ACONTECIMENTOS ECLESIAIS


DO PAÍS



VIANA DO CASTELO


INVENTARIAÇÃO

DE ARTE SACRA


A inventariação de mais de quatro mil peças de arte sacra móvel, dos arciprestados de Arcos de Valdevez e de Viana, é o primeiro passo para que a jovem Diocese de Viana do Castelo, com 30 anos de existência, conheça efectivamente qual é o seu património e onde este se encontra.


Na sessão de encerramento do projecto de inventariação, que decorreu em princípios de Outubro, no Museu Municipal de Viana do Castelo, o Bispo D. José Pedreira, pretende dotar de igual benefício os outros dez arciprestados que integram a Diocese.

Deste projecto, cujo coordenador foi o padre Eduardo Parente, resultou a criação na Internet de um sítio onde estão todas as peças inventariadas nas 42 paróquias de Viana do Castelo e nas 51 de Arcos de Valdevez. Por razões óbvias, da ficha de inventário foram omitidas algumas informações por questões de segurança e salvaguarda deste rico património – explicou o coordenador.

Foi igualmente editado um grande catálogo, estruturado por temas, onde se procurou que todas as paróquias destes dois arciprestados se sintam representadas através das peças que foram consideradas «notáveis», mas sempre na perspectiva de uma «amostra», referiu Antunes Abreu, o consultor do projecto.

Este historiador sublinhou que é notória uma grande diferença entre as várias partes da Diocese. Em termos de riqueza da arte sacra, temos um litoral que tem peças muito melhores do que o interior.

A explicação para a existência de muitas peças, no âmbito das alfaias litúrgicas ou imagens de Nossa Senhora, em particular a do Rosário, fica a dever-se à força e riqueza das respectivas Confrarias.



LISBOA


POLÉMICA ACERCA DAS

CAPELANIAS HOSPITALARES


A Coordenação Nacional das Capelanias Hospitalares reafirmou no passado dia 10 de Outubro a sua inteira disponibilidade para continuar o diálogo já iniciado com o Ministério, relativamente ao projecto de regulamentação da assistência espiritual e religiosa nos hospitais do Sistema Nacional de Saúde.


Este documento tem sido alvo de contestação por parte de responsáveis da Igreja, que esperam um recuo por parte do governo em relação a várias das propostas apresentadas.

O Pe. José Nuno Ferreira da Silva, Coordenador Nacional dos Capelães Hospitalares, espera que «o Princípio da Cooperação, consagrado quer pela Concordata, quer pela Lei da Liberdade Religiosa, permita estabelecer um horizonte de entendimento e compromisso que conduza a uma solução que equilibre igualdade e proporcionalidade».

Para este responsável, a segunda formulação do projecto de regulamentação apresenta algumas possibilidades redutoras que, «se concretizadas por Administrações Hospitalares com práticas restritivas em relação à assistência espiritual e religiosa, como já acontece, apesar da Lei vigente, dificultariam o exercício desta assistência nos hospitais, em que constitui tradição milenar».

O desejo manifestado pela Coordenação é que seja possível «encontrar uma formulação regulamentadora que considere a delicadeza de que se reveste a questão, no respeito pelas exigências da Constituição da República Portuguesa, bem como da Concordata entre Portugal e a Santa Sé e da Lei da Liberdade Religiosa».

Quer o Secretário da CEP, D. Carlos Azevedo, quer o Primeiro-ministro José Sócrates confirmam que o assunto está bem encaminhado, esperando chegar a um acordo frutífero.



FÁTIMA


PROCESSO DOS PASTORINHOS


O Cardeal José Saraiva Martins afirmou em Fátima que o processo de canonização dos Pastorinhos Francisco e Jacinta não se encontra parado, apesar das dificuldades surgidas na análise do alegado milagre em estudo no Vaticano.


«A documentação apresentada à Santa Sé não oferece todos os elementos de que os médicos necessitariam para uma resposta definitiva», explicou o Cardeal, pelo que os médicos do Vaticano não se pronunciaram.

Beatificados em 2000 por João Paulo II, os dois Pastorinhos precisam de ver reconhecido pelo Vaticano um outro milagre para que se possa avançar para a sua canonização, de acordo com as normas jurídicas actualmente em vigor.

Falando durante o Congresso Internacional «Fátima para o século XXI», o Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos passou em revista o caso apresentado pelos promotores da causa, o caso da cura de uma criança, filha de imigrantes portugueses na Suíça, que sofria de diabetes e precisou de insulina durante um ano, facto que se alterou completamente no dia 13 de Maio de 2000.

«A mãe da criança, que estava a seguir pela TV a cerimónia, pediu aos Pastorinhos que curassem o seu filho e ele ficou curado», lembrou o Cardeal português.

D. José Saraiva Martins assegurou que «esta cura foi examinada muito seriamente pelos médicos da Congregação para as Causas dos Santos», revelando que os mesmos encontraram «certa dificuldade» em afirmar que a cura não tem explicação «à luz da ciência médica actual».

De facto, dos dois tipos de diabetes há um que pode curar-se com o tempo, pelo que o milagre só seria reconhecido como tal se a diabetes fosse do outro tipo.

«Oxalá que os promotores da causa nos ofereçam outros elementos, que sirvam para resolver as dúvidas dos médicos», desejou o Cardeal Saraiva Martins; caso não cheguem novos elementos, a causa não ficaria «parada, mas simplesmente adiada». «Não é nenhum drama, acontece com muitas causas», observou.

O membro da Cúria Romana disse ainda que os Pastorinhos «são tão amados em todo o mundo que estou certo de que se pedirem um novo milagre, ele vai-se realizar e eles serão canonizados».

A postulação da Causa de Canonização dos Pastorinhos não recebeu ainda a indicação de nenhuma outra cura milagrosa, mas admite que o caso em análise no Vaticano ainda não está encerrado, esperando que seja possível adicionar novos dados ao processo.

O Cardeal Saraiva Martins lembrou, na sua conferência, que os Pastorinhos foram «as primeiras crianças não-mártires a serem beatificadas, na história da Igreja», apresentando algumas «notas peculiares da sua santidade», que resumiu nas palavras «fé, conversão, Eucaristia e Rosário».

«Eles mostram-nos o caminho a seguir, na hodierna situação eclesial, social e cultural, em ordem à construção de um mundo novo, um mundo mais humano e, por isso mesmo, mais cristão», concluiu.


Irmã Lúcia


Quanto à Irmã Lúcia, falecida em 13 de Fevereiro de 2005, o Cardeal Tarcísio Bertone, Secretário de Estado do Vaticano, deixou transparecer o seu apoio a um eventual pedido de antecipação do início do processo de beatificação da Irmã Lúcia.

A possibilidade de o Papa dispensar o período de espera de 5 anos após a morte é uma decisão que compete exclusivamente a Bento XVI.

O Cardeal lembrou vários traços da personalidade da Vidente, tais como «a alegria, o bom humor e a ironia»; era uma «grande comunicadora», que a muitos parecia falar demasiado por ter uma palavra fácil.

A intervenção teve lugar após a apresentação da edição em português da sua obra «A Última Vidente de Fátima – As Minhas Conversas com a Irmã Lúcia», obra que contou com a colaboração do jornalista e escritor italiano Giuseppe De Carli.



FÁTIMA


CONGRESSO INTERNACIONAL


De 9 a 12 de Outubro decorreu no Centro Pastoral Paulo VI o Congresso Internacional «Fátima para o Século XXI.


No comunicado final assinado afirma-se que, «depois destes dias de reflexão, foi possível reter algumas sugestões e linhas de orientação que poderão ajudar a conhecer melhor e a tornar mais conhecida a mensagem de Fátima, dela extraindo cada vez mais riquezas».

Entre outros pontos, «ficou claro que a mensagem de Fátima com o seu alcance universal possibilita também uma fraternização da piedade popular», e daí resulta «uma outra exigência, a da própria evangelização da piedade popular».

É igualmente claro que «é necessário dar a conhecer a santidade das crianças: elas são infantis por terem pouca idade, mas conseguem e sabem ser responsáveis, logo são adultas na fé. É preciso anunciar isto, dizer que isto é possível como no caso das duas primeiras crianças não mártires em toda a história da Igreja. Isto poderá ser já uma mensagem de esperança, na medida em que apresenta a santidade ao alcance de todos e não apenas de alguns eleitos ou privilegiados. Apresentar os Pastorinhos como modelo de santidade acessível a todos será seguramente uma boa notícia, Evangelho. Dar a conhecer mais a biografia dos santos provavelmente alargará este anúncio e será pedagogicamente um veículo, para anunciar Jesus Cristo».

Foi notória e seriamente advertido como «é a teologia da cruz que consegue precisamente evitar que se transforme o cristianismo numa ideologia. Esta é a consequência de um cristianismo sem cruz, ou melhor dito, de um cristianismo que pense ou proponha a existência cristã sem cruz. Isto tem evidentes consequências para o discurso teológico e para a própria prática da nova evangelização, pois obriga a não escamotear o Evangelho».

Também «o apelo à fé com todo o radicalismo face à indiferença religiosa ou às violações da liberdade religiosa não pode nunca ser abandonado. Pede-se ao Santuário a coragem para nunca deixar de anunciar a verdade do Evangelho na sua inteireza, na sua verdade».


Oração e penitência


O comunicado refere que, «na busca de um enquadramento teológico a partir da espiritualidade de Fátima (mas não só da espiritualidade, igualmente do vocabulário da reparação e de alguns conceitos da sua mensagem), foi mostrado como a dureza de algumas práticas ou simbologias em Fátima (quer na mensagem quer na espiritualidade) estão perfeitamente em sintonia com as exigências evangélicas de entrar pela porta estreita (cf. Mt 7,13-14), o que conota a mensagem de Fátima de um evidente alcance moral e ético. Esta dimensão provoca à insistência no convite à oração e à penitência, o mesmo é dizer, ao anúncio constante à conversão, gostem ou não gostem, exista ou não exista audiência, oportuna e inoportunamente. É necessário manter um forte apelo à conversão pelo anúncio da penitência dos pecados através de uma sempre renovada pastoral do sacramento da penitência».

Continua actual «o anúncio do Deus das misericórdias mas também como o Deus do julgamento em que a liberdade humana é respeitada até ao fim, sendo assim afirmada como espaço absolutamente humano do exercício da responsabilidade dos nossos actos, os quais adquirem alcance eterno contra todo e qualquer determinismo antigo ou moderno».

Pastoralmente, «o Santuário continua com a tarefa da educação para a mais genuína devoção mariana e com a missão da proclamação da dimensão pública da fé enquanto projecto social e político, isto é, com implicações na mundividência e na organização da cidade dos homens na qual está presente e a cidade de Deus».



FÁTIMA


IGREJA DA SSMA. TRINDADE

NO MISTÉRIO DE FÁTIMA


O Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, disse que a igreja da Santíssima Trindade veio encerrar um ciclo, nascido por vontade de Nossa Senhora em 1917. Depois da Capelinha e da Basílica de Nossa Senhora do Rosário, a nova igreja vem completar a expressão do mistério de Fátima, ligando-o à presença da Trindade.


«Há 90 anos, Nossa Senhora pediu aos Pastorinhos que lhe fizessem aqui um templo, uma capela, uma igreja», lembrou o Cardeal no passado dia 12 de Outubro, frisando que «esse desejo da Senhora, de certa forma, completamo-lo hoje».

Depois de destacar a presença da imagem de Nossa Senhora na Capelinha e dos Beatos Francisco e Jacinta na Basílica construída nos anos 50, o Cardeal-Patriarca afirmou que «faltava um templo, um santuário onde tudo partisse de Deus uno e trino».

D. José Policarpo disse que «tudo em Fátima começa no Coração Imaculado de Maria que nos espera na Capelinha, concretiza-se numa história de salvação vivida aqui por tantas pessoas que aqui passaram, na Basílica de Nossa Senhora do Rosário, e culmina em beleza de amor, em expectativa do céu na terra, nesta adoração de Deus Trindade Santíssima».

Na celebração nocturna da Peregrinação Internacional Aniversário de Outubro, o Cardeal-Patriarca destacou na sua homilia a presença renovada da «Trindade Santíssima» no Santuário, um dado que «não é novo na experiência espiritual de Fátima».

«Foi assim desde o princípio, logo na aparição do Anjo ficou claro que tudo o que Nossa Senhora ia dizer, tudo o que ela pedia, tudo o que ia acontecer na linha da conversão dos corações, só teria sentido porque partia da força do amor de Deus e se transformava em amor de Deus».

«Deus é sempre Trindade, mesmo que eu me aproxime dele através da ternura de Maria», precisou, «e só assim O descubro como fonte de amor, voragem de amor».

«Estamos num Santuário construído por vontade de Nossa Senhora, onde ela nos aparece como uma das mais intensas presenças de Deus no coração de uma criatura».



LISBOA


BEATO NUNO DE SANTA MARIA

PRÓXIMO DA CANONIZAÇÃO


O Beato Nuno de Santa Maria, D. Nuno Álvares Pereira, deverá ser o próximo Santo português. De acordo com o Cardeal José Saraiva Martins, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, este processo de canonização encontra-se «bastante perto da sua conclusão».


O Cardeal português revelou que os médicos estão a examinar uma cura considerada miraculosa pelos promotores da causa de canonização. «Oxalá se chegue à conclusão que essa cura não tem explicação à luz da ciência actual», refere. «Estou optimista e penso que poderia ser canonizado dentro de pouco tempo».

Nuno Álvares Pereira foi beatificado em 23 de Janeiro de 1918 pelo Papa Bento XV. O processo de canonização encontra-se aberto e activo desde 1940, tendo sido reaberto no dia 13 de Julho de 2003, nas ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa, com a sessão solene presidida por D. José Policarpo.

Em relação a outros processos envolvendo fiéis portugueses, D. José Saraiva Martins destacou D. João Oliveira Matos, da Guarda, e a Madre Clara do Menino Jesus, fundadora das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, «outra causa que está muito perto também de chegar à meta».



LISBOA


DIVERGÊNCIAS ACTUAIS

SOBRE A CONCORDATA


Em entrevista à Agência Ecclesia a propósito da próxima visita ad limina dos Bispos portugueses, de 3 a 12 de Novembro, o Secretário da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) D. Carlos Azevedo pontualiza sobre as actuais divergências a respeito da Concordata.


Agência Ecclesia: Em 2004, Portugal assinou uma nova Concordata com a Santa Sé. A assinatura não foi demasiado precipitada visto que, actualmente, estão a surgir algumas dificuldades na regulamentação de determinados pontos?


D. Carlos Azevedo: Não foi precipitada. A redacção de um ou outro artigo é que poderia ter sido mais cuidada. Com a nova Concordata criou-se uma nova mentalidade. A Concordata corresponde a uma nova perspectiva do papel da Igreja na sociedade. Parece que não estávamos preparados para tal e não percebemos a perspectiva do II Concílio do Vaticano sobre as relações Igreja/Estado.

Por outro lado, o momento actual coincide com um laicismo mais vivo que não compreende a dimensão religiosa na vida cultural e social do povo.

O que falta é criar estruturas de negociação para que a Concordata seja regulamentada. Parece que se criou um certo vazio legal. A Concordata está em vigor, mas terá que existir uma regulamentação como havia na antiga Concordata. Enquanto não há, alguns membros do Governo começam a tomar medidas soltas.


Relações Igreja-Estado


Posteriormente, numa conferência promovida pela Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa na sua sede em Lisboa, intitulada «O actual momento das relações entre a Igreja e o Estado», o Secretário da CEP explicou que «esta situação corre o risco de gerar um vazio legal, com interpretações pessoais da Concordata por parte de Ministérios e quadros intermédios das estruturas da administração do Estado e com a tendência de julgar as realidades da presença da Igreja Católica na sociedade a partir da Lei da Liberdade Religiosa».

«Importa acelerar o processo de elaboração da legislação complementar, em diálogo do Governo com os respectivos serviços da CEP; e que expresse claramente, pelo que respeita aos diversos serviços da administração do Estado, que a legislação aplicativa da Concordata de 1940 se mantém em vigor até à aprovação da legislação anteriormente referida», indicou.

O Secretário da CEP apontou problemas concretos, «onde há mal estar, na área da Educação, da Solidariedade Social e das Capelanias Hospitalares e Prisionais, no sector da Fiscalidade, da Comunicação Social e do Equipamento Religioso.

Uma palavra especial foi dedicada à Universidade Católica Portuguesa, que viu consagrada na Concordata a sua «especificidade institucional».

«É preciso concretizar em que consiste a sua ‘especificidade institucional’. Não nos parece que se possa considerar, simplesmente, como uma universidade privada», defendeu D. Carlos Azevedo.



COIMBRA


CENTENÁRIO DE

MONS. NUNES PEREIRA


Apesar das raízes profundas na Beira Interior, Monsenhor Nunes Pereira era «de uma afabilidade extrema» – disse o Pe. Jesus Ramos, da diocese de Coimbra, que falou no colóquio comemorativo do centenário do nascimento de Mons. Nunes Pereira.


Nesta iniciativa, realizada dias 27 e 28 de Outubro, no Seminário de Coimbra, abordaram-se três facetas da vida do homenageado: perfil humano, sacerdotal e artístico.

No período formativo, Mons. Nunes Pereira contactou com excelentes mestres, que tiveram grande influência no seu percurso sacerdotal. «Mons. Nunes Pereira foi colega do Pe. Américo e de outros sacerdotes muito conhecidos na Igreja de Coimbra» – realçou o Pe. Jesus Ramos. Durante a sua vida foi pároco em várias localidades da diocese, onde deixou marca. Na paróquia de Coja (concelho de Arganil) fez uma acção pastoral muito interessante. «Movimentava a juventude com teatro, com representações e ensinava através da arte», frisou o orador. E acrescenta: «servia de incentivo pastoral porque utilizava a arte para evangelizar».

A arte nasceu com ele e ele aperfeiçoou esse dom. O Pe. Jesus Ramos contou que, quando Mons. Nunes Pereira esteve na Paróquia de S. Bartolomeu (cidade de Coimbra), os registos paroquiais tinham desenhos artísticos. «A primeira letra da criança baptizada era feita com adornos artísticos». Para as reuniões levava sempre um bloco onde fazia desenhos. «Depois entregava-os às pessoas caricaturadas».

Nascido a 3 de Dezembro de 1906, na aldeia de Fajão (Pampilhosa da Serra), Mons. Nunes Pereira tinha uma cultura acima da média. No contacto com as pessoas «era muito afável e deixou uma saudade grande». «O melhor livro dele «O cadeiral de Santa Cruz» – feito aos poucos e publicado no «Correio de Coimbra» – é uma obra excelente». Cada cadeira do mosteiro tem «um motivo e ele fez a cópia de todas aquelas figuras com notas explicativas. É um tratado dos símbolos».



FÁTIMA


CRISE DE VOCAÇÕES DEPENDE

DE CRISE DAS FAMÍLIAS CRISTÃS


A tão falada «crise de vocações» na Igreja Católica não pode ser dissociada da vivência da fé nas famílias cristãs. Esta é uma das ideias marcantes do IV Forum Nacional das Vocações, promovido pela Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios, que decorreu no fim-de-semana de 27 e 28 de Outubro.


Para o secretário da Comissão Episcopal, Pe. Jorge Madureira, o progressivo decréscimo das vocações no Ocidente liga-se «à diminuição do número de famílias que vivem com uma referência explícita à fé».

De 2000 a Dezembro de 2005, em Portugal, o número de sacerdotes diocesanos baixou de 3159 para 2934 (menos 225), enquanto que o clero religioso manteve praticamente o mesmo número. Os seminaristas de filosofia e teologia também são menos, segundo os últimos dados disponíveis: de 547 no ano 2000, entre diocesanos e religiosos, passou-se para 475 no ano 2005.

Os participantes neste Forum Nacional das Vocações sublinharam a necessidade de uma articulação entre a pastoral familiar e a vocacional.

O conferencista convidado para este encontro, Pe. Jacques Anelli – antigo responsável pelo Serviço Nacional de Vocações na França –, explica que os jovens perderam «as referências» num mundo cada vez mais secularizado e individualista. Em relação ao tema do Forum, este especialista frisa que «a família, a Igreja doméstica, é o lugar que recapitula aquilo que é a vida cristã, ou seja, o enraizar-se numa forma de receber os outros».

O Pe. Jorge Madureira acrescenta que muitas vocações que dão corpo à Igreja são fruto de famílias que «mesmo sem uma explícita enunciação, manifestam uma vivência de Igreja doméstica que está na base de resposta de entrega à Igreja».


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