Sínodo dos Bispos

A BÍBLIA:

LIVRO MUITO TRADUZIDO MAS POUCO LIDO

 

 

Mons. Nikola Eterovic

Secretário-Geral do Sínodo dos Bispos

 

 

O tema da XII Assembleia geral ordinária do Sínodo dos Bispos que decorrerá de 5 a 26 de Outubro no Vaticano, há muito tempo que foi anunciado: «A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja». É um argumento importante porque diz respeito a toda a vida eclesial, visto que a Igreja é continuamente chamada e gerada na Palavra de Deus. É, portanto, espontâneo perguntar-se como é que a próxima Assembleia sinodal pretende tratar um tema vital para a Igreja e para a sua missão no mundo contemporâneo.

 

A resposta encontra-se no Instrumentum laboris que hoje [12 de Junho passado] apresentamos. É o verdadeiro documento de trabalho. A sua publicação insere-se na metodologia que na Igreja católica está relacionada com o Sínodo dos Bispos: instituição que demonstrou ser um instrumento válido para reforçar o afecto colegial no seio do corpo episcopal, ou seja entre os bispos e entre eles e o Papa que preside ao Sínodo. Nos 43 anos de vida, o Sínodo deu preciosas contribuições à Igreja universal ao enfrentar temas de grande actualidade para a sua missão de evangelização e de promoção humana.

Pode ser útil indicar alguns aspectos específicos da metodologia sinodal, ligados ao tema da Palavra de Deus. O primeiro refere-se à própria publicação do documento, dado que não é normal que a ordem do dia de uma grande Assembleia seja tornada pública. A Igreja católica torna-o público também desta vez e não só para permitir uma preparação adequada do tema aos bispos participantes, que na maior parte foram eleitos pelos seus colegas como representantes. Com esta publicação, deseja-se promover ainda mais a participação de todos os fiéis na reflexão sobre a Palavra de Deus.

O processo de preparação para o Sínodo dos Bispos, de facto, pôs em movimento as forças vivas da Igreja, como demonstram as numerosas iniciativas organizadas sobre o tema sinodal: programas pastorais das Igrejas particulares, seminários e congressos, livros e revistas, exposições, serviços nos meios de comunicação.

Outra característica é o facto de que o Instrumentum laboris recolhe as contribuições do episcopado católico sobre o tema da Palavra de Deus, em resposta aos Lineamenta publicados a 27 de Abril de 2007 para suscitar a reflexão em todo o mundo. Portanto, o Instrumentum laboris não é o resultado de uma reflexão teórica, abstracta. Ou melhor, reflecte a realidade, prevalentemente do ponto de vista pastoral, de como actualmente é vivida e percebida a Palavra de Deus na Igreja, difundida nos cinco continentes.

Lendo o documento, podem-se verificar os notáveis aspectos positivos que depois do Concílio Vaticano 11, especialmente com a promulgação da Constituição dogmática Dei Verbum, se desen­volveram na Igreja. Em particular, na renovação bíblica no âmbito litúrgico, catequético, teológico e exegético. Como também na difusão da prática da lectio divina, nas várias formas de apostolado bíblico, no interesse geral pela Bíblia. Porém, sobressaem também aspectos menos positivos que dizem respeito, em particular, ao conhecimento da Palavra de Deus e aos limites da sua interpretação.

Para compreender quanto é preciso fazer neste campo, é suficiente recordar que a Bíblia foi traduzida em 2.454 línguas, enquanto no mundo existem quase 6.700 línguas, das quais 3.000 são consideradas principais. A Bíblia é o livro mais traduzido e difundido no mundo. Infelizmente, não é muito lido. De acordo com pesquisas recentes do Gfk-Eurisko, apenas 38% dos italianos praticantes terá lido um trecho bíblico nos últimos doze meses. A percentagem desce para 27% se se tem em consideração a população italiana adulta. Mais de 50% considera a Sagrada Escritura difícil de entender quer em Itália quer em outros países analisados nesta pesquisa. Resumindo, hoje mais do que nunca, é ne­cessário e urgente difundir, sobretudo na Igreja, o conhecimento da Bíblia.

 

 


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