Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo


Missa da Aurora

25 de Dezembro de 2007



RITOS INICIAIS


Cântico de entrada: Hoje sobre nós, M. Faria, NRMS 4 (I)

cf. Is 9, 2.6; Lc 1, 33

Antífona de entrada: Hoje sobre nós resplandece uma luz: nasceu o Senhor. O seu nome será Admirável, Deus forte, Pai da eternidade, Príncipe da paz. E o seu reino não terá fim.


Diz-se o Glória.


Introdução ao espírito da Celebração


A Igreja celebra mais um aniversário do Nascimento do Deus Menino. Com os textos da Missa da Vigília recorda-nos que Jesus vem inserir-se na História da família humana. A missa da meia-noite celebra o cumprimento das profecias: Um Menino nasceu para nós! É o Messias, o Salvador tão desejado. A Liturgia da Palavra da Missa da Aurora descreve-nos a resposta dos Pastores. Face ao anúncio do Anjo, eles vão a toda a pressa a Belém. Viram, prestaram homenagem e tornaram-se arautos do Menino recém-nascido. Exultemos de alegria! Cantemos a nossa gratidão, porque Deus manifesta a sua bondade!


Oração colecta: Concedei, Deus todo-poderoso, que, inundados pela nova luz do Verbo Encarnado, resplandeça em nossas obras o que pela fé brilha em nossos corações. Por Nosso Senhor...



Liturgia da Palavra


Primeira Leitura


Monição: O Profeta anuncia à filha de Sião que vai chegar o Salvador! Esta mensagem de esperança destinava-se não só ao povo de Israel, mas a todos os povos da terra. Também é para nós.


Isaías 62, 11-12

11Eis o que o Senhor proclama até aos confins da terra: «Dizei à filha de Sião: Eis que vem o teu Salvador. Com Ele vem o seu prémio e precede-O a sua recompensa. 12Serão chamados ‘Povo santo’, ‘Resgatados do Senhor’; e tu serás chamada ‘Pretendida’, ‘Cidade não abandonada’».


A leitura recolhe dois versículos do III Isaías, referidos à Jerusalém restaurada após o exílio. «Até aos confins da terra»: a perspectiva universalista típica da última parte de Isaías corresponde bem à realidade de um «Natal para todos».

«Filha de Sião, Filha de Jerusalém», forma poética de o profeta se dirigir aos habitantes da cidade, e mesmo a todos os israelitas (como aqui sucede). A Igreja é o novo «Israel de Deus», «o monte Sião» (Gal 4, 26; 6, 16; Hebr 12, 22; Apoc 14, 1; 21). «Sião» (etimologicamente lugar seco) era a cidadela da capital, Jerusalém. Inicialmente designava a fortaleza conquistada por David aos jebuseus, a colina oriental de Jerusalém (Ofel), que começou a ser chamada «cidade de David», para onde este transladou a Arca da Aliança. Quando Salomão construiu o Templo, a Norte de Sião, e para lá levou a arca, também se começou a dar a esse lugar o nome de Sião. Depois veio a designar o conjunto da cidade de Jerusalém, ou todos os seus habitantes e mesmo todo o povo de Israel. Na tradição cristã, veio a dar-se uma confusão acerca da localização topográfica do monte Sião, ao situá-lo no Cenáculo, na colina ocidental da cidade alta. Esta confusão parece ter origem em que o Cenáculo foi considerado a sede da primitiva Igreja de Jerusalém, o novo «monte Sião», segundo Hebr 12, 22 e Apoc 14, 1. Actualmente a Arqueologia veio esclarecer estes locais.


Salmo Responsorial Salmo 96 (97), 1 e 6.11-12


Monição: O salmo 96 convida-nos a cantar com alegria o nascimento do Deus Menino. Deixemo-nos inundar pela luz que nos vem do presépio e cantemos: Hoje sobre nós resplandece uma luz: nasceu o Senhor!


Refrão: Hoje sobre nós resplandece uma luz:

nasceu o Senhor.


O Senhor é rei: exulte a terra,

rejubile a multidão das ilhas.


Os céus proclamam a sua justiça

e todos os povos contemplam a sua glória.


A luz resplandece para os justos

e a alegria para os corações rectos.


Alegrai-vos, ó justos, no Senhor

e louvai o seu nome Santo.


Segunda Leitura


Monição: S. Paulo convida-nos a contemplar imensa bondade de Deus e o seu infinito amor para com os homens. Com Jesus tornamo-nos herdeiros da vida eterna.


Tito 3, 4-7

Caríssimo: 4Ao manifestar-se a bondade de Deus nosso Salvador e o seu amor para com os homens, Ele salvou-nos, 5não pelas obras justas que praticámos, mas em virtude da sua misericórdia, pelo baptismo da regeneração e renovação do Espírito Santo, 6que Ele derramou abundantemente sobre nós, por meio de Jesus Cristo nosso Salvador, 7para que, justificados pela sua graça, nos tornássemos, em esperança, herdeiros da vida eterna.


Esta belíssima síntese soteriológica bem podia ser uma espécie de fórmula de fé corrente na Igreja primitiva que tenha sido inserida na Carta.

5 O «banho de regeneração e renovação do Espírito Santo» é o Baptismo, que nos faz nascer de novo (Jo 3, 3.5) e que nos torna «nova criatura» (Gal 6, 15; 2 Cor 5, 17). O Natal é ocasião propícia para meditar também no nosso natal, o Baptismo, e para daí tirar consequências práticas: «reconhece, ó cristão, a tua dignidade; tornado participante da natureza divina, não regresses à antiga baixeza duma vida depravada; lembra-te de que Cabeça e de que Corpo és membro. Pelo Baptismo, tornaste-te templo do Espírito Santo» (S. Leão Magno, Homilia para o dia de Natal).


Aclamação ao Evangelho Lc 2, 14


Monição: Os Pastores davam glória a Deus, cantavam os seus louvores. Com eles cantemos também nós em honra de Jesus o nosso Salvador!


Aleluia


Cântico: F. da Silva, NRMS 46


Glória a Deus nas alturas

e paz na terra aos homens por Ele amados.



Evangelho


São Lucas 2, 15-20

15Quando os Anjos se afastaram dos pastores em direcção ao Céu, começaram estes a dizer uns aos outros: «Vamos a Belém, para vermos o que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer». 16Para lá se dirigiram apressadamente e encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura. 17Quando O viram, começaram a contar o que lhes tinham anunciado sobre aquele Menino. 18E todos os que ouviam admiravam-se do que os pastores diziam. 19Maria guardava todos estes acontecimentos, meditando-os em seu coração. 20Os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes tinha sido anunciado.


A leitura mostra a reacção dos pastores perante o anúncio do nascimento de Jesus que bem pode marcar a atitude do cristão ao tomar consciência do Natal de Jesus: a decisão – tão presente nos nossos vilancetes – de ir a Belém, apressadamente, sem delongas nem escusas, ao encontro pessoal com Jesus, Maria e José.

18 Os «pastores» contaram as maravilhas daquela noite, mas os conterrâneos não os deveriam tomar muito a sério. Como poderia o Messias revelar-se a gente tão miserável, mal conceituada e tida por pecadora?

19 «Maria» ensina-nos a viver o mistério do Natal no recolhimento, ponderação e intimidade com Jesus.


Sugestões para a homilia

Vamos a Belém!

«Naquele tempo os pastores diziam entre si: vamos a Belém.»

Irmãos, vamos também nós a Belém e observemos o comportamento das pessoas face a este Menino, cujo nascimento hoje celebramos. O Anjo tinha anunciado a José: «Maria dará à luz um filho e pôr-lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados» (Mat.1, 21)

Os pastores decidiram ir a Belém, sacrificando o descanso nocturno. Não esperaram pelo nascer do dia, mas foram apressadamente «Vamos a Belém, para vermos o que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer.» Foram e encontraram o Menino e sua Mãe. Com simplicidade ofereceram os seus presentes e tornaram-se seus amigos, «falando do que tinham visto e ouvido e louvavam a Deus pelo nascimento do Messias Senhor.» O evangelho realça a atitude decidida dos pastores que «partiram a toda a pressa e encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoira!» Uma vez recebido o anúncio, prontamente foram ver. Com fé e simplicidade de coração reconheceram, aceitaram e «começaram a contar o que lhes tinham dito sobre aquele Menino!» A felicidade é contagiosa! Os pastores comunicam-na aos outros. Começa a evangelização, na própria noite de Natal. Enriquecidos pela paz e pela alegria que irradia do rosto do Deus Menino, os pastores louvam, cantam e regressam como missionários deste Menino, causando admiração e espanto! «Todos se admiravam com aquilo que os pastores diziam!»

Depois dos Pastores encontramos os Magos vindos do Oriente. Ainda hoje, nos nossos presépios colocamos sempre as imagens dos Reis Magos, que procuravam a Deus resplandecente nas alturas do firmamento celeste. Guiados pela luz de uma estrela encontram-n’O visivelmente numa criança recém-nascida, chorando na manjedoura. «Vêem claramente envolvido em panos Aquele a quem obscuramente procuravam nos astros. Vêem, crêem e oferecem os seus dons simbólicos: com o ouro aceitam a realeza deste Menino, com o incenso reconhecem a sua divindade, com a mirra professam a fé naquele que havia de morrer pela humanidade inteira.» (Cf S. Pedro Crisólogo, Sermões, LHI, 531-532) Que fé e que generosidade!

O Evangelho fala-nos também do rei Herodes, que se encheu de furor e decidiu enviar soldados para matar o Verbo eterno, o Verbo da Vida, juntamente com os meninos de dois anos ou menos, existentes em Belém e seus arredores (Cf Mat 2, 16). Matar as crianças, que crueldade! As crianças que são a alegria e a esperança das famílias e da sociedade! O grito de dor daquelas crianças e de seus familiares entra nos nossos ouvidos e comove os nossos corações. Por causa da maldade de um rei cruel, houve um pranto tão doloroso e lágrimas tão abundantes, que a Bíblia registou em dois livros: «Os meus olhos estão consumidos pelas lágrimas e estremecem as minhas entranhas, enquanto os meninos e as crianças de peito morrem nas praças da cidade» (Lam 2, 11). «Ouviu-se uma voz em Rama, lamentos e gemidos sem fim: Raquel chora os seus filhos e não quer ser consolada porque já não existem.» (Jer 31, 15) Que o Natal seja um tempo propício para reavivar em nós o amor pelas crianças.

E os habitantes de Belém? Como reagiram ao nascimento deste Menino? Se o Evangelho não nos relata a sua vinda ao presépio, podemos concluir que ficaram indiferentes... Era mais uma pobre criança, nascida de uma humilde e desconhecida família, que veio fazer o recenseamento…

Ainda hoje é assim: há pessoas cujos corações estremecem e vibram de alegria, testemunhando o seu amor com cânticos de louvor e adoração, oferecendo os presentes das suas boas obras, ao Deus Menino. Queremos estar neste grupo!

Há quem continue o pecado de Herodes, matando as crianças indefesas. Até quando continuaremos a praticar o crime do aborto?

Há a grande multidão das pessoas frias e indiferentes, para quem o Natal não passa de uma festa mundana, ou uma festa de família. Peçamos por todos os que não têm fé.

Natal! Natal! «Deus prova assim o seu amor para connosco: enviou ao mundo o seu Filho Unigénito.» (I Jo 4, 9). O tempo de Natal, convida os cristãos a louvar a Santíssima Trindade pelos benefícios que nos trouxe a encarnação do Verbo. O nascimento do Deus Menino há dois mil e sete anos não é um acontecimento do passado, pois diante dele está a história da humanidade inteira.

Feliz Natal! Desejamos que seja um tempo de renovada esperança! Jesus, conta connosco para sermos suas testemunhas, trazendo ao seu coração todos os que ainda não O conhecem, ainda não O amam ou são indiferentes!

«Manifestou-se a bondade e a graça de Deus que traz a salvação para todos os homens!» Deixemos entrar no nosso coração a Palavra de Deus! Deixemo-nos iluminar pela luz do Deus Menino que dissipa as trevas da humanidade! «Hoje sobre nós resplandece uma luz! Nasceu o Senhor, nasceu o Senhor!»



Oração Universal


Irmãos e irmãs:

Elevemos ao Pai celeste as nossa súplicas pelos homens de toda a terra

Aos quais Ele enviou o próprio Filho, suplicando:


Abençoai, Senhor o vosso povo


1. Pelas Igrejas que hoje celebram o Natal,

pelos cristãos que o celebram noutro dia e por todos os homens de boa vontade,

oremos, irmãos.


2. Pelos que correm ao presépio como os pastores,

pelos que meditam em seu coração como Maria

e pelos que contemplam o Menino como José,

oremos.


3. Pelas famílias

para que à volta do presépio

vivam a alegria da partilha do pão, da paz e do amor,

oremos.


4. Por todos nós aqui reunidos, celebrando o Natal de Jesus,

pelos nossos familiares e amigos,

oremos.



Senhor nosso Deus e nosso Pai,

Que fizestes resplandecer sobre a terra a luz de Cristo, acolhei benignamente

os anseios do nosso coração

E as súplicas que Vos apresentamos com toda a confiança pelos homens de quem Ele se fez irmão.

Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.



Liturgia Eucarística


Cântico do ofertório: Hoje sobre nós resplandece uma luz, M. Faria, NRMS 4 (I)


Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, a nossa oblação nesta santa noite de Natal e fazei que, pela admirável permuta destes dons, participemos na divindade do vosso Filho que a Vós uniu a nossa natureza humana, Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


Prefácio do Natal: p. 457 [590-702] ou 458-459


No Cânone Romano, diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Também nas Orações Eucarísticas II e III se faz a comemoração própria.


Santo: M. Luis, NCT nº 297


Monição da Comunhão


«O Verbo fez-Se carne de habitou entre nós»! À luz da fé Jesus vem todos os dias habitar no coração de quem acredita, O ama e O recebe! «Se alguém me ama, guardará a minha palavra. Meu Pai o amará e nós viremos a ele, para fazer a nossa morada!»

Com S. José e a Virgem Mãe, os Anjos e os Pastores adoremos, louvemos e recebamos Jesus na santa comunhão.


Cântico da Comunhão: Canta, Povo de Sião, F. dos Santos, NCT 74

Jo 1, 14

Antífona da comunhão: O Verbo fez-Se carne e nós vimos a sua glória.


Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, que nos dais a alegria de celebrar o nascimento do nosso Redentor, dai-nos também a graça de viver uma vida santa, a fim de podermos um dia participar da sua glória. Por Nosso Senhor...



Ritos Finais


Monição final


Com Nossa Senhora, com S. José, com os Pastores, com todos os homens de boa vontade, rezemos e trabalhemos para que toda a humanidade se encontre com Jesus que nos repete: «Eu sou a luz do mundo. Quem me seguir não andará nas trevas, mas terá a luz da vida»! Para todos, para os vossos familiares e amigos, FELIZ NATAL!


Cântico final: O Senhor do Universo, F. da Silva, NRMS 21




Celebração e Homilia: José Roque

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha


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