22º Domingo Comum

29 de Agosto de 2004



RITOS INICIAIS


Cântico de entrada: Aproximai- vos do Senhor, F. da Silva, NCT 375

Sl 85, 3.5

Antífona de entrada: Tende compaixão de mim, Senhor, que a Vós clamo o dia inteiro. Vós, Senhor, sois bom e indulgente, cheio de misericórdia para aqueles que Vos invocam.


Introdução ao espírito da Celebração


Na liturgia deste domingo vamos confrontar-nos com o valor da humildade e da simplicidade. Estas duas virtudes tornam-nos semelhantes a Cristo, que veio para servir e não para ser servido.

A disponibilidade constante é que nos transmite a alegria interior da imagem e semelhança com Deus, num novo modo de encarar a prática religiosa em alegria e festa.

Porque nem sempre assumimos uma atitude de humildade e simplicidade no serviço aos últimos, aos mais pobres, àqueles que não têm quem os acolha, peçamos humildemente perdão ao Senhor.


Oração colecta: Deus do universo, de quem procede todo o dom perfeito, infundi em nossos corações o amor do vosso nome e, estreitando a nossa união conVosco, dai vida ao que em nós é bom e protegei com solicitude esta vida nova. Por Nosso Senhor...



Liturgia da Palavra


Primeira Leitura


Monição: O autor sagrado aconselha, nesta leitura, a mansidão e a humildade. Segundo ele, é por estas virtudes sagradas que o homem conquista os corações e goza de aceitação junto de Deus.


Ben-Sirá 3, 19-21.30-31 (gr.17-18.20.28-29)

19Filho, em todas as tuas obras procede com humildade e serás mais estimado do que o homem generoso. 20Quanto mais importante fores, mais deves humilhar-te e encontrarás graça diante do Senhor. 21Porque é grande o poder do Senhor e os humildes cantam a sua glória. 30A desgraça do soberbo não tem cura, porque a árvore da maldade criou nele raízes. 31O coração do sábio compreende as máximas do sábio e o ouvido atento alegra-se com a sabedoria.


A leitura contém versículos respigados do capítulo 3 do Sirácida, ou Eclesiástico (na designação cristã), que são uma apologia da virtude da humildade, passando à frente aquelas passagens que poderiam ser hoje mal entendidos, como o desejo de querer sempre saber mais, apresentado isto como um «perigo», e «quem amam o perigo nele perecerá» (v. 25).


Salmo Responsorial Sl 67 (68), 4-7ab.10-11 (R. cf. 11b)


Monição: O salmo 67, que iremos recitar, exalta a bondade do Senhor que se manifesta na vida dos pequenos e dos simples. Nele, decerto encontraremos pistas para podermos reflectir sobre os sentimentos a que fomos estimulados pela leitura anterior.


Refrão: Na vossa bondade, Senhor,

preparastes uma casa para o pobre.


Os justos alegram-se na presença de Deus,

exultam e transbordam de alegria.

Cantai a Deus, entoai um cântico ao seu nome;

o seu nome é Senhor: exultai na sua presença.


Pai dos órfãos e defensor das viúvas,

é Deus na sua morada santa.

Aos abandonados Deus prepara uma casa,

conduz os cativos à liberdade.


Derramastes, ó Deus, uma chuva de bênçãos,

restaurastes a vossa herança enfraquecida.

A vossa grei estabeleceu-se numa terra

que a vossa bondade, ó Deus, preparara ao oprimido.


Segunda Leitura


Monição: Deus manifestou-Se, em Jesus Cristo, a todos os homens de uma forma acessível. Daí que nos possamos dirigir directamente a Ele sem os temores manifestados pelo povo no Antigo Testamento. É este o teor da leitura de S. Paulo aos Hebreus, que iremos escutar.


Hebreus 12, 18-19.22-24a

Irmãos: 18Vós não vos aproximastes de uma realidade sensível, como os israelitas no monte Sinai: o fogo ardente, a nuvem escura, as trevas densas ou a tempestade, 19o som da trombeta e aquela voz tão retumbante que os ouvintes suplicaram que não lhes falasse mais. 22Vós aproximastes-vos do monte Sião, da cidade do Deus vivo, a Jerusalém celeste, de muitos milhares de Anjos em reunião festiva, 23de uma assembleia de primogénitos inscritos no Céu, de Deus, juiz do universo, dos espíritos dos justos que atingiram a perfeição 24ae de Jesus, mediador da nova aliança.


Nesta impressionante passagem da epístola, o hagiógrafo põe em vivo contraste a Antiga e a Nova Aliança, simbolizada nos dois montes em que foram seladas: «o Monte Sinai» e o «Monte Sião»; este era o monte onde assentava o templo de Jerusalém, monte que se tornou o símbolo do novo e definitivo lugar de encontro com Deus, ao mesmo tempo firme e glorioso: a «Jerusalém celeste», que é a Igreja (cf. Gal 4, 25-26; Apoc 21, 2), a qual aqui engloba tanto os que já triunfam no Céu, como os que ainda militam na terra, considerados como um todo, por assim dizer. A Antiga Aliança é marcada pelo temor e pela majestade esmagadora de Deus (vv. 18-19); a Nova Aliança pela proximidade de Deus e intimidade com Ele, com os «Anjos» (v. 22), os Santos do Céu («os justos que atingiram a perfeição» - v. 23) e sobretudo com o próprio «Jesus, mediador da Nova Aliança», juntamente com os restantes cristãos que ainda militam na terra, provavelmente aqui designados por «uma assembleia de primogénitos inscritos no Céu» (v. 23). Assim poderia traduzir-se à letra, «uma Igreja - ekklesía - de primogénitos»; a designação de «primogénitos» correspondia à situação privilegiada dos cristãos, pois então os primogénitos gozavam de direitos especiais, sobretudo relativamente à herança.


Aclamação ao Evangelho Mt 11, 29ab


Monição: Não nos devemos contentar em enunciar os princípios da pedagogia de Jesus, mas buscar com solicitude a sua aplicação concreta na nossa vida procurando, realmente, ser mansos e humildes de coração.


Aleluia


Tomai o meu jugo sobre vós, diz o Senhor,

e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração.


Cântico: Aclamação – 4, F. Silva, NRMS 50-51



Evangelho


São Lucas 14, 1.7-14

Naquele tempo, 1Jesus entrou, a um sábado, em casa de um dos principais fariseus para tomar uma refeição. 7Todos O observavam. Ao notar como os convidados escolhiam os primeiros lugares, Jesus disse-lhes esta parábola: 8«Quando fores convidado para um banquete nupcial, não tomes o primeiro lugar. Pode acontecer que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu; 9então, aquele que vos convidou a ambos, terá que te dizer: ‘Dá o lugar a este’; e ficarás depois envergonhado, se tiveres de ocupar o último lugar. 10Por isso, quando fores convidado, vai sentar-te no último lugar; e quando vier aquele que te convidou, dirá: ‘Amigo, sobe mais para cima’; ficarás então honrado aos olhos dos outros convidados. 11Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado». 12Jesus disse ainda a quem O tinha convidado: «Quando ofereceres um almoço ou um jantar, não convides os teus amigos nem os teus irmãos, nem os teus parentes nem os teus vizinhos ricos, não seja que eles por sua vez te convidem e assim serás retribuído. 13Mas quando ofereceres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos; 14e serás feliz por eles não terem com que retribuir-te: ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos.


7-11 Com esta parábola, Jesus não se limita a encarecer simplesmente uma atitude a ter no momento de escolher o lugar à mesa de um banquete, mas, acima de tudo, o que pretende com este exemplo é dar uma lição de humildade, válida para sempre, pois «quem se humilha será exaltado» (v. 11); entenda-se por Deus, de acordo com o costume judaico seguido por Jesus, que evitou deliberadamente pronunciar o nome de Deus (o chamado passivum divinum).

10 «Aquele que te convidou dirá». Tradução muito livre do original, com o fim de tornar menos chocante a leitura: «para que te diga». De facto, se o convidado escolhesse o último lugar com a secreta intenção de vir a ser «honrado aos olhos dos outros convidados», não estaria a viver a humildade, mas sim um refinado orgulho. Ora sucede que aqui a intenção expressa no texto não é a do convidado, mas sim a de Jesus que dá o conselho. A tradução litúrgica facilita uma correcta interpretação. Um belo comentário a este ensinamento de Jesus podem ser as palavras da Imitação de Cristo: «Deseja que não te conheçam e te reputem por nada... Não perdes nada, se te consideras inferior a todos, mas prejudicas-te muito se te considerares superior a um só que seja» (I, 2.7).

12-14 Jesus não quer dizer que se podem convidar só aqueles que não nos possam retribuir. Nesta maneira tão taxativa de falar, tão característica de Jesus, à maneira semítica para produzir impacto e chamar a atenção, o Senhor quer ensinar-nos que não devemos andar atrás de compensações humanas, mas daquilo que merece a aprovação e recompensa de Deus no Céu, aqui designado por «ressurreição dos justos» (que os maus também ressuscitam consta doutras passagens, como Jo 5, 29; Act 24, 15…).


Sugestões para a homilia


O banquete do Reino

A disponibilidade para os irmãos

Cristo conduz-nos à alegria e à festa

O banquete do Reino

Geralmente, na Bíblia, o Reino de Deus é comparado a um banquete. E é neste contexto que, muito frequentemente encontramos Jesus: participando da festa que as pessoas fazem, conversando, ensinando, rindo. É este o sinal de que Ele é o «Emanuel», o «Deus-connosco». É o Deus que desce para o meio dos homens, que come com eles, que participa dos seus jogos e os quer ver alegres, serenos e felizes.

Ora, em Israel é dada muita importância à hierarquia, sendo os lugares à mesa distribuídos com muita atenção: no meio ficam as pessoas de respeito, ao lado delas, o dono da casa, só depois os outros convidados por ordem de idade. Todavia, como Jesus notou durante a refeição para que recebera convite, havia sempre aqueles que queriam sobressair e se enfiavam nos lugares que não lhes eram devidos. Por tal motivo Jesus conta a parábola que ouvimos ler, limitando-se a recordar um provérbio conhecido de todos os israelitas. Mas, não sendo novas as palavras, novo é o ensinamento que Jesus lhes quer transmitir.

Recordando os lugares que no seu tempo eram destinados à «gente de bem» insiste que devem ceder o lugar a outras pessoas: aos pobres, aos aleijados, aos coxos, aos cegos. Nota que é preciso dar início a um banquete novo. Um banquete em que os excluídos, os rejeitados por todos, se tornam os primeiros convidados, aqueles a quem se reservam os lugares de honra.

Estes, na nossa sociedade actual, são o símbolo dos que caminham sem a luz do Evangelho e, por isso, tropeçam, caem, magoam-se e magoam os outros. São aqueles que levam uma vida irregular, os que fracassaram...

Que lugar lhes reservamos nós, nas nossas comunidades? No nosso meio de trabalho, nas nossas relações sociais? Qual o apoio concreto que lhes damos? Ajudámo-los ou criticamos, repreendemos, ameaçamos, humilhamos? Teremos de nos lembrar, pelo menos de vez em quando, que a festa do banquete do Reino foi realizada para eles!...

Devemos amar o pobre não pela recompensa, por um lugar no paraíso, que nos é oferecido gratuitamente, mas porque Jesus nos fez compreender que é maravilhoso amar como Deus ama. Quando amamos com gratuidade, com humildade e simplicidade, sem exaltação pelos dons que conseguimos distribuir, recebemos o maior de todos os prémios: tornámo-nos semelhantes ao Pai que está nos céus, experimentamos a Sua própria alegria.

A disponibilidade para os irmãos

Os dons que Deus nos deu foram-nos concedidos para que, à nossa volta, os doemos aos irmãos. Por isso, a primeira leitura nos diz que humilde é aquele que, estando consciente dos próprios dons e qualidades, se põe ao serviço solidário e disponível aos outros, como quem está sempre pronto a receber ordens dos superiores. Na humildade e simplicidade se constroem relações de solidariedade que nos transmitem felicidade e põem termo ao egoísmo, à competitividade e à ostentação.

Como construímos nós as nossas comunidades? Não será que entre nós, os que são mais dotados materialmente ou mais preparados intelectualmente, querem elevar-se acima dos outros? Ou então, não existirão os que tendo qualidades as querem ocultar, para não terem que ser chamados a servir os demais? O que significa para nós ser mansos e humildes como Jesus?

Cristo conduz-nos à alegria e à festa

Somente seguindo os passos do Mestre, assumindo uma atitude de amor ao irmão, acolhemos realmente o Reino de Deus e a verdadeira religião da alegria e da festa. Ou será que na nossa maneira de encarar a religião ainda se mantém em nós «o terror do fogo ardente, das trevas densas e o som da trombeta do Deus distante», representado no Antigo Testamento?

Em Cristo descobre-se o verdadeiro rosto de Deus amigo dos homens, como nos diz S. Paulo, na segunda leitura. Por esse motivo sabemos que nos podemos dirigir directamente a Deus nosso Pai, sem qualquer sombra de receio para participarmos da alegria e da festa no banquete para que todos fomos convidados.


Fala o Santo Padre


«Quanto maior fores, mais te deverás humilhar, acharás misericórdia diante de Deus»


1. Com o início de Setembro, a vida social volta a assumir os seus ritmos ordinários. Depois da pausa do Verão, recomeçam as várias actividades e já está às portas o novo ano escolar.

Neste contexto é particularmente significativa uma expressão bíblica tirada do Livro de Sirácide, que ouvimos na liturgia de hoje: «Meu filho, pratica as tuas obras com doçura, e serás amado mais do que o homem rico. Quanto maior fores, mais te deverás humilhar, acharás misericórdia diante de Deus» (Ecli, 3, 17-18).

Tratam-se de palavras claramente contra a corrente. A mentalidade do mundo, de facto, convida a emergir, a fazer carreira, talvez com astúcia e sem escrúpulos, afirmando-se a si próprio e aos próprios interesses. No Reino de Deus são premiadas a modéstia e a humildade. Ao contrário, nos assuntos terrenos não raramente prevalecem o arrivismo e a prepotência; as consequências estão sob o olhar de todos: rivalidade, abusos e frustrações.


2. A Palavra do Senhor ajuda a ver as coisas na óptica justa, que é a da eternidade. No Evangelho deste Domingo, Cristo afirma: «todo aquele que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado». (Lc 14, 11). Ele mesmo, o Filho de Deus feito homem, percorreu com coerência o caminho da humildade, passando a maior parte da sua existência terrena na vida obscura de Nazaré, com a Virgem Maria e São José, empenhado no trabalho de carpinteiro.

Jesus realizou a exortação do antigo sábio: «Filho, na tua actividade sê modesto... Quanto maior fores, mais te deves humilhar». Desta forma quis dizer aos homens de todos os tempos que a superficialidade e o arrivismo, mesmo se obtêm qualquer êxito imediato, não constituem contudo o verdadeiro bem do homem e da sociedade. Mas, o Reino de Deus é preparado eficazmente pelas pessoas que realizam de maneira séria e honesta a própria actividade, não desejando coisas demasiado altas, mas resignando-se, com quotidiana fidelidade, às mais humildes (cf. Rm 12, 16).


3. Para realizar o seu desígnio universal de salvação, Deus «olhou para a humilde condição da sua serva» (Lc 1, 48), a Virgem Santíssima. Enquanto nos preparamos para celebrar, daqui a alguns dias, a festa da Natividade de Maria, invoquemo-la com confiança, a fim de que todas as actividades, profissional ou doméstica, se possa realizar num clima de autêntica humanidade, graças ao humilde e concreto contributo de todos.

João Paulo II no Angelus de Domingo, 2 de Setembro de 2001


Oração Universal


Irmãos, oremos a Deus Pai de misericórdia,

e imploremos com humildade

que nos ajude a pôr em prática

os ensinamentos de Jesus, rezando (cantando):


Senhor, nós temos confiança em Vós.


1. Pela Santa Igreja de Deus:

para que, fiel ao mandamento de Cristo,

continue firme no ensino da doutrina Sagrada

como Jesus o fazia em suas parábolas,

oremos, irmãos.


2. Pelos governantes das nações:

para que promulguem leis justas

que respeitem os direitos dos mais pobres,

e façam todos os esforços para os ajudarem,

oremos, irmãos.


3. Para que os excluídos,

as pessoas rejeitadas por todos,

se sintam os primeiros convidados

para o banquete do Reino,

oremos, irmãos.


4. Para que todos nós aqui presentes

saibamos ser solidários com os irmãos

e punhamos os dons que possuímos,

desinteressadamente ao seu serviço,

oremos, irmãos.


5. Para que saibamos

cultivar a humildade e a sinceridade,

sem nos impormos aos demais,

oremos, irmãos.


6. Pelos nossos irmãos defuntos,

para que festejem alegremente

o banquete divino na companhia

de Deus, nosso Pai,

oremos, irmãos.



Senhor nosso Deus e nosso Pai,

escutai a humilde oração do vosso povo,

para que se abram a todos os nossos irmãos

os caminhos do banquete do Reino.

Por nosso Senhor Jesus Cristo....



Liturgia Eucarística


Cântico do ofertório: Sois, Jesus, o meu Deus, M. Borda, NRMS 107


Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, a oferta que Vos apresentamos e realizai em nós, com o poder da vossa graça, a redenção que celebramos nestes mistérios. Por Nosso Senhor...


Santo: A. Cartageno, Suplemento CT


Monição da Comunhão


Ao participarmos do banquete eucarístico ajudai-nos, Senhor, a relembrar os laços que nos unem a Deus nosso Pai, por meio de Jesus Cristo. Que esta união se manifeste no esforço por vivermos mais unidos uns com os outros e disponíveis para o seu serviço.


Cântico da Comunhão: Somos todos convidados, F. da Silva, NRMS 40

Sl 30, 20

Antífona da comunhão: Como é grande, Senhor, a vossa bondade para aqueles que Vos servem!

Ou: Mt 5, 9- 1 0

Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por amor da justiça, porque deles é o reino dos céus.


Cântico de acção de graças: Cantarei ao Senhor, F. da Silva, NRMS 70


Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão da mesa celeste, fazei que esta fonte de caridade fortaleça os nossos corações e nos leve a servir-Vos nos nossos irmãos. Por Nosso Senhor...



Ritos Finais


Monição final


Servir e amar os outros há-de ser a manifestação de que participamos na Eucaristia e damos glória a Deus. Na humildade que instaura relações que constroem alegria e felicidade, punhamos fim à lógica do egoísmo, da competitividade e da ostentação, introduzindo no mundo a partilha gratuita dos dons de Deus.


Cântico final: Eu quero viver na tua alegria, H. Faria, NRMS 11-12



Homilias Feriais


22ª SEMANA


2ª feira, 30-VIII: Disposições para ouvir a Boa Nova.

1 Cor 2, 1-5 / Lc 4, 16-30

Ao ouvirem estas palavras, todos, na sinagoga, ficaram furiosos. Ergueram-se então e expulsaram Jesus da cidade.

Jesus apresenta-se na sinagoga de Nazaré e explica aos seus conterrâneos a sua missão. Fala das graças concedidas por Deus, sem ter em conta a raça, a idade ou a posição social. Inaugura o anúncio da Boa Nova, apropriando-se de um passo de Isaías (cf. Ev.). É mal recebido na sinagoga, não encontrando boas disposições nos ouvintes da sua terra.

Para entendermos melhor os planos de Deus, precisamos ter uma fé muito grande; purificar bem a nossa alma; melhorar as nossas disposições quando nos encontrarmos com Ele, na Comunhão e na oração; não o expulsarmos da nossa alma pelo pecado grave...


3ª feira, 31-VIII: O espírito do demónio e o Espírito de Deus.

1 Cor 10-16 / Lc 4, 31-37

Encontrava-se então na sinagoga um homem que tinha o espírito de um demónio impuro.

Este homem que tinha o espírito de um demónio (cf. Ev.) representa o pecador que se quer converter a Deus e tem que se libertar de Satanás e do pecado. No Pai nosso pedimos a Deus que nos livre do mal: «Ao pedirmos para sermos libertados do Maligno, pedimos igualmente para sermos livres de todos os males, presentes, passados e futuros» (CIC, 2853).

O melhor ainda é deixar-nos invadir pelo Espírito de Deus, que nos ajuda a julgar melhor os acontecimentos, que ultrapassa o homem natural (cf. Leit.).


4ª feira, 1-IX: A superação da visão humana.

1 Cor 3, 1-9 / Lc 4, 38-44

Se, entre vós, na verdade, há ciúme e discórdia, não é certo que sois puramente naturais e procedeis de maneira simplesmente humana?

O Apóstolo S. Paulo queixa-se da falta da dimensão sobrenatural nos Coríntios. Eles tinham uma visão demasiado humana (cf. Leit.).

A atitude de Jesus indica-nos o modo de adquirirmos essa dimensão sobrenatural. Em primeiro lugar, pela oração: «ao romper do dia, Jesus dirigiu-se a um sítio ermo» (Ev.). E também pelo conhecimento da Boa nova: «Tenho que ir às outras cidades anunciar a Boa nova do Reino de Deus» (Ev.). Para este anúncio é que Cristo veio à terra; e que foi depois prosseguido pelos Apóstolos e pelos cristãos de todos os tempos.


5ª feira, 2-IX: indispensável contar com Deus.

1 Cor 3, 18-23 / Lc 5, 1-11

(Simão): Mestre, andámos na faina toda a noite e não apanhámos nada. Mas, já que o dizes, largarei a redes.

Diz o Apóstolo: «É que a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus» (Leit.). E assim aconteceu com os pescadores do lago de Genesaré: uma noite inteira sem apanhar nada (eles eram especialistas – sábios – da pesca), mas, com a sabedoria de Deus apanharam uma grande quantidade de peixes.

Na vida cristã de pouco serve o esforço, o emprego exclusivo de meios humanos, o sacrifício, o trabalho humano. Precisamos contar sempre com a ajuda do Senhor, da sua sabedoria, dos seus ensinamentos, do seu exemplo.


6ª feira, 3-IX: Preparação para receber a graça de Deus.

1 Cor 4, 1-5 / Lc 5, 33-39

Ninguém recorta um remendo de vestido novo, para o deitar em vestido velho... E ninguém deita vinho novo em odres velhos.

Com estas comparações, Jesus quer recordar-nos que a nossa alma deve estar bem preparada para receber as graças de Deus. Os pecados veniais, as faltas de correspondência às inspirações do Espírito Santo, o pouco empenho na vida espiritual, ajudam a ‘envelhecer’ a alma.

Procuremos preparar-nos bem para recebermos o Senhor na Comunhão; para lermos e ouvirmos com mais atenção a sua Palavra; para rezarmos mais actos de contrição, que limpam o nosso interior; sigamos o convite do Papa: «Abri a portas ao Redentor».


Sábado, 4-IX: Aprender a perdoar

1 Cor 4, 6-15 / Lc 6, 1-5

Insultados, bendizemos; perseguidos, aguentamos; difamados, dizemos palavras de concórdia.

Recorda S. Paulo o modo como os primeiros cristãos viviam a caridade quando tiveram que suportar calúnias, insultos e difamações (cf. Leit.). Deste modo imitaram o Senhor, que perdoou todas as coisas a todos.

Continuemos a viver o mandato do Senhor (amai-vos uns aos outros) na vida familiar, no trabalho, no trânsito, etc. Nalguns casos teremos que pedir perdão pelos outros, como fez Jesus Cristo. Noutros bastará manifestar um sorriso de compreensão, dizer alguma palavra amável, etc.






Celebração e Homilia: António Elísio Portela

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Homilias Feriais: Nuno Romão

Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha


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