aCONTECIMENTOS eclesiais

DO PAÍS

 

AVEIRO

 

ÚLTIMO ADEUS A

D. MANUEL DE ALMEIDA TRINDADE

 

A Sé de Aveiro encheu-se no passado dia 7 de Agosto para o último adeus a D. Manuel Almeida Trindade, falecido aos 90 anos de idade em Coimbra, dois dias antes. As exéquias solenes foram presididas por D. José Policarpo, Cardeal-Patriarca de Lisboa e, tal como o falecido prelado, antigo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).

 

A cerimónia foi concelebrada por mais de 20 Bispos e dezenas de presbíteros, de várias dioceses. O féretro foi colocado no centro da Sé, virado para o povo, e numa mesa ao lado estava a sua mitra.

20 anos após a sua resignação como Bispo da Diocese, a Igreja aveirense não se esqueceu de comparecer no momento da despedida deste que D. Eurico Dias Nogueira lembra como “professor, reitor e Bispo precoce”.

Na homilia da celebração, D. José Policarpo disse que “estamos a celebrar a memória de um grande pastor da Igreja”.

Tudo na vida cristã é instrumento de comunhão e D. Manuel Almeida Trindade foi “o pastor atento” e amigável. “A Igreja aprendeu com ele, visto que deixou um grito de renovação”, realçou o Cardeal-Patriarca, para quem o desaparecimento deste homem do Concílio deixa um grande vazio, por ter sido um dos principais transmissores, no nosso país, desse grande acontecimento eclesial do século XX.

A estampa distribuída na cerimónia lembrava um extracto da saudação pastoral proferida pelo falecido Bispo aquando do início do seu ministério episcopal em Aveiro, no ano de 1962. Nela, D. Manuel Almeida Trindade apresentava-se como “filho do povo” que “ganha o pão honestamente com o suor do seu rosto e à noite se recolhe para agradecer a Deus”.

D. Manuel Almeida Trindade está sepultado no jazigo da Diocese, no cemitério central de Aveiro, respeitando-se assim a sua vontade, expressa em testamento.

 

 

LISBOA

 

VETO PRESIDENCIAL AO

DIVÓRCIO FACILITADO

 

O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Carlos Azevedo, considerou no passado dia 20 de Agosto que o novo regime jurídico do divórcio, vetado pelo Presidente da República, era “ofensivo do valor da religião” e reflexo da “leviandade com que, muitas vezes, o Parlamento produz leis”.

 

D. Carlos Azevedo comentava o veto de Cavaco Silva ao diploma que altera o Regime Jurídico do Divórcio, devolvendo-o à Assembleia da República para que seja objecto de nova apreciação, com fundamento na desprotecção do cônjuge que se encontre em situação mais fraca, geralmente a mulher, bem como dos filhos menores.

“Ainda bem que o Presidente da República teve em conta o maior bem das pessoas e é uma consciência ética, crítica da leviandade com que muitas vezes o Parlamento produz leis”, afirmou o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).

Para o Prelado, o preâmbulo deste novo regime jurídico do divórcio era “ofensivo do valor da religião para a estabilidade das relações afectivas, da capacidade de perdoar e de manter os compromissos, mesmo quando as condições mudam e exigem sacrifício”.

O porta-voz do episcopado considerou que está presente nestas normas um “certo facilitismo, desprezando os valores que ajudam a manter os vínculos e os compromissos públicos e sérios que as pessoas fazem e que não devem ser desfeitos por uma situação imediata, mas ter em conta os efeitos dessas decisões para as pessoas e para a sociedade”.

“O naturalismo como fundamento ético é desastroso para a sociedade a médio e a longo prazo e, por isso, é bom que o Presidente da República chame a atenção do Parlamento para que reveja alguns dos critérios para que os dois cônjuges sejam respeitados nas suas decisões e que os filhos sejam um elemento a ter em conta nas decisões pessoais”.

Carlos Azevedo sublinhou que a Igreja compreende que há situações difíceis para a vida das pessoas e que atingem muitas famílias, mas frisou que “o regime jurídico deve defender a unidade da família porque ela é um bem para a sociedade”.

 

 

FÁTIMA

 

CARDEAL IVÁN DIAS

COMO PEREGRINO

 

Na manhã de 23 de Agosto, em visita ao Santuário de Fátima, o Cardeal D. Ivan Dias, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, presidiu à Eucaristia das 12h30, celebrada na Capelinha das Aparições e na qual concelebraram o Núncio Apostólico em Portugal, os Bispos de Leiria-Fátima e de S. Tomé e Príncipe e vários sacerdotes.

 

“Estou muito contente de estar aqui mais uma vez em peregrinação. Estou aqui como peregrino de regresso da Madeira onde fui agradecer ao Senhor pelo dom da fé que os portugueses levaram à minha pátria (Índia) e ao mundo”, referiu no início da homilia o Cardeal, filho de pais goeses.

Ainda durante a homilia, o Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos disse que Fátima é “um lugar bendito onde apareceu Nossa Senhora” e sublinhou a importância não apenas de conhecer a história das aparições, mas sobretudo de reflectir sobre a mensagem que Maria deixou em Fátima e em outras aparições marianas.

“A mensagem de Fátima é válida ainda hoje, não só pela devoção mas para recordar que Ela (Maria) nos deu uma mensagem que temos de levar para casa e reflectir nela. As aparições têm um desígnio de Deus. Desde Adão e Eva, começou a batalha entre o bem e o mal”, afirmou o Prelado exortando os presentes: “Temos que ter os olhos bem abertos para esta batalha, as forças do mal dão a impressão de querer vingar, mas, desde 1930 (Medalha Milagrosa) que Nossa Senhora tem vencido”.

O Cardeal disse que os três inimigos do Maligno (do Diabo) são o Espírito Santo, S. Miguel Arcanjo e Nossa Senhora, e sublinhou que Maria “veio pedir-nos para convertermos a nossa vida individual”, mas que “isso não basta”, há que rezar, há que pedir pelos que “ao redor de nós não conhecem Deus”, daí a importância da oração ensinada em Fátima pelo Anjo, de seguida rezada por D. Ivan Dias: “Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam".

 

Um peregrino entre os peregrinos

 

A presença de D. Ivan Dias em Fátima marcou sobretudo pela cordialidade e pela simplicidade com que o Cardeal se apresentou como mais um peregrino entre os muitos peregrinos que aqui se encontravam.

Após uma visita guiada pelo Bispo e pelo Reitor do Santuário aos principais espaços da Igreja da Santíssima Trindade, nomeadamente à Igreja propriamente dita e às capelas anexas, aos espaços das confissões e ao Convívio de Santo Agostinho, onde se encontram patentes as exposições “Fátima no mundo” e “Francisco o amigo de Jesus Escondido”, D. Ivan Dias pediu para visitar o túmulo da Irmã Lúcia, na Basílica do Santuário.

Durante o caminho até à Basílica, pelo Recinto, o Cardeal cumprimentou os peregrinos que a ele se dirigiram, abençoou objectos religiosos, saudou crianças, e aceitou, sempre com um sorriso, tirar fotografias com quem lho solicitou.

Ele próprio também pediu para lhe tirarem uma fotografia em especial, junto da estátua do falecido Papa João Paulo II, no exterior da Igreja da Santíssima Trindade. “Ele que reze por nós”, afirmou enquanto tocava no monumento com a mão direita, um gesto repetido diariamente pelos peregrinos de Fátima.

D. Ivan Dias disse gostar muito de peregrinar a Fátima e a todos os lugares de aparições de Nossa Senhora e recordou que este ano cumpre 50 anos de sacerdócio, precisamente a 8 de Dezembro, Dia da Imaculada Conceição.

Foi também comovente, após a visita ao túmulo da Irmã Lúcia, ver este Cardeal do Vaticano, com algumas dificuldades de mobilidade, fazer, de joelhos, o percurso à volta da Capelinha das Aparições. “Faço sempre isto quando aqui venho e hoje também o quero fazer”, afirmou este peregrino, que de seguida se juntou a outros que, de joelhos, rezavam a Nossa Senhora.

Após a Eucaristia, D. Ivan Dias recebeu a surpresa da visita de um casal amigo, Pinto da França. Amizades feitas na Indonésia, quando o agora Cardeal trabalhava na Nunciatura e Pinto da França era Encarregado de Negócios na Embaixada de Portugal, reforçadas mais tarde quando Pinto da França se tornou Embaixador de Portugal na Santa Sé.

 

 

FÁTIMA

 

II CONGRESSO

MISSIONÁRIO NACIONAL

 

Dez anos depois do Ano Missionário, no Ano do Espírito Santo, em 1998, teve lugar durante estes primeiros dias de Setembro de 2008, no Santuário de Fátima, o Congresso Missionário Nacional.

 

Sob o lema “Portugal, vive a Missão, rasga horizontes”, esta iniciativa de formação, informação, celebração e partilha pretendeu fomentar e fortalecer a vivência da dimensão missionária da Igreja em Portugal e teve representadas todas as dioceses portuguesas, para além de algumas participações do estrangeiro, num total de 800 pessoas.

No dia do encerramento, 7 de Setembro, o Padre Tony Neves, porta-voz do Congresso, teceu um balanço positivo desta acção, promovida em primeira instância pela Conferência Episcopal Portuguesa. O sacerdote destacou o elevado número de participantes e as três grandes novidades apresentadas em termos do programa do Congresso.

Em primeiro lugar, e por a Igreja viver o Ano Paulino, foi exibido um filme sobre a vida e a missão do apóstolo missionário S. Paulo. Outro aspecto novo neste congresso foi o envolvimento de todas as dioceses em um workshop de partilha de experiências e, a terceira novidade foi a realização de um concerto jovem, por um grupo da Diocese de Aveiro, momento bastante participado, onde esteve em destaque a música de missão.

No Recinto de Oração do Santuário de Fátima, D. José Policarpo presidiu à Eucaristia de encerramento do Congresso Missionário Nacional. Sintetizando o verdadeiro sentir de todos aqueles que trabalham para a Igreja como missionários em Portugal e no mundo, o Cardeal Patriarca de Lisboa sublinhou que “evangelizar é anunciar o amor, com amor” e que Maria nos pode ajudar “a anunciar Cristo com amor”.

“Toda a missão, na Igreja, se resume a isso: anunciar o amor infinito com que Deus ama todos os homens e que exprime, de forma total e radical, no Seu Filho Jesus Cristo e no amor com que nos amou, ao dar a vida por nós. A missão é o anúncio desse amor, procura levar todos os homens a sentirem-se amados: amados porque perdoados; amados porque convidados para novos horizontes de liberdade; amados porque sentiram um sentido novo na vida, um novo horizonte de esperança. Ao sentirem-se amados, os seus corações abrem-se para o amor a Deus e aos irmãos”.

 

 

PORTALEGRE

 

NOVO BISPO

 

O Santo Padre nomeou Bispo da Diocese de Portalegre-Castelo Branco D. Antonino Eugénio Fernandes Dias, de 59 anos, até ao presente Bispo Auxiliar de Braga.

 

A Diocese de Portalegre-Castelo Branco ficou sem Bispo a 8 de Janeiro deste ano, aquando da nomeação de D. José Alves como Arcebispo de Évora, ficando a desempenhar funções de Administrador apostólico da Diocese.

Antonino Eugénio Fernandes Dias, nasceu a 15 de Dezembro de 1948, no concelho de Monção. Estudou nos Seminários arquidiocesanos de Braga, onde foi ordenado em 1974. Estagiou e permaneceu cerca de três anos na Redacção do jornal Diário do Minho. Em 1975, foi nomeado pároco de Santa Marta de Portuzelo, em Viana do Castelo, onde exerceu intensa actividade pastoral e social.

Depois do desmembramento da diocese de Viana do Castelo, em 1983 foi nomeado Reitor do Seminário Diocesano, em Monção. Aqui promoveu as Jornadas Teotonianas que ainda se realizam e foi convidado a assumir outros cargos diocesanos que manteve até à nomeação episcopal.

Tendo frequentado, em 1981 e 1982, enquanto pároco, o Instituto Superior de Teologia de Braga, veio a licenciar-se no ano lectivo de 1990/91 na já Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa.

Foi Pró-Vigário Geral da Diocese de Viana do Castelo; Vigário Episcopal para o Clero, Seminário e Vocações; Reitor do novo Seminário Diocesano, em Viana do Castelo; Director do Secretariado Diocesano da Pastoral Vocacional; Mestre de Cerimónias da Sé Catedral; Juiz do Tribunal Eclesiástico; Professor na Escola Superior de Teologia e Ciências Humanas do Instituto Católico de Viana do Castelo; Assistente Regional do Corpo Nacional de Escutas (CNE); Assistente Regional da Associação Guias de Portugal; membro do Conselho Episcopal, do Conselho Presbiteral, do Conselho Diocesano de Pastoral, do Colégio de Consultores Diocesanos; e dedicou grande parte do seu tempo a outros campos da actividade pastoral da Diocese.

Em 10 de Novembro do ano 2000, foi nomeado, pelo Santo Padre João Paulo II, Bispo Auxiliar do Arcebispo de Braga, recebendo a ordenação episcopal em 21 de Janeiro de 2001, na igreja de São Domingos, em Viana do Castelo.

Durante a sua estadia em Braga, procurou conhecer a realidade das comunidades portuguesas no estrangeiro, tendo visitado algumas em França, Suíça, Alemanha e Inglaterra.

Participou no Congresso e Encontro Mundial de Famílias com o Santo Padre, em Valência (Espanha), de 1 a 9 de Julho de 2006, e nas Jornadas Mundiais da Juventude, em Sydney (Austrália), como bispo catequista, de 15 a 20 de Julho de 2008.

Dentro da Conferência Episcopal, pertenceu à Comissão Episcopal do Clero, Seminário e Vocações, e, presentemente, faz parte da Comissão Episcopal do Laicado e Família.

Celebração Litúrgica deseja ao Bispo que parte da nossa cidade um fecundo ministério episcopal na sua nova missão.

 

 

FÁTIMA

 

ANÁLISE DA

CONFERÊNCIA EPISCOPAL

 

O Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) reuniu-se no passado dia 9 de Setembro em Fátima, onde reflectiram sobre “o avanço da regulamentação da Concordata e a boa vontade do Governo em terminar estes dossiers nos vários campos em que estão abertos” – disse aos jornalistas D. Carlos Azevedo, secretário da CEP.

 

No caso concreto das prisões, o prelado afirma que tem “havido várias dificuldades na nomeação de novos capelães” para esta área da pastoral.

Na próxima Assembleia Plenária da CEP, que decorrerá em Novembro, o bispo anunciou que serão debatidos dois documentos: “um sobre a escola e outro sobre a questão das crianças”. D. Carlos Azevedo anunciou também que foi constituído “um grupo de trabalho para a revisão dos organismos da CEP”.

Em relação à onda de criminalidade que assolou o país nos últimos tempos, o secretário da CEP salienta que os bispos se mostraram preocupados com a situação que teve grande impacto no mês de Agosto. E avança: “Esperemos que seja passageira.” O agravamento das condições sociais poderão estar relacionadas com o aumento da criminalidade. No entanto, os bispos pensam que esses fenómenos “estão mais relacionados com uma crise profunda de princípios de vida”.

A “delicadeza” da lei do divórcio também foi analisada. “O que nos preocupa nesta questão é a instituição do matrimónio como algo que é positivo para a sociedade, mas estas leis fragilizam-no cada vez mais”.

 


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