Natividade da Virgem Santa Maria

8 de Setembro de 2004


Festa


RITOS INICIAIS


Cântico de entrada: Nasceu a Virgem Maria, F. da Silva, NCT 630


Antífona de entrada: Exultemos de alegria no Senhor, ao celebrar o nascimento da Virgem Santa Maria, da qual nasceu o sol da justiça, Cristo nosso Deus.


Diz-se o Glória


Introdução ao espírito da Celebração


Em comunhão com toda a Igreja, celebramos hoje a festa do nascimento de Nossa Senhora. Nasce Aquela que há-de dar à luz o Salvador do mundo. A festa da Natividade é um convite à vida escondida com Maria, humilde serva e generosa colaboradora no plano da Redenção.


Oração colecta: Dai, Senhor, aos vossos servos o dom da graça celeste e fazei que a festa do nascimento da bem-aventurada Virgem Maria, cuja maternidade divina foi o princípio da nossa salvação, aumente em nós a unidade e a paz. Por Nosso Senhor...



Liturgia da Palavra


Primeira Leitura


Monição: Os profetas anunciaram que o Salvador havia de nascer de uma virgem. Miqueias fala de Belém a cidade onde deverá nascer.

Ou

S. Paulo enche-nos de alegria: Deus concorre em tudo para o nosso bem!


Miqueias 5, 1-4a

Eis o que diz o Senhor: 1«De ti, Belém-Efratá, pequena entre as cidades de Judá, de ti sairá aquele que há-de reinar sobre Israel. As suas origens remontam aos tempos de outrora, aos dias mais antigos. 2Por isso Deus os abandonará até à altura em que der à luz aquela que há-de ser mãe. Então voltará para os filhos de Israel o resto dos seus irmãos. 3Ele se levantará para apascentar o seu rebanho pelo poder do Senhor, pelo nome glorioso do Senhor, seu Deus. Viver-se-á em segurança, porque ele será exaltado até aos confins da terra. 4aEle será a paz».


Em face da situação grave que pesava sobre o povo com as invasões assírias, no século VIII a. C., o Profeta tem palavras de esperança: após a ruína virá a restauração, que se fará por meio de um descendente de David. A profecia projecta-nos para um futuro de segurança e de paz, para os tempos messiânicos.

1 «De ti sairá aquele…» Tanto a tradição judaica como a cristã (cf. Rut 4, 11; 1 Sam 16, 1-13; 17, 12; Mt 2, 4-6; Jo 7, 42) entenderam esta profecia como referida ao lugar do nascimento de Cristo em Belém. «Beth-léhem» significa «casa do pão»; «Efratá» (fecunda) distingue-a dum outra Belém, na Galileia.

«Pequena entre as cidades…» S. Mateus (Mt 2, 6) cita este texto fazendo dele uma leitura actualizada para mostrar que em Jesus se cumpre a profecia. Para isso serviu-se de um recurso próprio da hermenêutica judaica (chamado al-tiqrey: «não leias»); tendo em conta que em hebraico não se escreviam as vogais, as consoantes da palavra hebraica com que se diz «as cidades de» – alfey – é lida com outras vogais de modo a significar «as principais (príncipes) de»: al-lufey. É assim que Mateus pode dizer, não falseando o texto, mas interpretando-o: «não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá».

«As suas origens remontam...» A expressão hebraica presta-se a designar uma origem anterior ao tempo, portanto, eterna e divina. Assim pensam muitos exegetas católicos, recorrendo à analogia com Is 9, 5.

2 «Aquela que há de ser mãe». Esta maneira de falar faz pensar numa alusão à célebre profecia de Isaías 7, 14, conhecida dos destinatários do oráculo, coisa aliás compreensível, uma vez que já teriam passado uns anos. Na leitura cristã deste texto é fácil de ver uma alusão à Mãe de Jesus.

4 «Ele será a Paz». Em Ef 2, 14 parece haver uma citação desta passagem messiânica.


Em vez da leitura precedente, pode utilizar-se a seguinte:


Romanos 8, 28-30

Irmãos: 28Nós sabemos que Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam, dos que são chamados, segundo o seu desígnio. 29Porque os que Ele de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que Ele seja o Primogénito de muitos irmãos. 30E àqueles que predestinou, também os chamou àqueles que chamou, também os justificou e àqueles que justificou, também os glorificou.


Estas breves e incisivas palavras são das mais belas sínteses paulinas e estão na linha dos ensinamentos centrais de Rom: a confiança mais absoluta em Deus, que há-de levar a cabo a obra já começada de salvar os seus fiéis. É certo que S. Paulo admite noutras passagens a possibilidade de que estes não se venham a salvar; mas, se isso vier a suceder, não pode ser por uma falha de Deus, mas apenas por uma atitude plenamente deliberada do homem resgatado. A nossa esperança é firmíssima (cf. Rom 5, 5.10), porque temos dentro de nós o próprio Espirito que vem em ajuda da nossa fraqueza, intercedendo por nós com gemidos inefáveis (cf. Rom 8, 26), e Deus Pai ouve esta intercessão, porque está plenamente conforme com Ele mesmo (v. 27). Além disso, por uma Providência amorosíssima, «Deus concorre, em tudo para o bem daqueles que O amam» (v. 28).

29-30 O desígnio salvador de Deus é aqui explicitado em cinco etapas (já explicitadas noutras passagens): Deus «conheceu-nos de antemão» (olhou-nos com amor); «predestinou-nos para sermos conformes à imagem do seu Filho» (a sermos um só com Cristo); «chamou-nos»; «justificou-nos»; «glorificou-nos». É certo que a glória ainda não nos foi dada (cf. vv. 17-18), mas já a podemos considerar adquirida (daí o emprego do «aoristo proléptico»), dada a nossa intima união a Cristo já glorificado.


Salmo Responsorial Sl 12 (13), 6ab.6cd (R. Is 61,10)


Monição: Este Salmo é um convite à alegria. Alegremo-nos todos no Senhor, celebrando a festa do nascimento da Virgem Maria.


Refrão: Exulto de alegria no Senhor.


Eu confiei na vossa bondade,

o meu coração alegra-se com a vossa salvação.


E cantarei ao Senhor

pelo bem que me fez.



Aclamação ao Evangelho


Monição. Jesus nasce num determinado país, numa cidade conhecida, numa família cujas origens remontam a Abraão, o pai dos crentes.


Aleluia


Sois ditosa, ó Virgem Santa Maria, sois digníssima de todos os louvores,

porque de Vós nasceu o sol da justiça, Cristo, nosso Deus.


Cântico: Aleluia Gregoriano



Evangelho *

Nota de rodapé

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.


Forma longa: São Mateus 1, 1-16.18-23; forma breve: São Mateus 1, 18-23

[1Genealogia de Jesus Cristo, Filho de David, Filho de Abraão: 2Abraão gerou Isaac. Isaac gerou Jacob, Jacob gerou Judá e seus irmãos. 3Judá gerou, de Tamar, Farés e Zara, Farés gerou Esrom Esrom gerou 4Arão, Arão gerou Aminadab, Aminadab gerou Naasson Naasson gerou Salmon. 5Salmon gerou, de Raab, Booz Booz gerou, de Rute, Obed, Obed gerou Jessé 6Jessé gerou o rei David. David, da mulher de Urias, gerou Salomão, 7Salomão gerou Roboão, Roboão gerou Abias, Abias gerou Asa, 8Asa gerou Josafat, Josafat gerou Jorão, Jorão gerou Ozias, 9Ozias gerou Joatão, Joatão gerou Acaz, Acaz gerou Ezequias, 10Ezequias gerou Manasses, Manassés gerou Amon, Amon gerou Josias, 11Josias gerou Jeconias e seus irmãos, ao tempo do desterro de Babilónia. 12Depois do desterro de Babilónia, Jeconias gerou Salatiel, Salatiel gerou Zorobabel, 13Zorobabel gerou Abiud, Abiud gerou Eliacim, Eliacim gerou Azor, 14Azor gerou Sadoc, Sadoc gerou Aquim, Aquim gerou Eliud, 15Eliud gerou Eleazar, Eleazar gerou Matã, Matã gerou Jacob. 16Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo.]

18O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. 19Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. 20Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». 22Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do profeta, que diz: 23«A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’».


«Genealogia de Jesus Cristo, Filho de David»: É este o cabeçalho da genealogia humana de Jesus com que se inicia o Evangelho de Mateus. Este título é para apresentar Jesus como o descendente por excelência de David, o Messias, segundo as promessas de Deus. São três grupos de 14 gerações, a partir de Abraão, o pai do povo eleito, com nomes tomados fundamentalmente de Crónicas ou Paralipómenos, até Zorobabel, ignorando-se quais as fontes para os restantes nomes, nomes que não coincidem com os de Crónicas, nem com os da tábua genealógica de Lucas. A genealogia obedece claramente a uma intencionalidade teológica. O número 14, três vezes repetido, uma cifra que não corresponde a todos os elos que ligam Jesus a Abraão, parece querer insinuar que não estamos perante uma casualidade, à maneira duma capicua, mas perante algo preestabelecido por Deus, um desígnio misterioso de Deus, que envia o seu Filho à terra «quando chegou a plenitude dos tempos» (Gal 4, 4); de facto, o número 14 é um símbolo de plenitude, pois equivale ao número perfeito, 7, multiplicado por dois.

16 «Gerou... Foi gerado.» Esta lista tripartida evidencia que S. José não é pai de Jesus segundo a carne, pois de cada um daqueles homens da lista genealógica se diz «gerou» (egénesen), e não se diz o mesmo de José relativamente a Jesus: «Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus». Este verbo, «nasceu», no original grego é uma forma passiva impessoal, «foi gerado» (egenêthe), correspondendo este passivo (passivum divinum) a uma forma corrente de se referir a Deus como sujeito duma acção, sem ter de pronunciar o seu nome inefável, dado o respeito que se Lhe deve. Sendo assim, a expressão «da qual foi gerado Jesus» é equivalente a esta: «da qual Deus gerou Jesus».

Mas pode perguntar-se: então porque se põe José na ascendência de Jesus, não sendo pai no sentido biológico (cf. v. 18)? É que é pai de Jesus «por constituição de Deus» (A. Diez Macho): «trata-se duma paternidade que afecta o nascimento, mas não a geração»; é Deus que introduz José na família de Jesus levando-o a vencer o temor reverencial de receber Maria como esposa (v. 21) e encarrega-o de pôr o nome ao Menino, o que era uma função do pai (v. 24). Estamos assim perante uma verdadeira paternidade, superior à carnal, pois é estabelecida ou constituída por Deus. S. Mateus pretende demonstrar que Jesus é o Messias e, portanto, Filho de David, embora não descenda biologicamente dele. Isto é realçado pelo emprego duma técnica deráxica (actualização de textos bíblicos anteriores), chamada «gematriá» (jogo de números a partir das letras correspondentes): nesta lista genealógica, aparece o número 14 repetido 3 vezes, um número sublinhado no v. 17; e tanto o número 14 como o nome David se escrevem com as mesmas consoantes hebraicas (DVD = 4+6+4).

18 «Antes de terem vivido em comum»: Maria e José já tinham celebrado os esponsais (erusim), que tinham valor jurídico de um matrimónio, mas ainda não tinham feito as bodas solenes (nissuim ou liqquhim), em que o noivo trazia festivamente a noiva para sua casa, o que costumava ser cerca de um ano depois.

«Encontrava-se grávida por virtude do Espírito Santo»: isto conta-se em pormenor no Evangelho de S. Lucas (1, 26-38), lido na festa da Imaculada Conceição (ver comentário então feito). Ao dizer-se «por virtude do Espírito Santo», não se quer dizer que o Espírito Santo desempenhou o papel de pai, pois Ele é puro espírito. Também isto nada tem que ver com os relatos mitológicos dos semideuses, filhos dum deus e duma mulher. Além do mais, é evidente o carácter semítico e o substrato judaico e vétero-testamentário das narrativas da infância de Jesus em Mateus e Lucas; ora, nas línguas semíticas a palavra «espírito» (rúah) não é masculina, mas sim feminina. Isto chegava para fazer afastar toda a suspeita de dependência do relato relativamente aos mitos pagãos. Por outro lado, na Sagrada Escritura, Deus nunca intervém na geração à maneira humana, pois é espiritual e transcendente: Deus não gera, Deus cria. As narrativas de Mateus e Lucas têm tal originalidade que excluem qualquer dependência dos mitos, coisa totalmente contrária à verdade da Revelação divina.

19 «Mas José, seu esposo…» Partindo do facto real e indiscutível da concepção virginal de Jesus, aqui apresentamos uma das muitas explicações dadas para o que se passou, dado que não dispomos da crónica dos factos, pois a intenção do Evangelista era primordialmente teológica, embora sem inventar histórias, pois em face dos dados das suas fontes nem sequer disso precisava. Do texto parece depreender-se que Maria nada tinha revelado a José do mistério que nela se passava. José vem a saber da gravidez de Maria por si mesmo ou pelas felicitações do paraninfo (o «amigo do esposo»), e o que devia ser para José uma grande alegria tornou-se o mais cruel tormento. Em circunstâncias idênticas, qualquer outro homem teria actuado drasticamente, denunciando a noiva ao tribunal como adúltera. Mas José era um santo, «justo», por isso, não condenava ninguém sem ter as provas da culpa. E aqui não as tinha. A sua serenidade e rectidão levam-no a não se precipitar. Ele conhece a virtude extraordinária de Maria e sabe que ela não podia ter falhado, não admitindo sequer a mais leve suspeita acerca dela. O que José pensa é que estava perante algo sobrenatural, divino; ouvira talvez contar em família o que se passou na visita de Maria a Isabel, se é que ele não esteve mesmo ali; poderia mesmo ter tido uma iluminação acerca da profecia de Isaías que falava duma virgem que havia de dar à luz e ela mesma impor o nome ao seu filho, onde, portanto, não parecia haver lugar para homem algum. É então que José pensa deixar Maria, para não se intrometer num mistério em que não lhe competia ter parte alguma. É assim que «resolveu repudiá-la em segredo», evitando cuidadosamente «difamá-la» (colocá-la numa situação infamante) ou simplesmente «tornar público» («deigmatísai») o mistério messiânico.

20 «Não temas receber Maria, tua esposa». O Anjo sabe que José não admite qualquer dúvida acerca da virtude de Maria, por isso, não diz: «não desconfies», mas: «não temas». José devia andar amedrontado com algo de divino e misterioso que pressentia: julga-se indigno de Maria e decide não se imiscuir num mistério que o transcende. Como explica S. Bernardo, S. José «foi tomado dum assombro sagrado perante a novidade de tão grande milagre, perante a proximidade de tão grande mistério, que a quis deixar ocultamente... José tinha-se, por indigno...».

23 «Será chamado Emanuel». No original hebraico temos o verbo no singular (forma aramaica para a 3ª pessoa do singular feminino: weqara’t referido a virgem, que é a que põe o nome = «e ela chamará»). Mateus, porém usa o plural (kai kalésousin: «e chamarão»), um plural de generalização, a fim de que o texto possa ser aplicado a S. José, para pôr em evidência a missão de S. José, como pai «legal» de Jesus (a própria profecia de Isaías 7, 14, ao dizer que seria a virgem a pôr o nome ao seu filho até se presta a significar que este não nasceria de germe paterno). Mateus, em face do papel providencial desempenhado por S. José, não receia adaptar o texto à realidade maravilhosa muito mais rica do que o simples anúncio profético. Contudo, esta técnica do Evangelista para «actualizar» um texto antigo (o chamado deraxe), não é arbitrária, pois baseia-se na regra hermenêutica rabínica chamada al-tiqrey (quer dizer, «não leias»), que consiste em não ler um texto consonântico com umas vogais, mas com outras (o hebraico escrevia-se sem vogais). Neste caso, trata-se de «não ler» as consoantes do verbo (wqrt) com as vogais que correspondem à forma feminina (tanto da 3ª pessoa do singular na forma aramaica, como da 2ª pessoa do singular como os LXX traduziram: weqara’t «e tu chamarás»), mas trata-se de ler com as vogais que correspondem à 2ª pessoa do singular masculino (weqara’ta «e tu chamarás» – lembrar que em hebraico há diferentes formas masculina e feminina para as 2ª e 3ª pessoas dos verbos). Como pensa Alexandre Díez Macho, «com este deraxe oculto, mas real, Mateus confirma as palavras do anjo do Senhor no v. 21: «e (tu, José) o chamarás».


Sugestões para a homilia


Abraão, Isaac, David, José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus.

Tamar, Raab, Rute, Betsabé, esposa de Urias.

Abraão, Isaac, David, José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus.

Hoje celebramos a festa da natividade de Nossa Senhora. A Liturgia escolheu a primeira página do Evangelho de S. Mateus: Genealogia de Jesus Cristo... Origem! Génesis. Uma nova criação que começa. S. Paulo fala de Jesus como o novo Adão, pois Jesus é o Primogénito da nova humanidade.

A Bíblia conta-nos a história desta longa lista de pessoas, algumas ilustres e bem conhecidas, como os antigos patriarcas e os reis de Israel. Jesus não é fruto de um acaso. Tem uma linhagem. Tem um povo. Tem uma família, tem uma origem concreta. Ele é verdadeiramente o Filho do Homem. Viveu a nossa condição humana, em tudo igual a nós, excepto no pecado. Com Jesus nasce uma nova humanidade, mas que tem as suas raízes mergulhadas no coração dos homens de todos os tempos e lugares.

Tamar, Raab, Rute, Betsabé, esposa de Urias.

Numa lista com tantos nomes masculinos, aparecem também algumas mulheres. Não são ilustres, mas pecadoras. Por exemplos: Raab, a meretriz. Betsabé, a mulher de Urias, que cometeu adultério com o rei David. Rute é estrangeira e pagã. Que ensinamento nos quer oferecer o Evangelho?

Maria aparece no final da genealogia: Jacob gerou a José esposo de Maria da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo, o Messias. Jesus é o Salvador que vem oferecer gratuitamente a Redenção a todos os povos, a toda a humanidade. Esta é a finalidade real desta longa genealogia: afirmar que Jesus é o Messias, o Filho de David, o desejado de todo o povo de Israel. Tudo é graça! Bem podemos alegrar-nos com S. Paulo: Deus concorre em tudo para o bem dos que são chamados, segundo o seu desígnio. (Rom 8, 28)

Maria entra no Evangelho como aquela que há-de dar à luz. Assim se cumpre a profecia de Miqueias, indicando o tempo e o lugar e o início de uma nova era: de Belém-Efratá há-de nascer Aquele que reinará sobre Israel. Assim começa a salvação messiânica.

O nascimento da Virgem Maria é a aurora da Redenção, brilhante farol da madrugada que anuncia o novo Dia! A Mãe preanuncia o Filho. A luz da aurora anuncia o nascimento do verdadeiro Sol, a verdadeira Luz que ilumina todo o homem que vem a este mundo, dirá S. João.


Oração Universal


Irmãos e irmãs:

Ao celebrarmos o nascimento de Nossa Senhora

Que deu ao mundo a Cristo Salvador,

Invoquemos o nosso Deus, dizendo:

Senhor, abençoai o vosso povo.



1. Pelos pastores da Santa Igreja para que continuem a Obra da Redenção

com fidelidade e perseverança,

oremos.


2. Pelo povo de Israel,

para que pela intercessão de Maria de Nazaré

chegue a descobrir em Jesus o Messias prometido,

oremos.


3. Pelos noivos que se preparam para o matrimónio

e por todas as famílias,

oremos.


4. Pelas mulheres que estão prestes a ser mães,

para que encontrem na ternura dos maridos

a recompensa de seus trabalhos e aflições,

oremos.


5. Pelas crianças recém-nascidas

e pelos que celebram hoje o seu aniversário natalício,

oremos.


Senhor, ouvi as preces do vosso povo

que celebra a festa do nascimento da Santíssima Virgem Maria e

enriquecei-o com os dons da vossa graça.

Por Jesus Cristo, nosso Senhor.



Liturgia Eucarística


Cântico do ofertório: Ó Santíssima, M. Faria, NRMS 33-34


Oração sobre as oblatas: Venha, Senhor, em nosso auxílio o vosso Filho feito homem: Ele, que ao nascer da Virgem Maria, não diminuiu, antes consagrou a integridade de sua Mãe, nos purifique das nossas culpas e Vos torne agradável a nossa oblação. Por Nosso Senhor.


Prefácio de Nossa Senhora I [na natividade : p. 486 [644-756] ou II, p. 4 7


Santo: F. dos Santos, NCT 84


Monição da Comunhão


O nascimento da Mãe de Deus aumenta em nós alegria de agora comungarmos Jesus, o Verbo que se fez carne, no seu seio imaculado.


Cântico da Comunhão: Como é suave Senhor, M. Luis, NRMS 36

Is 7, 14; Mt 1, 21

Antífona da comunhão: A Virgem dará à luz um Filho, que salvará o povo dos seus pecados.


Cântico de acção de graças: Exulta de alegria no Senhor, M. Carneiro, NRMS 21


Oração depois da comunhão: Exulte a vossa Igreja, Senhor, alimentada por estes santos mistérios, na festa do nascimento da Virgem Santa Maria que foi para o mundo inteiro esperança e aurora da salvação. Por Nosso Senhor.



Ritos Finais


Monição final


Com a liturgia de hoje contemplemos o nascimento da Virgem Maria:

«Cantem e exultem todas as criaturas e participem na alegria deste dia. Hoje é o dia em que o Criador do universo edificou o seu templo. Hoje é o dia em que a criatura prepara uma nova morada para o seu Criador. Hoje nasce a Virgem Maria. Será amamentada e crescerá, preparando-se deste modo para ser a Mãe de Deus!» Santo André de Creta, L.H. 8 Setembro.


Cântico final: Avé Maria, farol do mar, Az. Oliveira, NRMS 73-74



Homilias Feriais


5ª feira, 9-IX: A ‘regra de ouro’ da caridade.

1 Cor 8, 1-7. 11-13 / Lc 6, 27-38

Vós, porém, amai os vossos inimigos, fazei bem e emprestai, sem nada esperar em troca.

Tal como o Senhor nos indica, o preceito da caridade não se estende apenas àqueles que nos querem e tratam bem, mas a todos, sem excepção. O pedido de Jesus exige não só um comportamento humano recto, mas também virtudes heróicas.

A caridade é o ‘vínculo da perfeição’ e a ‘forma’ de todas as virtudes (cf. CIC, 1827). Procuremos aplicar sempre a regra de ouro ensinada pelo Senhor: «A ‘regra de ouro’ é: tudo quanto quiserdes que os homens vos façam, fazei-lho, de igual modo, vós também (cf. Ev. do dia)» (CIC, 1789).


6ª feira, 10-IX: Humildade e serviço.

1 Cor 9, 16-19. 22-27 / Lc 6, 39-42

Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e então verás bem para tirares o argueiro que o teu irmão tem na dele.

Diz S. Paulo: «Fiz-me tudo para todos, a fim de ganhar alguns por todos os meios» (Leit.). Um dos modos concretos pode ser viver a virtude da humildade, que nos torna capazes de perdoar, de compreender e de ajudar; que nos leva a descobrir primeiro os erros e os defeitos que há em nós próprios e conduzem à compreensão dos defeitos alheios.

Ao fazer-se tudo para todos, o Apóstolo imita o próprio Cristo que, por nós, tomou a ‘forma de servo’: não veio para ser servido, mas para servir.


Sábado, 11-IX: A Eucaristia, ‘rocha’ da vida cristã.

1 Cor 10, 14-22 / Lc 6, 43-49

Vou mostrar-vos a quem se assemelha todo aquele que vem ter comigo, ouve as minhas palavras e as põe em prática.

A vida de um cristão, que procura seguir Cristo, por palavras e por obras, não costuma cair, porque deve estar edificada sobre o cumprimento da vontade de Deus (cf. Ev.). Há-de estar apoiada no cumprimento dos pequenos deveres que constituem a vida de todos os dias, na aceitação das contrariedades habituais.

A casa edificada sobre rocha é também a vida de um cristão apoiada na Eucaristia: «Pela Comunhão, a Igreja é consolidada igualmente na sua unidade do corpo de Cristo. A este efeito unificador alude S Paulo quando diz aos Coríntios: ‘o pão que partirmos não é a comunhão do Corpo de Cristo?...’ (Leit. do dia)» (Ig. Da Eucaristia, 23).







Celebração e Homilia: José Roque

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Homilias Feriais: Nuno Romão

Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha


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