aCONTECIMENTOS eclesiais

DO PAÍS

 

 

ANGRA

 

FALECEU O PADRE

ACÁCIO DIAS MARQUES

 

O Padre Acácio Dias Marques, da Comunidade Neo-Catecumenal, faleceu subitamente em Angra do Heroísmo, no passado dia 19 de Dezembro.

 

Natural da Guarda, tinha nascido em 1935. Pertencia à arquidiocese de Évora, onde frequentara o Seminário. Ali introduziu os Cursos de Cristandade e foi pároco de Santa Luzia, em Elvas. Era licenciado em Teologia Sistemática pela Universidade de Navarra.

Em 1974 conheceu o Caminho Neocatecumenal no Seminário de Beja ao ouvir o anúncio pela equipa de Itinerantes, e aceitou as catequeses na sua paróquia. Em 1976 foi enviado como Catequista itinerante à diocese do Algarve, depois a Évora e Beja.

Em 1989 foi enviado como Catequista itinerante e Responsável ao Norte de Portugal, que abrange 11 dioceses, até Junho 2006, ano em que recebeu a missão de Evangelização nas Ilhas da Madeira, Açores e Cabo Verde.

As exéquias foram celebradas em Elvas e foi sepultado na Guarda. Colaborava em vários jornais eclesiais e publicou uma colectânea com o título de Reflexos.

 

 

LISBOA

 

NOVO BISPO AUXILIAR

 

No passado dia 31 de Janeiro, festa litúrgica de São João Bosco, foi comunicado que o Santo Padre nomeara Bispo Auxiliar do Patriarcado de Lisboa o Padre Joaquim Augusto da Silva Mendes, salesiano, até então Director da Escola Salesiana de Manique.

 

D. Joaquim Augusto da Silva Mendes nasceu em 1948, sendo natural de Paredes, diocese do Porto.

Ingressou na Sociedade Salesiana de S. João de Bosco em 1974 e emitiu os votos perpétuos em 1981. Recebeu a ordenação sacerdotal em 1983. Foi Superior Maior da Província Portuguesa Salesiana (1999-2005) e Membro da Direcção da Conferência Nacional dos Institutos Religiosos (2002-2005).

É licenciado em Teologia pela Universidade Católica Portuguesa e em Teologia Espiritual pela Universidade Pontifícia Salesiana, de Roma.

O Patriarca D. José Policarpo conta, assim, com um novo Bispo Auxiliar, que será ordenado no dia 30 de Março próximo. D. Joaquim Mendes vem juntar-se a D. Tomaz Silva Nunes, D. Carlos Azevedo e D. Anacleto de Oliveira.

 

 

LISBOA

 

HOMENAGEM AO

PADRE ANTÓNIO VIEIRA

 

Lisboa acolheu a sessão oficial de abertura das Comemorações do IV Centenário do Nascimento do Padre António Vieira (6-II-1608), na qual o Presidente da República recordou o jesuíta como uma «figura ímpar da história portuguesa».

 

«Ao comemorarmos o quarto centenário do nascimento do Padre António Vieira, no começo do século XXI, o que mais nos impressiona é talvez a actualidade com que esta figura maior da nossa história continua a surgir aos nossos olhos», referiu o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

A sessão, que decorreu na Academia das Ciências de Lisboa, contou com a presença do Cardeal-Patriarca. D. José Policarpo.

Cavaco Silva recordou «o virtuosismo do pregador ou a argúcia do diplomata ao serviço da independência nacional», bem como «a grandeza e a majestade da sua escrita, que levou Fernando Pessoa a chamar ao padre António Vieira «imperador da língua portuguesa»», «a tenacidade com que defendeu os direitos das populações ameríndias», «o realismo do conselheiro do rei, a quem se deve o restabelecimento dos contactos com a colónia judia na Holanda».

«Muitos consideram, e com razão, que os seus sermões, a par dos Lusíadas, representam os mais extraordinários monumentos alguma vez erguidos em língua portuguesa», afirmou, frisando que «toda a obra do Padre António Vieira é simultaneamente uma demonstração de génio e uma demonstração de fé».

«Fé em Deus, certamente, como se pode adivinhar pelos relatos que ele próprio faz da sua actividade como missionário. Mas fé, também, no destino de uma nação e nas possibilidades de um Estado cuja independência ele viu restaurar, em 1640, e ajudou depois a consolidar».

Segundo o Presidente da República, «tal como acontecia há 400 anos, a diversidade dos povos e civilizações precisa hoje, porventura ainda mais, de políticos e mediadores como Vieira, que acreditem realmente no valor da pessoa humana e sejam suficientemente inspirados para estabelecer as pontes que levem à paz».

O presidente da Academia das Ciências de Lisboa, Adriano Moreira, ao dar início à sessão apelou a «uma meditação colectiva» sobre o Padre António Vieira, após salientar a actualidade do seu pensamento.

«A meditação a que somos chamados nesta circunstância do centenário de Vieira e de viragem do milénio ensina uma vez mais que não são os impérios que duram, são as culturas que têm a vocação da eternidade».

«O Vieira mestre da língua e da oratória, a brasilidade de Vieira, a determinação perante a adversidade, o universalismo que para ele seria católico, mais Igreja Império em todo o mundo do que império nacional, tudo são referências que definiu a partir de antigas cogitações mas que encontram réplica em exigências prementes deste milénio».

 

Múltipla homenagem

 

O presidente da Comissão Organizadora de 2008-Ano Vieirino, Manuel Cândido Pimentel, anunciou nesta sessão que uma estátua do Padre António Vieira será colocada no Largo de São Roque, em Lisboa, numa iniciativa da Santa Casa da Misericórdia destinada a homenagear o jesuíta português.

O Ano Vieirino é uma iniciativa da Universidade de Lisboa, da Universidade Católica Portuguesa e da Província Portuguesa da Companhia de Jesus para recordar «o inexcedível escritor, orador e pensador Padre António Vieira, glória da cultura nacional, desta pátria de muitas pátrias que, pela sua vida, acção e obra ultrapassou as fronteiras de Portugal e se avantajou no mundo», sublinhou Cândido Pimentel.

A efeméride será igualmente celebrada na Itália, no Brasil, em Espanha, França e Bélgica.

 

 

LISBOA

 

Portugal, através da Federação Portuguesa Pela Vida, subscreveu o pedido de moratória dirigido às Nações Unidas, para que seja incluído no art. 3.º da Declaração Universal dos Direitos do Homem, a expressão: «todo o indivíduo tem direito à vida, desde a concepção até à morte natural».

 

Trata-se de um pedido de moratória das políticas públicas que incentivam todas as formas de escravidão injustificadas e selectivas do ser humano durante o seu desenvolvimento no seio materno, mediante o exercício de um poder arbitrário de aniquilamento, violando o direito a nascer e o direito à maternidade.

A iniciativa teve início em Itália, pela mão do director do jornal Il Foglio (www.ilfoglio.it), Giuliano Ferrara (ex-comunista e ateu confesso) e colheu já a adesão de muitas outras personalidades do mundo inteiro.

No momento em que Portugal recorda o referendo que liberalizou o aborto, assiste-se pelo mundo inteiro a uma tomada de consciência cada vez maior para a violação de direitos humanos, que constitui a prática do aborto e a sua cobertura estatal.

No ano em que se celebram os 60 anos da Declaração e, atentos os avanços da ciência desde 1948, impõe-se uma actualização da Declaração que consagre a protecção dos novos direitos humanos.

Aos governos pede-se que preservem e protejam os direitos naturais que o direito à vida, à liberdade, à igualdade e à segurança do ser humano impõem.

 

Isilda Pegado

Presidente da Federação Portuguesa Pela Vida

 

 

VILA REAL

 

TOMADA DE POSSE DO

BISPO COADJUTOR

 

D. Amândio Tomás iniciou o seu ministério episcopal em Vila Real , no passado domingo 10 de Fevereiro, como Bispo Coadjutor.

 

«Voltei para anunciar Cristo», referiu D. Amândio Tomás às centenas de transmontanos que acolheram com orgulho um Bispo transmontano, saudando-o ao longo do cortejo entre o Governo Civil da cidade e a Sé da Diocese que antecedeu a Eucaristia dominical de início de ministério.

Ponto de honra para o ministério do Bispo Coadjutor é tudo fazer de acordo com aquele que é o Bispo Diocesano, D. Joaquim Gonçalves, actualmente em recuperação do transplante cardíaco a que foi submetido.

Nesta Diocese, D. Amândio está determinado em revestir a prática das comunidades cristãs de convicções profundas. Para isso, disse ser preciso apostar na catequese, revendo métodos de coordenação e animação pastoral na Diocese. A todos, sacerdotes e leigos, D. Amândio pede que «não se deixem intimidar pelas ameaças do laicismo e do relativismo», reagindo a uma cultura que quer calar Cristo e os valores irrenunciáveis do cristianismo, como o valor da vida, da dignidade humana e do bem comum. «Sonho com cristãos comprometidos a animar a vida pública e a transformar por dentro a sociedade como locomotivas que arrastam, que contagiam, que galvanizam, opondo-se ao marasmo, à cobardia ao medo e à apostasia da fé».

Devido aos problemas da sua saúde, D. Joaquim Gonçalves tinha pedido ao Santo Padre um Bispo para o ajudar no trabalho pastoral. D. Amândio Tomás foi nomeado Bispo Coadjutor; por isso, goza do direito de suceder imediatamente ao Bispo diocesano quando este cessar as suas funções.

Celebração Litúrgica invoca as graças de Deus para este trabalho pastoral de comunhão.

 

 

BRAGA

 

NOVA ASSOCIAÇÃO

DE APOIO À VIDA

 

A Associação In Familia tem como prioridade concluir a instalação da sua sede, mas os objectivos são mais ambiciosos, passando pela criação, até 2010, de um gabinete de apoio à vida.

 

Estas são as metas delineadas pela primeira Direcção, que foi eleita no passado dia 10 de Fevereiro. Desde a sua constituição, em Maio de 2007, a In Familia estava a funcionar com uma Comissão Instaladora.

Neste acto eleitoral foram escolhidos os membros da Assembleia Geral, presidida por Félix Aguiar, do Conselho Fiscal, encabeçado por Augusto Machado, e da Direcção, presidida por Fernando Almeida.

Com um mandato de três anos, a nova Direcção da In Familia pretende concluir a instalação da sua sede, situada na rua de Santa Margarida, em Braga. A inauguração acontecerá brevemente e constituirá o primeiro acto oficial dos novos Órgãos.

A equipa directiva coloca no topo das suas prioridades a realização, a partir de meados deste ano, de um curso de formação de 100 horas, destinado a colaboradores da Associação e versando sobre os temas da «Vida, Família e Responsabilidade Social».

Os objectivos delineados para o triénio 2008-2010 passam igualmente pela criação de um gabinete de apoio à vida, através da colaboração voluntária de profissionais de diversas áreas, como assistentes sociais, médicos e juristas.

A realização de intervenções de carácter formativo junto de estabelecimentos de ensino e de associações de pais e uma intensificação da intervenção pública em jornais ou outros meios de comunicação social da região, com uma frequência mensal, a par da colaboração com movimentos congéneres em acções de âmbito nacional, são outras das metas.

A In Familia teve origem no «Minho com Vida», um movimento que se bateu pelo «não» no referendo ao aborto, elegendo a vida, a família e a responsabilidade social como os seus pilares fundamentais. Os primeiros nove meses de actividade foram marcados pela realização da I Convenção Minhota pela Vida e pela Família, em Junho, e dos «Sábados In Familia», uma série de palestras sobre temas relacionados com a família e educação.

 

 

COIMBRA

 

IRMÃ LÚCIA:

ANTECIPADO O INÍCIO DO

PROCESSO DE BEATIFICAÇÃO

 

O Santo Padre Bento XVI decidiu antecipar o início do processo de beatificação da Irmã Lúcia, concedendo a dispensa do período de espera de cinco anos após a morte da Vidente de Fátima. O aguardado anúncio foi feito no passado dia 13 de Fevereiro, terceiro aniversário do falecimento, na celebração da Eucaristia presidida pelo Cardeal José Saraiva Martins, no Carmelo de Santa Teresa, em Coimbra.

 

O Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos revelou, no final da Eucaristia, que era portador de uma notícia sensacional:

«O Santo Padre Bento XVI, acolhendo favoravelmente o pedido apresentado pelo Bispo de Coimbra. D. Albino Mamede Cleto, e partilhada por numerosos fiéis de todas as partes do mundo, concedeu que, derrogando do quinquénio disposto pela norma canónica (cf. art. 9 das «Normae servanda»), se possa iniciar, a três anos da morte, a fase diocesana da causa de beatificação da Irmã Lúcia dos Santos, carmelita, conhecida no mundo como um dos três videntes de Fátima».

Uma salva de palmas da assembleia sublinhou este momento, que era aguardado com grande expectativa.

O Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos trazia consigo o decreto deste Dicastério que permite ao Bispo de Coimbra dar início ao processo. O documento, com data de 3 de Fevereiro, revela que a decisão foi tomada após uma audiência particular do Santo Padre com o Cardeal Saraiva Martins, no dia 17 de Dezembro de 2007.

As normas canónicas actualmente em vigor exigem um período de espera de cinco anos após a morte, que fica assim reduzido em dois anos, para o caso de Lúcia. Uma situação semelhante apenas acontecera, nos anos recentes, com os processos da Madre Teresa de Calcutá e do Papa João Paulo II.

Aos bispos diocesanos compete o direito de investigar acerca da vida, virtudes ou martírio e fama de santidade ou de martírio, milagres aduzidos, e ainda, se for o caso, do culto antigo do Servo de Deus, cuja canonização se pede.

Este levantamento de informações é enviado à Santa Sé. Se o exame dos documentos é positivo, o «Servo de Deus» é proclamado «Venerável».

A segunda etapa do processo consiste no exame dos milagres atribuídos à intercessão do «Venerável». Se um destes milagres é considerado autêntico, o «Venerável» pode ser considerado «Beato». Quando após a beatificação se verifica um outro milagre devidamente reconhecido, então o Beato pode ser proclamado «Santo».

 

 

FÁTIMA

 

FELICITAÇÕES A

MONS. LUCIANO GUERRA

 

Mons. Luciano Guerra cumpriu, no passado 13 de Fevereiro, trinta e cinco anos como Reitor do Santuário de Fátima, terminando nesta data um novo seu mandato; continuará em funções até à nomeação do novo Reitor.

 

O momento foi alvo de felicitações públicas por parte do Bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, durante a Eucaristia da Peregrinação Mensal, celebrada na Igreja da Santíssima Trindade, com Mons. Luciano Guerra entre os concelebrantes.

Em nome dos participantes na Eucaristia, em nome da Diocese e em seu nome pessoal, D. António Marto exprimiu «sentimentos de profunda gratidão e os sinceros e vivos parabéns por toda esta grande obra ao longo destes trinta e cinco anos», acrescentando que Mons. Luciano Guerra «foi uma bênção de Deus e de Nossa Senhora».

Após a Eucaristia, em declarações aos jornalistas, o Bispo frisou o fecundo trabalho desenvolvido por Mons. Luciano Guerra no Santuário de Fátima por ter pegado no Santuário e lhe ter dado as infraestruturas e as estruturas que levaram este local a desenvolver-se, e por ter conseguido grande projecção da mensagem e do Santuário de Fátima no mundo.

O Bispo acrescentou também que Fátima «fica a dever muito a Mons. Luciano Guerra» pelo trabalhos levados a efeito durante um longo reitorado, que «culminou com a Igreja da Santíssima Trindade».

No mesmo momento, D. António Marto confirmou aos jornalistas ainda não ter iniciado o processo de substituição do Reitor, e que, enquanto não for efectuada a nomeação do novo Reitor do Santuário de Fátima, Mons. Luciano Guerra mantém-se em funções, «em princípio até final do ano pastoral».

De acordo com os Estatutos do Santuário de Fátima, «o Reitor do Santuário de Fátima é escolhido entre o clero português, dando preferência, sempre que possível, a um membro do presbitério da Diocese de Leiria-Fátima» e «é nomeado pelo Bispo de Leiria-Fátima, com o ‘nada obsta’ da Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, por um período de cinco anos, renovável».

 

 

BRAGA

 

COLÓQUIO INTERNACIONAL

DE PSIQUIATRIA

 

Terminou no passado dia 16 de Março o IV Colóquio Internacional de Psiquiatria de Braga, que decorreu nas instalações da Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho, em Gualtar. A maioria dos conferencistas realçou a importância da actualização dos conhecimentos científicos, ideia com a qual a Irmã Idília Carneiro concorda, mas acrescenta que cuidar bem da saúde mental também exige ética e humanidade.

 

O colóquio é um dos pontos altos das comemorações dos 75 anos da Casa de Saúde do Bom Jesus, em Nogueiró, Braga.

Na cerimónia estiveram o psiquiatra António Palha, presidente da Comissão Organizadora do Colóquio, Nuno Sousa, da Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho, Bessa Peixoto, em representação do Hospital de São Marcos, Palmira Maciel, vereadora da Educação da Câmara Municipal de Braga, D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga, Pedro Menezes, director-gerente da Casa de Saúde do Bom Jesus, e a Irmã Idília Carneiro, superiora da Congregação das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus.

Na sua intervenção, a irmã Idília Carneiro deu as boas vindas aos cientistas e técnicos presentes na sala, desejando que do colóquio, de elevado nível científico, saiam ideias e soluções que possam ajudar na terapêutica da saúde mental e, desta forma, melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A responsável das Irmãs Hospitaleiras, lembrou o compromisso e o lema da congregação, que é cuidar bem do doente, olhando-o na sua integralidade.

Por isso, entende que, cuidar da pessoa implica e exige conhecimentos científicos, mas precisa também de humanidade da parte do médico. «Cuidar bem é cuidar de forma humana, ética e relacional, aliado ao conhecimento científico e técnico», afirmou, citando depois o Papa Bento XVI na sua Mensagem para o Dia Mundial do Doente, em que pedia competência profissional, mas também humanidade.

Por sua vez, António Palha, também reforçou a ideia da importância da humanidade e da diligência que se deve colocar no tratamento dos doentes, aliás, uma prática da Casa de Saúde de Bom Jesus. O presidente da Comissão Organizadora recordou que a referida Casa de Saúde nunca se acomodou, procurando sempre a actualização dos conhecimentos científicos e técnicos para melhor cuidar dos pacientes.

António Palha congratulou-se, igualmente, com a aposta no futuro, interagindo de forma dinâmica na Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho, com a qual, aliás, houve colaboração na preparação e participação no colóquio.

 

 

ÉVORA

 

TOMADA DE POSSE DO

NOVO ARCEBISPO

 

O novo Arcebispo de Évora, D. José Sanches Alves, tomou posse no passado Domingo 17 de Fevereiro na Catedral da cidade alentejana, substituindo D. Maurílio de Gouveia, que resignou por limite de idade.

 

O prelado assegurou que será um Bispo «aberto à participação de todos os membros do povo cristão, com respeito pelas competências de cada um». Num regresso à diocese e à mesma Catedral onde foi ordenado padre e Bispo, D. José Alves prometeu «dar continuidade ao projecto» do seu antecessor para o actual ano pastoral.

A tomada de posse contou com a presença de quase todos os Bispos de Portugal, residenciais e eméritos e ainda o Bispo de Siguenza/Guadalajara e o Bispo emérito de Díli, com mais de duas centenas de presbíteros e diáconos também de todo o país, religiosos, catequistas e entidades civis, militares e académicas, e centenas de fiéis, representando todas as Paróquias da Arquidiocese.

O novo Arcebispo de Évora centrou a sua homilia sobre a missão do Bispo na Igreja. Nesse sentido, afirmou que «para corresponder à complexidade do seu ministério, o bispo há-de ser humanamente equilibrado, intelectualmente bem formado, pastoralmente dinâmico».

«Acima de tudo, há-de esforçar-se por viver em santidade, fazendo da verdade revelada o centro e critério primeiro de toda a sua acção pastoral, ciente de que ele é o princípio visível e fundamento da unidade diocesana, permanecendo aberto à participação de todos os membros do povo cristão, com respeito pelas competências de cada um».

D. José Sanches Alves, nomeado para o cargo no passado dia 8 de Janeiro, lembrou o trabalho realizado na diocese de Portalegre-Castelo Branco, onde estava desde Abril de 2004, «cuja memória guardarei para sempre no meu coração».

Quanto ao regresso a Évora, frisou que «volto como Pastor e Mestre da fé, carregando sobre os meus frágeis ombros a responsabilidade pastoral desta vasta parcela do Povo de Deus, iluminada e guiada, nos tempos passados, pela palavra eloquente e pelo luminoso exemplo de fé de uma plêiade de sábios pastores», destacando o exemplo do seu predecessor, D. Maurílio de Gouveia, que durante 26 anos esteve à frente da diocese alentejana.

Celebração Litúrgica deseja ao novo Arcebispo um fecundo trabalho pastoral.

 

 

FÁTIMA

 

INAUGURADO NOVO CONVENTO

DAS CARMELITAS DESCALÇAS

 

No dia em que as Carmelitas Descalças dedicaram a Capela do Carmelo aos Beatos pastorinhos Jacinta e Francisco Marto, 20 de Fevereiro passado, foi apresentado, numa iniciativa excepcional, o interior do novo convento de clausura, o Carmelo de São José.

 

Alexandra Cantante, arquitecta que concebeu o projecto explica que este foi um trabalho conjunto entre as religiosas do Carmelo e as propostas que apresentou. O resultado é um conjunto arquitectónico moderno, de linhas sóbrias, sem muros altos à volta do convento, com uma arquitectura moderna. Este é um convento de clausura aberto ao mundo.

As irmãs fazem a sua vida dentro das paredes do convento. A vivência das religiosas no espaço foi a base para a concepção do projecto a que se somou depois a parte estética.

As irmãs vivem para dentro do seu espaço, daí a opção de privilegiar a luz e o jardim. «O contacto com a natureza é importante para quem vive a sua vida inteira dentro de um edifício», explica a arquitecta.

A falta de condições de uma habitação construída no início do séc. XX, em estado de grande deterioração, ditou a necessidade de construir um convento de raiz.

Numa casa onde a Ordem estava presente há cerca de 70 anos, «fomo-nos habituando à ideia de mudar para uma nova», explica a Madre Superiora.

 

Dedicação da Capela dos Pastorinhos

 

A Igreja do novo Carmelo é dedicada a Jacinta e Francisco Marto. É por isso a primeira Igreja em Fátima dedicada aos pastorinhos. A Superiora explica que o Carmelo é de São José e assim vai continuar a ser.

A dedicação aos pastorinhos foi uma sugestão do Pe. Kondor, que as Carmelitas acederam.

«Fazemos parte da mensagem de Fátima», explica a Superiora. Mais tarde ou mais cedo «a Irmã Lúcia ficará ao pé dos pastorinhos e ficará a Capela dos três pastorinhos».

A Irmã Cristina Maria explica que as Carmelitas se sentem «no coração do Santuário». A sua forma de vida baseia-se na mensagem de Nossa Senhora em Fátima, por isso «esta relação entre o Carmelo e os pastorinhos faz todo o sentido».

Esta opinião é também partilhada por D. António Marto, Bispo de Leiria Fátima, que presidiu à Eucaristia de dedicação da nova Igreja do Carmelo.

«O Carmelo faz parte não só do perímetro do Santuário, mas está no coração do santuário», afirmou o Bispo.

O carisma das religiosas de clausura dá, segundo D. António Marto, visibilidade a duas grandes dimensões do Santuário. Enquanto monjas contemplativas «exprime a resposta ao apelo feito por Nossa Senhora de reconduzir a adoração para a vida da Igreja e do mundo».

No entanto, o Carmelo significa também «misericórdia, oração e contemplação, que são dons para o mundo», uma vez que as irmãs acolhem as intenções de todas as pessoas que acorrem ao Carmelo, mas também do mundo inteiro.

 

 

AVEIRO

 

MONS. MIGUEL DE OLIVEIRA,

NO 40.º ANO DA MORTE

 

Com a morte de Mons. Miguel de Oliveira desapareceu «o braço direito» do Centro de Estudos de História Eclesiástica e da Revista «Lusitania Sacra» – sublinha Avelino de Jesus Costa, no Tomo VIII (1967/69), da Revista «Lusitania Sacra». A sua morte (28 de Fevereiro de 1968) foi muito sentida em todo o país, sobretudo no meio eclesiástico, onde era muito estimado «pelo seu carácter, vasta cultura e acrisoladas virtudes sacerdotais».

 

Nascido a 15 de Dezembro de 1897, na freguesia de Válega, concelho de Ovar, Miguel Oliveira fez o curso teológico no Seminário do Porto (1914 a 1917) e foi ordenado a 18 de Julho de 1920. Cinco anos depois fez uma viagem à Palestina e, ao regressar, foi convidado para chefe de Redacção do Jornal «Novidades».

Uma longa série de crónicas publicadas neste órgão de comunicação, com o título «Impressões do Oriente», a descrever a viagem, despertou tanto interesse que, em 1927, se efectuou uma peregrinação – integrada num grupo francês – à Terra Santa. Na viagem visitaram também a Grécia, Itália, Turquia, Síria, Líbano, Egipto e algumas ilhas no Mediterrâneo.

Tem um discurso cativante que envolve o leitor. «As referências aos companheiros de viagem são saborosas e transportam uma ironia que manterá como historiador» – escreveu D. Carlos Moreira Azevedo no livro «Mons. Miguel de Oliveira – no centenário do seu nascimento (1897-1997)». E acrescenta: «a graça da narração surpreende-nos, por entre as descrições atentas ao colorido e capazes de implicar o leitor». Em 1932 inicia uma nova tarefa, que cumprirá até à morte, dedicando particular atenção à secção editorial da União Gráfica, embora prosseguisse o trabalho de redactor no referido jornal.

 

A vocação de historiador vem-lhe dos bancos do Seminário com o primeiro trabalho sobre «Válega – Memória histórica e descrita» que foi publicada em 1921-23. Entre as sínteses que proporcionou ao meio português, «permitindo uma correcta iniciação às matérias e proporcionando meios didácticos para a transmissão do saber está a «História da Igreja», cuja primeira edição se lançou em 1938». A obra não pretendia preencher a lacuna de um manual de História Eclesiástica em português, mas visava servir «A juventude e os membros da Acção Católica». O livro «por isso, aparece despido dos aparatos de erudição, sem preocupações de originalidade ou elegância literária» (D. Carlos Azevedo).

A segunda obra de síntese foi a «História Eclesiástica de Portugal», saída em 1940, foi a «melhor obra, como trabalho crítico de síntese» – escreveu Avelino Jesus Costa. Esta obra mereceu o Prémio «Alexandre Herculano» de História e os mais rasgados elogios dos críticos nacionais e estrangeiros.

Em 1941 publicou a «Epigrafia Cristã em Portugal», revendo a colectânea saída no suplemento do jornal «Novidades». Não se sentindo com competência especial, vive a falta de estudo actualizado da nossa epigrafia e arqueologia cristã e presta um serviço impulsionador de trabalhos mais elaborados e criteriosos. «É uma pedra no charco, além da recolha de algumas inscrições inéditas constituir por si próprio verdadeiro contributo científico» – escreveu D. Carlos Azevedo.

A investigação sobre as «Origens de Cister em Portugal», publicada em 1951, na Revista Portuguesa de História, corrigia erros repetidos cronicamente e permitia guiar o cisterciense francês Maur Cocheril, quando se deslocou a Lisboa, em 1952, por matéria em que haveria de se especializar, com a publicação de muitos estudos.

No tomo I (1956) na saudação da Revista «Lusitania Sacra», D. António Ferreira Gomes escreve que esta revista «virá ocupar um imenso campo, há tanto tempo deserto de ocupantes (Queríamos aqui se entendesse deserto no sentido alentejano de ávido, que espera ou deseja)». Mons. Miguel de Oliveira esteve na primeira linha desta revista, cujo título foi indicado por ele.

Para além da veia histórica, Mons. Miguel de Oliveira dedicou-se activamente à oratória sacra, enquanto esteve no Porto. «Só no último ano em que foi professor do Seminário pregou cerca de duzentos sermões» (Avelino de Jesus Costa). Um sermão de 1931, na Igreja dos Congregados, foi o primeiro em Portugal a ser transmitido pela Radiotelefonia. Foi Também Mons. Miguel de Oliveira que, em 1930, inaugurou em Portugal as palestras religiosas pela T.S.F. De 1935 a 1939, essas palestras realizaram-se regularmente ao microfone da Emissora Nacional, de 15 em 15 dias, falando alternadamente com Mons. Moreira da Neves.

Mons. Miguel de Oliveira abriu uma «clareira nas fileiras do clero português com o seu falecimento, clareira difícil de cobrir, porque a personalidade do querido e saudoso Morto, tão rica e opulenta, como sacerdote, jornalista e escritor, não é fácil de substituir» – escreveu José Maria de Almeida, no Jornal «Novidades» de 1 de Março de 1968.

 

Luis Filipe Santos

 

 

BRAGA

 

BANCO ALIMENTAR

CONTRA A FOME

 

Com o aumento da pobreza, Braga pretende instalar um Banco Alimentar na cidade. No passado dia 28 de Fevereiro, D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga, teve uma reunião com a Presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, Isabel Jonet, para dialogarem sobre as possibilidades de concretização.

 

D. Jorge Ortiga sublinhou que é fundamental o diálogo para que exista articulação entre aquela instituição e a Cáritas.

Enquanto a Cáritas vai ao encontro das pessoas – missão abrangente –, o Banco Alimentar contra a Fome ajuda as instituições. «Fazem recolhas para distribuir pelas instituições» – frisou o arcebispo de Braga. E acrescenta: são realidades complementares». Nesta cidade ainda não existe um Banco Alimentar contra a Fome. No entanto, existe um grupo que «quer começar a lançar esta instituição».

Braga está atenta aos problemas sociais. Recentemente, realizou dois inquéritos sobre as carências da população. «Queremos concretizar a ideia de um observatório social» – disse D. Jorge Ortiga. Por outro lado, pensa também criar um espaço com «capacidade para recolher produtos «secos» e produtos congelados».

A Cáritas bracarense está empenhada em combater as fragilidades sociais de muitas famílias. «Recolhe roupa e depois distribui e tem também um espaço de ajuda aos necessitados na área médica: cadeiras de rodas, canadianas e camas articuladas».

Os últimos relatórios sobre a pobreza apresentam números preocupantes. «Sabemos que há crianças que vão para a escola sem tomar o pequeno-almoço». Os professores podem «confirmar esta realidade».

Com o aumento do preço do trigo e o consequente aumento do preço do pão, D. Jorge Ortiga afirma que as «exigências são cada vez mais e os orçamentos familiares não chegam para tudo». A acção da Igreja é «tentar dar resposta aos problemas de forma silenciosa e muitas vezes anónima».

 

 

LISBOA

 

ALERTA PARA LEITURA INCORRECTA

DOS «APÓCRIFOS»

 

O Cardeal Patriarca D. José Policarpo alertou no passado Domingo 2 de Março para a leitura incorrecta que muitas vezes é feita aos chamados textos «apócrifos», não reconhecidos pela Igreja como parte da Bíblia.

 

«No nosso tempo, fruto da historiografia e do estudo dos próprios textos bíblicos, há uma curiosidade acrescida por esses textos», admitiu, frisando que «há tendência para os considerar em paralelo com os verdadeiros Evangelhos ou mesmo de se lhes contrapor».

«É uma curiosidade justa se for apenas cultural. Mas continua a ser a Igreja que, na Liturgia e no Magistério, indica ao Povo de Deus quais são os livros que, porque inspirados, nos comunicam a Palavra de Deus», sublinhou o Cardeal Patriarca.

Na sua quarta catequese quaresmal, dedicada ao tema «A Escritura e a Igreja», o Patriarca de Lisboa lembrou que «tanto no Antigo como no Novo Testamento, ao lado dos livros que hoje integram a Sagrada Escritura, surgiram outros textos», considerados «apócrifos» pela Igreja.

«Foram vários os critérios deste discernimento, sendo o principal a recepção, isto é, o modo como eram acolhidos nas comunidades crentes. Foram estas que, ao ritmo da fé, foram identificando os verdadeiros livros inspirados».

«Uma equação desajustada da relação da Igreja com a Escritura, teve consequências graves na compreensão da própria Igreja, enquanto experiência comunitária de fé de um povo crente», acrescentou.

D. José Policarpo apelou ainda a uma «leitura objectiva» da Bíblica, indicando que «o facto de o Magistério ser a última instância da interpretação da Escritura, não é uma questão de poder, mas de serviço».

«Na leitura pessoal ou em grupo, na leitura de teorias exegético-teológicos, numa época marcada pela valorização da busca individual da verdade, a tentação de uma leitura pessoal e subjectiva da Escritura é real, reduzindo o Magistério ao nível da opinião», lamentou.

 

 

PORTO

 

BISPO APELA À

VALORIZAÇÃO DOS IDOSOS

 

Na segunda conferência quaresmal que proferiu na Sé no passado dia 6 de Março, D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, afirmou «que um dos maiores desperdícios» da nossa sociedade é a «pouca valorização dos idosos».

 

O prelado sublinhou que «há muitíssimo a fazer no sentido de valorizar e recolher tudo o que eles ainda podem dar, especialmente tudo o que só eles podem dar-nos, a partir da experiência acumulada, a partir da sabedoria».

«Neste ponto há realmente muito a fazer, para estimular e acrescer o lugar e a contribuição dos idosos na sociedade, na família e também nas instâncias públicas e administrativas».

Para D. Manuel Clemente, «quando se levanta um rumor aparentemente humanitário, no (sem) sentido de aceitação da eutanásia, é importantíssimo dizer que o caminho tem de ser absolutamente outro, ou seja, o do acompanhamento dos idosos, sobretudo na debilidade e na doença, com todos os subsídios da segurança e da medicina, integrando os cuidados paliativos, de tanta eficácia actual».

«Nós não podemos dispensar os idosos e os doentes, nem dispensar-nos deles. Para um cristão, tal decorre imediatamente do comportamento de Cristo, que nunca se alheou das fronteiras difíceis da vida humana, pois que vinha precisamente salvá-las e transpô-las», salientou.

O Bispo do Porto afirmou que «a nossa sociedade vale e valerá em grandíssima parte o que dispensar positivamente aos seus anciãos e enfermos».

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial