OPINIÃO

No 40º aniversário da «Humanae Vitae»

 

«Eu Te bendigo, ó Pai...» Assim Jesus agradeceu ao eterno Pai a compreensão que deu aos humildes e simples das verdades salvadoras do Homem.

De facto é mesmo profundamente desconcertante verificar mais uma vez as vozes dissonantes, diria mesmo, ignorância e alguma altivez com que alguns falam de coisas tão sérias! Vem isto a propósito dos 40 anos da publicação da célebre Encíclica «Humanae Vitae», que na altura da sua primeira edição, já tinha provocado tanta reacção por parte de alguns «iluminados». Como explicar tanta reacção a documentos tão sérios da Igreja por parte de quem se diz pertencer à mesma Igreja? Como explicar tanta celeuma? Vejo a resposta nas palavras de Jesus: «Bendito sejas, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque revelaste aos pequeninos os mistérios do reino». Mt 11, 25.

Os 40 anos passados sobre esta Encílica comprovam a sua oportunidade. Os divórcios existentes, a falta de filhos, a degradação moral de tantas mulheres, a infertilidade com que algumas lutam, a divulgação de certas doenças que tanto preocupam a humanidade na hora actual, não estarão a reclamar a urgência da divulgação da doutrina desta Encíclica? A sua mensagem lembra que o amor conjugal é um amor plenamente humano, isto é, sensível e espiritual; o amor conjugal é total, é dádiva mútua, o amor conjugal é fiel, exclusivo, até á morte; e é fecundo, está ordenado para a procriação e educação dos filhos. E desta riqueza profunda de verdadeiro amor  humano, surgirá não só a felicidade e bem-estar pessoal e de toda a família, mas também a abertura e disponibilidade generosa e alegre da mesma em prol de toda a sociedade.

Se há ainda tanta gente que desconhece estes objectivos e importância, tal fica a dever-se também, em grande parte, à falta da sua divulgação e necessária explicação por parte daqueles que tinham e têm obrigação de o fazer, e, em vez disso, ainda propagam as tais dúvidas, desconfianças e incertezas acerca da mesma.

Como fiel cristão, sei que o Santo Padre goza de uma assistência muito especial do Divino Espírito Santo, quando fala em matéria de fé e de costumes, com a autoridade que Jesus lhe conferiu. Por isso, longe de mim estar a querer comparar os seus ensinamentos com os de um qualquer outro possível teólogo ou moralista, por mais competente que pareça ser. Além disso, tenho a grata e enriquecedora experiência de ter dado assistência a centenas de Cursos de Planeamento Familiar, há mais de 30 anos. Tal experiência deu-me conhecimentos que não posso nem devo ocultar. Sinto mesmo urgente necessidade de , mais uma vez, os divulgar. Peço desculpa da franqueza e clareza com que o vou fazer, pois julgo tratar-se de algo muito, muito sério, e mesmo muito importante.

O relativismo moral que alguns tentam por todos os meios divulgar em matérias tão sensíveis e de tão grande alcance, pode ter repercussões verdadeiramente desastrosas para toda a sociedade. Basta ver como já se encontra a pobre Europa em número de nascimentos e na divulgação tristíssima de tantas doenças ligadas também e sobretudo à promiscuidade sexual vigente.

Tenho a alegria de poder comunicar a quem o desconhece, que sei haver milhares de casais espalhados por todo o mundo e também em Portugal, a seguir as orientações desta maravilhosa Encíclica e que o fazem com muito proveito espiritual e material. Deus-Pai e a sua Igreja só desejam verdadeiras e estáveis alegrias para os seus filhos. Fugir do plano amoroso do Senhor, é afastar-se da verdadeira felicidade. A Encíclica aponta caminhos amorosos de Deus.

A publicação da «Humanae Vitae» não é fruto de uma noite porventura mal passada de Paulo VI. É sim fruto de muita oração, de muita coragem e de um grande impulso do Divino Espírito Santo, que a todos muito ama. Está introduzida a causa de canonização deste grande Papa. Esta Encíclica surge já como um grande milagre do seu pontificado.

Vencendo tanta orientação errada, os casais que têm participado nos Cursos de Planeamento Familiar, quase sempre começam por se apresentar de «pé atrás», com bastantes desconfianças, motivadas pelas tais orientações erradas até então recebidas. À maneira que o Curso avança e sobretudo depois da sua conclusão e vivência, temos escutado os mais gratos e encorajadores desabafos: «Mas como foi possível andar enganado tanto tempo?» «Que pena ter descoberto isto tão tarde», dizia uma senhora casada há 15 anos... etc, etc,

A Igreja tem razão. Contrariar as leis naturais é estragar a obra de Deus. E aqui, é no que de mais belo e perfeito nos deixou. O próprio prazer sexual que Deus sonhou e quis que existisse nos casados ao colaborar com a obra maravilhosa da Criação, é, dizem eles, com toda a sinceridade, profundamente diferente para melhor, quando se põem de parte os meios anticonceptivos artificiais.

De salientar que os métodos naturais são igualmente válidos e possíveis para todas as mulheres, quer tenham ou não ciclos regulares. Todos os casos, por mais estranhos que pareçam, estão previstos. O método é seguro. Já em 1988, o Senhor D. António Marcelino, lembrava que a validade de tais métodos naturais estava reconhecida pela Organização Mundial de Saúde. Quem não deve gostar deles são os que vivem e fazem grandes fortunas à sombra da venda dos materiais anticonceptivos, que fazem da mulher e do homem objectos para ser utilizado e, tantas vezes, abusado, pelos homens.

Quem diz ou julga estar a defender as mulheres ao colocar-se contra a «Humanae Vitae», está profundamente enganado. Dizia alguém que esta Encíclica deveria ser publicada só depois de auscultar os casais. Mas que casais? Os que ainda vivem no engano? Seriam cegos a guiar outros cegos. Pelo contrário, podemos garantir, se tal fosse possível fazer essas perguntas àqueles que já estão a viver o matrimónio como Deus o pensou e quer, esses “iluminados” seriam proibidos de andar e divulgar tanta confusão e convidados a exercer outra profissão.

Os métodos naturais contribuem para o aumento do verdadeiro amor conjugal, para a saúde física e psicológica do casal, para uma cada vez maior intimidade e consequente garantia de fidelidade mútua, para a felicidade do lar com grande repercussão nos filhos, que ficam radiantes com a alegria dos pais. Com o método natural, os casais podem ter uma verdadeira paternidade consciente e responsável, pois terão só os filhos que quiserem, quando quiserem e até se podem dar ao luxo de escolher o sexo dos filhos que querem gerar, colaborando com o plano amoroso de Deus. Como é lindo descobrir as leis divinas da natureza!

Mesmo a recorrer apenas a estes métodos naturais, os casais só o deverão fazer no caso de limitação de nascimentos, por motivos verdadeiramente necessários. Deus, Nosso Senhor, autor do matrimónio, a todos pede generosidade, também na aceitação dos filhos. A comprovar este Seu desejo divino está o facto de muitos santos e heróis serem filhos de famílias numerosas.

 

Estes métodos são também válidos para a solução de casos julgados de infertilidade.

Além do acto sexual ser de indiscutível melhor qualidade, como atrás foi afirmado, estatisticamente está comprovado ser possível mais frequente do que quando se recorre aos métodos anticonceptivos artificiais. Concretamente o uso da pílula contribui para grande indiferença e por vezes verdadeira repulsa por parte da mulher, a qual fica em pouco tempo, sem apetência sexual. Algumas descreveram, por sua iniciativa, nos cursos já citados, as artimanhas a que por vezes tinham de lançar mão (a passar a ferro, noite dentro, etc.) para se libertarem de serem tão frequentemente incomodadas pelos maridos. Por mera ignorância, estes, as tratavam como meros objectos. De facto, os métodos artificiais são caminho para ter a mulher como uma coisa e não como uma pessoa, com a mesma dignidade do homem.

É urgente dignificar e libertar a mulher. A «Humanae Vitae» leva a essa verdadeira dignificação.

Os Cursos de Planeamento Familiar estão abertos a toda a gente. Para crentes e não crentes e a todos os graus de cultura. Está em jogo apenas ser feliz. É com muita alegria e esperança quando neles se inscrevem e frequentam pessoas ligadas ao campo da saúde, isto é médicos e enfermeiros. No final temos recebido deles testemunhos maravilhosos. Que pena, muitos deles, não virem devidamente informados de suas Escolas! Seria óptimo que todos os casais, ligados à pastoral, Senhores Padres e até alguns Senhores Bispos, que porventura ainda desconheçam os métodos naturais de planeamento familiar, frequentassem estes Cursos, para poderem falar deles com mais convicção e entusiasmo. Foi como Sacerdote que, um dia, num deles, felizmente, também participei.

Estes Cursos, que são fáceis, têm a duração aproximada de seis sessões de duas horas (=12 horas) e têm o horário escolhido pelos participantes. Quem se desejar inscrever ou saber mais informações, a Diocese a que pertenço, poderá dirigir-se ao Dr. José Sousa Oliveira Marinho e Esposa – Rua Francisco Pereira Coutinho, 25 – 2º Esq. 4700-384 BRAGA ou servir-se do e.mail: sedc.braga@gmail.com

Os casais formadores destes cursos de planeamento familiar natural, que por vezes com tanto sacrifício e despesa se desdobram para orientar aqueles que aceitam participar nos mesmos, precisam sentir mais empenho por parte de quem tem responsabilidade moral em Portugal. Agradecem muito as palavras sempre claras do Senhor D. António Marcelino, Bispo-Emérito de Aveiro, D. Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz e ora Presidente da CEP, do Senhor D. Jacinto, Bispo de Lamego, do Senhor D. Joaquim Gonçalves, Bispo de Vila Real, de Monsenhor Domingos Silva Araújo, do Senhor Professor Doutor Daniel Serrão, Catedrático em Medicina, que connosco tem colaborado, e outros cientistas portugueses e estrangeiros como a Doutora MichèleGuy, Médica Ginecologista, Fundadora da Acção Familiar, a Doutora Úrsula Sottonh, investigadora e Médica Ginecologista, Doutora FrançoisePinguet, Medica Ginecologista, Formadora e Conselheira, etc.

 

 

 

Padre António Alves Moreno

Assistente Diocesano do S.E.D.C. da Arquidiocese de Braga

N. B. O S. E. D. C. (Serviço de Entrajuda e Documentação Conjugal), do qual sou Assistente, tem Estatutos, pelos quais se rege, aprovados pela Conferência Episcopal Portuguesa, em Assembleia Plenária, no dia 10 de Abril de 1991.

 

 


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