2º Domingo da Quaresma

17 de Fevereiro de 2008

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vem Salvador do mundo, F. dos Santos, NCT 94

Salmo 26, 8-9

Antífona de entrada: Diz-me o coração: «Procurai a face do Senhor». A vossa face, Senhor, eu procuro; não escondais de mim o vosso rosto.

 

Ou

cf. Salmo 24, 6.3.22

Lembrai-vos, Senhor, das vossas misericórdias e das vossas graças que são eternas. Não triunfe sobre nós o inimigo. Senhor, livrai-nos de todo o mal.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

É em função da Páscoa que devemos viver a Quaresma. Depois da luta sabe bem a vitória. Depois do jejum e da tentação virá a glória da ressurreição. No mundo desfigurado em que vivemos, com muitos sinais de morte, todos os anos a Liturgia deste 2º Domingo, nos lembra a luz e a esperança da glória. Depois da Cruz virá a Ressurreição.

 

Oração colecta: Deus de infinita bondade, que nos mandais ouvir o vosso amado Filho, fortalecei-nos com o alimento interior da vossa palavra, de modo que, purificado o nosso olhar espiritual, possamos alegrar-nos um dia na visão da vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Deus chama Abraão. Prontamente escuta e obedece. É maravilhosa a fé deste homem que deixa a sua terra e a sua família para seguir a voz de Deus que o chama e o envia para um destino desconhecido!

 

Génesis 12, 1-4ª

 

1Naqueles dias, o Senhor disse a Abraão: «Deixa a tua terra, a tua família e a casa de teu pai e vai para a terra que Eu te indicar. 2Farei de ti uma grande nação e te abençoarei; engrandecerei o teu nome e serás uma bênção. 3Abençoarei a quem te abençoar, amaldiçoarei a quem te amaldiçoar; por ti serão abençoadas todas as nações da terra». 4aAbraão partiu, como o Senhor lhe tinha ordenado.

 

1 «O Senhor disse a Abraão». Estamos nas origens do antigo povo de Deus, como preparação do caminho do Evangelho: «no devido tempo Deus chamou Abraão para fazer dele um grande povo» (Dei Verbum, 3). A aliança com Deus implica uma série de exigências: deixar terra, família, casa e lançar-se para o desconhecido, «a terra que Eu te indicar…», fiando-se apenas na palavra de Deus. É assim que S. Paulo há-de insistir no exemplo de fé e de obediência ao Deus de Abraão: Rom 4; cf. Hebr 11, 8-19.

 

Salmo Responsorial    Sl 32 (33), 4-5.18-19.20.22 (R. 22)

 

Monição: Sabemos que o Senhor não abandona os que n’Ele confiam. Ele ama a justiça e a rectidão. O seu amor enche toda a terra. Cantamos com alegria: Esperamos, Senhor na vossa misericórdia! Que ela venha sobre nós!

 

Refrão:         Esperamos, Senhor, na vossa misericórdia.

 

Ou:                Desça sobre nós a vossa misericórdia,

                porque em Vós esperamos, Senhor.

 

A palavra do Senhor é recta,

da fidelidade nascem as suas obras.

Ele ama a justiça e a rectidão:

a terra está cheia da bondade do Senhor.

 

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,

para os que esperam na sua bondade,

para libertar da morte as suas almas

e os alimentar no tempo da fome.

 

A nossa alma espera o Senhor:

Ele é o nosso amparo e protector.

Venha sobre nós a vossa bondade,

porque em Vós esperamos, Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Sermos santos é o projecto divino a nosso respeito. O caminho para chegarmos à santidade percorre-se, escutando e seguindo Jesus.

 

2 Timóteo 1, 8b-10

 

Caríssimo: 8bSofre comigo pelo Evangelho, apoiado na força de Deus. 9Ele salvou-nos e chamou-nos à santidade, não em virtude das nossas obras, mas do seu próprio desígnio e da sua graça. Esta graça, que nos foi dada em Cristo Jesus, desde toda a eternidade, 10manifestou-se agora pelo aparecimento de Cristo Jesus, nosso Salvador, que destruiu a morte e fez brilhar a vida e a imortalidade, por meio do Evangelho.

 

8 S. Paulo, nas vésperas da sua execução pelo ano 67, no seu segundo cativeiro romano, aparece a animar o seu discípulo a sofrer também pelo Evangelho. 

9-10 Estes versículos, num contexto exortatório, constituem mais uma das belas sínteses paulinas da salvação, em forma de hino, em prosa ritmada; esta «salvação» tem, como ponto de partida, um desígnio divino gratuito e (à letra) «chamou-nos com um chamamento santo», santo, não só por ser de Deus, mas por levar a Deus; daí a tradução litúrgica, menos formal: «chamou-nos à santidade».

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: Este é o meu Filho! Escutai-O. De pé, aclamemos Jesus Cristo, cantando: «Louvor a Vós Rei da eterna glória.»

 

Cântico: B. Salgado, NRMS 32

 

No meio da nuvem luminosa, ouviu-se a voz do Pai:

«Este é o meu Filho muito amado: escutai-O».

 

 

Evangelho

 

São Mateus 17, 1-9

 

1Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João seu irmão e levou-os, em particular, a um alto monte 2e transfigurou-Se diante deles: o seu rosto ficou resplandecente como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. 3E apareceram Moisés e Elias a falar com Ele. 4Pedro disse a Jesus: «Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». 5Ainda ele falava, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra e da nuvem uma voz dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O». 6Ao ouvirem estas palavras, os discípulos caíram de rosto por terra e assustaram-se muito. 7Então Jesus aproximou-se e, tocando-os, disse: «Levantai-vos e não temais». 8Erguendo os olhos, eles não viram mais ninguém, senão Jesus. 9Ao descerem do monte, Jesus deu-lhes esta ordem: «Não conteis a ninguém esta visão, até o Filho do homem ressuscitar dos mortos».

 

O facto de esta cena nos ser apresentado todos os anos no 2º Domingo da Quaresma tem um sentido para a nossa vida a ter em conta. Assim como para aqueles discípulos a Transfiguração de Jesus serviu de preparação para se confrontarem com a sua desfiguração na agonia do Getxemani, assim também nós temos de nos dispor com olhos de fé para a celebração do tríduo pascal.

1 «A um alto monte. Os Evangelhos não dizem o nome do monte que habitualmente se julga ser o Tabor, segundo uma tradição procedente do séc. IV, um monte situado a 10 km a Leste de Nazaré. Como este monte não é muito alto (apenas 560 m), há exegetas modernos que falam antes do Monte Hermon (2.759 m), junto a Cesareia de Filipe, região onde Jesus tinha estado, segundo os três sinópticos, uma semana antes.

Pedro, Tiago e João, são os três predilectos de Jesus, destinados a ser «colunas da Igreja» (Gál 2, 9) particularmente firmes, igualmente testemunhas da ressurreição da filha de Jairo (Mc 5, 37) e da agonia de Jesus no horto (Mt 26, 37), diríamos, uma espécie de núcleo duro. Jesus sabia que a sua Paixão e Morte lhes iria provocar um violentíssimo choque, por isso quer prepará-los para enfrentarem com fé e coragem tamanha provação. Pedro acabara de confessar Jesus como «o Messias, o Filho de Deus vivo» (Mt 16, 16); Jesus tinha-o declarado «bem-aventurado» por essa confissão de fé, que afinal era muito frágil, pois, logo a seguir, perante o primeiro anúncio da Paixão, Jesus havia de o repreender pela sua visão humana (cf. Mt 16, 23).

3 «Moisés e Elias». São os dois maiores expoentes de toda a revelação do Antigo Testamento: representam a Lei e os Profetas a convergirem em Cristo.

9 «Não conteis a ninguém». Esta ordem enquadra-se na chamada «disciplina do segredo messiânico», que tinha por fim evitar uma exagerada exaltação do espírito dos Apóstolos; assim Jesus obviava a possíveis agitações populares que só viriam prejudicar e perturbar a sua missão. Em Marcos esta imposição do silêncio adquire um significado teológico muito particular.

 

Sugestões para a homilia

A futura glória

No primeiro Domingo da Quaresma considerámos a luta de Jesus com o tentador, no deserto. Essa página bíblica recorda-nos que Cristo combateu, recusando aproveitar-se da sua condição divina. Jesus humilde, discreto, pobre, passando fome, tentado como um homem qualquer. Hoje contemplamos a sua divindade oculta pela sua humanidade. Nos Evangelhos este episódio aparece numa altura em que Jesus se aproxima do fim da sua missão. No princípio, grandes multidões O seguiam, mas agora Jesus começa a exigir uma verdadeira fé. Ele é o Messias. As obras que realiza revelam o seu poder divino, mas Ele não é o Libertador glorioso e triunfalista. Ele identifica-se com Servo sofredor de que fala Isaías. As autoridades judaicas recusam-no, armam-lhe ciladas e querem dar-lhe a morte. Jesus afasta-se da Judeia, dedica-se à formação dos Apóstolos. Depois da profissão de fé feita por Pedro, Jesus fala abertamente da sua morte em Jerusalém (Mat 16,21). Pedro rejeita este plano, mas Jesus está determinado e fala da Ressurreição e da glória, que virá após a morte de Cruz. «Vereis o Filho do Homem com os seus Anjos na Glória do Pai!» (Mat 16, 27-28). Seis dias depois dá-se este maravilhoso episódio da Transfiguração. A presença de Moisés e Elias, a nuvem luminosa, a voz do Pai, o rosto de Jesus transfigurado, todo este cenário de manifestação gloriosa ensinará os discípulos que é pelo trabalho que se chega ao descanso, pela luta que se chega à vitória, pela morte que se chega à ressurreição. É morrendo que se ressuscita para a vida eterna!

Jesus tomou consigo Pedro Tiago e João

Subamos com Jesus ao Monte Tabor. Subir implica esforço. O Tabor não é muito alto, apenas 588 metros, mas porque se eleva quase a pique, e não há outros montes ali à volta dá uma sensação de muito elevado, dominando toda a planície lá ao fundo. Um peregrino descreveu-o assim:

«O monte Tabor parece um grande altar elevado sobre a planície, colocado ali pelo próprio Deus, para sua glória! Devido à sua forma e situação particular parece dominar toda a grande planície a seus pés. Todos os que dele se aproximam e sobem às suas alturas sentem-se subitamente envolvidos por uma atmosfera da presença divina, que inspira um profundo hino de louvor! Apetece repetir com S. Pedro que bom, Senhor, estar aqui!»

O horizonte visual é cada vez mais amplo, o ar mais fresco, mais puro. Há um grande silêncio lá no cimo. Lembremos que a montanha simbolicamente remete para o sagrado. Permite o isolamento, favorece a contemplação. Deus deixa-se ver quando estamos sós, faz-nos ouvir a sua voz quando fazemos silêncio.

«Jesus transfigurou-se diante deles!» Pedro, Tiago e João, as futuras colunas da Igreja, viram o seu rosto luminoso, «brilhante como o sol». Viram Moisés e Elias, falando com Jesus. Ouviram a voz do Pai. Ficaram bem confirmados: «Este é o meu Filho! Escutai-O» Jesus antecipa-lhes a experiência da glória futura, deixando-lhes ver o fulgor do seu rosto ressuscitado. Quis fortalecer com a visão da glória aqueles que também viriam a ser testemunhas da sua humilhação na agonia do Getsamani. Para não sucumbirem com o peso do sofrimento provocado pela humilhação da sua santa humanidade na Agonia, no Jardim das Oliveiras; para não desfalecerem com a crueldade e violência da paixão que culminará na Crucificação, fortaleceu-os primeiro com a visão da sua divindade, no Monte Santo. Compreenderão, mais tarde, que «era necessário que o Messias sofresse a morte para entrar na glória da Ressurreição». Sobretudo, S. Pedro que também terá dias de luta, de sofrimento, durante a sua vida apostólica, recordará sempre o mistério da transfiguração do Senhor no cimo do monte santo (2P.1,18).

A Transfiguração aparece após o anúncio da Paixão. Todos os Domingos podemos subir a montanha para contemplar Jesus ressuscitado e escutar a sua Palavra, para descermos à vida quotidiana cheios de força divina para enfrentar os muitos problemas. Nesta Quaresma, para escutar melhor a voz de Deus que nos fala no silêncio do nosso recolhimento, teremos algum tempo de retiro?

 

 

Oração Universal

 

Irmãos, neste santo tempo da Quaresma

Cristo anuncia a vitória da vida sobre a morte.

Peçamos a Deus que nos faça escutar a sua voz, dizendo com fé:

Salvai, Senhor o vosso povo.

 

1.  Pelo Papa Bento XVI e os bispos a ele unidos,

recebam a graça de sofrer pelo Evangelho e ponham a confiança em Deus, como Abraão

oremos, irmãos.

 

2.  Pelos governantes das nações:

para que defendam os cidadãos e os seus direitos

e tudo façam pelos pobres e esquecidos oremos, irmãos.

 

3.  Pelos doentes e todos os que sofrem:

vivam unidos à cruz do nosso salvador

e um dia cheguem à contemplação da sua glória,

oremos, irmãos

 

4.  Para que os fiéis que se reúnem ao Domingo

dêem testemunho de Jesus Cristo, luz do mundo,

aos que lhes pedem a razão da sua esperança, oremos irmãos.

 

5.  Para que esta assembleia de cristãos à medida que comunga o Pão do Céu

se transfigure como Jesus no monte santo,

oremos, irmãos

 

 

Senhor, que no Monte da Transfiguração nos mandastes escutar o vosso Filho

Atendei a o oração que o seu Espírito fez nascer nesta santa assembleia: pela Igreja,

pelo mundo e por nós mesmos.

Por Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Espero em Deus, M. Carneiro, NRMS 105

 

Oração sobre as oblatas: Esta oblação, Senhor, lave os nossos pecados e santifique o corpo e o espírito dos vossos fiéis, para celebrarmos dignamente as festas pascais. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

A transfiguração do Senhor

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Depois de anunciar aos discípulos a sua morte, manifestou-lhes no monte santo o esplendor da sua glória, para mostrar, com o testemunho da Lei e dos Profetas, que pela sua paixão alcançaria a glória da ressurreição.

Por isso, com os Anjos e os Santos do Céu, proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: F. da Silva, NRMS 99-100

 

Monição da Comunhão

 

Jesus é o Filho muito amado do Pai. Vem até nós. Fala-nos como outrora aos Judeus: «Eu sou o pão vivo descido do Céu!» Escutemos a sua voz. Imitemos S. Pedro e façamos uma tenda dentro do nosso coração. Rezemos: Fica connosco, Senhor. Que bom estarmos aqui.

 

Cântico da Comunhão: Ouviu-se uma voz, A. Mendes, Cânticos de Entrada e Comunhão I, pág. 87

Mt 17, 5

Antífona da comunhão: Este é o meu Filho muito amado, no qual pus as minhas complacências. Escutai-O.

 

Cântico de acção de graças: Bendito sejas, sei que Tu pensas em mim, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Alimentados nestes gloriosos mistérios, nós Vos damos graças, Senhor, porque, vivendo ainda na terra, nos fazeis participantes dos bens do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Os três discípulos viram Jesus transfigurado, mas custou-lhes a aceitar que o triunfo tivesse de passar pela cruz. Nós revivemos a experiência dos Apóstolos. Deparamos com a cruz sob os mais diversos nomes e aspectos. Preferimos fugir dela. Gostamos do Tabor, mas não aceitamos o Calvário! O Tabor é uma experiência boa, mas breve. Santa Teresinha do Menino Jesus escreveu numa poesia:

Viver de Amor! Viver de amor,

não é cá nesta terra.

Fixar morada no cimo do Tabor

 é com Jesus subir ao Calvário

e amar a Cruz com todo ardor.

No Céu, então, viverei só de gozo

Já não terei angústias nem dor.

Agora quero num sofrer doloroso

Viver de Amor! Viver de amor.

 

Cântico final: Ficai connosco, Senhor, M. Borda, NRMS 43

 

 

Homilias Feriais

 

2ªSEMANA

 

feira, 18-II: Lições de misericórdia.

Dan 9, 4-10 / Lc 6, 36-38

 Sede misericordiosos como o vosso Pai celestial é misericordioso.

Jesus pede-nos que sejamos misericordiosos, inspirando-nos no exemplo do nosso Pai Deus (cf.Ev).

Precisamos, em primeiro lugar, reconhecer que somos pecadores: «Nós pecámos…deixámos os vossos mandamentos e as vossas leis» (Leit). Só assim seremos mais compreensivos (misericordiosos) com as faltas dos outros. Depois, recebendo com frequência o sacramento da misericórdia: «Recebendo com maior frequência, neste sacramento, o dom da misericórdia do Pai, somos levados a ser misericordiosos como Ele» (CIC, 1458).

 

feira, 19-II: A conversão interior e as boas obras.

Is 1, 10. 16-20 / Mt 23, 1-12

Fazei e observai tudo o que vos disserem (os escribas e fariseus), mas não procedais segundo as suas obras, pois eles dizem e não fazem.

Jesus, o Mestre divino, começou primeiro a fazer e depois a ensinar. Por isso, contrasta o seu modo de proceder com o dos escribas e fariseus (cf. Ev).

Para imitá-lo, precisamos aprender: «Deixai de praticar o mal. Aprendei a fazer o bem» (Leit). E depois, dar mais importância à conversão interior: «O apelo de Jesus à conversão e à penitência não visa primariamente as obras exteriores… mas a conversão do coração… Sem ela, as obras de penitência são estéreis e enganadoras; pelo contrário, a conversão interior impele à expressão dessa atitude em sinais visíveis, gestos e obras de penitência» (CIC, 1430).

 

feira, 20-II: Um bom serviço à sociedade.

Jer 18, 18-20 / Mt 20, 17-28

Prestai-me ouvidos, Senhor… Assim é que se paga o bem com o mal, pois abriram uma cova, para atentarem contra a minha vida.

Queixa-se Jeremias de o quererem maltratar, apesar do bem que tinha feito (cf. Leit). O mesmo aconteceu a Jesus pois, apesar de passar pela terra a fazer o bem, querem condená-lo à morte (cf. Ev).

Jesus é o verdadeiro modelo deste ensinamento, pois não veio para ser servido mas para servir (cf. Ev). Prestaremos um bom serviço à sociedade comprometendo-nos a edificar uma sociedade mais equitativa e fraterna: «Podemos!» (Ev), cumprindo bem os nossos deveres quotidianos, vivendo bem a caridade com o próximo…

 

feira, 21-II: Ordem social mais justa.

Jer 17, 5-10 /  Lc 16, 19-31

Então, ó Pai, rogo-te que mandes Lázaro à minha casa paterna, pois tenho cinco irmãos. Que ele os previna.

O homem rico da parábola, bem como os seus cinco irmãos (cf. Ev), nunca se lembraram de Deus nem dos pobres: «maldito aquele que põe no homem a sua confiança» (Leit). Lázaro representa a multidão dos seres humanos sem pão, sem tecto, sem residência (cf. CIC, 2463).

Precisamos assumir um maior sentido de responsabilidade no uso dos bens materiais: «A solidariedade manifesta-se, em primeiro lugar, na repartição dos bens, na remuneração do trabalho. Implica também o esforço por uma ordem social mais justa» (CIC, 1940).

 

feira, 22-II: Cadeira de S. Pedro: Fidelidade ao Papa.

1 Ped 5, 1-4 / Mt 16, 13-19

Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.

Com esta festa da Cadeira de S. Pedro comemoramos o dia da instituição do Pontificado de S. Pedro, que é uma manifestação clara da vontade de Cristo (cf. Ev). É uma boa ocasião para aceitarmos os ensinamentos do Papa, de os conhecermos bem e de os levarmos à prática.

S. Pedro reconhece-se como «testemunha dos sofrimentos de Cristo» (Leit). Neste tempo da Quaresma acompanhemos o Senhor muito de perto, a caminho da Cruz. Se alguma vez o negarmos, digamos-lhe como Pedro: «Senhor, tu sabes tudo, sabes que eu te amo».

 

Sábado, 23-II: A misericórdia de Deus e as nossas misérias.

Miq 7, 14-15. 18-20 / Lc 15, 1-3. 11-32

Tende ainda piedade de nós. Calcai aos pés as nossas faltas, lançai para o fundo do mar todos os nossos pecados.

Este retrato de Deus da profecia de Miqueias (cf. Leit) coincide perfeitamente com o traçado na parábola do filho pródigo (cf. Ev).

«O dinamismo da conversão e da penitência foi maravilhosamente descrito por Jesus na parábola do ‘filho pródigo’, cujo centro é o ‘pai misericordioso’ (cf. Ev): o deslumbramento duma liberdade ilusória…; a miséria extrema…; a humilhação profunda…; a reflexão sobre os bens perdidos; o arrependimento e a decisão de se declarar culpado…; o caminho do regresso; o acolhimento generoso por parte do pai; a alegria do pai: eis alguns aspectos do processo de conversão» (CIC, 1439).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:                     José Roque

Nota Exegética:       Geraldo Morujão

Homilias Feriais:      Nuno Romão

Sugestão Musical:   Duarte Nuno Rocha

 


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