Nossa Senhora das Dores

15 de Setembro de 2008

 

Memória

 

O Evangelho desta memória é próprio.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Virgem dolorosa, M. Faria, NRMS 13

Lc 2, 34-35

Antífona de entrada: Simeão disse a Maria: Este Menino será sinal de contradição, para ruína e salvação de muitos em Israel e uma espada trespassará a tua alma.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

S. João relata não só o acto de supremo sofrimento a que chegou Maria junto à cruz, mas também a suprema maternidade que sentiu por todos os que seu Filho tanto amava (Evangelho). E S. Paulo relata até que sofrimentos Jesus se sujeitou por esse amor de nos salvar (1ª leitura).

Ao Sacrifício de Jesus na cruz, deve juntar-se o Sacrifício eucarístico da Igreja com Maria, com o mesmo amor. Celebrado assim, é que mais participamos de tanta bondade (Salmo).

 

Oração colecta: Senhor, que, na vossa admirável providência, quisestes que, junto do vosso Filho, elevado sobre a cruz, estivesse sua Mãe, participando nos seus sofrimentos, concedei à vossa Igreja que, associada com Maria à paixão de Cristo, mereça ter parte na sua ressurreição. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O sofrimento do Menino Jesus e de sua Mãe é-nos mostrado na primeira leitura pela oração de clamor e lágrimas dum e doutro na Paixão.

 

Hebreus 5, 7-9

7Nos dias da sua vida mortal, Cristo dirigiu preces e súplicas, com grandes clamores e lágrimas, Àquele que O podia livrar da morte e foi atendido por causa da sua piedade. 8Apesar de ser Filho, aprendeu a obediência no sofrimento 9e, tendo atingido a sua plenitude, tornou-Se para todos os que Lhe obedecem causa de salvação eterna.

 

Este texto pequeno, mas deveras impressionante – há mesmo estudiosos que o consideram um extracto de um antigo hino a Cristo –, é tirado da parte central do célebre discurso, que é esta epístola (Hebr 4, 14 – 7, 28), onde se desenvolve o tema do sacerdócio de Cristo, o sumo sacerdote perfeito, que supera completamente o sacerdócio levítico.

7 Este versículo parece evocar o relato da agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras (cf. Mt 26, 36-44). «Preces e súplicas»: estas duas palavras sinónimas correspondem a uma expressão grega da época usada nos pedidos a uma alta autoridade; o uso do plural sugere a insistência na oração, segundo o «prolixius orabat» de Lc 22, 43. «Com um grande clamor e lágrimas»: os ensinos rabínicos sobre a oração referem três graus ascendentes: a prece (em silêncio), os gritos, e as lágrimas (como a forma mais elevada da oração). Os Evangelhos só falam de um forte brado de Jesus, na Cruz (Lc 23, 46), mas é de supor que se conhecessem pela tradição oral, pormenores da oração no horto que justificariam tão impressionante expressão.

«Foi atendido»: em quê? É difícil de dizer, a tal ponto que Harnack pensa numa corrupção do texto original: «não foi atendido»; limitamo-nos a referir as explicações mais viáveis. Jesus não obteve a libertação do cálice de amargura, mas alcançou a coragem para enfrentar a sua Paixão identificando-se plenamente com a vontade do Pai. Ou então, como pensam outros, Jesus foi atendido ao ser livre da morte pela sua ressurreição, o que lhe permite exercer o seu sacerdócio eterno (cf. 7, 24; 10, 10), com efeito, «a sua morte era essencial para o seu sacerdócio, mas se Ele não fosse salvo da morte pela ressurreição, não seria agora o sumo sacerdote do seu povo» (J. H. Neyrey).

8 «Aprendeu a obediência no sofrimento», ou, melhor, «por aquilo que sofreu», ou também, «aprendeu, de quanto sofrera, o que é obedecer». Trata-se de uma aprendizagem não teórica, mas experimental, existencial. Aprender através do sofrimento era um lugar comum na literatura grega, e até havia esta máxima: «os sofrimentos são lições». O que aqui há de particular é a aplicação à aprendizagem da obediência. No entanto, a obediência de Jesus na sua Paixão só é referida em mais dois lugares do N. T.: Rom 5, 19 e Filp 2, 8. Não se pense que a Jesus, por ser Deus, Lhe custava menos o sofrimento, antes pelo contrário, pois o sofrimento é directamente proporcional à dignidade da pessoa que sofre.

9 «Tendo atingido a sua plenitude». Esta tradução não deixa ver uma das ideias centrais da epístola, que é a de «perfeição», pelo que seria preferível a tradução do Cón. Falcão, «chegado à perfeição» ou a da Difusora Bíblica, «tornado perfeito». Note-se que a perfeição de que aqui se fala não é a do amadurecimento na virtude, mas a que advém a Jesus pelo exercício do seu sumo sacerdócio com a consumação da obra salvadora pela oferta do sacrifício da nova aliança: «a obediência de Jesus leva-o à sua consagração sacerdotal, que, por sua vez, O torna apto para salvar aqueles que Lhe obedecem» (The new Jerome Biblical Commentary, p. 929).

 

Salmo Responsorial    Sl 30 (31), 2-3ab.3cd-4.5-6.15-16ab.20 (R. 17b)

 

Monição: Lembra-nos o Salmo 30 que até as pessoas mais santas e bondosas têm de sofrer as contradições deste mundo maldoso. «Salvai-me, Senhor, pela vossa bondade!»

 

Refrão:         Salvai-me, Senhor, pela vossa bondade.

 

Em Vós, Senhor, me refugio, jamais serei confundido,

pela vossa justiça, salvai-me.

Inclinai para mim os vossos ouvidos,

apressai-vos em me libertar.

 

Sede a rocha do meu refúgio

e a fortaleza da minha salvação

porque Vós sois a minha força e o meu refúgio,

por amor do vosso nome, guiai-me e conduzi-me.          

 

Livrai-me da armadilha que me prepararam,

porque Vós sois o meu refúgio.

Em vossas mãos entrego o meu espírito,

Senhor, Deus fiel, salvai-me.

 

Eu, porém, confio no Senhor:

Disse: «Vós sois o meu Deus,

nas vossas mãos está o meu destino».

Livrai-me das mãos dos meus inimigos.

 

Como é grande, Senhor, a vossa bondade

que tendes reservada para os que Vos temem:

à vista da vossa face, Vós a concedeis

àqueles que em Vós confiam.

 

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: No Evangelho, Simeão profetiza que o Menino seria um sinal de contradição e que sua Mãe veria isso de alma trespassada ao revelarem-se assim os pensamentos maldosos de tantos corações

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação-1, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Bendita seja a Virgem Maria, que, sem passar pela morte,

mereceu a palma do martírio, ao pé da cruz do Senhor. Refrão

 

 

Evangelho

 

São João 19, 25-27

Naquele tempo, 25estavam junto à cruz de Jesus sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. 26Ao ver sua Mãe e o discípulo predilecto, Jesus disse a sua Mãe: «Mulher, eis o teu filho». 27Depois disse ao discípulo: «Eis a tua Mãe». E a partir daquela hora, o discípulo recebeu-a em sua casa.

 

Repare-se na solenidade deste relato: é uma cena central entre as cinco relatadas por João no Calvário; a Virgem Maria é mencionada 6 vezes em 3 versículos, e há o recurso a uma fórmula solene de revelação («ao ver… disse… eis…»). Isto deixa ver que não se trata dum simples gesto de piedade filial de Jesus para com a sua Mãe a fim de não a deixar ao desamparo, mas que o Evangelista lhe atribui um significado simbólico profundo; com efeito, chegada a hora de Jesus, é a hora de Ela assumir (cf. Jo 2, 4) o seu papel de nova Eva (cf. Gn 3, 15) na obra redentora. A designação de «Mulher» assume, na boca do Redentor, o novo Adão, o sentido da missão co-redentora de Maria: não é chamada Mãe, mas sim Mulher, como nova Eva, Mãe da nova humanidade, por alusão à «mulher» da profecia messiânica de Gn 3, 15. Por outro lado, Ela é a mulher que simboliza a Igreja (cf. Apoc 12, 1-18), a mãe dos discípulos de Jesus representados no discípulo amado, que «a acolheu como coisa própria». A tradução mais corrente deste inciso (seguida pela tradução litúrgica) é: «recebeu-a em sua casa», mas esta forma de tradução empobrece de modo notável o rico sentido originário da expressão grega «élabon eis idía», uma expressão usada mais quatro vezes em S. João, mas nunca neste sentido; com efeito, a expressão idía – «as coisas próprias» – significa muito mais do que a própria casa, indica tudo o que é próprio da pessoa, a sua intimidade. A tradução «recebeu-a como sua» corresponde melhor ao sentido original.

É também de notar que S. João, ao contrário dos restantes Evangelistas, nunca se refere a Nossa Senhora com o nome de Maria; sempre a designa como a Mãe (de Jesus), um indício de ser tratada realmente como mãe; com efeito, ninguém jamais nomeia a própria mãe com o nome dela: para o filho a mãe é simplesmente a mãe!

 

Em vez do Evangelho precedente, pode ler-se o seguinte:

 

São Lucas 2, 33-35

Naquele tempo, 33o pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que se dizia d’Ele. 34Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição 35 e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações».

 

33-34 «Simeão», de quem não temos mais notícias (não se diz que era velho e que fosse filho de Hillel e pai de Gamaliel I é pura suposição), aparece como um dos «piedosos» do judaísmo que esperava não um messias revolucionário (como os zelotas) mas o verdadeiro Salvador, «a consolação de Israel» (v. 25). Apesar do que se diz no v. 34, não parece ser sacerdote, não estando no serviço do templo, mas tendo vindo lá «movido pelo Espírito» (v. 27).

A naturalidade com que S. Lucas chama a S. José «pai de Jesus» não implica qualquer contradição com o que antes afirmou em 1, 26-38. Aqui visa o poder e missão paterna, de modo nenhum a ascendência carnal. «A «espada» de dor pré-anunciada a Maria anuncia essa outra oblação, perfeita e única, da cruz, que trará a salvação que Deus «preparou diante de todos os povos» (v. 31)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 529).

35 «Assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». Estas palavras ligam-se a «sinal de contradição». É que, diante de Jesus, não há lugar para a neutralidade: a sua pessoa, a sua obra e a sua mensagem fazem com que os homens revelem o seu interior, tomando uma atitude pró ou contra; a aceitação e a fé será, para muitos, motivo de salvação, ou «ressurgimento espiritual»: de que «se levantem»; ao passo que a rejeição culpável será motivo de que muitos se condenem: de que «muitos caiam».

 

Sugestões para a homilia

«Junto à cruz de Jesus estava sua mãe» (Jo 19,25).

Hoje a Igreja a piedade, compaixão e as dores de Maria que tiveram o seu auge no momento da crucifixão de Jesus. Esta devoção deve-se muito à missão dos Servitas, religiosos da Companhia de Maria Dolorosa, e foi introduzida na Liturgia pelo Papa Bento XIII.

A devoção a Nossa Senhora das Dores tem fundamentação bíblica pois é na Palavra de Deus que encontramos as sete dores de Maria: o velho Simeão, que profetiza a lança que trespassaria (de dor) o Seu Coração Imaculado; a fuga para o Egipto; a perca do Menino Jesus; a Paixão do Senhor; a crucifixão, morte e sepultura de seu Filho.

A Igreja, ao celebrar esta festa, quer-nos recordar que Maria, também, pelas dores oferecidas, participou activamente na redenção de Cristo. Desta forma, Maria, imagem da Igreja, aponta-nos para uma nova vida que não significa ausência de sofrimentos mas sim oferta de si mesmo na edificação do Reino de Deus, da civilização do amor.

Já nos acostumamos, sobretudo na Semana Santa, a ver Maria como a virgem dolorosa. Entretanto, a verdadeira lembrança que a tradição cristã conservou dela, é a de uma mãe forte, que se manteve firme ao pé da cruz, ou seja, que não se deixou abater pela dor. Ela é protótipo da atitude de firmeza frente ao sofrimento. Mas não se trata de qualquer firmeza, trata-se da firmeza que está sustentada pela esperança. O coração de Maria não se deixou jamais esvaziar-se de esperança e por isso a comunidade cristã a recorda neste dia como a mãe fiel, que, mesmo na máxima dor, acompanhou o seu filho até a morte na cruz.

Devemos, por isso, ter os mesmos sentimentos de Maria. Perante a dor e o sofrimento, não podemos perder a esperança. Está por amanhecer um novo dia, o dia da vida. E não só o dia da recordação da vida: este dia da esperança não é uma utopia, é uma realidade que devemos concretizar.

Com Maria, como os pobres de Deus, podemos confiar sempre no Deus que nos ama, que nos anuncia, com a ressurreição de seu Filho, nossa própria ressurreição. Também nosso espírito pode se alegrar, mesmo na dor, pela esperança que o Deus da Vida sustenta em nós.

Nossa Senhora das Dores, rogai por nós!

 

 

Oração Universal

 

Irmãos, em resposta à Palavra do Senhor,

que a nossa oração se faça fraterna

e acolhedora às necessidades da Igreja e do mundo.

 

1.  Para que o Espírito Santo continue a guiar a Igreja

na sua missão de anunciar a Boa Nova a todos os povos,

oremos ao Senhor.

 

2.  Para que sustente as comunidades e as pessoas perseguidas

pela sua defesa dos direitos dos pobres e excluídos,

oremos ao Senhor.

 

3.  Para que ilumine os abatidos, dê esperança aos que experimentaram o fracasso

e ânimo aos desanimados da vida,

oremos ao Senhor.

 

4.  Para que os governantes busquem o bem dos povos,

a justiça e a paz acima dos seus interesses partidários,

oremos ao Senhor.

 

5.  Para que a nossa esperança na ressurreição

seja sempre mais forte que o nosso medo da morte,

oremos ao Senhor.

 

6.  Para que tenhamos sempre presente que

«ganha a vida» quem «a entrega» no serviço ao próximo,

oremos ao Senhor.

 

7.  Para que as religiões do mundo

reflictam sobre o significado da existência das demais religiões,

e todas se preparem para uma aproximação

e mútua colaboração para construir e salvaguardar a paz do mundo,

oremos ao Senhor.

 

Ó Deus, amor eterno, que gerastes todos os seres e os envolveis em vossa ternura materna.

Aumentai em nós a atitude de confiança na bondade da Vida e da Existência,

para que sejamos também criadores de Vida no amor.

Vós que viveis e reinais, e amais e chamais ao amor, pelos séculos do séculos. Amém.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Vimos trazer, Senhor, M. Faria, 20 Cânticos para a missa

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Deus de misericórdia, para glória do vosso nome, as nossas orações e as nossas ofertas, ao celebrarmos a memória da Virgem Santa Maria, que nos destes como Mãe bondosa, junto da cruz do vosso Filho, Jesus Cristo, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio de Nossa Senhora I [na festividade], p. 486 [644 756], ou II, p. 487

 

Santo: M. Luis, NCT 297

 

Monição da Comunhão

 

Como Maria junto à Cruz, permaneçamos pela sagrada comunhão unidos a Cristo, fonte de vida e de liberdade.

 

Cântico da Comunhão: O Corpo de Jesus é alimento, A. Cartageno, NRMS 60

1 Pedro 4,13

Antífona da comunhão: Alegrai-vos, se participardes nos sofrimentos de Cristo, porque será plena a vossa alegria, quando se manifestar a sua glória.

 

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o sacramento da redenção eterna, ao celebrarmos as dores da Virgem Santa Maria, ajudai-nos a completar em nós, em benefício da Igreja, o que falta à paixão de Cristo, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Foi ao ver seu Filho sofrer com tanto amor pelos seus irmãos, que Maria os passou a amar como Ele os amava, com seu coração de Mãe (Evangelho). E, de facto, na oração do horto, Jesus bem mostrou quanto Lhe custava tudo o que ia sofrer, embora sem desistir de «atingir a plenitude» da sua maior prova de amor (1ª leitura).

As dores de Maria em identificar-se com as maiores provas de amor de Jesus por nós, são a melhor garantia do amor materno que nos tem e um desafio a imitarmos as suas virtudes numa atenção permanente e renovada com o próximo

 

Cântico final: Virgem Mãe do mesmo Deus, M. Luis, NRMS 10 (II)

 

 

Homilias Feriais

 

24ª SEMANA

 

3ª Feira, 16-IX: S. Cornélio e Cipriano: Imitar a misericórdia de Jesus.

1 Cor 12, 12-14. 27-31 / Lc 7, 11-17

E vinha com ela (a viúva) bastante gente da cidade. Ao vê-la, o Senhor compadeceu-se e disse-lhe: Não chores.

Jesus veio compadecer-se dos que sofrem, como a viúva de Naim (cf Ev). «Jesus faz da misericórdia um dos temas principais da sua pregação… São muitos os passos dos ensinamentos de Cristo que manifestam o amor misericórdia sob uma espécie sempre nova» (Rico em misericórdia, n. 3).

Procuremos ser igualmente todos misericordiosos com os outros: «todos os membros do corpo constituem um só corpo, assim sucede também com Cristo» (Leit). Os mártires Cornélio e Cipriano viveram heroicamente a misericórdia.

 

4ª Feira, 17.IX: A Magna Carta do serviço.

1 Cor 12, 31- 13, 13 / Lc 7, 31-35

Aspirai com ardor aos dons espirituais mais elevados. Vou mostrar-vos um caminho de perfeição que ultrapassa tudo.

E este caminho de perfeição é o caminho da caridade. Neste hino à caridade (cf Leit), S. Paulo ensina-nos que a caridade ultrapassa a actividade: ‘Ainda que eu distribua todos os meus bens em esmolas e entregue o meu corpo a fim de ser queimado, se não tiver caridade, de nada me aproveita’. Pode pois chamar-se a Magna Carta de todo o serviço eclesial.

Jesus queixa-se da crítica que fizeram de João Baptista e d’Ele próprio. É um caso de juízos críticos, de faltas de caridade (cf Ev).

 

5ª Feira, 18-IX: Começar uma vida nova.

1 Cor 15, 1-11 / Lc 7, 36-50

Depois, disse à mulher: Os teus pecados estão perdoados… Foi a tua fé que te salvou. Vai em paz.

A fé e a humildade salvaram esta mulher de mais pecados. A sua oração foi escutada por Jesus, mesmo sem ter dito nada: «Jesus atende a oração de fé expressa em palavras… ou feita em silêncio (as lágrimas e o perfume da pecadora: cf Ev)» (CIC, 2616). O arrependimento levou-a a começar uma vida nova.

Também S. Paulo reconhece a actuação da graça de Deus na sua vida: «Pela graça de Deus é que sou aquilo que sou, e a graça que Ele me deu não foi inútil» (Leit).

 

6ª Feira, 19-IX: O contributo específico da mulher.

1 Cor 15, 12-20 / Lc 8, 1-3

Andavam com ele os doze, bem como algumas mulheres…que serviam Jesus com os seus haveres.

O Evangelho mostra como estas mulheres seguem e servem o Senhor (cf Ev)

«A Igreja está ciente do contributo específico da mulher para o serviço do Evangelho. A história da comunidade cristã atesta que as mulheres sempre tiveram um lugar de relevo no testemunho do Evangelho. Recorde-se tudo o que elas fizeram, muitas vezes em silêncio e sem dar nas vistas, para acolher e transmitir o dom de Deus, seja mediante a maternidade física e espiritual, a cação educativa, a catequese, a realização de grandes obras de caridade» (J. Paulo II).

 

Sábado, 20-IX:O crescimento das virtudes.

1 Cor 15, 35-37. 42-49 / Lc 8, 4-15

E a semente que ficou na boa terra são aqueles que ouviram a palavra com um coração recto e bom, a conservaram e, com perseverança, dão fruto.

Ambas as Leituras referem as sementeiras e as sementes. S. Paulo recorda: «O que tu semeias, não volta à vida sem morrer» (Leit). Isto significa que, sem o sacrifício, não pode haver frutos na vida de um cristão.

Jesus fala dos terrenos que recebem a sementeira de Deus (cf Ev). Num dos terrenos, o demónio tenta arrancar a palavra do coração: «O Espírito Santo permite-nos discernir entre a provação necessária ao crescimento interior em vista duma virtude comprovada» (CIC, 2847). Um dos meios de crescimento das virtudes é pois a provação.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:           Nuno Westwood

Nota Exegética:                      Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão

Sugestão Musical:                 Duarte Nuno Rocha

 


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