Nossa Senhora do rosário

7 de Outubro de 2008

 

Memória

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Rainha do Santíssimo Rosário, S. Marques, NRMS 86

cf. Lc 1, 28.42

Antífona de entrada: Avé, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois Vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O império otomano, de confissão religiosa maometana, ameaçava novamente a cristandade na Europa. Ameaçavam conquistar Roma e entrar, a cavalo, na Basílica de S. Pedro.

Perante o gravíssimo perigo que ameaçava a Europa cristã, os príncipes aliaram-se e enfrentaram-nos na batalha de Lepanto, infligindo-lhes pesada derrota, apesar da superioridade numérica dos navios (286 naus contra 208 otomanas) e do vento contrário.

Agradecidos pela ajuda recebida do Alto, os venezianos mandaram gravar a seguinte inscrição: «Nem as tropas, nem as armas, nem os comandantes, mas a Virgem Maria do Rosário é que nos deu a vitória».

Enquanto os cristãos combatiam no estreito de Lepanto, muitos outros, por toda a Europa rezavam o terço, pedindo ajuda ao Céu.

S. Pio V instituiu neste dia, como gesto de acção de graças, a festa – hoje memória obrigatória – de Nossa Senhora do Rosário.

Não procedemos apenas a uma comemoração histórica. Lourdes, Fátima e outras manifestações de Nossa Senhora ensinam-nos que a melhor arma para vencer os assaltos do Inimigo das Trevas é o Terço. 

 

Acto penitencial

 

Nas batalhas do espírito, muitas vezes nos colocamos ingenuamente do lado do demónio, deixando-o tomar posse de nós pelo pecado ou, pelo menos, tornando-o mais forte com os nossos desleixos e incongruências entre a fé e a vida.

Peçamos humildemente perdão ao Senhor das nossas fragilidades e, com a Sua ajuda, prometamos emenda de vida.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

  Para a nossa omissão preguiçosa da reza do Terço,

     devoção filial tão recomendada por Nossa Senhora,

     Senhor, misericórdia!

 

     Senhor, misericórdia!

 

  Para as nossas distracções não combatidas na oração,

     quando rezamos com os lábios e o coração distante,

     Cristo, misericórdia!

 

     Cristo, misericórdia!

 

  Para a falta de coerência entre a oração e a vida,

     quando omitimos todo o esforço para amar a Deus,

     Senhor, misericórdia!

 

Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Infundi, Senhor, a vossa graça em nossas almas, para que nós, que, pela anunciação do Anjo, conhecemos a encarnação de Cristo, vosso Filho, pela sua paixão e morte na cruz e com a intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, alcancemos a glória da ressurreição. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Autor dos Actos dos Apóstolos – o Espírito Santo – julgou importante para nossa formação dizer-nos que Maria estava no Cenáculo, com a Igreja nascente, depois da Ascensão de Jesus, como Mãe e Mestra da oração.

Aprendamos com Ela a rezar bem e peçamos-lhe que nos ensine a rezar bem o Terço.

 

Actos 1, 12-14

Depois de Jesus ter subido ao Céu, os Apóstolos voltaram para Jerusalém, descendo o monte chamado das Oliveiras, que fica perto de Jerusalém, à distância de uma caminhada de sábado. Quando chegaram à cidade, subiram para a sala de cima, onde se encontravam habitualmente. Estavam lá Pedro e João, Tiago e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zeloso, e Judas, irmão de Tiago. Todos estes perseveravam unidos em oração, em companhia de algumas mulheres, entre as quais Maria, Mãe de Jesus.

 

Quando deixa de ter visibilidade a pessoa de Jesus, a sua Mãe ocupa um lugar digno de nota, logo na oração da Igreja nascente. Com Ela os primeiros que seguiram a Cristo, esperam o Espírito Santo, perseverando, «unidos em oração». Note-se também a importância dada à lista dos Apóstolos e como em todas as quatro listas que aparecem no N. T. Pedro é constantemente o cabeça de lista, embora estas não contenham os nomes sempre na mesma ordem.

 

Salmo Responsorial    Lc 1, 46-47.48-49.50-51.52-53.54-55 (R. Lc 1, 49)

 

Monição: Depois da saudação de Isabel e dos louvores que esta lhe dirige, Maria entoa o Magnificat, um canto de alegria, de humildade e acção de graças. Aprendamos com Ela a rezar com esta disposição interior.

 

Refrão:         O Senhor fez em mim maravilhas:

                      santo é o seu nome.

 

Ou:                Bendita sejais, ó Virgem Maria,

                      que trouxestes em vosso ventre o Filho do eterno Pai.

 

A minha alma glorifica o Senhor,

e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.

 

Porque pôs os olhos na humildade da sua serva,

de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações.

O todo-poderoso fez em mim maravilhas:

Santo é o seu nome.

 

A sua misericórdia se estende de geração em geração

sobre aqueles que O temem.

Manifestou o poder do seu braço

e dispersou os soberbos.

 

Derrubou os poderosos de seus tronos

e exaltou os humildes.

Encheu de bens os famintos

e aos ricos despediu de mãos vazias.

 

Acolheu Israel, seu servo,

lembrado da sua misericórdia,

como tinha prometido a nossos pais,

a Abraão e à sua descendência para sempre.

 

 

Aclamação ao Evangelho          Lc 1, 28

 

Monição: O Evangelho conta-nos com toda a simplicidade o grande acontecimento da Anunciação do Arcanjo e incarnação da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.

Cantemos, agradecidos, ao Senhor, por este grande mistério que nos é revelado.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS10 (II)

 

Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco

bendita sois Vós entre as mulheres.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1, 26-38

Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José. O nome da Virgem era Maria. Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril porque a Deus nada é impossível». Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor faça-se em mim segundo a tua palavra».

 

A cena da Anunciação, narrada com toda a simplicidade, tem uma singular densidade, pois encerra o mistério mais assombroso da História da Salvação, a Incarnação do Filho eterno de Deus. Assim, a surpresa do leitor transforma-se em encanto e deslumbramento. O próprio paralelismo dos relatos lucanos do nascimento de João e de Jesus, revestem-se dum contraste deveras significativo: à majestade do Templo e grandiosidade de Jerusalém contrapõe-se a singeleza duma casa numa desconhecida e menosprezada aldeia de Galileia; ao afã dum casal estéril por ter um filho, a pureza duma virgem que renunciara à glória de ser mãe; à dúvida de Zacarias, a fé obediente de Maria!

26 «O Anjo Gabriel». O mesmo que anunciou a Zacarias o nascimento de João. Já era conhecido o seu nome no A.T. (Dan 8, 16-26; 9, 21-27). O seu nome significa «homem de Deus» ou também «força de Deus».

28 Coadunando-se com a transcendência da mensagem, a tripla saudação a Maria é absolutamente inaudita:

«Ave»: Vulgarizou-se esta tradução, correspondente a uma saudação comum (como ao nosso «bom dia»; cf. Mt 26, 49), mas que não parece ser a mais exacta, pois Lucas, para a saudação comum usa o semítico «paz a ti» (cf. Lc 10, 5); a melhor tradução é «alegra-te» – a tradução literal do imperativo do grego khaire –, de acordo com o contexto lucano de alegria e com a interpretação patrística grega, não faltando mesmo autores modernos que vêem na saudação uma alusão aos convites proféticos à alegria messiânica da «Filha de Sião» (Sof 3, 14; Jl 2, 21-23; Zac 9, 9).

Ó «cheia de graça»: Esta designação tem muita força expressiva, pois está em vez do nome próprio, por isso define o que Maria é na realidade. A expressão portuguesa traduz um particípio perfeito passivo que não tem tradução literal possível na nossa língua: designa Aquela que está cumulada de graça, de modo permanente; mais ainda, a forma passiva parece corresponder ao chamado passivo divino, o que evidencia a acção gratuita, amorosa, criadora e transformante de Deus em Maria: «ó Tu a quem Deus cumulou dos seus favores». De facto, Maria é a criatura mais plenamente ornada de graça, em função do papel a que Deus A chama: Mãe do próprio Autor da Graça, Imaculada, concebida sem pecado original, doutro modo não seria, em toda a plenitude, a «cheia de graça», como o próprio texto original indica.

«O Senhor está contigo»: a expressão é muito mais rica do que parece à primeira vista; pelas ressonâncias bíblicas que encerra, Maria é posta à altura das grandes figuras do Antigo Testamento, como Jacob (Gn 28, 15), Moisés (Ex 3, 12) e Gedeão (Jz 6, 12), que não são apenas sujeitos passivos da protecção de Deus, mas recebem uma graça especial que os capacita para cumprirem a missão confiada por Ele.

Chamamos a atenção para o facto de na última edição litúrgica ter sido suprimido o inciso «Bendita es tu entre as mulheres», pois este não aparece nos melhores manuscritos e pensa-se que veio aqui parar por arrasto do v. 42 (saudação de Isabel). A Neovulgata, ao corrigir a Vulgata, passou a omiti-lo.

29 «Perturbou-se», ferida na sua humildade e recato, mas sobretudo experimentando o natural temor de quem sente a proximidade de Deus que vem para tomar posse da sua vida (a vocação divina). Esta reacção psicológica é diferente da do medo de Zacarias (cf. Lc 1, 12), pois é expressa por outro verbo grego; Maria não se fecha no refúgio dos seus medos, pois n’Ela não há qualquer espécie de considerações egoístas, deixando-nos o exemplo de abertura generosa às exigências de Deus, perguntando ao mensageiro divino apenas o que precisa de saber, sem exigir mais sinais e garantias como Zacarias (cf. Lc 1, 18).

32-33 «Encontraste graça diante de Deus»: «encontrar graça» é um semitismo para indicar o bom acolhimento da parte dum superior (cf. 1 Sam 1, 18), mas a expressão «encontrar graça diante de Deus» só se diz no A. T. de grandes figuras, Noé (Gn 6, 8) e Moisés (Ex 33, 12.17). O que o Anjo anuncia é tão grandioso e expressivo que põe em evidência a maternidade messiânica e divina de Maria (cf. 2 Sam 7, 8-16; Salm 2, 7; 88, 27; Is 9, 6; Jer 23, 5; Miq 4, 7; Dan 7, 14).

34 «Como será isto, se Eu não conheço homem?» Segundo a interpretação tradicional desde Santo Agostinho até aos nossos dias, tem-se observado que a pergunta de Maria careceria de sentido, se Ela não tivesse antes decidido firmemente guardar a virgindade perpétua, uma vez que já era noiva, com os desposórios ou esponsais (erusim) já celebrados (v. 27). Alguns entendem a pergunta como um artifício literário e também «não conheço» no sentido de «não devo conhecer», como compete à Mãe do Messias (cf. Is 7, 14). Pensamos que a forma do verbo, no presente, «não conheço», indica uma vontade permanente que abrange tanto o presente como o futuro. Também a segurança com que Maria aparece a falar faz supor que José já teria aceitado, pela sua parte, um matrimónio virginal, dando-se mutuamente os direitos de esposos, mas renunciando a consumar a união; nem todos os estudiosos, porém, assim pensam, como também se vê no recente e interessante filme Figlia del suo Figlio.

35 «O Espírito Santo virá sobre ti…». Este versículo é o cume do relato e a chave do mistério: o Espírito, a fonte da vida, «virá sobre ti», com a sua força criadora (cf. Gn 1, 2; Salm 104, 30) e santificadora (cf. Act 2, 3-4); «e sobre ti a força do Altíssimo estenderá a sua sombra» (a tradução litúrgica «cobrirá» seria de evitar por equívoca e pobre; é melhor a da Nova Bíblia da Difusora Bíblica): o verbo grego (ensombrar) é usado no A. T. para a nuvem que cobria a tenda da reunião, onde a glória de Deus estabelecia a sua morada (Ex 40, 34-36); aqui é a presença de Deus no ser que Maria vai gerar (pode ver-se nesta passagem o fundamento bíblico para o título de Maria, «Arca da Aliança»).

«O Santo que vai nascer…». O texto admite várias traduções legítimas; a litúrgica, afasta-se tanto da da Vulgata, como da da Neovulgata; uma tradução na linha da Vulgata parece-nos mais equilibrada e expressiva: «por isso também aquele que nascerá santo será chamado Filho de Deus». I. de la Potterie chega a ver aqui uma alusão ao parto virginal de Maria: «nascerá santo», isto é, não manchado de sangue, como num parto normal. «Será chamado» (entenda-se, «por Deus» – passivum divinum) «Filho de Deus», isto é, será realmente Filho de Deus, pois aquilo que Deus chama tem realidade objectiva (cf. Salm 2, 7).

38 «Eis a escrava do Senhor…». A palavra escolhida na tradução, «escrava» talvez queira sublinhar a entrega total de Maria ao plano divino. Maria diz o seu sim a Deus, chamando-se «serva do Senhor»; é a primeira e única vez que na história bíblica se aplica a uma mulher este apelativo, como que evocando toda uma história maravilhosa de outros «servos» chamados por Deus que puseram a sua vida ao seu serviço: Abraão, Jacob, Moisés, David… É o terceiro nome com que Ela aparece neste relato: «Maria», o nome que lhe fora dado pelos homens, «cheia de graça», o nome dado por Deus, «serva do Senhor», o nome que Ela se dá a si mesma.

«Faça-se…». O «sim» de Maria é expresso com o verbo grego no modo optativo (génoito, quando o normal seria o uso do modo imperativo génesthô), o que põe em evidência a sua opção radical e definitiva, o seu vivo desejo (matizado de alegria) de ver realizado o desígnio de Deus (M. Orsatti).

 

Sugestões para a homilia

 

• Aprendamos a rezar com Maria

Em união com a Igreja

Em união com a Igreja

Tendo Maria como Mestra

• O Terço, diálogo com Maria

Encontro com a Mãe

Ouvir a Palavra de Deus

Abrir o coração à luz da graça

 

O Rosário – coroa de rosas, como as coroas de flores que oferecem como gesto de carinho as pessoas de algumas ilhas do Pacífico – ajuda-nos a ter sempre diante dos olhos a vida de Jesus: a Infância (mistérios gozosos), a vida pública (mistérios luminosos), vida dolorosa (mistérios dolorosos) e a vida gloriosa (mistérios gloriosos).

É como que, ao colo da nossa Mãe, A ouvíssemos contar-nos a história de Jesus e nos ensinasse a aplicá-la à nossa vida.

1. Aprendamos a rezar com Maria

a) Em união com a Igreja. «Depois de Jesus ter sido levado para o Céu, os Apóstolos vieram para Jerusalém[...].»

Logo após a Ascensão do Senhor, os Apóstolos regressaram ao Cenáculo – lugar de tantas recordações – para aí se preparem para a vinda do Espírito Santo. Cumpriam uma ordem de Jesus: que não abandonassem Jerusalém para evangelizar o mundo sem terem recebido o prometido do Pai – o Espírito Santo.

Está a Igreja toda reunida. Quando rezamos o Terço, estamos em comunhão com toda a Igreja:

com as recomendações de Nossa Senhora (em Lourdes, em Fátima e noutras aparições);

as indicações e estímulos dos Sumos Pontífices que escreveram muitos documentos sobre ele; 

os santos da Igreja. Não se conhece nenhum que tenha prescindido desta devoção.

 

b) Com recolhimento. «Quando chegaram, subiram ara a sala de cima, onde se tinham instalado

Para rezar bem o Terço é preciso recolher-se. Como se trata de um diálogo filial com Maria, comecemos por nos recordarmos que estamos na sua presença. Que sentido faria encadear Ave-Marias com o pensamento a vaguear por longe?

Temos necessidade de eliminar todas as distracções de dependem do nosso querer. Podemos rezá-lo pela rua, conduzindo o transporte ou mesmo trabalhando, se o tipo de trabalho o permite.

Para nos mantermos atentos podemos lançar mão de ajudas diversas: meditar os mistérios, imaginando o quadro do Evangelho que nos propomos e tornando-nos um dos personagens da cena meditada; pedir uma graça em cada mistério; ou seguir o sentido das palavras, sublinhando em cada mistério uma frase ou petição em especial.

Quando sobrevém a distracção fazemos um esforço para retomar a atenção, com a certeza de que Nossa Senhora ficará contente connosco. (Também o jovem enamorado que faz uma serenata debaixo da janela da sua amada, não consegue estar atento a todas as palavras que vai cantando; mas a sua presença ali é a melhor prova de amor).

 

c) Tendo Maria como Mestra. «Todos estes se entregavam assiduamente à oração, numa só alma, com [...] Maria, Mãe de Jesus

Com Maria, aprendemos a rezar cada vez melhor o nosso Terço. Ela nos ensinará o sentido profundo do Pai Nosso, da Ave Maria e do Glória ao Pai.

Em Lourdes, enquanto Santa Bernardette desfiava as contas do Terço, Nossa Senhora sorria; quando rezava o Glória ao Pai, Ele tomava um ar recolhido e inclinava a cabeça nesta homenagem à Santíssima Trindade; e no Pai Nosso acompanhava a pequena vidente.

Em Fátima esperava delicadamente que os Pastorinhos terminassem a rezar desta oração, para se manifestar.

Ela contar-nos-á a história terrena e gloriosa de Jesus de que foi testemunha directa e explicar-nos-á o sentido de cada acontecimento.

São de João Paulo II estas reflexões: «A contemplação de Cristo tem em Maria o seu modelo insuperável. O rosto do Filho pertence-lhe sob um título especial. Foi no seu ventre que Se plasmou, recebendo d'Ela também uma semelhança humana que evoca uma intimidade espiritual certamente ainda maior. À contemplação do rosto de Cristo, ninguém se dedicou com a mesma assiduidade de Maria. Os olhos do seu coração concentram-se de algum modo sobre Ele já na Anunciação, quando O concebe por obra do Espírito Santo; nos meses seguintes, começa a sentir sua presença e a pressagiar os contornos. Quando finalmente O dá à luz em Belém, também os seus olhos de carne podem fixar-se com ternura no rosto do Filho, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura (cf. Lc 2, 7).» (Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariæ, nº 10).

2. O Terço, diálogo com Maria

a) Encontro com a Mãe. «Seis meses depois [...], foi o Anjo Gabriel enviado por Deus [...] a uma Virgem [...].»

O Arcanjo dialoga com Maria. Ela escuta atentamente as suas palavras, pensa no sentido da mensagem e pergunta aquilo que ainda não compreendeu. De algum modo, podemos imaginar que procede assim para connosco.

Tomemos consciência, logo desde o primeiro momento, e mesmo antes de começar a reza do Terço, de que estamos na presença da nossa Mãe, como os Apóstolos no cenáculo, Bernardette em Lourdes e os Pastorinhos de Fátima.

Não podemos conceber que estejamos a conversar com Maria sem que Ela nos contemple com carinho, nos sorria complacente e esteja atenta ao que lhe dizemos, ao mesmo tempo que – à semelhança do que acontece com as mães deste mundo – o seu coração pulsa mais apressado quando lhe falamos.

 

b) Ouvir a Palavra de Deus. «Ela perturbou-se e ficou a pensar no que seria aquela saudação

O Rosário é o «compêndio do Evangelho», na feliz expressão de João Paulo II (cf. Rosarium Virginis Mariæ, nº 18).

Percorremos, em contemplação, os passos da vida de Jesus. Dos vinte mistérios, dezoito referem-se directamente à vida de Cristo e dois à glorificação da Sua e nossa Mãe.

«O Rosário, precisamente a partir da experiência de Maria, é uma oração marcadamente contemplativa. Privado desta dimensão, perderia sentido, como sublinhava Paulo VI: «Sem contemplação, o Rosário é um corpo sem alma e a sua recitação corre o perigo de tornar-se uma repetição mecânica de fórmulas e de vir a achar-se em contradição com a advertência de Jesus: «Na oração não sejais palavrosos como os gentios, que imaginam que hão-de ser ouvidos graças à sua verbosidade» (Mt 6, 7). Por sua natureza, a recitação do Rosário requer um ritmo tranquilo e uma certa demora a pensar, que favoreçam, naquele que ora, a meditação dos mistérios da vida do Senhor, vistos através do Coração d'Aquela que mais de perto esteve em contacto com o mesmo Senhor, e que abram o acesso às suas insondáveis riquezas» (Paulo VI, Exortação Marialis cultus, nº 156).

 

c) Abrir o coração à luz da graça. «Maria disse então: 'Eis a serva do Senhor, faça-se em Mim segundo a tua palavra'

A reza do Terço há-de levar-nos à conversão pessoal, à modificação da nossa vida. Foi nele que muitos santos encontraram o caminho da santidade.

È com esta mesma disponibilidade que Nossa Senhora manifesta ao Arcanjo na Anunciação e toda a sua vida que havemos de rezar o nosso Terço. È à «força» de rezar Terços que havemos de ganhar coragem para fazer o que o Senhor nos pede, para abraçar generosamente a cruz de cada dia.

Para responder às muitas perguntas que recebia, a Irmã Lúcia escreveu o livro Apelos da mensagem de Fátima. Entre as muitas dúvidas que lhe apresentaram, uma delas era por que razão Nossa Senhora recomendava a recitação do Terço e não a santa Missa ou a Liturgia das Horas. Com toda a simplicidade, respondeu que muitas pessoas – pela idade, pela distância ou por qualquer outro motivo – não podiam participar na santa Missa todos os dias. Muitos nem sequer ao domingo o podem fazer. A Liturgia das Horas está vedada a muitas pessoas que não sabem ler. O Terço, sendo uma oração tão rica, está acessível a todas as pessoas. (cf. Cap 12).

Compreenderemos cada vez mais a importância do Terço na medida em que fizermos esforço para o rezar bem e pedirmos ajuda a Nossa Senhora.

 

Fala o Santo Padre

 

«Guiados pela Mãe celeste, fixamos o olhar no rosto do Redentor»

 

[…] No próximo dia 7 de Outubro veneraremos a Bem-Aventurada Virgem Maria com o título de Nossa Senhora do Rosário. O mês de Outubro é dedicado ao Santo Rosário, singular oração contemplativa com a qual, guiados pela celeste Mãe do Senhor, fixamos o olhar no rosto do Redentor, para sermos conformados com o seu mistério gozoso, luminoso, doloroso e glorioso. Esta antiga oração está a conhecer um florescimento providencial, graças também ao exemplo e ao ensinamento do amado Papa João Paulo II. Convido-vos a ler de novo a sua Carta apostólica Rosarium Virginis Mariae e a pôr em prática as indicações a nível pessoal, familiar e comunitário. […]

Bento XVI, Angelus, 2 de Outubro de 2005

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Maria foi escolhida para ser Mãe de Deus e nossa Mãe,

 conduzindo-nos a Jesus Cristo, nosso Redentor.

Cheios de confiança e docilidade filial, como em Caná,

apresentemos-lhe as necessidades e angústias de todos.

Oremos (cantando) com a confiança de filhos:

 

Pela vossa maternidade divina,

atendei, ó Mãe, a nossa prece!

 

1.  Para que na Igreja brilhe cada vez mais diante dos fieis

a doutrina sobre o valor da reza diária do nosso Terço,

oremos, irmãos.

 

Pela vossa maternidade divina,

atendei, ó Mãe, a nossa prece!

 

2.  Para que as famílias se reúnam com fidelidade e amor

na reza diária do Terço, como sinal de unidade fiel,

oremos, irmãos.

 

Pela vossa maternidade divina,

atendei, ó Mãe, a nossa prece!

 

3.  Para que muitas mãos se elevem ao Céu com o Terço,

implorando a paz e o amor para este mundo desorientado,

oremos, irmãos.

 

Pela vossa maternidade divina,

atendei, ó Mãe, a nossa prece!

 

4.  Para que, ao rezar o Terço aprendamos, com docilidade,

a seguir a vida de Cristo em cada passo da nossa vida,

oremos, irmãos.

 

Pela vossa maternidade divina,

atendei, ó Mãe, a nossa prece!

 

5.  Para que as almas dos fieis defuntos que são purificadas,

pela nossa reza assídua do Terço entrem na glória do Céu,

oremos, irmãos.

 

Pela vossa maternidade divina,

atendei, ó Mãe, a nossa prece!

 

Senhor, que por meio da Vossa e nossa Mãe,

nos indicais o Terço como caminho seguro

que nos levará às eternas alegrias do Paraíso:

ajudai-nos a rezá-lo e vivê-lo nesta vida,

para nos tornarmos dignos das Vossas promessas.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Na unidade do Espírito Santo.  

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução à Liturgia Eucarística

 

Na intimidade do Cenáculo, na noite de Quinta-feira santa, Jesus antecipou misteriosamente o que iria acontecer na tarde de Sexta-feira santa.

Este grande acontecimento do mistério pascal de Cristo é renovado sobre cada altar onde é celebrada a santa Missa.

Preparemos com um recolhimento profundo, para tomarmos parte neste grande acontecimento, o mistério da fé.

 

Cântico do ofertório: Tudo vos damos, M. Faria, NRMS 11-12

 

Oração sobre as oblatas: Tornai-nos dignos, Senhor, de Vos oferecer este santo sacrifício, de modo que, celebrando fervorosamente os mistérios do vosso Filho, mereçamos alcançar as suas promessas. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio de Nossa Senhora I [na festividade], p. 486 [644-756] ou II, p. 487

 

Santo: M. Simões, NRMS 50-51

 

Saudação da Paz

 

O Terço é a grande arma oferecida por Nossa Senhora para conquistarmos a paz entre as pessoas. Mas Deus não dispensa a nossa humilde colaboração, pedindo que sejamos generosos no perdão aos que nos ofenderam.

Manifestemos estes sentimentos com o rito litúrgico da paz.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

A cada um de nós diz Jesus como aos Apóstolos, no recolhimento do Cenáculo: «Tomai e comei!»

É o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, tão real e perfeitamente como está no Céu, que nos é oferecido a quem se preparou para O receber devidamente.

Acolhamos este divino convite com fé, amor e devoção.

 

Cântico da Comunhão: O meu espírito exulta, C. Silva, NRMS 38

 

Antífona da comunhão: O Anjo do Senhor disse a Maria: Conceberás e darás à luz um Filho e o seu nome será Jesus.

 

Cântico de acção de graças: Minha Senhora e minha Mãe, H. Faria, NRMS 33-34

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Senhor nosso Deus, que, ao anunciarmos neste sacramento a morte e a ressurreição do vosso Filho, O sigamos fielmente na sua paixão e mereçamos participar na alegria da sua glória. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Sejamos, a partir de agora, arautos de Nossa Senhora, recomendando a reza do Terço – do Rosário – como caminho para um mundo novo que o Senhor nos quer oferecer.

 

Cântico final: Caminhos de bênção, M. Faria, NRMS 10 (II)

 

 

Homilias Feriais

 

4ª Feira, 8-X: Misericórdia divina e mesquinhez humana.

Gal 2, 1-2. 7-14 / Lc 11, 1-4

Perdoai-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todo aquele que nos ofende.

Na oração do Pai-nosso estabelece-se uma relação entre o perdão que Deus nos concede e o perdão mútuo das nossas ofensas (cf Ev). Da parte de Deus não há contudo limite para o perdão (cf CIC, 2845). Representa um grande contraste com a nossa mesquinhez, pois muitas vezes não sabemos perdoar as coisas mais insignificantes.

S. Paulo revela uma grande magnanimidade. Tendo recebido da parte de Deus uma revelação, procurou pregar o Evangelho aos gentios e dispôs-se a cumprir essa missão, apesar das dificuldades (cf Leit)

 

5ª Feira, 9-X:A eficácia da oração e a Cruz.

Gal 3, 1-5 / Lc 11, 5-13

Mas, por causa da sua impertinência, levantar-se-á para lhe dar tudo o que precisa.

Esta é uma das três parábolas principais que S. Lucas nos oferece sobre a oração: a do amigo inoportuno (cf Ev). Somos convidados a fazer uma oração perseverante: «Batei e hão-de abrir-vos» (Ev).

O fruto da oração será tanto mais abundante se lhe acrescentarmos algum sacrifício, tendo presente o conselho de S. Paulo: «a vossos olhos, foi traçada a imagem de Cristo crucificado» (Leit). O Senhor não deixará de escutar os que permanecem perto da Cruz, como discípulos fiéis.

 

6ª Feira, 10-X: A defesa dos tesouros da fé.

Gal 3, 7-14 / Lc 11, 15-26

Quando um homem forte e bem armado guarda o seu palácio, os seus haveres estão em segurança.

Precisamos estar atentos, vigilantes, para podermos defender os tesouros (haveres) da nossa vida (cf Ev): a presença de Deus na nossa alma, o amor a Nossa Senhora, o amor limpo pelo próximo, etc. Jesus ajuda-nos, expulsando os demónios pelo dedo de Deus (a omnipotência divina).

É também necessária a vida de fé: «o justo viverá pela fé» (Leit). Pela fé obtemos a fortaleza de Deus e dispomos de uma armadura para combater o demónio, que provoca a semente da divisão: na família, no convívio social, etc.

Sábado, 11-X: A riqueza da Ave-Maria.

Gal 3, 22-29 / Lc 11, 27-28

Feliz daquela que te trouxe no seio e que te amamentou ao seu peito.

Nossa Senhora recebe um duplo louvor: duma mulher e de seu Filho Jesus: porque ouviu a palavra de Deus e a levou à prática (cf Ev).

Temos possibilidade de louvar igualmente a nossa Mãe, através das orações vocais, como a Ave-Maria, o Anjo do Senhor. Desta última lembramos as palavras d’Ela: «Faça-se em mim segundo a vossa palavra». Pelo seu Faça-se tornámo-nos filhos de Deus: «É que todos vós sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo» (Leit).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:              Fernando Silva

Nota Exegética:       Geraldo Morujão

Homilias Feriais:      Nuno Romão

Sugestão Musical:   Duarte Nuno Rocha

 


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