Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos

1ª Missa

2 de Novembro de 2007

 

As leituras escolhem-se entre as que se propõem para as Missas pelos defuntos (no Leccionário: Missas de Defuntos, vol. VIII). Sugerem-se os textos seguintes:

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Felizes os mortos, F. dos Santos, NRMS 19-20

cf. 1 Tess 4, 14; 1 Cor 15, 22

Antífona de entrada: Assim como Jesus morreu e ressuscitou, também aos que morrem em Jesus, Deus os levará com Ele à sua glória. Se em Adão todos morreram, em Cristo todos voltarão à vida.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos neste dia aqueles membros da Igreja que, terminado o tempo de merecimento na terra, se purificam e embelezam, para tomarem parte na festa em comunhão com a Santíssima Trindade que se prolongará para sempre.

Estes nossos familiares, amigos e conhecidos venceram o combate da fidelidade ao Senhor e estão confirmados em graça, de tal modo que estão seguros da sua salvação eterna. Necessitam apenas de cuidar da sua apresentação no Céu; e nós podemos e devemos ajudá-los.

Há, pois, na Liturgia desta Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos uma chamada para nós a uma pureza crescente de vida; e um fraterno apelo à solidariedade.

 

Acto penitencial

 

O Purgatório é uma pregação silenciosa para que vivamos generosamente a vocação à santidade. Acudimos à misericórdia do Senhor, para que nos limpe das manchas do pecado e das faltas de generosidade.

Reconheçamos humildemente que somos pecadores e peçamos perdão ao Senhor, prometendo, com a Sua ajuda, emendar as nossas vidas

 

 (Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, sugestões para o esquema C)

 

  Senhor: temos sido muito descuidados em evitar o pecado venial,

como se ele não fosse uma ofensa e uma ingratidão para convosco.

Senhor, tende piedade de nós!

 

Senhor, tende piedade de nós!

 

  Cristo: fugimos cautelosamente de tudo o que nos exige sacrifício

e não nos lembramos de que a cruz de cada dia apaga as nossas faltas.

Cristo, tende piedade de nós!

 

Cristo, tende piedade de nós!

 

  Senhor, temos esquecido com facilidade os familiares e amigos

que já partiram ao Vosso encontro e necessitam de sufrágios.

Senhor, tende piedade de nós!

 

Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus, Pai de misericórdia, escutai benignamente as nossas orações, para que, ao confessarmos a fé na ressurreição do vosso Filho, se confirme em nós a esperança da ressurreição dos vossos servos. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Atormentado pelo sofrimento que, repentinamente cai sobre ele, Job eleva a sua oração ao Senhor e pronuncia umas palavras de esperança que, à luz da tradição, se entendem como um acto de fé na ressurreição da carne.

 

 

Job 19, 1.23-27ª

 

1Job tomou a palavra e disse: 23«Quem dera que as minhas palavras fossem escritas num livro, ou gravadas em bronze 24com estilete de ferro, ou esculpidas em pedra para sempre! 25Eu sei que o meu Redentor está vivo e no último dia Se levantará sobre a terra. 26Revestido da minha pele, estarei de pé na minha carne verei a Deus. 27aEu próprio O verei, meus olhos O hão-de contemplar».

 

Este pequeno trecho, de irregular transmissão textual, é um dos mais citados pela tradição cristã; corresponde à resposta de Job às acusações dos seus amigos; é um hino de esperança e confiança em Deus no meio do seu atroz sofrimento, um hino que fica bem realçado, ao dizer: «palavras escritas… esculpidas em pedra para sempre».

25 «E no último dia Se levantará sobre a terra». Esta última reformulação da tradução litúrgica – que antes já tinha abandonado o texto latino da Vulgata para se cingir ao texto hebraico massorético – parece ter querido recuperar um sentido escatológico (o da ressurreição final), ao não referir o adjectivo «último» a Deus, mas sim a «dia» (substantivo que não aparece no hebraico, mas que S. Jerónimo subentendeu). No entanto, o verbo «Se levantará» (que S. Jerónimo traduziu na 1ª pessoa, referindo-o a Job) segue o texto hebraico.

26 «Na minha carne verei a Deus». O texto massorético tem o seguinte sentido: ainda nesta vida (com a minha carne já curada) hei-de sentir a protecção de Deus, o seu amor e bondade (é este o sentido corrente no A. T. de «ver a Deus»). A verdade é que a nova tradução litúrgica, baseada na pauta da Neovulgata, quis manter o sentido escatológico do texto, de acordo com o antigo uso do texto na Liturgia dos defuntos. De facto, quando o justo que sofre (Job), haverá de ver plenamente a Deus com a sua carne, será na Ressurreição (ainda que a doutrina da ressurreição não apareça no livro de Job e seja algo ao arrepio desta obra). A Vulgata de S. Jerónimo tinha uma tradução que hoje nenhum crítico segue: «Eu sei que o meu Redentor vive e que no último dia eu hei-de ressuscitar da terra e serei novamente revestido da minha pele e com a minha própria carne verei o meu Deus». A verdade, porém, é que estamos diante duma passagem que oferece bastantes dificuldades para a reconstituição do texto original e a Neovulgata optou por um texto aberto a um sentido escatológico, semelhante ao da tradução litúrgica que aqui temos.

 

Salmo Responsorial      Sl 26 (27), 1.4.7 e 8b e 9a.13-14 (R. 1a ou 13)

 

Monição: O salmo 27 é uma proclamação de inocência de vida diante do Senhor, cheia de confiança na Sua bondade.

O Espírito Santo convida-nos a dirigir uma súplica fervorosa, como resposta à interpelação que Ele mesmo nos dirigiu pelo trecho do livro de Job.

 

Refrão:         Espero contemplar a bondade do Senhor

                      na terra dos vivos.

 

Ou:                O Senhor é a minha luz e a minha salvação.

 

O Senhor é minha luz e salvação:

a quem hei-de temer?

O Senhor é o protector da minha vida:

de quem hei-de ter medo?

 

Uma coisa peço ao Senhor, por ela anseio:

habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida,

para gozar da suavidade do Senhor

e visitar o seu santuário.

 

Ouvi, Senhor, a voz da minha súplica,

tende compaixão de mim e atendei-me.

A vossa face, Senhor, eu procuro:

não escondais de mim o vosso rosto.

 

Espero vir a contemplar a bondade do Senhor

na terra dos vivos.

Confia no Senhor, sê forte.

Tem coragem e confia no Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na segunda Carta aos fieis de Corinto, S. Paulo anima-os – e a cada um de nós – para que não desanimem por causa das breves aflições da vida presente, porque elas preparam-nos uma felicidade eterna no Céu.

 

2 Coríntios 4, 14-18 – 5, 1

 

14Como sabemos, irmãos, Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos há-de ressuscitar com Jesus e nos levará convosco para junto d’Ele. 15Tudo isto é por vossa causa, para que uma graça mais abundante multiplique as acções de graças de um maior número de cristãos para glória de Deus. 16Por isso, não desanimamos. Ainda que em nós o homem exterior se vá arruinando, o homem interior vai-se renovando de dia para dia. 17Porque a ligeira aflição dum momento prepara-nos, para além de toda e qualquer medida, um peso eterno de glória. 18Não olhamos para as coisas visíveis, olhamos para as invisíveis: as coisas visíveis são passageiras, ao passo que as invisíveis são eternas. 5, 1Bem sabemos que, se esta tenda, que é a nossa morada terrestre, for desfeita, recebemos nos Céus uma habitação eterna, que é obra de Deus e não é feita pela mão dos homens.

 

A leitura é duma grande riqueza doutrinal e projecta a luz da fé sobre o mistério da morte, um mistério a que ninguém pode fechar os olhos, sobretudo na comemoração do dia de hoje. A esperança da ressurreição e da glória do Céu, que animava o Apóstolo Paulo, é a mesma que nos anima a nós.

16 «Ainda que em nós o homem exterior se vá arruinando, o homem interior vai-se renovando de dia para dia». A antítese «homem exterior» «homem interior» visa a oposta dualidade da antropologia teológica paulina, mais do que a dualidade da antropologia filosófica grega, embora sem prescindir dela. O homem exterior é o ser humano considerado na sua mortalidade, votado à ruína e decomposição física (cf. v. 7: um frágil «vaso de barro»), em contraste com o homem interior, que aqui, mais do que a imortalidade da filosofia grega (a athanasía: cf. 1 Cor 15, 53-54; 1 Tim 6, 16), parece indicar a vitalidade sobrenatural imperecível infundida no Baptismo, um princípio de santificação que possibilita que o homem regenerado se vá renovando de dia para dia, identificando-se cada vez mais com Cristo ressuscitado. A vida dos santos demonstra esta afirmação paulina: à medida que os seus corpos se vão consumindo por sofrimentos e penitências corporais, renova-se a sua juventude de alma, a sua alegria. A propósito destas noções, temos que reconhecer que Paulo não utiliza nos seus escritos um modelo antropológico único; com efeito, embora a sua formação seja radicalmente hebraica, ele, ao dirigir-se ao mundo helenístico, também se serve de categorias do pensamento filosófico grego corrente. Daqui provém, às vezes, alguma dificuldade de interpretação dos seus textos, cuja antropologia não se pode absolutizar.

5, 1 «Tenda... morada terrestre...» Tenda (skênos), designa no mundo grego o corpo, como invólucro da alma, uma alusão ao carácter provisório da nossa morada terrestre, em contraposição com o corpo já ressuscitado e glorioso, à maneiro do de Cristo. Que Paulo admite uma escatologia individual e intermédia, distinta da ressurreição final, é uma coisa que fica bem clara neste mesmo capítulo 5 da 2ª aos Coríntios «preferimos exilar-nos do corpo para ir morar junto de Cristo» (cf. Declaração da Congregação para a Doutrina da Fé em 17-5-79; ver texto em CL, ano C (1979-80), n.º 11/12, pp. 1698-1700).

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 1, 25

 

Monição: O Senhor revela as Suas maravilhas aos que procuram caminhar na infância espiritual, fazendo-se pequenos por amor do Reino dos Céus.

Manifestemos o nosso agradecimento por esta verdade confortante e aclamemos o Evangelho da nossa Salvação, cantando Aleluia.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

Bendito sejais, ó Pai, Senhor do céu e da terra,

porque revelastes aos pequeninos os mistérios do reino.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 11, 25-30

 

25Naquele tempo, Jesus exclamou: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. 26Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado. 27Tudo Me foi dado por meu Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. 28Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. 29Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. 30Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve».

 

A leitura é uma das mais belas orações de Jesus que aparecem nos Evangelhos, um hino de louvor e de acção de graças, que também aparece em Lc 10, 21-24.

25-27 «Sábios e inteligentes» (prudentes) são os sábios orgulhosos, que confiam apenas na sua sabedoria; auto-suficientes, julgam poder salvar-se com os seus próprios recursos de inteligência e poder. Os «pequeninos» são os humildes, abertos à fé, capazes de visão sobrenatural. A revelação divina só pode ser aceite e captada pela fé. Uma ciência soberba impede de aceitar a loucura divina da Cruz (cf. 1 Cor 1, 19-31). Jesus reivindica para Si um conhecimento do Pai (Deus) perfeitamente idêntico ao conhecimento que o Pai tem do Filho (Jesus), e isto porque Ele, e só Ele, é o Filho, igual ao Pai, Deus com o Pai.

28-30 Palavras estas maravilhosas, que nos patenteiam os sentimentos do Coração de Cristo. O povo andava «cansado e oprimido» com as minuciosas exigências da lei antiga e das tradições que os fariseus e doutores da lei impunham com todo o rigorismo do seu frio e insuportável legalismo que oprimia a liberdade interior e roubava a paz ao coração. Jesus não nos dispensa de levar o seu «jugo» e a sua «carga», mas não quer que nos oprima, pois quer que O sigamos por amor, e «para quem ama é suave; pesado, só para quem não ama» (Santo Agostinho, Sermão 30, 10). O mesmo Santo Agostinho comenta esta passagem: «qualquer outra carga te oprime e te incomoda, mas a carga de Cristo alivia-te do peso. Qualquer outra carga tem peso, mas a de Cristo tem asas. Se a uma ave lhe tirares as asas, parece que a alivias do peso, mas, quanto mais lhas tirares, mais esta pesa; restitui-lhe o peso das suas asas, e verás como voa» (Sermão 126, 12).

 

 

Sugestões para a homilia

 

– Creio da Vida Eterna

Deus aguarda-nos de braços abertos

Ressuscitaremos

O Purgatório, espaço de purificação

– A fé no Purgatório

O purgatório, sinal do amor de Deus

As penas que nos purificam

Como podemos ajudar as almas

1. Creio da Vida Eterna

A vida na terra é um tempo de provação na qual preparamos uma eternidade feliz. Certa manhã, S. Teresa de Ávila, ainda pequenina desafiou o seu irmão Rodrigo a caminhar para o norte de África, ao encontro dos mouros, para que os martirizasse. Pelo caminho encorajava o irmão, repetindo-lhe constantemente: «Para sempre, Rodrigo!» Ao que ele respondia: «Para sempre, Teresa!» O encontro com um tio pôs fim a esta aventura ingénua de duas crianças.

 

a) Deus aguarda-nos de braços abertos. «Eu sei que o meu Redentor está vivo e no último dia Se levantará sobre a terra

Não somos pessoas iludidas que apenas seguem uns ideais belos, nesta caminhada terrena. Acreditamos num Deus vivo e procuramos amá-l’O com todas as nossas forças.

Vivemos na esperança de que Ele tem guardada para nós uma felicidade eterna, em comunhão de Verdade e Amor com o Pai, o Filho e o Espírito Santo e com toda a Igreja, no Paraíso.

Trabalhamos animados pela esperança. Vencida na terra esta prova de Amor, Deus abre-nos os braços e acolhe-nos para sempre no Céu.

O Amor de deus com que realizamos as mais diversas tarefas da vida é a marca de autenticidade, para o prémio que nos espera.

Participamos já na vida presente na comunhão com Deus e com toda a Igreja, embora de modo embrionário, pela vida em graça. Viveremos esta comunhão na Verdade e no Amor para sempre, na Vida Eterna.

 

b) Ressuscitaremos. «Revestido da minha pele, estarei de pé; na minha carne verei o meu Deus.» Incorporados em Cristo pelo Baptismo, ressuscitaremos à Sua imagem e semelhança.

O nosso corpo desfazer-se-á no seio da terra, voltando ao pó de que foi feito. No fim do mundo há-de reestruturar-se – substancialmente o mesmo corpo – para viver revestido dos dotes do corpo glorioso para sempre com Deus e com os irmãos.

A Igreja, na Liturgia das Exéquias, honra o corpo humano já sem vida, porque foi templo do Espírito santo, desde o Baptismo até morte; e celebra naquele irmão a vitória de Cristo ressuscitado, proclamada pela sua vida de fé. É este o sentido da última homenagem da Igreja a alguém que parte ao encontro de Deus.

 

c) O Purgatório, espaço de purificação. Entre a morte corporal e o fim do mundo, seguido da ressurreição dos mortos, há um espaço de purificação, diverso para cada pessoa, segundo a medida de Deus.

Seremos purificados dos nossos desvios da vontade de Deus no decurso da nossa caminhada na terra, quer quando nos abandonamos ao pecado, quer ainda quando nos recusamos a caminhar ao ritmo de Deus.

Há uma dívida contraída pelos nossos pecados. Quando estes são graves, mortais, devem ser absolvidos no sacramento da Reconciliação e Penitência ou, em caso de urgência, pelo acto de contrição perfeita. Mesmo depois de perdoados os pecados graves ou leves, resta ainda uma pena para expiar.

Estas manchas serão apagadas pela oração, pela penitência e boas obras – nesta vida – ou pela purificação antes de entrarmos na glória eterna.

Terminada a vida terrena, acaba o nosso tempo de merecer. Mas as pessoas que vivem ainda na terra podem socorrer com sufrágios as almas que ainda estão a ser purificadas.

O purgatório aparece como o lugar de embelezamento antes do festim eterno e é mais um gesto do carinho de deus para connosco. Os pais desejam contemplar os filhos com a maior beleza possível.

2. A fé no Purgatório.

Deus revela as verdades maravilhosas da fé aos pequeninos, aos humildes. Aos auto-suficientes, aqueles que confiam mais na capacidade do seu raciocino do que no Magistério da Igreja, deixa-os às escuras.

É uma verdade comprovada na história da Igreja. Os santos são os precursores das grandes descobertas dos teólogos.

Muitas afirmações do Concílio Vaticano II que passaram a ser património da fé já tinham sido escritas e pregadas por pessoas que hoje estão nos altares e que em vida sofreram porque as suas afirmações foram apodadas de heréticas.

As afirmações do Magistério da Igreja sobre o Purgatório são lineares e simples. De resto, querer compreender tudo, antes de o aceitar, é tornar inviável a entrega da inteligência que a fé nos pede.

 

a) O purgatório, sinal do amor de Deus. O nosso Pai do Céu ama-nos tanto que nos deseja contemplar com a maior perfeição e formosura possíveis eternamente no Céu. Não são assim todos os pais e mães do mundo? É o amor que os leva a realizar muitos sacrifícios, para que os filhos tenham qualidade de vida e se apresentem com a maior dignidade possível.

Alem disso, o Céu é uma festa que perdurará por toda a eternidade. Vale a pena preparar-se bem para tomar parte nela.

É convicção de muitos que se o Senhor facultasse a cada alma tomar parte na felicidade do Céu com as manchas que levam da terra, possivelmente, elas recusariam, porque desejam estar lá o mais formosas possível.

É verdade que toda esta linguagem é analógica, porque se torna impossível exprimir com perfeição verdades que só conhecemos pela luz da fé.

 

b) As penas que nos purificam. Nada está revelado sobre as penas do Purgatório. Ficamos apenas com a afirmação de Jesus: «Há pecados que não são perdoados nesta vida nem na outra.» Não se trata, com certeza, de pecados mortais. Para esses acabou o tempo de mudar de opção.

A saudade, tão portuguesa e tão lembrada pelos nossos escritores e poetas, pode ajudar-nos a vislumbrar algo desta verdade. Uma pessoa sente saudade de outra que é amiga, mesmo sabendo que ela está bem e que vai encontrá-la em breve.

As almas do Purgatório estão confirmadas em graça, e sabem com certeza que já não podem perder a amizade de Deus – a graça santificante – e tomarão parte na glória de Deus para sempre.

Mas, agora que estão livres de tudo o que as distraía do principal, na vida terrena, vêem agora mais claramente que Deus é o Sumo Bem, a sua única felicidade. Alem disso, têm consciência de que a culpa deste adiamento do encontro com o Senhor se deve exclusivamente à sua culpa.

 

c) Como podemos ajudar as almas. É uma fé constante da Igreja, desde os primeiros passos, que podemos sufragar as almas do Purgatório.

Já no Antigo Testamento Judas Macabeu mandou fazer uma colecta pelos soldados que tinham morrido em combate contra os soldados de Antíoco, em defesa da fé. (cf. 2 Mac 12, 43-46).

A Igreja ensinou e praticou sempre esta verdade, na pregação dos Homens da Igreja, na Liturgia e nos monumentos funerários.

De resto, os sufrágios são uma vivência excelente de comunhão na Igreja: «os que podem aos que precisam.»

Como meios de sufrágio são apontados: a oração, o jejum, a esmola, as indulgências aplicadas por elas* e, principalmente, a Celebração da Eucaristia.

Os sufrágios estão em sintonia com a devoção a Nossa Senhora. Recorda-se aqui o Privilégio Sabatino atribuído ao Escapulário de Nossa Senhora do Carmo. Trata-se de uma pia crença, avalada por muitos Sumos Pontífices.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

 

Jesus fez em certo dia da Sua vida pública o seguinte convite:

«Vinde a Mim todos os que andais sobrecarregados e Eu vos aliviarei.»

Com a certeza de que seremos bem acolhidos em nossas petições,

apresentemos-Lhe, confiantes, as necessidades de todo o mundo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Queremos ver transformados, Az. Oliveira, NMRS 17

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai com bondade, Senhor, as nossas ofertas e fazei que os vossos fiéis defuntos sejam recebidos na glória do vosso Filho, a quem nos unimos neste sacramento de amor. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio dos Defuntos: p. 509 [652-764] e pp. 510-513

 

Santo: Az. Oliveira, NRMS 8 (II)

 

Monição da Comunhão

 

«Eu sou o pão vivo que desceu do céu», diz o Senhor; «se alguém comer este pão, viverá eternamente». Nós, que desejamos viver eternamente no céu, em comunhão de vida com a Santíssima Trindade, comunguemos agora com as necessárias disposições.

 

Cântico da Comunhão: Felizes os convidados, M. Luis, NRMS 4

Jo 11, 25-26

Antífona da comunhão: Eu sou a ressurreição e a vida, diz o Senhor. Quem crê em Mim, ainda que tenha morrido, viverá. Quem vive e crê em Mim viverá para sempre.

 

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Senhor, que os vossos servos defuntos por quem celebrámos o mistério pascal sejam conduzidos à vossa morada de luz e de paz. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Peçamos ao Divino Espírito Santo o dom da Fortaleza, para sermos capazes de dar testemunho da nossa fidelidade a Jesus Cristo, também quando isto exige de nós sacrifício e até martírio. Animemos também os nossos irmãos na fé a viver as suas exigências no meio das dificuldades.

 

Cântico final: Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno, B. Salgado, NRMS 19-20

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Fernando Silva

Nota Exegética:    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:              Duarte Nuno Rocha

 



* Para que alguém seja capaz de lucrar indulgências, deve ser baptizado, não estar excomungado e encontrar-se em estado de graça, pelo menos no fim das obras prescritas.
 O fiel deve também TER INTENÇÃO, AO MENOS GERAL, DE GANHAR A INDULGÊNCIA e cumprir as ações prescritas, no tempo determinado e no modo devido, segundo o teor da concessão.

       Parágrafo 1. A indulgência plenária só se pode ganhar uma vez ao dia.
Parágrafo 2. Contudo, o fiel em artigo de morte pode ganhá-la, mesmo que já a tenha conseguido nesse dia.
Parágrafo 5. A indulgência parcial pode ganhar-se mais vezes ao dia, se expressamente não se determinar o contrário.

       Parágrafo 1. A obra prescrita para alcançar a indulgência plenária anexa à igreja ou oratório, é a visita aos mesmos: neles se recitam a oração dominical e o símbolo aos apóstolos (Pai-nosso e Credo), a não ser caso especial em que se marque outra coisa.

                Parágrafo 1. Para lucrar a indulgência plenária, além da repulsa de todo o afeto a qualquer pecado até venial, requerem-se a execução da obra enriquecida da indulgência e o cumprimento das três condições seguintes: confissão sacramental, comunhão eucarística, e oração nas intenções do Sumo Pontífice.

 

                Visita ao cemitério - Ao fiel que visitar devotamente um cemitério e rezar, mesmo em espírito, pelos defuntos, concede-se indulgência aplicável somente às almas do purgatório. Esta indulgência será plenária, cada dia, de 1 a 8 de novembro; nos outros dias será parcial


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