Apresentação do Senhor

02 de Fevereiro de 2008

Festa


BÊNÇÃO E PROCISSÃO DAS VELAS


Primeira forma: Procissão


  1. À hora marcada, reúnem-se os fiéis numa igreja secundária ou noutro local apropriado, fora da igreja para a qual se dirigirá a procissão. Os fiéis têm nas mãos as velas apagadas.


  1. O sacerdote aproxima-se, acompanhado dos ministros, revestido com paramentos brancos como para a Missa. Em vez da casula pode levar o pluvial, que deporá no fim da procissão.


  1. Enquanto se acendem as velas, canta-se a antífona: o Senhor virá com poder e iluminará os olhos dos seus servos, Aleluia, ou outro cântico apropriado.


  1. O sacerdote saúda a assembleia como habitualmente e em seguida faz uma breve admonição para exortar os fiéis a celebrarem activa e conscientemente este rito festivo. Para isso, pode dizer estas palavras ou outras semelhantes:


Caríssimos irmãos:

Celebrámos com muita alegria, há quarenta dias, a solenidade do Natal do Senhor.

Hoje é o santo dia em que Jesus foi apresentado no templo por Maria e José. Exteriormente cumpria as prescrições da lei, mas na realidade vinha ao encontro do seu povo fiel.

Aqueles dois santos velhos, Simeão e Ana, tinham vindo ao templo sob a inspiração do Espírito Santo; iluminados pelo Espírito, reconheceram o Senhor e anunciavam-no a todos com entusiasmo.

Também nós, aqui reunidos pelo Espírito Santo, caminhemos para a casa do Senhor ao encontro de Cristo. Aí O encontraremos e O reconheceremos na fracção do pão, enquanto aguardamos a sua vinda gloriosa.


  1. Terminada a admonição, o sacerdote procede à bênção das velas, dizendo de mãos juntas:


Oremos:

Senhor nosso Deus, fonte e origem de toda a luz, que neste dia mostrastes ao Santo velho Simeão a luz que veio para se revelar às nações, humildemente Vos suplicamos: santificai com a vossa bênção estas velas e ouvi a oração do vosso povo que se reuniu para as levar solenemente em honra do vosso nome, de modo que, seguindo sempre o caminho da virtude, chegue um dia à luz que jamais se extingue. Por Nosso Senhor...


Ou então:


Oremos:

Senhor Deus, fonte e origem da luz eterna, infundi no coração dos fiéis a claridade da luz que não tem ocaso, para que todos nós, iluminados no vosso templo santo pelo esplendor destas luzes, mereçamos chegar um dia à luz da vossa glória. Por Nosso Senhor...


E asperge as velas com água benta sem dizer nada.


  1. Seguidamente, o sacerdote recebe a vela que está preparada para ele e dá início à procissão, dizendo:


Caminhemos em paz ao encontro de Cristo.


  1. Durante a procissão, canta-se a seguinte antífona com o respectivo cântico, ou outro cântico apropriado:



Antífona: Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.


Agora, Senhor, segundo a vossa palavra,

deixareis ir em paz o vosso servo.


Antífona: Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.


Os meus olhos viram a salvação

que oferecestes a todos os povos.


Antífona: Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.


  1. Ao entrar a procissão na igreja, canta-se a antífona de entrada da Missa. O sacerdote, depois de chegar ao altar, faz a devida reverência e, se parecer oportuno, incensa-o. Depois vai para a sua sede; ali, depõe o pluvial (se foi usado na procissão) e veste a casula.


Segue-se o canto do Glória, depois do qual, como de costume, diz a Oração Colecta. A Missa continua na forma habitual.



Segunda forma: Entrada Solene


  1. Os fiéis reúnem-se na igreja com as velas na mão. O sacerdote, revestido de paramentos brancos, acompanhado dos ministros e de uma representação da assembleia, dirige-se para o lugar mais conveniente, à porta da igreja ou dentro dela, onde ao menos uma grande parte dos fiéis possa ver facilmente o rito e participar nele.


  1. Quando o sacerdote tiver chegado ao lugar destinado para a bênção das velas, acendem-se as velas, enquanto se canta a antífona O Senhor virá com poder, ou outro cântico apropriado.


  1. Em seguida, o sacerdote, depois da saudação e da admonição, procede à bênção das velas, como acima se indica (nn. 4-5). Segue-se a procissão em direcção ao altar, durante a qual se canta a antífona própria ou um cântico apropriado (nn. 6-7). Para a Missa, observe-se o que está indicado no n. 8.



RITOS INICIAIS


Cântico de entrada: O Senhor do Universo, F da Silva, NRMS 21

Salmo 47, 10-11

Antífona de entrada: Recordamos, Senhor, a vossa misericórdia no meio do vosso templo. Toda a terra proclama o louvor do vosso nome, porque sois justo e santo, Senhor nosso Deus.


Introdução ao espírito da Celebração


A festa que celebramos tem uma profunda relação com o Mistério de Natal e com a Páscoa.

Cristo, Filho de Deus, veio ao nosso encontro pelo mistério da Encarnação. É a festa da chegada do Senhor que vem salvar o seu povo. São também assinalados os sinais da sua doação no mistério pascal. Cristo é apresentado como oblação para todos os povos.

De forma sublime fica também patente e revelada a profunda relação, participação, compromisso e missão de Maria na obra de Jesus Cristo.

Mas também cada um de nós, pelo baptismo é incorporado e é interpelado ao compromisso com a Pessoa de Jesus Cristo. Cada um é chamado a acolher esta maravilhosa dádiva da salvação e a ser enviado em Missão.

Que na nossa vida Cristo brilhe como luz.


Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, humildemente Vos suplicamos que, assim como o vosso Filho Unigénito foi neste dia apresentado no templo, revestido da natureza humana, assim também, de alma purificada, nos apresentemos diante de Vós. Por Nosso Senhor...



Liturgia da Palavra


(Quando esta festa não ocorre ao domingo, escolhe-se apenas uma das seguintes leituras antes do Evangelho)


Primeira Leitura


Monição: A ansiosa espera do Salvador, do Messias, realiza-se como surpresa misericordiosa de Deus. É a festa da Chegada e do encontro. Ele mesmo será oblação perfeita e agradável.


Malaquias 3, 1-4

2Assim fala o Senhor Deus: «Vou enviar o meu mensageiro, para preparar o caminho diante de Mim. Imediatamente entrará no seu templo o Senhor a quem buscais, o Anjo da Aliança por quem suspirais. Ele aí vem – diz o Senhor do Universo –. 2Mas quem poderá suportar o dia da sua vinda, quem resistirá quando Ele aparecer? Ele é como o fogo do fundidor e como a lixívia dos lavandeiros. 3Sentar-Se-á para fundir e purificar: purificará os filhos de Levi, como se purifica o ouro e a prata, e eles serão para o Senhor os que apresentam a oblação segundo a justiça. 4Então a oblação de Judá e de Jerusalém será agradável ao Senhor, como nos dias antigos, como nos anos de outrora.


A leitura é um pequeno extracto da passagem (2, 17 – 3, 5) relativa aos tempos escatológicos – o dia do Senhor –, em que se dará uma radical purificação do sacerdócio («os filhos de Levi», v. 3).

1 «Anjo da Aliança». Ele é o próprio Senhor «por quem suspirais». A profecia teve o seu pleno cumprimento em Jesus Cristo, o Filho de Deus enviado à terra. A vinda deste «Anjo da Aliança» será preparada por um «mensageiro», que, segundo a interpretação dada em Mt 11, 10, é João Baptista, o Precursor. Daqui o facto de na Liturgia se dar o titulo de Santo Anjo a Cristo.

Tenha-se em conta que, por vezes, no Antigo Testamento, se designa com o nome de Anjo o próprio Deus que se manifesta: assim em Gn 16, 7.13 e Ex 3, 2, etc.. Nestes casos, «anjo» não tem o sentido corrente de enviado de Deus, mas o de presença ou manifestação visível de Deus.


Salmo Responsorial Salmo 23 (24), 7.8.9.10 (R. 10b)


Monição: Cantemos este maravilhoso salmo de louvor e de glória ao nosso Deus que se revestiu da nossa humanidade. Todo o nosso amor é pequeno para o receber e se deixar tocar pela sua glória.


Refrão: O Senhor do Universo é o Rei da glória.


Levantai, ó portas, os vossos umbrais,

alteai-vos, pórticos antigos,

e entrará o Rei da glória.


Quem é esse Rei da glória?

O Senhor forte e poderoso,

o Senhor poderoso nas batalhas.


Levantai, ó portas, os vossos umbrais,

alteai-vos, pórticos antigos,

e entrará o Rei da glória.


Quem é esse Rei da glória?

O Senhor dos Exércitos,

é Ele o Rei da glória.



Segunda Leitura


Monição: Jesus Cristo veio em auxílio de cada um de nós. A misericórdia, a graça, o perdão dos nossos pecados são dons generosos deste Sumo Sacerdote que oferece continuamente a vida por nós.


Hebreus 2, 14-18

14Uma vez que os filhos dos homens têm o mesmo sangue e a mesma carne, também Jesus participou igualmente da mesma natureza, para destruir, pela sua morte, aquele que tinha poder sobre a morte, isto é, o diabo, 15e libertar aqueles que estavam a vida inteira sujeitos à escravidão, pelo temor da morte. 16Porque Ele não veio em auxílio dos Anjos, mas dos descendentes de Abraão. 17Por isso devia tornar-Se semelhante em tudo aos seus irmãos, para ser um sumo sacerdote misericordioso e fiel no serviço de Deus, e assim expiar os pecados do povo. 18De facto, porque Ele próprio foi provado pelo sofrimento, pode socorrer aqueles que sofrem provação.


Este trecho de Hebreus – para ser lido nos anos em que a festa coincide com um domingo – foi escolhido tendo em vista que em Jesus se cumpre plenamente o anúncio de Malaquias (cf. 1ª leitura) de uma renovação radical do sacerdócio, com a instituição da nova aliança com o seu sangue, tendo já entrado de uma vez para sempre no santuário (8, 1-2), figurado no Templo. A apresentação de Jesus no Templo tem um profundo significado simbólico.

18 Aqui está uma ideia em que se insiste na Epístola aos Hebreus: Jesus Cristo, sujeitando-se à provação e padecendo, tomando sobre Si todas as nossas fraquezas, excepto o pecado (4, 15), está em condições de nos prestar ajuda a nós que sofremos as mesmas contrariedades. É este um extraordinário motivo de confiança em Jesus Cristo, na sua ajuda omnipotente, na sua mediação em que concilia a misericórdia para connosco com a fidelidade para com o Pai, na sua missão de expiar os pecados do povo (v. 17).



Aclamação ao Evangelho Lc 2, 32


Monição: No templo Maria aparece como discípula de Cristo: procura-O, escuta-O, aceita-O e compromete-se com Ele.

Dá um sim como na encarnação. Este sim revela a sua grande maturidade humana e espiritual. Guarda os acontecimentos no seu coração vivendo a entrega em profunda humildade e na sintonia total com o «processo» ou «plano» que Deus quer realizar.

Será que este evangelho nos interpela como a Maria de Nazaré?


Aleluia


Cântico: Aclamação – 4, F. da Silva, NRMS 50-51


Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.



Evangelho *


* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.


Forma longa: São Lucas 2, 22-40 Forma breve: São Lucas 2, 22-32

22Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, 23como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor», 24e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. 25Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel e o Espírito Santo estava nele. 26O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor 27e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, 28Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: 29«Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, 30porque os meus olhos viram a vossa salvação, 31que pusestes ao alcance de todos os povos: 32luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo».

[33O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d’Ele se dizia. 34Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição – 35e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». 36Havia também uma profetiza, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada 37e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. 38Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. 39Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. 40Entretanto, o Menino crescia e tornava-Se robusto, enchendo-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.]


A ida de Maria a Jerusalém para cumprir a lei da purificação das parturientes (Lv 12) serve de ocasião para que José e Maria procedam a um gesto que não estava propriamente prescrito pela Lei. Apresentar ali o Menino ao Senhor, é um gesto de oferta que mostra que Ele não lhes pertence e que se sentem meros depositários dum tesoiro de infinito valor. Pode também ver-se o sentido de imitação do gesto de Ana, mãe de Samuel (Sam 1, 11.22-28). Mas se a lei não preceituava a «apresentação», obrigava ao resgate do primogénito varão (não pertencente à tribo de Levi). Segundo Ex 13, o primogénito animal devia ser oferecido em sacrifício, ao passo que o primogénito humano devia ser resgatado, tudo isto em reconhecimento pelos primogénitos dos israelitas não terem sido sacrificados juntamente com os dos egípcios. O preço do resgate eram 5 siclos do santuário. Cada siclo de prata, no padrão do santuário, constava de vinte grãos com o peso total de 11,4 gramas. S. Lucas não fala deste resgate de 57 gramas de prata, que podia ser pago a qualquer sacerdote em qualquer parte da nação judaica; o evangelista apenas faz uma referência genérica ao cumprimento da Lei (v. 23; cf. Ex 13, 2.12-13).

24 A lei da purificação atingia toda a parturiente, a qual contraía impureza legal durante 7 dias, se dava à luz um rapaz, (Ex 12, 28, mas a jurisprudência judaica já tinha acrescentado mais 33 dias, um total de 40) e durante 14 dias, se tinha uma menina (tinha subido na época para 80 dias). No fim desse tempo, devia ser declarada pura mediante a oferta no templo duma rês menor (podia ser um cordeiro) e duma pomba ou rola. Quando a mãe não dispunha de meios para oferecer uma rês menor, podia oferecer um par de pombas ou rolas, como aqui se refere.

Tenha-se em conta que a «impureza legal ou ritual» não incluía a noção de pecado, ou de impureza moral. De modo particular todas as coisas relativas à transmissão da vida, mesmo no caso de serem moralmente boas, como a maternidade e o uso legítimo do matrimónio, ou moralmente indiferentes, como a menstruação e a polução nocturna, tornavam a pessoa impura, isto é, inapta para o culto de Deus Santo. A razão disto estava no carácter sagrado da vida e da sua transmissão. Parece que tudo isto implicava alguma perda de vitalidade, que devia ser reparada mediante certos ritos, para de novo poder entrar em comunhão com Deus, a plenitude e a fonte da vida. Estas leis tinham uma finalidade eminentemente didáctica: o povo de Israel era um povo santo, especialmente dedicado a Deus e ao seu culto, e em comunhão com Ele (cf. Ex 19, 5-6; Lv 19, 2). Todas as normas de pureza ritual faziam-no tomar constantemente consciência das suas relações particularíssimas com Deus e do sentido cultual da sua vida diária. A verdade é que a frequência e abundância dos ritos nem sempre foi alicerçada num coração dedicado a Deus, tendo degenerado no formalismo religioso tão denunciado pelos profetas e por Jesus Cristo (cf. Is 29, 13; Mt 15, 7-9).

Em face disto, o rito da Purificação de Maria, não pressupõe a aparência sequer de qualquer imperfeição moral ou legal da parte da SSª Virgem, como se poderia pensar. O gesto de Maria aparece como uma singular lição de naturalidade, de obediência e de pureza, cumprindo uma lei a que não estava sujeita, por ser a aeiparthénos, a sempre Virgem; Maria, a tão privilegiada, não quer para si um regime de excepção e privilégio.

25 «Simeão», de quem não temos mais notícias (em parte nenhuma se diz que era velho), aparece como um dos «piedosos» do judaísmo que esperava não um messias revolucionário (como os zelotas), mas o verdadeiro Salvador – «a consolação de Israel». Apesar do que se diz no v. 34, não parece ser sacerdote, não estando no serviço do templo, mas tendo vindo lá «movido pelo Espírito» (v. 27). Há quem o considere filho do grande rabino Hillel e pai do célebre Gamaliel I (Vacari; cf. Act 5, 34; 22, 3), mas sem provas convincentes.

33 A naturalidade com que S. Lucas chama a S. José «pai de Jesus» não implica qualquer contradição com o que antes afirmou em 1, 26-38. Aqui visa o poder e missão paterna, de modo nenhum a ascendência carnal.

35 «Assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». Estas palavras ligam-se a «sinal de contradição». É que, diante de Jesus, não há lugar para a neutralidade: a sua pessoa, a sua obra e a sua mensagem fazem com que os homens revelem o seu interior, tomando uma atitude pró ou contra; a aceitação e a fé será, para muitos, motivo de salvação, ou «ressurgimento espiritual» (de que «se levantem»), ao passo que a rejeição culpável será motivo de que muitos se condenem (de que «muitos caiam»).

36-37 Põe-se em relevo a sua longa viuvez, como algo digno de veneração.

38 Não se afasta do Templo: hipérbole para indicar a frequência diária.

39 Este v. corresponde a Mt 2, 23, mas Lucas não relata aqui a fuga para o Egipto.

40 A Teologia explicita que «o Menino crescia», não só na manifestação da sabedoria, mas também no conhecimento experimental.


Sugestões para a homilia


«Entrará no Seu Templo o Senhor…».

«Os meus olhos viram a Vossa Salvação».

«Tornou-se semelhante em tudo aos seus irmãos».

O Evangelho dos Pobres – Programa dos Discípulos


Homilia

«Entrará no Seu Templo o Senhor…».

O Livro do Profeta Malaquias procura retratar o amor incondicional de Deus ao seu Povo, a sua paciente e misericordiosa fidelidade à Aliança. Mas retrata também a não correspondência a este maravilhoso Deus de amor.

Deus «queixa-se» de tanta ingratidão, do desprezo a que é votado; de como perverteram os seus ensinamentos; do afastamento e infidelidade à Aliança; de uma religião «pesada» e ritualista, sem consequência na vida pessoal e comunitária.

Este quadro conduz o Povo à dissolução moral, ao não cumprimento da justiça e do amor; ao abandono e exploração dos pobres e dos pequeninos; ao culto reduzido ao puro ritualismo, vazio, incoerente e inconsequente.

Mas o amor deste Deus que é graça e misericórdia clama: purificai-vos (fogo/lixívia); voltai para mim, vereis a justiça, vereis a luz

«Os meus olhos viram a Vossa Salvação».

Toda a Palavra de Deus é a constatação do Deus que é Dom e Misericórdia.

Deus irrompe no meio do seu povo de forma surpreendente e maravilhosa. A entrada no Templo como expressão do Encontro, da Festa, da Comunhão é afirmada por meio de sinais grandiosos. Assim também proclama o salmo responsorial. O sinal é Jesus Cristo, o seu mistério Pascal.

São Lucas apresenta o cumprimento das promessas: Jesus Cristo, Filho de Deus e de Maria, é o Messias esperado, o rosto amoroso de Deus, o Salvador para todas as nações e povos.

Simeão e Ana são o símbolo do Povo de Israel que permanece fiel à Aliança. São o símbolo de uma oração bíblica e encarnada na vida, de oração sincera e autêntica. São o símbolo dos que viveram segundo o Espírito de Deus, e agora são testemunhas da maravilhosa surpresa de Deus no meio do seu Povo.

Simeão apresenta Jesus não já como pertença ao Povo de Israel, mas a todas os povos e nações. E Maria, nas palavras de Simeão, é fortemente relacionada com a Missão do Messias: «uma espada trespassará a tua alma».

O papel maravilhoso de compromisso, de testemunha e de discípulo dá-se em Maria. Opera-se como consequência da Encarnação e da Maternidade, mas também no anunciado martírio de maternidade universal.

Por isso Maria é o símbolo mais transparente e genuíno da Igreja, do Povo de Deus. No pensamento do Concilio a Igreja está chamada a ser o que Maria foi na sua Pessoa (LG 63 e 64).

São os Pobres que vivendo na segurança e no amor de Deus se comprometem verdadeiramente com Ele. Maria e José oferecem segundo o prescrito na Lei a oferta dos pobres: um par de rolas ou duas pombinhas. Neles o culto é a vida e é o amor. Por isso aquela oblação foi única: a oferta do Verdadeiro Cordeiro de Deus, Jesus Cristo, e suas próprias vidas, totalmente comprometidas com este projecto.

«Tornou-se semelhante em tudo aos seus irmãos».

A linguagem do amor e entrega de Deus torna-se perfeita comunicação ao fazer-se igual a nós.

O Templo que Jesus Cristo penetra é a própria Humanidade. Sendo este momento celebração da glória de Deus é por essa razão momento de celebração da glória humana. A glória do verdadeiro homem é Jesus Cristo. Em Cristo se ilumina todo o sentido e fundamento do Homem e claramente lhe são perspectivadas insondáveis riquezas.

Cristo veio cuidar-nos, ajudar-nos, socorrer-nos, servir-nos. Nele por Ele e com Ele compreendemos a grandeza da nossa vida, a glória a que estamos chamados e a experimentar a força do seu mistério pascal na vitória sobre o pecado e a morte.

O Evangelho dos Pobres – Compromisso de discípulos.

Na sequência do Seu Natal também aqui os pequeninos e os insignificantes são escolhidos como fiéis e dóceis interpretes desta salvação que se opera. Envolvidos por esta relação de amor, vivendo a alegria deste encontro tornam-se testemunhas do Messias, do Filho de Deus. Por isso cada um está chamado ao compromisso com a Pessoa e Missão de Jesus Cristo. Somos convidados a uma vida sintonizada com a beleza de toda a História de Salvação e a assumi-la:

Pela conversão total a Deus, sem medo e com responsabilidade. Pela vivência da religião e do culto como uma relação amorosa com incidência na vida, nos compromissos e opções. Pela acção do Espírito Santo que permite «ver» a salvação e partilhá-la com alegria e como anúncio da Palavra e da Vida. Pelo testemunho pessoal de uma vida coerente e santa.

Especial interpelação à família. As famílias sentem-se muitas vezes tentadas e seduzidas a uma educação que leve ao êxito, à busca de primeiros lugares, à competição egoísta, ao desejo de poder, de riqueza, de beleza, de ser estrela!

É forçoso e necessário educar para a Fé, para a relação pessoal e sincera com Deus, para a bondade, a humildade, o espírito de serviço, o reconhecimento da dignidade de cada pessoa. É necessário educar para o amor numa sadia relação de gerações e na escuta e testemunho dos mais velhos, dos idosos.

Os pais são os primeiros e fundamentais educadores da fé. Por isso os filhos necessitam de ver e palpar neles uma autêntica relação com Deus. A presença de Deus nas suas vidas deve ser notório como acontecimento de alegria e não um peso, um «frete», uma religião de mero cumprimento ritualista sem incidência na vida.

O testemunho da coerência, isto é, necessitam os filhos perceber a unidade de vida: não há desfasamento entre a relação com Deus e a relação com a família, com os outros e com a vida concreta.

O Testemunho do compromisso em Igreja e na sociedade. Os filhos necessitam de ver os pais comprometidos com a Igreja. Deve ser um compromisso que não os absorva completamente, mas que permita experimentar a inserção na comunidade, o amor concreto a Deus e aos irmãos. Será uma das melhores lições contra o individualismo e egoísmo dominante que impedem de ser pessoa.

O Testemunho de Igreja doméstica. Também no esforço de criar na família uma verdadeira experiência de Igreja: oração, serviço, partilha, perdão, ajuda mútua. Para tal seria também importante que cada família conseguisse no seu lar um espaço físico para a oração (quarto/sala?), algum símbolo religioso (Bíblia, Imagem?). Também gestos concretos de partilha. Experiência de serviço. E sempre o diálogo, o perdão e a paz.

Testemunho de um profundo amor a Deus: cuidar da maneira como se fala de Deus e sobre Deus, de forma positiva, alegre, respeitosa, de fé e de amor. E nesta sequência cuidar da maneira como se fala da Igreja e dos sacerdotes. Se tudo é criticado e banalizado como se pode ter amor a Deus à Igreja ou até encontrar a vocação sacerdotal ou de consagração?

Testemunho de amor Mariano: o amor a Nossa Senhora é essencial na experiência da fé e no seguimento de Jesus Cristo, do compromisso com a Igreja e com todas as pessoas.



Oração Universal


Convocados pelo Espírito Santo

para celebrar a Apresentação do Senhor,

unamo-nos a Maria e a José,

a fim de sermos nós também apresentados Deus Pai,

dizendo com alegria:


R. Iluminai-nos, Senhor, com a luz de Cristo.

Ou: Iluminai, Senhor, o vosso povo.

Ou: Maria, Mãe de Jesus, intercedei por nós.


1. Para que a Igreja, templo santo do Senhor

e sinal do encontro entre Deus e o homem,

leve às nações o Evangelho e a luz de Cristo,

oremos, irmãos.


2. Para que Maria, mulher atenta à voz de Deus,

Esposa dedicada e Mãe solícita,

Nos ensine a ser fiéis como ela,

Oremos, irmãos.


3. Pelo o Santo Padre Bento XVI,

o nosso Bispo N. e todos os presbíteros e diáconos,

pelas religiosas e religiosos,

pelos membros dos Institutos Seculares,

e por todos os comprometidos com a missão da Igreja,

para que dóceis ao Espírito Santo, amem Jesus Cristo

e o Sirvam na pessoa dos irmãos,

oremos, irmãos.


4. Para que os responsáveis pelas nações e suas leis

respeitem a vida humana, a igualdade dos cidadãos

e promovam o bem-estar de todos,

Oremos, irmãos.


5. Para que os casais jovens, as famílias e os idosos

das nossas comunidades vejam em Cristo a salvação

que Deus nos deu e haja entre todos o carinho,

a compreensão, a alegria e o testemunho,

oremos, irmãos.


6. Para que as crianças sejam acolhidas com amor,

e venham a conhecer e a amar o Deus maravilhoso

revelado em Jesus Cristo, Seu Filho e Filho de Maria,

oremos, irmãos.


7. Para que os membros das nossas famílias,

e todos os que partiram deste mundo,

cantem sempre os louvores do Rei da glória,

Oremos, irmãos.



Senhor, nosso Deus,

que em vosso Filho, apresentado no templo,

manifestastes ao mundo a luz das nações,

fazei que a vossa Igreja, iluminada pelo Espírito Santo,

cresça em santidade e se encha de sabedoria.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo...



Liturgia Eucarística


Cântico do ofertório: Cantemos todos em coro, Az. Oliveira, NRMS 88


Oração sobre as oblatas: Senhor, que na vossa bondade quisestes que o vosso Filho Unigénito Se oferecesse a Vós como Cordeiro sem mancha pela vida do mundo, fazei que Vos seja agradável a oblação da vossa Igreja em festa. Por Nosso Senhor...


Prefácio


Cristo, luz das nações


V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.


V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.


V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.


Senhor, Pai Santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte. Hoje o vosso Filho, eterno como Vós, é apresentado no templo e proclamado pelo Espírito Santo glória de Israel e luz das nações. Por isso, vamos com alegria ao encontro do Salvador e com os Anjos e os Santos proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:


Santo: F. da Silva, NRMS 14


Monição da Comunhão


Acolher a Cristo deve levar-me a uma atitude de alegria, de anúncio, de testemunho. O verdadeiro encontro com Deus, a religião verdadeira, leva à comunhão com Deus e com os irmãos.


Cântico da Comunhão: Os meus olhos viram a salvação, S. Marques, NRMS 88

Lc 2, 30-31

Antífona da comunhão: Os meus olhos viram a salvação que oferecestes a todos os povos.


Cântico de acção de graças: Deixai-me saborear, F. da Silva, NRMS 17


Oração depois da comunhão: Deus de bondade, que respondestes à esperança do Santo Simeão, confirmai em nós a obra da vossa graça: assim como lhe destes a alegria de receber em seus braços, antes de morrer, a Cristo vosso Filho, concedei que também nós, fortalecidos por estes sacramentos, caminhemos ao encontro do Senhor e alcancemos a vida eterna. Por Nosso Senhor...



Ritos Finais


Monição final


Só na abertura a Cristo a humanidade pode encontrar a luz. Sem Ele vivemos nas trevas, corremos o risco da solidão, do individualismo, da tristeza e do fracasso.

Possa eu ser dócil ao Espírito Santo. Ser servo fiel e testemunha das maravilhas de Cristo Jesus. Possa ser discípulo fiel na família e em todas as realidades e todos os ambientes.

Saiba eu apresentar a vida, com alegria e esperança, pela força do mistério pascal de Cristo.

Possa eu, à maneira da Mãe de Jesus Cristo, Mãe de Deus, fazer da minha vida e missão oferta à salvação de todos.


Cântico final: Aleluia! Glória a Deus, F. da Silva, NRMS 92




Celebração e Homilia: Armando Rodrigues Dias

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha



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