ACONTECIMENTOS ECLESIAIS



DO MUNDO

BRASIL


MISSA NA FORMA ANTIGA


Logo a seguir à publicação do motu próprio «Summorum Pontificum» de Bento XVI, o Administrador Apostólico da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney deu orientações claras aos seus fiéis em união com o Santo Padre.


A Administração Apostólica pessoal São João Maria Vianney foi criada pela Santa Sé em 2002 para receber a comunidade lefebvriana do Brasil com sede na diocese de Campos, quando pastores e fiéis pediram para regressar à comunhão plena com o Romano Pontífice, aceitando o Concílio Vaticano II e mantendo a liturgia anterior.

Na carta de 18-VII-07, o actual Administrador Apostólico D. Fernando Arêas Rifan escreve (mantemos a redacção original):


«Na sua recente Carta aos Bispos, que acompanha o Motu Proprio 'Summorum Pontificum', em que libera para todo o mundo a celebração da Missa na forma antiga do Rito Romano, o Santo Padre Bento XVI afirmou que, após o Concílio Vaticano II, imaginava-se que ‘o pedido do uso do Missal de 1962 se limitasse à geração mais idosa que tinha crescido com ele, mas entretanto vê-se claramente que também pessoas jovens descobrem esta forma litúrgica, sentem-se atraídas por ela e nela encontram uma forma, que lhe resulta apropriada, de encontro com o Mistério da Santíssima Eucaristia’. É preciso conhecer, pois, quais são as razões de tal atracção e preferência.»

«Como nós da Administração Apostólica estamos incluídos entre os que apreciam e preferem a forma antiga do Rito Romano, quero deixar bem claro que essa nossa preferência pela Missa na forma antiga não se origina absolutamente porque negamos ao Papa o poder de modificar e promulgar as leis litúrgicas, nem ainda porque consideramos a Nova Missa, ou Missa promulgada pelo Papa Paulo VI, como sendo inválida, heterodoxa, pecaminosa, sacrílega ou não católica.»

Essas afirmações seriam contra o dogma da indefectibilidade da Igreja e o dogma da sua unidade de culto, e já receberam a reprovação do seu Magistério, pois a nova forma da Missa é uma lei litúrgica universal, promulgada pela suprema autoridade da Igreja e adoptada há 37 anos unanimemente por toda a Igreja docente.

«Nós amamos, preferimos e conservamos a Missa na sua forma antiga por ser uma das riquezas litúrgicas católicas, que o Papa quer que se conserve na Igreja como uma fonte de enriquecimento, pela razão de a considerarmos melhor expressão litúrgica dos dogmas eucarísticos e sólido alimento espiritual, pela sua riqueza, beleza, elevação, nobreza e solenidade das cerimónias, pelo seu senso de sacralidade e reverência, pelo seu sentido de mistério, por sua maior precisão e rigor nas rubricas, apresentando assim mais segurança e protecção contra abusos, não dando espaço a ‘ambiguidades, liberdades, criatividades, adaptações, reduções e instrumentalizações’, como lamentava o Papa João Paulo II (Ecclesia de Eucharistia, n. 10, 52, 61). E a Santa Sé reconhece essa nossa preferência e adesão como sendo perfeitamente legítima».



ÍNDIA


TERESA DE CALCUTÁ:

LUZ NA ESCURIDÃO


O Pe. Brian Kolodiejchuk, Missionário da Caridade e Postulador da causa de canonização da Madre Teresa de Calcutá, é o autor do livro «Come, Be My Light!» (Vem, sê a minha luz!), que recolhe os escritos da Beata, em parte inéditos, revelando o seu sofrimento de não experimentar o amor de Deus. Em entrevista à Agência Zenit (Roma), fala desta «noite escura», que tanta polémica tem gerado. Oferecemos alguns excertos.


«Ninguém fazia sequer a menor ideia do que ela vivia interiormente, pois os seus directores espirituais guardavam estas cartas. Os jesuítas conservam algumas, outras estão na arquidiocese e o Pe. Joseph Neuner, outro dos seus directores espirituais, tem algumas. Estas cartas foram descobertas quando buscávamos os documentos para a causa.»

«Enquanto vivia, a Madre Teresa pediu que a sua informação biográfica não se desse a conhecer. Pediu ao Arcebispo Ferdinand Périer, de Calcutá, que não dissesse a nenhum outro bispo como tudo começou. Disse-lhe: «Por favor não diga nada dos inícios porque, uma vez que as pessoas conheçam os inícios, quando ouvem falar das locuções interiores, então a atenção se centrará em mim e não em Jesus». Ela dizia sempre: «Obra de Deus. Esta é a obra de Deus».

«Inclusive as irmãs mais próximas dela não conheciam a sua vida interior. Muitos poderiam ter pensado que ela tinha uma grande intimidade com Deus e que esta iluminava o seu caminho no meio das dificuldades da Ordem ou da pobreza material que sofreu».


A «noite escura»


«Como declara o Pe. Thomas Dubay [no livro 'Fire Within' (Fogo interior)], no caminho para a autêntica união com Deus, existe a etapa purgativa, chamada 'noite escura', e depois a alma entra num estado de êxtase e verdadeira união com Deus.»

«No caso da Madre Teresa, parece que a etapa purgativa aconteceu durante a sua formação no convento de Loreto. No momento da sua profissão, disse a uma companheira que com frequência experimentava a escuridão. As cartas dessa época são as típicas cartas de uma pessoa que está na «noite escura».

«O Pe. Celeste Van Exem, seu director espiritual naquela época, disse que provavelmente em 1946 ou 1945 se encontrava já perto do êxtase.»

«Depois há uma referência ao momento em que apareceram as inspirações e as locuções interiores, o momento no qual as dificuldades de fé cessaram.»

«Posteriormente, a Madre Teresa escreveu ao Pe. Neuner, explicando: O padre sabe como Ele actuou. E foi como se Nosso Senhor se entregasse a mim plenamente. Mas a doçura, o consolo e a união daqueles seis meses passados desapareceu depressa».

«De maneira que a Madre Teresa experimentou seis meses de intensa união, após as locuções interiores e o êxtase. Estava já na etapa espiritual da união transformadora. Nesse momento, voltou a escuridão.»

«Mas, a partir de então, a escuridão que experimentava existia juntamente com a união com Deus. Isso não significa que viveu a união e depois a perdeu. Perdeu a consolação da união que se alternava com a dor da perda e com uma profunda nostalgia de Deus, uma verdadeira sede.»

«Como dizia o Pe. Dubay, 'às vezes a contemplação deleita, e outras vezes é substituída por uma forte sede de Deus'. Mas no caso da Madre Teresa, com excepção de um mês, em 1958, ela não teve esta consolação da união.»

«Há uma carta na qual ela diz: «Não, padre, não estou só, tenho a sua escuridão, tenho a sua dor, tenho uma terrível nostalgia de Deus. Amar e não ser amada, eu sei que tenho Jesus na união que não foi quebrada, a minha mente está fixa n’Ele e só n’Ele».

«A sua experiência da escuridão na união é sumamente rara, inclusive entre os santos, pois para a maioria o final é a união sem escuridão.»

«O seu sofrimento, então – utilizando o termo do teólogo dominicano Reginald Garrigou-Lagrange –, deve-se mais aos pecados dos outros do que ao carácter purificador dos seus próprios pecados. Está unida a Jesus com uma fé e um amor capazes de levá-la a partilhar a sua experiência do Getsémani e da cruz. »

«Madre Teresa comentou que o sofrimento no Getsémani foi pior que o da cruz. E agora compreendemos de onde vinha isso, porque ela tinha compreendido a sede de almas de Jesus.»

«O importante é que se trata de uma união. Como indicava Carol Zaleski num artigo publicado na revista 'First Things', esse tipo de prova é novo. Trata-se de uma experiência moderna de santos dos últimos 100 anos: sofrer o sentimento de que não se tem fé e de que a religião não é verdadeira».


O carisma específico da Madre Teresa


«Durante os anos 50 do século passado, Madre Teresa rendeu-se e aceitou a escuridão. O padre Joseph Neuner ajudou-a a compreender isso, relacionando a escuridão com o seu carisma: saciar a sede de Deus.»

«Ela costumava dizer que a maior pobreza era não se sentir amado, solicitado, cuidado por ninguém, e era exactamente o que ela estava a viver na sua relação com Jesus. O seu sofrimento redentor era parte da vivência do seu carisma ao serviço dos mais pobres entre os pobres.»

«De maneira que, para ela, o sofrimento era não só um meio para identificar-se com a pobreza física e material, mas, no âmbito interior, identificava-se com os não amados, com os que estão sozinhos, com os que são rejeitados.»

«Renunciou à sua própria luz interior para iluminar os que viviam na escuridão, dizendo: 'Sei que não são mais do que sentimentos'».

«Numa carta a Jesus, escreveu: 'Jesus, ouve a minha oração, se isso te agrada. Se a minha dor e sofrimento, a minha escuridão e separação te dá uma gota de consolação, faz comigo o que queiras, todo o tempo que desejes. Não olhes aos meus sentimentos nem à minha dor'».

«Sou tua. Imprime em minha alma e vida os sofrimentos do teu coração. Não olhes aos meus sentimentos, não olhes sequer à minha dor».

«Se a minha separação de ti permite que outros se aproximem de ti e tu encontras alegria e deleite no seu amor e companhia, quero de todo o coração sofrer o que sofro, não só agora, mas pela eternidade, se for possível».

«Numa carta às suas Irmãs, torna mais explícito o carisma da Ordem: «Minhas queridas filhas, sem sofrimento, o nosso trabalho seria somente trabalho social, muito bom e útil, mas não seria obra de Jesus Cristo, não participaria da redenção. Jesus desejava ajudar-nos partilhando a nossa vida, a nossa solidão, a nossa agonia e morte. Tudo isso ele assumiu em si mesmo e levou-o à noite mais escura. Somente sendo um de nós podia redimir-nos».

«A nós, permite-nos fazer o mesmo: toda a desolação dos pobres, não apenas a sua pobreza material, mas também a sua profunda miséria espiritual, deve ser redimida e compartilhada. Orai, então, assim quando isso se torne difícil: 'Quero viver neste mundo que está longe de Deus, que se distanciou da luz de Jesus, para ajudá-lo, para carregar uma parte do seu sofrimento'».

«E isso resume o que considero o fundamento da sua missão: «Se um dia chegar a ser santa, seguramente serei uma santa da 'escuridão'. Continuarei ausente do Céu para dar luz aos que estão na escuridão na terra…»

«Assim compreendeu a sua escuridão. Muitas das coisas que disse têm mais sentido e acabam por ser mais profundas agora que sabemos isso».


Crise de fé?


«Ela não teve crises de fé, ou falta de fé, mas teve uma prova de fé na qual experimentou o sentimento de que ela não acreditava em Deus. Esta prova requereu muita maturidade humana, porque, se não, não teria sido capaz de suportá-la. Teria ficado desequilibrada.»

«Como disse o padre Garrigou Lagrange, é possível experimentar simultaneamente sentimentos contraditórios entre si. É possível ter uma 'alegria cristã objectiva', como a chamou Carol Zaleski, e ao mesmo tempo entrar na prova ou sentimento de não ter fé.»

«Não há duas pessoas aqui, mas uma pessoa com sentimentos em diferentes níveis.»

«Podemos realmente estar a viver a cruz de algum modo – é dolorosa e faz doer – e, ainda que a espiritualizemos, isto não tira a dor. Agora, ao mesmo tempo, podemos estar alegres porque estamos a viver com Jesus e isto não é falso.»

«Aqui está o como e o porquê a Madre Teresa viveu uma vida tão cheia de alegria.»


Para a canonização


«Precisamos de outro milagre. Examinámos alguns, mas nenhum é suficientemente claro. Houve um para a beatificação, mas estamos à espera do segundo.»

«Talvez Deus tenha esperado que se publicasse antes o livro, pois muitos tinham a Madre Teresa por santa, mas ela era tão simples e exprimia-se de uma maneira tão simples que não compreendiam a profundidade da sua santidade.»

«Agora temos algo mais que uma mera ideia da sua evolução espiritual e uma parte da sua profundidade foi revelada.»

«Assim que chegue o milagre, demoraremos pelo menos dois anos, ainda que o Papa possa acelerar o processo se desejar.»

«[Desde a morte da Madre Teresa], a Ordem [das Missionárias da Caridade] cresceu quase em mil irmãs, passou de 3850 para a 4800, hoje, e acrescentámos cerca de 150 casas em mais de 14 países. A obra de Deus continua».



CHINA


ORDENAÇÕES EPISCOPAIS

EM COMUNHÃO COM O PAPA


No dia 21 de Setembro passado, festa de S. Mateus, foi ordenado Arcebispo de Beijing (Pequim) o Pe. José Li Shan; antes, no dia 8 de Setembro, festa da Natividade da Virgem Maria, fora ordenado Arcebispo coadjutor de Guiyang, na província de Guizhou, o Pe. Paulo Xiao Zejiang. Os dois sacerdotes tinham sido indicados à Santa Sé pelas respectivas comunidades católicas locais como candidatos dignos e idóneos.


Participaram em cada uma das ordenações três Bispos. Todos os prelados consagrantes estão em comunhão com o Papa e são reconhecidos pelo Governo chinês. As comunidades católicas de Pequim e de Guiyang, ao receberem a notícia da comunhão concedida pelo Papa aos novos Bispos, reuniram-se em festa ao redor deles; mas causou desgosto a presença no rito sacramental de alguns Bispos que não estão em comunhão com a Santa Sé.

Os católicos chineses, quer na China quer noutros partes do mundo, rezam para que se tornem realidade «os votos de que, através de um diálogo respeitoso e aberto entre a Santa Sé e os Bispos chineses, por um lado, e as Autoridades governamentais, por outro, possam ser superadas as dificuldades mencionadas e assim se chegue a um entendimento proveitoso que beneficiará a comunidade católica e a convivência social» (Carta de Bento XVI à Igreja na China, 27-V-07, n. 12).



EUROPA


FAMÍLIA E MATRIMÓNIO

PREOCUPAM BISPOS


O matrimónio e a família no novo contexto europeu ocupou o dia de trabalho dos Presidentes das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), reunidos em Fátima de 4 a 7 de Outubro passado.


Aumento dos divórcios e dos abortos, diminuição de casais que contraem matrimónio, aumento de uniões de facto, de famílias mono-parentais e de crianças nascidas fora do casamento; crescem formas de convivência com e sem reconhecimento civil, assim como o casamento tardio entre jovens – são tudo elementos comuns aos vários países europeus e retrato partilhado que preocupa os Presidentes das Conferências Episcopais.

O Presidente da CCEE, o Cardeal Peter Erdö (Hungria), afirmou que «é difícil tomar uma decisão de matrimónio actualmente. As relações pré-matrimoniais estão muito difundidas na Europa… A economia ocidental pede uma sociedade que mude rapidamente e num ritmo que não é favorável à estrutura humana psicológica».

A partilha de cada país recaiu nas competências pastorais que se podem desenvolver, nomeadamente no «acompanhamento ao matrimónio não só do ponto de vista religioso, mas também cultural e psíquico», indicou o Cardeal Erdö, acrescentando ainda o apoio ao matrimónio através de movimentos espirituais que «apoiam a famílias que estão em crise e pessoas que vêm de um casamento em crise».

O Cardeal Jean Pierre Ricard (França), Vice-presidente da CCEE, sublinhou «a necessidade de uma coragem civil para fazer valer o ideal de um matrimónio cristão, que deve ser reforçado na sociedade. Já o Concílio Vaticano II afirmava que um dos trabalhos específicos dos leigos católicos era trabalhar para formar a realidade da Terra segundo o Evangelho».

«A Igreja é chamada a investir na formação dos jovens casais, de novos centros pastorais. Hoje a Igreja na Europa reafirma que o futuro da sociedade europeia passa pela família. Se a perder, perderá o seu futuro. É necessária uma grande formação de consciência», acrescentou o Cardeal francês.



UNIÃO EUROPEIA


BISPOS SAÚDAM ACORDO

DO TRATADO REFORMADOR


A Comissão dos Episcopados da União Europeia (COMECE) saúda «com alívio o anúncio do acordo sobre o novo Tratado Internacional para a UE».


O Secretário geral da COMECE, Mons. Noel Treanor, afirma ser «um compromisso de esperança que relança a construção europeia».

O acordo, estabelecido no passado dia 19 de Outubro na Cimeira de Lisboa entre os Chefes de Estado e de Governo dos 27 Estados membros, põe fim a quatro anos de tentativas difíceis e de crise institucional, após a rejeição do pretendido «Tratado Constitucional» por referendos na França e na Holanda em 2005.

A COMECE saúda particularmente a introdução do artigo 15b sobre o funcionamento da UE, que estipula que «a União respeite e não prejudique o estatuto de que beneficiam, em virtude do direito nacional, as Igrejas e as associações ou comunidades religiosas nos Estados membros»; e, sobretudo, «reconhecendo a sua identidade e a sua contribuição específica, a União mantém um diálogo aberto, transparente e uniforme com estas Igrejas e organizações».

Com base neste artigo, que introduz uma nova disposição nos Tratados, as instituições da UE comprometem-se com um diálogo mais aprofundado com as Igrejas, permitindo assim aos cristãos acompanhar mais eficazmente o processo de construção europeia que caminha para uma União mais solidária e mais justa para os cidadãos europeus, uma União mais responsável face aos grandes desafios mundiais –, comenta o Bispo da COMECE.

A COMECE nota com interesse que o novo Tratado introduz um preâmbulo que reconhece «as heranças culturais, religiosas e humanistas de Europa, a partir das quais se desenvolveram os valores universais que constituem os direitos invioláveis e inalienáveis da pessoa humana, assim como a liberdade, a democracia, a igualdade e o Estado de direito». No entanto, Mons. Noel Treanor lembra que «o debate sobre as raízes cristãs da Europa é benéfico para a reflexão acerca da identidade europeia e tem portanto de permanecer actual».


Ratificação


O Tratado Reformador, que apenas será assinado pelos chefes de Estado e dos governos dos 27, em 13 de Dezembro em Lisboa, «será ratificado por referendo na Irlanda e por via parlamentar nos outros Estados membros», segundo o Secretário Geral da COMECE, que aconselha os cristãos a reflectirem nos próximos meses sobre as questões de forma a estarem preparados para o debate europeu.

«O Tratado, apesar das suas lacunas e complexidades, representa para a UE uma alargada e satisfatória solução institucional. Introduz reformas no processo de decisão que permitirá seguir a construção europeia com bases eficientes e justas».

Mons. Noel Traenor finaliza o comunicado recordando palavras recentes de Bento XVI: «ainda que, em alguns aspectos, seja possível fazer críticas justificadas sobre algumas instituições europeias, o processo de unificação é um trabalho de grande alcance, que permitiu a este Continente, durante muito tempo minado por conflitos e guerras desastrosas, viver um período de paz, que antes não conhecia».



INGLATERRA


CARDEAIS PEDEM MUDANÇA

DA LEI DO ABORTO


Os Presidentes das Conferências Episcopais de Inglaterra e Gales e da Escócia declararam que o número de abortos nos seus países é uma fonte de angústia para todos, independentemente do seu credo ou convicções políticas, e pedem mudança da lei do aborto.


O Cardeal Cormac Murphy O’Connor, presidente da Conferência Episcopal da Inglaterra e Gales e o Cardeal Keith O’Brien, presidente da Conferência Episcopal da Escócia, publicaram uma carta por ocasião do 40.º aniversário da Lei de Aborto de 1967.

Os prelados afirmam que o desenvolvimento tecnológico nestes 40 anos produziu uma nova compreensão sobre o início da vida humana. «A biologia evolutiva deixa cada vez mais claros os maravilhosos processos de desenvolvimento e crescimento contínuo do organismo único formado na concepção».

Os Cardeais lamentam ter no seu país «uma das leis de aborto mais liberais da Europa, com aborto até às 24 semanas e aborto em caso de invalidez, e, em outros casos, até ao nascimento». A missiva indica que são realizados cerca de 200.000 abortos em cada ano.

«Consideramos que o aborto não é só uma opção pessoal, mas tem a ver com as opções de nossa sociedade para ajudar as mulheres, seus cônjuges e famílias nessas situações. Se a nossa sociedade faz da vida a sua opção, não há razão para que a criança, a mãe e o pai e inclusive toda a família não possam crescer até à plenitude».

Os Cardeais propõem sete passos para ajudar à mudança, incluindo «respeitar e apoiar a decisão de quem, no serviço de saúde, rejeita realizar ou assistir abortos por motivos de consciência», assim como o desenvolvimento de melhores programas educativos.



RÚSSIA


NOVO ARCEBISPO DE MOSCOVO


O novo Arcebispo católico de Moscovo, Mons. Paolo Pezzi, tomou posse da diocese no sábado dia 27 de Outubro passado, deixando clara a vontade de dialogar com a Igreja Ortodoxa russa.


Perante 1500 fiéis, 200 sacerdotes e representantes do clero ortodoxo, o novo Arcebispo assumiu o governo da diocese moscovita, substituindo Mons. Tadeusz Kondrusiewicz, transferido para Minsk, na Bielorrússia.

Mons. Paolo Pezzi é italiano, nasceu em 1960 e pertence ao Movimento Comunhão e Libertação. Fez os seus estudos de Filosofia e Teologia entre 1985 e 1990 na Universidade Pontifícia de S. Tomás. Foi ordenado sacerdote em 1990, incardinado na «Fraternidade Sacerdotal dos Missionários de São Carlos Borromeu» daquele Movimento. Posteriormente obteve o doutoramento em Teologia Pastoral pela Universidade Lateranense com o tema «Os católicos na Sibéria: as origens, as perseguições, hoje».

Foi decano da região central da Sibéria, na actual diocese da Transfiguração em Novosibirsk (1993-1998); Vigário Geral da sua Fraternidade Sacerdotal (1998-2005); e desde 1998 até hoje, o responsável pelo Movimento Comunhão e Liberação na Rússia.

A Arquidiocese da Mãe de Deus (Moscovo) tem uma superfície de mais de dois milhões de quilómetros quadrados e uma população de quase 59 milhões de habitantes, dos quais apenas 200 mil são católicos. Conta com 128 sacerdotes e 267 religiosos.

Durante a celebração da posse, foi lida uma mensagem do Patriarca Alexis II de Moscovo, que desejava «boas relações entre ortodoxos e católicos e uma pronta resolução dos problemas entre nós».



IRLANDA


GRUPO DE ANGLICANOS

PEDE ENTRADA NA IGREJA CATÓLICA


Três paróquias da chamada Igreja da Irlanda, ramo irlandês da Igreja Anglicana, solicitaram ser recebidas no seio da Igreja Católica, juntamente com outros anglicanos do resto do mundo, informou o semanário «The Irish Catholic».


As paróquias anglicanas, localizadas nos condados irlandeses de Down, Tyrone e Laois, pertencem ao chamado «rito tradicional» dentro da Igreja da Irlanda. Anglicanos de outros 12 países assinaram uma carta dirigida ao Vaticano solicitando «união plena, corporativa e sacramental» com a Igreja Católica, sob a autoridade do Papa.

Também segundo o jornal, embora a decisão afecte apenas algumas centenas de anglicanos na Irlanda, se o pedido for aceite pelo Vaticano, poderia abrir as portas para que 400 mil anglicanos em todo o mundo venham a fazer parte da Igreja Católica.

O «rito tradicional» da Igreja da Irlanda surgiu em 1991, depois de a Igreja Anglicana ter permitido a ordenação sacerdotal de mulheres.

Após a reunião plenária da Comunhão Anglicana Tradicional, foi decidido que nenhum membro do colégio de bispos concederia entrevistas até que a Santa Sé considere a carta e lhe responda.








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