S. José, Esp. da Virgem Santa Maria

19 de Março de 2004


Solenidade


RITOS INICIAIS


Cântico de entrada: Eis o servo fiel e diligente, F da Silva, NRMS 89

Lc 12, 42

Antífona de entrada: Este é o servo fiel e prudente, que o Senhor pôs à frente da sua família.


Diz-se o Glória.


Introdução ao espírito da Celebração


Em pleno tempo da Quaresma, poucos dias antes de celebrar o Mistério da Incarnação, no qual o santo Patriarca desempenhou um lugar de tanto relevo, a Igreja convida-nos a celebrar a solenidade de S. José, Esposo virginal de Maria.

Procurar imitá-l'O na sua fidelidade ao Senhor é a melhor oferta que podemos fazer ao Altíssimo, nesta preparação da Páscoa que vai caminhando para o fim.

Peçamos ao Senhor nos aproxime do Seu Coração divino, por um arrependimento profundo dos nossos muitos pecados.


Oração colecta: Deus todo-poderoso, que na aurora dos novos tempos confiastes a São José a guarda dos mistérios da salvação dos homens, concedei à vossa Igreja, por sua intercessão, a graça de os conservar fielmente e de os realizar até à sua plenitude. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.



Liturgia da Palavra


Primeira Leitura


David quer levantar um templo, uma casa em honra do Senhor. Portador dos planos de Deus, o profeta Natã vem dizer ao rei que não será ele, mas o seu filho Salomão a construí-lo.

E anuncia-lhe uma profecia messiânica: Deus vai construir uma casa, uma estirpe, uma linhagem, uma família para David, que reinará eternamente sobre o Povo de Deus.

De facto, legalmente, é por José que o Messias é descendente de David, embora o seja, na realidade, por Maria.


2 Samuel 7, 4-5a.12-14a.16

4Naqueles dias, o Senhor falou a Natã, dizendo: 5a»Vai dizer ao meu servo David: Assim fala o Senhor: 12Quando chegares ao termo dos teus dias e fores repousar com os teus pais, estabelecerei em teu lugar um descendente que nascerá de ti e consolidarei a tua realeza. 13Ele construirá um palácio ao meu nome e Eu consolidarei para sempre o seu trono real. 14aSerei para ele um pai e Ele será para Mim um filho. 16A tua casa e o teu reino permanecerão diante de Mim eternamente e o teu trono será firme para sempre».


Este texto, respigado da célebre profecia dinástica do profeta Natã, em que se garante a estabilidade da descendência de David à frente do povo de Israel – «o teu trono será firme para sempre» (v. 16) –, irá alimentar a esperança de restauração messiânica, após o desterro de Babilónia e justifica o título de «Filho de David» dado a Jesus ao longo do Novo Testamento (cf. Mt 1, 1; 9, 27; 12, 23; 15, 22; 20, 30-31; 21, 9; 22, 42; Act 2, 30; 13, 22-23; Rom 1, 3; 2 Tim 2, 8; Apoc 5, 5; 22, 16). O texto é escolhido para a solenidade de S. José, por ser ele quem garante a Jesus a sua descendência de David (Mt 1, 1; Lc 1, 31-33: «reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reino não terá fim»); com efeito, segundo a lei, José era pai de Jesus, um dado suficiente para Ele ser considerado descendente de David, embora também Maria devesse ser descendente de David, dado o costume de os casamentos se fazerem dentro da parentela.

4 Naqueles dias, isto é, na mesma noite em que o profeta Natã tinha apoiado a resolução do rei David de vir a construir uma casa digna para a arca da aliança que substituísse o modesto tabernáculo feito de cortinados. A mensagem divina para David é que não vai ser ele a conseguir uma casa (templo) para Deus, mas vai ser o próprio Deus a erguer-lhe uma casa (descendência) que permanecerá eternamente. O profeta joga com o duplo sentido da palavra hebraica «báyit», casa e dinastia (v. 11-12).


Salmo Responsorial Sl 88 (89), 2-3.4-5.27 e 29 (R. 37)


Com o nascimento de Jesus, a bondade será estabelecida para sempre.

Cantemos, agradecidos, pela promessa que o Senhor nos envia pelo profeta Natã: Cristo será descendente de David.


Refrão: A sua descendência permanecerá eternamente.


Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor

e para sempre proclamarei a sua fidelidade.

Vós dissestes: «A bondade está estabelecida para sempre»,

no céu permanece firme a vossa fidelidade.


Concluí uma aliança com o meu eleito,

fiz um juramento a David meu servo:

Conservarei a tua descendência para sempre,

estabelecerei o teu trono por todas as gerações.


Ele Me invocará: «Vós sois meu Pai,

meu Deus, meu Salvador».

Assegurar-lhe-ei para sempre o meu favor,

a minha aliança com ele será irrevogável.


Segunda Leitura


À semelhança de Abraão, grande na sua fé, José, esposo da Virgem santa Maria, é estabelecido como pai de muitos povos, Pai da santa Igreja.


Romanos 4, 13.16-18.22

Irmãos: 13Não foi por meio da Lei, mas pela justiça da fé, que se fez a Abraão ou à sua descendência a promessa de que receberia o mundo como herança. 16Portanto a herança vem pela fé, para que seja dom gratuito de Deus e a promessa seja válida para toda a descendência, não só para a descendência segundo a Lei, mas também para a descendência segundo a fé de Abraão. 17Ele é o pai de todos nós, como está escrito: «Fiz de ti o pai de muitos povos». Ele é o nosso pai diante d’Aquele em quem acreditou, o Deus que dá vida aos mortos e chama à existência o que não existe. 18Esperando contra toda a esperança, Abraão acreditou, tornando-se pai de muitos povos, como lhe tinha sido dito: 22«Assim será a tua descendência». Por este motivo é que isto «lhe foi atribuído como justiça».


Se na 1.ª leitura se falava de David, ascendente de S. José, nesta fala-se de outro ascendente mais longínquo, Abraão, o primeiro Patriarca do antigo povo de Deus. S. José é o Santo Patriarca do novo Povo de Deus, pois tem sobre Jesus os direitos legais de pai.

22 Assim como Abraão foi pai de muitas nações (v. 17) também o Patriarca S. José é Pai e Patrono da Igreja de Cristo.


Aclamação ao Evangelho Sl 83 (84), 5


José vive feliz, embora com muitos trabalhos e canseiras, porque habita na casa do Senhor.

Também nós queremos viver na intimidade com Deus para sempre, habitando na Sua Casa para sempre.


Aleluia


Felizes os que habitam na vossa casa, Senhor:

eles Vos louvarão pelos tempos sem fim.


Cântico: F. da Silva, NRMS 1 (I)



Evangelho


São Mateus 1, 16.18-21.24a

16Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo. 18O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. 19Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. 20Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». 24aQuando despertou do sono, José fez como lhe ordenara o Anjo do Senhor.


Ver notas de CL, n.º 1 deste ano C, pp. 72-75.


Em vez do Evangelho precedente, pode ler-se o seguinte:


São Lucas 2, 41-51a

41Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. 42Quando Ele fez doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa. 43Quando eles regressavam, passados os dias festivos, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. 44Julgando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-l’O entre os parentes e conhecidos. 45Não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à sua procura. 46Passados três dias, encontraram-n’O no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. 47Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas. 48Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados e sua Mãe disse-Lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». 49Jesus respondeu-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». 50Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse. Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso.


Quando faziam 12 anos, os rapazes israelitas começavam a ter os deveres e direitos da Lei mosaica, incluindo o dever de peregrinar a Jerusalém. Os judeus costumavam deslocar-se em caravanas e em grupos separados de homens e de mulheres, as crianças podiam fazer viagem em qualquer dos grupos; nas paragens do caminho, as famílias reuniam-se. É neste contexto que se desenrola o relato. A atitude de Jesus de ficar em Jerusalém é deveras surpreendente. Não deveria ter avisado os pais ou outros familiares? O que não faz sentido é buscar a explicação do sucedido numa rebeldia ou na irresponsabilidade dum adolescente – este rapaz é o Filho de Deus –, embora o relato evangélico possa fornecer luzes aos pais que se deparam com situações similares de filhos perdidos.

A teologia de Lucas talvez nos possa dar alguma pista para a compreensão do episódio narrado. «Jerusalém» não é simplesmente o centro da vida religiosa de Israel. Para os evangelistas, e de modo singular para Lucas, Jerusalém representa o culminar de toda a obra salvadora de Jesus, por ocasião da Páscoa da Paixão, Morte e Ressurreição; é por isso que Lucas, ao pôr em evidência a tensão de Jesus para a sua Paixão, apresenta grande parte do seu ensino «a caminho de Jerusalém», onde Jesus tem de padecer para ir para o Pai e entrar na sua glória (cf. Lc 24, 26). A teologia de Lucas não é abstracta e desligada da realidade. Ora a realidade é que Jesus não é apenas «o Mestre», Ele é «o Profeta», e, por isso mesmo, não ensina apenas quando exerce a função de rabi, mas em todos os passos da sua vida actua como Profeta, ensinando através dos seu agir, mormente através de acções simbólicas de profundo alcance, por vezes bem chocantes. O «Menino perdido» – já não é tão menino, pois é um jovem no pleno uso dos seus direitos como judeu – é um Profeta que realiza uma acção simbólica para proclamar quem é e qual é a sua missão: «Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?» Ele é o Filho de Deus, e tem de cumprir a missão que o Pai lhe confiou, «em Jerusalém», ainda que isto lhe custe bem e tenha de fazer sofrer aqueles que mais ama – «aflitos à tua procura» (v. 48). O episódio passa-se em Jerusalém, como prenúncio e paralelo de um sofrimento bem maior, também em Jerusalém. A lição é clara: não se pode realizar plenamente a vontade do Pai do Céu e, ao mesmo tempo, evitar todo o sofrimento próprio e dos seres mais queridos; subir a Jerusalém é subir à Cruz, e subir à Cruz é «elevar-se» ao Céu, também em Jerusalém (cf. Lc 24, 50-51).

41 «Os pais de Jesus». «Teu pai» (v. 48). Uma vez que Lucas tinha acabado de falar tão explicitamente da concepção virginal de Jesus, não tem agora qualquer receio de nomear S. José como pai (virginal) do Senhor.

49 «Eu devia estar na Casa de Meu Pai». A tradução de «tá toû Patrós mou» pode significar tanto «a casa de meu Pai», como «as coisas (assuntos, vontade) de meu Pai». A verdade é que o redactor pode ter querido dar à resposta de Jesus uma certa ambiguidade: «Não sabíeis que Eu tenho de estar nas coisas de meu Pai» (e que, por isso, me deveria encontrar aqui no Templo)?

50 «Eles não entenderam». A resposta do Menino envolvia um sentido muito profundo que ultrapassava uma simples justificação da sua «independência». Não alcançam ver até onde iria este «estar nas coisas do Pai», mas também não se atrevem a fazer mais perguntas. Estamos postos perante o mistério do ser e da missão de Jesus; é mais um «sinal» e mais uma «espada» (cf. Lc 2, 34-35).


Sugestões para a homilia


José, o mais santo dos homens

A Cruz na vida de José


José, o mais santo dos homens

S. José passou com tanta naturalidade pela vida, que pouco sabemos a seu respeito. A única fonte de informação a seu respeito é o Evangelho que lhe faz breves alusões.

Não podemos esquecer, contudo, que o Autor da Sagrada Escritura é o Espírito Santo, e que para Deus não há esquecimentos nem omissões. Deus revelou-nos tudo e só o que nos fazia falta para a salvação.

Se Deus pouco nos diz a respeito de José, podemos tirar duas conclusões: sabemos tudo o que tínhamos necessidade de saber, porque a sua vida, externamente, foi igual à de tantas pessoas que procuraram a santidade heróica na vida ordinária.

No entanto, essas poucas frases deixam-nos adivinhar a riqueza da sua vida interior.


Era descendente de David. Tinha de o ser necessariamente, porque era através da linhagem masculina que se estabeleciam a genealogia em Israel. Nas poucas vezes que a mulher é mencionada, trata-se de um caso em que o homem teve mais do que uma mulher, como foi o caso de David. Legalmente, Jesus era descendente de David pela genealogia de José.

Mas, por exigência da verdade da profecia, Nossa Senhor tinha de o ser também, porque foi Ela quem deu a Jesus tudo o que humano Ele possuía.


José viveu a pobreza evangélica. O ser descendente de David era, nessa época do domínio romano uma pia lembrança. Toda a família tinha caído na pobreza, e José não fazia excepção.

Teve ganhar o pão de cada dia, sem viver dos rendimentos, com o estritamente indispensável, pois as contínuas mudanças de terra obrigaram-no a recomeçar muitas vezes.


Era um jovem apaixonado. Deus chamou-o á vocação do matrimónio virginal com a melhor das esposas de todos os tempos.

Junto desta Jovem um pouco mais nova do que ele, iniciou a caminhada matrimonial. Deus não podia submeter a Sua Mãe ao ridículo de casar com uma pessoa alquebrada pelo peso dos anos. De resto, como poderia o santo varão ter forças para a pesada vida de trabalho que teve de levar e para as longas caminhadas que a vida lhe exigiu, se fosse o velhinho das longas barbas brancas que algumas imagens nos apresentam?


A Cruz na vida de José

José viveu abraçado á cruz. É frequente naqueles que Deus mais ama o peso da cruz ser maior. Ela é o sinal do carinho de Deus.

Santa Teresa de Jesus encontrava-se a braços com duras dificuldades, e ouviu a voz do Senhor que lhe dizia:

«Teresa, é assim que Eu trato os meus amigos».

E logo a santa de Ávila, com a espontaneidade que lhe era natural: «Por isso Vós tendes tão poucos!».


A Cruz da maternidade de Maria. José terá ouvido em casa de Isabel esta aclamar Maria como «a Mãe do meu Senhor».

Maria não desmente esta afirmação, antes entoa um hino de acção de graças ao Altíssimo, movendo-se entre a sua pequenez de criatura e a misericórdia de Deus.

A partir deste momento, José terá começado a pensar que está for a do seu lugar, assumindo uma missão de que é indigno. Além disso, a Lei de Moisés exige ao esposo o abandono da esposa que engravide sem ser do marido.

Nem sombras de dúvidas passam pela cabeça do santo Patriarca sobre a inocência e fidelidade de Maria, mas tem que obedecer à Lei. É mais uma indicação que Deus lhe oferece da sua indignidade.

Terá de fugir de noite, em bicos de pés, para evitar perguntas indiscretas sobre a causa do abandono de casa, ilibando assim Nossa Senhora de qualquer suspeita, e isto supõe um sofrimento atroz.

Além disso, a gravidez não pára, e exige uma solução rápida, antes que seja tarde.

É neste momento de angústia, quando chegou já ao extremo do abismo, quando está preparado para fugir nessa noite, que um anjo vem, em sonhos, restituir-lhe a paz e a alegria.


A cruz do dia a dia. Mas a cruz vai continuar. Vai para Belém, e não encontra casa onde Jesus possa nascer com o mínimo de conforto para Maria.

Pouco depois, tem de fugir para o Egipto; regressa a Nazaré, passado algum tempo, para que o Menino possa crescer em idade, em sabedoria e em graça, mas com naturalidade, como qualquer menino da sua terra.

Entrega-se ao trabalho perfeito, ordenado, constante, responsável e cansativo, sem poder evitar que as pessoas abusem da sua bondade, deixando em aberto as contas dos trabalhos que fazia. Não espera que Deus faça milagres para resolver os problemas que ele pode solucionar.

Ao terminar a sua missão, desaparece também em silêncio, como viveu sempre. Aos cinquenta e poucos anos estará do outro lado da vida, pois, quando Jesus morreu, se José ainda fosse vivo, não faria sentido que entregasse Maria aos cuidados de um amigo.


A cruz do anonimato. Aceita o anonimato, o esquecimento até, depois da sua vida, para que a fé na virgindade perpétua de Maria se consolide cada vez. Esta dificuldade desapareceu. Os nossos dias são, pois, o tempo de José.

Que privilégios lhe terá concedido O Senhor, em atenção a ter sido escolhido para Pai virginal do Redentor?

S. José leva-nos pela mão a percorrer o caminho da santidade, apaixonados, como ele, por dois amores: Jesus e Maria; e realizando as tarefas e deveres de qualquer chefe de família.


É nosso Pai e Senhor. Em virtude da sua missão terrena de Pai virginal de Jesus, é-o também da santa Igreja e de cada um de nós.

Alimentou Jesus que nos é dado na Santíssima Eucaristia. Por isso é a figura de outro José – o do Egipto – ao encontro de quem o faraó mandava os que tinham precisão de trigo. Se guardou e alimentou o filho de Deus com tanto zelo, o que não fará hoje pelo seu Corpo Místico?

Confiemos em José e demos-lhe, na nossa vida de piedade, o lugar a que ele tem pleno direito.


Fala o Santo Padre


S. José, modelo singular de serviço a Cristo e especial protector da família.


1. «Eis o administrador fiel e prudente, que o Senhor pôs à frente da sua família» (cf. Lc 12, 42).

A liturgia de hoje apresenta-nos assim São José, Esposo da Bem-aventurada Virgem Maria e Guardião do Redentor. Ele, servo fiel e prudente, aceitou com obediente docilidade a vontade do Senhor, que lhe confiou a «sua» família na terra, para que se ocupasse dela com dedicação quotidiana.

São José perseverou nesta missão com fidelidade e amor. Por isso, a Igreja no-lo indica como singular modelo de serviço a Cristo e ao seu misterioso desígnio de salvação. E invoca-o como especial padroeiro e protector de toda a família dos crentes. De modo especial, São José é-nos indicado hoje, no dia da sua festa, como o Santo sob cujo patrocínio eficaz a Providência divina quis pôr as pessoas e o ministério de todos os que estão chamados a ser, no âmbito do povo cristão, «pais» e «guardiães».


2. «Olha que Teu pai e eu andávamos aflitos à Tua procura»... «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que devia estar em casa de Meu Pai?» (Lc 2, 48-49).

Neste diálogo simples e familiar entre a Mãe e o Filho, que o Evangelho há pouco nos propôs, encontram-se as coordenadas da santidade de José. Elas correspondem ao desígnio divino sobre ele, que, homem justo que era, soube realizar com admirável fidelidade.

»Olha que Teu pai e eu andávamos aflitos à Tua procura», diz Maria. Eu «devia estar em casa de Meu Pai», responde Jesus. São precisamente estas palavras do Filho que nos ajudam a compreender o mistério da «paternidade» de José. Ao recordar aos pais a primazia d'Aquele que chama «Meu Pai», Jesus revela a verdade do papel quer de Maria quer de José. Ele é verdadeiramente «esposo» de Maria e «pai» de Jesus, como ela afirma quando diz: «Teu pai e eu andávamos aflitos à Tua procura». Mas o seu carácter esponsal e a sua paternidade são totalmente relativas às de Deus. Eis o modo como José de Nazaré é chamado a tornar-se por sua vez discípulo de Jesus: dedicando a existência ao serviço do Filho unigénito do Pai e da Virgem Mãe, Maria.

Trata-se de uma missão que ele prolonga em relação à Igreja, Corpo místico de Cristo, à qual não deixa faltar a sua cuidadosa assistência, como fez para a humilde Família de Nazaré. […]


João Paulo II, Roma, 19 de Março de 2001


Oração Universal


Deus nada nos recusará em nossa oração,

Se Lhe pedirmos por intercessão de S. José,

Que nada recusou a Jesus Menino nesta vida.

Oremos, pois, com toda a confiança filial:

Por intercessão de S. José,

Ouvi-nos, Senhor.


1. Para que todos os pais e mães de família

encarem com alegria a vocação paternal

e se desempenhem dela com generosidade,

oremos, irmãos.

Por intercessão de S. José,

Ouvi-nos, Senhor.


2. Para que, por intercessão de S. José,

guarda e defensor do Sumo Sacerdote,

nos alcance generosas vocações sacerdotais,

oremos, irmãos.

Por intercessão de S. José,

Ouvi-nos, Senhor.


3. Para que todos os cristãos compreendam

como é importante a devoção a S. José,

e procurem imitá-lo na sua vida diária,

oremos, irmãos.

Por intercessão de S. José,

Ouvi-nos, Senhor.


4. Para que compreendamos que Deus chama

cada um de nós a santificar-se numa vida comum

como José e Maria no Lar de Nazaré,

oremos, irmãos.

Por intercessão de S. José,

Ouvi-nos, Senhor.


5. Para que as famílias do mundo inteiro

cresçam no amor e responsabilidade,

sob as bênçãos de Jesus, Maria e José,

oremos, irmãos.

Por intercessão de S. José,

Ouvi-nos, Senhor.


6. Para que todos os moribundos deste dia

tenham a felicidade de adormecer, como José,

nos braços de Jesus e de Maria,

oremos, irmãos.

Por intercessão de S. José,

Ouvi-nos, Senhor.


Deus eterno e omnipotente, Senhor vida,

Que em Jesus nos concedeis todos os bens:

Alcançai-nos tudo o que hoje Vos pedimos,

por intercessão do Patriarca S. José.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.



Liturgia Eucarística


Cântico do ofertório: Nós vos louvamos José, M. Carneiro, NRMS 89


Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor, a graça de servir ao vosso altar de coração puro, imitando a dedicação e fidelidade com que São José serviu o vosso Filho Unigénito, nascido da Virgem Maria. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


Prefácio de São José [na solenidade]: p. 492


Santo: F. dos Santos, NCT 84


Saudação da paz


Confortados pela Palavra de Deus, preparemos agora para receber o Corpo e Sangue do Senhor, com um gesto de paz e reconciliação.

Saudai-vos na paz de Cristo


Monição da Comunhão


Aos egípcios famintos, dizia o faraó: «Ide a José!».

Hoje, o Senhor recomenda-nos a ajuda de S. José, Para que nos prepare contiguamente para esta comunhão.


Cântico da Comunhão: Ó famintos de Pão divino, J. Santos, NRMS 89

Mt 25, 21

Antífona da comunhão: Servo bom e fiel, entra na alegria do teu Senhor.


ou

Mt 1, 20-21

Não temas, José: Maria dará à luz um Filho e tu lhe darás o nome de Jesus.


Oração depois da comunhão: Senhor, que na solenidade de São José alimentastes a vossa família à mesa deste altar, defendei-a sempre com a vossa protecção e velai pelos dons que lhe concedestes. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.



Ritos Finais


Monição final


A nossa devoção a S. José não pode ficar apenas nesta manifestação de alegria. Tem de se converter numa imitação da sua vida, nestes dois Amores que ele serviu: Jesus e Maria.


Cântico final: Tu a quem o Senhor quis confiar, A. Cartageno, NRMS 89



Homilias Feriais


Sábado, 20-III: Os sacrifícios agradáveis a Deus.

Os 6, 1-6 / Lc 18, 9-14

Pois eu quero o amor, e não os sacrifícios, conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos.

Estas palavras do profeta Oseias estão em perfeita sintonia com a parábola do fariseu e do publicano. O fariseu orgulhava-se de oferecer vários sacrifícios e o publicano manifestava humildemente o seu amor, através da contrição (cf. Ev.).

Como é que conseguiremos que todas as nossas actividades constituam um sacrifício agradável a Deus? «Todas as actividades (dos leigos), orações, iniciativas apostólicas, a sua vida conjugal e familiar, o seu trabalho de cada dia, os seus lazeres do espírito e do corpo, se forem vividos no Espírito de Deus, e até as provações da vida, se pacientemente suportadas, tudo se transforma em sacrifício espiritual, agradável a Deus, por Jesus Cristo» (CIC, 901).







Celebração e Homilia: Fernando Silva

Comentários Bíblicos: Geraldo Morujão

Homilia Ferial: Nuno Romão

Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha


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