amarga de S. João (cf. Jo 12, 37) não tem vigência só para o dia de Natal (cf. Lc 2, 7), pois também cada um de nós sempre pode «acolher» melhor a Jesus.

12 «Deu-lhes o poder», isto é, concedeu-lhes a graça, dom e favor inteiramente gratuito que supera as possibilidades de qualquer criatura. «O Filho de Deus fez-se homem, para que os filhos dos homens, os filhos de Adão, se fizessem filhos de Deus... Ele é o Filho de Deus por natureza, nós pela graça» (Santo Atanásio).

13 «E estes». Textos muito antigos e de grande valor têm o singular – «Este» – (adoptado pela Bíblia de Jerusalém) referido a Jesus, indicando assim simultaneamente a concepção e o parto virginal da Santíssima Virgem (um nascimento sem sangue).

14 Duma penada, S. João exprime toda a riqueza do mistério do Natal, sem se deter a narrar os seus pormenores, como S. Lucas. «Fez-se carne» é um hebraísmo para dizer que Se fez homem; de qualquer modo, põe-se o acento no aspecto mortal e passível: o Verbo eterno, a Segunda Pessoa divina, torna-se um de nós, sem deixar de ser Deus, em tudo igual a nós, excepto no pecado (cf. Hbr 4, 15).

«Habitou», literalmente significa: «ergueu a sua tenda no meio de nós». Parece haver aqui uma alusão à presença de Deus no meio do seu povo, na nuvem branca que pairava, no deserto, sobre a Tenda da Reunião. Esta alusão torna-se mais clara, se temos em conta o texto original grego – «eskénôsen» (ergueu a tenda) – que tem uma certa assonância com «xekhiná» a presença de Deus no meio do Povo (cf. Ex 40, 34-38). Esta presença misteriosa, mas real, continua-se na Santíssima Eucaristia, «Incarnação continuada».

A «Glória» do Verbo incarnado, que S. João e os demais viram, é a manifestação externa da sua divindade: os seus milagres, a sua transfiguração, a sua ressurreição, etc..

«Filho Unigénito». S. João, ao longo de todo o seu Evangelho, tem o cuidado de sempre reservar um termo grego para designar Jesus como Filho do Pai – yiós –, usando outra palavra para se referir a nós, enquanto filhos de Deus: téknon (cf. v. 12). Nós «tornamo-nos» filhos de Deus, (v. 12), ao passo que Jesus é o Filho por natureza, igual ao Pai, o «Unigénito» (vv. 14.18). O termo «Unigénito» (muitos traduzem por «Único») presta-se a exprimir o que a Teologia veio a explicitar como a «geração» eterna, intelectual e única do Verbo no Pai.

«Cheio de graça e de verdade». S. João aplica ao Verbo incarnado a mesma definição que Yahwéh dá de Si mesmo a Moisés em Ex 34, 6: «Deus de muito amor e fidelidade». Por um lado, é mais uma referência à divindade de Cristo, por outro, põe em relevo as qualidades que resumem a grandeza do seu Coração de «pontífice misericordioso e fiel» (Hebr 2, 17).

16 «Graça sobre graça», isto é, graças em catadupa, umas atrás das outras, procedentes da plenitude de Cristo, como duma fonte inexaurível (cf. Jo 7, 37-39), ou também, como pensam alguns, «graça após graça», ou «graça em vez de graça» (Cristo-Moisés, Antiga-Nova Aliança), ou ainda «graça correspondente à graça» (a do Verbo: graça criada-graça incriada).

17 «Jesus Cristo» é aqui identificado explicitamente com o Verbo. A Lei mosaica limitava-se a dar normas, mas só por si não podia salvar ninguém, só a graça que Cristo nos trouxe a salvação.

18 «A Deus nunca ninguém O viu. Todas as «visões» de Deus eram indirectas, pois o homem não pode ver a Deus sem morrer (cf. Ex 19, 21; Is 6, 5), mas em Jesus temos a máxima manifestação de Deus à criatura nesta vida, a tal ponto que, mesmo sem contemplarmos a essência divina, quem vê a Jesus vê o Pai (Jo 14, 9). Com a Incarnação do Verbo temos a maior revelação de Deus à Humanidade.

«O Filho Unigénito, que está no seio do Pai». Outra variante possível na transmissão do texto original: «Deus Unigénito» (adoptada pela Neovulgata).

 

Sugestões para a homilia

No princípio existia o Verbo; o Verbo estava em Deus; e o Verbo era Deus.

 

O Autor da carta aos Hebreus revela-nos Jesus como o esplendor da glória do Pai. Jesus é a Palavra do Pai. Vem ao mundo para nos purificar dos nossos pecados. Com simplicidade contemplemos este grande mistério da Encarnação. O nascimento de Jesus, segundo a carne assinala a «plenitude dos tempos, em que Deus envia o seu Filho, nascido de Maria, para nos libertar da escravidão do pecado». Desde o pecado dos nossos primeiros pais a humanidade ficou, esperando a chegada do Salvador. Ao longo dos séculos, de muitos modos Deus foi preparando a vinda ao nosso mundo de seu Filho Unigénito, através dos profetas. O Apóstolo S. João explica-nos este mistério da Encarnação. Tal como o autor da carta aos Hebreus também nos apresenta Jesus como a Palavra do Pai: No princípio existia o Verbo; o Verbo estava em Deus e o Verbo era Deus. E o Verbo fez-se homem e veio habitar connosco. E nós contemplámos a sua glória, a glória que possui como Filho Unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade.

O Filho de Deus veio habitar entre nós. O Verbo eterno entra na nossa história temporal. Sem deixar de ser Deus, torna-se homem, em tudo igual a nós excepto no pecado (Heb 4, 15). Por isso, queremos recebe-lo festivamente! Não nos cansemos de contemplar, maravilhados, o Deus Menino acabado de nascer! Verdadeiro Deus, porque o Verbo era Deus, gerado pelo Pai antes de todos os tempos. Verdadeiro homem, gerada pelo Espírito Santo no seio de Maria, porque o Verbo fez-se carne e habitou entre nós! Assumiu a nossa humanidade sem deixar a sua divindade. Veio à terra para nos devolver a condição de filhos de Deus. Acolhamos a salvação que nos é oferecida pois, a quantos o receberam, e nele crêem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.

Filhos de Deus! Esta é a máxima dignidade! Filhos de Deus! Esta é a verdadeira alegria do Natal. Contemplemos e admiremos este mistério inefável: «O Filho de Deus fez-se filho do homem para que os filhos dos homens se tornassem filhos de Deus! Ele é o Filho de Deus por natureza, nós pela graça» (Stº Atanásio)

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Elevemos ao Pai celeste as nossa súplicas pelos homens de toda a terra

Aos quais Ele enviou o próprio Filho, suplicando:

 

 Abençoai, Senhor o vosso povo

 

1.  Pelas Igrejas do Oriente e do Ocidente que hoje celebram o Natal,

Para que revelem e anunciem por toda a parte que Jesus é o Verbo eterno de Deus pai,

oremos, irmãos.

 

2.  Pelos que correm ao presépio como os pastores,

pelos que meditam em seu coração como Maria

e pelos que contemplam o Menino como José, oremos.

 

3.  Pelas famílias

para que à volta do presépio

vivam a alegria da partilha do pão, da paz e do amor, oremos.

 

4.  Por todos nós aqui reunidos, celebrando o Natal de Jesus,

pelos nossos familiares, amigos, benfeitores e por todos os que celebram connosco a alegria do Natal, mas já partiram deste mundo, oremos.

 

 

Senhor nosso Deus que nos enviastes o vosso amado Filho para trazer ao mundo a luz do Céu

Dai a cada homem a graça imensa de O conhecer e de O acolher como Salvador,

Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Em Cristo, Sol nascente, Az. Oliveira, NRMS 108

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, a oblação que Vos apresentamos neste dia solene de Natal, em que nasceu para nós a verdadeira paz e reconciliação e se instituiu entre os homens a plenitude do culto divino. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio do Natal: p. 457[590-702] ou 458-459

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Pelo mistério do Verbo encarnado, nova luz da vossa glória brilhou sobre nós, para que vendo a Deus com os nossos olhos, aprendamos a amar asa coisas invisíveis.

Por isso, com os Anjos e os Santos do Céu, proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:

 

No Cânone Romano diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Também nas Orações Eucarísticas II e III se faz a comemoração própria.

 

Santo: Santo I, H. Faria, NRMS 103-104

 

Monição da Comunhão

 

«O Verbo fez-Se carne de habitou entre nós!»

Nasceu em Belém, terra do Pão. Havia de afirmar na sua pregação: «Eu Sou o Pão da vida!»

Recebamos Jesus que nos oferece o seu Corpo «como alimento que permanece para a vida eterna.»

 

Cântico da Comunhão: A vida que estava junto do Pai, A. Cartageno, NRMS 56

Salmo 97, 3

Antífona da comunhão: Todos os confins da terra viram a salvação do nosso Deus.

 

Cântico de acção de graças: A minha alma louva o Senhor, M. Carneiro, NRMS 76

 

Oração depois da comunhão: Nós Vos pedimos, Deus misericordioso, que o Salvador do mundo hoje nascido, assim como nos comunicou a sua vida divina, nos faça também participantes da sua imortalidade. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Ano Paulino! Viver e caminhar com a ajuda do Apóstolo S. Paulo. Queremos ser testemunhas apaixonadas por «Jesus, nosso grande Deus e nosso Salvador, que nasceu e se entregou por nós para nos resgatar e fazer de nós o seu povo», isto é, a sua Igreja.

Para todos vós aqui presentes, para os vossos familiares e amigos, desejamos

Boas festas e FELIZ NATAL!

 

Cântico final: Cantem, cantem os Anjos, M. Faria, NRMS 56

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO DO NATAL

 

6ª Feira, 26-XII: S. Estêvão: A importância do perdão.

Act 6, 8-10; 7, 54-59 / Mt 10, 17-22

Estêvão dizia a seguinte oração: Senhor Jesus recebe o meu espírito, e bradou em voz alta: Senhor, não os acuses deste pecado.

Estêvão foi um dos sete primeiros diáconos escolhidos pelos Apóstolos e foi também o primeiro mártir. Na sua última oração pedia a Deus que lhe concedesse a vida eterna e perdoasse aos seus carrascos (cf Leit).

Na nossa vida encontraremos algumas dificuldades e adversidades. Ofereçamo-las ao Senhor. E procuremos perdoar àqueles que nos ofenderam: «O perdão é a condição fundamental da reconciliação dos filhos de Deus com o seu Pai e dos homens entre si» (CIC; 2844).

 

Sábado, 27-XII:S. João: O exemplo do discípulo amado.

1 Jo 1, 1-4 / Jo 20, 2-8

O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplámos, e as nossas mãos tocaram acerca do Verbo da Vida, é o que vos anunciamos.

S. João ficou conhecido como o ‘discípulo amado’, recebeu abundantes provas dessa amizade: teve um maior conhecimento dos mistérios mais íntimos da vida de Jesus que depois nos transmitiu (cf Leit); repousou a cabeça no peito do Senhor na Última Ceia; esteve junto à Cruz; recebeu Nossa Senhora como sua Mãe e nossa Mãe.

Imitando o seu exemplo, não deixemos de correr à procura de Jesus (Ev); anunciemos aos outros o fruto da nossa intimidade com Deus (Leit); recebamos Maria na nossa vida.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          José Roque

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                 Duarte Nuno Rocha

 


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