aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

CANCELAMENTO DA VISITA DO PAPA

À UNIVERSIDADE DE ROMA

 

Em relação à visita do Papa Bento XVI à Universidade de Roma «La Sapienza», prevista para 17 de Janeiro passado, o Cardeal Secretário de Estado Tarcísio Bertone enviou ao Magnífico Reitor a seguinte carta:

 

Vaticano, 16 de Janeiro de 2008

Magnífico Reitor

 

O Santo Padre tinha aceite de bom grado o convite que V. Ex. lhe dirigiu para visitar a Universidade de Estudos «La Sapienza» e, deste modo, oferecer também um sinal do afecto e da elevada consideração que ele nutre por essa ilustre Instituição, que nasceu há séculos por vontade de um seu Predecessor.

Infelizmente, por iniciativa de um grupo decididamente minoritário de Professores e alunos, faltando os pressupostos para um acolhimento digno e tranquilo, foi considerado oportuno adiar a prevista visita a fim de eliminar todos os pretextos para manifestações que se revelariam desagradáveis a todos. Contudo, conhecendo o desejo sincero da grande maioria de Professores e estudantes por uma palavra culturalmente significativa, da qual haurir indicações estimulantes no caminho pessoal de busca da verdade, o Santo Padre dispôs que lhe fosse enviado o texto preparado pessoalmente por ele para a ocasião. De bom grado, faço-me intermediário da Superior decisão, anexando a esta o citado discurso, com os votos de que nele todos possam encontrar motivos para reflexões enriquecedoras e aprofundamentos.

Aproveito a oportunidade para lhe apresentar, com sentimentos de profunda deferência, cordiais saudações.

 

Card. Tarcísio Bertone

Secretário de Estado

 

 

POLÉMICA ACERCA DA NOVA

ORAÇÃO PELOS JUDEUS

 

O Arcebispo Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, precisou que a nova oração de Sexta-feira Santa pelos judeus não representa qualquer «estratégia missionária de conversão» em relação aos fiéis desta religião.

 

Num artigo publicado no jornal do Vaticano, L’Osservatore Romano, o Arcebispo explica que o novo texto apenas pretende «ter ao seu lado, na única comunidade dos crentes, o Israel da fé».

«Esta é a visão cristã e a esperança da Igreja que reza. Não é uma proposta programática de adesão teórica nem uma estratégia missionária de conversão».

O membro da Cúria Romana comentava assim várias reacções do mundo hebraico à decisão de Bento XVI, que modificou a oração de Sexta-feira Santa pelos judeus, contida no Missal Romano de 1962, anterior ao Concílio Vaticano II, que agora pode ser utilizado por quem o queira.

O Oremus et pro Iudaeis deste Missal, publicado no pontificado de João XIII, já não incluía a expressão «pérfidos judeus», mas pedia a oração dos fiéis para que o Senhor retirasse dos seus corações «a cegueira e a obscuridade».

Para evitar expressões que pudessem ser ofensivas, mas reconhecendo a diferença introduzida por Cristo, o novo texto de Bento XVI pede a oração pelos judeus para «que Deus, Nosso Senhor, ilumine os seus corações para que reconheçam Jesus Cristo, Salvador de todos os homens» e, «entrando a plenitude dos povos na Igreja, todo o Israel seja salvo».

Esta expressão corresponde a uma passagem da Carta de São Paulo aos Romanos onde se pode ler que «que todo o Israel será salvo» após a entrada da «totalidade dos gentios» na Igreja.

A oração do actual Missal Romano, aprovado por Paulo VI após o Concílio Vaticano II, reza «pelo povo judeu, para que Deus nosso Senhor, que falou aos seus pais pelos antigos Profetas, o faça progredir no amor do seu nome e na fidelidade à sua Aliança».

 

 

PAPA ALERTA PARA SECULARIZAÇÃO

NAS COMUNIDADES RELIGIOSAS

 

Bento XVI mostrou-se muito crítico em relação aos efeitos do «processo de secularização» das nossas sociedades nas comunidades de religiosos e religiosas em todo o mundo.

 

O alerta do Papa foi lançado no passado dia 18 de Fevereiro, durante uma audiência aos membros do Conselho para as relações entre a Congregação para os Institutos de vida consagrada e Sociedades de vida apostólica e as Uniões Internacionais dos Superiores e Superioras Gerais.

Bento XVI observou que «o processo de secularização que avança na cultura contemporânea não poupa as comunidades religiosas».

Segundo o Papa, contudo, não é caso para desanimar, porque há «também crescentes sinais de um providencial despertar, que suscita motivos de esperança».

«O Espírito Santo – afirmou – sopra com força, por toda a parte na Igreja, suscitando novo empenho de fidelidade nos Institutos históricos e também em novas formas de consagração religiosa em sintonia com as exigências dos tempos. Hoje em dia, como em todas as épocas, não faltam almas generosas dispostas a abandonar tudo e todos para abraçar Cristo e o seu Evangelho, consagrando ao Seu serviço a existência, em comunidades marcadas pelo entusiasmo, a generosidade, a alegria».

Característica das novas experiências de Vida Consagrada – observou Bento XVI – é «o desejo comum, partilhado com pronta adesão, de pobreza evangélica praticada de maneira radical, amor fiel à Igreja e generosa dedicação ao próximo necessitado, com especial atenção às pobrezas espirituais tão presentes na nossa época».

O Papa sublinhou que os Institutos que registam mais vocações são precisamente os que conservaram ou escolheram um teor de vida austero, fiel ao Evangelho radicalmente vivido.

No caso das Ordens e Congregações com uma longa tradição na Igreja, tanto masculinas como femininas, praticamente todas passaram nas últimas décadas por uma difícil crise devida ao envelhecimento dos seus membros, diminuição das vocações e por vezes também uma espécie de «cansaço» espiritual e carismático.

Um despertar e uma renovação têm sempre correspondido à redescoberta do carisma da fundação, ligado a um melhor conhecimento do Fundador ou Fundadora, contribuindo para um novo impulso ascético, apostólico e missionário. «É por este caminho que há que continuar a caminhar, pedindo ao Senhor que leve a pleno cumprimento a obra por ele iniciada», concluiu o Papa.

A definição de religioso/religiosa, na linguagem oficial da Igreja, engloba os fiéis que, por votos ou outros vínculos, de acordo com as próprias leis dos institutos, professam observar os conselhos evangélicos de castidade, pobreza e obediência e pela caridade, a que os mesmos conduzem, se unem de um modo especial à Igreja e ao seu mistério.

 

 

BENTO XVI SALIENTA

IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO

 

Bento XVI reuniu-se em 23 de Fevereiro passado com os pais e educadores da Diocese de Roma, defendendo a necessidade de «não renunciar às próprias responsabilidades» na educação das novas gerações.

 

O Papa estimulou-os a oferecer aos filhos «um testemunho de firme amor recíproco de que eles têm necessidade para crescer serenos e confiando em si mesmos e na vida».

Tomavam parte no encontro não só pais e mães de família, mas também crianças e adolescentes das paróquias romanas, assim como professores, catequistas e formadores em geral. Antes da chegada do Papa, decorreu um tempo de animação com cantos executados por grupos de crianças.

Foram também lidas algumas passagens da Carta que Bento XVI dirigiu à Diocese e à Cidade de Roma, precisamente a propósito da «urgente tarefa da educação». Este encontro tinha como objectivo e ponto culminante a entrega oficial, por parte do Papa, desta sua mensagem a um grupo representativo de pais e educadores.

Na alocução ali pronunciada, dirigindo-se às pessoas presentes na Praça de São Pedro, o Papa recordou a «grande emergência educativa» actual: «Nunca foi fácil educar e hoje em dia parece tornar-se cada vez mais difícil: por isso não poucos pais e educadores têm a tentação de renunciar à sua tarefa, e não conseguem sequer compreender qual é, na realidade, a missão que lhes foi confiada».

Perante a dificuldade de «propor às novas gerações algo de válido e certo, regras de comportamento e objectivos para os quais mereça gastar a própria vida», Bento XVI recordou a «grande esperança» e a «grande confiança que há-de animar sempre, apesar de tudo, os pais e educadores cristãos: «aquele sim claro e definitivo que, em Jesus Cristo, Deus deu à família humana» e que nos dá a certeza de que «também no nosso tempo é possível educar para o bem».

«Estamos aqui – afirmou o Papa – porque desejamos responder àquela exigência educativa que hoje sentem os pais, preocupados pelo futuro dos filhos, e professores que vivem a partir de dentro a crise da escola, os padres e os catequistas que sabem por experiência como é difícil educar para a fé, e até mesmo as próprias crianças, adolescentes e jovens que não querem ser abandonados sozinhos perante os desafios da vida.»

 

 

FORUM CATÓLICO-MUÇULMANO

EM NOVEMBRO PRÓXIMO

 

O Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso anunciou no passado dia 5 de Março a criação de um Forum católico-muçulmano, com o objectivo de promover o diálogo entre os fiéis das duas religiões.

 

Num comunicado oficial, o Conselho Pontifício revela que a primeira iniciativa deste Forum será a organização de um seminário, de 4 a 6 de Novembro de 2008, sobre o tema «Amor a Deus, amor ao próximo». 24 representantes de cada parte tomarão lugar na sessão de estudos, durante a qual haverá uma audiência com Bento XVI.

O anúncio é o primeiro fruto da ronda de negociações entre o Conselho Pontifício e representantes islâmicos, após a carta aberta «Um mundo comum», assinada por 138 líderes muçulmanos e enviada, entre outros, a Bento XVI no passado mês de Outubro, na qual deixavam um apelo em nome da paz e da compreensão entre o Islão e o Cristianismo.

Em resposta, o Papa manifestou o seu profundo apreço por este gesto, pelo espírito positivo que inspirou o texto e pelo apelo a um compromisso comum para a promoção da paz no mundo.

Na sua missiva, o Papa reafirmou «a importância do diálogo baseado no respeito efectivo pela dignidade da pessoa, no conhecimento objectivo da religião do outro, na partilha da experiência religiosa e no compromisso comum de promover o respeito e a aceitação mútuas».

 

 

BENTO XVI RECEBE

PATRIARCA DE CONSTANTINOPLA

 

Bento XVI recebeu no passado dia 6 de Março o Patriarca ortodoxo de Constantinopla, Bartolomeu I.

 

O encontro é classificado pela Santa Sé como mais um sinal das boas relações entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa.

Bento XVI e Bartolomeu I reuniram-se numa audiência privada, de onde seguiram para um momento de oração, na capela de Urbano VII, do Palácio Apostólico do Vaticano. O Patriarca esteve em Roma para participar nas celebrações do 90.º aniversário de fundação do Instituto Pontifício Oriental, onde ele próprio se doutorou.

Segundo a Rádio Vaticano, o «encontro fraterno» teve em vista a superação dos «obstáculos para o restabelecimento da plena unidade» entre os cristãos.

Vários contactos têm sido mantidos entre os dois líderes cristãos ao longo dos últimos tempos. Ambos encontraram-se na Turquia, em Novembro de 2006, e em Nápoles, em Outubro de 2007.

Bartolomeu I tem assumido um papel de relevo no diálogo católico-ortodoxo, sendo o principal impulsionador da aproximação verificada nos últimos anos, que culminou com o regresso aos trabalhos da comissão mista internacional para o diálogo teológico, cuja última reunião teve lugar na localidade italiana de Ravena, em Outubro do ano passado.

O «primus inter pares» e líder espiritual dos cerca de 200 milhões de ortodoxos do mundo inteiro sofre a contestação interna do Patriarcado de Moscovo, mas conta com grande influência nos restantes Patriarcados históricos (Alexandria, Antioquia, Jerusalém) e nas Igrejas de tradição grega, do Médio Oriente e do Leste da Europa, numa comunhão de 16 Igrejas Ortodoxas.

Bartolomeu I foi sempre um parceiro de diálogo privilegiado de João Paulo II, bem ao contrário do Patriarca ortodoxo de Moscovo, Alexis II. João Paulo II apresentou ao Patriarcado de Constantinopla, durante o seu pontificado, um pedido público de desculpas pelo ataque dos cruzados em 1204 e devolveu as relíquias de São João Crisóstomo e de São Gregório de Nazianzo, Doutores da Igreja, em 2004.

Bento XVI segue, agora, no mesmo caminho de amizade e diálogo fraterno, como foi agora assumido mais uma vez, mas a unidade plena ainda poderá demorar.

 

 

PAPA VISITA OS

ESTADOS UNIDOS

 

BENTO XVI visita os Estados Unidos de 15 a 20 de Abril próximo.

 

O Papa passará pela sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, e visita o presidente George W. Bush, na Casa Branca.

O encontro com Bush será no dia 16 de Abril No dia seguinte, Bento XVI preside a uma Missa em Washington, no estádio dos Nationals, e desloca-se à Universidade Católica local.

A 18 de Abril, Bento XVI será o terceiro Papa a discursar na sede da ONU, depois de Paulo VI e João Paulo II. Segundo o Cardeal Secretário de Estado Tarcisio Bertone, o Papa vai afirmar que «a Igreja Católica sempre apoiou o trabalho das Nações Unidas e não mudará a sua política», apontando para os valores que sustentam as «históricas declarações internacionais».

No dia 19 o Papa celebra uma Missa na Catedral de San Patrick. O último dia da visita tem um momento simbólico no Ground Zero, em memória das vítimas dos atentados de 11 de Setembro de 2001, e conclui-se com uma Missa no Yankee Stadium.


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