3º Domingo do Advento

14 de Dezembro de 2008

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Dai a paz Senhor, M. Faria, NRMS 23

cf. Filip 4, 4.5

Antífona de entrada: Alegrai-vos sempre no Senhor. Exultai de alegria: o Senhor está perto.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Igreja, pela sua Liturgia – «o exercício da função sacerdotal de Cristo» (SC, nº 7) – estabeleceu um programa para o Advento. Ajudando-nos a preparar, em cada Celebração, a vinda do Redentor.

Convida-nos hoje a interiorizar na vida a mensagem da alegria, como virtude indispensável nesta caminhada para o Natal. Ao fazê-lo, repete-nos as palavras de S. Paulo na Carta aos fiéis da Igreja de Éfeso: «Alegrai-vos sempre no Senhor!»

 

Acto penitencial

 

Procuremos o Senhor, desde o início desta Celebração da Eucaristia, como única fonte da verdadeira alegria.

Peçamos-Lhe humildemente que nos perdoe os pecados cometidos, e afaste de nós as sombras das resistências às graças que nos envia.

E prometamos, com a Sua ajuda paterna, a emenda contínua da nossa vida.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

  Senhor: temos corrido atrás de muitas falsas alegrias

     da vaidade, da sensualidade e da ostentação dos bens.

     Senhor, misericórdia!

 

     Senhor, misericórdia!

 

  Cristo: Causamos muitas vezes a tristeza nos outros

     com a nossa dureza, indiferença e recusa de ajuda.

     Cristo, misericórdia!

 

     Cristo, misericórdia!

 

  Senhor: Deixamo-nos abater facilmente pela tristeza,

     esquecendo, na prática, de que somos Vossos filhos.

     Senhor, misericórdia!

 

     Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus de infinita bondade, que vedes o vosso povo esperar fielmente o Natal do Senhor, fazei-nos chegar às solenidades da nossa salvação e celebrá-las com renovada alegria. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Isaías profetiza sobre a exaltação de Jerusalém e apresenta o Servo de Deus como arauto da Boa Nova, e proclamando a missão que o Senhor lhe confiou.

Na distância dos tempos compreendemos que será esta a missão do Senhor do Senhor: semear a paz e a alegria nos corações dos homens.

 

 

Isaías 61, 1-2a.10-11

1O espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu e me enviou a anunciar a boa nova aos pobres, a curar os corações atribulados, a proclamar a redenção aos cativos e a liberdade aos prisioneiros, 2aa promulgar o ano da graça do Senhor. 10Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus, que me revestiu com as vestes da salvação e me envolveu num manto de justiça, como noivo que cinge a fronte com o diadema e a noiva que se adorna com as suas jóias. 11Como a terra faz brotar os germes e o jardim germinar as sementes, assim o Senhor Deus fará brotar a justiça e o louvor diante de todas as nações.

 

O texto da leitura é tirado daquilo que poderíamos chamar o cerne do Terceiro Isaías (Is 60, 1 – 64, 11): no centro de Is 56 – 66 situa-se o anúncio da salvação para todas as nações a partir da nova Jerusalém (Sião) ideal (símbolo de uma nova ordem universal: cf. Apoc 21, 1 – 22, 5). E é em Is 61 que está o cume deste esplendoroso anúncio: o capítulo começa com os primeiros versículos que integram a leitura de hoje, em que aparece a falar, num denso monólogo, o mensageiro da boa nova libertadora. Por um lado, estes dois vv. têm grande afinidade com os poemas messiânicos do Servo de Yahwéh (cf. Is 49, 1-6 e 42, 1) e, por outro lado, o sentido profético destas palavras aparece realçado na parafraseada tradução aramaica (Targum), de que Jesus se teria servido na sinagoga de Nazaré. Com efeito, esta acrescentava no início deste texto: «Assim diz o profeta»; deste modo, o texto na boca de Jesus adquiria uma força surpreendente, ao pôr em evidência que Ele era o profeta-mensageiro de que falava Isaías – «hoje cumpriu-se esta Escritura…» (Lc 4, 21) – e o próprio Messias, isto é, o Ungido (Cristo) pelo Senhor.

«Anunciar a boa nova aos pobres». Estes pobres – em hebraico, anavim, um termo técnico do A. T. – não são propriamente os que sofrem de miséria material ou moral, mas os que vivem numa piedosa atitude de indigência e humildade diante de Deus, isto é, os que confiam na bondade e misericórdia de Deus e não nos seus próprios bens ou merecimentos. «Um ano de graça» encerra uma alusão ao ano sabático (cf. Ex 21, 2-11; Jer 34, 14; Ez 46, 17), ou antes ao ano jubilar, cada ano cinquenta, em que os escravos eram restituídos à liberdade e a propriedade regressava aos seus antigos donos (cf. Lv 25).

10-11 «Exulto de alegria»… O texto adapta-se bem ao tema tradicional da alegria para este «Domingo Gaudete». A alegria a que se refere – uma alegria comparável à dos noivos na sua festa nupcial e à do lavrador em face duma boa colheita – corresponde à maravilhosa restauração de Jerusalém; é a alegria messiânica, pois o horizonte do oráculo é claramente escatológico, isto é, o de uma intervenção de Deus em ordem à salvação definitiva. É, pois, coerente que a Liturgia veja nesta alegria a da Igreja pelo nascimento de Cristo.

 

Salmo Responsorial     Lc 1, 46-48.49-50.53-54 (R. Is 61, 10b)

 

Monição: O cântico evangélico do Magnificat, entoado por Nossa Senhora na visitação a santa Isabel, é um hino cheio de alegria e de optimismo. Estes sentimentos não têm origem numa vida sem problemas ou dificuldades, mas numa confiança ilimitada no Senhor.

Também nisto podemos imitar a Mãe de Jesus e nossa Mãe, cantando-o e vivendo-o.

 

Refrão:         Exulto de alegria no Senhor.

Ou:                A minha alma exulta no Senhor.

 

A minha alma glorifica o Senhor

e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,

porque pôs os olhos na humildade da sua serva:

de hoje em diante me chamarão bem-aventurada

todas as gerações.

 

O Todo-poderoso fez em mim maravilhas:

Santo é o seu nome.

A sua misericórdia se estende de geração em geração

sobre aqueles que O temem.

 

Aos famintos encheu de bens

e aos ricos despediu-os de mãos vazias.

Acolheu a Israel, seu servo,

lembrado da sua misericórdia.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo recomenda-nos a virtude da alegria na primeira carta aos fiéis da comunidade eclesial de Tessalónica.

Para o conseguirmos, devemos permanecer em oração de acção de graças quando tudo corre de acordo com o nosso gosto ou contra ele, e docilidade ao Espírito Santo. È um apropriado programa para este Advento.

 

 

1 Tessalonicenses  5, 16-24

Irmãos: 16Vivei sempre alegres, 17orai sem cessar, 18dai graças em todas as circunstâncias, pois é esta a vontade de Deus a vosso respeito em Cristo Jesus. 19Não apagueis o Espírito, 20não desprezeis os dons proféticos; 21mas avaliai tudo, conservando o que for bom. 22Afastai-vos de toda a espécie de mal. 23O Deus da paz vos santifique totalmente, para que todo o vosso ser espírito, alma e corpo se conserve irrepreensível para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo. 24É fiel Aquele que vos chama e cumprirá as suas promessas.

 

A leitura contém em parte recomendações finais da Carta. Entre os conselhos, S. Paulo insiste na alegria – «Vivei sempre alegres» – (v. 16), que é uma virtude profundamente cristã, consequência lógica da nossa condição de filhos de Deus. Daqui os apelos constantes do N. T. a viver a alegria: Filp 2, 18; 3, 1; 4, 4; 2 Cor 2, 11; 7, 4; Col 1, 24; Mt 5, 12; Jo 15, 11; 16, 22.24. 17, 13.

18 «É esta a vontade de Deus»: que estejamos sempre alegres, rezemos sem cessar e demos acções de graças sempre; e isto «em Cristo Jesus», pois a vontade de Deus comunicada a nós pela palavra e exemplos de Jesus torna-se coisa praticável mediante a obra redentora do Senhor que nos dá forças para tanto com a sua graça.

19-21 «Não apagueis o Espírito... mas avaliai tudo, conservando o que é bom». Há aqui uma referência aos dons carismáticos – atribuídos ao Espírito Santo –, dons concedidos aos fiéis para o bem espiritual dos outros, concretamente ao dom da profecia; mais do que para adivinhar, este servia para «edificar, exortar e consolar» (cf. 1 Cor 14, 1-15). Parece que esta exortação vai dirigida aos chefes da comunidade, para que não se oponham sistematicamente aos carismas suscitados por Deus nos fiéis, uma recomendação fortemente expressiva, pois o Espírito Santo é por excelência luz e fogo. Não é a Hierarquia quem programa a acção do Espírito Santo, «que sopra onde quer» (Jo 3, 8), mas ela tem a missão de avaliar e discernir a genuinidade dos carismas (cf. Lumen Gentium, n.º 12).

23 «O Deus da paz vos santifique totalmente, para que todo o vosso ser, espírito, alma e corpo se conserve irrepreensível». A totalidade do ser da pessoa a tornar-se santa é expressa segundo uma concepção tricotómica do ser humano, como sendo composto de três princípios, à maneira da filosofia grega, a saber, o espírito, ou o princípio superior de vida intelectual (nous, que Filon substituiu por pneuma, a mesma designação que também Paulo adoptou), a alma, ou o princípio de vida sensitiva (psykhê), e o corpo, o elemento puramente material (sôma). Não é de excluir que aqui S. Paulo se tenha servido do modelo antropológico grego tripartido, mas fá-lo sem se comprometer com este modelo, pois não é um filósofo especulativo; o que lhe importa é utilizar a linguagem corrente, para se fazer entender; é assim que ele utiliza diversos modelos antropológicos, gregos ou semíticos, ao correr da pena.

24 «É fiel Aquele que vos chama». Aqui está o firme garantia da perseverança na graça e na vocação cristã. S. Paulo, na linha da doutrina já revelada no A. T., insiste frequentemente na fidelidade divina: 1 Cor 1, 9; 10, 13; 2 Cor 1, 18; Filp 1, 6; 2 Tes 3, 3; 2 Tim 1, 12…

 

Aclamação ao Evangelho         Is 61, 1

 

Monição: O Senhor chamou-nos à ida e à Igreja, para sermos na terra mensageiros da alegria, como consequência da nossa filiação divina.

Agradeçamos esta felicidade e aclamemos o Evangelho que proclama esta verdade para todos nós.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Simões, NRMS 9(II)

 

O Espírito do Senhor está sobre mim:

enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres.

 

 

Evangelho

 

São João 1, 6-8.19-28

6Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. 7Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. 8Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. 19Foi este o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram, de Jerusalém, sacerdotes e levitas, para lhe perguntarem: «Quem és tu?» 20Ele confessou a verdade e não negou; ele confessou: «Eu não sou o Messias». 21Eles perguntaram-lhe: «Então, quem és tu? És Elias?», «Não sou», respondeu ele. «És o Profeta?». Ele respondeu: «Não». 22Disseram-lhe então: «Quem és tu? Para podermos dar uma resposta àqueles que nos enviaram, que dizes de ti mesmo?» 23Ele declarou: «Eu sou a voz do que clama no deserto: ‘Endireitai o caminho do Senhor’, como disse o profeta Isaías». 24Entre os enviados havia fariseus 25que lhe perguntaram: «Então, porque baptizas, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?» 26João respondeu-lhes: «Eu baptizo em água, mas no meio de vós está Alguém que não conheceis: 27Aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias». 28Tudo isto se passou em Betânia, além Jordão, onde João estava a baptizar.

 

O texto evangélico é extraído das referências a João Baptista que aparecem no Prólogo do IV Evangelho e do início da narrativa joanina.

6-8 «Um homem… chamado João» O único João de que se fala no IV Evangelho é o Baptista, sem nunca contar a sua vida e pregação (como os Sinópticos: cf. Lc 3, 1-22 par.); apenas se refere o seu testemunho a favor de Jesus (1, 15.19-35; 3,27-30; 5,33), a fim de que todos acreditassem.

19-28 Nesta secção deixa-se ver o prestígio excepcional do Baptista e a sua humildade, bem como o ambiente de expectativa messiânica. É interessante notar como o IV Evangelho abre com o testemunho de João (Baptista), e termina com o do Evangelista (João), ambos apontando Cristo como o Cordeiro de Deus imolado: 19, 35-36.

A propósito de Elias, ver Mal 3, 23; Sir 48, 10-11; Mt 11, 14; 17, 19; e de o Profeta, ver Dt 18, 15; Jo 6, 14; Act 3, 22.

19 «Os judeus». S. João costuma designar assim os chefes judaicos, e geralmente com uma conotação de inimigos de Jesus. Isto explica-se por escrever para cristãos vindos da gentilidade e a muitos anos de distância dos acontecimentos (estamos perto do ano 100), por isso não implica anti-judaísmo. Os «levitas» pertencentes à tribo sacerdotal de Levi; eram os auxiliares dos sacerdotes, e não podiam oferecer os sacrifícios.

20 «Ele confessou a verdade e não negou. Confessou...» Esta insistência do Evangelista põe em evidência a hombridade e rectidão do Baptista, assim como a especial força do seu testemunho. É também de supor que esta insistência tenha por objectivo animar os fiéis a confessarem a sua fé em Cristo, apesar do furor das perseguições.

21 «Elias… o profeta». Segundo a crença popular, Elias, elevado ao céu sem morrer (cf. 2 Re 2, 11-12), deveria regressar no fim dos tempos: Mal 3, 23 (4, 5); Sir 48, 10; Mt 17, 10-13. Note-se que não perguntam a João se ele é um profeta, mas o profeta. Com efeito, os judeus esperavam um profeta distinto do Messias para introduzir os tempos messiânicos, apoiados em Dt 18, 15. Também a Regra da Comunidade, daquela época, achada nas grutas do Mar Morto, fala da chegada de um novo profeta que acompanhará os dois Messias esperados pelos essénios: um, sacerdote, da tribo de Levi, e outro, rei, da tribo de Judá.

26 «Eu baptizo em água». Baptizar era mergulhar na água. Tratava-se dum banho ritual que significava a purificação legal de alguma impureza prevista pela Torá escrita ou oral. Na época, existia também o baptismo dos prosélitos, para incorporar um gentio no judaísmo, e ainda o baptismo dos essénios, um rito de iniciação e purificação dos adeptos que entravam na seita de Qumrã. O baptismo de João não era um rito de incorporação ou de iniciação, mas de conversão interior; as palavras de exortação do Baptista e o reconhecimento público e humilde dos pecados dispunham o penitente para vir a receber a graça de Cristo, que já vivia entre o povo, mas que o povo não conhecia na sua qualidade de Messias. Os profetas tinham anunciado uma purificação com a água nos tempos messiânicos: Zac 13, 1; Jer 4, 14; Ez 36, 25; 37, 23. O baptismo de João dispunha para a limpeza da alma, mas o Baptismo de Jesus concede eficazmente o perdão dos pecados (cf. Mt 3, 11; Mc 1, 4). Dadas as circunstâncias da época, o simbolismo do rito de baptizar era então muito mais evidente do que nos nossos dias, mas a eficácia do Baptismo de Jesus só se pode captar pela fé.

28 «Em Betânia, além Jordão», em frente de Jericó, na margem esquerda do rio (cf. Jo 10, 39-40), é diferente da terra de Lázaro (cf. Jo 11, 1.18), a uns três quilómetros a leste de Jerusalém.

 

Sugestões para a homilia

 

• A verdadeira alegria

A fonte da verdadeira alegria

Mensageiros da alegria

Para ser alegre, servir

• O caminho da alegria

Humildade

Penitência

Crescer na fé e no amor

1. A verdadeira alegria.

A alegria é para nós indispensável, como a luz do sol para a vida. Talvez por isso, procuramo-la instintivamente sem descanso.

 

a) A fonte da verdadeira alegria. «O espírito do Senhor está sobre mim.» Acontece, porém, que muitos jovens e adultos procuram hoje a alegria em fontes envenenadas. São elas, entre outras:

A agitação e o ruído (nas discotecas, nas aparelhagens dos carros e de casa, nos grandes aglomerados de pessoas, etc.). Sentimos medo ao silêncio que nos confronta com o vazio da nossa vida e nos pede para renunciar a muitas coisas e ao sacrifício para seguir a voz de Deus.

• A sensualidade e a gula, que nos mergulha na embriagues dos sentidos, mas deixa o espírito cada vez mais faminto, vazio e inquieto. Quando não se acorda a tempo desta ilusão, pode levar ao desespero, fruto da desilusão.

A ostentação orgulhosa. Gasta-se tempo, dinheiro e trabalho a representar no grande palco da vida, ostentando o que não se é. Vivemos na civilização do “faz-de-conta”. Quando deixamos de ter plateia que nos aplaude, a vida aparece despida de qualquer sentido.

A verdadeira fonte da alegria encontra-se em Deus e buscamo-la quando procuramos ser fiéis ao que Ele nos pede.

 

b) Mensageiros da alegria. «O Senhor me ungiu e me enviou [...]» A verdadeira alegria não se encontra numa exclusiva atitude de receber, mas de dar e dar-se.

Quando Deus envia o Seu Servo para a missão, anunciada por Isaías – modelo de que há-de ser todo o cristão – não o faz para que ele olhe exclusivamente para si. Se assim fosse, não teria sentido o envio.

Cada um de nós está no mundo também para servir. Somos uma comunidade de serviço mútuo, com dependência uns dos outros. Deste modo começamos a vida em comunhão na terra para a continuar eternamente no Céu.

Os que se dobram sobre si próprios, sempre à procura de serem servidos, sem ajudar quem quer que seja, são infelizes e acabam por perturbar a alegria dos outros.

Por isso, alguém dizia que

O primeiro serviço que o Senhor nos pede é tornar o mundo à nossa volta mais alegre, mais humano e mais optimista.

Esta alegria não pode ser fruto de uma vivência néscia, ignorando as dificuldades reais da vida, mas alicerçada na nossa filiação divina.

 

c) Para ser alegre, servir. «[...] me enviou a anunciar a boa nova aos pobres [...]». Ao mesmo tempo que nos convida a uma alegria perene, o Senhor indica-nos o caminho a percorrer para a possuir.

O Senhor ungiu e enviou o Seu Servo e a cada um de nós, para instaurar uma nova ordem no mundo:

• «a anunciar a boa nova aos pobres». Anunciar aos humildes, aos que não se apoiam nos poderes humanos, mas apenas confiança que depositam no Senhor a sua esperança. São estes que acolhem de braços abertos a boa nova da salvação.

• «a curar os corações atribulados». Muitos corações sangram pelas injustiças, incompreensões, preocupações da vida. Temos de ajudá-los a procurar no Senhor a solução dos seus problemas. O Senhor convida-nos: «Vinde a Mim todos os que andais sobrecarregados, e Eu vos aliviarei».

• «a proclamar a redenção aos cativos». Encontramos muitas pessoas que perderam a liberdade, porque se deixaram apanhar nas malhas do álcool, da droga, da sensualidade, do apoderamento dos bens alheios, e de tantas outras formas de escravidão. Precisam da nossa ajuda.

• «e a liberdade aos prisioneiros». Há pessoas cativas da prepotência e injustiça dos mais fortes, do seu orgulho que não lhes deixa espaço para terem paz e de tantas outras formas de prisão.

• «a promulgar o ano da graça do Senhor.» No Ano Sabático de Israel as dívidas eram perdoadas e os bens imóveis voltavam à posse das pessoas. Propriamente era um ano de misericórdia em que tudo era perdoado.

Deixou-nos o Senhor na Sua Igreja o acesso a esta misericórdia no Sacramento da reconciliação e Penitência. Que belo programa para este Advento, ajudar as pessoas a reencontrar a alegria de viver numa reconciliação sincera com Deus!

2. O caminho da alegria.

Na sua pregação no deserto da Judeia, S. João Baptista – pelas suas palavras e atitudes – ensina-nos como nos havemos de preparar para caminharmos ao encontro de Jesus que nos vem visitar.

 

a) Humildade. «Ele confessou a verdade e não negou; ele confessou: Eu não sou o Messias». Além desta proclamação de humildade, o Precursor tem outras: não é um profeta, mas apenas «a voz do que clama no deserto». Recusa-se, num primeiro momento, a baptizar Jesus e manifesta-se indigno de lhe desatar as correias das sandálias.

Se tentarmos descobrir as causas da nossa tristeza que, por vezes, nos invade, verificaremos que, a maior parte delas ela brota da ferida do orgulho: porque não nos deram a importância e valor que julgávamos ter; porque tentámos viver como se fôssemos donos incondicionais da nossa vida; porque desejamos brilhar – colocarmo-nos no centro do mundo – e não o conseguimos, e cobrimos a nossa nudez com o que não nos pertence. João Baptista despe-se corajosamente do que não lhe pertence.

Aceitemos que somos pequenos, embora com a grandeza infinita de filhos muito amados do nosso Pai do Céu.

 

b) Penitência. «Endireitai o caminho do Senhor.» Passamos a vida a fugir do que nos custa e, no final, sentimo-nos amargurados.

Se usássemos este critério em relação à nossa saúde corporal, em breve lhe sentiríamos os efeitos negativos. Aceitamos dietas, abstinências, caminhadas para garantir um mínimo de qualidade de vida.

Podemos, pelo menos, aceitar com alegria e generosidade, as limitações que a nossa pouca saúde, estreiteza económica, enquadramento na vida com as outras pessoas, em vez de embatermos teimosamente contra elas.

 

Hoje fala-se de crise económica, há restrições impostas pela idade e, possivelmente, crises de saúde. Em vez de cairmos numa lamentação doentia, procuremos ultrapassar estes obstáculos, mas vivamos em paz e alegria. Mais que sejamos voluntários do Amor, do que encarar a vida continuamente contrariados.

 

c) Crescer na fé e no amor. «É fiel Aquele que vos chama e cumprirá as suas promessas.» A fé e o amor são inseparáveis na vida cristã.

Para conseguirmos este crescimento, temos necessidade de frequentar a escola da verdadeira alegria que é a Missa Dominical. O Senhor prepara para nós em cada Domingo duas mesas: a da Palavra, na qual alimenta a nossa fé, e a da Eucaristia, onde robustece o nosso Amor.

Daqui partimos alegres, enviados por Deus, para viver este mesmo Amor, no trabalho, na família e na convivência com os amigos e proclamar para todos que O Senhor nos ama com loucura e nos ajuda a ser felizes já nesta vida e, principalmente, na que nos aguarda no Céu.

Maria Santíssima é modelo desta alegria que se fundamenta na fé e A leva ao Amor. Quando canta o Magnificat em casa de Isabel, a sua vida não é um mar de rosas. Tem pela frente muitas complicações humanamente difíceis: está grávida, tendo concebido virginalmente. Como vai explicar este mistério a S. José? Além disso, o chamamento à maternidade não estava nos seus planos, como confidencia ao Arcanjo.

E, no entanto, unicamente fundada na confiança no Senhor, canta o hino mais alegre de toda a Sagrada Escritura.

Com Ela aprenderemos a pôr em prática o conselho de S. Paulo: «Irmãos: Vivei sempre alegres, orai sem cessar, dai graças em todas as circunstâncias...»

 

Fala o Santo Padre

 

«A liturgia convida-nos a ter uma espera vigilante e alegre, porque o Senhor não tardará: Ele vem libertar o seu povo do pecado.»

 

Depois de ter celebrado a solenidade da Imaculada Conceição de Maria, nestes dias entramos no clima sugestivo da iminente preparação para o Santo Natal, e aqui já vemos a árvore erigida. Na hodierna sociedade consumista, infelizmente este período sofre uma espécie de «poluição» comercial, que corre o risco de alterar o seu espírito autêntico, caracterizado pelo recolhimento, pela sobriedade e por uma alegria não exterior, mas íntima. Por conseguinte, é providencial que, quase como uma porta de entrada para o Natal, haja a festa daquela que é a Mãe de Jesus, e que melhor do que qualquer outro pode levar-nos a conhecer, amar e adorar o Filho de Deus que se fez homem. Portanto, deixemos que Ela nos acompanhe; que os seus sentimentos nos animem, para que nos predisponhamos com sinceridade de coração e abertura de espírito a reconhecer no Menino de Belém o Filho de Deus que veio à terra para a nossa redenção. Caminhemos juntamente com Ela na oração, e acolhamos o reiterado convite que a liturgia do Advento nos dirige, a permanecer à espera, uma espera vigilante e alegre, porque o Senhor não tardará: Ele vem libertar o seu povo do pecado.

 

Em muitas famílias, segundo uma bela e consolidada tradição, imediatamente depois da festa da Imaculada, começa-se a preparar o Presépio, como que para reviver juntamente com Maria aqueles dias repletos de trepidação, que precederam o nascimento de Jesus. Preparar um Presépio em casa pode revelar-se um modo simples, mas eficaz, de apresentar a fé para a transmitir aos próprios filhos. O Presépio ajuda-nos a contemplar o mistério do amor de Deus, que se revelou na pobreza e na simplicidade da gruta de Belém. […] Com efeito, o Presépio pode ajudar-nos a compreender o segredo do verdadeiro Natal, porque fala da humildade e da bondade misericordiosa de Cristo que, «embora fosse rico, se tornou pobre» (2 Cor 8, 9) por nós. A sua pobreza enriquece quem a abraça e o Natal traz alegria e paz àqueles que, como os pastores em Belém, acolhem as palavras do Anjo: «Isto vos servirá de sinal: encontrareis um recém-nascido, envolto em faixas e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12).

 

Este permanece o sinal, também para nós, homens e mulheres do século XXI. Não há outro Natal. […]

 

Bento XVI, Angelus, 11 de Dezembro de 2005

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Dóceis ao convite que o Senhor nos faz

para vivermos em alegria permanente,

peçamos confiadamente a Sua ajuda,

de modo que concretizemos isto na vida.

Oremos (cantando) cheios de confiança:

 

     Causa da nossa alegria,

     rogai por nós, pecadores!

 

1. Para que a mensagem de alegria o Senhor nos dirige

     encontre em nós um acolhimento amável e generoso,

     oremos, irmãos.

 

     Causa da nossa alegria,

     rogai por nós, pecadores!

 

2. Para que os tristes e desanimados da vida presente

     vejam em Jesus Cristo a fonte da verdadeira alegria,

     oremos, irmãos.

 

     Causa da nossa alegria,

     rogai por nós, pecadores!

 

3. Para que os jovens não se deixem desencaminhar

     pelos falsos caminhos de alegria que lhes indicam,

     oremos, irmãos.

 

     Causa da nossa alegria,

     rogai por nós, pecadores!

 

4. Para que todos saibamos encontrar a consolação,

     num serviço permanente e generoso aos outros,

     oremos, irmãos.

 

     Causa da nossa alegria,

     rogai por nós, pecadores!

 

5. Para que os pais se alegrem no serviço aos filhos

     e os pastores nos cuidados  pelos que ajudam,

     oremos, irmãos.

 

     Causa da nossa alegria,

     rogai por nós, pecadores!

 

6. Para que os nossos irmãos que já partiram da terra

     possam gozar, quanto antes, das alegrias do Céu,

     oremos, irmãos.

 

     Causa da nossa alegria,

     rogai por nós, pecadores!

 

Senhor, que nos quereis alegres nesta vida,

como preparação para a felicidade eterna:

fazei Vos sigamos com generosa fidelidade

para nos alegrarmos eternamente convosco,

na comunhão com o pai, o Filho e o espírito Santo.

Por Cristo, Nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução à Liturgia Eucarística

 

Depois de nos ter enriquecido e acariciado com a luz da Sua Doutrina, Jesus Cristo vai agora renovar na nossa presença o mistério do Sacrifício do Calvário, misteriosamente antecipado no Cenáculo, na noite de Quinta-Feira Santa.

Peçamos-Lhe que aumente a nossa fé, para vivermos, como os Apóstolos, este momento ditoso.

 

Cântico do ofertório: O Espírito de Deus repousou, Az. Oliveira, NRMS 58

 

Oração sobre as oblatas: Fazei, Senhor, que a oblação deste sacrifício se renove sempre na vossa Igreja, de modo que a celebração do mistério por Vós instituído realize em nós plenamente a obra da salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio do Advento I: p. 453 [586-698] ou II p. 455 [588-700]

 

Santo: F. Silva, NRMS99-100

 

Saudação da Paz

 

Quando não estamos em paz, reconciliados com os irmãos, sentimos que a tristeza nos domina.

Para que a nossa alegria seja plena, aceitemos perdoar e ser perdoados das mútuas ofensas.

Com este propósito,

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

A Santíssima Eucaristia na qual recebemos e veneramos o Corpo, Sangue, Alma e Divindade do Senhor, enche a nossa mente de graça e é penhor da futura glória no Céu.

Adoremos o Senhor presente sobre o altar e preparemo-nos para O recebermos com as necessárias disposições.

 

Cântico da Comunhão: Povos que caminhais, J. Santos, NRMS 64

cf. Is 35, 4

Antífona da comunhão: Dizei aos desanimados: Tende coragem e não temais. Eis o nosso Deus que vem salvar-nos.

 

Cântico de acção de graças: Desce o orvalho sobre a terra, M. Simões, NRMS 64

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Senhor, pela vossa bondade, que este divino sacramento nos livre do pecado e nos prepare para as festas que se aproximam. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Levamos connosco, para mais uma semana de trabalho, a luz da Verdade e a fortaleza que nos dá o Corpo e Sangue do Senhor.

Sejamos, durante a semana, nos diversos meios em que vamos actuar, arautos da verdadeira alegria.

 

Cântico final: Levanta-te Jerusalém, F. da Silva, NRMS 39

 

 

Homilias Feriais

 

3ª SEMANA

 

2ª Feira, 15-XII: A luz de Cristo e da Igreja.

Num 24, 2-7. 15-17 / Mt 21, 23-27

(Balaão): Eu vejo, mas não para já, e avisto, mas não de perto: um Astro sai de Jacob e um ceptro se ergue de Israel.

Balaão, inspirado pelo Espírito de Deus, anuncia o aparecimento de um Astro (cf Leit), que é a estrela vista pelos Magos e que os conduziu até Jesus (cf CIC, 528).

Quando foi apresentado no Templo, Jesus foi reconhecido como o Messias esperado, a ‘luz das nações’ e ‘glória de Israel’. Esta luz está agora reflectida na Igreja: «A Igreja não tem outra luz senão a de Cristo. Ela é, segundo uma imagem cara aos Padres da Igreja, comparável à Lua, cuja luz é toda reflexo do Sol» (CIC, 748).

 

3ª Feira, 16-XII:Aceitar e confiar plenamente em Deus.

Sof 3, 1-2. 0-13 / Mt 21, 28-32

Ai da cidade rebelde e impura! Não escutou nenhum apelo, nem aceitou qualquer aviso. Não teve confiança no Senhor.

O profeta Sofonias faz-nos chegar esta lamentação de Deus: não é escutado nem têm confiança n’Ele (cf Leit). Aconteceu o mesmo com os sacerdotes e anciãos do povo, que não deram crédito a João Baptista. Pelo contrário, os publicanos e mulheres de má vida receberam o baptismo de penitência (cf Ev).

Jesus aproximou-se de nós. Como o vamos receber: aceitamos a sua palavra? Procuremos o arrependimento (a conversão) e as obras (cf parábola Ev).

 

4ª Feira, 17-XII: O nome de Jesus.

Gen 49, 2. 8-10 / Mt 1, 1-7

(Jacob): O ceptro não há-de fugir a Judá, até que venha aquele que lhe tem direito e a quem os povos hão-de obedecer.

Jacob anuncia aos seus filhos a vinda do Messias (cf Leit). E é precisamente da sua descendência que foi gerado, muitos séculos depois, José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus (Ev).

O nome de Jesus quer dizer ‘Deus salva’. E este nome está no centro da oração cristã: todas as orações concluem com a fórmula ‘por nosso Senhor Jesus Cristo’; na Ave-Maria recorda-se o ‘bendito fruto do vosso ventre Jesus’. Que o seu nome esteja sempre nas nossas acções e orações.

 

5ª Feira, 18-XII: O nome de José.

Jer 23, 5-8 / Mt 1, 18-24

Dias virão em que farei surgir para David um rebento justo. Será um verdadeiro rei e agirá com justiça.

O profeta Jeremias anuncia a vinda do Salvador, como descendente messiânico de David (cf Leit e CIC, 437).

É José, filho de David, que receberá a mensagem do Anjo, que lhe comunica o nascimento de Jesus (cf Ev). «O anjo disse assim a José: ‘Dar-lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo dos pecados’ (Ev)» (CIC, 1846). O nome de José significa em hebreu ‘Deus acrescentará’, isto é, aquele que cumpre a vontade do Senhor. E José fez como lhe ordenara o Anjo do Senhor (Ev).

 

6ª Feira, 19-XII: Programa de preparação para o Natal.

Jz 13, 2-7. 24-25 / Lc 1, 5-25

O Anjo do Senhor apareceu a essa mulher e disse-lhe: És estéril e não tens tido filhos, mas hás-de conceber e terás um filho.

Uma mulher estéril, esposa de Manoá, recebe a visita do Anjo do Senhor, que lhe anuncia o nascimento de um filho, Sansão (cf Leit). O mesmo acontecerá com Isabel, esposa de Zacarias, que deu à luz João Baptista (cf Ev).

João Baptista foi enviado a fim de preparar os caminhos do Senhor: «A assembleia deve preparar-se para o encontro com o seu Senhor, ser ‘um povo bem disposto’ (Ev). A graça do Espírito Santo procura despertar a fé, a conversão do coração e a adesão à vontade do Pai» (CIC, 1098). Aqui temos um possível programa de preparação para o Natal.

 

Sábado, 20-XII: O consentimento de Nossa Senhora.

Is 7, 10-14 / Lc 1, 26-38

Há-de a Virgem conceber e dar à luz um filho, a quem porá o nome de ‘Emanuel’.

Esta profecia de Isaías vai cumprir-se em Maria (cf Ev).

No consentimento de Nossa Senhora descobrimos a necessidade da graça. Por isso o Anjo Gabriel a saúda como ‘cheia de graça’. Além disso, Ela responde também com a ‘obediência da fé’, com a certeza de que para Deus ‘nada é impossível’. Procuremos pedir sempre a ajuda de Deus para podermos levar a cabo as obras que Deus nos pede. Obedeçamos com fé, não digamos ‘não’ a Deus.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          Fernando Silva

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                 Duarte Nuno Rocha

 


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