Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos

 

3ª Missa

2 de Novembro de 2007

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Dai a paz Senhor, M. Faria, NRMS 23

cf. Rom 8, 11

Antífona de entrada: Deus, que ressuscitou Jesus de entre os mortos, também dará a vida aos nossos corpos mortais pelo seu Espírito que habita em nós.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O Senhor reuniu-nos aqui, nesta Comemoração de todos os fiéis defuntos, não só para sufragarmos todos aqueles que o Senhor já chamou à Sua divina presença, mas ainda para meditarmos nas suas vidas. Eles combateram o bom combate e agora, possivelmente, estão a ser purificados, antes de participarem da glória eterna no Céu.

Sufraguemo-los e peçamos a sua ajuda para chegarmos também à meta da salvação eterna.

 

Acto penitencial

 

(Tempo de silêncio. Pode usar-se o esquema C apresentado na 1ª Missa)

 

Oração colecta: Senhor, que pela vitória do vosso Filho sobre a morte, O exaltastes no reino da glória, concedei aos nossos irmãos defuntos que, libertos desta vida mortal, possam contemplar-Vos para sempre como seu Criador e Redentor. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

1 Tessalonicenses 4, 13-18

 

13Não queremos, irmãos, deixar-vos na ignorância a respeito dos defuntos, para não vos contristardes como os outros, que não têm esperança. 14Se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, do mesmo modo, Deus levará com Jesus os que em Jesus tiverem morrido. 15Eis o que temos para vos dizer, segundo a palavra do Senhor: Nós, os vivos, os que ficarmos para a vinda do Senhor, não precederemos os que tiverem morrido. 16Ao sinal dado, à voz do Arcanjo e ao som da trombeta divina, o próprio Senhor descerá do Céu e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. 17Em seguida, nós, os vivos, os que tivermos ficado, seremos arrebatados juntamente com eles sobre as nuvens, para irmos ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. 18Consolai-vos uns aos outros com estas palavras.

 

Os cristãos de Tessalónica, tinham sido evangelizados pouco antes, na segunda viagem missionária de S. Paulo, provavelmente durante o Inverno de 50-51. Embora o Apóstolo não tenha podido permanecer ali por muito tempo (talvez apenas uns dois ou três meses) tornaram-se uma comunidade modelar (cf. 1 Tes 1, 7), mas a verdade é que não estavam devidamente esclarecidos acerca da sorte dos seus defuntos surpreendidos pela morte antes da vinda gloriosa de Jesus. Julgavam que eles já não poderiam tomar parte no triunfo glorioso da segunda vinda do Senhor (a parusia), que julgavam estar para breve; era esta mais uma forte razão para andarem preocupados e tristes, segundo as notícias que Timóteo, enviado desde Atenas, lhe tinha trazido a Corinto (cf. 1 Tes 3, 1-2.6). 

13 S. Paulo, consciente das «deficiências da fé» dos tessalonicenses (cf. 3, 10), trata agora de os esclarecer na fé e de os consolar, escrevendo: «para vos não contristardes» (v. 13). Paulo garante-lhes que «Deus levará com Jesus os que tiverem morrido n’Ele» (v. 14), não estando excluídos de estar «para sempre com o Senhor» (v. 17). O Apóstolo apela para «uma palavra do Senhor», mas discute-se sobre qual a palavra a que se refere; uns pensam no discurso escatológico dos Sinópticos, outros numa revelação pessoal, outros nalguma palavra de Jesus das não consignadas nos Evangelhos (ágrapha)

15 «Nós os vivos, os que ficarmos». Pelo que sabemos doutros textos paulinos, S. Paulo não estava convencido de que havia de ficar para a parusia (cf. 1 Cor 15, 30-31; 2 Cor 1, 8-9; 4, 14; Filp 2, 17); quando muito, manifestaria uma vaga esperança de vir a ficar (BJ). O mais provável é que exprima na primeira pessoa do plural o que só dizia respeito a uma parte dos cristãos, sem se incluir nessa parte: é uma ficção literária a que os gramáticos dão o nome de enálage pessoal, e que S. Paulo usa mais vezes. «Não precederemos...», isto é, os que viverem na ocasião da 2.ª vinda de Jesus não levarão vantagem aos que já morreram, pois então estes, «os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro» e os que então viverem vivos, «os que tivermos ficado seremos arrebatados», na linguagem mais clara de 1 Cor 15, 51-53, «serão transformados», isto é, glorificados.

16 A linguagem com que S. Paulo se exprime é simbólica, por isso não se deve tomar à letra; era corrente na literatura apocalíptica judaica, utilizada para exprimir uma realidade misteriosa e transcendente, uma intervenção certa e portentosa de Deus; assim é o caso de: «a voz do arcanjo», «a trombeta divina», «as nuvens e o Senhor nos ares (cfr. Dan 7, 13). Por outro lado, S. Paulo utiliza a mesma linguagem do mundo helenístico para as visitas festivas, a vinda duma personagem importante, chamada parousia, a que correspondia a jubilosa saída dos cidadãos ao seu encontro, chamada avástasis. (Assim pensa L. Cerfaux, Le Christ dans la théologie de Saint Paul, Paris, Cerf, 1954, pp. 29-34. J. Dupont pensa antes na analogia Ex 19, 17 – o encontro do povo com Yahwéh –, mas o termo grego usado pelos LXX é outro). Ora sucede que nesta passagem paulina ocorrem ao mesmo tempo os dois vocábulos, pois, «para irmos ao encontro do Senhor» diz-se: eis anástasin tou Kyriou.

17 O importante é que todos, tanto os que vivem como os que morreram, «estaremos sempre com o Senhor»; esta é a certeza da fé capaz de consolar aqueles fiéis e a nós também.

 

Salmo Responsorial    Sl 22 (23), 1-3a.3b-4.5.6 (R. 1 ou 4a)

 

Monição: Para chegarmos à Bem-aventurança eterna, precisamos que o Bom Pastor nos guie e nos ajude a vencer as dificuldades do caminho. 

O salmo 22 é uma oração cheia de confiança no Bom Pastor que é Jesus Cristo.

 

Refrão:         O Senhor é meu pastor:

                      nada me faltará.

 

Ou:                Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,

                      nada temo, porque Vós estais comigo.

 

O Senhor é meu pastor: nada me falta.

Leva-me a descansar em verdes prados,

conduz-me às águas refrescantes

e reconforta a minha alma.

 

Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.

Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,

não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:

o vosso cajado e o vosso báculo

me enchem de confiança.

 

Para mim preparais a mesa

à vista dos meus adversários

com óleo me perfumais a cabeça,

e o meu cálice transborda.

 

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me

todos os dias da minha vida

e habitarei na casa do Senhor

para todo o sempre.

 

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 6, 51

 

Monição: Jesus Cristo prometeu a instituição da Eucaristia, ensinando-nos que ela é a garantia da nossa ressurreição gloriosa no fim dos tempos.

Aclamemos o Evangelho que nos anuncia uma verdade tão consoladora.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 1,F. Silva, NRMS 50-51

 

Eu sou o pão vivo que desceu do Céu

quem comer deste pão viverá eternamente.

 

 

Evangelho

 

São João 6, 37-40

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 37«Todos aqueles que o Pai Me dá virão a Mim e àqueles que vêm a Mim não os rejeitarei, 38porque desci do Céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade d’Aquele que Me enviou. 39E a vontade d’Aquele que Me enviou é esta: que Eu não perca nenhum dos que Ele Me deu, mas os ressuscite no último dia. 40De facto, é esta a vontade de meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e acredita n’Ele tenha a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia».

 

As palavras do Senhor são solenes, como se pode ver pela repetição dos vv. 37.39.40, palavras que enchem de esperança todos os fiéis, ou seja, aqueles que, movidos pela graça de Deus – «tudo o que o Pai me dá» vêm a Jesus pela fé na sua palavra e nas suas obras - «virá a Mim». A fé em Jesus leva à «vida eterna» e à «ressurreição no último dia», isto é, no fim dos tempos.

 

Sugestões para a homilia

 

(Ver esquema da 1ª Missa)

 

Oração Universal

 

(É a mesma da 1ª Missa)

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução à Liturgia Eucarística

 

A Eucaristia é o alimento que nos dará força para chegarmos à Ressurreição final e, ao mesmo tempo, a garantia da mesma.

Jesus vai renovar dentro de momentos, pelo ministério do sacerdote, a mesma maravilha do Cenáculo, na noite de Quinta-feira Santa.

Avivemos a nossa fé para participar em tão augustos mistérios.

 

Cântico do ofertório: Para vós, Senhor, B. Salgado, NRMS 4 (I)

 

Oração sobre as oblatas: Recebei benignamente, Senhor, esta oblação em favor de todos os vossos fiéis que adormeceram em Cristo e fazei que, libertos dos laços da morte, por este sacrifício de salvação mereçam entrar na vida eterna. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio dos Defuntos: p. 509 [652-764] e pp. 510-513

 

Santo: Santo IV, H. Faria, NRMS 103-104

 

Saudação da Paz

 

Haverá paz no mundo – com Deus, connosco e com as outras pessoas – quando houver paz em cada um dos corações.

Por vezes, esta condição exige de nós verdadeiro heroísmo, porque exige que perdoemos de todo o coração aos que nos ofenderam e peçamos perdão aos que magoámos.

É com este sentido de construtores da paz, a partir do nosso coração, que desejamos realizar este gesto litúrgico.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Comungar é tomar um compromisso de nos parecermos cada vez mais com o Senhor que recebemos sacramentalmente.

A nossa comunhão não pode ser apenas um momento vivido dentro das paredes do templo, mas há-de ser vivida nas 24 horas de cada um dos sete dias da semana.

Ao receber Jesus Sacramentado, com fé, amor e devoção, peçamos-Lhe ajuda para realizar este projecto de santidade.

 

Cântico da Comunhão: Senhor, nada somos sem Ti, F. Silva, NRMS 84

Filip 3, 20-21

Antífona da comunhão: Esperamos o nosso Salvador, Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo mortal à imagem do seu Corpo glorioso.

 

 

Oração depois da comunhão: Derramai, Senhor, a abundância da vossa misericórdia sobre os nossos irmãos defuntos, pelos quais Vos oferecemos este sacrifício; Vós que lhes destes a graça do Baptismo, dai-lhes a plenitude da alegria eterna. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Lembremos aqueles que já partiram, não apenas neste dia, mas participando na Celebração da Eucaristia em cada Domingo e, se possível, muitas vezes durante a semana.

Eles estão também presentes em cada Eucaristia, em comunhão connosco, por a Santa Missa é acção de todo o Corpo Místico de Cristo: da Igreja militante, que somos nós; da Igreja padecente, à qual eles ainda pertencem; e da Igreja triunfante que nos aguarda no céu.

 

Cântico final: Vós sois o caminho, J. Santos, NRMS 42

 

 

Homilia FeriaL

 

Sábado, 3-XI: A Santa Missa e a humildade.

Rom 11, 1-2. 11-12. 25-29 / Lc 14, 1. 7-11

Pois todo aquele que se eleva será humilhado, e o que se humilha será exaltado.

Em Nossa Senhora encontramos um exemplo concreto desta afirmação de Jesus: Ela apresentou-se como Serva do Senhor e hoje todas as gerações a proclamam bem-aventurada (cf. Hino Magnificat). Se nos colocamos ao serviço de Deus sem condições, seremos elevados a uma grande altura: à santidade.

Na Santa Missa precisamos reconhecer as nossas misérias para podermos participar dignamente nos santos mistérios; invocamos a misericórdia de Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo; reconhecemos a nossa indignidade para receber o Senhor na Comunhão.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Fernando Silva

Nota Exegética:    Geraldo Morujão

Homilia Ferial:     Nuno Romão

Sugestão Musical:              Duarte Nuno Rocha

 


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