A CAMINHO DE BELÉM

 

Começa este novo Ano Litúrgico preparando-nos intensamente para a solenidade do Natal, com os quatro Domingos que o precedem e uma liturgia semanal perfeitamente integrada neste objectivo.

Duas Novenas – a da Imaculada Conceição e do Natal – podem ajudar-nos verdadeiramente nesta caminhada.

 

IMACULADA CONCEIÇÃO: NOVENA E FESTA

 

Perde-se na distância a tradição da Novena da Imaculada Conceição. É celebrada em igrejas e capelas e até em nichos que a piedade filial do Povo de Deus espalhou com carinho nos lugares mais diversos.

A Imaculada Conceição integra-se perfeitamente neste clima de Advento. Ao criar Maria Santíssima Imaculada na sua Conceição, imune da mácula original e cheia de graça, o Senhor desencadeou já todo o processo divino do nosso resgate.

Ela é o primeiro sinal de que a Redenção está próxima, tal como o clarão da aurora anuncia o nascer do sol.

 

A Novena. Todo o empenho para celebrar condignamente a Novena da Imaculada é, portanto, concorrer para uma mais cuidadosa preparação do Natal.

Os Pastores podem optar por uma novena integrada na Santa Missa ou num acto para-litúrgico independente.

 

Dentro da Missa. Deverá cuidar-se a escolha dos cânticos, para que se integrem na celebração. Há hoje muitas e boas colecções de cânticos litúrgicos que nos podem facilitar a escolha dos mais apropriados para cada dia, de acordo com o tema litúrgico que vamos tratar.

A homilia pequena e concreta, atendendo em que o tempo escasseia, uma vez que a maior parte dos dias decorre em tempo laboral, ajudará a uma vivência da piedade mariana.

Terá Oração dos fiéis (os diversos grupos apostólicos podem ser convidados a sugerir as intenções para cada dia) e o canto da Salve Regina no final, diante duma imagem da Imaculada Conceição, se possível.

Poderia ainda preceder-se a celebração da Missa com a reza do Terço.

 

Fora da Missa. Poderia constar de Recitação do Terço (confiado a um grupo apostólico em cada dia, se parecer oportuno), leitura de um tema mariano, exposição e bênção do Santíssimo.

Para os mais novos poderá ser sugestivo encenar os mistérios, projectar slides ou num ecrã em «Power Point» imagens apropriadas que poderão ajudar a rezar o Terço; pedir uma graça para cada mistério (poderá ser confiada esta intenção aos diversos movimentos apostólicos – escuteiros, catequese, Legião de Maria, etc.); ensinar as pessoas a guardar uns momentos de silêncio depois da enunciação do mistério e da graça pedida, para maior interiorização do que se vai rezar.

Também as famílias poderiam promover esta devoção, se o desencontro de horários de trabalho não permite às pessoas tomar parte numa celebração comunitária.

 

Toda a Celebração da novena deverá encaminhar as pessoas para uma Confissão que as prepare para uma vida renovada. Não faria sentido celebrar a solenidade da Imaculada Conceição sem uma luta generosa pela vida em graça, fortalecida pela Sagrada Comunhão.

 

NATAL: NOVENA E FESTA

 

A Novena. Poderemos aproveitar as mesmas sugestões anteriormente apresentadas para a Imaculada Conceição, com a adaptação oportuna.

No que diz respeito à Novena do Natal, os textos, a partir de 17 de Dezembro, com as antífonas do Ó, estão orientadas para uma preparação mais intensa.

 

Tradições. Há tradições cheias de beleza que não devemos perder:

 

A coroa do Advento. A coroa de advento é feita com ramos verdes, geralmente envolvida por uma fita vermelha e nela 4 velas são afixadas. Ela simboliza e comunica que naquela Igreja, casa, escritório ou qualquer espaço em que ela esteja vivem pessoas que se preparam com alegria para celebrar a vinda de Deus ao mundo, o Natal.

O círculo da coroa: simboliza a nova aliança de Deus com a humanidade. Esta nova aliança é celebrada no sacramento da Santa Ceia. Ao círculo da coroa pode ser relacionado também a coroa de espinhos colocada na cabeça de Jesus naquela semana em que foi crucificado - a nova aliança foi feita pelo Jesus negado e rejeitado, com humildade e doação.

Os ramos verdes, os ramos mesmo cortados permanecem verdes por semanas: comunicam a esperança, uma esperança que leva a perseverança, uma entrega total da vida a Deus.

A fita vermelha: a cor vermelha na tradição litúrgica está ligada à cor do fogo e do sangue. Simboliza a cor da vida, do amor e ao mesmo tempo do derramamento do sangue, sacrifício. A nova aliança de Deus com a humanidade foi feita com amor, doação, sacrifício e trouxe a vida plena e eterna.

As 4 velas: uma vela para cada domingo que antecede ao dia 25 de Dezembro. Alguns registros históricos contam que a coroa de advento surgiu em uma instituição que abrigava crianças pobres. Inicialmente ela continha entre 22 a 28 velas, uma para cada dia do tempo de advento. Devido aos custos diminuiu-se o número de velas.

As velas da coroa são acesas (a cada domingo mais uma), para iluminar a vigília do advento, a preparação para vinda da luz ao mundo. Simboliza que Jesus Cristo é a luz do mundo. Comunica a alegria da vida que procede de Deus, aquela que vai além dos limites que a vida no mundo impõe.

 

Espaço de solidariedade. Há quem coloque à porta da igreja ou noutro lugar conveniente uma arca onde as pessoas depõem ofertas (sobretudo peças de roupa) que serão distribuídas pelos mais carenciados antes do Natal.

Outros colocam no salão paroquial ou noutro lugar acessível uma árvore na qual as pessoas vão colocando mensagens e prendas a distribuir no final do Advento.

 

Presépio monumental em lugar público.

 

Postais do Natal. Ao enviar as saudações do Natal, adquira postais com a Sagrada Família, representações do Natal, etc. Há uma campanha que se faz sentir para difundir postais apenas com símbolos: o pai Natal, uma árvore coberta de neve, etc. Ajude, também com este pormenor, a restaurar o verdadeiro sentido do Natal cristão.

 

• Livros:

Para a Novena da Imaculada:

Gonçalo Portocarrerro  de Almada, Os defeitos de Maria e as virtude de outras mulheres do Evangelho, Ed. Lucerna, Lisboa, 2007.  

Para a Novena do Natal:

Hugo de Azevedo, Meditações do Natal, de Diel, Lisboa.

Para as Novenas da Imaculada e do Natal:

Fernando Silva, Vamos a Belém, suplemento de Celebração Litúrgica, Braga1973.

Outros livros haverá, com certeza, que atempadamente escolhidos, nos podem ajudar a preparar estas duas novenas.

 

• Recordamos também algumas colectâneas de cânticos:

A Igreja Canta, 2ª edição, Nova Revista de Música Sacra, Braga. Reúne todos os cânticos publicados nesta Revista, mas sem acompanhamento. Este deverá procurar-se no número da Revista que vem indicado.

Carlos da Silva, Orar Cantando, ed. Secretariado Nacional de Liturgia, 2001.

Cantemos todos, da Ed. Cucujães, 12ª ed. com mais alguns suplementos publicados.

 Cantemos todos Novo Ed. Cucujães.

O Secretariado Nacional e Liturgia (Portugal) editou também vários cadernos com músicas para as celebrações dos diversos tempos litúrgicos.

 

FINALMENTE

 

Apresentamos algumas orações e uma novena da Imaculada Conceição que podem alimentar a nossa piedade mariana.

 

PARA A NOVENA DA IMACULADA CONCEIÇÃO

Coroada de doze estrelas

 

Devoção recomendada por S. José Calazans

 

Ave-Maria Puríssima, concebida sem pecado!

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amem.

Louvemos e demos graças à Trindade Augusta de Deus que nos mostrou a Virgem vestida de sol, calçada de lua e coroada de doze estrelas (Pai Nosso)

Louvemos e demos graças ao Pai Eterno qne escolheu Maria para Filha (Glória ao Pai)

 

1) Louvado seja o Pai Eterno que predestinou Maria para Mãe do seu Filho (Ave Maria).

2) Louvado seja o Pai Eterno que preservou Maria de toda a culpa (Ave-Maria).

3) Louvado seja o Pai Eterno que adornou Maria com todas as virtudes (Ave Maria).

4) Louvado seja o Pai Eterno que deu a Maria por esposo o puríssimo São José (Ave Maria)

 

Louvemos e demos graças ao Filho de Deus, que escolheu Maria Para sua Mãe (Glória ao Pai)

 

5) Louvado seja o Filho de Deus que se encarnou e habitou em Maria Santíssima (Ave Maria).

6) Louvado seja o Filho de Deus que nasceu de Maria sempre Virgem (Ave Maria).

7) Louvado seja o Filho de Deus que deu a Maria todo poder (Ave Maria)

8) Louvado seja o Filho de Deus que nos deu Maria por Mãe (Ave Maria).  

 

Louvemos e demos graças ao Espírito Santo que escolheu Maria por sua esposa (Glória ao Pai)

 

9) Louvado seja o Espírito Santo por quem Maria foi Virgem e Mãe (Ave Maria).

10) Louvado seja o Espírito Santo por quem Maria foi templo da SS. Trindade (Ave Maria).

11) Louvado seja o Espírito Santo por quem Maria foi assunta ao Céu (Ave Maria).

12) Louvado seja o Espírito Santo por quem Maria foi medianeira de todas as graças (Ave Maria)

 

V/ Bendita seja a Santa e Imaculada Conceição.

R/ Da Bem-aventurada Virgem Maria.

 

V/ Ó Maria concebida sem pecado.

R/ Rogai por nós que recorremos a Vós.

 

Oração da Missa (8 de Dezembro):

 

Ó Deus, que pela Imaculada Conceição da Virgem preparastes para Vosso Filho digna morada, nós Vos suplicamos humildemente que, assim como, em atenção aos merecimentos desse mesmo Filho, Vos dignastes preservá-la de toda mácula, nos concedais igualmente, por sua intercessão, a graça de chegarmos a Vós limpos do pecado. Pelo mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.

 

Oração composta por S. Pio X:

 

Virgem santa que agradastes ao Senhor a ponto de tornar-se sua Mãe, Virgem Imaculada em vosso corpo, em vossa alma, em vossa fé, em vosso amor, olhai com bondade os infelizes que imploram vossa poderosa protecção. A serpente infernal contra a qual foi lançada a primeira maldição continua a combater e a tentar os pobres filhos de Eva. Vós, nossa Mãe abençoada, nossa rainha, nossa advogada, vós que esmagastes a cabeça do inimigo desde o primeiro instante de vossa Conceição, recebei nossas orações e, nós vos suplicamos, unidos num único coração, apresentai-as diante do trono de Deus, para que nunca nos deixemos cair nas armadilhas que nos são preparadas, mas que cheguemos todos ao porto da Salvação e que, no meio de tantos perigos, a Igreja e a sociedade cristã cantem mais uma vez o hino da liberdade, da vitória e da paz. Amém

 

Oração para todos os dias

Deus vos salve, Maria, cheia de graça e bendita mais que todas as mulheres, Virgem singular, Virgem soberana e perfeita, eleita por Mãe de Deus e preservada por Ele de toda culpa desde o primeiro instante de sua Concepção:

Assim como por Eva nos veio a morte, assim nos vem a vida por ti, que pela graça de Deus tens sido eleita para ser Mãe do novo povo que Jesus Cristo tem formado com seu Sangue.

A ti, puríssima Mãe, restauradora da caída linhagem de Adão e Eva, viemos confiantes e suplicantes nesta novena, para rogar que nos concedas a graça de sermos verdadeiros filhos teus e de teu Filho Jesus Cristo, livres de toda mancha de pecado.

Confiantes, Virgem Santíssima, que haveis sido feita Mãe de Deus, não somente para vossa dignidade e glória, senão também para salvação nossa e proveito de todo o género humano.

Confiantes que jamais se tem ouvido dizer que um somente de quantos te acudido a vossa protecção e implorado vosso socorro, tem já sido desamparado. Não me deixeis, pois, a mim tampouco, porque se me deixais me perderei;

Que eu tampouco quero deixar a vos, antes bem, cada dia quero crescer mais em vossa verdadeira devoção.

Alcançai-me principalmente estas três graças:

A primeira, não cometer jamais pecado mortal;

A segunda, um grande apreço da virtude cristã,

A terceira, uma boa morte.

Além disso, dai-me a graça particular que vos peço nesta novena

 

Fazer aqui o pedido que se deseja obter.

Rezar a oração do dia correspondente:

 

Orações finais

 

Bendita seja tua pureza e eternamente o seja, pois todo um Deus se recreia em tão graciosa beleza.

A ti, celestial Princesa, Virgem Sagrada Maria, vos ofereço neste dia alma, vida e coração.

Olhai-me com compaixão, não me deixes, Mãe minha. Rezar três Ave-Marias.

Tua Imaculada Concepção, Oh! Virgem Mãe de Deus, anunciou alegria ao universo inteiro.

 

Oração

 

Oh! Deus meu, que pela Imaculada Concepção da Virgem, preparaste digna habitação a teu Filho:

Vos rogamos que, assim como pela previsão da morte de teu Filho livrai-vos a ela de toda mancha, assim a nós nos concedas por sua intercessão chegar a Vós limpos de pecado. Pelo mesmo Senhor nosso Jesus Cristo. Amém.

 

NOVENA

 

Primeiro Dia

Oh! Santíssimo Filho de Maria Imaculada e benigníssimo Redentor nosso:

Assim como preservaste a Maria do pecado original em sua Imaculada Concepção, e a nós nos fizeste o grande beneficio de livramos dele por meio de teu Santo batismo, assim vos rogamos humildemente nos concedas a graça de nos portarmos sempre como bons cristãos, regenerados em ti, Nosso Pai Altíssimo.

 

Segundo Dia

Oh! Santíssimo Filho de Maria Imaculada e benigníssimo Redentor nosso:

Assim como preservaste a Maria de todo pecado mortal em toda sua vida e a nós nos dais graça para evita-lo e o Sacramento da confissão para remedia-lo, assim vos rogamos humildemente, por intercessão de tua Mãe Imaculada, nos concedas a graça de não cometer nunca pecado mortal, e se acontecer tão terrível desgraça, a de sair dele quanto antes por meio de uma boa confissão.

 

Terceiro Dia

Oh! Santíssimo Filho de Maria Imaculada e benigníssimo Redentor nosso:

Assim como preservaste a Maria de todo pecado venial em toda sua vida, e a nós nos pedes que purifiquemos mais e mais nossas almas para sermos dignos de ti, assim vos rogamos humildemente, por intercessão de tua Mãe Imaculada, nos concedas a graça de evitar os pecados veniais e a de procurar e obter cada dia mais pureza e delicadeza de consciência.

 

Quarto Dia

Oh! Santíssimo Filho de Maria Imaculada e benigníssimo Redentor nosso:

Assim como livrais a Maria da inclinação ao pecado e lhe destes domínio perfeito sobre todas suas paixões, assim vos rogamos humildemente, por intercessão de Maria Imaculada, nos concedas a graça de ir domando nossas paixões e destruindo nossas más inclinações, para que vos possamos servir, com verdadeira liberdade de espírito, sem imperfeição nenhuma.

 

Quinto Dia

Oh! Santíssimo Filho de Maria Imaculada e benigníssimo Redentor nosso:

Assim como, desde o primeiro instante de sua Concepção, destes a Maria mais graça que a todos os Santos e anjos do céu, assim vos rogamos humildemente, por intercessão de tua Mãe Imaculada, nos inspires um apreço singular da divina graça que Vós nos adquiriste com teu sangue, e nos concedas o aumentar mais e mais com nossas boas obras e com a recepção de teus Santos Sacramentos, especialmente o da Comunhão.

 

Sexto Dia

Oh! Santíssimo Filho de Maria Imaculada e benigníssimo Redentor nosso:

Assim como, desde o primeiro momento, destes a Maria, com toda plenitude, as virtudes sobrenaturais e os dons do Espírito Santo, assim vos suplicamos humildemente, por intercessão de tua Mãe Imaculada, nos concedas a nós a abundância destes mesmos dons e virtudes, para que possamos vencer todas as tentações e tenhamos muitos actos de virtude dignos de nossa profissão de cristãos.

 

Sétimo Dia

 

Oh! Santíssimo Filho de Maria Imaculada e benigníssimo Redentor nosso:

Assim como destes a Maria, entre as demais virtudes, uma pureza e castidade eximia, pela qual é chamada Virgem das virgens, assim vos suplicamos, por intercessão de tua Mãe Imaculada, nos concedas a dificilíssima virtude da castidade, que tantos tem conservado mediante a devoção da Virgem e tua protecção.

 

Oitavo Dia

 

Oh! Santíssimo Filho de Maria Imaculada e benigníssimo Redentor nosso:

Assim como destes a Maria a graça de uma ardentíssima caridade e amor de Deus sobre todas as coisas, assim vos rogamos humildemente, por intercessão de tua Mãe Imaculada, nos concedas um amor sincero de ti, Oh! Deus Senhor nosso! Nosso verdadeiro bem, nosso bem feitor, nosso Pai, e que antes queiramos perder todas as coisas que ofender-Vos com um somente pecado.

 

Nono Dia

Oh! Santíssimo Filho de Maria Imaculada e benigníssimo Redentor nosso:

Assim como tens concedido a Maria a graça de ir ao céu e de ser nele colocada no primeiro lugar depois de Vós, vos suplicamos humildemente, por intercessão de Maria Imaculada, nos concedas uma boa morte, que recebamos bem os últimos sacramentos, que expiremos sem mancha nenhuma de pecado na consciência e vamos ao céu, para sempre aproveitar, em tua companhia e a de nossa Mãe, com todos os que se tem salvado por ela.

 

 

 

1º Domingo do Advento

30 de Novembro de 2008

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vinde, Senhor, mostrai-nos o vosso rosto, Az. Oliveira, NRMS 56

Salmo 24,1-3

Antífona de entrada: Para Vós, Senhor, elevo a minha alma. Meu Deus, em Vós confio Não seja confundido nem de mim escarneçam os inimigos. Não serão confundidos os que esperam em Vós.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O homem está marcado por ritmos que organizam e desenvolvem o tempo na sua existência: o dia e a noite, o trabalho e o descanso, as estações do ano, as semanas, os meses e os anos.

A manifestação da nossa fé segue também alguns destes ritmos, sendo exemplo disso a celebração dominical e o ano litúrgico. O mistério de Cristo, desde o seu nascimento até à ascensão que celebramos ao longo de cada ano, faz-nos avançar na experiência do Senhor e na prática da vida cristã.

Hoje iniciamos um novo ano litúrgico com o tempo do Advento. Este não se limita a preparar-nos para o Natal, mas insere-nos em toda a História da Salvação. Faz-nos viver a esperança da espera do Messias vivida pelo Povo de Deus, mas, ao mesmo tempo, relembra-nos que Ele já veio e voltará no fim dos tempos.

Manifestemos, pois, a nossa confiança em Deus e peçamos que nos perdoe a falta de convicção que talvez nos tenha faltado durante o passado ano.

 

Oração colecta: Despertai, Senhor, nos vossos fiéis a vontade firme de se prepararem, pela prática das boas obras, para ir ao encontro de Cristo, de modo que, chamados um dia à sua direita, mereçam alcançar o reino dos Céus. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías aponta o que é o homem quando está afastado de Deus. Recorda também a oração do Povo eleito que almejava ardentemente a vinda do Salvador. Através de palavras cheias de confiança lembra que Deus é Pai e Redentor.

 

Isaías 63, 16b-17.19b; 64, 2b-7

13bVós, Senhor, sois nosso Pai e nosso Redentor, desde sempre, é o vosso nome. 17Porque nos deixais, Senhor, desviar dos vossos caminhos e endurecer o nosso coração, para que não Vos tema? Voltai, por amor dos vossos servos e das tribos da vossa herança. 19bOh, se rasgásseis os céus e descêsseis! Ante a vossa face estremeceriam os montes! 2bMas Vós descestes e perante a vossa face estremeceram os montes. 3Nunca os ouvidos escutaram, nem os olhos viram que um Deus, além de Vós, fizesse tanto em favor dos que n’Ele esperam. 4Vós saís ao encontro dos que praticam a justiça e recordam os vossos caminhos. Estais indignado contra nós, porque pecámos e há muito que somos rebeldes, mas seremos salvos. 5Éramos todos como um ser impuro, as nossas acções justas eram todas como veste imunda. Todos nós caímos como folhas secas, as nossas faltas nos levavam como o vento. 6Ninguém invocava o vosso nome, ninguém se levantava para se apoiar em Vós, porque nos tínheis escondido o vosso rosto e nos deixáveis à mercê das nossas faltas. 7Vós, porém, Senhor, sois nosso Pai e nós o barro de que sois o Oleiro; somos todos obra das vossas mãos.

 

O texto desta leitura, tirado do Terceiro Isaías (Is 56 – 66), é um veemente e comovente apelo à misericórdia de Deus, de grande afinidade com alguns Salmos, e também um hino ao seu amor de Pai.

16b «Nosso Pai». Já no A. T. Deus é designado Pai, mas é no N. T. que se revela o sentido profundo da sua paternidade e sobretudo a nossa condição de «filhos no Filho». «E nosso Redentor» (goél, em hebraico). A Deus é dado o mesmo nome que se dava ao parente mais próximo encarregado de defender a pessoa oprimida e necessitada: o goél tinha obrigação de resgatar quem caísse na escravidão, de resgatar uma propriedade, de vingar o sangue dum parente assassinado, e até de obviar à falta de filhos de uma viúva dum parente, casando com ela. Quando se designa a Deus Redentor (goél) de Israel, indica-se que Yahwéh é o responsável pela defesa do povo que elegeu para si. Chamar-lhe Redentor é apelar para a sua segura defesa e protecção.

19 «Oh, se rasgásseis os céus e descêsseis!» A Liturgia do Advento aplica este texto à vinda de Deus à terra no mistério da Incarnação: Jesus Cristo é o próprio Deus que vem resgatar-nos do pecado e da perdição eterna.

1-2a.5-6 «Pecámos». Os primeiros versículos do capítulo 64 são obscuros, traduzidos de diversos modos (a versão litúrgica atém-se basicamente ao texto oficial da Neovulgata). Uma ideia, porém, fica clara: o reconhecimento das culpas é o ponto de partida para o veemente apelo do Profeta à misericórdia divina. Também não se poderia exprimir com mais veemência a repugnante situação de impureza do pecador perante Deus: «as nossas acções justas eram todas como veste imunda» (a Vulgata traduz à letra o original hebraico bem expressivo e realista – «pannus menstruatæ» –, que, para não ferir a sensibilidade de algum leitor, a Neovulgata suavizou para «pannus inquinatus», «um trapo sujo»). A confissão humilde dos nossos pecados é também uma atitude básica para preparar o Natal, aliás este poderia ficar reduzido a um bonito folclore, mas vazio.

8 «Nós o barro...» Esta imagem tão frequente na Escritura (cf. Is 29, 16; 30, 14; 45, 9; Jer 18, 1-6; 19, 1-13; Sir 33, 13; Rom 9, 9-20-21) é muito expressiva, pois, por um lado, exprime a fragilidade do homem, por outro, o domínio total de Deus sobre nós. Pode-se tirar partido da imagem para falar da docilidade à acção do Espírito Santo na alma, a fim de que Deus possa moldar-nos segundo a imagem de Cristo, que quer «nascer» em nós.

 

Salmo Responsorial     Sl 79, 2ac e 3b, 15-16.18-19 (R.4)

 

Monição: No salmo pedimos ao Senhor que venha de novo, a fim de n’Ele encontrarmos a salvação.

 

Refrão:         Senhor nosso Deus, fazei-nos voltar,

                mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos.

 

Pastor de Israel, escutai,

Vós que estais sentado sobre os Querubins, aparecei.

Despertai o vosso poder

e vinde em nosso auxílio.

 

Deus dos Exércitos, vinde de novo,

olhai dos céus e vede, visitai esta vinha.

Protegei a cepa que a vossa mão direita plantou,

o rebento que fortalecestes para Vós.

 

Estendei a mão sobre o homem que escolhestes,

sobre o filho do homem que para Vós criastes;

e não mais nos apartaremos de Vós:

fazei-nos viver e invocaremos o vosso nome.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo fala-nos da manifestação de Cristo e aconselha-nos a que permaneçamos fiéis, a fim de não recearmos a Sua vinda.

 

1 Coríntios 1, 3-9

Irmãos: 3A graça e a paz vos sejam dadas da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. 4Dou graças a Deus, em todo o tempo, a vosso respeito, pela graça divina que vos foi dada em Cristo Jesus. 5Porque fostes enriquecidos em tudo: em toda a palavra e em todo o conhecimento; 6e deste modo, tornou-se firme em vós o testemunho de Cristo. 7De facto, já não vos falta nenhum dom da graça, a vós que esperais a manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo. 8Ele vos tornará firmes até ao fim, para que sejais irrepreensíveis no dia de Nosso Senhor Jesus Cristo. 9Fiel é Deus, por quem fostes chamados à comunhão com seu Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor.

 

S. Paulo, nas suas cartas, utiliza o formulário epistolar greco-romano. A leitura de hoje contém a segunda parte (vv. 3-9) do início (a præscriptio) da sua carta, deixando de parte os vv. 1-2 (o remetente, a superscriptio – «Paulo e Sóstenes», e os destinatários, a adscriptio: «à Igreja de Deus que está em Corinto…»). A nossa leitura começa no v. 3, com a saudação (salutatio). A saudação judaica era «a paz!» (a que muitas vezes acrescentavam «a bênção»; a sudação entre os gregos era «alegra-te!» khaire / khairein; entre os romanos era «tem saúde!, salutem). Paulo utiliza simultaneamente a saudação grega e a judaica, mas dando-lhes um novo sentido, o sentido cristão; assim não diz khairein (alegria), mas sim kháris (graça); e a sudação «paz» é especificada acrescentando «da parte de Deus… e do Senhor Jesus», pondo assim em evidência o dom gratuito da salvação que vem de Deus por Jesus. Como era corrente à saudação segue-se um agradecimento, mas aqui é «a Deus» que Paulo agradece os dons concedidos à comunidade de Corinto (vv. 4-7).

7-8 «Esperais a manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo». É a manifestação que corresponde ao «dia de Nosso Senhor Jesus Cristo», o dia da segunda e última vinda de Jesus, para o julgamento final de todos os homens (cf. Mt 25, 31-46). Em cada festa de Natal toda a Igreja recorda e revive a primeira vinda do Senhor e antecipa e prepara a sua segunda vinda (a parusía, assim chamada noutros lugares), ou manifestação [apokálypsis]. Pensa-se que S. Paulo, nalgum momento, poderia mesmo ter chegado a participar da esperança que havia entre os primeiros cristãos de uma vinda próxima de Jesus; com efeito, sendo estes conscientes de que em Jesus se dava o culminar da história da salvação, não podiam imaginar que Ele pudesse tardar a sua manifestação definitiva; com efeito, do plano teológico era fácil resvalar para o plano cronológico; mas isto nunca foi objecto propriamente do ensino apostólico.

 

Aclamação ao Evangelho         Salmo 84 (85), 8

 

Monição: Só no Senhor pode residir a nossa confiança, pois a Sua misericórdia proporciona-nos a salvação.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia

e dai-nos a vossa salvação.

 

 

 

Evangelho

 

São Marcos 13, 33-37

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 33«Acautelai-vos e vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento. 34Será como um homem que partiu de viagem: ao deixar a sua casa, deu plenos poderes aos seus servos, atribuindo a cada um a sua tarefa, e mandou ao porteiro que vigiasse. 35Vigiai, portanto, visto que não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se de manhãzinha; 36não se dê o caso que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir. 37O que vos digo a vós, digo-o a todos: Vigiai!»

 

O texto evangélico de hoje é o final do discurso escatológico de S. Marcos (Mc 13, 1-37), o Evangelista do ano B.

33 «Vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento». O momento em que Jesus «de novo há-de vir a julgar os vivos e os mortos» é-nos absolutamente desconhecido. Esta ignorância não nos deve assustar, mas sim estimular-nos a aproveitar bem o tempo, com sentido de urgência e a estar sempre preparados para comparecer diante do nosso Salvador, que aparecerá como Juiz remunerador; também aqui bem se aplica o célebre aforismo de «douta ignorância» (Sto. Agostinho). No seu Comentário ao Diatéssaron, 18, 15-17, Santo Efrém diz que o Senhor «quis ocultar-nos isto a fim de permanecermos vigilantes e para que cada um de nós possa pensar que este acontecimento se produzirá durante a sua vida. Ele disse muito claramente que há-de vir, mas sem precisar em que momento. E assim todas as gerações O esperam ardentemente». E a Liturgia do Advento desperta em nós esta atitude de espera ansiosa.

 

Sugestões para a homilia

 

Fragilidades e falta de coragem

Convidam à vigilância

Para permanecermos fiéis

Fragilidades e falta de coragem

Os israelitas exilados na Babilónia, recolhidos em oração, descobrem que a causa das suas desgraças fora motivada por terem abandonado a Deus. O profeta Isaías, com palavras cheias de confiança, lembra ao Povo escolhido que, apesar de toda a fragilidade e falta de coragem, Deus continua a ser o seu Pai e Redentor.

Em muitas ocasiões também nós nos encontramos em situações parecidas com a dos israelitas. Seduzidos pelas falsas promessas do mal, abandonamos a Deus e deixamo-nos deslumbrar por muitas fragilidades pensando alcançar a felicidade. Tais fraquezas levam-nos a decepções, isolamento, desonra, vergonha e angústia profunda. Sentimo-nos, então, sós e com falta de coragem.

Por que não repetir na oração, a súplica que o profeta nos sugere?

O tempo do Advento é convite à esperança e estímulo para nos aproximarmos do Senhor preparando com vigilância e atenção o encontro definitivo do segundo Advento.

Convidam à vigilância

O Evangelho aponta também para esta perspectiva da segunda vinda do Senhor pois nos alerta: acautelai-vos e vigiai!

Quem está de vigia vive em atitude permanente de cuidado ao seu dever, não se deve deixar abater pelo sono, não se pode distrair.

O cristão nunca pode adormecer, não pode agir como aqueles que se abandonam à corrupção, ao inebriamento, às aventuras. Tal atitude não constitui uma maneira negativa de quem se protege da imperfeição. Deve ser a regra de quem aproveita todas as circunstâncias para realizar o plano de Deus, daquele que sabe descobrir a protecção do Senhor e está atento a tudo o que acontece à sua volta, a fim de permanecer fiel.

Para permanecermos fiéis

Por isso, S. Paulo fala-nos da manifestação de Cristo e adverte-nos de que devemos permanecer fiéis, para não temermos a Sua vinda.

Quando nós, todavia, pensamos na nossa fragilidade, somos tentados a deixar-nos vencer pelo desalento e convencemo-nos de que nunca seremos capazes de colaborar para a construção dum mundo novo. Os Coríntios, a quem Paulo escreve esta carta, também tinham muitos defeitos. Contudo eles são-nos apresentados como modelo de quem espera o Senhor.

Deus não nos priva da sua graça, apenas espera que abramos o nosso coração aos seus dons.

Por isso, saibamos estar atentos e vigilantes para permanecermos fiéis ao nosso baptismo. Esperemos com toda a confiança a vinda do Senhor, que se mostra ao bater à nossa porta em cada situação da vida em que qualquer irmão solicita a nossa ajuda.

 

Fala o Santo Padre

 

«O Advento está impregnado de esperança e de expectativa espiritual.»

 

Com o domingo hodierno tem início o Advento, um tempo de grande sugestão religiosa, porque está impregnado de esperança e de expectativa espiritual: todas as vezes que a Comunidade cristã se prepara para fazer memória do nascimento do Redentor, sente em si um frémito de alegria que, em certa medida, se transmite a toda a sociedade. No Advento, o povo cristão revive o duplo movimento do espírito: por um lado, eleva o olhar rumo à meta final da sua peregrinação na história, que é a vinda gloriosa do Senhor Jesus; por outro, recordando com emoção o seu nascimento em Belém, inclina-se diante do Presépio. A esperança dos cristãos orienta-se para o futuro, mas permanece sempre bem arraigada num acontecimento do passado. Na plenitude dos tempos, o Filho de Deus nasceu da Virgem Maria: «Nasceu de uma mulher, submetido à lei», como escreve o Apóstolo Paulo (Gl 4, 4).

 

Hoje, o Evangelho convida-nos a permanecer vigilantes, na expectativa da última vinda de Cristo. «Vigiai!», diz Jesus, «porque não sabeis quando o dono da casa vai voltar» (Mc 13, 35.37). A breve parábola do homem que partiu para uma viagem, e dos servos encarregados de fazer as suas vezes, põe em evidência como é importante estar prontos para acolher o Senhor quando, de repente, Ele chegar. A Comunidade cristã espera com ansiedade a sua «manifestação», e o Apóstolo Paulo, escrevendo aos Coríntios, exorta-os a confiar na fidelidade de Deus e a viver de maneira a serem encontrados «irrepreensíveis» (cf. 1 Cor 1, 7-9) no dia do Senhor. Por isso, muito oportunamente, no início do Advento a liturgia coloca nos nossos lábios a invocação do Salmo: «Senhor, mostra-nos o teu amor, concede-nos a tua salvação» (Sl 85 [84], 8). […]

 

Bento XVI, Angelus, 27 de Novembro de 2005

 

Oração Universal

 

Invoquemos o Senhor,

nosso Deus e Pai.

Peçamos-Lhe que ouça a nossa oração,

nos ajude a ser vigilantes

e a confiar na Sua infinita misericórdia,

dizendo (cantando):

 

Senhor, vinde em nosso auxílio.

 

1.  Pelo Santo Padre, o Papa, pelos Bispos, Presbíteros e Diáconos,

para que sejam exemplo de vigilância activa

nos caminhos do Senhor,

oremos, irmãos.

 

2.  Por todos os baptizados,

para que embora conscientes da sua fragilidade,

não se deixem vencer pelo desalento

mas saibam suplicar com coragem a ajuda de Deus,

oremos, irmãos.

 

3.  Por todos os crentes,

para que encontrem o rosto do Senhor

nas actividades quotidianas,

a fim de aguardarem com serenidade a Sua vinda,

oremos, irmãos.

 

4.  Por todos os homens,

para que não se deixem seduzir

pelas falsas promessas de felicidade,

mas consigam descobrir o plano de Deus,

oremos, irmãos.

 

5. Por todos os nossos irmãos

que já se encontraram definitivamente

com o Senhor nosso Pai,

para que gozem da felicidade eterna,

oremos, irmãos.

 

Ouvi, Senhor, as nossas orações e ajudai-nos a procurar vigilantemente

a melhor orientação do coração para a vinda anunciada de Cristo.

Isto vos pedimos por intermédio de vosso Filho, que é Deus convosco,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Confiarei no meu Deus, F. da Silva, NRMS 106

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, estes dons que recebemos da vossa bondade e fazei que os sagrados mistérios que celebramos no tempo presente sejam para nós penhor de salvação eterna. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio do Advento I: p. 453 [586-698]

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

A comunhão do Corpo e Sangue de Jesus é dom precioso de Deus nosso Pai. Que a sua recepção seja para nós motivo de alerta vigilante para a vinda quotidiana de Cristo, a fim de que se torne para nós semente e penhor da felicidade eterna.

 

Cântico da Comunhão: Eu estou, à porta chamo, F. da Silva, NRMS 22

Salmo 84, 13

Antífona da comunhão: O Senhor nos dará todos os bens e a nossa terra produzirá o seu fruto.

 

Cântico de acção de graças: Não temas, povo de Deus, M. Borda, NRMS 56

 

Oração depois da comunhão: Fazei frutificar em nós, Senhor, os mistérios que celebramos, pelos quais, durante a nossa vida na terra, nos ensinais a amar os bens do Céu e a viver para os valores eternos. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Que o Senhor nos ajude a encontrar a luz que nos esclareça ao longo da vida e nos ensine a dar o justo valor às coisas e aos acontecimentos, para que, com vigilância permanente, continuemos fiéis a aguardar com toda a confiança a vinda de Cristo.

 

Cântico final: O Senhor virá governar, F. da Silva, NRMS 7

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO DO ADVENTO

 

1ª SEMANA

 

2ª Feira, 1-XII: Virtudes para acolher o Messias.

Is 2, 1-5 / Mt 8, 5-11

(O centurião): Senhor, eu não mereço que entres debaixo do meu tecto. Diz somente uma palavra, e o meu criado ficará com saúde.

O profeta Isaías faz chegar ao povo de Deus uma mensagem de esperança destinada a todos os homens. Com a vinda do Messias renova-se a esperança no fim da violência: «não mais levantará a espada povo contra povo» (Leit).

Para que o Messias instaure o seu reino de paz, precisamos acolhê-lo com a humildade e com a fé ardente do centurião (cf Ev), especialmente quando o recebemos no sacramento da Eucaristia.

 

3ª Feira, 2-XII: Actuação do E. Santo no Messias e no seu povo.

Is 11, 1-10 / Lc 10, 21-24

Sobre Ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e de inteligência, espírito de conselho e de fortaleza…

O profeta Isaías anuncia que o Espírito Santo repousará sobre o Messias esperado (cf Leit), tendo em vista a sua missão salvífica. E S. Lucas manifesta já esta actuação do Espírito Santo em Jesus: «estremeceu de alegria pela acção do Espírito Santo» (Ev).

Esta plenitude do Espírito Santo há-de ser comunicada a todo o povo messiânico. «O Espírito Santo inaugura aquilo que vai realizar com e em Cristo: restituir ao homem a ‘semelhança’ divina» (CIC, 720). Deste modo podemos adquirir os traços do rosto do Messias.

 

4ª Feira, 3-XII: Fome do banquete eucarístico.

Is 25, 6-19 / Mt 15, 29-37

O Senhor do Universo há-de preparar, para todo os povos, no monte Sião, um banquete de pratos suculentos.

O profeta anuncia a oferta de um banquete, por parte do Messias, «um banquete de pratos suculentos, um banquete de excelentes vinhos» (Leit). E, um dia, Jesus realizou o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes para saciar uma enorme multidão (cf Ev).

Mas este milagre prefigura a superabundância do pão único da Eucaristia, pois a Eucaristia é um verdadeiro banquete: «a minha carne é verdadeira comida». Tenhamos verdadeira fome de receber o pão eucarístico.

 

5ª Feira, 4-XII: Conhecimento e cumprimento da vontade de Deus.

Is 26, 1-6 / Mt 7, 21. 24-27

Confiai sempre no Senhor, que o Senhor é uma rocha eterna.

O profeta aconselha-nos a confiar sempre no Senhor, a edificar a nossa vida sobre o Messias, que é uma «rocha eterna» (Leit). Uma das melhoras maneiras de construirmos o edifício da nossa santificação é identificar a nossa vontade com a de Cristo, como Ele se identificou com a vontade do Pai (cf Ev).

Procuremos descobrir a sua vontade nas suas palavras e conselhos sobre as nossas actividades diárias, recorrendo à oração. E, depois, procurar levá-las à prática, perseverando no seu cumprimento.

 

6ª Feira, 5-XII: Abrir os olhos à luz divina.

Is 9, 17-24 / Mt 9, 27-31

Nesse dia, os surdos ouvirão a palavra do livro divino; libertos da escuridão e das trevas, os olhos dos cegos hão-de ver.

O profeta anuncia a realização de grandes prodígios, com a vinda do Messias (cf Leit). E os dois cegos do Evangelho reconheceram em Jesus o filho de David messiânico: «tem piedade de nós, filho de David» (Ev).

Abramos os olhos à luz divina que se desprende de Cristo, que é a Luz. Vejamos as coisas como Deus as vê (por ex, o sofrimento, a dor, as contrariedades). Descubramos Cristo presente na Eucaristia, nos que nos rodeiam, no trabalho e demais ocupações diárias.

 

Sábado, 6-XII: O segredo da abundância.

Is 30, 19-21. 23-26 / Mt 9, 35-10, 1. 6-8

O Senhor dará a chuva para a semente que tiveres lançado à terra, e o pão que a terra produzir será farto e nutritivo.

O Messias, de acordo, com as palavras do profeta, exercerá a sua misericórdia e haverá frutos abundantes (cf Leit). Jesus manifesta essa misericórdia curando todas as doenças e achaques e proclamando a Boa Nova aos que andavam como ovelhas sem pastor. (cf Ev).

Para a abundância de frutos é necessário que haja um bom acolhimento da palavra de Deus: «A palavra do Senhor compara-se à semente lançada ao campo; aqueles que a ouvem com fé entram a fazer parte do rebanho de Cristo» (CIC, 543).

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          António E. Portela

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                 Duarte Nuno Rocha

 


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