aCONTECIMENTOS eclesiais

DO PAÍS

 

 

LISBOA

 

COMENTÁRIOS DOS BISPOS AO

DISCURSO DE BENTO XVI

 

Os Bispos portugueses não deixaram de se pronunciar perante os comentários sensacionalistas dos meios de comunicação social, em relação ao discurso que o Papa Bento XVI dirigira em 10 de Novembro passado aos membros da Conferência Episcopal Portuguesa na sua recente visita «ad Limina».

 

Na homilia da Missa do I Domingo do Advento, durante a ordenação de diáconos na Igreja dos Jerónimos, no dia 2 de Dezembro passado, o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, disse:

«Nas últimas semanas, a sociedade, através dos diversos órgãos de comunicação social, a propósito do discurso do Santo Padre aos Bispos portugueses em visita «ad Limina», interpelou a Igreja. O próprio facto de a sociedade nos interpelar é, para nós, significativo, embora não possamos aceitar todas as análises feitas e todas as propostas concretas dos caminhos de renovação das Igrejas de Portugal. A Igreja não pode ter como objectivo, na sua fidelidade a Cristo, prosseguir aquilo que o mundo gostaria que ela fosse, mas o que Jesus Cristo deseja e espera dela e que há-de descobrir na escuta da sua Palavra, na beleza da comunhão entre todos os fiéis, iguais em dignidade e chamados à santidade e à missão, no fundo, na identificação cada vez mais profunda com Jesus Cristo. Mas mesmo quando não nos podemos guiar pelo que o mundo nos diz, escutamos a sua interpelação e recebemo-la como a manifestação do desejo de que sejamos, cada vez mais, a Igreja que Jesus Cristo quer e ama.

«Um aspecto positivo dessa avalanche de tomadas de posição foi o reconhecimento, pelo menos implícito, do papel do Papa, Sucessor de Pedro, na verdade das Igrejas, aquele que, por missão própria, tem o direito de as interpelar e conduzir. A nossa união ao Santo Padre é a primeira e fundamental expressão da comunhão eclesial, vivência da caridade fraterna, aliás, ambiente em que decorreu o nosso encontro com Bento XVI e que enquadra as palavras que nos dirigiu. Elas pretenderam confirmar análises e desejos expressos nos diversos relatórios que cada Diocese lhe apresentou. A palavra do Papa estendeu a todos os fiéis os caminhos intuídos, em parte já percorridos, por cada Bispo em comunhão com o Sucessor de Pedro. O Papa não nos ralhou, pelo menos não demos por isso, antes nos incentivou a percorrer os caminhos de renovação e fidelidade que, em comunhão com ele, desejamos, contando com o empenho de todo o Povo de Deus».

 

Em entrevista à revista do jornal Público (9-XII-07), o Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, comentava assim:

«O que o Papa disse é que temos que pensar numa organização da Igreja de maneira a que ela possa atingir melhor as suas finalidades. Julgo que com isto ele quis dizer que as mediações da fé e da transmissão religiosa com que contávamos tradicionalmente enfraqueceram: as famílias estão dispersas, até em termos da sua constituição e manutenção enquanto instituições de transmissão de valores, e as paróquias também enfraqueceram, pela mobilidade geográfica das pessoas. Hoje temos muita gente em Portugal que não chega à fé católica propriamente por tradição familiar mas que chega já na juventude ou idade adulta através de uma associação, um contacto, uma rede informática. O Papa diz que é preciso deitar mão a essas realidades transversais e nós também. Agora delinear como se faz … É aquilo a que se chama a reconfiguração da comunidade cristã que é, na minha opinião, o grande problema pastoral que temos pela frente. As paróquias continuam a ser importantes, mas têm que se tornar mais acolhedoras e mais missionárias».

 

Em entrevista à Agência Ecclesia (31-XII-07), o Arcebispo de Braga e Presidente da Conferência Episcopal, D. Jorge Ortiga, esclareceu:

«Para quem esteve presente e quem conhece a visita «ad Limina», sabe que não foi nenhum puxão de orelhas…

«Foi pura e simplesmente a confirmação do que são as nossas aspirações, os nossos programas pastorais. Até porque o Papa teve oportunidade, directa ou indirectamente, de conhecer os nossos relatórios e sabia, por isso, quais são os nossos sonhos, os nossos projectos, o que nós reconhecemos que existe de caminho percorrido – em termos de concretização do Concílio Vaticano II – e também do que não conseguimos, por incapacidade da nossa parte ou por resistências que ultrapassam as nossas forças.

«Eu creio que o Papa veio ao encontro das nossas expectativas, dos nossos desejos, interpelando-nos a nós, como Bispos, a toda a Igreja, para que sejamos capazes de trabalhar por uma Igreja que deve ser comunhão e que deve percorrer caminhos de comunhão. Para chegar aqui, a organização terá que ser diferente: não piramidal, mas mais comunitária.

«Urge, para isso, mudar mentalidades, porque ainda há muito egoísmo, muito autoritarismo, por parte de sacerdotes e de alguns leigos. Creio que esta ideia da comunhão, que nós procuramos semear nas nossas dioceses, mereceu um apoio, uma ajuda, uma confirmação por parte do Papa».

«Muitas vezes, quando se fala de mudança, quem está dentro ou fora da Igreja, fixa-se numa interpelação da religião como moral e quer que a Igreja mude essa sua moral – e estou a referir-me a alguns casos concretos – e pensam que a mudança passa por aí. Mas a grande mudança passa pela conversão.

«Bento XVI começou o seu discurso aos Bispos por um apelo a uma vida de mais intimidade com Deus. Ele usou uma expressão de Santo Ambrósio: «entrar na casa de Deus, permanecer na casa de Deus». E diz que a missão da Igreja – e aqui é que está a grande mudança – deve ser transbordar Deus. Por isso disse também que quando uma Igreja fala de si não está no caminho justo, porque a Igreja deve falar essencialmente de Deus. E talvez ainda continuemos a falar muito de coisas, das nossas iniciativas, das actividades pastorais, e menos de Deus. Como dizia Pascal, falamos muito das coisas de Deus, mas seria urgente falar do Deus das coisas».

 

 

LISBOA

 

EXPOSIÇÃO DE PRESÉPIOS NA

PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

 

O Museu da Presidência da República inaugurou no passado dia 8 de Dezembro a exposição «Olhares sobre o Jesus Menino», no Palácio de Belém, numa organização conjunta com o Sector de Bens Culturais da Igreja.

 

A exposição, que reúne cerca de uma centena de peças que cobrem os séculos XVI a XX, pretende dar a conhecer um património desconhecido, centrado na representação do Menino Jesus. Terá lugar nas antigas jaulas do Pátio dos Bichos e enquadra-se no conjunto de actividades festivas promovidas pela Presidência da República para celebrar o Natal.

As peças, na sua maioria provenientes de igrejas e conventos do Patriarcado de Lisboa, nunca foram expostas. Pretendem propor um percurso dividido em três núcleos e centrar o visitante na figura de Jesus Menino.

Partindo da Anunciação do Arcanjo Gabriel à Virgem e da Natividade, obras que no primeiro núcleo abrem a exposição, passa-se ao elemento central de todo o conjunto. O segundo núcleo apresenta-se como um convite a um olhar directo sobre a imagem do Menino. Vestes, leitos e outros adereços, objectos devocionais relacionados com o culto à infância de Cristo, imagens do Menino sentado, deitado ou de pé, num estilo hierático, erudito ou popular, levam o visitante a compreender como a arte exprime sentimentos, religiosos e humanos, através da figura humana do Menino Deus.

Um terceiro e último núcleo centra-se nos olhares da Virgem, de José e nos nossos. As peças expostas neste núcleo reúnem um conjunto de obras de imaginária e pintura através das quais se pretende fazer convergir o olhar para a relação estabelecida entre as figuras que o integram. Este último núcleo termina com a figura da Virgem de mão dada com o Menino, como convite a não fazer desta exposição uma mera mostra de arte sacra mas algo de dinâmico e vivencial. Toda a exposição é conduzida por frases, excertos de textos de autores portugueses e não só, que reflectiram, na sua obra literária, o Mistério do Natal.

 

 

VISEU

 

DOCUMENTOS RAROS

SOBRE SÉ E CIDADE

 

Um lote de cartas de D. Miguel da Silva, Bispo de Viseu, e um dos grandes humanistas portugueses, é um exemplo dos raros documentos, no conteúdo nacional, que o Museu Grão Vasco tem em exposição até 17 de Fevereiro de 2008.

 

Esta colecção de cartas é pertença do Arquivo do Museu Grão Vasco e marca presença numa exposição de 90 documentos colocados em seis vitrinas de duas faces patente no Museu Grão Vasco.

«Monumentos de Escrita» tem como denominador comum a Sé e a cidade de Viseu, entre os séculos XIII e XVII, e é composta por dois programas narrativos: um dedicado à Memória da Escrita e o outro à Escrita da Memória.

O comissário científico da Exposição, Anísio Saraiva, frisou que «esta é a primeira vez que uma exposição deste género utiliza o multimédia, de forma a criar interactividade e tornando documentação antiga acessível ao público não especializado».

O documento mais antigo deste acervo «tem data de 1230 e é um pergaminho em latim, com escrita gótica cursiva inicial».

Anísio Saraiva referiu que se trata de um documento com mais de 800 anos, em que o Bispo D. Gil e o Cabido de Viseu fazem acordo com a Ordem do Templo sobre os direitos eclesiásticos da Igreja de Santiago de Trancoso.

Está ainda exposto o Códice, composto pelas leituras do Evangelho, «o único exemplar existente em Portugal que tem as suas capas ainda lavradas». «Trata-se de um objecto raríssimo, que pela primeira vez é disponibilizado na íntegra em exposição e em que podem folhear-se todas as suas iluminuras num painel digital», referiu o comissário desta mostra.

 

 

LISBOA

 

UMA IGREJA DIFERENTE

 

Está a nascer, na zona Norte do Parque das Nações, um arrojado projecto de arquitectura religiosa que desafia convenções estabelecidas ao mesmo tempo que retoma elementos dos espaços litúrgicos das primeiras comunidades cristãs.

 

O projecto da nova Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes e Complexo Paroquial do Parque das Nações, desenvolvido pelo arquitecto José Maria Dias Coelho, foi formalmente apresentado no dia 13 de Dezembro passado.

A igreja, que terá lugar para 650 pessoas sentadas, será construída num terreno com cerca de quatro mil metros quadrados, adquirido à Parque Expo pela paróquia, por 250 mil euros. A zona onde será construída a Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes, orçada em 4,5 milhões de euros terá uma área de 2200 metros quadrados. O início da obra está marcado para 2011 e prevê-se que seja inaugurada em 2013.

Para o pároco local, Pe. Paulo Franco, estamos na presença de um «novo conceito de espaço público» que desafia a própria Igreja. O objectivo foi conceber um espaço que fosse um «sinal», ao ser reconhecível como igreja, e que estivesse carregado de simbologia, dando corpo à imagem de Igreja como casa de comunhão.

 

Um projecto arrojado

 

De planta circular, a nova igreja gira em torno de dois conceitos espaciais: centralidade e axialidade. Elementos centrais do espaço litúrgicos são colocados na mesma linha: pórtico, baptistério, altar, ambão, presidência.

O espaço circular permite que os dois pólos centrais, o ambão (onde é proclamada a Palavra) e o altar, estejam próximos de todos os participantes.

A opção de colocar estes dois elementos no mesmo eixo, um atrás do outro, é pouco vulgar, mas faz-nos regressar aos primeiros séculos: à imagem das comunidades cristãs do Oriente, a Palavra é proclamada desde o «bema», uma tribuna situada no meio da Igreja, como sinal de Jerusalém, centro do mundo, onde Jesus ensinou.

O espaço interior será dominado pela luminosidade própria dos vitrais, inspirados nos mistérios luminosos do Rosário. A cena da Transfiguração estará colocada atrás do celebrante, enquanto que a instituição da Eucaristia se posiciona, simbolicamente, no local do sacrário.

A imponência dos arcos que sustentam o peso do edifício traduz a aspiração ao divino, consubstanciando a dimensão de verticalidade própria de uma igreja. Já a forma circular poderá alterar a dimensão de horizontalidade, a relação entre os fiéis da assembleia, congregados em volta da Palavra e da Eucaristia como comunidade orante e celebrante.

Exteriormente, alguns elementos identificativos da igreja (destaque para a torre sineira) não impedem que o edifício se procure integrar no contexto arquitectónico e urbanístico em que vai nascer, com particular destaque para a relação privilegiada que mantém com o Tejo.

A comunidade do local poderá, assim, usufruir de um projecto inovador dotado de infra-estruturas modernas de apoio às várias actividades paroquiais, contando com um auditório com capacidade para 300 pessoas.

 

 

BRAGA

 

NOVA JUNTA DO NÚCLEO DO CNE

APOSTA NA FORMAÇÃO DOS DIRIGENTES

 

O novo chefe do Núcleo de Braga do Corpo Nacional de Escutas (CNE) traçou como uma das metas a atingir neste seu mandato dotar os dirigentes com formação, para melhor desempenharem a sua missão junto dos jovens que lhes são confiados.

 

Este foi um dos objectivos enumerados por João Araújo na tomada de posse da sua equipa para o triénio 2008-2010, numa cerimónia que decorreu no passado dia 16 de Dezembro na igreja da Misericórdia de Braga, e que contou com as presenças do chefe regional, José Pedro Sousa, e do chefe nacional eleito do CNE, Carlos Alberto Pereira. Esta tomada de posse foi antecedida por uma Eucaristia presidida pelo assistente do Núcleo de Braga, o Cónego António Macedo.

No seu discurso, João Araújo disse serem também seus objectivos aproximar o núcleo dos agrupamentos através de visitas e participação nos seus momentos mais importantes, dotar as comunidades de meios e recursos para uma melhor aplicação do método escutista, e criar um espírito de unidade, fraternidade e vivência comuns na vida do núcleo.

João Araújo, deixando uma palavra de agradecimento à equipa cessante liderada pelo chefe Matos, considerou que começa agora uma nova página na história do Núcleo de Braga. Por outro lado, salientou, «a CNE está a viver momentos de mudança que resultam do último acto eleitoral, com a eleição de um novo chefe nacional, chefe Carlos Alberto».

No seu discurso, o novo chefe do Núcleo de Braga manifestou a sua vontade em continuar a colaborar com a Junta Regional, «participando nos projectos de uma forma positiva, caminhando lado a lado, contribuindo para uma verdadeira unidade regional em colaboração com todos os outros núcleos que compõem a região». «Tudo isto só é possível realizar se o Núcleo de Braga se mobilizar. E este papel cabe aos chefes de agrupamento através da sua participação, empenho e compromisso para com o núcleo», acrescentou.

 

 

ÉVORA

 

PRESÉPIO DE CONCHAS E BÚZIOS

 

Presépio de conchas e búzios restaurado regressou ao Museu de Évora antes do Natal.

 

Um presépio do século XVIII, feito em conchas e búzios e com figuras em terracota, pertencente ao Museu de Évora e que estava em muito mau estado, foi alvo de conservação e restauro, trabalho agora concluído.

«É uma peça única nas nossas colecções e muito interessante. Estava frágil, as conchas desprendiam-se e caíam, e em muito mau estado. O restauro conseguiu estancar a instabilidade e devolver-lhe o brilho primitivo», disse o director do Museu de Évora, Joaquim Caetano.

O resultado da intervenção de conservação e restauro a que o presépio foi submetido, está visível na Igreja de Santa Clara, onde funciona o Núcleo Provisório de exposições do museu, cujo edifício principal se encontra em obras.

«O presépio é relativamente pequeno e, mesmo não sendo uma obra maior da história do presépio em Portugal, como por exemplo as famosas peças de Machado de Castro ou António Ferreira, é invulgar e mistura muitos elementos diferentes», salientou Joaquim Caetano.

 

 

LISBOA

 

NATAL COM OS SEM-ABRIGO

 

Seguindo uma tradição, a Comunidade de Santo Egídio ofereceu mais de 250 refeições aos sem-abrigo, no Mercado da Ribeira.

 

Estar junto como família, dando lugar a quem não tem. Neste espírito, não apenas de Natal, mas verdadeiramente solidário, a Comunidade de Santo Egídio em Portugal organizou o seu XVI almoço de Natal. Um ambiente familiar e de serenidade.

O almoço com os sem-abrigo da Comunidade de Santo Egídio é uma continuidade do relacionamento que esta Comunidade mantém com os mais necessitados. Duas vezes por semana os voluntários estão com os sem-abrigo, servindo cerca de 250 refeições semanais. «Porque não queremos que neste dia alguém esteja sozinho», esta é uma forma «de dar cor ao serviço que semanalmente fazemos com as pessoas», destaca Isabel Bento, representante da Comunidade de Santo Egídio em Portugal.

 O fosso entre ricos e pobres é uma evidência que a representante da Comunidade de Santo Egídio aponta como crescente em Portugal. Idosos sozinhos, que vêm para a rua para ter companhia, sem dinheiro para se alimentar, muita fome e necessidade de atenção. Tempo é uma preciosidade que a Comunidade também oferece: é preciso ouvi-los.

 

 

BEJA

 

MÚSICA SACRA

INUNDA BAIXO ALENTEJO

 

A quarta edição do «Festival Terras sem Sombra – Festival de Música Sacra do Baixo Alentejo», vai marcar o diálogo inter cultural, pois a música é um grande elemento de ligação entre as pessoas, as comunidades, entre as culturas.

 

Esta edição que deu os primeiros acordes no dia 15 de Dezembro e se vai estender até ao dia 29 de Março de 2008, ganha uma importante componente que é a «tolerância», explica José António Falcão, Director do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja.

A escolha do repertório, que assenta na qualidade musical e ligação à tradição peninsular e portuguesa, quer dar a conhecer outras culturas, outras religiões, civilizações, e outras gentes, no seu conjunto.

Os objectivos de levar mais vida às igrejas e criar novos públicos, está assegurado. Os palcos escolhidos são igrejas históricas que têm uma forte carga patrimonial e que foram alvo, precisam ou estão a ser requalificadas.

Os concertos são sempre precedidos de uma palestra que explica o sentido do Festival Terras sem Sombra, refere a história desse palco particular e, por vezes, da localidade onde a igreja se insere, fazendo a ligação com a música, pois o repertório escolhido para cada igreja «reflecte sempre de forma directa a realidade patrimonial desse local», acrescenta José António Falcão.

Sendo um Festival que quer valorizar a música sacra, «não há melhor sítio para a executar do que nas igrejas, no seu espaço de celebração».

A quarta edição do Festival vai apresentar uma abordagem às três religiões do Livro – Cristianismo, Judaísmo e Islão –, numa perspectiva ecuménica de valorização das tradições.

Dentro do património religioso cristão, apresentam-se novas formas de o aprender, não se limitando à música da Igreja católica, mas viajando pela música ortodoxa ou protestante.

 

 

LISBOA

 

PROBLEMAS COM A

CONCORDATA

 

Em entrevista à Agência Ecclesia, o Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga, falou das actuais relações entre a Igreja e o Estado, a propósito da Concordata de 2004.

 

AE A regulamentação da Concordata percorreu todo o ano. Há algum mal-estar ainda por resolver nas relações entre a Igreja Católica em Portugal e o Governo?

– O mal-estar existe porque a regulamentação ainda não aconteceu. A Concordata foi aprovada em finais de 2004, passaram três anos e era de esperar que esta regulamentação estivesse efectuada.

AE E porque é que não está, na sua opinião?

– «Talvez outras preocupações… Não esqueçamos que a Concordata é um acordo entre o Governo Português e a Santa Sé. O Governo Português, com as preocupações da Presidência da União Europeia e com as várias alterações de governo, talvez se tenha limitado à lei da liberdade religiosa e tenha esquecido, esta é a minha impressão, as implicações práticas e concretas da Concordata.

Estou convencido que, a partir de agora, vai haver mais empenho no regulamentar, para que sejamos capazes de por a Concordata em prática, de ambos os lados, sem privilégios, mas ao mesmo tempo com a atenção ao característico, ao particular e até diferente, que é a Igreja Católica. Pois não se pode tratar por igual, o que por si é diferente. É importante que isto aconteça.

AE Há aspectos em que a Lei de Liberdade Religiosa deixa a Igreja Católica com um tratamento insuficiente?

– Não. Da leitura que faço, a Concordata é quase uma repetição da Lei da liberdade religiosa. A Lei da Liberdade Religiosa diz que é para ser aplicada a todas as confissões e expressões religiosas existentes no país, mas diz também que, ao colocar de lado a Igreja Católica, diz que as religiões podem fazer acordos particulares naquilo que é próprio e específico dessas religiões. A Lei da Liberdade Religiosa fala da não confessionalidade do Estado, do princípio da separação, mas fala também do princípio da colaboração e, neste princípio da colaboração, fala também do princípio da proporcionalidade. É a própria Lei que reconhece isso! E são princípios que importa ter presente e considerar sempre.

(…) E espero que, agora que terminou a presidência da EU, que possamos, em termos da Concordata, fazer aquilo que já deveríamos ter feito, para podermos caminhar num entendimento mútuo e recíproco. Sem estar com desconfiança, sem estar a permitir que alguns funcionários de Ministérios nos criem dificuldades, porque isso tem acontecido.

Acho que será um momento oportuno para rever atitudes de um lado e de outro.

 


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