aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

BALANÇO NEGATIVO

DA GUERRA NO IRAQUE

 

O Cardeal Jean-Louis Tauran, antigo Secretário do Vaticano para as relações com os Estados e novo presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso, disse que o «balanço da guerra anglo-americana no Iraque é negativo».

 

«Os cristãos são mais perseguidos do que antes e o Iraque está a afundar-se numa guerra civil», referiu numa entrevista à revista italiana «30 Giorni».

Este responsável sublinhou ainda que basta olhar a situação do Iraque, onde os «factos falam por si mesmos», para confirmar o seu parecer negativo acerca da decisão dos EUA e da Grã-Bretanha de iniciar a guerra.

«Ter marginalizado a comunidade internacional foi um erro. Foi usado um método injusto. O que vemos hoje? O poder está nas mãos dos mais fortes, dos xiitas, e o país afunda-se numa guerra civil confessional que não poupa nem mesmos os cristãos, que paradoxalmente eram mais protegidos com a ditadura», afirmou.

«Não me parece que a iniciativa anglo-americana tenha tido um êxito positivo. Teria preferido ser um mau profeta, mas infelizmente não foi assim», acrescentou o Cardeal Tauran, que se manifestou por diversas vezes contra a intervenção militar no Iraque.

Em Março de 2003, o então Secretário do Vaticano para as relações com os Estados considerava que a guerra iria «alimentar todos os extremismos possíveis, inclusive o islâmico», causando terrorismo e produzindo uma grande ferida no diálogo entre o Cristianismo e o Islamismo, para além de enfraquecer a ONU.

 

 

VATICANO PUBLICA

CATEQUESES DO PAPA

 

A Libreria Editrice Vaticana publicou duas colectâneas sobre o magistério de Bento XVI. Trata-se de dois volumes sobre os ensinamentos do Papa, no ano 2006, e de uma obra de rápida leitura, que reúne o ciclo de catequeses papais sobre os Apóstolos e os primeiros discípulos de Cristo.

 

Nesta última, centralizada nas origens da Igreja, percebe-se a grande atenção dada por Bento XVI ao conhecimento dos fundamentos da nossa fé. Um compromisso catequético que caracteriza o actual pontificado desde os seus primeiros passos.

Este é estilo particularmente apreciado pelo biblista docente de Introdução à Teologia, da Universidade Católica de Milão, Pe. Bruno Maggioni. «É necessária a catequese; entendo por catequese, sobretudo, a clareza sobre os fundamentos dos quais deriva todo o resto. Para se ter uma ideia de Igreja, é preciso partir da Igreja das origens».

 

 

PAPA EM LORETO,

COM JOVENS DA ITÁLIA

 

Um ano antes da Jornada Mundial da Juventude, em Sidnhey (Austrália), Bento XVI esteve no fim de semana de 1 e 2 de Setembro passado com 400 mil jovens católicos da Itália e 800 do resto da Europa, em Loreto, um dos santuários marianos mais importantes da Itália.

 

No primeiro dia, durante cerca de três horas, Bento XVI conversou com os jovens e respondeu às suas questões.

Respondendo a uma pergunta sobre a inquietação que tem a grande parte dos jovens do mundo inteiro e de todas as religiões, a inquietação de quem se sente perdido num mundo vasto e complexo e pergunta: qual é o meu lugar? Como evitar ficar á margem da sociedade e da historia?, Bento XVI respondeu salientando antes de mais que, «segundo o projecto divino, o mundo não conhece periferias. Para Deus estamos todos ao centro, porque todos somos por ele amados e chamados a realizar coisas grandes, cada um segundo a própria vocação».

«Ide, vivei e amai – disse Bento XVI aos jovens presentes em Loreto –. Aos olhos de Deus cada um de vós é importante. Sois importantes para as vossas famílias, para os vossos amigos, para os vossos educadores, para o vosso país, para o mundo inteiro, para a Igreja, para Jesus Cristo. Se olhardes á vossa volta, dar-vos-eis conta de que o presente vos chama a serdes protagonistas, nos vários ambientes onde viveis e trabalhais. Se depois olhardes em frente, descobrireis com alegria que o futuro está encerrado na vossa capacidade de responder ao convite de Cristo a amar sem reservas. Portanto – salientou Bento XVI –, nenhum de vós se sinta marginal; nenhuma vida é sem importância e sem sentido; pelo contrário, senti-vos todos verdadeiramente importantes, protagonistas, porque estais no centro do amor de Deus».

 

A coragem de andar contra a corrente

 

Na homilia da Missa no domingo seguinte, o Papa animou os jovens a terem «a coragem da humildade», a «andar contra a corrente», seguindo a via da humildade, e não a do orgulho, da violência e da prepotência.

«A Santa Casa de Nazaré – observou – é o santuário da humildade: a humildade de Deus que se fez carne e a humildade de Maria que o acolheu no seu seio; a humildade do Criador e a humildade da criatura. Foi deste encontro de humildades que nasceu Jesus, Filho de Deus e Filho do homem».

A humildade não é só «uma grande virtude humana». Ela «representa, em primeiro lugar, o modo de agir do próprio Deus. A via escolhida por Cristo, o Mediador da Nova Aliança, o qual, aparecendo em forma humana, se abaixou a si mesmo fazendo-se obediente até à morte e morte de cruz».

«É esta a mensagem: não sigais o caminho do orgulho, mas sim o da humildade. Caminhai contra a corrente: não escuteis as vozes interesseiras e insinuantes que hoje, de muitas partes, propagandeiam modelos de vida caracterizados pela arrogância e pela violência, pela prepotência e pelo sucesso a qualquer preço, pelo parecer e pelo ter, em detrimento do ser!»

«Sede vigilantes! Sede críticos! Não sigais a onda produzida por esta potente actividade de persuasão. Não tenhais medo, caros amigos, de preferir as vias alternativas indicadas pelo amor verdadeiro: um estilo de vida sóbrio e solidário, relações afectivas sinceras e puras; um empenho honesto no estudo e no trabalho; profundo interesse pelo bem comum».

 

A organização da Jornada Mundial da Juventude em Sydney, de 15 a 20 de Julho, necessita de mais de 8 mil voluntários para que corra bem o encontro de fé e festa de meio milhão de peregrinos jovens com o Papa Bento XVI.

A procedência dos voluntários não tem que ser necessariamente de Sydney, mas de toda a Austrália, Nova Zelândia ou de qualquer parte do mundo. Basta que tenham mais de 18 anos de idade. Além da experiência, os voluntários vão ter direito a ajuda económica na utilização dos transportes públicos, comidas e alojamento. Os interessados podem inscrever-se no site www.wyd2008.org.

 

 

NOVOS PRESIDENTES DE

CONSELHOS PONTIFÍCIOS

 

Bento XVI nomeou no princípio de Setembro como novo presidente do Conselho Pontifício para a Cultura o arcebispo italiano Gianfranco Ravasi, que presidirá também as Comissões Pontifícias para os Bens Culturais da Igreja e da Arqueologia Sacra.

 

Actual Prefeito da Biblioteca Ambrosiana, Mons. Ravasi nasceu há 65 anos na localidade lombarda de Merate, norte da Itália. Famoso biblista e estudioso do Judaísmo, é também docente de Exegese Bíblica, na Faculdade Teológica do norte da Itália e membro da Comissão Pontifícia Bíblica. Na passada Sexta-Feira Santa, apresentara as meditações da tradicional Via-Sacra no Coliseu de Roma.

O Arcebispo italiano substitui o Cardeal francês Paul Poupard, de 77 anos, que há quase duas décadas estava à frente deste Conselho Pontifício, que deixa por ter ultrapassado o limite de idade.

O Conselho Pontifício para a Cultura tem como missão «favorecer as relações entre a Santa Sé e o mundo da cultura, promovendo de modo particular o diálogo com as várias culturas do nosso tempo, a fim de que a civilização do homem se abra cada vez mais ao Evangelho, e os cultores das ciências, das letras e das artes se sintam reconhecidos pela Igreja como pessoas ao serviço da verdade, do bem e do belo».

 

No final de Junho, Bento XVI tinha nomeado novo presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais o Arcebispo italiano Claudio Maria Celli, até agora secretário da Administração do Património da Sé Apostólica.

Mons. Celli, de 65 anos, substitui o Arcebispo norte-americano John Patrick Foley, há 23 anos à frente daquele Conselho Pontifício.

 

 

NÁPOLES:

DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO

 

Bento XVI visitará a cidade de Nápoles no dia 21 de Outubro próximo, onde se encontrará com representantes de várias religiões durante a Reunião de Diálogo Inter-religioso pela Paz, organizada pela Comunidade de Santo Egídio.

 

O Arcebispo de Nápoles, Cardeal Crescenzio Sepe, revelou à Rádio Vaticano os principais pontos da agenda de Papa e agradeceu a Bento XVI a sua decisão de aceitar o convite para visitar a cidade.

O programa inclui a celebração de uma Missa, concelebrada por Cardeais e Bispos da região da Campânia, seguida da recitação do Angelus.

O Papa irá em seguida para o Seminário maior de Capodimonte, onde se encontrará com os chefes das delegações e representantes de várias religiões do mundo. Está prevista a participação, entre outros, do Patriarca Ecuménico de Constantinopla, Bartolomeu I, e do Metropolita Kyrill, de Moscovo.

Antes do regresso a Roma, Bento XVI visitará a catedral de Nápoles. A visita durará apenas 9 horas.

 


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