Exaltação da Santa Cruz

14 de Setembro de 2008

 

Festa

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Deus, vinde em meu auxílio, F. da Silva, NRMS 53

cf. Gal 6, 14

Antífona de entrada: Toda a nossa glória está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. N'Ele está a nossa salvação, vida e ressurreição. Por Ele fomos salvos e livres.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos hoje a festa da Santa Cruz. Olhemos para Jesus crucificado, meditemos mais a fundo no Seu amor. Com Maria, a Senhora das Dores saibamos estar muito unidos à Cruz de Jesus.

 

Oração colecta: Senhor, que na vossa infinita misericórdia, quisestes que o vosso Filho sofresse o suplício da cruz para salvar o género humano, concedei que, tendo conhecido na terra o mistério de Cristo, mereçamos alcançar no Céu os frutos da redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A serpente de bronze no deserto era figura de Jesus crucificado. Olhando para Ele também nós seremos livres das mordeduras da serpente infernal.

 

Números 21, 4b-9

Naqueles dias, 5o povo de Israel impacientou-se e falou contra Deus e contra Moisés: «Porque nos fizeste sair do Egipto, para morrermos neste deserto? Aqui não há pão nem água e já nos causa fastio este alimento miserável». 6Então o Senhor mandou contra o povo serpentes venenosas que mordiam nas pessoas e morreu muita gente de Israel. 7O povo dirigiu-se a Moisés, dizendo: «Pecámos, ao falar contra o Senhor e contra ti. Intercede junto do Senhor, para que afaste de nós as serpentes». E Moisés intercedeu pelo povo. 8Então o Senhor disse a Moisés: «Faz uma serpente de bronze e coloca-a sobre um poste. Todo aquele que for mordido e olhar para ela ficará curado». 9Moisés fez uma serpente de bronze e fixou-a num poste. Quando alguém, era mordido por uma serpente, olhava para a serpente de bronze e ficava curado.

 

5 «Este alimento miserável». Referência bem realista ao maná, cuja idealização posterior o considera, pelo contrário, «pão dos fortes» e «pão dos anjos», pão com todas as delícias e com todos os sabores ao gosto de cada pessoa (cf. Sab 16, 20-21; Salm 78, 23-25).

6 «Serpentes venenosas», à letra, de fogo, um hebraísmo para dizer serpentes abrasadoras, cuja espécie se ignora; há mesmo quem pense nas filárias, pequenos vermes parasitas que penetravam no sangue através da pele, que provocavam a filariose…

8 «Faz uma serpente de bronze…» Como se pode ver no Evangelho de hoje (Jo 3, 14-15), este relato encerra um sentido típico visado por Deus: o poste é figura da Cruz, a serpente de bronze é figura de Cristo Salvador, que salva da morte eterna todos os homens feridos pela mordedura mortal do pecado, desde que olhem para Jesus com fé.

 

Salmo Responsorial    Sl 77 (78), 1-2.34-35.36-37.38 (R. cf. 7c)

 

Monição: O Senhor convida-nos à conversão. Em Cristo crucificado temos a garantia do perdão uma vez e outra.

 

Refrão:         Não esqueçais as obras do Senhor.

 

Escuta, meu povo, a minha instrução,

presta ouvidos às palavras da minha boca.

Vou falar em forma de provérbio,

vou revelar os mistérios dos tempos antigos.

 

Quando Deus castigava os antigos, eles O procuravam,

tornavam a voltar-se para Ele

e recordavam-se de que Deus era o seu protector,

o Altíssimo o seu redentor.

 

Eles, porém, enganavam-n’O com a boca

e mentiam-Lhe com a língua

o seu coração não era sincero,

nem eram fiéis à sua aliança.

 

Mas Deus, compadecido, perdoava o pecado

e não os exterminava.

Muitas vezes reprimia a sua cólera

e não executava toda a sua ira.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Jesus crucificado manifesta a entrega total à vontade de Deus, que nos obteve a salvação.

 

Filipenses 2, 6-11

6Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, 7mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, 8humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz. 9Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes, 10para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem no céu, na terra e nos abismos, 11e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.

 

A leitura constitui um admirável hino à humilhação e exaltação de Cristo, um hino que muitos exegetas pensam ser anterior ao este escrito paulino; é a mais antiga confissão de fé explícita na divindade de Cristo que consta dos escritos do Novo Testamento.

6 «De condição divina». Literalmente: «existindo em forma de Deus». Ora esta forma (morfê) de Deus, ainda que não significasse directamente a natureza divina, pelo menos indicaria a glória e a majestade, atributos especificamente divinos na linguagem bíblica. De qualquer modo, como bem observa Heinrich Schlier, a expressão em forma de Deus não quer dizer que Deus tenha uma forma como a têm os homens, mas significa que Jesus «tinha um ser como Deus, um ser divino».

«Não se valeu da sua igualdade com Deus». Há diversas possibilidades de tradução desta rica expressão, segundo se considerar o termo grego harpagmós em sentido activo (roubo), ou em sentido passivo (coisa roubada). A Vulgata traduz: «não considerou uma usurpação (rapinam) o ser igual a Deus» (sentido activo). Segundo a interpretação dos Padres Gregos, a que se ateve a nossas tradução litúrgica (sentido passivo), teríamos: «não considerou como algo cobiçado (harpagmón)… Há quem pense que S. Paulo quer fazer ressaltar o contraste entre a atitude soberba dos primeiros pais que, sendo homens, quiseram vir a ser iguais a Deus (cf. Gn 3, 5.22), e a atitude humilde de Jesus que, sendo Deus, se quis fazer «semelhante aos homens» (v. 7).

7 «Mas aniquilou-se a si próprio», à letra, esvaziou-se: Jesus Cristo, ao fazer-se homem, não se despojou da natureza divina, mas sim da glória ou manifestação sensível da majestade que Lhe competia em virtude da chamada união hipostática (na pessoa do Filho eterno de Deus, a natureza humana e a natureza divina unidas numa união misteriosa). «Assumindo a condição de servo», o que não significa a condição social de escravo, mas a «forma» (morfê) de se conduzir própria de um ser pobre e dependente, cumprindo n’Ele a figura do «servo de Yahwéh», a que se refere a primeira leitura de hoje. «Tornou-se semelhante aos homens, aparecendo como homem», não apenas, como queria a heresia doceta, nas aparências (skhêmati), mas no sentido em que o homem é «semelhante» (en homoiômati) dos outros homens, em tudo igual excepto no pecado (cf. Hebr 4, 15).

8 «Humilhou-se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz». Note-se como é posta em relevo esta obediência e aniquilamento – a kénosis – de Cristo, num sublime crescendo de humilhação em humilhação: feito homem, assume a condição de escravo, Ele obedece, e com uma obediência que vai até à morte, e não uma morte qualquer, mas a dum malfeitor, a morte de cruz – homem, escravo, malfeitor!

9-11 Mas este aniquilamento – o tremendo escândalo da Cruz – não foi uma derrota, o humilhante desfecho dum história trágica com que tudo acabou. Temos em paralelo o sublime paradoxo da sua «exaltação»: foi «por isso Deus – não Ele próprio, mas o Pai – O exaltou» de modo singularíssimo, à letra, acima de tudo o que existe, como o sugere a preposição hypér na composição do verbo hypsóein (exaltar). Esta exaltação deu-se com a glorificação da humanidade de Jesus na sua Ressurreição e Ascensão. A esta sublime exaltação corresponde o «Nome» que Lhe é dado por Deus, o mesmo nome com que passa a ser invocado pela multidão de todos os crentes de todos os tempos. Com efeito, já não se trata do simples nome de Jesus, um nome corrente com que era tratado na sua vida terrena e que consta da sentença que o condenou à morte de cruz, nem apenas o título da sua condição messiânica, «Cristo», pois o nome que agora Lhe compete é o mesmo nome com que o próprio Deus é designado no A. T.: «Kyrios-Senhor», nome divino, como consta da tradução grega de «Yahwéh». Desde agora, a todos pertence proclamar e reconhecer a divindade de Jesus – «toda a língua proclame que Jesus Cristo é Senhor» (mais expressivo sem artigo, como no original grego) – e o seu domínio sobre toda a criação, a saber: «no céu, na terra e nos abismos, para glória de Deus Pai» (A tradução da velha Vulgata neste ponto era pouco expressiva e deficiente: «que o Senhor Jesus Cristo está na glória de Deus Pai»).

Independentemente da discussão acerca do aniquilamento de que aqui se fala, se ele visa ou não directamente o mistério da Incarnação, fica bem claro que Jesus não é um simples servo do Senhor que vem a ser exaltado por Deus, pois Ele é Deus que se abaixa e depois vem a ser exaltado. Também fica patente que a fé na divindade de Jesus não é o fruto duma elaboração teológica tardia, pois a epístola é, quando muito, do ano 62, se não é mesmo de cerca de 56 (data mais provável), e, como dissemos, estes versículos fariam parte dum hino litúrgico a Cristo, anterior à epístola.

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: Jesus fala-nos do amor infinito que Deus nos tem e que se manifesta na Sua cruz.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação-2, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo,

que pela vossa santa cruz remistes o mundo.

 

 

Evangelho

 

São João 3, 13-17

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 13«Ninguém subiu ao Céu senão Aquele que desceu do Céu: o Filho do homem. 14Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, 15para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna. 16Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. 17Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele».

 

O texto é tirado do «discurso» de Jesus a Nicodemos. Não é fácil distinguir nos discursos de Jesus em S. João, quando é que o evangelista apresenta as próprias palavras de Jesus de quando apresenta a sua reflexão divinamente inspirada sobre elas. Aqui costuma-se considerar a meditação do evangelista a partir do v. 13, meditação que, do v. 16 ao 21, é o chamado kérigma joanino.

13 «Filho do Homem» tem em S. João um sentido glorioso, indicando a origem divina de Jesus, o Filho de Deus pré-existente enviado ao mundo para salvar os homens e que «subiu ao Céu», uma realidade que pertence às coisas do Céu (v. 12); nos Sinópticos conserva mais o sentido da literatura apocalíptica (cf. Dn 7, 13; 4 Esd; Henoc Etiópico), indicando o Messias, o salvador do povo que virá no fim dos tempos e também o Messias-sofredor. Mas expressão na Filho do homem nem sempre fica bem claro o título cristológico, pois por vezes poderia não passar de um mero asteísmo, uma figura de linguagem para Jesus se referir discretamente à sua pessoa: este homem = eu.

14 «Elevado», na Cruz, entenda-se. Mas S. João joga com os dois sentidos da elevação, na Cruz e na glória. E isto não é um simples artifício literário, mas encerra um mistério profundo, pois é na Paixão que se manifesta todo o amor de Jesus (cf. Jo 13, 1), todo o seu poder divino salvífico de dar o Espírito e a vida eterna (cf. 7, 38; 12, 23-24; 17, 1.2.19), numa palavra, a sua glória, que culmina na Ressurreição (cf. 12, 16). Para a alusão à serpente de bronze, ver Nm 21, 4-9 (1ª leitura de hoje); Sab 16, 5-15 e o Targum que fala mesmo dum lugar elevado onde Moisés a colocou.

16 «Deus... entregou o seu Filho Unigénito». Parece haver aqui uma alusão ao sacrifício de Isaac (cf. Gn 22, 1-12), que os Padres consideravam uma figura de Cristo, até por aquele pormenor de Isaac subir o monte Moriá com a lenha às costas, figura de Jesus subindo o monte Calvário carregando a Cruz.

17 «Não… para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo». Jesus contraria as ideias judaicas da época, que imaginavam o Messias como um juiz que antes de mais vinha para julgar e condenar todos os que ficavam fora do Reino de Deus, ou se lhe opunham.

 

Sugestões para a homilia

 

A serpente no deserto

Deus amou de tal modo o mundo

Obedecendo até à morte

A serpente no deserto

Celebramos a festa da Santa Cruz. Por ela Jesus venceu o demónio, que enganou os primeiros pais na árvore do paraíso.

A primeira leitura fala-nos da serpente de bronze que Moisés ergueu no deserto por ordem de Deus. Quando os israelitas eram mordidos pelas serpentes venenosas, se olhassem para aquela imagem, ficavam curados. Jesus no evangelho compara a Sua crucifixão à serpente erguida por Moisés, como fonte de salvação.

Ele quer que olhemos para a Sua cruz com fé e piedade, que saibamos ler esse livro, ao alcance de todos, que é o crucifixo. Que ali encontremos o remédio para as mordeduras do demónio, para os nossos pecados. Ali está a fonte da graça e do perdão.

Jesus venceu na árvore da cruz. Ela é sinal de vitória. Devemos fazer muitas vezes o sinal da cruz: ao levantar, ao deitar, ao entrar na igreja, ou quando somos tentados pelo demónio. É um gesto piedoso, que nos defende do mal e afugenta o inimigo.

Deus amou de tal modo o mundo

O crucifixo foi o livro dos santos, mesmo dos grandes teólogos. Um dia perguntaram a S.Boaventura qual era o seu livro preferido e ele respondeu: – o crucifixo.

E o grande apóstolo S.Paulo escrevia aos coríntios: – «Julguei que não devia saber coisa alguma entre vós senão a Jesus Cristo e este Crucificado» (I Cor 2, 2).

A cruz fala-nos do amor de Deus. Ele amou de tal modo o mundo que lhe deu o Seu próprio Filho (Ev).

Fala-nos de Jesus que voluntariamente se entregou à morte para nos salvar. «Não há maior prova de amor do que dar a vida por aqueles que se amam» (Jo 15,13)

É também uma lição viva sobre a maldade das ofensas a Deus. Hoje perdeu-se a sensibilidade ao pecado, mesmo entre os cristãos mais fervorosos. Olhando para Jesus crucificado vemos a maldade infinita do pecado, que ofende a majestade infinita de Deus. A Carta aos Hebreus diz que os que pecam gravemente crucificam de novo o Filho de Deus (Cfr.Heb 6,6).

Temos de procurar, como lembrava o Sínodo extraordinário que celebrou os 25 anos do Concílio, a centralidade do mistério da cruz. Era esse o centro da pregação dos Apóstolos, conforme relata o livro dos Actos. Ele tem de ser o centro da vida da Igreja e da sua pregação.

Na epístola aos Coríntios S.Paulo escreve:

«Cristo não me enviou a baptizar, mas a pregar o Evangelho, não com a sabedoria das palavras, para que não se torne inútil a Cruz de Cristo.

Efectivamente, a linguagem da cruz é uma loucura para os que se perdem, mas, para os que se salvam, isto é, para nós, é a força de Deus. Porque está escrito: ‘Destruirei a sabedoria dos sábios e reprovarei a prudência dos prudentes’. Onde está o sábio? Onde o homem instruído? Onde o investigador deste mundo? Porventura não tornou Deus em loucura a sabedoria deste mundo? De facto, já que o mundo pela sua própria sabedoria não conheceu Deus na Sua divina sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes por meio da loucura da pregação.

Enquanto os judeus exigem milagres e os gregos buscam a sabedoria, nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus e loucura para os gentios, mas, para os que são chamados, quer dos judeus, quer dos gregos, é Cristo força de Deus e sabedoria de Deus; porque o que é loucura em Deus é mais sábio que os homens, e o que é fraqueza em Deus é mais forte que os homens

E o Apóstolo continua:

«Eu, pois, quando fui ter convosco, irmãos, a anunciar-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de estilo ou de sabedoria. Porque julguei que não devia saber coisa alguma entre vós senão a Jesus Cristo, e Este crucificado. Estive entre vós com fraqueza, temor e grande tremor; a minha conversação e a minha pregação não tinham nada da linguagem persuasiva da sabedoria, mas eram manifestação de Espírito e de força, para que a vossa fé não se baseie sobre a sabedoria dos homens, mas na força de Deus. Não obstante, é de sabedoria que nós falamos entre os perfeitos; não, porém, uma sabedoria deste mundo nem dos príncipes deste mundo, que serão destruídos, mas pregamos a misteriosa sabedoria de Deus, que está encoberta, e que Deus predestinou antes dos séculos para a nossa glória.» (1 Cor 1,17-25 e 2,1-7)

Se a Igreja esquece esta centralidade depressa se deixará arrastar pela sabedoria humana, arrogante e falsa sabedoria, que é loucura para Deus.

S.Paulo não só pregou a sabedoria da Cruz mas soube viver unido a ela. Escrevia aos Gálatas:

«Estou pregado com Cristo na cruz; vivo, mas já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim. A vida com que vivo agora na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, que me amou e Se entregou a Si mesmo por mim.» (Gal 2, 19 )

«Longe de mim o gloriar-me senão na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, por Quem o mundo está crucificado para mim e eu crucificado para o mundo. De facto, nem a circuncisão nem a incircuncisão valem nada, mas sim o ser uma nova criatura. A todos os que seguirem esta regra, paz e misericórdia, assim como ao Israel de Deus. Para o futuro ninguém me moleste, porque eu trago no meu corpo as marcas de Jesus.» (Gal 6, 14-17)

Neste ano dedicado ao Apóstolo vale a pena meditar e seguir mais ainda o seu exemplo.

Obedecendo até à morte

Obedecer à vontade de Deus significa esforço e sacrifício, às vezes heróico. Temos de aprender com Jesus, que nos anima e ajuda com a Sua graça.

Às vezes encontramos a cruz no caminho da nossa vida, nas doenças, nas contrariedades, naquilo que o mundo chama desgraças. Se olhamos para Jesus crucificado essas dores encontram sentido e achamos coragem para levar a cruz que o Senhor nos entrega. Com ela podemos amar a Deus, ajudar a salvar os outros, como Jesus. Nela podemos encontrar alegria verdadeira. Deus abençoa com a cruz.

João Paulo II numa das visitas ao Brasil esteve numa leprosaria. Procurou animar os leprosos: «A vossa doença é uma cruz mas não uma cega fatalidade. O sofrimento pode converter-se num princípio de graça e salvação»

Na capela da leprosaria havia uma rosa pintada cheia de espinhos que representava o sofrimento que cresce no amor. Havia também uma imagem de Cristo mutilado de braços e de pernas, diante do qual os leprosos costumam rezar uma antiga oração: «Cristo não tem mãos porque tem as nossas, não tem pés porque tem os nossos, para guiar e conduzir os homens ao Seu caminho» (P.GOMEZ BORRERO, Juan Pablo amigo;cit.em JULIO EUGUI, Más anédotas e virtudes (Madrid 1999), nº 85).

«Se alguém quer seguir-Me negue-se a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-Me (Lc 9,23). Di-lo Cristo outra vez a nós, como que ao ouvido, intimamente: a Cruz cada dia» (S.JOSEMARIA, Cristo que passa, 58).

Que a Virgem das Dores nos ensine a estar bem unidos à cruz de Seu Filho e a sermos corredentores com Ele.

 

Fala o Santo Padre

 

«A Cruz, não constitui um acidente de percurso, mas a passagem através da qual Cristo entrou na sua glória.»

 

[…] A Cruz é a manifestação enternecedora do acto de amor infinito, com que o Filho de Deus salvou o homem e o mundo do pecado e da morte. Por isso, o sinal da Cruz é o gesto fundamental da nossa oração, da prece do cristão. Fazer o sinal da Cruz, como agora faremos com a Bênção, significa pronunciar um sim visível e público Àquele que morreu por nós e que ressuscitou, ao Deus que na humildade e da debilidade do seu amor é o Omnipotente, mais vigoroso que todo o poder e inteligência do mundo.

Após a consagração na Santa Missa, a assembleia dos fiéis, consciente de se encontrar na presença real de Cristo crucificado e ressuscitado, assim aclama: «Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde Senhor Jesus». Com os olhos da fé, a Comunidade reconhece Jesus vivo, com os sinais da sua paixão e, juntamente com Tomé, repleta de surpresa, pode repetir: «Meu Senhor e meu Deus!» (Jo 20, 28). A Eucaristia é mistério de morte e de glória, como a Cruz, que não constitui um acidente de percurso, mas a passagem através da qual Cristo entrou na sua glória (cf. Lc 24, 26) e reconciliou a humanidade inteira, derrotando toda a inimizade. Por isso, a liturgia convida-nos a rezar com esperança confiante:

Mane nobiscum Domine! Permanecei connosco, Senhor, que com a vossa santa Cruz redimistes o mundo!

Maria, presente no Calvário junto da Cruz, está igualmente presente, com a Igreja e como Mãe da Igreja, em cada uma das nossas Celebrações eucarísticas (cf. Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia, 57). Por isso, ninguém melhor que Ela pode ensinar-nos a compreender e viver com fé e amor a Santa Missa, unindo-nos ao sacrifício redentor de Cristo. Quando recebemos a sagrada Comunhão, também nós, como Maria e a Ela unidos, nos estreitamos ao madeiro que Jesus, mediante o seu amor, transformou em instrumento de salvação, e pronunciamos o nosso «Amem», o nosso «sim» ao Amor crucificado e ressuscitado.

 

Papa Bento XVI, Angelus, Castel Gandolfo, 11 de Setembro de 2005

 

Oração Universal

 

Da Cruz de Jesus nos vêm todas as graças, que Ele nos alcançou com o Seu sangue.

Imploremos com toda a confiança neste dia:

 

1.  Pela Santa Igreja de Deus,

perseguida em tantas nações e pelos que sofrem pela Sua fé,

para que essas dores continuem a ser semente de cristãos,

oremos ao Senhor.

 

2.  Pelo Santo Padre,

para que o Senhor o encha de alegrias nos trabalhos

e nos cuidados por todas as igrejas,

oremos ao Senhor.

 

3.  Pelos bispos e sacerdotes,

para que se entreguem generosamente no serviço das almas

sem medo das cruzes do seu ministério,

oremos ao Senhor.

 

4.  Pelos cristãos do mundo inteiro,

para que cresçam na devoção à Santa Cruz,

oremos ao Senhor.

 

5.  Para que todos escutemos os apelos de Nossa Senhora

para oferecer a Jesus os sacrifícios nas pequenas coisas de cada dia,

oremos ao Senhor.

 

Senhor, que nos chamastes a seguir a Cristo, Vosso Filho, pelo caminho da cruz,

ensinai-nos a entender melhor o mistério da Sua Paixão e Morte

e a unir-nos mais a Ele  em nossa vida. Pelo mesmo N.S.J.C.Vosso Filho que conVosco

vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Na hóstia sobre a patena, B. Salgado, NRMS 6(II)

 

Oração sobre as oblatas: Purificai-nos de todas as culpas, Senhor, pela oblação deste sacrifício, que no altar da cruz tirou o pecado do mundo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Prefácio

 

O triunfo glorioso da cruz

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Na árvore da cruz estabelecestes a salvação da humanidade, para que donde viera a morte daí ressurgisse a vida e aquele que vencera na árvore do paraíso fosse vencido na árvore da cruz, por Cristo nosso Senhor.

Por Ele, numa só voz, os Anjos e os Arcanjos e todos os coros celestes proclamam com júbilo a vossa glória. Permiti que nos associemos às suas vozes, cantando humildemente o vosso louvor:

 

Santo, Santo, Santo

 

Pode dizer-se o prefácio da paixão do Senhor I: p. 467 [600-172]

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Na Eucaristia Jesus dá-nos força para levar a cruz de cada dia e abraçar-nos a ela com alegria.

 

Cântico da Comunhão: Se não comerdes a minha carne, F. da Silva, NRMS 48

Jo 12, 32

Antífona da comunhão: Quando Eu for levantado da terra, atrairei tudo a Mim, diz o Senhor.

 

 

Oração depois da comunhão: Senhor Jesus Cristo, que nos alimentais nesta mesa sagrada, fazei que o vosso povo, resgatado pela cruz redentora, seja conduzido à glória da ressurreição. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Celebrámos a festa da Santa Cruz. Que saibamos ler e meditar muitas vezes as lições do crucifixo. Que Nossa Senhora nos ensine a estar muito unidos à Cruz de Seu Filho.

 

Cântico final: Salvé ó Cruz, M. Faria, 20 cânticos para a missa

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:           Celestino C. Ferreira

Nota Exegética:                      Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                 Duarte Nuno Rocha

 


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