Assunção da Virgem Santa Maria

Missa do Dia

15 de Agosto de 2004



RITOS INICIAIS


Cântico de entrada: Alegres, Jubilosos, F. Silva, NRMS 10

Ap 12, 1

Antífona de entrada: Um sinal grandioso apareceu no céu: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de estrelas na cabeça.

Ou


Exultemos de alegria no Senhor, ao celebrar este dia de festa em honra da Virgem Maria. Na sua Assunção alegram-se os Anjos e cantam louvores ao Filho de Deus.


Diz-se o Glória


Introdução ao espírito da Celebração


Hoje foi elevada ao Céu a Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe; Ela é figura da Igreja que um dia será glorificada; Ela é a Consolação e a Esperança do Povo de Deus ainda peregrino na terra.

«Alegremo-nos todos no Senhor e celebremos festivamente este dia em honra da Mãe do Céu: na sua Assunção alegram-se os Anjos e cantam louvores ao Filho de Deus» (Antífona de Entrada).


Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que elevastes à glória do Céu em corpo e alma a Imaculada Virgem Maria, Mãe do Vosso Filho, concedei-nos a graça de aspirarmos sempre às coisas do alto, para merecermos participar da sua glória. Por Nosso Senhor...



Liturgia da Palavra


Primeira Leitura


Monição: Sob a imagem da Arca da Aliança e da mulher vestida de sol é-nos apresentada, na visão do Apocalipse, a Virgem Imaculada, como sinal grandioso de esperança para todos os tempos. Ela é verdadeiramente a nossa Esperança.


1 Crónicas 15, 3-4.15-16 16, 1-2

Naqueles dias, 3David reuniu em Jerusalém todo o povo de Israel, a fim de trasladar a arca do Senhor para o lugar que lhe tinha preparado. 4Convocou também os descendentes de Aarão e os levitas. 15Os levitas transportaram então a arca de Deus, por meio de varas que levavam aos ombros, conforme tinha ordenado Moisés, segundo a palavra do Senhor. 16David ordenou aos chefes dos levitas que dispusessem os seus irmãos cantores, para que, acompanhados por instrumentos de música – cítaras, harpas e címbalos – , entoassem as suas alegres melodias. 1Assim trasladaram a arca de Deus e colocaram-na no meio da tenda que David mandara levantar para ela. 2Depois ofereceram, diante de Deus, holocaustos e sacrifícios de comunhão. Quando David acabou de oferecer os holocaustos e os sacrifícios de comunhão, abençoou o povo em nome do Senhor.


Sob a imagem da Arca (v. 19) e da mulher (vv. 1-17) é-nos apresentada, na intenção da liturgia, a Virgem Maria. Entretanto os exegetas continuam a discutir, sem chegar a acordo, se estas imagens se referem à Igreja ou a Maria. Sem nos metermos numa questão tão discutida, podemos pensar com alguns autores que a Mulher simboliza, num primeiro plano, a Igreja, mas, tendo em conta as relações tão estreitas entre a Igreja e Maria - «membro eminente e único da Igreja, seu tipo e exemplar perfeitíssimo na fé e na caridade... sua Mãe amorosíssima» (Vaticano II, LG 53) – podemos englobar a Virgem Maria nesta imagem da mulher do Apocalipse. Tendo isto em conta, citamos o comentário de Santo Agostinho ao Apocalipse (Homilia IX):

4-5 «O Dragão colocou-se diante da mulher...»: «A Igreja dá à luz sempre no meio de sofrimentos, e o Dragão está sempre de vigia a ver se devora Cristo, quando nascem os seus membros. Disse-se que deu à luz um filho varão, vencedor do diabo».

6 «E a mulher fugiu para o deserto»: «O mundo é um deserto, onde Cristo governa e alimenta a Igreja até ao fim, e nele a Igreja calca e esmaga, com o auxílio de Cristo, os soberbos e os ímpios, como escorpiões e víboras, e todo o poder de Satanás».


Salmo Responsorial Sl 44 (45), 10.11.12.16 (R. cf. 10b)


Monição: O salmo que vamos meditar transporta-nos à glória de Deus onde Maria está coroada como Rainha do Céu e da terra, acima de todos os Anjos e Santos- mais que Ela só Deus.


Refrão: À vossa direita, Senhor, a Rainha do Céu,

ornada do ouro mais fino.


Ou: À vossa direita, Senhor, está a Rainha do Céu.


Ao vosso encontro vêm filhas de reis,

à vossa direita está a rainha, ornada com ouro de Ofir.


Ouve, minha filha, vê e presta atenção,

esquece o teu povo e a casa de teu pai.


Da tua beleza se enamora o Rei

Ele é o teu Senhor, presta-Lhe homenagem.


Cheias de entusiasmo e alegria,

entram no palácio do Rei.


Segunda Leitura


Monição: A exaltação de Maria deve-se aos méritos de Jesus Cristo e à sua correspondência à graça. S. Paulo recorda-nos que também nós participaremos da Sua Ressurreição gloriosa, se formos fiéis, a exemplo de Maria.


1 Coríntios 15, 20-27

Irmãos: 20Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. 21Uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos 22porque, do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida. 23Cada qual, porém, na sua ordem: primeiro, Cristo, como primícias a seguir, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. 24Depois será o fim, quando Cristo entregar o reino a Deus seu Pai depois de ter aniquilado toda a soberania, autoridade e poder. 25É necessário que Ele reine, até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. 26E o último inimigo a ser aniquilado é a morte, porque Deus tudo colocou debaixo dos seus pés. 27Mas quando se diz que tudo Lhe está submetido é claro que se exceptua Aquele que Lhe submeteu todas as coisas.


É a partir deste texto e do de Romanos 5 que os Padres da Igreja estabelecem a tipologia baseada num paralelismo antiético, entre Eva e Maria: Eva, associada a Adão no pecado e na morte; Maria, associada a Cristo na obra de reparação do pecado e na ressurreição.

20-23 S. Paulo, começando por se apoiar no facto real da Ressurreição de Cristo, procura demonstrar a verdade da ressurreição (vv. 1-19). Nestes versículos, diz que «Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram» (v. 20). As primícias eram os primeiros frutos do campo que se deviam oferecer a Deus e só depois se podia comer deles (cf. Ex 28; Lv 23, 10-14; Nm 15, 20-21). De igual modo, Cristo nos precede na ressurreição. Nós (exceptuando pelo menos a Virgem Maria) havemos de ressuscitar «por ocasião da sua vinda» (v. 23). Não se pode confundir esta ressurreição sobrenatural e misteriosa de que aqui se fala com a imortalidade da alma. O Credo do Povo de Deus de Paulo VI, no n.º 28, diz: «Cremos que as almas de todos aqueles que morrem na graça de Cristo - tanto as que ainda devem ser purificadas com o fogo do Purgatório, como as que são recebidas por Jesus no Paraíso logo que se separem do corpo, como o Bom Ladrão - constituem o Povo de Deus depois da morte, a qual será destruída por completo no dia da Ressurreição, em que as almas se unirão com os seus corpos». Por seu turno, a S. Congregação para a Doutrina da Fé, na carta de 17-5-79, declara: «A Igreja, ao expor a sua doutrina sobre a sorte do homem depois da morte, exclui qualquer explicação com que se tirasse o seu sentido à Assunção de Nossa Senhora, naquilo que esta tem de único, ou seja, o facto de ser a glorificação que está destinada a todos os outros eleitos».


Aclamação ao Evangelho


Monição: Unamo-nos a todas as gerações e proclamemos ditosa Aquela que Deus exaltou, dizendo com Santa Isabel: «Bendita és Tu entre as mulheres».


Aleluia


Maria foi elevada ao Céu:

alegra-se a multidão dos Anjos.


Cântico: J. Duque, NRMS 21



Evangelho


São Lucas 1, 39-56

39Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. 40Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo 42e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. 43Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? 44Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. 45Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor». 46Maria disse então: «A minha alma glorifica o Senhor 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, 48porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. 49O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome. 50A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. 51Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. 52Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. 53Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. 54Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, 55como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre». 56Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a sua casa.


Os exegetas descobrem neste relato uma série de ressonâncias vetero-testementárias, o que corresponde não apenas ao estilo do hagiógrafo, mas sobretudo à sua intenção teológica de mostrar como na Mãe de Jesus se cumprem as figuras do A.T.: Maria é a verdadeira e nova Arca da Aliança (comparar Lc 1, 43 com 2 Sam 6, 9 e Lc 1, 56 com 2 Sam 6, 11) e a verdadeira salvadora do povo, qual nova Judite (comparar Lc 1, 42 com Jdt 13, 18-19) e qual nova Ester (Lc 1, 52 e Est 1 – 2).

39 «Uma cidade de Judá». A tradição diz que é Ain Karem, uma povoação a 6 Km a Oeste da cidade nova de Jerusalém. De qualquer modo, ficaria a uns quatro dias de viagem de Nazaré. Maria empreende a viagem movida pela caridade e espírito de serviço. A «Mãe do meu Senhor» (v. 43) não fica em casa à espera de que os Anjos e os homens venham servir a sua rainha; e Ela mesma, que se chama «escrava do Senhor» (v. 38), «a sua humilde serva» (v. 48), apressa-se em se fazer a criada da sua prima e de acudir em sua ajuda. Ali permanece, provavelmente, até depois do nascimento de João, uma vez que S. Lucas nos diz que «ficou junto de Isabel cerca de três meses».

42 «Bendita és Tu entre as mulheres». Superlativo hebraico: a mais bendita de todas as mulheres.

43-44 «A Mãe do meu Senhor». As palavras de Isabel são proféticas: o mexer-se do menino no seu seio (v. 41) não era casual, mas «exultou de alegria» para também ele saudar o Messias e sua Mãe.

46 45 O cântico de Nossa Senhora, o Magnificat, é um poema de extraordinária beleza poética e elevação religiosa. Dificilmente poderiam ficar melhor expressos os sentimentos do coração da Virgem Maria – «a mais humilde e a mais sublime das criaturas» (Dante, Paraíso, 33, 2) –, em resposta à saudação mais elogiosa (vv. 42-45) que jamais se viu em toda a Escritura. É como se Maria dissesse que não havia motivo para uma tal felicitação: tudo se deve à benevolência, à misericórdia e à omnipotência de Deus. Sem qualquer referência ao Messias, refulge aqui a alegria messiânica da sua Mãe num extraordinário hino de louvor e de agradecimento. O cântico está todo entretecido de reminiscências bíblicas, sobretudo do cântico de Ana (1 Sam 2, 1-10) e dos Salmos (35,9; 31, 8; 111, 9; 103, 17; 118, 15; 89, 11; 107, 9; 98, 3); cf. também Hab 3, 18; Gn 29, 32; 30, 13; Ez 21, 31; Si 10, 14; Mi 7, 20. Ao longo dos tempos, muitos e belos comentários se fizeram ao Magnificat; mas também é conhecida a abordagem libertacionista, abundado leituras materialistas utópicas, falsificadoras do genuíno sentido bíblico, com base no princípio marxista da luta de classes, de que se faz eco a Bíblia Pastoral (São Paulo), ao dizer: «Deus assume o partido dos pobres e realiza uma transformação na história, invertendo a ordem social: os ricos e os poderosos são depostos e despojados e os pobres e oprimidos são libertos e assumem a direcção dessa nova história». Eis o comentário da Encíclica Redemptoris Mater, nº 36: «Nestas sublimes palavras… vislumbra-se a experiência pessoal de Maria, o êxtase do seu coração; nelas resplandece um raio do mistério de Deus, a glória da sua santidade inefável, o amor eterno que, como um dom irrevogável, entra na história do homem».


Sugestões para a homilia


Todas as gerações Me hão-de proclamar ditosa.

Apareceu no Céu um sinal grandioso.

O Todo-Poderoso fez em Mim grandes coisas.

1. «Todas as gerações Me hão-de proclamar ditosa» (Evangelho).

«A Virgem Imaculada, preservada imune de toda a mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrena, foi elevada ao céu em corpo e alma e exaltada por Deus como Rainha, para assim se conformar mais plenamente com seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte» (LG. 59; cf. proclamação do dogma da Assunção pelo Papa Pio XII, em 1950: DS 3903).

A Assunção da Santíssima Virgem constitui uma participação singular na Ressurreição de Seu Filho e uma antecipação da nossa própria ressurreição: com a sua Assunção aos céus Maria «não abandonará a sua missão salvadora mas, com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna» (Catecismo da I. Católica, n.º 969). Ela cuida, com amor materno, de todos nós que, entre perigos e angústias, caminhamos ainda na terra, até chegarmos à Pátria bem-aventurada.

«A Mãe de Jesus, assim como, glorificada já em corpo e alma, é imagem e início da Igreja que se há-de consumar no século futuro, assim também na terra brilha como sinal de esperança segura e de consolação para o Povo de Deus ainda peregrinante, até que chegue o dia do Senhor» (LG. 68).

Mãe dos redimidos, Ela é proclamada por todas as gerações que se acolhem constantemente à sua protecção, Ela é o Refúgio dos pecadores, a Consoladora dos aflitos, o conforto do Povo de Deus na luta quotidiana contra o «príncipe das trevas» (Jo 12, 31).

2. «Apareceu no Céu um sinal grandioso» (1ª leitura).

O Corpo da Santíssima Virgem, transfigurado pela glória do Céu, é o grande sinal da Redenção do mundo; ao perder o sentido do pecado e ao esquecer a maléfica influência que ele tem nas realidades terrestres, perde-se em grande parte o sentido da Redenção e da sua acção salvífica, não só da alma mas também do corpo e das realidades sociais e do mundo. Maria, elevada ao Céu em corpo e alma, é o grande sinal de esperança: essa salvação, sobre a qual a humanidade se interroga, está já realizada em Maria por Deus. Pelo simples facto de Maria estar já no Céu, com a sua alma e com o seu corpo, ficam reduzidas a cinzas todas as formas de pessimismo absoluto. Como podemos desesperar das realidades terrestres, como podemos considerar a humanidade condenada à morte definitiva e à total corrupção, quando vemos Maria glorificada no Céu?!...

3. «O Todo-Poderoso fez em Mim grandes coisas» (Evangelho).

Tudo é graça na vida de Maria: desde o primeiro instante da sua Conceição até à glória última da sua Assunção. Ela é feliz porque acreditou, abrindo-se desde o primeiro instante ao dom de Deus. A Assunção de Maria, ao mesmo tempo que aviva em nós a esperança, torna-nos também imunes contra toda a forma de presunção e contra a tentação de realizar por nossas próprias forças uma espécie de paraíso artificial. Quem não vê, ao contemplá-l'A, que o verdadeiro paraíso, aquele em que Ela entrou, não é obra do homem mas dom de Deus?

Esperamos para o homem e para a própria terra uma transformação última, uma assunção à glória de Cristo ressuscitado; porém, não esperamos essa transformação das simples possibilidades humanas: esperamo-la da graça divina, da bondade infinita de Deus e será como que a coroação de todas as suas dádivas. O poder de Deus exaltou Maria, glorificou o seu Corpo Imaculado – Ela é a mais perfeita de todas as criaturas, porque quis ser a mais pequena, Ela é a Raínha do Céu e da terra porque quis ser a humilde escrava do Senhor, Ela é a Virgem glorificada e a Mãe de Deus porque não buscou a sua fecundidade na vontade do homem nem nas forças da carne.

Neste mundo que quer bastar-se a si mesmo, Maria, no mistério da sua Assunção aos céus, intercede por nós e orienta os nossos corações para que, «inflamados no fogo da caridade, constantemente se dirijam para o Senhor» (Oração sobre os dons), Dador de todos os bens, e para alcançarmos com Ela a glória da Ressurreição.


Fala o Santo Padre


«Em Maria, que subiu ao Céu, resplandece a vitória definitiva de Cristo sobre a morte!»


1. «O último inimigo a ser destruído será a morte» (1 Cor 15, 26).

As palavras de Paulo, que acabam de ser proclamadas na segunda leitura, ajudam-nos a compreender o significado da solenidade que hoje celebramos. Em Maria, que subiu ao Céu no termo da sua vida terrestre, resplandece a vitória definitiva de Cristo sobre a morte, que entrou no mundo em virtude do pecado de Adão. Foi Cristo, o «novo» Adão, que venceu a morte, oferecendo-se em sacrifício no Calvário, em atitude de amor obediente ao Pai. Assim, Ele resgatou-nos da escravidão do pecado e do mal. No triunfo da Virgem, a Igreja contempla Aquela que o Pai escolheu como verdadeira Mãe do seu Filho unigénito, associando-a intimamente ao desígnio salvífico da Redenção.

É por isso que Maria, como é bem evidenciado pela Liturgia, constitui um sinal consolador da nossa esperança. Olhando para Ela, arrebatada na exultação das plêiades angélicas, toda a existência humana, impregnada de luzes e de sombras, se abre para a perspectiva da bem-aventurança eterna. Se a experiência quotidiana nos faz sentir directamente como a peregrinação terrestre se desenvolve sob o sinal da incerteza e da luta, a Virgem exaltada na glória do Paraíso assegura-nos que o socorro divino jamais nos faltará.


2. «Apareceu um grande sinal no Céu: uma mulher revestida de Sol» (Ap 12, 1). Olhemos para Maria, caríssimos Irmãos e Irmãs que aqui vos encontrais reunidos num dia tão especial para a devoção do povo cristão. […] Hoje aparece um sinal grandioso no Céu: a Virgem Maria! É dela que nos fala com linguagem profética o sagrado autor do livro do Apocalipse, na primeira leitura. Que prodígio extraordinário se apresenta diante dos nossos olhos estupefactos! Acostumados a olhar para as realidades da terra, somos convidados a elevar o nosso olhar para o Alto: rumo ao Céu, que é a nossa Pátria definitiva, onde a Santíssima Virgem espera por nós.

O homem moderno, talvez mais do que no passado, tem interesses e preocupações materiais. Busca segurança e não raro experimenta a solidão e a angústia. Além disso, que dizer do enigma da morte? A Assunção de Maria é um acontecimento que nos interessa de perto, precisamente porque cada homem é destinado a morrer. Todavia, a morte não é a última palavra. O mistério da Assunção da Virgem garante-nos que ela é a passagem para a vida, ao encontro do Amor. É a passagem para a bem-aventurança celestial, reservada a quantos se empenham em prol da verdade e da justiça, esforçando-se por seguir a Cristo.


3. «Desde agora, todas as gerações me hão-de chamar ditosa» (Lc 1, 48). Assim exclama a Mãe de Cristo no encontro com a idosa prima Isabel. O Evangelho acabou de nos propor de novo o Magnificat, que a Igreja canta todos os dias. Trata-se da resposta de Nossa Senhora às palavras proféticas de Santa Isabel: «Feliz daquela que acreditou que teriam cumprimento as coisas que lhe foram ditas da parte do Senho»(Lc 1, 45).

Em Maria, a promessa torna-se realidade: ditosa é a Mãe e felizes seremos nós, seus filhos se, como Ela, escutarmos e pusermos em prática a palavra do Senhor.

A solenidade deste dia abra o nosso coração para esta exaltante perspectiva da existência. Possa a Virgem, que hoje contemplamos resplandecente à direita do Filho, ajudar o homem contemporâneo a viver, acreditando «que terão cumprimento as coisas que lhe foram ditas da parte do Senhor». […]

João Paulo II, Roma, 15 de Agosto de 2001


Oração Universal


Neste dia em que toda a Igreja se alegra

com o triunfo da Virgem Maria,

chegue ao trono de Deus Pai, pela mediação de Cristo,

a nossa oração unânime e confiada.

Digamos todos:


R. Ouvi-nos, Senhor.


1. Pela Santa Igreja de Deus

que luta na terra contra o mal:

para que Deus Pai Todo-Poderoso

a encha dos dons do Espírito,

a congregue na unidade, sob a bênção de Maria,

e lhe conceda chegar à glória eterna,

oremos, irmãos.


2. Pelos governantes das nações,

e por todos quantos trabalham pela justiça

e pela paz no mundo:

para que os seus esforços pelo bem comum

preparem o advento do reino eterno,

oremos, irmãos.


3. Pelas pessoas consagradas,

pelos lares cristãos e seus filhos,

pelos idosos e pelos que vivem sozinhos:

para que Deus os guarde na santidade do seu amor,

os alegre com a sua luz

e lhes conceda a firme esperança do reino futuro,

oremos, irmãos.


4. Pelos defuntos da nossa comunidade e do mundo inteiro:

para que, purificados das sua faltas,

possam contemplar na eternidade o rosto de Cristo,

oremos, irmãos.


Ouvi, Deus de bondade, as súplicas do vosso povo.

Vós que em Maria, Mãe de Cristo e da Igreja,

glorificaste a natureza humana, concedei-nos por sua intercessão,

os bens temporais e eternos que Vos pedimos.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.



Liturgia Eucarística


Cântico do ofertório: Louvada seja na terra, F. dos Santos, NRMS 33-34


Oração sobre as oblatas: Suba até Vós, Senhor, a nossa humilde oferta e, pela intercessão da Santíssima Virgem Maria, elevada ao Céu, fazei que os nossos corações, inflamados na caridade, se dirijam continuamente para Vós. Por Nosso Senhor...


Prefácio


A glória da Assunção de Maria


v. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.


v. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.


v. Demos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.


Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, e louvar-Vos, bendizer-Vos e glorificar-Vos na Assunção da Virgem Santa Maria.

Hoje a Virgem Mãe de Deus foi elevada à glória do Céu. Ela é a aurora e a imagem da Igreja triunfante, ela é sinal de consolação e esperança para o vosso povo peregrino. Vós não quisestes que sofresse a corrupção do túmulo aquela que gerou e deu à luz o Autor da vida, vosso Filho feito homem.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a Vossa glória, cantando com alegria:


Santo: F. dos Santos, NCT 201


Monição da Comunhão


«Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue tem a vida eterna e Eu o ressuscitarei no último dia» – é a promessa do Senhor. O nosso corpo será também glorificado, se comungarmos o Corpo Santíssimo de Jesus, nascido para nós da Virgem Maria, penhor da eterna glória prometida.


Cântico da Comunhão: A minha alma louva o Senhor, F. dos Santos, NCT 254

cf. Lc 1, 48-49

Antífona da comunhão: Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada, porque o Senhor fez em mim maravilhas.


Cântico de acção de graças: Foi um sono de Luz, H. Faria, NRMS 103-104


Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão da vida eterna, concedei-nos, por intercessão da Virgem Santa Maria, elevada ao Céu, a graça de chegarmos à glória da ressurreição. Por Nosso Senhor...



Ritos Finais


Monição final


Elevemos instantes súplicas à Mãe de Deus, exaltada sobre todos os Anjos e Santos, para que interceda junto do Seu Filho por todos os homens, até que se reunam em paz e em harmonia no único Povo de Deus, para glória da Santíssima e indivisa Trindade (Cfr. LG. 69).


Cântico final: Gloriosa Mãe de Deus, M. Carneiro, NRMS 33-34



Homilias Feriais


20 ª SEMANA


2ª feira, 16-VIII: Obstáculos para seguir o Senhor.

Ez 24, 15-24 / Mt 19, 16-22

Vem depois e segue-Me. Ao ouvir estas palavras, o jovem retirou-se entristecido, pois tinha muitos bens.

Jesus convida-nos todos a segui-l'O. Mas o jovem desta passagem do Evangelho tinha abundantes bens. Pensou que seria feliz com eles e estes converteram-se num obstáculo para seguir o Senhor (cf. CIC, 2052). E ficou triste.

Que obstáculos há na nossa vida para seguirmos o Senhor mais de perto? Prestamos atenção aos seus ensinamentos que são, por vezes, exigentes? Imitamos o seu modo de vida? Procuramos ir ao seu encontro na oração? Temo-lo presente no trabalho, no descanso, nas alegrias e nas contrariedades?


3ª feira, 17-VIII: Riquezas e lixos.

Ez 28, 1-10 / Mt 19, 23-30

Olha que nós deixámos tudo e te seguimos. Que nos será, pois, concedido?

«A fé em Deus leva-nos a usar de tudo quanto não for Ele, na medida em que nos aproximar d’Ele, e a desprender-nos de tudo, na medida em que d’Ele nos afastar» (CIC, 226).

S. Paulo dizia que, para ganhar Cristo, considerava tudo o resto como lixo (cf. Fil 3, 8). Na verdade, para aquele que conhece as riquezas de Cristo, nada se lhe pode comparar. Por uma questão de orgulho queremos ser senhores do mundo: «O teu coração encheu-se de orgulho, e tu disseste: Sou um deus... Mas tu não passas dum homem, não és deus» (Leit.). Que Deus nos tire, pois, tudo o que d’Ele nos afastar e nos conceda tudo o que d’Ele nos aproximar.


4ª feira, 18-VIII: Tempo para trabalhar na vinha do Senhor.

Ez 34, 1-11 / Mt 20, 1-16

O Reino dos Céus é semelhante a um proprietário, que saiu muito cedo, a contratar trabalhadores para a sua vinha.

O Senhor chama-nos para trabalharmos na sua vinha (cf. Ev.), para cuidarmos do seu rebanho (cf. Leit.).

Trabalhar na sua vinha significa cuidarmos das coisas que se referem a Deus: melhorar a nossa vida cristã, trabalhar em obras de apostolado... Evitemos a ociosidade; procuremos arranjar algum tempo para nos ocuparmos das coisas de Deus; vençamos o nosso egoísmo e comodidade... Significa também participar na construção do reino de Deus na terra, melhorar as condições do mundo em que vivemos: económicas, sociais, políticas e culturais.


5ª feira, 19-VIII: Entrada na intimidade divina.

Ez 36, 23-28 / Mt 22, 1-14

O Reino dos Céus é comparável a um rei que preparou o banquete nupcial para o seu filho.

A imagem do banquete é considerada como símbolo da intimidade divina e do desejo de salvação: «Repara bem: há muitos homens e mulheres no mundo e a todos chama o Mestre. Chama-nos a uma vida cristã, a uma vida de santidade, a uma vida de eleição, a uma vida eterna» (Forja, 13).

Para alcançarmos esta intimidade divina o Senhor purificar-nos-á, dar-nos-á um coração renovado, infundirá em nós o seu espírito (cf. Leit.). Procuremos viver melhor a nossa oração; não nos desculpemos facilmente para não irmos ao seu encontro; preparemos bem a nossa comunhão eucarística...


6ª feira, 20-VIII: Correspondência ao amor de Deus.

Ez 37, 1-14 / Mt 22, 34-40

Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma com toda a tua mente.

Deus ama-nos com um amor eterno, amou-nos primeiro, enviou o seu Filho Unigénito ao mundo como vítima de propiciação pelos nossos pecados.

Como podemos corresponder a um amor tão grande? O próprio Senhor derramou o seu amor nos nossos corações, por meio do Espírito Santo: «Vou mandar-vos um sopro de vida e tonareis a viver» (Leit.). E, pela nossa parte, devemos corresponder com obras a esse amor: aceitando os acontecimentos do nosso dia, mesmo que não os entendamos; recorrendo a Ele com confiança, especialmente quando mais precisarmos; vivendo com fidelidade os seus ensinamentos...


Sábado, 21-VIII: Humildade e espírito de serviço.

Ez 43. 43, 1-7 / Mt 23, 1-12

Fazei e observai tudo quanto vos disserem, mas não procedais segundo as suas obras, pois eles dizem e não fazem.

Os escribas e os fariseus procuravam apenas o reconhecimento da sua excelência (gostam do 1.º lugar, fazem tudo para serem vistos pelos homens, etc.: cf. Ev.).

O Senhor ensinou-nos, pelo contrário, a sermos humildes e servirmos o próximo: o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir. Ajudaremos os outros, quando manifestamos compreensão por algumas coisas que não fizeram bem; quando somos cordiais no nosso local de trabalho; quando, na vida familiar, procuramos transmitir um ambiente de serenidade e alegria...







Celebração e Homilia: Alfredo Almeida Melo

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Homilias Feriais: Nuno Romão

Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha


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