aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

O CARISMA ESPECIAL

DA “ORDEM DAS VIRGENS”

 

Bento XVI recebeu no passado dia 15 de Maio um grupo de 500 consagradas da “Ordem das Virgens”, que participavam no Congresso “A virgindade consagrada no mundo: um dom para a Igreja e na Igreja”.

 

O Papa recordou que a Ordem das Virgens “constitui uma expressão particular de vida consagrada, que refloresceu na Igreja depois do Concílio Vaticano II”; as suas raízes são antigas, “encontrando-se nos inícios da vida evangélica, quando o coração de algumas mulheres começou a abrir-se ao desejo da virgindade consagrada”.

Segundo o Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, Cardeal Franc Rodé, elas “representam milhares de outras irmãs suas que vivem na simplicidade e na humildade a sua consagração total ao Esposo das virgens, ao serviço da Igreja local”.

Bento XVI fez notar que, quando surgiu, este “carisma não se configurava com particulares modalidades de vida, mas foi-se depois institucionalizando, pouco a pouco, até chegar a uma verdadeira consagração pública e solene, conferida pelo Bispo mediante um sugestivo rito litúrgico que fazia da mulher consagrada a sponsa Christi, imagem da Igreja esposa”.

“O vosso ideal não exige, contudo, nenhuma especial mudança exterior. Normalmente, cada consagrada permanece no mesmo ambiente de vida. É um caminho que parece privado das características específicas da vida religiosa, sobretudo da obediência”. E explicou que este carisma supõe uma doação total a Cristo, que requer implicitamente a observância dos conselhos evangélicos. Uma regra de vida define o empenho que cada uma assume com o consentimento do Bispo, quer a nível espiritual quer existencial. Trata-se de caminhos pessoais.

O Santo Padre terminou animando a todas para que “a vossa vida seja um particular testemunho de caridade e sinal visível do Reino futuro”.

 

 

NOVOS MOVIMENTOS E

COMUNIDADES ECLESIAIS

 

No passado dia 17 de Maio, Bento XVI recebeu os Bispos participantes do Seminário de estudos sobre os novos Movimentos e comunidades eclesiais, promovido pelo Conselho Pontifício para os Leigos.

 

O Papa afirmou que “os Movimentos eclesiais e as novas comunidades são uma das novidades mais importantes suscitadas pelo Espírito Santo para a actuação do Concílio Vaticano II”, que se difundiram sobretudo nos anos imediatamente a seguir, acolhidos e encorajados por Paulo VI e João Paulo II.

Bento XVI renovou aos Bispos a exortação “de irem ao encontro dos Movimentos com muito amor”, o que levará a conhecer adequadamente a sua realidade, sem impressões superficiais ou juízos redutores. Eles “são um dom do Senhor, uma fonte preciosa para enriquecer com os seus carismas toda a comunidade cristã”. Aos pastores pede-se que os “acompanhem de perto, com paterna solicitude, de modo cordial e sapiente, para que possam generosamente pôr ao serviço do bem comum, de modo ordenado e fecundo, tantos dons que possuem: o afã missionário, os itinerários eficazes de formação cristã, o testemunho de fidelidade e obediência à Igreja, a sensibilidade às necessidades dos pobres, a riqueza de vocações”.

Como critério de autenticidade dos novos carismas, Bento XVI indicou a sua “disponibilidade a submeterem-se ao discernimento da autoridade eclesiástica”. A quem toca a responsabilidade de discernir os carismas, Bento XVI deixou recomendações muito concretas: “Quem está chamado a um serviço de discernimento e de guia não tenha a pretensão de se colocar acima dos carismas. Ao contrário, preserve-se do risco de os sufocar e resista à tentação de uniformizar aquilo que o Espírito Santo quis multiforme, para concorrer à edificação do único Corpo de Cristo, que o próprio Espírito torna firme na unidade”.

 

 

REAFIRMADO O IMPEDIMENTO

AOS HOMOSSEXUAIS

 

Uma carta do Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Tarcísio Bertone, reafirma que as normas estabelecidas pela Congregação para a Educação Católica na Instrução sobre os critérios de discernimento vocacional em relação às pessoas de tendências homossexuais antes da sua admissão ao Seminário e às Ordens sagradas, publicada a 4 de Novembro de 2005, é de aplicação universal e não tem excepções.

 

Num breve Rescripto - em resposta a várias consultas -, o Cardeal Bertone assinala que as normas estabelecidas em relação à selecção de candidatos ao sacerdócio pela Instrução, vale “para todas as casas de formação para o sacerdócio, incluídas aquelas que dependem dos Dicastérios para as Igrejas Orientais, para a Evangelização dos Povos e para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica".

Na Instrução de 2005, a Congregação para a Educação Católica, "de acordo com a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, acha necessário afirmar com clareza que a Igreja, respeitando profundamente as pessoas em questão, não pode admitir ao Seminário e às Ordens Sagradas a quem pratica a homossexualidade, ou apresenta tendências homossexuais profundamente enraizadas, ou apoia a assim chamada cultura gay".

 

 

CONTINUA O PROCESSO DE

BEATIFICAÇÃO DE JOÃO PAULO II

 

O Cardeal José Saraiva Martins, Prefeito da Congregação pela Causa dos Santos, recusou definir um prazo para a beatificação do falecido Papa João Paulo II.

 

"Não é possível fazer previsões de nenhum tipo porque faltam os dados de fundo", afirmou o Cardeal português, comentando as declarações do Pe. Slawomir Oder, postulador da causa, segundo o qual a beatificação poderia acontecer na Primavera de 2009.

O processo de canonização de João Paulo II teve início a 13 de Maio de 2005, poucos dias após a sua morte (2 de Abril de 2005), depois de Bento XVI ter dispensado do prazo canónico de cinco anos para a promoção da causa.

A instrução a nível diocesano, com tribunais em Roma e Cracóvia, encerrou-se a 2 de Abril de 2007, tendo depois começado a chamada etapa romana, para elaborar a positio, uma relação que recolhe toda a documentação existente no processo, com o mesmo Postulador, Pe. Slawomir Oder, que acaba de a entregar.

"O estudo de uma positio prevê muitas etapas que são, por exemplo, as investigações dos médicos, as investigações dos historiadores. É por isso que ninguém está em condições de estimar prazos, uma vez que ninguém pode prever quanto tempo demandará cada uma dessas fases no cumprimento de seus trabalhos", explicou o Cardeal Saraiva Martins.

"Obviamente que todos nós, e eu em particular, desejamos que a beatificação chegue rapidamente", concluiu o Cardeal português.

A prontidão na entrega da positio e as declarações do Prefeito da Congregação mostram o interesse e a seriedade com que a Igreja está a proceder com o processo de beatificação do Papa João Paulo II.

 

 

A CONVERSÃO DE S. PAULO

CELEBRADA EM 2009

 

Foi publicado o Decreto da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos em que se concede a celebração, de maneira extraordinária, da festa da Conversão de São Paulo no próximo ano de 2009, embora coincida com Domingo, em atenção ao Ano Paulino.

 

O Decreto traz a data de 25 de Janeiro passado. Em virtude das faculdades atribuídas por Bento XVI à Congregação, esta concede que, no dia 25 de Janeiro de 2009, embora seja o 3.º Domingo per annum, se possa celebrar em cada igreja uma (só uma) Missa da Conversão de São Paulo Apóstolo; a segunda leitura será a do Domingo e recita-se o Credo.

Deste modo, facilita-se a celebração litúrgica para se ganhar o jubileu do Ano Paulino fora de Roma, se assim for declarado pela autoridade eclesiástica competente.

 

 

DEFESA DOS DIREITOS DOS

MIGRANTES E ITINERANTES

 

Os governos devem rever atentamente as suas políticas migratórias, salienta o Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes.

 

No final da Assembleia plenária realizada em Roma, o Conselho Pontifício publicou as suas conclusões, onde parte do conceito de centralidade da família na sociedade e dos direitos humanos dos migrantes.

Garantir a unidade da família, para a Igreja católica significa tutelar, dum lado, os direitos humanos dos migrantes, e do outro, favorecer um comportamento recto e portanto a convivência pacífica nas sociedades de acolhimento.

Trata-se sobretudo dos migrantes sem documentos, ou irregulares, que deixam o próprio país sem o resto da família, com a intenção de enviar para casa remessas de dinheiro. Visto que representam um recurso para as sociedades onde trabalham, qualquer que seja o seu estatuto legal é seu direito que seja enfrentado o problema da separação familiar, temporária ou prolongada. Isto pode ser feito, antes de mais – lê-se no documento conclusivo - favorecendo a junção familiar nos países de acolhimento. Infelizmente, estes países estão a restringir cada vez mais tal possibilidade, e a negada unificação da família terá certamente efeitos a longo prazo.

O Conselho Pontifício tem na sua agenda um estudo sobre as consequências psicológicas e sociais da negada junção familiar e assegura o seu apoio àquelas Conferencias episcopais que, fiéis ao seu papel profético, fazem apelo aos próprios governos para que revejam atentamente as suas politicas migratórias. Além disso, é necessário estudar e preparar, tanto a nível internacional como nacional, um quadro jurídico que permita ás sociedades oferecer possibilidades reais de integração (que não significa assimilação) ou reinserção para aqueles que regressam, estabilidade e coesão social tanto para os autóctones, como para os itinerantes e imigrantes, com as suas famílias. Com este objectivo, é necessário envidar esforços para que a opinião pública tome consciência do facto de que a integração não é um processo em sentido único.

Por outro lado, a separação dos membros da família poderia ser enfrentado examinando as causas que estão na raiz das migrações, e o papel que o desenvolvimento pode desempenhar na procura das soluções.

Efectivamente, as pessoas têm o direito de emigrar para realizar o próprio bem-estar integral. A ajuda para um desenvolvimento legítimo é, portanto, indispensável também para realizar a paz e a harmonia a nível internacional. A Igreja, por seu lado, confirma o seu empenho no sentido de favorecer o diálogo intercultural e a assistência às famílias de emigrantes ou mistas, e de travar o tráfico de seres humanos.

Tudo isto, com a convicção de que os migrantes são pessoas com uma dignidade humana inalienável, prescindindo da sua nacionalidade, cultura ou condição legal. Os seus direitos humanos devem portanto ser respeitados.

 

 

IMPORTÂNCIA DA

REFLEXÃO FILOSÓFICA

 

Bento XVI sublinhou no passado dia 7 de Junho a importância da reflexão filosófica, “investindo energias intelectuais e nela envolvendo as novas gerações”.

 

O apelo foi lançado aos participantes no VI Simpósio europeu de Docentes universitários, que teve lugar em Roma nesse fim-de-semana, sobre o tema “Alargar os horizontes da racionalidade. Perspectiva para a Filosofia”, no décimo aniversário da Encíclica Fides et Ratio”, de João Paulo II.

Sublinhando a “urgência de relançar nas Universidades (e nas Escolas em geral) o estudo da Filosofia”, Bento XVI observou que este estudo tem o seu lugar no actual cenário histórico e cultural.

“A crise da modernidade não é sinónimo de declínio da filosofia”, sublinhou, referindo também que “a filosofia deve empenhar-se num novo percurso de investigação para compreender a verdadeira natureza dessa crise e identificar novas perspectivas”.

Segundo o Papa, quando “bem compreendida, a modernidade revela uma questão antropológica que se apresenta de um modo muito mais complexo e articulado do que o que acontecia nas reflexões filosóficas dos últimos séculos, sobretudo na Europa”.

Bento XVI encontra nos escritos de importantes pensadores contemporâneos uma reflexão honesta sobre as dificuldades que se contrapõem à resolução desta prolongada crise. “A abertura de crédito que esses autores propõem em relação às religiões e, em particular, ao cristianismo, é um sinal evidente do desejo sincero de fazer sair da auto-suficiência a reflexão filosófica”.

Como escreveu na Encíclica Spe salvi, o Papa destacou que “o cristianismo não é apenas uma mensagem informativa, mas performativa”, ou seja, “não se pode encerrar a fé cristã no mundo abstracto das teorias; há que situá-la numa experiência histórica concreta que atinja o homem na mais profunda verdade da sua existência”.

“A proposta de alargar os horizontes da racionalidade não deve ser simplesmente incluída entre as novas linhas de pensamento teológico e filosófico, mas tem de ser compreendida como o pedido de uma nova abertura em direcção à realidade a que está chamada a pessoa humana na sua uni-totalidade, superando velhos preconceitos e reducionismos, para abrir-se assim o caminho em direcção a uma autêntica compreensão da modernidade”.

“O novo diálogo entre fé e razão que hoje se requer não pode ter lugar nos termos e modos do passado. Não se pode reduzir a um estéril exercício intelectual. Deve partir da actual situação concreta do homem, desenvolvendo sobre ela uma reflexão que recolha a verdade ontológica-metafísica do mesmo”.

 

 

O PRESIDENTE BUSH

NO VATICANO

 

O Presidente dos Estados Unidos da América, George W. Bush, foi recebido em audiência pelo Papa Bento XVI, no passado dia 13 de Junho, de modo singular.

 

Como explica o comunicado da Santa Sé, “para retribuir o acolhimento recebido pelo Papa durante a recente visita aos Estados Unidos, a audiência decorreu com um protocolo particular: o Santo Padre acolheu o Presidente Bush, acompanhado pela esposa Laura, e pela Embaixadora junto da Santa Sé, Mary Ann Glendon, à entrada da Torre de São João, nos jardins do Vaticano.

“Depois, Bento XVI e George Bush subiram ao escritório do Papa, no andar de cima, para o encontro privado. Entretanto, a esposa do Presidente e a Embaixadora americana estiveram com o Prefeito da Casa Pontifícia, Mons. James Michael Harvey, e seguidamente juntou-se-lhes o Secretário de Estado, Cardeal Tarcísio Bertone.

“No colóquio cordial, o Papa renovou a sua gratidão pelo caloroso e especial acolhimento recebido nos Estados Unidos da América e na Casa Branca, durante a sua viagem, no passado mês de Abril, e pelo empenho na defesa dos valores morais fundamentais. Falou-se depois dos principais temas de política internacional: as relações entre os Estados Unidos da América e a Europa, o Médio Oriente e o empenho pela paz na Terra Santa, a globalização, a crise alimentar e o comércio internacional, e a concretização dos objectivos do Milénio.

“No final do encontro, depois da troca de presentes, Bento XVI e o Presidente Bush deram um breve passeio nos jardins do Vaticano, até à Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, onde se reuniram com o restante séquito do Presidente, para ouvirem o coro da Capela Sistina”.

 

 

 

ENCONTRO CONJUNTO

ISLÂMICO-CATÓLICO

 

No final da reunião da Comissão Islâmico-Católica, efectuada no Vaticano de 11 a 13 de Junho passado, foi divulgado um comunicado da Santa Sé, com o acordo comum.

 

A Delegação católica era guiada pelo Cardeal Jean-Louis Tauran, presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Interreligioso, enquanto a Delegação islâmica era guiada pelo Prof. Hamid bin Ahmad Al-Rifaie, Presidente do Fórum Internacional Islâmico para o Diálogo.

O encontro era subordinado ao tema “Cristãos e muçulmanos, testemunhas do Deus da justiça, da paz e da compaixão num mundo que sofre a violência”, e foi examinado numa perspectiva religiosa, segundo os ensinamentos das duas tradições religiosas..

O comunicado refere os cinco pontos do acordo:

1. Da intrínseca dignidade de todo o ser humano, derivam direitos e deveres.

2. A justiça é uma prioridade no nosso mundo. Ela exige o respeito das necessidades fundamentais dos indivíduos e dos povos, através de uma atitude de amor, fraternidade e solidariedade. Não pode haver verdadeira e durável paz sem a justiça.

3. A paz é um dom de Deus e requer o empenho de todos os seres humanos, sobretudo dos crentes, chamados a serem testemunhas vigilantes de paz num mundo afligido pela violência.

4. Cristãos e muçulmanos acreditam num Deus compassivo e, portanto, consideram seu dever mostrar compaixão para com toda a pessoa humana, especialmente os necessitados e os débeis.

5. As religiões, se praticadas autenticamente, contribuem efectivamente para a promoção da fraternidade e da harmonia na família humana.

 

 

NOVO PRESIDENTE DA

ACADEMIA PONTIFÍCIA DA VIDA

 

Bento XVI nomeou como novo Presidente da Academia Pontifícia para a Vida o Bispo italiano Mons. Salvatore Fisichella, até agora Bispo auxiliar de Roma e Reitor da Pontifícia Universidade Lateranense. O prelado substitui no cargo Mons. Elio Sgreccia, por ter atingido o limite de idade.

 

A Academia Pontifícia para a Vida foi instituída por João Paulo II em 11 de Fevereiro de 1994, com o Motu Proprio “Vitae mysterium”. Tem como objectivo o estudo, a informação e a formação sobre os principais problemas de bioética e de direito, relativos à promoção e defesa da vida, sobretudo na relação directa que estes têm com a moral cristã e com as directivas do magistério da Igreja Católica.

O seu primeiro Presidente foi o Professor de Genética Jérome Lejeune, cujo processo de beatificação está em curso.

 

 

BENTO XVI PRESENTE VIA TV NO

CONGRESSO EUCARÍSTICO INTERNACIONAL

 

Milhares de fiéis reuniram-se no passado Domingo dia 22 de Junho na cidade canadiana do Québec, apesar do mau tempo, para a conclusão do 49.º Congresso Eucarístico Internacional, numa cerimónia que contou com a presença de Bento XVI, via satélite, desde Roma.

 

Na homilia da Missa de encerramento desta iniciativa, presidida pelo Cardeal Jozef Tomko, o Papa falou da Eucaristia como “a expressão por excelência do amor de Deus”.

Nesse contexto, pediu um compromisso “para enfrentar os desafios presentes e tornar o planeta um lugar bom para viver”.

“Por isso – disse Bento XVI – é necessário lutar para que todas as pessoas sejam respeitadas desde a sua concepção até à morte natural, para que as sociedades ricas acolham as mais pobres e lhes dêem toda a sua dignidade, para que todas as pessoas possam alimentar-se e fazer viver a sua família, para que a paz e a justiça brilhem em todos os continentes”.

Segundo o Papa, estes “são alguns dos desafios que devem mobilizar todos os nossos contemporâneos e para os quais os cristãos devem apoiar as suas forças no mistério eucarístico”.

O Papa lembrou “quantos não podem receber a Comunhão, por causa da sua situação” e convidou os católicos a darem “uma atenção renovada à sua preparação para a recepção da Eucaristia”.

“Apesar da nossa fraqueza e do nosso pecado, Cristo quer fazer de nós a sua casa, se pedirmos a cura. Por isso, devemos fazer tudo o que está ao nosso alcance para recebê-lo de coração puro, procurando, sem cedências, através do sacramento do perdão, a pureza que o pecado manchou”.

Ao concluir a sua homilia, Bento XVI anunciou que o 50.º Congresso Eucarístico Internacional irá decorrer em Dublin, República da Irlanda, no ano de 2012.

 

 

BENTO XVI DARÁ A COMUNHÃO

DE JOELHOS E NA BOCA

 

O responsável pelas celebrações litúrgicas de Bento XVI, Mons. Guido Marini, confirmou ao L’Osservatore Romano que a prática de receber a comunhão de joelhos e na boca, das mãos do Papa, irá ser retomada, à imagem do que aconteceu na recente viagem às localidades italianas de Santa Maria di Leuca e Brindisi.

 

Segundo o Arcebispo Marini, a intenção é recuperar “o sentido da devoção e do mistério”. “Pode ver-se uma preferência por esta modalidade de distribuição que, sem tirar nada à outra, coloca em mais destaque a verdade da presença real na Eucaristia, ajuda à devoção dos fiéis, introduz com mais facilidade ao sentido do mistério” – lê-se na entrevista publicada na edição quotidiana de 26 de Junho passado.

À pergunta se Bento XVI iria continuar a distribuir a hóstia consagrada aos fiéis ajoelhados e na boca, o Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias responde: “penso que sim”; lembrando que a prática de receber a comunhão na mão “resulta, do ponto de vista jurídico, de um indulto à lei universal, concedido pela Santa Sé às conferências episcopais que o tenham pedido”.

“A modalidade adoptada por Bento XVI tende a sublinhar a vigência da norma válida para toda a Igreja”.

Mons. Marini nega que o Papa queira impor “modelos pré-conciliares”, frisando que “essa é uma linguagem já superada”, porque não existe “descontinuidade no caminho da Igreja”.

“Há coisas antigas e coisas novas que pertencem ao tesouro da Igreja de sempre e como tais devem ser consideradas. Quem é sábio sabe encontrar em seu tesouro tanto umas como outras, sem ter outros critérios que não sejam evangélicos e eclesiais

“Nem tudo o que é novo é verdadeiro, como também não o é tudo o que é antigo. A verdade atravessa o antigo e o novo e a ela devemos tender sem preconceitos”.

 

 

ASSISTÊNCIA PASTORAL

ÀS FORÇAS ARMADAS

 

Bento XVI referiu-se no passado dia 26 de Junho à acção pastoral da Igreja nas Forças Armadas, justificando-a com a necessidade de prestar um serviço à e de oferecer aos militares católicos uma assistência humana e espiritual.

 

O Papa falava no Vaticano, ao receber o novo embaixador do Gabão, a quem manifestou o desejo de a Igreja “poder organizar melhor a pastoral das Forças Armadas, cuja missão é particularmente delicada e constitui, antes de mais, um serviço à paz, à justiça e à segurança tanto no país como e toda a região”.

“Acompanhando os militares católicos e as suas famílias, a Igreja deseja ajudá-los a cumprir a sua missão específica, apoiados nos valores humanos e morais do cristianismo, para que sirvam fielmente a sua pátria e construam a sua vida pessoal e familiar segundo a sua vocação cristã.

“Compete aos pastores da Igreja seguir o conjunto do rebanho que lhes foi confiado e é oportuno que os membros das Forças Armadas possam constituir-se em comunidades cristãs particulares, sob a condução de um pastor que saberá reconhecer e respeitar a especificidade do mundo militar”, indicou.

 

 

MUDANÇAS IMPORTANTES

EM ROMA E NA CÚRIA

 

No passado dia 27 de Junho, na Sala Clementina do Palácio Apostólico do Vaticano, teve lugar um encontro de despedida do Cardeal Camilo Ruini do cargo de Vigário do Papa para a Diocese de Roma, por atingir o limite de idade.

 

Perante os Bispos auxiliares, os párocos das várias prefeituras, os representantes das várias realidades diocesanas e da comunidade de trabalho do Vicariato de Roma, Bento XVI quis manifestar uma vez mais ao Cardeal Ruini, o seu reconhecimento e agradecimento.

O Papa começou por recordar João Paulo II, gigante da fé e da missão da Igreja, que guiou o Povo de Deus para a meta histórica do ano 2000 e através do Grande Jubileu a introduziu no terceiro milénio da era cristã.

“Colaborando estreitamente com ele, fomos arrastados pela sua excepcional força espiritual, enraizada na oração, na união profunda com o Senhor Jesus Cristo e na intimidade filial com Sua Mãe Santíssima”.

O carisma missionário do Papa João Paulo II teve, como é justo, um influxo determinante no período do seu pontificado, em particular no tempo de preparação para o Jubileu do ano 2000, e isto pôde verificar-se directamente na Diocese de Roma, a Diocese do Papa, graças ao empenho constante do Cardeal Vigário e dos seus colaboradores.

O Papa lembrou ainda o trabalho desenvolvido pelo Cardeal Ruini como presidente da Conferência Episcopal Italiana e quis agradecer-lhe de maneira particular, salientando que a solicitude por esta missão foi acompanhada e sustentada por uma excelente capacidade de reflexão teológica e filosófica.

Como novo Vigário Geral para a Diocese de Roma, Bento XVI nomeou o Cardeal Agostino Vallini, até agora Prefeito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica, o mais importante da Santa Sé. Para presidir este Tribunal, foi chamado o Arcebispo norte-americano Raymond Leo Burke, que se encontrava à frente da Arquidiocese de Saint Louis.

 

 

INAUGURAÇÃO DO

ANO PAULINO

 

Bento XVI presidiu, na tarde de 28 de Junho passado, à abertura solene do Ano Paulino, que assinala os 2000 anos do nascimento de São Paulo.

 

Antes da celebração das Vésperas, na Basílica de São Paulo Fora de Muros, em Roma, o Papa abriu a Porta Paulina, debaixo do quadripórtico deste templo, e foi acesa a Chama Paulina que arderá ao longo de todo o ano. Antes da chegada ao altar, o Papa desceu para venerar o sepulcro do Apóstolo.

Na homilia da cerimónia, que contava com a presença do Patriarca ortodoxo de Constantinopla, Bartolomeu I, e outros líderes cristãos – sinal concreto do diálogo ecuménico que se pretende levar por diante neste ano -, o Papa lembrou São Paulo como “Mestre das Nações, cuja palavra se abre ao futuro, para todos os povos e todas as gerações”.

Dando o significado para este ano jubilar, Bento XVI explicou que “não estamos aqui para reflectir sobre uma história passada, irrevogavelmente superada. Paulo quer falar connosco”.

“Por isso, quis este especial Ano Paulino: para ouvi-lo e para aprender agora com ele, como nosso mestre, a fé e a verdade, na qual se enraízam as razões da unidade entre os discípulos de Cristo”, precisou.

 

Outro elemento constitutivo do evento jubilar são as Indulgências que o Papa oferece a toda a Igreja mediante o cumprimento de determinadas condições. Haverá também celebrações jubilares, encontros de oração e de formação, retiros, jornadas pastorais, exposições e várias outras iniciativas, culturais, ecuménicas e pastorais, todas elas inspiradas na espiritualidade paulina.

Como o próprio Papa anunciou, também serão promovidos Congressos de estudos e especiais publicações sobre os textos paulinos, “a fim de fazer conhecer cada vez mais a imensa riqueza do ensinamento contido neles, verdadeiro património da humanidade redimida por Cristo”.

No mundo inteiro, iniciativas semelhantes poderão ser realizadas nas Dioceses, nos Santuários, nos lugares de culto por parte de Instituições religiosas, de estudo ou de assistência que se inspiram na figura e no ensinamento de São Paulo.

 

 

L’OSSERVATORE ROMANO

NUMA LÍNGUA DA ÍNDIA

 

Pela primeira vez na sua história, o jornal L'Osservatore Romano é impresso em caracteres não latinos, na língua falada num Estado da Índia.

 

Com efeito, no dia 3 de Julho - dia em que no Oriente e no Ocidente se celebra a festa do Apóstolo Tomé –, nasce a versão em língua malayalam da edição semanal em língua inglesa do jornal do Papa. Portanto, o primeiro alfabeto não ocidental em que se lerá a folha do Vaticano pertence à Índia, onde uma pequena mas veneranda cristandade está arraigada e se inspira precisamente em S. Tomé.

Tradições antiquíssimas num contexto historicamente não impossível fazem de facto remontar as origens destas comunidades até ao Apóstolo, à sua pregação e ao seu martírio nos arredores de Madrasta, na Índia meridional que já na época helenista e depois romana era meta de rotas marítimas e de viagens terrestres, sobretudo comerciais, provenientes da bacia mediterrânea. Precisamente aqui surge um santuário muito antigo, ligado ao culto deste Apóstolo de Jesus, e os fiéis do lugar identificam-se e são conhecidos como "cristãos de Tomé".

A nova edição de L'Osservatore Romano dirige-se aos seis milhões de católicos que vivem no Kerala, o Estado indiano onde se fala a língua malayalam e onde os fiéis da Igreja de Roma representam um quinto da população. Num diálogo ideal que se estende à Índia inteira e confirma a atenção e a amizade pelo imenso continente asiático, cuja importância mundial é crescente sob muitos pontos de vista, e onde a mensagem de Cristo suscita interesse.

Na Índia, que justamente se orgulha de ser a maior democracia do mundo, as línguas faladas são mais de vinte, numa sociedade onde o desenvolvimento é impetuoso, mas também contraditório, enquanto o cenário religioso, pluralista e fascinante, foi infelizmente assinalado nos últimos anos por muitos episódios de intolerância contra os cristãos por causa dos fundamentalismos. Neste contexto, "L'Osservatore Romano" em língua malayalam em cujo projecto se trabalhou por mais de um ano e meio quer ser um instrumento ao serviço de todas as comunidades católicas do Kerala, subdivididas em diversos ritos, e portanto também da obra de evangelização e do diálogo ecuménico que as caracterizou.

Esta história não foi fácil, também por causa das desconfianças em relação às tradições locais, até aos reconhecimentos por parte de Pio XI, de Pio XII e sobretudo de João Paulo II. Reconhecimentos que valorizaram as riquezas das comunidades cristãs. Agora, precisamente elas acolherão a nova edição traduzida e impressa na Índia, numa língua que aos olhos ocidentais parece um lindíssimo rendado.

 

 

PROGRAMA DA VIAGEM

DO PAPA A LOURDES

 

Foi divulgado o programa oficial da viagem apostólica de Bento XVI à França, de 12 a 15 de Setembro, por ocasião dos 150 anos das aparições de Lourdes. Ponto culminante desta deslocação papal será a Missa na esplanada de Lourdes na manhã do domingo dia 14.

 

A primeira etapa da viagem será Paris, onde o Papa chegará ao fim da manhã de sexta-feira, dia 12. Após o acolhimento oficial, no aeroporto, o primeiro acto do programa será a visita de cortesia ao Presidente da República francesa, no Palácio do Eliseu, onde o Papa se encontrará também com outras autoridades do Estado.

De tarde terá lugar, antes de mais, um breve encontro com a Comunidade Hebraica, na Nunciatura Apostólica. Seguidamente, no Colégio dos Bernardinos, o encontro com o mundo da cultura. Às 19.15, na catedral de Notre Dame de Paris, Bento XVI celebrará as Vésperas com os sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas, e seminaristas. À saída, na esplanada em frente a Notre Dame, o Papa dirigirá uma saudação aos jovens.

Sábado de manhã, 13 de Setembro, Bento XVI celebra Missa na Esplanada dos Inválidos. Segue-se o almoço com os Bispos da região de Paris, na Nunciatura Apostólica, que o Papa deixará, a meio da tarde, para o voo que o conduzirá, às 18 horas, a Lourdes. Ali, à chegada, Bento XVI desloca-se à gruta de Massabiele e à noite preside à conclusão da Procissão de velas.

Domingo, 14, às 10 horas, a Santa Missa pelos 150 anos das aparições, na esplanada em frente à Gruta, na outra margem da torrente. O Papa almoçará depois com os Bispos da região dos Pirinéus. A meio da tarde, depois de um encontro com os Bispos franceses, Bento XVI preside à conclusão da Procissão eucarística.

A viagem do Papa conclui-se na segunda-feira, 15 de Setembro, de manhã. Bento XVI visita a capela do hospital de Lourdes e celebra a Missa com os doentes, na Basílica de Nossa Senhora do Rosário. Às 13 horas, regressa a Roma.

 

 

CARDEAL SARAIVA MARTINS DEIXA

A CONGREGAÇÃO PARA OS SANTOS

 

No passado dia 9 de Julho, Bento XVI aceitou a renúncia do Cardeal José Saraiva Martins, C.M.F., ao cargo de Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos e nomeou como sucessor o arcebispo Ângelo Amato, S.D.B., até agora Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé.

 

Para substituir o arcebispo Ângelo Amato, foi nomeado o padre espanhol Luís Francisco Ladária, S.J., actualmente professor de Teologia Dogmática na Universidade Pontifícia Gregoriana e secretário geral da Comissão Teológica Internacional.

 

 


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