Solenidade de Todos os Santos

1 de Novembro de 2007

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Senhor deu aos Santos a glória eterna, M. Carvalho, NRMS 59

 

Antífona de entrada: Exultemos de alegria no Senhor, celebrando este dia de festa em honra de Todos os Santos. Nesta solenidade alegram-se os Anjos e cantam louvores ao Filho de Deus.

 

Diz-se o Glória

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Hoje, festa de Todos os Santos, celebramos a fidelidade corajosa dos heróis que viveram, defenderam e espalharam a fé; reconheçamos com humildade quem somos e peçamos perdão ao Senhor.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que nos concedeis a graça de honrar numa única solenidade os méritos de Todos os Santos, dignai-Vos derramar sobre nós, em atenção a tão numerosos intercessores, a desejada abundância da vossa misericórdia. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Deus não quer outra coisa senão que sejamos santos.

Houve e haverá sempre santos em todos os estados e condições sociais.

Querer ser santo, trabalhar sem preguiça para agradar ao Senhor, é obrigação comum.

 

Apocalipse 7, 2-4.9-14

 

2Eu, João, vi um Anjo que subia do Nascente, trazendo o selo do Deus vivo. Ele clamou em alta voz aos quatro Anjos a quem foi dado o poder de causar dano à terra e ao mar: 3«Não causeis dano à terra, nem ao mar, nem às árvores, até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus». 4E ouvi o número dos que foram marcados: cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel. 9Depois disto, vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé, diante do trono e na presença do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas e de palmas na mão. 10E clamavam em alta voz: «A salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro». 11Todos os Anjos formavam círculo em volta do trono, dos Anciãos e dos quatro Seres Vivos. Prostraram-se diante do trono, de rosto por terra, e adoraram a Deus, dizendo: 12«Amen! A bênção e a glória, a sabedoria e a acção de graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amen!». 13Um dos Anciãos tomou a palavra e disse-me: «Esses que estão vestidos de túnicas brancas, quem são e de onde vieram?». 14Eu respondi-lhe: «Meu Senhor, vós é que o sabeis». Ele disse-me: «São os que vieram da grande tribulação, os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro».

 

Numa grandiosa visão, o vidente de Patmos deixa ver que no meio de tantas desgraças e ainda antes que cheguem as piores, as que correspondem à abertura do 7º selo (cap.8), os cristãos, que formam uma imensa multidão, estão sob a protecção de Deus, mesmo quando perseguidos e sujeitos ao martírio.

2-4 «O selo (o sinete de marcar) do Deus vivo». Alusão ao timbre então usado pelos monarcas para imprimir o sinal de propriedade ou autenticidade: por vezes os escravos e soldados eram marcados na pele com um ferro em brasa. O símbolo está tomado destes costumes da época e sobretudo da profecia de Ezequiel (Ez 9, 4-6), por isso alguns Padres viram nesta marca, em forma de cruz (pela alusão ao tav de Ezequiel, a última consoante hebraica), o carácter baptismal. «Cento e quarenta e quatro mil» é um número simbólico; com efeito, os números do Apocalipse são habitualmente simbólicos, o que neste caso é evidente por se tratar de um jogo de números: 12 x 12000 (doze mil por cada uma das doze tribos de Israel). Estes 144.000, segundo uns, «representam toda a Igreja sem restrição» (Santo Agostinho), pois esta é o novo Israel de Deus (cf. Gal 6, 16) e são a mesma «multidão imensa que ninguém podia contar» (v. 9). Segundo outros, estes 144.000 são os cristãos procedentes do judaísmo, muito particularmente os que foram poupados das calamidades que assolaram a Palestina, por ocasião da destruição da nação judaica no ano 70.

11 «Os (24) Anciãos». Há grande variedade de opiniões para decifrar este símbolo, não se podendo sequer estabelecer se se trata de seres angélicos ou humanos. Santo Agostinho diz que «são a Igreja universal; os 24 anciãos são os superiores jerárquicos e o povo: 12 representam os Apóstolos e os bispos, e os outros 12 representam o restante povo da Igreja». «Os 4 Viventes» (à letra, «animais»), uma tradução preferível a: «os 4 animais», uma vez que o terceiro tem rosto humano (cf. Apoc 4, 7). A quem representam estes seres misteriosos, que reúnem características dos querubins de Ez 1 e dos serafins se Is 6? Podem muito bem simbolizar os quatro pontos cardeais, ou os quatro elementos do mundo (terra, fogo, água e ar), isto é, a totalidade do Universo. Deste modo, a presente «visão» apresenta-nos, unidos numa única adoração e louvor a Deus e a Cristo, os Anjos, a Humanidade resgatada e o próprio Universo material. A interpretação segundo a qual os Quatro Seres simbolizam os Quatro Evangelistas deve-se a Santo Ireneu e é uma acomodação espiritual do texto inspirado.

12 «Amen! Bênção, glória…»: Aqui, como ao longo de todo o Apocalipse, sente-se como a liturgia da Igreja faz eco à liturgia celeste, especialmente nas aclamações a Deus e ao Cordeiro.

14 «A grande tribulação». Tanto se pode tratar duma perseguição aos cristãos mais violenta no fim dos tempos, como das perseguições e das tribulações em geral no curso da história da Igreja. Mas é provável que o vidente de Patmos tenha presente em primeiro plano, as violentas perseguições de Nero e Domiciano, muito embora englobando nestas todas as outras.

«Lavaram as suas túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro». «Não se designam só os mártires, mas todo o povo da Igreja – comenta Santo Agostinho –, pois não disse que lavaram as suas túnicas no seu próprio sangue, mas no sangue do Cordeiro, isto é, na graça de Deus, por Jesus Cristo Nosso Senhor, conforme está escrito: e o seu sangue purifica-nos (1 Jo 1, 7)».

 

Salmo Responsorial      Sl 23 (24), 1-2.3-4ab.5-6 (R. cf. 6)

 

Monição: Devemos pôr a mira ao mais alto grau de santidade; depois avancemos sem parar, sem recuar; os santos são modelos de perfeição e trabalho.

 

Refrão:         Esta é a geração dos que procuram o Senhor.

 

Do Senhor é a terra e o que nela existe,

o mundo e quantos nele habitam.

Ele a fundou sobre os mares

e a consolidou sobre as águas.

 

Quem poderá subir à montanha do Senhor?

Quem habitará no seu santuário?

O que tem as mãos inocentes e o coração puro,

o que não invocou o seu nome em vão.

 

Este será abençoado pelo Senhor

e recompensado por Deus, seu Salvador.

Esta é a geração dos que O procuram,

que procuram a face de Deus.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. João canta no seu evangelho o amor e caridade; no Apocalipse refere: aquele que é santo faça-se mais santo, aquele que é justo torne-se mais justo. Por que esperamos mais?

 

1 São João 3, 1-3

 

Caríssimos: 1Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus. E somo-lo de facto. Se o mundo não nos conhece, é porque não O conheceu a Ele. 2Caríssimos, agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, na altura em que se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porque O veremos tal como Ele é. 3Todo aquele que tem n’Ele esta esperança purifica-se a si mesmo, para ser puro, como Ele é puro.

 

A leitura é um dos textos clássicos da filiação adoptiva divina, uma exigência constante de santidade.

1 «E somo-lo de facto». S. João não se contenta com dizer que somos chamados filhos de Deus, o que bastaria para que um semita entendesse, pois para ele ser chamado (por Deus) equivalia a ser. S. João quer falar para que todos entendamos esta realidade sobrenatural que «o mundo», sem fé, não pode captar nem apreciar.

2 A filiação divina capacita-nos para a glória do Céu, pois não é uma mera adopção legal e extrínseca, como a adopção humana de um filho. A adopção divina implica uma participação da natureza divina (cf. 2 Pe 1, 4) pela graça. «Semelhantes a Deus», desde já; mas só na glória celeste se tornará patente o que já «agora somos». «O veremos tal como Ele é», esta é a melhor definição da infinda felicidade do Céu, de que gozam todos os Santos que hoje festejamos: contemplar a Deus tal qual Ele é, não apenas as suas obras, mas a Ele próprio, «face a face» (cf. 1 Cor 13, 12).

3 «Purifica-se a si mesmo». A certeza da filiação divina conduz-nos à purificação e à imitação de Cristo, o Filho de Deus por natureza: «como Ele é puro»; efectivamente, os puros de coração hão-de ver a Deus (cf. Evangelho de hoje: Mt 5, 8).

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: Aqueles que observam os mandamentos de Deus são felizes já neste mundo; Jesus Cristo no-lo assegura proclamando as oito bem-aventuranças.

 

Aleluia

 

Cântico: J. Duque, NRMS 21

 

Vinde a Mim, vós todos os que andais cansados

e oprimidos e Eu vos aliviarei, diz o Senhor.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 5, 1-12ª

 

Naquele tempo, 1ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos 2e Ele começou a ensiná-los, dizendo: 3«Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. 4Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra. 5Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. 6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. 9Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. 11Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. 12aAlegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa».

 

As 8 bem-aventuranças, expressas na terceira pessoa do plural, têm em Mateus um carácter solene e universal, para todas as pessoas e para todos os tempos. Elas condensam a grande novidade do Evangelho, em contraste flagrante com o próprio pensamento religioso judaico então vigente, para já não falarmos do espírito mundano, hedonista do paganismo de então e do de agora. Elas não são expressão de uma «ética dos débeis», mas, pelo contrário, dum ideal de vida para almas fortes e generosas. As bem-aventuranças correspondem a uma ética que, quando vivida a sério, é capaz de renovar as pessoas e a sociedade, como o demonstra a vida de todos os santos.

3 «Bem-aventurados». Esta tradução (em vez de «felizes») vinca a ideia de que o Senhor promete a felicidade na bem-aventurança eterna e, ao mesmo tempo, já nesta vida, ao dizê-la do presente: «deles é» (não diz «deles será»). As bem-aventuranças são o mais surpreendente código de felicidade, e não se trata de uma felicidade qualquer: é uma felicidade incomparável, interior e profunda, embora ainda não possuída de modo perfeito e completo na vida terrena.

«Os pobres em espírito». «No Antigo Testamento, o pobre está já delineado não só como uma situação económico-social, mas como um valor religioso muito elaborado: é pobre quem se apresenta diante de Deus com uma atitude humilde, sem méritos pessoais, considerando a sua realidade de homem pecador, necessitado do perdão divino, da misericórdia de Deus para ser salvo. Daí que, além de viver com uma sobriedade e uma austeridade de vida reais, efectivas, ele aceita e quer tais condições de pobreza não como algo imposto pela necessidade, mas voluntariamente, com afecto (…). A ‘explicação’ de Mateus, em espírito, sublinha a exigência dessa mesma pobreza: não é pobre em espírito quem só o é obrigado pela sua situação económico-social, mas sim quem, além disso, é pobre querendo essa pobreza de modo voluntário (…). Esta atitude religiosa de pobreza está muito relacionada com a chamada infância espiritual. O cristão considera-se diante de Deus como um filho pequeno que não tem nada como propriedade; tudo é de Deus, o seu Pai, e a Ele lho deve. De qualquer modo, a pobreza em espírito, isto é, a pobreza cristã, exige o desprendimento dos bens materiais e uma austeridade no uso deles» (J. M. Casciaro). Pode-se ver o belo comentário de São Leão Magno no ofício de leitura da 6ª feira da semana XXII do tempo comum.

4 «Os humildes». A tradução preferiu um termo mais suave do que «os mansos», que são os que sofrem serenamente e sem ira, ódio ou abatimento, as perseguições injustas e as contrariedades. De facto só os humildes são capazes da virtude da mansidão, pois não dão demasiada importância a si próprios. A «terra» é a nova terra prometida, isto é, o Céu.

5 «Os que choram», isto é, os aflitos, e muito particularmente os que têm o coração cheio de mágoa por terem ofendido a Deus e que, com vontade de reparação, choram e deploram os seus pecados.

6 «Fome e sede de justiça». A ideia de justiça na Sagrada Escritura é uma ideia de natureza religiosa: justo é aquele que cumpre a vontade de Deus, e justiça corresponde a santidade, vocação a que todos são chamados.

8 «Os puros de coração» são, em geral, os que têm uma intenção recta, os que são capazes de um amor puro, limpo e nobre, os que têm um olhar recto e são; está, portanto, englobada a castidade, mas não é só ela a ser referida aqui.

9 «Os que promovem a paz» (uma tradução mais expressiva do que os pacíficos) são os que promovem a paz entre os homens e dos homens com Deus, fundamento sério de toda a paz no mundo.

11-12 Depois das 8 bem-aventuranças anteriores, que formam um bloco (uma inclusão marcada pela fórmula «porque deles é o reino dos Céus»: vv. 3 e 10), há uma ampliação e uma aplicação directa aos ouvintes da 8ª e última bem-aventurança.

 

Sugestões para a homilia

 

Hoje celebramos uma das solenidades mais alegres jubilosas de toda a Liturgia: a memória festiva de Todos os Santos.

Não apenas os Santos canonizados – muitos deles já têm a sua festa ou memória ao longo do ano –, nem «os santos anónimos e desconhecidos» mas celebramos a Santidade no Céu e na Terra: todos os santificados por Cristo, tanto os que alcançaram a plenitude da glória, como os que ainda lutamos na terra por lá chegar.

É festa de sentido universal: abrange todos os justificados pela fé em Cristo, «marcados e selados» com a força do Espírito Santo no Baptismo e demais Sacramentos, que nos «consagram a Deus e nos «santificam com a própria santidade de Cristo.

 

1. A felicidade do homem é amada e buscada com paixão. A vida, a paz, a alegria, o descanso, a saúde, o amor, encerram-se nessa felicidade.

O homem feliz quer ainda riqueza, bem-estar, conforto… considerando tudo valores possíveis pelos quais trabalha e luta.

Os judeus partiam de Deus, desde o princípio para o conseguirem, em lenta evolução, desde o terrestre ao celeste.

Para os antigos gregos e romanos os deuses pagãos eram felizes porque encarnam na sua vida os santos de felicidade do homem.

mas não se preocupam em ampliar essa felicidade ao homem; o Deus da Bíblia, pelo contrário, ocupa-se com solicitude de todos os homens, do Seu povo, para a qual é como um pai.

a felicidade do homem dimana da benevolência de Deus, é pura graça do Senhor.

– Pensemos estas citações da palavra de Deus:

Felizes os que esperam n’Ele

Feliz o homem que se confere a Ti

– Aspirações do terreno ao celeste: ter bons filhos, celeiros a abarrotar, muitos rebanhos, um rei poderoso, triunfador, uma esposa sensata, ser prudente, não pecar com a língua, compadecer-se do pobre, são aspirações de todo o israelita.

Depois virá uma felicidade póstuma:

 

2. É um conceito bíblico de felicidade proveniente de Deus e que a Ele torna que nos leva a compreender as Bem-aventuranças evangélicas e aqueles que as praticaram: cumprindo assim a vontade de Deus – os mandamentos – e se santificaram i.e. tingiram sua vida de sangue – por penitências, jejuns, orações, esmolas – todo o bem que agradou ao Senhor.

a) Ser santo não é apenas praticar boas obras mas ser virtuoso, forte, possuir e praticar virtudes.

É adquirir a facilidade de praticar o bem, adquirida pelo exercício constante, e a inclinação da vontade para o bem.

O santo é virtuoso por hábito ininterrupto, não esporadicamente, pois realiza boas acções em continuidade, como uma cadeia a que se acrescentam sempre elos até à morte.

b) Há virtudes que são louvadas mesmo pelos mundanos, como a generosidade, a prudência, etc; outras são desprezíveis para eles, como a mansidão, a humildade, o amor aos inimigos. Certas virtudes residem mais na inteligência como a fé; outras mais na vontade como a temperança.

A virtude mais excelente e mais perfeita é o amor de Deus, porque só ela une o homem a Deus, só ela torna as outras virtudes meritórias e só ela subsiste depois da morte.

As mais preciosas são as teologais porque o seu objecto é Deus. A mais excelente é a caridade, diz S. Paulo.

Tem o primeiro lugar entre as virtudes como o fogo entre os elementos, o ouro entre os metais, o Sol entre os astros e os serafins entre os anjos (Marchant).

 

3. As virtudes crescem pelo aumento da graça santificante e pela prática.

Foi esse trabalho diário dos Santos.

O heroísmo nas virtudes teologais e cardeais é exigido para a beatificação e canonização de um santo – no que se refere aos deveres do próprio estado.

Todas as virtudes perfeitas se perdem por um só pecado mortal, porque por ele se perde a caridade sem a qual não há virtude perfeita; as virtudes perfeitas diminuem logo que há afrouxamento na prática do bem.

No trabalho da santidade não são de louvar as pausas, os interregnos, as interrupções; os heróis são os que lutam durante toda a batalha até à vitória, até à morte.

A única coisa grande na nossa vida, o trabalho mais bem pago, o gasto físico e intelectual mais apetecível, o único empenho que vale a pena, é olhar os modelos – os santos – e cumprir o pedido de Jesus: Sede meus imitadores, sede perfeitos e santos como o vosso Pai do céu é perfeito e santo.

Na Eucaristia vive-se plenamente essa comunidade dos Santos, que é toda a Igreja de Jesus.

Aqui somos santificados e cristificados ao máximo.

Da Eucaristia tiraremos a água viva, cuja fonte está no coração de Deus, que é o espírito que palpita nas Bem-aventuranças.

 

 

Fala o Santo Padre

 

«A Liturgia convida-nos a dilatar o coração e a rezar por todos.»

 

1. «Alegremo-nos todos no Senhor / nesta solenidade de todos os Santos».

É com este convite à alegria que, hoje, começa a Celebração eucarística em honra de Todos os Santos. A Igreja peregrina sobre a terra eleva o seu olhar para o Céu e une-se exultante ao coro de quantos Deus associou à sua glória. É a comunhão dos Santos!

2. Precisamente à luz deste mistério maravilhoso, amanhã celebraremos a anual Comemoração de todos os fiéis defuntos. A Liturgia convida-nos a dilatar o coração e a rezar por todos, especialmente pelas almas mais necessitadas da Misericórdia divina. […]

 

João Paulo II, Angelus, 1 de Novembro de 2004

 

Oração Universal

 

Irmãos: ao contemplarmos, hoje, com alegria, a glória dos eleitos no céu, apresentemos ao Pai as nossas súplicas por todos os homens, nossos irmãos.

 

1.  Pela Igreja,

para que renovada e santificada pelo Sangue de Cristo,

seja sinal de salvação para o mundo inteiro.

 

2.  Pelo Papa, pelos Bispos e sacerdotes

e por quantos servem as nossas comunidades,

para, cheios da luz do Espírito Santo,

sigam os caminhos das bem-aventuranças.

 

3.  Pelos povos de toda a terra e seus governantes,

para que a fome e a sede de justiça

os comprometa num mundo novo de paz e amor.

 

4.  Pelos pobres, tristes, desempregados e marginalizados,

para que nas bem-aventuranças do Evangelho

encontrem estímulo, esperança e alegria.

 

5.  Por nós, aqui reunidos

e pela nossa comunidade

para que, a exemplo dos Santos,

dediquemos toda a nossa vida ao Reino de Deus.

 

Atendei, Senhor, as súplicas do Vosso Povo e pelos méritos e intercessão de todos os Vossos

 Santos, concedei-lhe o dom da fidelidade aos vossos desígnios de Pai.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Aceitai, Senhor, a nossa alegria, M. Carneiro, NRMS 73-74

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, os dons que Vos apresentamos em honra de Todos os Santos e fazei-nos sentir a intercessão daqueles que já alcançaram a imortalidade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que e Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

A glória da nova Jerusalém, nossa mãe

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai Santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Hoje nos dais a alegria de celebrar a cidade santa, a nossa mãe, a Jerusalém celeste onde a assembleia dos Santos, nossos irmãos, glorificam eternamente o vosso nome. Peregrinos dessa cidade santa, para ela caminhamos na fé e na alegria, ao vermos glorificados os ilustres filhos da Igreja, que nos destes como exemplo e auxílio para a nossa fragilidade.

Por isso, com todos os Anjos e Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Em união com os santos que, no céu, se encontram em total comunhão com o Pai, nós que vamos a caminho enchamo-nos de coragem e confiança.

 

Cântico da Comunhão: Louvai nações do universo, M. Simões, 63

Mt 5, 8-10

Antífona da comunhão: Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus.

 

Cântico de acção de graças: Povos da terra, louvai ao Senhor, M. Simões, NRMS 55

 

Oração depois da comunhão: Nós Vos adoramos, Senhor nosso Deus, única fonte de santidade, admirável em todos os Santos, e confiadamente Vos pedimos a graça de chegarmos também nós à plenitude do vosso amor e passarmos desta mesa de peregrinos ao banquete da pátria celeste. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vamos levar ao mundo a novidade feliz das bem-aventuranças.

Vamos em paz na companhia do Senhor.

 

Cântico final: Queremos ser construtores, Az. Oliveira, NRMS 35

 

 

 

Celebração e Homilia:       Ferreira de Sousa

Nota Exegética:    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:              Duarte Nuno Rocha

 


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