O Tempo Pascal

 

O Tempo Pascal é a parte festiva do Ciclo Pascal.

 

Decorre entre a Missa Vespertina comemorativa da Ceia do Senhor (Quinta feira santa) e as II.as Vésperas da solenidade do Pentecostes. Compreende cinquenta dias (em grego = «penteconta»), vividos e celebrados como um só dia: «os cinquenta dias entre o domingo da Ressurreição até o Domingo de Pentecostes devem ser celebrados com alegria e júbilo, como se se tratasse de um só e único dia festivo, como um grande domingo» (Normas Universais do Ano Litúrgico, n.º 22).

 

O tempo pascal é o mais forte de todo o ano, começado na Missa Vespertina da Ceia do Senhor e abrindo manifestamente à alegria na solene Vigília Pascal. É celebrado durante sete semanas até Pentecostes. É a Páscoa (passagem) de Cristo, do Senhor; Ele passou da morte à vida, à Sua existência definitiva e gloriosa. É também a Páscoa da Igreja, seu Corpo, que é introduzida na Vida Nova de seu Senhor por meio do Espírito que Cristo lhe deu no dia do primeiro Pentecostes. A origem desta cinquentena remonta-se às origens do Ano litúrgico.

 

Com a Missa Vespertina da Ceia do Senhor, na tarde de Quinta-feira Santa, inicia-se o Tríduo Pascal.

A nossa pastoral tem a boa tradição de investir bastante na Quaresma mas, talvez, descurar um pouco a Páscoa (os 50 dias de festa). Tal procedimento é causa de uma certa desfiguração da Páscoa e da vida cristã. O que se poderá fazer?

 

Com a finalidade de melhor celebrarmos e de vivermos frutuosamente os dias santos da Páscoa, apresentamos, em síntese, algumas orientações da Carta Circular da Congregação para o Culto divino, de 16 de Janeiro de 1988 sobre a «Preparação e celebração das festas pascais».

 

1. A celebração da Páscoa continua no tempo pascal. Os cinquenta dias que se seguem desde o Domingo da Ressurreição até ao Domingo de Pentecostes, celebram-se na alegria como um único dia de festa, mais ainda, como o «grande Domingo» (nº 100).

 

2. Os Domingos deste tempo são considerados como «Domingos de Páscoa» e têm precedência sobre qualquer festa do Senhor e qualquer solenidade. As solenidades que ocorrerem nestes Domingos devem transferir-se para a Segunda-Feira seguinte. As celebrações em honra da Santíssima Virgem ou dos Santos, que decorrem na semana, não podem ser transferidas para estes Domingos (nº 101).

 

3. Os neófitos hão-de ter reservado um lugar especial entre os fiéis durante todo o tempo pascal, nas Missas dominicais. Os neófitos procurem participar nas Missas juntamente com os seus padrinhos. Na homilia e, quando parecer oportuno, na oração universal ou dos fiéis, faça-se menção deles. Organize-se uma celebração especial, conforme os costumes de cada região, nas proximidades do Pentecostes, para terminar o tempo da mistagogia. É muito conveniente que as crianças façam a sua primeira comunhão nestes domingos pascais (nº 103).

 

4. Durante o Tempo pascal, os pastores instruam os fiéis já iniciados no Sacramento da Eucaristia sobre o significado do preceito da Igreja de receber neste tempo a sagrada comunhão. Muito se recomenda que, especialmente durante a oitava de Páscoa, se leve a comunhão aos enfermos (nº 104).

 

5. Onde é costume benzer as casas por ocasião das festas pascais, essa bênção seja feita pelo pároco ou por outros sacerdotes ou diáconos por ele delegados. Esta é uma ocasião propícia para exercitar o ofício pastoral. O pároco visita as casas, para fazer a visita pastoral a cada família, e procure manter um colóquio com os seus membros e com eles celebre um momento de oração, usando os textos do Ritual das Bênçãos (bênção anual nas casas). Nas grandes cidades veja-se a possibilidade de reunir várias famílias ao mesmo tempo, para celebrar em conjunto o rito da bênção (nº 105).

Está generalizado em bastantes regiões o costume de a visita às famílias ser realizada por um grupo de leigos devidamente identificados. Também este modo se enquadra perfeitamente dentro do espírito da Páscoa. Foi a ssim que os discípulos do Senhor levaram a todos os recantos do mundo a Boa Nova da Ressurreição do Mestre.

 

6. Segundo a diversidade de países e culturas, existem muitos costumes populares, vinculados com as celebrações do tempo pascal, que porventura suscitam uma participação popular superior à das próprias celebrações litúrgicas. Estes costumes não devem ser menosprezados, dado que, frequentemente, exprimem bem a mentalidade religiosa dos fiéis... (nº 106)

 

7. Este sagrado tempo de cinquenta dias conclui-se com o Domingo de Pentecostes em que se comemora o dom do Espírito Santo derramado sobre a Santíssima Virgem, os Apóstolos e outros discípulos que se tinham congregado no cenáculo em oração, nos primórdios da Igreja e o início da sua missão a «todas as línguas, povos e nações».

Recomenda-se a celebração prolongada da Missa da Vigília de Pentecostes, que não tem um carácter baptismal como a Vigília de Páscoa, mas antes o de oração intensa, segundo o exemplo dos Apóstolos e discípulos, que perseveravam unânimes em oração com Maria, a Mãe de Jesus, esperando o dom do Espírito Santo (nº 107).

 

8. «É próprio da festa pascal que toda a Igreja se alegre pelo perdão dos pecados, concedido não só àqueles que renasceram por meio do santo Baptismo, mas também àqueles que já são contados há mais tempo no número dos filhos adoptivos de Deus». Mediante uma actividade pastoral mais diligente e um maior empenho espiritual por parte de todos e cada um, com a graça de Deus, será possível a quantos tiverem participado nas festas pascais testemunharem na vida o mistério da Páscoa celebrado na fé (nº 108).

 

O tríduo pascal

 

A palavra tríduo na linguagem devocional católica sugere a ideia de preparação. Às vezes preparamos-nos para a festa de um santo com três (ou nove: 3X3) dias de oração em sua honra, ou pedimos uma graça especial mediante um tríduo de preces de intercessão.

O tríduo pascal considerava-se como os três dias de preparação para a festa de Páscoa; compreendia a quinta-feira, a sexta-feira e o sábado da Semana Santa. Era um tríduo da Paixão.

No novo calendário e nas normas litúrgicas para a Semana Santa, o enfoque é diferente. O tríduo apresenta-se, não como um tempo de preparação, mas sim como uma só coisa com a Páscoa. É um tríduo da Paixão e Ressurreição, que abrange a totalidade do mistério pascal. Assim se expressa no calendário:

Cristo redimiu o género humano e deu perfeita glória a Deus principalmente através de seu mistério pascal: «morrendo destruiu a morte e ressuscitando restaurou a vida». O tríduo pascal da Paixão e Ressurreição de Cristo é, portanto, a culminação de todo o ano litúrgico.

Esta estabelecida a duração exacta do tríduo: O tríduo começa com a Missa vespertina da Ceia do Senhor, alcança seu cume na Vigília Pascal e encerra-se com as II.as vésperas do Domingo de Páscoa.

 

Quinta-feira Santa. A Missa Vespertina deve ser celebrada à tarde, em hora conveniente para que o maior número de fiéis possa nela tomar parte.

• O sacrário deve estar vazio e, para a comunhão do clero e do povo, hoje e amanhã, consagrem-se partículas nesta missa. (Em Sexta-feira Santa não é permitida a celebração da Eucaristia).

• A fim de guardar a Eucaristia para a comunhão em sexta feira santa, deve ser preparada uma capela que favoreça a oração e a meditação. No entanto, recomenda-se muito o despojamento que convém à liturgia destes dias.

• Se o Santíssimo Sacramento é guardado habitualmente numa capela própria, aí mesmo se fará a reposição e adoração.

• No entanto, o Santíssimo deve ser guardado num sacrário fechado, sendo absolutamente proibida a exposição na custódia.

• Além disso, o sacrário não deve ter, de modo algum, a forma de sepulcro, e até mesmo esta palavra deve ser evitada. 

• Na Missa canta-se o Glória a Deus e, enquanto é cantado, repicam-se festivamente os sinos. Uma vez terminado, não voltarão a tocar até ao canto do Aleluia, na Vigília Pascal.

• Recomenda-se a tradição do lava-pés, imitando o gesto de Jesus Cristo na Última Ceia, e testemunhando a solicitude caritativa da Igreja. Deve-se procurar explicar aos fiéis o seu significado.

• Na procissão dos dons recomenda-se que se levem ao altar bens para os pobres, especialmente aqueles que, ao longo da Quaresma, foram reunidos como fruto da Penitência. Jejuamos por mortificação e a pensar nos irmãos mais carenciados, e não por medida económica. Durante a procissão canta-se o hino Onde haja caridade (Ubi caritas).

• Terminada a Oração depois da Comunhão, organiza-se uma procissão, com incenso e velas, através da igreja, na qual se leva a Santíssima Eucaristia para a capela da reposição.

• Esta procissão só se fará nas igrejas em que em é celebrada a Acção Litúrgica da Paixão do Senhor, na Sexta-feira Santa.

• Uma vez terminada a Celebração, procede-se à desnudação privada do altar e, se possível, retiram-se as cruzes da igreja. Convém que as cruzes que, por qualquer razão, têm de permanecer na igreja, sejam cobertas.

• Os fiéis devem ser exortados a fazer adoração diante o Santíssimo Sacramento, durante um conveniente tempo nocturno, de acordo com as circunstâncias locais, mas de modo que, a partir da meia-noite, esta adoração seja feita sem solenidade.

• A cor litúrgica é a branca.

 

 

Sexta-feira Santa. È dia de jejum e abstinência para todos os que estão abarngidos pela lei canónica. Somente nesta sexta-feira a abstinência não pode ser permutada pelas alternatives estabelecidas na Conferência Episcopal.

• De acordo com uma antiquíssima tradição, não há celebração da santa Missa neste dia. A sagrada Comunhão é distribuída apenas aos fiéis dentro da Celebração da Paixão do Senhor; aos doentes, porém, que não podem  participar na Celebração, pode levar-se a comunhão a qualquer hora do dia.

• Além da Eucaristia (Comunhão), Reconciliação e Penitência e da Unção dos doentes, não se devem celebrar quaisquer outros sacramentos. As Exéquias devem ser celebradas sem canto, sem toque de órgão e de sinos.

• A celebração da Paixão do Senhor deve fazer-se depois do meio-dia, cerca das três horas da tarde; mas, se verdadeiras razões pastorais o aconselharem, pode realizar-se numa hora mais conveniente, entre o meio dia e as nove horas da noite, facilitando a participação dos fiéis.

• Toda a acção litúrgica deve ser realizada e acordo com o que prescrevem os livros litúrgicos. Ninguém, por sua livre iniciativa, lhe pode introduzir qualquer alteração.

• O altar deve estar desnudado: sem toalhas, sem cruz, sem candelabros.

• A narração da Paixão do Senhor será proclamada sem velas, sem incenso nem qualquer saudação e sem signação (sinal da cruz) no Evangeliário. É proclamada pelo diácono, ou, na sua falta, pelo sacerdote. Pode, todavia, ser proclamada por leitores leigos, reservando-se as palavras de Cristo, se for possível, para um sacerdote. Os diáconos, mas não os outros, antes da leitura da Paixão, dizem Munda cor meum e pedem a bênção ao sacerdote, tal como antes do Evangelho. No fim diz-se Palavra da Salvação, mas omite-se o beijo no livro.

• A cruz que se mostra ao povo e se apresenta à adoração deve ser suficientemente grande e esculpida à mão, com elegância. A fórmula para mostrar a cruz encontram-se no Missal Romano e as respostas do povo devem ser proferidas.

• A cor litúrgica é a vermelha.

 

 

Solene Vigília Pascal. É a mãe de todas as vigílias. Deve ser celebrada de noite, ou seja, desde o anoitecer até ao romper da aurora. Dentro deste espaço de tempo, escolher-se-á o horário mis oportuno para a realizar.

 

• De acordo com esta indicação, deve reprovar-se o costume de realizar a Vigília Pascal à mesma hora em que, durante o ano, se celebram as missas vespertinas.

 

• No é permitido celebrar somente a Missa da Vigília, omitindo todos os ritos da mesma (bênção do lume novo, anúncio solene da Páscoa, pelo canto do precónio, rito baptismal, com Baptismos ou aspersão da assembleia com a água benzida).

 

• A Vigília pascal pode celebrar-se também nas igrejas e oratórios onde se realizaram as acções litúrgicas de Quinta e Sexta-feira Santas. Além disso, onde ela é celebrada deve existir a fonte baptismal.

 

• Para a celebração da Vigília, os ministros revestem-se como para a santa Missa, e os paramentos devem ser de cor branca.

 

• Para a bênção do lume novo deve preparar-se, na medida do possível, uma fogueira num lugar conveniente fora da igreja, cuja chama consiga, de facto, dissipar as trevas e iluminar a noite.

 

O Círio Pascal. É o símbolo mais destacado do Tempo Pascal. A palavra «círio» vem do latim «cereus», (de cera), e produto das abelhas. O círio mais importante é o que é aceso na  Vigília Pascal como símbolo de Cristo – Luz –, e colocar-se-á sobre uma elegante coluna ou candelabro enfeitado, até ao Pentecostes.

Ele é, já desde os primeiros séculos, um dos símbolos mais expressivos da vigília. No meio da escuridão (toda a celebração é feita de noite e começa com as luzes apagadas), de uma fogueira  previamente preparada acende-se o Círio, que tem uma inscrição em forma de cruz, acompanhada da data do ano e das letras Alfa e Ómega, a primeira e a última do alfabeto grego, para indicar que a Páscoa do Senhor Jesus, princípio e fim do tempo e da eternidade, nos alcança com força sempre nova no ano concreto em que vivemos. O Círio Pascal tem em sua cera incrustados cinco cravos de incenso que simbolizam as cinco chagas santas e gloriosas do Senhor da Cruz.

Na procissão de entrada da Vigília canta-se por três vezes a aclamação ao Cristo: «A Luz de Cristo. Demos graças a Deus», enquanto progressivamente se vão acendendo as velas dos presentes e as luzes da Igreja. Depois o círio é colocado na coluna ou candelabro que vai ser o seu suporte, e proclama-se junto dele, depois de incensá-lo, o solene Precónio Pascal.

Além do simbolismo da luz, o Círio Pascal tem também o da oferenda, como cera que se consome em honra de Deus, espalhando sua Luz: «aceitai, Pai Santo, o sacrifício vespertino desta chama, que a santa Igreja Vos oferece na solene oferenda deste círio, trabalho das abelhas. Sabemos já o que anuncia esta coluna de fogo, ardendo em chama  viva para glória de Deus... Rogamos-Vos que este Círio, consagrado ao Vosso nome, para destruir a escuridão desta noite».

O Círio Pascal ficará aceso em todas as celebrações durante as sete semanas do tempo pascal, ao lado do ambão da Palavra, até à tarde do Domingo de Pentecostes. Uma vez concluído o tempo Pascal, convém que o Círio seja dignamente conservado no baptistério.

O Círio Pascal também é usado durante os baptismos e nas exéquias, quer dizer no princípio e o termo da vida temporal, para simbolizar que um cristão participa da luz de Cristo ao longo de todo o seu caminho terreno, como garantia de sua incorporação definitiva à Luz da vida eterna.

 

• Para que o símbolo seja verdadeiramente expressivo, o Círio pascal deve ser inteiramente feito de cera, ter grandes dimensões, e renovar-se todos os anos. Efectivamente, ele deve exprimir a vida de Cristo que, como verdadeira luz, ilumina o mundo. Deve ser benzido com os sinais e as palavras dos livros litúrgicos (Missal Romano).

 

• O Precónio pascal deve ser anunciado, se for necessário, por um cantor que não seja diácono, o qual recebe a bênção do celebrante e omite uma parte do Invitatório e a saudação (O Senhor esteja convosco), como vem indicado no lugar próprio. Há-de escolher-se a forma longa ou breve.

 

• Devem ser proclamadas, pelo menos, três leituras do Antigo Testamento e. Em casos mais urgentes, pelo menos duas. Nunca se deverá omitir a leitura do Êxodo.

 

• Para a Vigília Pascal devem reservar-se os Baptismos de adultos, os quais encontram aqui perfeitamente o seu enquadramento litúrgico e histórico.

 

o canto do Glória a Deus nas alturas é entoado pelo Presidente da (con)celebração e repicam os sinos a festivamente.

 

O aleluia deve ser solenemente cantado, quando possível, pelo celebrante, e logo repetido pelo coro. Ele repete-se depois de cada estrofe, pois é o refrão do salmo responsorial da Missa.

• Na proclamação do Evangelho da Missa pode usar-se o incenso, mas não as velas.

 

Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor. Devemos considerar nele diversos aspectos.

 

Origem histórica. Os judeus celebravam já a «festa das semanas» (ver Dt 16,9-10). Era uma festa inicialmente agrícola e, mais tarde, comemorativa da Aliança no Sinai, ao perfazer cinquenta dias da Páscoa. Os cristãos organizaram rapidamente sete semanas, mas para prolongar a alegria da Ressurreição e para celebrar ao final dos cinquenta dias a festa do Pentecostes: o dom do Espírito Santo. Já  no século II temos o testemunho de Tertuliano no qual diz que neste espaço de tempo não se jejua, mas vive-se uma prolongada alegria.

A liturgia insiste muito no carácter unitário destas sete semanas.

• A primeira semana é a «oitava da Páscoa», em que já por irradiação os baptizados na Vigília Pascal, eram introduzidos em uma mais profunda sintonia com o Mistério de Cristo que a liturgia celebra. A «oitava da Páscoa» termina com o Domingo da oitava, chamado «in albis», porque nesse dia os recém baptizados depunham, noutros tempos, as vestes brancas recebidas no dia de seu Baptismo.

• Dentro da Cinquentena é celebrada a Ascensão do Senhor, agora não necessariamente aos quarenta dias da Páscoa, mas no domingo sétimo de Páscoa, porque a preocupação não é tanto cronológica mas teológica, e a Ascensão pertence simplesmente ao mistério da Páscoa do Senhor. Além disso, em muitas nações a quinta-feira deixou de ser feriado. O tempo Pascal encerra-se com a vinda do Espírito Santo  no Pentecostes.

• A unidade da Cinquentena que é também destacada pela presença do Círio Pascal aceso em todas as celebrações, até o domingo de Pentecostes.

Os vários domingos não se chamam, como antes, por exemplo, «domingo III depois da Páscoa», mas «domingo III de Páscoa».

• As celebrações litúrgicas dessa Cinquentena exprimem e ajudam-nos a viver o mistério pascal comunicado aos discípulos do Senhor Jesus.

As leituras da Palavra de Deus dos oito domingos deste Tempo na Santa Missa estão organizadas com essa intenção. A primeira leitura é sempre dos Actos dos Apóstolos, a história da igreja primitiva que, no meio das suas debilidades, viveu e difundiu a Páscoa do Senhor Jesus. A segunda leitura muda segundo os ciclos: a primeira carta de São Pedro, a primeira carta de São João e o livro do Apocalipse.

 

Um pouco da História da Páscoa. A Páscoa representou sempre a passagem de um tempo de trevas para outro de luzes, isto muito antes de ser considerada uma das principais festas da cristandade. A palavra «páscoa» – do hebreu «peschad», em grego «paskha» e latim «pache» – significa «passagem», uma transição anunciada pelo equinócio de primavera.

Para entender o significado da Páscoa cristã, é necessário voltar à Idade Média e lembrar que os antigos povos pagãos europeus, nesta época do ano, homenageavam Ostera, ou Easter, em inglês, derivada de Eostre, deusa anglo-saxónica do amanhecer. Ostera (ou Ostara) era a Deusa da Primavera, segurarando um ovo em sua mão e observando um coelho, símbolo da fertilidade, que pulava alegremente em redor de seus pés nus. A deusa e o ovo que carrega são símbolos da chegada de uma nova vida. Ostara equivale, na mitologia grega, a Persephone. Na mitologia romana, é Ceres. Os antigos povos pagãos comemoravam a chegada da primavera decorando ovos. O próprio costume de decorá-los para dar de presente na Páscoa surgiu na Inglaterra, no século X, durante o reinado de Eduardo I (900-924), o qual tinha o hábito de banhar ovos em ouro e ofertá-los aos seus amigos e aliados.

Em hebraico, temos a «Pessach», a chamada «Páscoa Judaica», que se originou quando os hebreus, há cerca de 3 mil anos, celebraram o êxodo e a libertação do seu povo, pela mão de Moisés, após 400 anos de cativeiro no Egipto. Comemoravam assim a passagem da escravidão para a libertação: saíram do solo egípcio, deambularam 40 anos pelo deserto até chegarem à região da Palestina, terra prometida, actualmente chamada de Israel. 



A festa da Páscoa passou a ser uma festa cristã após a última Ceia de Jesus com os Apóstolos, na quinta-feira santa. Os fiéis cristãos celebram a ressurreição de Cristo e sua elevação ao céu. As imagens deste momento são a morte de Jesus na cruz e a Sua aparição. A celebração começa sempre na quarta-feira de cinzas e termina no domingo de Páscoa: é a chamada semana santa. A data cristã foi fixada durante o Concílio de Nicea, em 325 d.C, como sendo «o primeiro domingo após a primeira Lua Cheia que ocorre após ou no equinócio da primavera boreal».

 

As origens nome. A Páscoa é uma das datas comemorativas mais importantes entre as culturas ocidentais. A origem desta comemoração remonta muitos séculos atrás. O termo «Páscoa» tem uma origem religiosa que vem do latim Pascae. Na Grécia Antiga, este termo também é encontrado como Paska. A sua origem mais remota, porém, vem dos hebreus, onde aparece o termo Pesach, cujo significado é passagem.

 

Entre as civilizações antigas. Alguns Historiadores encontraram informações que levam a concluir que uma festa de passagem era comemorada entre povos europeus há milhares de anos atrás.

Principalmente na região do Mediterrâneo, algumas sociedades, entre elas a grega, festejavam a passagem do inverno para a primavera, durante o mês de Março. Geralmente, esta festa era realizada na primeira lua cheia da época das flores. Entre os povos da antiguidade, o fim do inverno e o começo da primavera era de extrema importância, pois estava ligado a maiores possibilidades de sobrevivência, em função do rigoroso inverno que castigava a Europa, dificultando a produção de alimentos.

 

A Páscoa Judaica. Entre os judeus, esta data assume um significado muito importante, pois marca o êxodo deste povo do Egipto, por volta de 1250 a.C, onde foram aprisionados pelos faraós durante vários anos. Esta história encontra-se no Antigo Testamento da Bíblia, no livro Êxodo. A Páscoa Judaica também está relacionada com a passagem dos hebreus pelo Mar Vermelho, onde liderados por Moisés, fugiram do Egipto.

A Igreja aproveita o simbolismo desta passagem para nos ajudar a compreender melhor o Baptismo: passagem da escravidão do pecado através das águas baptismais para a longa caminhada da vida terrena que nos levará à Terra da Promissão.

Nesta data, os judeus fazem e comem o matzá (pão sem fermento) para lembrar a rápida fuga do Egito, quando não sobrou tempo para fermentar o pão.

A Igreja celebra a Eucaristia com pão não fermentado, poise la é o Memorial do Mistério Pascal de Cristo.

 

A Páscoa entre os cristãos. Entre os primeiros cristãos, esta data celebrava a ressurreição de Jesus Cristo (quando, após a morte, a Sua alma voltou a se unir ao Seu corpo). A festa era realizada no domingo seguinte a lua cheia depois do equinócio da Primavera (21 de Março).

 

A História do coelhinho da Páscoa e os ovos. A figura do coelho está simbolicamente relacionada com esta data comemorativa, pois este animal representa a fertilidade. O coelho reproduz-se rapidamente e em grandes quantidades.

Entre os povos da antiguidade, a fertilidade era sinónimo de preservação da espécie e melhores condições de vida, numa época em que o índice de mortalidade era altíssimo. No Egipto Antigo, por exemplo, o coelho representava o nascimento e a esperança de novas vidas.

Mas que tem a ver a reprodução com os significados religiosos da Páscoa? Tanto no significado judeu quanto no cristão, esta data relaciona-se com a esperança de uma vida nova.

Já os ovos de Páscoa (de chocolate, enfeites, jóias), também estão neste contexto da fertilidade e da vida. A figura do coelho da Páscoa foi trazida para a América pelos imigrantes alemães, entre o final do século XVII e início do XVIII.

No entanto, sobretudo o coelhinho da Páscoa está a ser utilizado para substituir a figura de Cristo ressuscitado – semelhantemente ao que acontece com o «Pai Natal» em relação a esta data do nascimento de Cristo – levando ao esquecimento do sentido cristão da festa.

 

 

 

 

2º Domingo da Páscoa

30 de Março de 2008

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Exultai de alegria, cantai hinos, F. Silva, NRMS 97

1 Pedro 2, 2

Antífona de entrada: Como crianças recém-nascidas, desejai o leite espiritual, que vos fará crescer e progredir no caminho da salvação. Aleluia.

 

Ou:

4 Es 2, 36–37

Exultai de alegria, cantai hinos de glória. Dai graças a Deus, que vos chamou ao reino eterno. Aleluia.

 

Diz–se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos em cada domingo a Páscoa do Senhor, a Sua Morte e Ressurreição.

Jesus quis aparecer aos Apóstolos no domingo de Páscoa e no de Pascoela, marcando o ritmo da celebração pascal para os discípulos e para os cristãos de todos os tempos.

Alegremo-nos, porque o Senhor ressuscitado está aqui no meio de nós como esteve no Cenáculo.

 

Irmãos, peçamos perdão dos nossos pecados, pois são os que dEle nos separam.

 

Oração Colecta: Deus de eterna misericórdia, que reanimais a fé do vosso povo na celebração anual das festas pascais, aumentai em nós os dons da vossa graça, para compreendermos melhor as riquezas inesgotáveis do Baptismo com que fomos purificados, do Espírito em que fomos renovados e do Sangue com que fomos redimidos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O livro dos Actos dos Apóstolos conta-nos neste trecho a vida dos primeiros cristãos de Jerusalém. São exemplo para todos fixarmos e imitarmos.

 

Actos 2, 42–47

42Os irmãos eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fracção do pão e às orações. 43Perante os inumeráveis prodígios e milagres realizados pelos Apóstolos, toda a gente se enchia de temor. 44Todos os que haviam abraçado a fé viviam unidos e tinham tudo em comum. 45Vendiam propriedades e bens e distribuíam o dinheiro por todos, conforme as necessidades de cada um. 46Todos os dias frequentavam o templo, como se tivessem uma só alma, e partiam o pão em suas casas; tomavam o alimento com alegria e simplicidade de coração, 47louvando a Deus e gozando da simpatia de todo o povo. E o Senhor aumentava todos os dias o número dos que deviam salvar–se.

 

Esta é a primeira das três maiores «descrições sumárias» de Actos da primitiva comunidade cristã de Jerusalém. As outras duas mais desenvolvidas estão em Act 4, 32-35; e 5, 12-16. Nestas descrições focam-se três aspectos da vida dos primeiros cristãos de Jerusalém: a sua vida religiosa, o cuidado dos pobres e os prodígios realizados pelos Apóstolos, insistindo-se ora num, ora noutro aspecto; aqui insiste-se na vida religiosa. Os relatos sumários são breves resumos da vida da Igreja, que não se reduzem a estes três relatos maiores. Os críticos vêem nalguns deles uma descrição um tanto idealizada, pois é feito um juízo global a partir de casos concretos, como quando se diz que ninguém tinha nada seu (4, 42), ou que todos eram curados (5, 16), etc. A credibilidade do conteúdo destes sumários é no entanto confirmada pelo facto de que a clara visão idílica de alguns elementos não leva o autor a deformar a realidade, pois não esconde acontecimentos que podiam embaciar essa visão tão optimista (por ex., o caso de Ananias e de Safira, em Act 5, 1-11).

42 «O ensino dos Apóstolos». Os Apóstolos não se limitavam a pregar o primeiro anúncio (kérigma), em ordem à conversão inicial e ao Baptismo (cf. Act 2, 14-41); dedicavam-se também a uma instrução catequética dos que já tinham a fé.

«A comunhão fraterna», isto é, havia uma grande unidade de espíritos e de corações («um só coração e urna só alma» Act 4, 32); a tradução latina da Vulgata interpretou a expressão no sentido da comunhão eucarística («comunhão da fracção do pão»), uma vez que, de facto, este Sacramento é o fundamento da união de todos os cristãos entre si: 1 Cor 10, 17.

«Fracção do pão»: partir do pão era o nome primitivo dado à celebração da Eucaristia, um nome tirado do gesto de Jesus de partir o pão na Última Ceia. Com toda a probabilidade, temos aqui uma referência à celebração eucarística, designada desta maneira em 1 Cor 10, 16-17 e Act 20, 7.

44 «Tinham tudo em comum». Esta atitude extraordinariamente generosa ficou para sempre como um luminoso exemplo de como «compartilhar com os outros é uma atitude cristã fundamental… Os primeiros cristãos puseram em prática espontaneamente o princípio segundo o qual os bens deste mundo são destinados pelo Criador à satisfação das necessidades de todos sem excepção» (Paulo VI). Esta atitude cristã nada tem que ver com a colectivizarão de toda a propriedade privada imposta por um estado totalitário, pois aqui era respeitada a liberdade individual, podendo não se pôr tudo em comum, por isso em Actos se louva o gesto de Barnabé (Act 4, 36-37) e se censura a fraude de Ananias (Act 5, 4). Daqui se conclui que o «todos» do texto é uma generalização.

46 No princípio, os cristãos de Jerusalém continuavam a participar nos actos de culto judaico, acrescentando a essas práticas um novo rito que celebravam nas casas particulares: a Eucaristia, que, como é óbvio, não podiam celebrar no Templo. O original grego sugere mesmo que esta se celebrava, ora numa casa, ora noutra. Pode-se perguntar se a celebrariam diariamente. Não é certo, mas a sua celebração no «primeiro dia da semana» consta-nos de Act 20, 7.11; 1 Cor 16, 2; cf. Didaquê, 14, 1, dia que já na época apostólica se começa a chamar «dia do Senhor», isto é, Domingo (cf. Apoc 1, 10).

«Com alegria». S. Lucas sublinha frequentemente esta alegria dos primeiros cristãos: (Act 5, 41; 8, 8.39; 13, 48-52; 15, 3; 16, 34), bem como o tom de louvor que havia na sua vida de oração (v. 47; cf. 3, 8.9; 4, 21; 10, 46; 11, 18; 13, 48; 19, 17; 21, 20).

 

Salmo Responsorial            Sl 117 (118), 2–4.13–15.22–24 (R. 1)

 

Monição: O salmo 117 convida-nos a encher-nos da alegria pascal, a viver o dia que o Senhor fez, a celebrar a vitória de Jesus.

 

Refrão:         Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,

                      porque é eterna a sua misericórdia.

 

Ou:                Aclamai o Senhor, porque Ele é bom:

                      o seu amor é para sempre.

 

Ou:                Aleluia.

 

Diga a casa de Israel:

é eterna a sua misericórdia.

Diga a casa de Aarão:

é eterna a sua misericórdia.

Digam os que temem o Senhor:

é eterna a sua misericórdia.

 

Empurraram–me para cair,

mas o Senhor me amparou.

O Senhor é a minha fortaleza e a minha glória,

foi Ele o meu Salvador.

Gritos de júbilo e de vitória nas tendas dos justos:

a mão do Senhor fez prodígios.

 

A pedra que os construtores rejeitaram

tornou–se pedra angular.

Tudo isto veio do Senhor:

é admirável aos nossos olhos.

Este é o dia que o Senhor fez:

exultemos e cantemos de alegria.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S.Pedro lembra-nos que a fé nos enche de alegria já neste mundo, mesmo no meio das provações.

 

1 São Pedro 1, 3–9

3Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, na sua grande misericórdia, nos fez renascer, pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos, 4para uma esperança viva, para uma herança que não se corrompe, nem se mancha, nem desaparece, reservada nos Céus para vós 5que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que se vai revelar nos últimos tempos. 6Isto vos enche de alegria, embora vos seja preciso ainda, por pouco tempo, passar por diversas provações, 7para que a prova a que é submetida a vossa fé – muito mais preciosa que o ouro perecível, que se prova pelo fogo – seja digna de louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo Se manifestar. 8Sem O terdes visto, vós O amais; sem O ver ainda, acreditais n'Ele. E isto é para vós fonte de uma alegria inefável e gloriosa, 9porque conseguis o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas.

 

Em todos os domingos pascais deste ano A vamos ter como 2ª leitura um trecho da 1ª Carta de Pedro. Estes vv. têm um certo aspecto de hino trinitário de sabor baptismal (v. 3): dão-se graças ao Pai (v. 3-5; cf. Ef 2, 4; Col 1, 12), pela obra salvadora do Filho (v. 6-9); a referência ao Espírito Santo é deixada fora da leitura de hoje (vv. 10-12).

3-4 «Nos fez renascer pela Ressurreição». A Ressurreição de Jesus, facto realmente sucedido «ao terceiro dia», tem uma dimensão existencial que nos afecta «hoje, agora»: pela união a Cristo ressuscitado, também nós ressuscitamos para uma vida nova (cf. Rom 6, 4-11), «renascemos para uma esperança viva» (cf. Jo 1, 13; 3, 5-7; Gal 6, 15; Tit 3, 5); é assim a esperança cristã, não uma mera utopia: o seu objecto material é a verdadeira vida, a vida eterna: «uma herança que não se corrompe... herança reservada nos Céus para vós» (vv. 3-4).

6 «Isto vos enche de alegria». A esperança na «herança» e «salvação» eternas é fonte de alegria no meio das «diversas provações» pelas que «é preciso passar». Isto não tem nada de alienante, uma vez que o objecto da esperança, o Céu, tem existência real e está ao nosso alcance: a certeza da esperança é firmíssima e não nos deixa confundidos, uma vez que Deus é «omnipotente, infinitamente misericordioso e fidelíssimo às suas promessas», havendo apenas a recear de nós próprios, que podemos vir a ser infiéis a Deus e a seu plano salvador. Esta esperança no Céu é algo que responsabiliza os cristãos mais fortemente do que os demais cidadãos, uma vez que eles sabem que não podam chegar ao Céu se não se preocupam pelo bem dos seus semelhantes, incluindo o que respeita ao bem-estar material (cf. Mt 25, 34-46).

«Sem O verdes ainda, acreditais n’Ele». É fácil descobrir nestas palavras uma alusão ao que, na Missa de hoje, Jesus diz a Tomé: «felizes os que acreditam sem terem visto».

A vida cristã, vida de ressuscitados com Cristo, é uma vida teologal, vida de fé, esperança e amor, a qual nos leva a estar «cheios de alegria inefável», já agora.

 

Aclamação ao Evangelho          Jo 20, 29

 

Monição: O Apóstolo João conta as aparições de Jesus ressuscitado no dia de Páscoa e no de Pascoela. Como então, Jesus está vivo no meio de nós. Aclamemo-Lo com alegria.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Disse o Senhor a Tomé:

«Porque Me viste, acreditaste;

felizes os que acreditam sem terem visto.

 

 

Evangelho

 

São João 20, 19–31

19Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou–Se no meio deles e disse–lhes: «A paz esteja convosco». 20Dito isto, mostrou–lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. 21Jesus disse–lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». 22Dito isto, soprou sobre eles e disse–lhes: «Recebei o Espírito Santo: 23àqueles a quem perdoardes os pecados ser–lhes–ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos». 24Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. 25Disseram–lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu–lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». 26Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou–Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». 27Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete–a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». 28Tomé respondeu–Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» 29Disse–lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto». 30Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. 31Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.

 

Neste breve relato pode ver-se como Jesus cumpriu a suas promessas que constam dos discursos de despedida: voltarei a vós (14, 18) – pôs-se no meio deles (v. 19); um pouco mais e ver-Me-eis (16, 16) – encheram-se de alegria por verem o Senhor (v. 20); Eu vos enviarei o Paráclito (16, 7) – recebei o Espírito Santo (v. 22); ver também Jo 14, 12 e 20, 17.

19 «A paz esteja convosco!» Não se trata de uma mera saudação, a mais corrente entre os Judeus, mesmo ainda hoje. A insistência joanina nestas palavras do Senhor ressuscitado (vv. 19.21.26) – que, embora habituais, nunca são registadas nos Evangelhos! – é grandemente expressiva. De facto, com a sua Morte e Ressurreição Jesus acabava de nos garantir a paz, a paz com Deus, origem e alicerce de toda a verdadeira paz (cf. Jo 14, 27; Rom 5, 1; Ef 2, 14; Col 1, 20).

20 O mostrar das mãos e do peito acentua a continuidade entre o Jesus crucificado e o Senhor glorioso (cf. Hebr 2, 18); a sua presença, que transcende a dimensão espácio-temporal (cf. vv. 19.26), é uma realidade que os enche de paz (vv. 19.21.26; cf. Jo 14, 27; 16, 33; Rom 5, 1; Col 1, 20) e de alegria (v. 20; cf. Jo 15, 11; 16, 20-24; 17, 13). «Ficaram cheios de alegria» é uma observação que confere ao relato uma grande credibilidade; com efeito, naqueles discípulos espavoridos (v. 19), desiludidos e estonteados, surge uma vivíssima reacção de alegria, ao verem o Senhor; ao contrário do que era de esperar, não se verifica aqui o esquema habitual das visões divinas, as teofanias do A. T., em que sempre há uma reacção de temor e de perturbação. A grande alegria dos Apóstolos procede da certeza da vitória de Jesus sobre a morte e também de verem como Jesus reatava com eles a intimidade anterior, sem recriminar a fraqueza da sua fé e a vergonha da sua deslealdade.

22 «Soprou sobre eles… Recebei o Espírito Santo». Este soprar de Jesus não é ainda «o vento impetuoso» do dia de Pentecostes; é um sinal visível do dom invisível do Espírito (em grego é a mesma palavra que também significa sopro). Esta efusão do Espírito Santo não aparece como a mesma que se dá 50 dias depois, na festa do Pentecostes. Aqui, tem por efeito conferir-lhes o poder de perdoar os pecados, poder dado só aos Apóstolos (e seus sucessores no sacerdócio da Nova Aliança), ao passo que no dia do Pentecostes é dado o Espírito Santo também a outros discípulos reunidos com Maria no Cenáculo, iluminando-os e fortalecendo-os com carismas extraordinários em ordem ao cumprimento da missão de que já estavam incumbidos.

23 «A quem perdoardes os pecados…»: não se trata de um mero preceito da pregação do perdão dos pecados que Deus concede a quem confia nesse perdão (interpretação protestante); é uma das poucas passagens da Escritura cujo sentido foi solenemente definido como verdade de fé: estas palavras «devem entender-se do poder de perdoar e reter os pecados no Sacramento da Penitência» (DzS 913); o mesmo Concílio de Trento também se baseia nestas palavras para falar da necessidade de confessar todos os pecados graves depois do Baptismo, uma doutrina que tem vindo a ser reafirmada pelo Magistério: «a doutrina do Concílio de Trento deve ser firmemente mantida e aplicada fielmente na prática»; por isso, os fiéis que, em perigo de morte ou em caso de grave necessidade, tenham recebido legitimamente a absolvição comunitária ou colectiva de pecados graves ficam com a grave obrigação de os confessar dentro de um ano (Normas Pastorais da Congregação para a Doutrina da Fé, 16-VI-1972); cf. Motu proprio de João Paulo II Misericordia Dei (7.4.2002) e Código D. C., nº 960.

«Ser-lhes-ão perdoados»: esta expressão é muito forte, pois temos aqui o chamado passivum divinum, isto é, o uso judaico da voz passiva para evitar pronunciar o nome inefável de Deus; sendo assim, a expressão corresponde a «Deus lhes perdoará», e «serão retidos» equivale a «serão retidos por Deus», isto é, Deus não perdoará.

24 «Tomé», nome aramaico Tomá significa «gémeo»; em grego, dídymos.

29 «Felizes os que acreditam sem terem visto». Para a generalidade dos fiéis, a fé (dom de Deus) não tem mais apoio humano verificável do que o testemunho grandemente crível da pregação apostólica e da Igreja através dos séculos (cf. Jo 17, 20). Para crer não precisamos de milagres, basta a graça, que Deus nunca nega a quem busca a verdade com humildade e sinceridade de coração. O facto de as coisas da fé não serem evidentes, nem uma mera descoberta da razão, só confere mérito à atitude do crente, que crê porque Deus, que revela, não se engana nem pode enganar-nos. Por isso, Jesus proclama-nos «felizes», ao submetermos o nosso pensamento e a nossa vontade a Deus na entrega que o acto de fé implica. Tanto Tomé, naquela ocasião, como nós, agora, temos garantias de credibilidade suficientes para aceitar a Boa Nova de Jesus: as nossas escusas para não crer são escusas culpáveis, escusas de mau pagador. Também as estrelas não deixam de existir pelo facto de os cegos não as verem.

30-31 Temos aqui a primeira conclusão do Evangelho de S. João que nos deixa ver o objectivo que o Evangelista se propôs. Este Evangelho foi escrito para crermos que «Jesus é o Messias, o Filho de Deus». Note-se que a fé não é uma mera disposição interior de busca ou caminhada sem uma base doutrinal, um conteúdo de ensino (cf. Rom 6, 17), pois exige que se aceitem «verdades» como esta, a saber, que Jesus é o Filho de Deus, e Filho, não num sentido genérico, humano ou messiânico, mas o «Filho Unigénito que está no seio do Pai» (Jo 1, 18), verdadeiro Deus, segundo a confissão de S. Tomé: «Meu Senhor e meu Deus» (v. 28; cf. Jo 1, 1; Rom 9, 5). Há quem veja o Evangelho segundo S. João contido dentro de uma grande inclusão, que põe em evidência a divindade de Cristo: Jo 1, 1 (O Verbo era Deus) e Jo 20, 28 (meu Senhor e meu Deus), tendo como centro e clímax a afirmação de Jesus: Eu e o Pai somos Um (10, 30).

 

Sugestões para a homilia

 

Meu Senhor e meu Deus

Fé mais preciosa que o ouro

Assíduos ao ensino dos Apóstolos

1) Meu Senhor e meu Deus

S. João conta-nos como Jesus apareceu aos Apóstolos no domingo de Páscoa e, depois, no de Pascoela, que hoje recordamos. E como tiveram dificuldade em acreditar na ressurreição do Mestre.

«Bem aventurados os que não viram e acreditaram» – diz-lhes. Não vemos a Jesus, mas sabemos que está vivo aqui connosco, porque Ele o disse.

As dúvidas de Tomé, permitidas por Deus, reforçam a nossa fé. Vemos que não eram crédulos nem se deixaram levar por fantasias.

Ao tocar nas chagas, o apóstolo faz um acto de fé muito belo na divindade de Jesus. É uma oração muito bonita que podemos repetir muitas vezes, durante a Santa Missa, saboreando-a no íntimo da nossa alma: Meu Senhor e meu Deus!

Muitos hoje não querem acreditar naquilo que Jesus ensinou mas vão para a bruxa, para os astrólogos e para as seitas que os iludem e exploram.

Temos de procurar conhecer sempre melhor o que Deus nos revelou e continua a ensinar-nos pela Sua Igreja. Não basta dizer que acreditamos. 

Temos de tomar a sério o que Jesus nos disse, sem discutir o que não agrada. O pecado de heresia está em negar alguma verdade revelada ou pô-la em dúvida. O papa João Paulo I ensinava numa das suas catequeses: «A minha mãe dizia-me quando já era crescido: Em pequeno estiveste muito doente; tive de levar-te de um médico para outro e velar noites inteiras; acreditas no que te digo? Como poderia eu dizer: – mãe, não creio? Mas sim: creio. Creio o que me dizes, mas creio-te sobretudo a ti. Assim acontece com a fé. Não se trata só de crer no que Deus revelou, mas sim a Ele, que merece a nossa fé, que nos amou tanto e tanto fez por nosso amor» (Aloc.13-IX-78) 

2) Fé mais preciosa que o ouro

Que sejamos homens e mulheres de fé grande. Ela é dom maravilhoso que temos de estimar e guardar e comunicar aos outros. S. Pedro dizia-nos que é «muito mais preciosa que o ouro». Mesmo no meio das perseguições e provações «é para vós fonte de alegria inefável e gloriosa» (2ª leit.).

Amamos a Cristo sem O ver como Ele é, acreditamos nEle, vivemos com Ele cá na terra, participando já da Sua Ressurreição gloriosa pela vida nova que nos comunicou no Baptismo. E temos, pela esperança viva, a certeza de alcançar essa herança que não se corrompe, a felicidade eterna no Céu.

Só há uma coisa que pode tirar-nos a alegria. É o pecado, porque nos afasta de Deus, que é a própria felicidade.

Para vencer o pecado Jesus deixou, no dia de Páscoa o Sacramento do perdão. Ele é por excelência o Sacramento da alegria, que temos de agradecer a Jesus. É a Sua prenda de pascal para a Igreja.

É o sacramento da misericórdia de Deus. Santa Faustina Kowalska, religiosa polaca, difundiu no mundo a devoção à Divina Misericórdia e pediu a instituição da sua festa precisamente neste Domingo de Pascoela. Foi o que fez o papa João Paulo II, seu conterrâneo. O Senhor quis chamá-lo para Si na vigília deste dia depois da celebração, no seu quarto, da Santa Missa.

A misericórdia de Deus manifesta-se de modo especial no Sacramento do Perdão. Por Jesus e através dos sacerdotes Ele perdoa os pecados dos homens, sem excluir ninguém. Ele é o pai da parábola à espera do filho pródigo que se afastou da casa paterna, que o recebe de braços abertos e o cobre de beijos.

Com o Seu amor misericordioso anima-nos a regressar através do arrependimento e por uma acusação humilde dos nossos pecados.

Jesus aparece aos Apóstolos com o Seu corpo glorificado, mas conserva as chagas. Elas são o sinal do amor infinito que tem aos pecadores de todos os tempos.

Explicavam a um miudito a história de Judas, o seu remorso e como foi enforcar-se numa figueira.

– Tu se tivesses a desgraça de atraiçoar a Jesus farias como Judas?

– Faria sim!

– Irias dependurar-te como ele?

– Sim…Só que em vez de dependurar-me numa árvore, iria dependurar-me no pescoço de Jesus, pedindo-Lhe que me perdoasse.

3) Assíduos ao ensino dos Apóstolos

Os primeiros cristãos são modelo sempre actual para os de hoje.

A primeira leitura resume a sua vida de discípulos de Cristo, que viviam a sério a sua fé. «Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fracção do pão e às orações».

Estavam atentos aos ensinamentos dos Apóstolos, arranjavam tempo para escutar a sua pregação. E eram perseverantes, assíduos. Empregavam os meios para conhecerem melhor a sua fé. Não iam atrás de qualquer vendedor da banha da cobra, mas daqueles que o Senhor pôs à frente da Sua Igreja.

No Credo professamos a nossa fé e dizemos: Creio na remissão dos pecados. Essa remissão dá-se no Baptismo e no Sacramento da Penitência. Hoje temos de estar mais atentos àquilo que o Sucessor de Pedro nos ensina sobre a confissão. João Paulo II tantas vezes lembrou a necessidade de acudir a este sacramento da misericórdia.

Na festa da Divina misericórdia de 2002 (7 de Abril) publicou um Motu próprio chamando a atenção para alguns pontos importantes:

«Na incessante praxe da Igreja ao longo da história, o 'ministério da reconciliação' (2 Cor 5,18), actuada mediante os sacramentos do Baptismo e da Penitência, revelou-se sempre um empenho pastoral vivamente prezado, realizado segundo o mandato de Jesus como parte essencial do ministério sacerdotal. A celebração do sacramento da Penitência conheceu, ao longo dos séculos, uma evolução com diversas formas expressivas, mas sempre conservando a mesma estrutura fundamental que compreende necessariamente, além da participação do ministro – só um Bispo ou um presbítero, que julga e absolve, cura e sara em nome de Cristo –, os actos do penitente: a contrição, a confissão e a satisfação.

Na Carta Apostólica Novo millennio ineunte, escrevi: «Solicito ainda uma renovada coragem pastoral para, na pedagogia quotidiana das comunidades cristãs, se propor de forma persuasiva e eficaz a prática do Sacramento da Reconciliação. Em 1984, como recordareis, intervim sobre este tema através da Exortação pós-sinodal Reconciliatio et paenitentia, na qual foram recolhidos os frutos da reflexão da Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos dedicada a esta problemática. Lá convidava a que se fizesse todo o esforço para superar a crise do 'sentido do pecado'. [...] Quando o referido Sínodo se debruçou sobre o tema, estava à vista de todos a crise deste Sacramento, sobretudo nalgumas regiões do mundo. E os motivos que a originaram, não desapareceram neste breve espaço de tempo. Mas o Ano Jubilar, que foi caracterizado particularmente pelo recurso à Penitência sacramental, ofereceu-nos uma estimulante mensagem que não deve ser perdida: se tantos fiéis – jovens muitos deles – se aproximaram frutuosamente deste Sacramento, provavelmente é necessário que os Pastores se armem de maior confiança, criatividade e perseverança para o apresentarem e o fazerem valorizar». (nº 37)

Com estas palavras, quis e quero encorajar e, ao mesmo tempo, dirigir um forte convite aos meus irmãos Bispos – e, através deles, a todos os presbíteros – para um solícito relançamento do sacramento da Reconciliação, inclusive como exigência de autêntica caridade e de verdadeira justiça pastoral, (CDC can.213 e 843) lembrando-lhes que cada fiel, com as devidas disposições interiores, tem o direito de receber pessoalmente o dom sacramental...

Nas actuais circunstâncias pastorais, para atender aos pedidos apreensivos de numerosos Irmãos no Episcopado, considero conveniente recordar algumas leis canónicas em vigor sobre a celebração deste sacramento, especificando certos aspectos para, em espírito de comunhão com a responsabilidade que é própria de todo o Episcopado, (LG 23, 27) favorecer uma melhor administração daquele. Trata-se de tornar efectiva e de tutelar uma celebração cada vez mais fiel, e portanto sempre mais proveitosa, do dom confiado à Igreja pelo Senhor Jesus depois da ressurreição (cf. Jo 20, 19-23). Isto revela-se especialmente necessário quando se observa em certas regiões a tendência ao abandono da confissão pessoal, juntamente a um recurso abusivo à «absolvição geral» ou «colectiva», de modo que esta deixa de ser vista como meio extraordinário em situações totalmente excepcionais. Partindo de um alargamento arbitrário do requisito da grave necessidade (CDC, can.961), perde-se de vista praticamente a fidelidade à configuração divina do sacramento, e concretamente a necessidade da confissão individual, com graves danos para a vida espiritual dos fiéis e para a santidade da Igreja».

E o papa lembra concretamente:

«a) ‘A confissão individual e íntegra e a absolvição constituem o único modo ordinário pelo qual o fiel, consciente de pecado grave, se reconcilia com Deus e com a Igreja; somente a impossibilidade física ou moral o escusa desta forma de confissão, podendo neste caso obter-se a reconciliação também por outros meios'. (Ib.can.960)

b) Por isso, ‘todo aquele que, em razão do ofício, tem cura de almas, está obrigado a providenciar para que sejam ouvidas as confissões dos fiéis que lhe estão confiados e que de modo razoável peçam para se confessar, a fim de que aos mesmos se ofereça a oportunidade de se confessarem individualmente em dias e horas que lhes sejam convenientes'. (Ib.c.986)

Além disso, todos os sacerdotes com faculdade de administrar o sacramento da Penitência, mostrem-se sempre e plenamente dispostos a administrá-lo todas as vezes que os fiéis o peçam razoavelmente. (Cf.PO, 13) A falta de disponibilidade para acolher as ovelhas feridas, mais, para ir ao seu encontro e reconduzi-las ao aprisco, seria um doloroso sinal de carência de sentido pastoral em quem, pela Ordenação sacerdotal, deve reproduzir em si mesmo a imagem do Bom Pastor.

2. Os Ordinários do lugar, bem como os párocos e os reitores de igrejas e santuários, devem verificar periodicamente se existem efectivamente as maiores facilidades possíveis para as confissões dos fiéis. De modo particular, recomenda-se a presença visível dos confessores nos lugares de culto durante os horários previstos, a acomodação destes horários à situação real dos penitentes, e uma especial disponibilidade para confessar antes das Missas e mesmo para ir de encontro à necessidade dos fiéis durante a celebração da Eucaristia, se houver outros sacerdotes disponíveis. (C.Culto Divino)

3. Visto que ‘o fiel tem obrigação de confessar, na sua espécie e número, todos os pecados graves de que se lembrar após diligente exame de consciência, cometidos depois do baptismo e ainda não directamente perdoados pelo poder das chaves da Igreja nem acusados em confissão individual’, (CDC, can.988) seja reprovado qualquer costume que limite a confissão a uma acusação genérica ou somente de um ou mais pecados considerados significativos. Por outro lado, levando-se em conta a chamada de todos os fiéis à santidade, recomenda-se-lhes que confessem também os pecados veniais» (Ib.). (Motu próprio Misericordia Dei).

Bento XVI tem lembrado esta doutrina uma e outra vez. Na Exortação Sacramento da Caridade recorda «o dever pastoral do Bispo...de favorecer entre os fiéis a confissão frequente» (21)

Peçamos à Virgem que saibamos imitar os primeiros cristãos nesta escuta atenta dos ensinamentos do Magistério da Igreja.

 

Fala o Santo Padre

 

«A Paz é o dom que Cristo deixou aos seus amigos»

 

Estimados irmãos e irmãs

A todos vós renovo os bons votos de feliz Páscoa, no Domingo que encerra a Oitava e é tradicionalmente chamado Domingo «in Albis». […]

Este Domingo conclui a semana ou, mais propriamente, a «Oitava» de Páscoa, que a liturgia considera como um único dia: «O dia que fez o Senhor» (Sl 117, 24). Não é um tempo cronológico, mas espiritual, que Deus inaugurou no tecido dos dias, quando ressuscitou Cristo de entre os mortos. Infundindo a vida nova e eterna no corpo sepultado de Jesus de Nazaré, o Espírito Criador completou a obra da criação, dando origem às «primícias»: primícias de uma renovada humanidade que, ao mesmo tempo, é primícias de um novo mundo e de uma nova época.

Esta renovação do mundo pode resumir-se com uma palavra: a mesma que Jesus ressuscitado pronunciou como saudação, e sobretudo como anúncio da sua vitória aos discípulos: «A paz esteja convosco!» (Jo 20, 19.21.26). A Paz é o dom que Cristo deixou aos seus amigos (cf. Jo 14, 27), como bênção destinada a todos os homens e a todos os povos. Não a paz segundo a mentalidade do «mundo», como equilíbrio de forças, mas uma nova realidade, fruto do Amor de Deus, da sua Misericórdia. É a paz que Jesus Cristo adquiriu com o preço do seu Sangue e que comunica a quantos nele confiam. «Jesus, em Vós confio!»: nestas palavras resume-se a fé do cristão, que é fé na omnipotência do Amor misericordioso de Deus.

 

Papa Bento XVI, Regina Caeli, 15 de Abril de 2007

 

 

 

Oração Universal

 

Unidos a toda a Igreja trazemos a Jesus ressuscitado

vivo no meio de nós os nossos pedidos.

Ele apresenta-os ao Pai, para que os atenda.

Peçamos com fé e humildade:

 

1.    Pela Santa Igreja,

para que todos os homens descubram nela a luz

e o amor misericordioso de Deus,

oremos ao Senhor.

 

2.    Pelo Santo Padre,

para que todos escutem os seus ensinamentos

e encontrem o caminho para Jesus, que tem palavras de vida eterna,

oremos ao Senhor.

 

3.    Pelos bispos e sacerdotes,

para que transmitam fielmente e com valentia a doutrina de Jesus,

oremos ao Senhor.

 

4.    Por todos os cristãos,

para que vivam a fé e a caridade dos primeiros  discípulos,

oremos ao Senhor.

 

5.    Para que todos nós, vivendo à maneira de Jesus

O tornemos presente em toda a parte,

oremos ao Senhor.

 

6.    Para que aumente em todos os fiéis

a estima pelo Sacramento da Penitêrncia e o recebamos com frequência e alegria,

oremos ao Senhor.

 

7.    Por todos os que se encontram no Purgatório, a purificar-se dos seus pecados,

para que o Senhor lhes conceda a felicidade do Céu,

oremos ao Senhor.

 

Senhor, que nos ensinastes o caminho para ser felizes na terra e no céu, fazei-nos crescer

cada dia mais na fé, na esperança e na caridade,  para vivermos mais unidos a Vós.

Por N.S.J.C.Vosso Filho que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Bendita e louvada seja, M. Simões, NRMS 41

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, as ofertas do vosso povo [e dos vossos novos filhos], de modo que, renovados pela profissão da fé e pelo Baptismo, mereçamos alcançar a bem-aventurança eterna. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio pascal I [mas com maior solenidade neste dia]: p. 469 [602–714]

 

No Cânone Romano dizem-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Pela comunhão não tocamos apenas no Corpo de Jesus, como Tomé. Temo-Lo em nós como alimento divino. Digamos uma e muitas vezes, cheios de fé e amor: Meu Senhor e meu Deus.

 

Cântico da Comunhão: Porque me vês, acreditas, Az. Oliveira, NRMS 97

cf. Jo 20, 27

Antífona da comunhão: Disse Jesus a Tomé: Com a tua mão reconhece o lugar dos cravos. Não sejas incrédulo, mas fiel. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Cantai comigo, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Deus todo–poderoso, que a força do sacramento pascal que recebemos permaneça sempre em nossas almas. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A nossa fé vivida a sério é o segredo da alegria. E leva-nos a estar atentos aos ensinamentos do Papa, sucessor de Pedro e a viver a oração e a comunhão fraterna.

 

Cântico final: Cristo ressuscitou vencedor, M. Carneiro, NRMS 97

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:           Celestino Ferreira Correia

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:              Duarte Nuno Rocha

 


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