ADVENTO - NATAL – VIDA ADVENTO



Chamamos Advento ao tempo correspondente aos 4 domingos, às 4 semanas antes do Natal. Este tempo pode ser de 22 a 28 dias, dependendo do ano e, consequentemente do dia da semana em que cai o 25 de Dezembro. Muitas tradições e conteúdos estão relacionados com esse tempo.


O Advento é um tempo de expectativa, de conversão e de esperança.


Os fiéis são particularmente sensíveis às dificuldades que a Virgem Maria teve de enfrentar durante a sua gravidez e comovem-se com o pensamento de na estalagem não ter havido lugar para José e para Maria que estava para dar à luz o Menino (cf. Lc 2, 7).


Início do Ano Litúrgico. Para a Igreja Cristã no Advento inicia-se o novo ano. O primeiro Domingo de Advento é o início do calendário litúrgico da Igreja que organiza e determina as comemorações, as celebrações e os principais conteúdos da vida comunitária dos cristãos; por exemplo: Advento, Natal, Epifania, Paixão, Páscoa, Ascensão, Pentecostes, Trindade, Acção de Graças, Reforma, Eternidade.


Espera e Vigília: Advento significa «vinda», «chegada». Está relacionado à chegada de Deus ao mundo. Tempo determinado para a preparação da festa do nascimento de Jesus. Ao mesmo tempo, esta «espera» recebe os traços litúrgicos e de comportamento próprios de uma «vigília», a partir do impacto da expectativa das comunidades cristãs (venha o teu reino) relacionada à nova vinda de Cristo, à chegada do «novo Céu e a nova terra».

Temos nesta época conteúdos de fé e tradições cristãs que promovem a alegria, causada pelas dádivas de Deus relacionadas ao nascimento de Jesus e pela expectativa de uma acção salvadora plena que ainda vai chegar, neste caso uma antecipação da grande alegria vindoura.


Esperança: Advento é um tempo apropriado para fomentar a construção da esperança, uma esperança que transcende os limites das necessidades materiais e imediatas, uma esperança que inclui uma visão de mundo, de tempo e espaço onde é possível a dignidade, a justiça, a paz e o amor, o equilíbrio da vida e da Criação de Deus. Para a construção desta esperança necessário se faz reelaborar e resistir aos apelos do consumo, próprios desta época em que o comercio e outras acções típicas da sociedade de consumo propõe, subvertendo os conteúdos e as tradições criadas em torno do Natal de Deus no mundo.


Calendário de Advento: Neste quadro da esperança surgiu na Alemanha uma tradição familiar, que visa especialmente motivar as crianças a esperarem e a compreenderem o ritmo do tempo. As mães, avós, pais e avôs preparam, de várias maneiras, uma caixinha para cada dia do tempo de Advento. A tradição é colocar em cada caixinha uma mensagem, ou tarefas comunitárias, ou uma pequena lembrança, com o intuito de ajudar as crianças contarem os dias que faltam para o Natal e coordenar a ansiedade delas ao querer ganhar antes do tempo os presentes. Este calendário e suas tarefas disciplina a espera tornando-a terapêutica e alegre, com conteúdo que conduz com criatividade a expectativa da criança até ao dia do Natal.


Arrependimento e Limpeza: Já o profeta João Baptista chamava o povo para o arrependimento e ao baptismo: «Arrependam-se dos seus pecados porque o Reino do céu está perto!... e João os baptizava no rio Jordão» (Mateus 3.2 e 6). Não se sabe determinar quando iniciou, mas até hoje em certas regiões na época do advento as pessoas e famílias fazem uma limpeza interior e externa: avaliam a sua vida e constroem esperanças novas para o futuro e limpam também os seus armários, a casa inteira, os jardins, pintam as casas... etc.

Infelizmente esta tradição está comprometida, cada vez menos pessoas têm armários para limparem, casas para pintarem, jardins para cuidarem e poucas encontram tempo ou dão importância para o ritual de arrependimento.


A coroa de Advento


A coroa de advento é feita com ramos verdes, geralmente envolvida por uma fita vermelha e nela 4 velas são afixadas. Ela simboliza e comunica que naquela Igreja, casa, escritório ou qualquer espaço em que ela esteja vivem pessoas que se preparam com alegria para celebrar a vinda de Deus ao mundo, o Natal.

A disposição de quatro velas numa coroa de ramos sempre verdes com o progressivo acender das quatro velas, domingo após domingo, até à solenidade do Natal, é memória das várias etapas da história da salvação antes de Cristo e símbolo da luz profética que, pouco a pouco, iluminava a noite da espera expectante até ao nascimento do Sol de justiça (cf. Ml 3, 20; Lc l, 78).


O círculo da coroa: simboliza a nova aliança de Deus com a humanidade. Esta nova aliança é celebrada no sacramento da Santa Ceia. Ao círculo da coroa pode ser relacionado também a coroa de espinhos colocada na cabeça de Jesus naquela semana em que foi crucificado – a nova aliança foi feita pelo Jesus negado e rejeitado, com humildade e doação.


Os ramos verdes, os ramos mesmo cortados permanecem verdes por semanas: comunicam a esperança, uma esperança que leva a perseverança, uma entrega total da vida a Deus.


A fita vermelha: a cor vermelha na tradição litúrgica está ligada à cor do fogo e do sangue. Simboliza a cor da vida, do amor e ao mesmo tempo do derramamento do sangue, sacrifício. A nova aliança de Deus com a humanidade foi feita com amor, doação, sacrifício e trouxe a vida plena e eterna.


As 4 velas: uma vela para cada domingo que antecede ao dia 25 de Dezembro. Alguns registros históricos contam que a coroa de advento surgiu em uma instituição que abrigava crianças pobres. Inicialmente ela continha entre 22 a 28 velas, uma para cada dia do tempo de advento. Devido aos custos diminuiu-se o número de velas.

As velas da coroa são acesas (a cada domingo mais uma), para iluminar a vigília do advento, a preparação para vinda da luz ao mundo. Simboliza que Jesus Cristo é a luz do mundo. Comunica a alegria da vida que procede de Deus, aquela que vai além dos limites que a vida no mundo impõe.


Para a Liturgia do 4º Domingo do Advento


Sentido Litúrgico


No quarto domingo do Advento, lembrando a espera de Maria e José, bendizemos o Pai pela manifestação de seu Filho em nossa carne. O Emanuel, o Deus connosco, vem livrar-nos do pecado e da morte e introduzir-nos no seu Reino da Vida e da Liberdade.

A Salvação que vem de Deus não é um sonho irreal, mas é Sua própria presença, manifestada em seu Filho e envolvendo todas as pessoas que pela conversão aderem a Ele.

A terra e toda a humanidade se encontram grávidas do Reino e entram no dinamismo do amor e da fidelidade de Deus que conduz a história do «Menino» e dos que com Ele se tornam construtores da justiça e da paz.


Sugestões para a celebração


1. Será oportuno, durante a celebração, em momento apropriado, colocar a imagem ou figura de Maria e de José no presépio e, no final da celebração, cantar um hino mariano.


2. A cor-de-rosa dos paramentos continua a indicar a alegria da espera e da chegada, agora mais próxima.


3. Procure-se valorizar a participação das mães grávidas e de crianças nos vários momentos da celebração.


4. Quem preside a celebração ou uma mulher grávida traz, na procissão de entrada a 4ª vela do Advento, que deverá ser colocada na coroa do Advento, no momento escolhido e acompanhado por um refrão ou frase bíblica ligada à liturgia da Palavra deste domingo.


5. O Evangelho poderá ser aclamado com o canto do Aleluia, no fim, e mostrado aos féis.


6. É bom que a resposta às preces seja cantada, assim como o louvor do Advento (Hinário Litúrgico, p. 73), o Santo, e o Amém final.


7. Dar uma bênção especial para as mães grávidas presentes e, a todo o povo, a bênção própria do Advento (p. 519 do Missal Romano).


A Virgem Maria no Advento


No tempo de Advento, a Liturgia celebra frequentemente e de modo exemplar a Bem-aventurada Virgem, sobretudo, as novenas da Imaculada e do Natal.


NATAL


O presépio


A preparação de presépios nas habitações domésticas (em que estarão envolvidas particularmente as crianças) torna-se ocasião para que os vários membros da família entrem em contacto com o mistério do Natal e se reúnam.


A piedade popular percebe que só se pode celebrar o Natal do Senhor num clima de sobriedade e de jubilosa simplicidade, não se deixando levar pelo clima consumista, e com uma atitude de solidariedade para com os pobres e os marginalizados; a expectativa do nascimento do Salvador faz com que o povo seja sensível ao valor da vida e ao dever de a respeitar e proteger desde a sua concepção.


No tempo do Natal, a piedade popular percebe intuitivamente:


o valor da «espiritualidade do dom», própria do Natal: «um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado» (Is 9, 5),


a mensagem de solidariedade: com o homem pecador; com os pobres, porque o Filho de Deus, «sendo rico se fez pobre» (2 Cor, 8, 9)


o valor sagrado da vida e o evento admirável que acontece em cada parto de mulher, dado que foi através do parto de Maria que o Verbo da vida veio para o meio dos homens e se tornou visível (cfr. 1 Jo 1, 2)


o valor da alegria e da paz messiânica.


É preciso que estar atento para que a forte tradição religiosa conexa com a Natal não se torne terreno de operações de consumismo e infiltrações de neo-paganismo.


Postais do Natal


Neste particular, merecem especial menção os postais do Natal. Compre e envie exclusivamente postais com símbolos do verdadeiro Natal. Uma grande parte dos que se encontram à venda não tem nada a ver com o Natal cristão. Na medida da procura, as pessoas interessadas na venda procurarão disponibilizá-los para os vender.


A Noite de Natal


Terá lugar a inauguração do presépio doméstico que pode dar lugar a um momento de oração de toda a família: oração que compreenda a leitura do relato de Lucas sobre o nascimento de Jesus, em que haja cantos típicos do Natal e se eleve a súplica e o louvor, sobretudo das crianças, protagonistas deste encontro familiar;


A inauguração da árvore de Natal. (...) símbolo fortemente evocativo, não só da árvore da vida plantada no centro do Éden (cf. Gn 2,9), mas também a árvore da cruz, assumindo assim um significado cristológico: (...) Podem juntar-se «prendas»; todavia, entre as prendas não poderá faltar o presente para os pobres, dado que fazem parte de cada uma das famílias cristãs.


A ceia de Natal. A família cristã que, seguindo a tradição, em cada dia abençoa a mesa e agradece ao Senhor o dom do alimento, efectuará este gesto com maior intensidade e atenção na ceia de Natal, em que se manifestam com toda a sua força a solidez e a alegria dos laços familiares.

Sugere-se ao chefe de família que leia, um trecho do Evangelho do Natal: S. Lucas, 2, 1 e ss.

A Missa da meia-noite (Missa do Galo), de grande significado litúrgico e de forte ascendente popular poder-se-á valorizar.


No termo da celebração poderá haver lugar para os fiéis beijarem a imagem do Menino Jesus.

Durante o tempo do Natal, a imagem do Menino Jesus poderá ser colocada num lugar acessível e digno, para que as pessoas que visitam o templo o possam beijar; as crianças poderão colocar, junto da imagem, flores ou pétalas de rosa.


A festa da Sagrada Família


Momentos de oração próprios da família cristã: A renovação da entrega do conjunto familiar ao patrocínio da Sagrada Família de Nazaré, a bênção dos filhos, prevista no Ritual e, onde for possível, a renovação dos compromissos assumidos pelos esposos, agora pais, no dia do seu casamento, e também a permuta das promessas esponsais com que os noivos formalizam o projecto de constituir uma nova família.


A festa dos Santos Inocentes


Deve ter-se presente nesse dia a fila incontável de crianças ainda por nascer e precocemente trucidadas, a coberto das leis que permitem o aborto, que é um crime abominável. Atenta aos problemas concretos, a piedade popular, em não poucos lugares, deu vida a manifestações cultuais e a formas de caridade como a assistência às mães grávidas, a adopção de crianças e a promoção da sua instrução.


O dia 31 de Dezembro


É bom reflectir sobre o «mistério do tempo» que corre veloz e inexorável. Isto suscita no nosso espírito um duplo momento: de arrependimento e de pesar pelas culpas cometidas e pelas ocasiões de graça perdidas ao longo do ano que chega ao fim; e de gratidão pêlos benefícios recebidos de Deus.


A solenidade da Santa Mãe de Deus


No dia 1° de Janeiro celebra-se a Mãe de Deus que foi «quem nos trouxe o Autor da vida».


Entre os desejos a formular no 1° de Janeiro, emerge o da paz. O «augúrio da paz»; o «bem da paz» é sumamente invocado pelos homens de todos os tempos que, no entanto, atentam contra ele frequentemente, no modo mais violento e destruidor: a guerra.

Desde 1967, a Santa Sé decidiu celebrar no 1° de Janeiro o «Dia Mundial da Paz» e o Santo Padre envia a todos os Chefes de Estado uma Mensagem da Paz que podemos ler e meditar.

Fazer deste dia um momento intenso de oração pela paz, de educação para a paz e para os valores com ela indissoluvelmente relacionados, como a liberdade, a solidariedade e a fraternidade, a dignidade da pessoa humana, o respeito pela natureza, o direito ao trabalho, a sacralidade da vida, e a denúncia de situações injustas que perturbam as consciências e ameaçam a paz.


A solenidade da Epifania do Senhor


A troca dos «presentes da Epifania» é um costume que mergulha as suas raízes no episódio evangélico dos dons oferecidos pelos Magos ao Menino Jesus (cf. Mi 2, 11) e, mais radicalmente, no dom feito por Deus Pai à humanidade. É de desejar que a troca de prendas por ocasião da Epifania mantenha uma característica religiosa.

Entre nós as prendas oferecem-se no dia 25 de Dezembro, mas não deixa de ser válida a mesma consideração.

Pode-se cuidar:

as iniciativas de solidariedade com os que vem de regiões longínquas, os imigrantes.

a ajuda à evangelização dos povos...



Fonte: DIRECTÓRIO SOBRE A PIEDADE POPULAR E A LITURGIA, 17 DEZEMBRO 2001

nn, 96 a 122: Resumido, acrescentado e condensado.



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