Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo

Missa da Vigília

24 de Dezembro de 2007


Esta Missa diz-se na tarde do dia 24 de Dezembro, antes ou depois das Vésperas I do Natal.


RITOS INICIAIS


Cântico de entrada: Vem depressa, Senhor, M. Simões, NRMS 64

cf. Ex 16, 6-7

Antífona de entrada: Hoje sabereis que o Senhor vem salvar-nos. Amanhã vereis a sua glória.


Diz-se o Glória.


Introdução ao espírito da Celebração


A Aliança de Deus com a humanidade atinge o seu ponto culminante com o Nascimento de Jesus. A Encarnação do Filho de Deus inaugura, na verdade, a plenitude dos tempos da salvação. Cristo assumindo a condição humana, inserindo-Se na nossa linhagem, torna-nos participantes da Sua mesma vida divina. N'Ele somos herdeiros da promessa feita a Abraão, pai dos crentes, e à sua descendência que é Cristo (Col. 3, 16). N'Ele somos amados com o mesmo amor pessoal com que Deus amava o Povo da antiga Aliança. Pela Sua graça (Rom. 11, 16-18), fazemos parte do novo Israel, que é a Igreja.


Oração colecta: Senhor nosso Deus, que todos os anos nos alegrais com a esperança da salvação, concedei-nos a graça de vermos sem temor vir um dia como Juiz Aquele que em alegria recebemos como Redentor, Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.



Liturgia da Palavra


Primeira Leitura


Monição: Como um arauto, Isaías anuncia a salvação que se aproxima, após o exílio, motivado pelas Infidelidades do Povo Eleito. Perdoada e, de novo, unida ao Senhor, Jerusalém será inundada de luz e transformar-se-á em fonte de luz para todos os povos.


Isaías 62, 1-5

2Por amor de Sião não me calarei, por amor de Jerusalém não terei repouso, enquanto a sua justiça não despontar como a aurora e a sua salvação não resplandecer como facho ardente. 2Os povos hão-de ver a tua justiça e todos os reis da terra a tua glória. Receberás um nome novo, que a boca do Senhor designará. 3Serás coroa esplendorosa nas mãos do Senhor, diadema real nas mãos do teu Deus. 4Não mais te chamarão «Abandonada», nem à tua terra «Deserta»; mas hão-de chamar-te «Predilecta» e à tua terra «Desposada», porque serás a predilecta do Senhor e a tua terra terá um esposo. 5Tal como o jovem desposa uma virgem, o teu Construtor te desposará; e como a esposa é a alegria do marido, tu serás a alegria do teu Deus.


Neste trecho temos um belo canto à Jerusalém (Sião), que o Profeta anseia por ver renovada após a prova do exílio de Babilónia.

1 «A sua justiça», ao aparecer paralela a «a sua salvação» (1b) e a «a tua glória» (v. 2), vê-se que se trata duma justiça que visa mais a acção de Deus que salva e glorifica Jerusalém, do que o simples restabelecimento dos direitos espezinhados. Esta «justiça que desponta como a aurora» é o prenúncio e a figura da vinda de Jesus Cristo à terra, o «Sol da Justiça» (cf. Mal 3, 20). A Vulgata (já não assim a Neovulgata) tinha personificado (na linha da Septuaginta) esta «justiça» e esta «salvação», traduzindo por «justo» e «salvador» (iustus eius et salvator eius). Se o profeta, em primeira intenção, visa a restauração de Jerusalém após o exílio, a profecia tem o seu pleno cumprimento com a vinda do Messias.

4-5 «Abandonada»: Jerusalém, durante o exílio, é comparada a uma esposa abandonada. Este anúncio feliz tem um cumprimento imediato e imperfeito com o regresso do cativeiro de Babilónia, mas o seu pleno cumprimento dá-se na Igreja, a nova Jerusalém (cf. Apoc 21, 2), a fiel «Esposa» de Cristo, «santa e imaculada» (Ef 5, 27). «O teu Construtor te desposará»: a Neovulgata, contra o que seria de esperar, manteve a tradução da Vulgata: «os teus filhos te desposarão», mas não assim as traduções modernas em geral (apesar da pontuação massorética); a confusão deve-se a que as mesmas consoantes hebraicas de bnyk, podem traduzir-se das duas maneiras, conforme as vogais adoptadas; a tradução grega dos LXX optou pela versão que fazia mais sentido, «o teu construtor», na linha tradicional de apresentar Deus como esposo do seu povo.


Salmo Responsorial Salmo 88 (89), 4-5.16-17, 27 e 29 (R. 2a)


Monição: Na alegria do nascimento do Salvador, o Salmo 88 convida-nos a cantar para sempre a bondade do Senhor.


Refrão: Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor.


Concluí uma aliança com o meu eleito,

fiz um juramento a David meu servo:

Conservarei a tua descendência para sempre,

estabelecerei o teu trono por todas as gerações.


Feliz o povo que sabe aclamar-Vos

e caminha, Senhor, à luz do vosso rosto.

Todos os dias aclama o vosso nome

e se gloria com a vossa justiça.


Ele me invocará: «Vós sois meu Pai,

meu Deus, meu Salvador».

Assegurar-lhe-ei para sempre o meu favor,

a minha aliança com ele será irrevogável.


Segunda Leitura


Monição: Toda a História da Salvação converge para Jesus. Ele é o Salvador prometido por Deus, ao longo dos séculos. Ele é a «chave» de toda a história de Israel, do mesmo modo que, hoje, é o único centro e explicação da nossa vida cristã e eclesial.


Actos 13, 16-17.22-25

Naqueles dias, 16Paulo chegou a Antioquia da Pisídia. Uma vez em que ele estava na sinagoga, levantou-se, fez sinal com a mão e disse: «Homens de Israel e vós que temeis a Deus, escutai: 17O Deus deste povo de Israel escolheu os nossos pais e fez deles um grande povo, quando viviam como estrangeiros na terra do Egipto. 22Depois, com seu braço poderoso, tirou-os de lá. Por fim, suscitou-lhes David como rei, de quem deu este testemunho: ‘Encontrei David, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará sempre a minha vontade’. 23Da sua descendência, Deus fez nascer, segundo a sua promessa, um Salvador, Jesus. 24João tinha proclamado, antes da sua vinda, um baptismo de penitência a todo o povo de Israel. 25Prestes a terminar a sua carreira, João dizia: ‘Eu não sou quem julgais; mas depois de mim, vai chegar Alguém, a quem eu não sou digno de desatar as sandálias dos seus pés’».


Temos aqui um pequeno extracto do primeiro discurso de Paulo em Actos: uma breve síntese da história da salvação, que culmina em Jesus Cristo. Foi seleccionada a parte do texto que põe em evidência que, de acordo com as promessas de Deus, «Jesus, é o Salvador de Israel», sendo «da descendência de David» (v. 23); o último elo da corrente profética que prepara a sua vinda é João.

16 Os «tementes a Deus» eram os gentios simpatizantes do judaísmo, que aderiam ao seu monoteísmo e esperança messiânica; embora não se sujeitassem às práticas da lei judaica, frequentavam a liturgia sinagogal.


Aclamação ao Evangelho


Monição: Deus entra, verdadeiramente, na história dos homens. Ao assumir a nossa natureza humana, Jesus Cristo toma origem humana, estreitamente ligada a Israel e às grandes figuras da sua história. Foi a José, Esposo de Maria, que coube a missão de inserir o Salvador na linhagem de David e Abraão, através duma multidão de homens, muitos deles obscuros, humildes e até pecadores. Assim Jesus Cristo Se quis tornar solidário de todo o género humano, confundindo-Se com os homens, para que os homens se tornassem imagens de Deus.


Aleluia


Cântico: F. da Silva, NRMS 35


Amanhã cessará a malícia na terra

e reinará sobre nós o Salvador do mundo.



Evangelho *


Nota de rodapé

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.


Forma longa São Mateus 1, 1-25 Forma breve: São Mateus 1, 18-25

[1Genealogia de Jesus Cristo, Filho de David, Filho de Abraão: 2Abraão gerou Isaac; Isaac gerou Jacob; Jacob gerou Judá e seus irmãos. 3Judá gerou, de Tamar, Farés e Zara; Farés gerou Esrom; Esrom gerou Arão; 4Arão gerou Aminadab; Aminadab gerou Naásson; Naásson gerou Sálmon; Sálmon gerou, de Raab, Booz; 5Booz gerou, de Rute, Obed; Obed gerou Jessé; Jessé gerou o rei David. 6David, da mulher de Urias, gerou Salomão; 7Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias; Abias gerou Asa; 8Asa gerou Josafat; Josafat gerou Jorão; Jorão gerou Ozias; 9Ozias gerou Joatão; Joatão gerou Acaz; Acaz gerou Ezequias; 10Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amon; Amon gerou Josias; 11Josias gerou Jeconias e seus irmãos, durante o desterro de Babilónia. 12Depois do desterro de Babilónia, Jeconias gerou Salatiel; Salatiel gerou Zorobabel; 13Zorobabel gerou Abiud; Abiud gerou Eliacim; Eliacim gerou Azor; 4Azor gerou Sadoc; Sadoc gerou Aquim; Aquim gerou Eliud; 15Eliud gerou Eleazar; Eleazar gerou Matã; Matã gerou Jacob; 16Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo. 17Assim, todas estas gerações são: de Abraão a David, catorze gerações; de David ao desterro de Babilónia, catorze gerações; do desterro de Babilónia até Cristo, catorze gerações].

18O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. 19Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. 20Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». 22Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do profeta, que diz: 23«A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’». 24Quando despertou do sono, José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa. 25E não a tinha conhecido, quando Ela deu à luz um filho, a quem ele pôs o nome de Jesus.


Ver notas atrás, no IV Domingo do Advento


Sugestões para a homilia


1. Cristo faz-se um de nós (cf. Fil 2,7)

2. Cristo veio proclamar a paz (cf. Ef 2, 17)

1. Cristo faz-se um de nós (cf. Fil 2, 7)

Realiza-se finalmente a vinda anunciada no Advento. Em plena noite, numa aldeia obscura da Judeia, Deus aparece no mundo, sob o sinal frágil mas eloquente duma criança: a glória divina unida à mais profunda humildade!

A Igreja, repleta de alegria e de gratidão, celebra hoje este nascimento histórico de Jesus. No entanto, não esquece que esta Criança é o Eterno e, iluminada pelo fé, n'Ela reconhece o Filho de Deus, a Palavra desde sempre gerada e pronunciada pelo Pai, num movimento de amor, na vida da Trindade.

Todavia, este Tempo litúrgico não pode limitar-se a uma simples comemoração de uma série de acontecimentos. Na verdade, se o Filho de Deus Se fez Homem, foi para cumprir na Sua Pessoa as promessas divinas de salvação; foi para manifestar a todos os homens o amor do Pai, foi para realizar a Aliança nova e definitivo de Deus com o Seu Povo. Deste modo, o nascimento histórico de Jesus é o sinal do nosso renascimento misterioso para a vida divina: Aquele que nasceu no tempo, vivia na eternidade e aproxima-Se de nós e faz-Se um de nós (cf. Fil 2, 7), para nos fazer viver, com Ele e por Ele, a vida dos filhos de Deus.

2. Cristo veio proclamar a paz (cf. Ef 2, 17)

A sociedade de consumo, em que vivemos, procura comercializar o Tempo do Natal, esvaziando-o do seu conteúdo espiritual, de tal modo que do mistério da vinda do Filho de Deus, por vezes, nem sequer fica uma piedosa recordação.

Reagindo contra esta tendência, temos de viver o Tempo do Natal com profunda fé, esforçando-nos por penetrar, à luz dos textos bíblicos, no Mistério da presença de Cristo no meio de nós, iniciado com o Seu Nascimento temporal.

No Tempo do Natal, devemos dar testemunho de apreço pela vida da graça que Ele nos trouxe, intensificando a nossa vida eucarística, certos de que a Eucaristia torna Cristo presente e actualiza a Sua acção, do Natal à Ressurreição.

Neste tempo de Natal, devemos também empenhar-nos, seriamente, em estreitar os laços de amor com todos os homens, visto que Cristo, na Sua Pessoa, veio matar o ódio, proclamar a Paz (Ef. 2, 14-17) e instaurar entre os homens uma comunhão verda­deiramente fraterna, fazendo de todos os cristãos artífices da Paz.



Oração Universal


Vibrando de alegria por estarmos junto do Senhor,

neste dia do seu nascimento segundo a carne,

elevemos por Ele a Deus as nossas preces

pela Santa Igreja, pelo mundo inteiro e por cada um de nós.


1. Para que a luz do Natal brilhe para todos os homens

e reconheçam a Jesus como Deus e Salvador,

oremos, irmãos.


2. Pelo Santo Padre João Paulo II,

para que a sua palavra seja recebida por todos os homens

como um clarão de esperança,

oremos, irmãos.


3. Para que todos os cristãos, neste Natal,

renovem, à luz do presépio, a sua fé e o seu amor,

oremos, irmãos.


4. Pelas crianças abandonadas,

pelos doentes e pelos velhinhos,

para que neste Natal encontrem alívio para a sua dor,

oremos, irmãos.


5. Para que os nossos familiares e amigos que já faleceram

passem um santo Natal no Céu,

na alegria dos Anjos e dos Santos,

oremos, irmãos.


Deus Pai, que nos deste a salvação em Jesus Cristo,

dignai-Vos ouvir as preces que humildemente Vos dirigimos.

Pelo mesmo Jesus Cristo, Vosso Filho,

que é Deus conVosco na unidade do Espírito Santo.



Liturgia Eucarística


Cântico do ofertório: Sabei que o nosso Deus, M. Simões, NRMS 24


Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, ao vosso povo a graça de celebrar com renovado fervor a vigília da grande solenidade, na qual nos revelais o princípio da nossa redenção. Por Nosso Senhor...


Prefácio do Natal: p. 457 [590-702] ou 458-459


No Cânone Romano, diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Também nas Orações Eucarísticas II e III se faz a comemoração própria: Reunidos na vossa presença.


Santo: F. da Silva, NRMS 38


Monição da Comunhão


Pela encarnação, Cristo vem habitar no meio de nós mas na comunhão Ele encontra em cada um de nós a Sua morada.


Cântico da Comunhão: Anjos do Céu a cantar, M. Faria, 20 Cânticos para a Missa

cf. Is 40, 5

Antífona da comunhão: Brilhará a glória do Senhor e toda a terra verá a salvação de Deus.


Cântico de acção de graças: A minha alma louva o Senhor, M. Carneiro, NRMS 76


Oração depois da comunhão: Fortalecei, Senhor, os vossos fiéis na celebração do nascimento do vosso Filho Unigénito, que neste divino sacramento Se fez nossa comida e nossa bebida, Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.



Ritos Finais


Monição final


A grande tragédia dos homens está no facto de que o Salvador bate à porta e eles não abrem. Talvez porque, por ser uma criança, pensem que Ele não pode salvá-los. Ou talvez porque a salvação que nos oferece é diferente da que sonhamos. Se Deus nos dá a salvação, devemos aceitá-la como ela é. Se nos dá, devemos agradecer. Se nos dá, devemos também dá-la aos outros: quanto mais damos, mais recebemos. Se o Salvador, nesta noite santa, bater à nossa porta... vaí ficar aí parado? Abra de par em par e, por certo, não se arrependerá.


Cântico final: Desde o nascer do sol, M. Simões, NRMS 56




Celebração e Homilia: Nuno Westwood

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha


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