29º Domingo Comum

D. M. das Missões

21 de Outubro de 2007

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vinde, Senhor, vinde em meu auxílio, A. Cartageno, NRMS 90-91

Salmo 16, 6.8.9

Antífona de entrada: Respondei-me, Senhor, quando Vos invoco, ouvi a minha voz, escutai as minhas palavras. Guardai-me dos meus inimigos, Senhor. Protegei-me à sombra das vossas asas.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

As fronteiras da Igreja são as fronteiras do mundo, de tal modo que todas as pessoas de todos os tempos, nações, raças e idade são chamadas à Salvação Eterna, começando já na terra esta aventura de Amor de Deus.

Ele recorda-nos esta verdade constantemente e, com peculiar insistência, todos os anos no ia Mundial das Missões.

Perante o grande número de pessoas que nunca chegaram ao conhecimento do único Redentor do mundo, da única Barca de Salvação que é a Igreja, que pode fazer cada um de nós?

 

Acto penitencial

 

Reconheçamos humildemente que não temos um coração missionário. Isto significa que não nos temos preocupado com os que ainda não receberam a luz do Evangelho.

Peçamos perdão pelo egoísmo que nos tem levado a estas faltas de solidariedade para com os nossos irmãos mais necessitados da luz da Redenção.

Prometamos, com a ajuda de Deus, sermos mais diligentes a partir de agora.

 

(Tempo de silêncio.)

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, dai-nos a graça de consagrarmos sempre ao vosso serviço a dedicação da nossa vontade e a sinceridade do nosso coração. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Perseverando em oração no alto do monte, enquanto o Povo de Deus combatia na planície contra os Amalecitas, Moisés obtém para ele uma vitória retumbante.

A vitória de Deus na causa missionária depende também de que cada um de nós, enquanto os missionários consomem as energias nas tarefas de Evangelização, nós permaneçamos com os braços levantados ao Céu em oração.

 

Êxodo 17, 8-13

 

8Naqueles dias, Amalec veio a Refidim atacar Israel. 9Moisés disse a Josué: «Escolhe alguns homens e amanhã sai a combater Amalec. Eu irei colocar-me no cimo da colina, com a vara de Deus na mão». 10Josué fez o que Moisés lhe ordenara e atacou Amalec, enquanto Moisés, Aarão e Hur subiram ao cimo da colina. 11Quando Moisés tinha as mãos levantadas, Israel ganhava vantagem; 12mas quando as deixava cair, tinha vantagem Amalec. Como as mãos de Moisés se iam tornando pesadas, trouxeram uma pedra e colocaram-na por debaixo para que ele se sentasse, enquanto Aarão e Hur, um de cada lado, lhe seguravam as mãos. Assim se mantiveram firmes as suas mãos até ao pôr do sol 13e Josué desbaratou Amalec e o seu povo ao fio da espada.

 

O livro do Êxodo não cessa de exaltar a Providência divina em favor do povo que, liberto da opressão do Egipto, é guiado a caminho da terra prometida; não só o alimenta e lhe mata a sede, como também o livra das mãos dos inimigos.

8 «Amalec», isto é, os amalecitas, um tradicional inimigo de Israel, espalhado pelo norte do Sinai e a sul do Négueb, até aos tempos de Ezequias, em que foi completamente apagada a sua memória (cf. v. 14). Aqui aparecem como um grupo inimigo, que disputaria os escassos oásis do deserto com as suas fontes e pastagens. «Refidim», lugar incerto a SW da península do Sinal, um lugar de passagem dos israelitas a caminho do monte Horeb (Sinai).

9 «Com a vara de Deus na mão...» Alguns pensam, e com razão, que Moisés, no cimo do monte, não se limitou a rezar de braços abertos, mas que, com a vara, ia fazendo sinais para a planície, a fim de Josué conduzir bem o combate. De qualquer modo, ao lermos o Êxodo, é contraproducente fixarmo-nos no rigor histórico dos relatos, embora estes tenham atrás de si tradições de valor. Queremos chamar a atenção para o perene valor paradigmático do gesto de Moisés. Ele torna-se uma imagem de Cristo mediador e do valor da oração de intercessão. Os Padres vêem na vara de Moisés uma figura da Cruz, que vence os inimigos do homem: demónio, o pecado e a morte. Por outro lado, também se pode ver, nas figuras de Aarão e Hur, o poder religioso, e, em Josué, o poder político-militar, ambos os poderes concentrados em Moisés, que haveriam de vir a diversificar-se.

 

Salmo Responsorial    Sl 120 (121), 1-8 (R. cf. 2)

 

Monição: Subir ao monte simboliza, para nós, aproximarmo-nos de Deus para, em atitude orante, alcançarmos a graça da vitória.

Quando oramos, fazemos um acto de humildade, porque reconhecemos que necessitamos de auxílio; e de confiança, porque estamos certos de que o Senhor nos ajudará.

Manifestemos estes sentimentos, com a oração do salmo 120 que Espírito Santo nos ensina.

 

Refrão:         O nosso auxílio vem do Senhor,

                      que fez o céu e a terra.

 

Levanto os meus olhos para os montes:

donde me virá o auxílio?

O meu auxílio vem do Senhor,

que fez o céu e a terra.

 

Não permitirá que vacilem os teus passos,

não dormirá Aquele que te guarda.

Não há-de dormir nem adormecer

Aquele que guarda Israel.

 

O Senhor é quem te guarda,

o Senhor está a teu lado, Ele é o teu abrigo.

O sol não te fará mal durante o dia,

nem a lua durante a noite.

 

O Senhor te defende de todo o mal,

o Senhor vela pela tua vida.

Ele te protege quando vais e quando vens,

agora e para sempre.

 

Segunda Leitura

 

Monição: É também à confiança em Jesus Cristo que S. Paulo, na 2ª Carta a Timóteo, recomenda ao seu discípulo.

No meio das mais diversas dificuldades com que se enfrenta a causa missionária. Nunca esqueçamos que o Senhor está sempre ao nosso lado.

 

2 Timóteo 3, 14 – 4, 2

 

Caríssimo: 14Permanece firme no que aprendeste e aceitaste como certo, sabendo de quem o aprendeste. 15Desde a infância conheces as Sagradas Escrituras; elas podem dar-te a sabedoria que leva à salvação, pela fé em Cristo Jesus. 16Toda a Escritura, inspirada por Deus, é útil para ensinar, persuadir, corrigir e formar segundo a justiça. 17Assim o homem de Deus será perfeito, bem preparado para todas as boas obras. 4,1Conjuro-te diante de Deus e de Jesus Cristo, que há-de julgar os vivos e os mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: 2Proclama a palavra, insiste a propósito e fora de propósito, argumenta, ameaça e exorta, com toda a paciência e doutrina.

 

A leitura contém o texto clássico da inspiração da Sagrada Escritura (v. 16) e um apelo formal e solene à pregação do Evangelho, com o recurso a uma fórmula jurídica semelhante à dos testamentos greco-romanos, de modo a que o herdeiro fique obrigado a cumprir a vontade do testador (4, 1: «conjuro-te» – diamartyromai).

16 «Toda a Escritura, inspirada por Deus, é útil…» (outra tradução possível: «toda a Escritura é inspirada por Deus e também é útil…). A Igreja sempre entendeu e ensinou que: «Todos os livros, tanto do Antigo como do Novo Testamento, com todas as suas partes, foram escritos sob a inspiração do Espírito Santo e, por isso, têm a Deus como autor e, como tais, foram confiados à Igreja» (Vaticano II, DV 11). Na tradução litúrgica, aparece a inspiração da S. E., – uma interacção divino-humana, um verdadeiro mistério pertencente à ordem sobrenatural – como uma afirmação indirecta, pois o acento é posto na sua utilidade sobrenatural: dar a sabedoria que leva à salvação (v. 15), «ensinar, persuadir, corrigir e formar segundo a justiça» (v. 16), e levar à santidade de vida de um homem de Deus perfeito (v. 17).

 

Aclamação ao Evangelho        Lc 11, 9

 

Monição: A fé dá-nos esta certeza maravilhosa de que O Senhor nos atende sempre, dando-nos antes, mais e melhor do que pedimos.

Aclamemos o Evangelho que nos ensina esta confortante verdade, cantando aleluia.

 

Aleluia

 

Cântico: F. Silva, NRMS 35

 

Pedi e dar-se-vos-á;

procurai e achareis;

batei e abrir-se-vos-á

 

 

Evangelho

 

Lucas 18, 1-8

 

1Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos uma parábola sobre a necessidade de orar sempre sem desanimar: 2«Em certa cidade vivia um juiz que não temia a Deus nem respeitava os homens. 3Havia naquela cidade uma viúva que vinha ter com ele e lhe dizia: ‘Faz-me justiça contra o meu adversário’. 4Durante muito tempo ele não quis atendê-la. Mas depois disse consigo: ‘É certo que eu não temo a Deus nem respeito os homens; 5mas, porque esta viúva me importuna, vou fazer-lhe justiça, para que não venha incomodar-me indefinidamente’». 6E o Senhor acrescentou: «Escutai o que diz o juiz iníquo!... 7E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite, e iria fazê-los esperar muito tempo? 8Eu vos digo que lhes fará justiça bem depressa. Mas quando voltar o Filho do homem, encontrará fé sobre a terra?»

 

O tema central deste e do próximo domingo é o da oração. A parábola do juiz iníquo, exclusiva de Lucas, o evangelista da oração, é muito expressiva para mostrar a eficácia da oração e a necessidade que temos de insistir. Esta insistência não é para convertermos Deus, mas para nós nos convertermos a Ele, para nos abrirmos aos dons que Ele tem para nos dar, para nos colocarmos no nosso lugar de criaturas necessitadas de Deus. Compreende-se assim que Ele não nos dispense de clamar dia e noite e de «orar sempre sem desanimar» (v. 1).

7 «E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos que por Ele clamam dia e noite?» O contraste estabelecido pelo Senhor é flagrante. Como é que Deus não há-de escutar os nossos pedidos, sendo Ele um Pai amorosíssimo e infinitamente bom? A verdade é que

8 «O Filho do homem encontrará fé sobre a terra? Para rezar e ser atendido é preciso fé, dessa «fé que transporta montanhas» (cf. Mt 17, 20). A falta de fé prevista para o fim dos tempos (cf. Mt 24, 10-12; 2 Tes 2, 3-5; 1 Tim 4, 1-3; 2 Tim 3, 1-9) não se revela só na negação das verdades reveladas por Deus, mas na perda do sentido da fé a nortear a vida.

 

Sugestões para a homilia

 

– Evangelizar: uma causa de todos

Todos são chamados a participar na vida da Igreja

Oração perseverante

– Como há-de ser a nossa oração

Recomenda a oração de petição

Anima-nos a perseverar nela

A oração do corpo

1. Evangelizar: uma causa de todos

a) Todos são chamados a participar na vida da Igreja. «Moisés disse a Josué: ‘escolhe alguns homens e amanhã sai a combater Amalec’»

A missão da Igreja aparece aqui figurada num combate, para garantir a vida e liberdade do Povo de Deus.

Este combate continua a travar-se em nosso dias: contra a ignorância religiosa, dando a conhecer a grande Nova da Redenção; contra a injustiça, tornando as pessoas conscientes dos seus direitos e deveres e ensinando-as a defendê-los; contra a fome e outras expressões de miséria social.

É verdade que muitas destas tarefas devem ser assumidas pelos leigos. Mas eles são membros de pleno direito e corresponsabilidade na vida da Igreja. Não estão de fora a emprestar uma ajuda eventual, mas a participar plenamente na vida do Povo de Deus.

No texto do Êxodo, todos colaboram numa causa comum: a para defender o povo de Deus. É uma causa de todos, e não apenas de alguns. Está em causa a sobrevivência do Povo de Deus. Uns combatem no campo de batalha; outros ajudam os combatentes, fornecendo-lhes alimentos, encorajando-os, etc.

Por seu lado, Moisés, já vergado ao pesa dos anos, sobe ao monte e faz o que está ao seu alcance: orar. Dois israelitas acompanham-no, para se unirem à sua oração e apoiá-lo na sua fragilidade.

De modo análogo, todos estão mobilizados por Jesus Cristo para colaborar na difusão do Evangelho, de tal modo que todos devem ter um coração missionário.

A alguns – poucos, mas que podiam ser muitos mais – Deus pede que dediquem por inteiro as suas vidas à causa das missões; as famílias são viveiros destas vocações de vanguarda; todos os fiéis são chamados a colaborar com o seu apoio pela oração e pela disponibilização dos meios materiais.

Quando ouvimos falar em missões, pensamos imediatamente em terras distantes. Hoje, dentro das paredes da nossa casa, nas fronteiras da nossa paróquia, encontramos território de missão. A atenção que prestamos à causa missionária não nos pode fazer esquecer que na família, no trabalho, à mesa do café, sem beatices que afastam, cada um de nós tem de se sentir chamado a evangelizar. Os Pastores da Igreja falam-nos na necessidade de uma Nova Evangelização, nestes ambientes que já foram cristãos, mas deixaram de o ser.

 

b) Oração perseverante. «Eu irei colocar-me no cimo da colina, com a vara de Deus na mão

Um dos maiores inimigos da nossa perseverança na oração é o desânimo, fruto da debilidade da nossa fé. Cedemos à tentação de pensar que o Senhor não nos atende, como se Ele não estivesse infinitamente mais interessado na causa da evangelização dos povos.

Ele pede somente que tenhamos um pequeno gesto de boa vontade, para alcançar a graça da conversão de muitos, e este gesto será a nossa oração.

A oração está ao alcance de todos, não como substituição de seguirmos a vida missionária, se este for o nosso caminho, mas com sinal de boa vontade da nossa parte.

Para mais, apoiamo-nos na certeza de que estamos a pedir ao Senhor uma coisa que é do seu agrado. Por ela cumprimos em parte e tornamos presente o mandato de Jesus: «Ide e ensinai...!»

 

c) Apoio aos que se entregam. «... trouxeram uma pedra e colocaram-na por baixo dele, para que se sentasse

A Igreja dispõe de um exército numeroso de missionários e missionárias espalhado pelo mundo.

Aos que não foram chamados a uma intervenção directa na causa missionária, devemos lembrar que missionário é o coração, não apenas as pernas. Situados no lugar em que o Senhor nos colocou, podemos ajudar os que trabalham na frente: com oração, com esmola (tantos sinais de evangelização que poderiam levantados, com um pouco mais de boa vontade!) e com o carinho que podemos alimentar de muitos modos: assinando revistas missionárias, escrevendo cartas a animar os que se entregam à causa missionária, e levando os jovens a interrogarem-se sobre a possibilidade de Jesus Cristo os chamar.

2. Como há-de ser a nossa oração

Somos inclinados a transportarmos as experiências humanas para a nossa relação com Deus, na oração.

Pensamos que as pessoas não gostam que lhes peçamos repetidas vezes o que necessitamos, e procuram esquivar-se ao nosso encontro, para não se verem forçados a escutar os nosso pedidos. Deus é muito diferente de tudo isto.

 

a) Recomenda a oração de petição. Esta é uma das recomendações mais insistentes de Jesus no Evangelho. «Pedi, e recebereis, procurai e achareis, batei e abrir-se-vos-á». Por isso, ao perseverar nela, fazemos a vontade do Senhor.

No Evangelho deste 29º Domingo recorre as diversas parábolas para nos fazer sentir a necessidade de orarmos sempre.

Se o juiz iníquo atende a viúva, não porque o seu coração se tenha comovido pela súplica, mas para se ver livre das suas lamúrias; com Deus é diferente: ele atende-nos sempre, porque nos ama.

Na oração de petição encontramos diversas vantagens: intensificamos a nossa familiaridade com Deus; resta-nos mais tempo para nos apercebermos da riqueza do que nos é concedido; e, pelo diálogo continuado, a nossa amizade com Deus aumenta inevitavelmente.

 

b) Anima-nos a perseverar nela. Por que não concede o Senhor imediatamente o que Lhe pedimos, se temos a certeza de que é uma coisa que Ele também ama?

Se, de acordo com o nosso modo de encarar as coisas, nos parece que Deus tarda em atender-nos, devemos procurar aprender a oração que nos dá:

– Experimenta a nossa fé e confiança. Se nos atendesse no primeiro momento, não haveria lugar para renovarmos a nossa confiança n’Ele. A fé consiste nisto mesmo: acreditar sem ver, confiar no Senhor. Se fôssemos atendidos prontamente, não haveria espaço par esta confiança.

– Ajuda-nos a ter uma intenção recta. À medida que vamos repetindo as nossas petições, somos instados a pensar seriamente se é mesmo isto o que Deus quer.

– Prolonga o nosso diálogo com Ele, até que se torne contínuo. Este é o ideal de toda a vida cristã.

 

c) A oração do corpo. Queremos exprimir com esta expressão o nosso esforço humano. A oração nunca o dispensa, porque o Senhor deseja que façamos tudo e só o que está em nossas mãos para resolver os problemas.

A oração de petição nunca foi um convite à preguiça, ou à tentação de Deus, esperando que ele nos substitua naquilo que podemos fazer.

Devemos fazer tudo o que está ao nosso alcance, ao mesmo tempo que pedimos. O Senhor não quer que a oração de petição para alcançar a saúde substitua a consulta do médico, o tomar os medicamentos, a aceitação de certas restrições de saúde.

Na causa missionária significa que não nos havemos de contentar com a oração, mas que há muitas outras coisas que podemos e devemos fazer.

A Celebração da Eucaristia dá-nos esta eloquente lição. Para Se nos dar em alimento, o Senhor pede-nos que coloquemos sobre o altar uma dádiva insignificante, mas indispensável: um pouco de pão ázimo e uma pequena quantidade de água a que o sacerdote mistura algumas gotas de água.

Com este mesmo espírito, e ajudados pelo exemplo de Maria Santíssima no Cenáculo, perseveremos na oração de petição, especialmente pela causa missionária.

 

Fala o Santo Padre

 

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI

PARA O LXXXI DIA MISSIONÁRIO MUNDIAL 2007

 

«Todas as Igrejas para o mundo inteiro»

 

Queridos irmãos e irmãs!

Por ocasião do próximo Dia Missionário Mundial gostaria de convidar todo o povo de Deus Pastores, sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos para uma reflexão comum sobre a urgência e a importância que reveste, também neste nosso tempo, a acção missionária da Igreja. De facto, não cessam de ecoar, como chamada universal e apelo urgente, as palavras com as quais Jesus Cristo, crucificado e ressuscitado antes de subir ao Céu, confiou aos Apóstolos o mandamento missionário: «Ide, pois, ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo ensinando-as a cumprir tudo quanto vos tenho mandado». E acrescentou: «Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo» (Mt 28, 19-20). Na empenhativa obra de evangelização ampara-nos e acompanha-nos a certeza de que Ele, o dono da messe, está connosco e guia incessantemente o seu povo. É Cristo a fonte inexaurível da missão da Igreja. Este ano, além disso, um ulterior motivo nos estimula a um renovado compromisso missionário: de facto celebra-se o 50º aniversário da Encíclica do Servo de Deus Pio XII Fidei donum, com a qual foi promovida e encorajada a cooperação entre as Igrejas para a missão ad gentes.

«Todas as Igrejas para o mundo inteiro»: é este o tema escolhido para o próximo Dia Missionário Mundial. Ele convida as Igrejas locais de cada Continente a uma partilhada consciência sobre a urgente necessidade de relançar a acção missionária perante os numerosos e graves desafios do nosso tempo. Certamente são diferentes as condições em que vive a humanidade, e nestes decénios foi realizado um grande esforço para a difusão do Evangelho, especialmente a partir do Concílio Vaticano II. Contudo, permanece ainda muito a fazer para responder ao apelo missionário que o Senhor nunca se cansa de fazer a cada baptizado. Ele continua a convidar, em primeiro lugar, as Igrejas chamadas de antiga tradição, que no passado forneceram às missões, além dos meios materiais, também um número consistente de sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos, dando vida a uma eficaz cooperação entre comunidades cristãs. Desta cooperação surgiram abundantes frutos apostólicos quer para as jovens Igrejas em terras de missão, quer para as realidades eclesiais de onde provinham os missionários. Perante o progredir da cultura secularizada, que por vezes parece invadir cada vez mais as sociedades ocidentais, considerando além disso a crise da família, a diminuição das vocações e o progressivo envelhecimento do clero, estas Igrejas correm o risco de se fecharem em si mesmas, de olhar com pouca esperança para o futuro e de diminuir o seu esforço missionário. Mas é precisamente este o momento de se abrir com confiança à Providência de Deus, que jamais abandona o seu povo e que, com o poder do Espírito Santo, o guia para o cumprimento do seu desígnio eterno de salvação.

O Bom Pastor convida a dedicar-se generosamente à missio ad gentes também as Igrejas de recente evangelização. Mesmo encontrando não poucas dificuldades e obstáculos no seu desenvolvimento, estas comunidades estão em crescimento constante. Algumas felizmente abundam de sacerdotes e de pessoas consagradas, não poucos dos quais, mesmo sendo tantas as necessidades in loco, são contudo enviados para desempenhar o seu ministério pastoral e o seu serviço apostólico noutras partes, também nas terras de antiga evangelização. Assiste-se desta forma a um providencial «intercâmbio de dons», que redunda em benefício para todo o corpo místico de Cristo. Desejo fervorosamente que a cooperação missionária se intensifique, valorizando as potencialidades e os carismas de cada um. Além disso, espero que o Dia Missionário Mundial contribua para tornar cada vez mais conscientes todas as comunidades cristãs e cada baptizado que a chamada de Cristo é universal para propagar o seu Reino até aos extremos confins do planeta. «A Igreja é por sua natureza missionária escreve João Paulo II na Encíclica Redemptoris missio porque o mandato de Cristo não é algo contingente e exterior, mas atinge o próprio coração da Igreja. Segue-se daí que a Igreja toda e cada uma das Igrejas são enviadas aos não-cristãos. Mesmo as Igrejas jovens... devem participar quanto antes e de facto na missão universal da Igreja, enviando também elas, por todo o mundo, missionários a pregar o Evangelho, mesmo se sofrem escassez de clero» (n. 61).

Cinquenta anos do histórico apelo do meu predecessor Pio XII com a Encíclica Fidei donum para uma cooperação entre as Igrejas ao serviço da missão, gostaria de recordar que o anúncio do Evangelho continua a revestir as características da actualidade e da urgência. Na mencionada Encíclica Redemptoris missio, o Papa João Paulo II, por seu lado, reconhecia que «a missão da Igreja é mais vasta que a «comunhão entre as Igrejas»; ela deve estar orientada também e sobretudo no sentido da missionariedade específica» (n. 65). O compromisso missionário permanece portanto, como foi várias vezes recordado, o primeiro serviço que a Igreja deve à humanidade de hoje, para orientar e evangelizar as transformações culturais, sociais e éticas; para oferecer a salvação de Cristo ao homem do nosso tempo, em tantas partes do mundo humilhado e oprimido por causa de pobrezas endémicas, de violência e de negação sistemática dos direitos humanos.

A esta missão universal a Igreja não se pode subtrair; ela constitui para a Igreja uma força constrangedora. Tendo Cristo confiado em primeiro lugar a Pedro e aos Apóstolos o mandato missionário, ela compete hoje antes de tudo ao Sucessor de Pedro, que a Providência divina escolheu como fundamento visível da unidade da Igreja, e aos Bispos directamente responsáveis da evangelização quer como membros do Colégio episcopal, quer como Pastores das Igrejas particulares (cf. Redemptoris missio, 63). Portanto, dirijo-me aos Pastores de todas as Igrejas colocados pelo Senhor como guias do seu único rebanho, para que partilhem a preocupação do anúncio e da difusão do Evangelho. Foi precisamente esta preocupação que estimulou, há cinquenta anos, o Servo de Deus Pio XII a tornar a cooperação missionária mais correspondente às exigências dos tempos. Especialmente perante as perspectivas da evangelização ele pediu às comunidades de antiga evangelização que enviassem sacerdotes em apoio das Igrejas de recente formação. Deu assim vida a um novo «sujeito missionário» que, desde as primeiras palavras da Encíclica, tirou precisamente o nome de «Fidei donum». Em relação a isto escreveu: «Considerando por um lado as multidões sem conta de filhos nossos que, sobretudo nos Países de antiga tradição cristã, participam do bem da fé, e por outro a multidão ainda mais numerosa dos que ainda aguardam a mensagem da salvação, sentimos o ardente desejo de vos exortar, Veneráveis Irmãos, a amparar com o vosso zelo a causa santa da expansão da Igreja no mundo». E acrescentou: «Queira Deus que após o nosso apelo o espírito missionário penetre mais profundamente no coração de todos os sacerdotes e, através do seu ministério, inflame todos os fiéis» (AAS XLIX 1957, 226).

Demos graças ao Senhor pelos frutos abundantes obtidos por esta cooperação missionária em África e noutras regiões da terra. Multidões de sacerdotes, depois de terem deixado as comunidades de origem, dedicaram as suas energias apostólicas ao serviço de comunidades acabadas de surgir, em zonas de pobreza e em vias de desenvolvimento. Entre eles encontram-se não poucos mártires que, ao testemunho da palavra e à dedicação apostólica, uniram o sacrifício da vida. Também não podemos esquecer os numerosos religiosos, religiosas e leigos voluntários que, juntamente com os presbíteros, se prodigalizaram para difundir o Evangelho até aos extremos confins do mundo. O Dia Missionário Mundial seja ocasião para recordar na oração estes nossos irmãos e irmãs na fé e quantos continuam a prodigalizar-se no vasto campo missionário. Peçamos a Deus que o seu exemplo suscite em toda a parte novas vocações e uma renovada consciência missionária no povo cristão. De facto, cada comunidade cristã nasce missionária, e é precisamente com base na coragem de evangelizar que se mede o amor dos crentes para com o Senhor. Poderíamos dizer que, para cada um dos fiéis, não se trata simplesmente de colaborar na actividade de evangelização, mas de se sentir eles mesmos protagonistas e co-responsáveis da missão da Igreja. Esta co-responsabilidade exige que cresça a comunhão entre as comunidades e se incremente a ajuda recíproca no que diz respeito quer ao pessoal (sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos voluntários) quer ao uso dos meios hoje necessários para evangelizar.

Queridos irmãos e irmãs, o mandato missionário confiado por Cristo aos Apóstolos diz respeito verdadeiramente a todos nós. O Dia Missionário Mundial seja portanto ocasião propícia para tomar mais profunda consciência e para elaborar juntos itinerários espirituais e formativos apropriados que favoreçam a cooperação entre as Igrejas e a preparação de novos missionários para a difusão do Evangelho neste nosso tempo. Contudo não esqueçamos que o primeiro e prioritário contributo, que somos chamados a oferecer à acção missionária da Igreja, é a oração.

«A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos diz o Senhor. Pedi, portanto, ao dono da messe para que mande trabalhadores para a sua messe» (Lc 10, 2). «Em primeiro lugar escrevia há cinquenta anos o Papa Pio XII de venerada memória rezai pois, Veneráveis Irmãos, rezai mais. Recordai-vos das imensas necessidades espirituais de tantos povos ainda tão distantes da verdadeira fé ou privados de socorros para perseverar nela» (AAS, cit. p. 240). E exortava a multiplicar as Missas celebradas pelas Missões, observando que «isso responde ao desejo do Senhor, que ama a sua Igreja e a quer extensa e florescente em todos os ângulos da terra» (Ibid., p. 239).

Queridos irmãos e irmãs, renovo também eu este convite sempre muito actual. Propague-se em todas as comunidades a coral invocação ao «Pai nosso que está no céu», para que venha o seu reino à terra. Faço apelo sobretudo às crianças e aos jovens, sempre prontos para generosos impulsos missionários. Dirijo-me aos doentes e aos sofredores, recordando o valor da sua misteriosa e indispensável colaboração na obra da salvação. Peço às pessoas consagradas e especialmente aos mosteiros de clausura que intensifiquem a sua oração pelas missões. Graças ao compromisso de cada crente, alargue-se em toda a Igreja a rede espiritual da oração em favor da evangelização. A Virgem Maria, que acompanhou com solicitude materna o caminho da Igreja nascente, guie os nossos passos também nesta nossa época e nos obtenha um novo Pentecostes de amor. Em particular, torne-nos conscientes de que todos somos missionários, isto é, enviados pelo Senhor a ser suas testemunhas em todos os momentos da nossa existência. Aos sacerdotes «Fidei donum», aos religiosos, às religiosas, aos leigos voluntários comprometidos nas fronteiras da evangelização, assim como a quantos de vários modos se dedicam ao anúncio do Evangelho garanto uma recordação na minha oração, e concedo com afecto a todos a Bênção Apostólica.

 

Bento XVI, Vaticano, 27 de Maio de 2007, Solenidade de Pentecostes.

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Com a certeza de que Jesus nos atende sempre,

pois Ele empenhou solenemente a Sua Palavra,

e nos dá também as graças que não sabemos pedir,

apresentemos-Lhe confiadamente as necessidades

da Igreja missionária, e dos países de missão.

Oremos (cantando) cheios de confiança:

 

     Dai-nos, Senhor, muitos e santos missionários!

 

1.  Para que o Santo Padre, timoneiro da Barca de Pedro,

com os Bispos, Sacerdotes e Diáconos em comunhão,

alcancem por Jesus Cristo, como fruto da oração,

a renovação da Europa e dos outros Continentes,

oremos, irmãos.

 

     Dai-nos, Senhor, muitos e santos missionários!

 

2.  Para que todos aqueles que se encontram em dificuldade

e não vêem solução humana para os seus problemas,

procurem confiadamente no Coração de Jesus Cristo,

a perseverança inquebrantável na oração de petição,

oremos, irmãos.

 

     Dai-nos, Senhor, muitos e santos missionários!

 

3.  Para que as pessoas que procuram e não encontram,

pedem e têm a convicção de que não são atendidas,

aceitem generosamente os misteriosos desígnios de Deus

e vivam felizes na terra, cheios de paz, a caminho do Céu,

oremos, irmãos.

 

     Dai-nos, Senhor, muitos e santos missionários!

 

4.  Para que as pessoas que se sentem frágeis e desorientadas,

no meio de incompreensões dos outros, e dificuldades,

procurem na oração a força de Deus que tudo vence

e com esta provação se aproximem mais do Senhor,

oremos, irmãos.

 

     Dai-nos, Senhor, muitos e santos missionários!

 

5.  Para que as autoridades civis da nossa Pátria

preparem, com medidas sábias e acertadas,

um ambiente em que as pessoas amem a Deus,

se amem umas às outras e vivam felizes,

oremos, irmãos.

 

     Dai-nos, Senhor, muitos e santos missionários!

 

6. Para que os missionários e missionárias da Igreja

se sintam o apoiados pela nossa oração perseverante,

e pela certeza de que toda a Igreja está com eles,

nesta causa missionária que é de todos nós,

oremos, irmãos.

 

     Dai-nos, Senhor, muitos e santos missionários!

 

7.  Para que os nossos familiares e amigos falecidos

especialmente os que dedicaram à causa missionária,

obtenham, por Maria, o fim da sua purificação

e possam, quanto antes, cantar, felizes, no Céu,

oremos, irmãos.

 

     Dai-nos, Senhor, muitos e santos missionários!

 

Senhor, que nos tomastes Vosso filhos no Baptismo

e sempre atendeis com solicitude a nossa oração:

concedei-nos as graças que, pela nossa pequenez,

não sabemos ou não ousamos pedir-Vos.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução à Liturgia Eucarística

 

Toda a acção missionária tem na Eucaristia a sua consumação. Foi para nos alcançar a graças de todos pertencermos à Igreja e nos serem abertas as portas do Céu que Jesus Cristo Se imolou por nós no Calvário.

Ela será o testemunho perene do Amor de Deus e o convite insistente do Senhor para que evangelizemos todos os povos.

 

Cântico do ofertório: Levamos ao vosso altar, M. Borda, NRMS 43

 

Oração sobre as oblatas: Fazei, Senhor, que possamos servir ao vosso altar com plena liberdade de espírito, para que estes mistérios que celebramos nos purifiquem de todo o pecado. Por Nosso Senhor...

 

Santo: Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Saudação da Paz

 

O Senhor quer fazer de toda a humanidade uma só família que tenha o seu princípio na fonte baptismal e perdure, por toda a eternidade, no Céu.

Comecemos desde já a viver esta comunhão na Verdade e no Amor, perdoando-nos mutuamente as ofensas recebidas e fazendo o propósito de evitarmos divisões e contendas.

Manifestemos ao Senhor este desejo com um gesto de reconciliação fraterna.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Neste momento em que o Senhor nos convida para nos aproximarmos da Sua Mesa e O recebermos alimento, pensemos em tantas pessoas espalhadas pelo mundo que não receberam ainda este mimo de Deus.

Renovemos, na presença do Senhor que vamos receber, o nosso propósito de maior generosidade na causa das Missões.

 

Cântico da Comunhão: Senhor eu creio que sois Cristo, Az. Oliveira, NRMS 67

Salmo 32, 18-19

Antífona da comunhão: O Senhor vela sobre os seus fiéis, sobre aqueles que esperam na sua bondade, para libertar da morte as suas almas, para os alimentar no tempo da fome.

Ou:    Mc 10, 45

O Filho do homem veio ao mundo para dar a vida pela redenção dos homens.

 

Cântico de acção de graças: Louvai ao Senhor, Louvai, J. Santos, NRMS 37

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Senhor, que a participação nos mistérios celestes nos faça progredir na santidade, nos obtenha as graças temporais e nos confirme nos bens eternos. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Sejamos, em todos os caminhos que vamos percorrer durante esta semana, testemunhas de que Deus nos ama e a todos quer salvar.

Ajudemos fraternalmente todas as pessoas no seu caminhar ao encontro de Jesus Cristo, único Salvador do mundo.

 

Cântico final: Ficai connosco, Senhor, M. Borda, NRMS 43

 

 

Homilias Feriais

 

29ª SEMANA

 

2ª feira, 22-X: Eucaristia, penhor de felicidade.

Rom 4, 20-25 / Lc 12, 13-21

Ó alma, tens muitos bens em depósito para longos anos. Descansa, come, bebe e regala-te.

Este homem rico pensou ter encontrado a felicidade na acumulação de bens materiais. No entanto, «a verdadeira felicidade não reside nem na riqueza ou no bem estar, nem na glória humana ou no poder, nem em qualquer obra humana, por útil que seja, como as ciências, as técnicas e as artes, nem em qualquer criatura, mas só em Deus, fonte de todo o bem e de todo o amor» (CIC, 1723).

A Eucaristia garante-nos a verdadeira felicidade: a vida eterna em Deus. Ao recebermos o Senhor, «recebemos o penhor da glória futura» (S. Concilium, 47). O importante continua a ser «tornar-se rico aos olhos de Deus» (Ev).

 

3ª feira, 23-X: A vigilância e o pecado.

Rom 5, 12. 15. 17-19. 20-21 / Lc 12, 35-38

Felizes estes servos, que o Senhor, ao chegar, encontrar vigilantes.

«A vigilância do coração é lembrada com insistência (cf. Ev) em comunhão com a sua (de Jesus). O Espírito Santo procura incessantemente despertar-nos para esta vigilância» (CIC, 2849).

A vigilância é especialmente importante para podermos evitar qualquer tipo de pecado. «Assim como pelo pecado de um só, veio para todos os homens a condenação, assim também pela obra justificadora de um só, virá para todos a justificação que dá a vida» (Leit). Se cometemos um pecado, arrastamos outros connosco. Se lutamos e vencemos ajudaremos outros a serem mais santos.

 

4ª feira, 24-X: Receber o Senhor com amor.

Rom 6, 12-18 / LC 12, 39-48

Estai vós também preparados, porque à hora a que menos pensais é que vem o Filho do homem.

É um apelo do Senhor para que nos mantenhamos atentos aos seus passos, mantendo a nossa luta diária em pontos concretos.

O Senhor deseja igualmente vir à nossa alma no momento da Comunhão. Na Última Ceia manifestou esse desejo: «desejei ardentemente comer esta Páscoa convosco». Se Ele vem «com amor hospedar-se na tua alma, com amor quer ser recebido» (S. João de Ávila). Para isso aumentemos o desejo de purificação das nossas almas. Recebamo-lo com a mesma pureza e devoção com que O recebeu sua Santíssima Mãe.

 

5ª feira, 25-X: Urgência de evangelização.

Rom 6, 19-23 / Lc 12, 49-53

Eu vim lançar fogo à terra e só quero que ele se tenha ateado.

«O fogo!... Simboliza a energia transformadora dos actos do Espírito Santo… aquele Espírito do qual Jesus dirá: ’Eu vim lançar fogo à terra…’ (Ev)» (CIC, 696).

O Espírito Santo é quem nos dará a energia sobrenatural para darmos o salto de ‘escravos do pecado’ para ‘escravos de Deus’ (cf. Leit). Do mesmo modo «A Eucaristia é fonte e ápice não só da vida da Igreja, mas também da sua missão: Uma Igreja autenticamente eucarística é uma Igreja missionária. Havemos, também nós de poder dizer com convicção aos nossos irmãos: Nós vos anunciamos o que vimos e ouvimos, para que estejais também em comunhão connosco» (SC, 84).

 

6ª feira, 26-X: O Médico divino e os nossos pecados.

Rom 7, 18-25 / Lc 12, 54-59

Que infeliz que eu sou! Quem me há-de libertar deste corpo que me leva à morte?

Esta é uma realidade que também descobrimos em nós. Quem nos pode libertar desta triste realidade? «O Espírito Santo é o mestre interior. Fazendo nascer o ‘homem interior’ (cf. Leit) a justificação implica a santificação de todo o ser» (CIC, 1995).

Jesus apresenta-se-nos na Eucaristia como Médico divino: «Senhor, se quiseres – e Tu queres sempre – podes curar-me. Tu conheces a minha debilidade; sinto estes sintomas e experimento estas outras fraquezas… Senhor, Tu, que curaste tantas almas, faz com que, ao ter-te no meu peito ou ao contemplar-te no Sacrário, te reconheça como Médico divino» (J. Escrivá).

 

Sábado, 27-X: A fé eucarística de Nª Senhora.

Rom 8, 1-11 / Lc 13, 1-9

Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar fruto a essa figueira, mas não o encontrou.

A figueira simboliza cada um de nós e o Senhor espera encontrar em nós frutos abundantes. Em Nossa Senhora encontra o fruto bendito do seu ventre: «graças a Maria todas as nações recebem Aquele que é a própria bênção de Deus: Jesus, fruto bendito do vosso ventre» (CIC, 2676).

Nossa Senhora viveu igualmente a fé eucarística, pois «na Anunciação concebeu o Filho divino, também na realidade do Corpo e Sangue, em certa medida antecipando nela o que se realiza sacramentalmente em cada crente quando recebe, no pão e no vinho, o Corpo e Sangue do Senhor» (IVE, 55).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Fernando Silva

Nota Exegética:    Geraldo Morujão

Homilias Feriais: Nuno Romão

Sugestão Musical:              Duarte Nuno Rocha

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial