27º Domingo Comum

7 de Outubro de 2007

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vinde, prostremo-nos em terra, Az. Oliveira, NRMS 48

Est 13, 9.10-11

Antífona de entrada: Senhor, Deus omnipotente, tudo está sujeito ao vosso poder e ninguém pode resistir à vossa vontade. Vós criastes o céu e a terra e todas as maravilhas que estão sob o firmamento. Vós sois o Senhor do universo.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Quando várias pessoas, que falam línguas diversas, se encontram, por mais que tentem conversar, não conseguem comunicar as suas ideias e sentimentos.

Enfrentamos uma dificuldade semelhante quando pretendemos comunicar a nossa fé. Vivendo em meios cristãos, desde há muitos séculos, temos hoje a sensação de que muitas pessoas, embora continuem a usar símbolos tradicionais do cristianismo, já não entendem a mensagem que a Igreja se esforça por lhes transmitir e levam uma vida à margem das exigências da fé cristã.

Para responder à pergunta sobre como havemos de comunicar com elas, há uma resposta: é necessária uma Nova Evangelização.

Desta mesma necessidade nos fala a Liturgia da Palavra deste 27º Domingo do tempo comum.

 

Acto penitencial

 

São muitos os factores que têm concorrido para este afastamento generalizado do amor de Deus, mas reconhecemos que temos parte da culpa desta situação.

Queremos manifestar o nosso arrependimento e pedir-Vos ajuda para uma emenda séria de vida.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

– Senhor, temos descurado, por vezes, a formação doutrinal

     e deixamo-nos desorientar por ideias contrárias à nossa fé .

     Senhor, tende piedade de nós!

 

     Senhor, tende piedade de nós!

 

– Cristo: na vida de família, no trabalho e nos tempos livres,

     não damos testemunho dos nossos compromissos do Baptismo.

     Cristo, tende piedade de nós!

 

     Cristo, tende piedade de nós!

 

– Senhor, nem sempre temos sido cuidadosos em propagar a fé,

     a pesar de nos ensinardes que somos, por vocação, luz do mundo.

     Senhor, tende piedade de nós!

 

     Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que, no vosso amor infinito, cumulais de bens os que Vos imploram muito além dos seus méritos e desejos, pela vossa misericórdia, libertai a nossa consciência de toda a inquietação e dai-nos o que nem sequer ousamos pedir. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta dirige-se ao Senhor provavelmente pouco antes da invasão da Terra Santa, por Nabucodonosor. Vê o mal avançar, inexoravelmente, enquanto experimenta o silêncio de Deus perante a sua prece.

 

Habacuc 1, 2-3; 2, 2-4

 

1,2«Até quando, Senhor, chamarei por Vós e não Me ouvis? Até quando clamarei contra a violência e não me enviais a salvação? 3Porque me deixais ver a iniquidade e contemplar a injustiça? Diante de mim está a opressão e a violência, levantam-se contendas e reina a discórdia?» 2,2O Senhor respondeu-me: «Põe por escrito esta visão e grava-as em tábuas com toda a clareza, de modo que a possam ler facilmente. 3Embora esta visão só se realize na devida altura, ela há-de cumprir-se com certeza e não falhará. Se parece demorar, deves esperá-la, porque ela há-de vir e não tardará. 4Vede como sucumbe aquele que não tem alma recta; mas o justo viverá pela sua fidelidade».

 

A leitura está escolhida em função do Evangelho, que fala da fé. A pequenina obra do profeta contemporâneo de Jeremias (séc. VII-VI) começa por duas queixas a que o Senhor responde. No texto temos a primeira queixa (1, 2-3) e a segunda resposta (2, 2-4), em que sobressai o apelo à fé. Deus não deixa de ouvir os seus amigos que Lhe pedem socorro; pode tardar a obra divina da salvação (2, 3), mas «há-de cumprir-se com certeza», «na devida altura», de modo que só vacila «aquele que não tem alma recta». Com efeito, o justo é da que tira a coragem para superar todas as dificuldades que venham a desabar sobre ele, por isso mesmo é que ele viverá. Por outro lado, também se pode entender o texto no sentido de que a fidelidade à aliança é garantia de vida para o justo. S. Paulo, em Rom 1, 17, faz uma actualização deste texto, utilizando-o como mote para a sua longa e profunda exposição sobre a «justificação», isto é, sobre a acção divina pela qual o próprio Deus justifica, isto é, torna justo, salva, o homem pecador. Trata-se duma iniciativa gratuita da parte de Deus, que não é fruto daquilo que o homem possa fazer cumprindo uma série de requisitos legais da Lei de Moisés. A primeira condição essencial para o homem se salvar, para viver a vida divina, é esta: pela fé, acolher confiado e agradecido o dom de Deus, que lhe vem por Cristo, e ser-lhe fiel. Note-se a importância que na época se dava ao profeta Habacuc: o célebre Péxer de Habacuc encontra-se entre os manuscritos de Qumrã.

 

Salmo Responsorial    Sl 94 (95), 1-2.6-7.8-9 (R.8)

 

Monição: Apesar de os nossos sentidos nos dizerem que o mal não tem remédio, havemos de levantar bem alto a nossa confiança em Deus, porque Ele não perde batalhas. O importante é que façamos o que está em nossas mãos.

A isto mesmo nos convida a oração do salmo responsorial.

 

Refrão:         Se hoje ouvirdes a voz do Senhor,

                      não fecheis os vossos corações.

 

Vinde, exultemos de alegria no Senhor,

aclamemos a Deus, nosso Salvador.

Vamos à sua presença e dêmos graças,

ao som de cânticos aclamemos o Senhor.

 

Vinde, prostremo-nos em terra,

adoremos o Senhor que nos criou.

O Senhor é o nosso Deus

e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

 

Quem dera ouvísseis hoje a sua voz:

«Não endureçais os vossos corações,

como em Meriba, como no dia de Massa no deserto,

onde vossos pais Me tentaram e provocaram,

apesar de terem visto as minhas obras».

 

Segunda Leitura

 

Monição: A fidelidade à vocação baptismal está no centro da carta de S. Paulo ao seu discípulo Timóteo. Perante as oposições que encontra, ele, como nós também, não deve ter medo de dar a cara por Jesus Cristo.

 

2 Timóteo 1, 6-8.13-14

 

Caríssimo: 6Exorto-te a que reanimes o dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos. 7Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de caridade e moderação. 8Não te envergonhes de dar testemunho de Nosso Senhor, nem te envergonhes de mim, seu prisioneiro. Mas sofre comigo pelo Evangelho, confiando no poder de Deus. 13Toma como norma as sãs palavras que me ouviste, segundo a fé e a caridade que temos em Jesus Cristo. 14Guarda a boa doutrina que nos foi confiada, com o auxílio do Espírito Santo, que habita em nós.

 

Começamos hoje, até ao fim do ano C, a ter como 2ª leitura uns respigos da 2ª Carta a Timóteo, a última das chamadas Cartas Pastorais, uma carta tão cheia de alusões pessoais, que são um forte sinal de autenticidade, apesar das muitas objecções em contrário. Escrevendo do segundo cativeiro romano, pelo ano 67, S. Paulo exorta o seu fiel colaborador a perseverar incansavelmente no ministério da pregação e na defesa da sã doutrina, prevenindo das ameaças que se avizinham para a fé recta.

6 «Reanimes o dom que recebeste pela imposição das minhas mãos». O rito da imposição das mãos tem aqui, como em 1 Tim 4 14, o sentido de comunicação do ministério apostólico; o dom corresponde à graça do Sacramento da Ordem (segundo o ensino de Trento: cf. DS 959), que se pode reactivar com a oração e o sacrifício, na correspondência às exigências da vocação (versículos seguintes). Como então, ainda hoje pertence ao sinal sacramental da Ordem a imposição das mãos do Bispo.

14 «Guarda a boa doutrina que nos foi confiada» (à letra: «guarda o bom depósito»). Bom, isto é, precioso e autêntico, um depósito, que são as palavras sãs segundo a fé (v. 13). A Revelação divina é um depósito sagrado confiado à Igreja e que ela tem de guardar e transmitir íntegro (cf. Dei Verbum, nº 7 e 10); é assim que em 1 Tim 6, 20 é dirigido ao grande colaborador de Paulo o veemente apelo final, «guarda o depósito», uma expressão de sabor jurídico (parathêkê), para designar uma coisa confiada à guarda duma pessoa de confiança, com a obrigação de lha guardar, sem deixar que se estrague ou altere.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 8, 12

 

Monição: Enche-nos de alegria a certeza de que O Senhor nunca deixa de estar ao nosso lado e, se O quisermos aceitar como luz dos nossos passos, alcançaremos a vitória final.

Aclamemos O Evangelho que nos anuncia tão consoladora verdade, cantando aleluia.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação ao Evangelho, M. Carneiro, NRMS 97

 

Eu sou a luz do mundo, diz o Senhor;

quem Me segue, terá a luz da vida.

 

 

Evangelho

 

Lucas 17, 5-10

 

5Naquele tempo, os Apóstolos disseram ao Senhor: «Aumenta a nossa fé». 6O Senhor respondeu: «Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: ‘Arranca-te daí e vai plantar-te no mar’, e ela obedecer-vos-ia. 7Quem de vós, tendo um servo a lavrar ou a guardar gado, lhe dirá quando ele volta do campo: ‘Vem depressa sentar-te à mesa’? 8Não lhe dirá antes: ‘Prepara-me o jantar e cinge-te para me servires, até que eu tenha comido e bebido. Depois comerás e beberás tu. 9Terá de agradecer ao servo por lhe ter feito o que mandou? 10Assim também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: ‘Somos inúteis servos: fizemos o que devíamos fazer’».

 

O texto de hoje pertence à última parte (Lc 16, 1 – 19, 27) dos ensinamentos de Jesus na grande viagem para Jerusalém; aqui o Evangelista recolhe relatos diversos e de forma bastante dispersa, muitos deles exclusivos de Lucas.

5. «Os Apóstolos disseram ao Senhor». Notar como, diversamente dos outros Sinópticos, S. Lucas, na sua narração, frequentemente designa Jesus como «o Senhor», ainda antes da ressurreição.

6 «Diríeis a esta amoreira». Em Mt 17, 20 e Mc 11, 23, lê-se: a este monte, não deverá, porém, tratar-se duma suavização da arrojada forma de falar de Jesus, mas antes podemos pensar numa outra expressão paralela usada pelo Senhor.

7-10 Esta expressiva lição de humildade é exclusiva de Lucas. «Um servo...»: embora não se tratasse de um escravo à maneira romana, mas de um servo à maneira hebraica, não deixava de ser um criado para todo o serviço: lavar, cozinhar e servir à mesa, etc... Assim devemos nós estar dispostos a executar todo e qualquer serviço por Deus, Nosso Senhor – «o Amo» (ou Patrão, como gostava de lhe chamar o Beato D. Manuel González) –, com ânimo humilde e agradecido, pois não fazemos qualquer favor a Deus – servos inúteis –. Ele é que nos faz o máximo favor de nos admitir a servi-lo; este é o primeiro dever duma criatura relativamente ao seu Criador.

 

Sugestões para a homilia

 

– Deus é fiel

O Senhor não nos esquece nem nos abandona

O mal que vemos é um apelo do Senhor

Fidelidade na vida de cada dia

– A nossa fidelidade

Crescer na fé

Fidelidade doutrinal

Humildade

1. Deus é fiel

Habacuc situa-nos no texto proclamado, nos dias que antecederam a invasão da Palestina, por Nabucodonosor, em 597 antes de Cristo.

O profeta contempla simultaneamente duas espécies de injustiças: as que se cometem na cidade e a do invasor. Anuncia a destruição da Cidade Santa e a partida para o cativeiro de Babilónia, considerando-a uma figura do fim do mundo.

Também Jesus, ao profetizar sobre a destruição da cidade de Jerusalém pelos Romanos, no ano 70 da nossa era, coloca este acontecimento como figura do juízo final.

 

a) O Senhor não nos esquece nem nos abandona. «Até quando, Senhor, chamarei por socorro, sem que ouçais o meu apelo

Habacuc, cheio de amor à cidade santa e ao seu povo, clama contra duas injustiças: as que se praticam em Israel, e a do invasor babilónico. No fim de contas, ele é o açoite de Deus, embora proceda com injustiça.

De facto, este problema não tem solução à vista na terra, como todos gostaríamos. Por que permitiu Deus o Holocausto, a escravidão dos sistemas comunistas e a destruição dos valores humanos por uma sociedade aburguesada?

Deus sabe tirar bons frutos para nós das maldades dos homens. Muitas vezes tem acontecido isto mesmo ao longo da história.

Para nós é importante, em tudo isto, alcançar a mensagem que o Senhor deseja comunicar-nos.

Aos que reclamam que têm direito a ser felizes cá na terra, precisamos dizer-lhes que a felicidade está no amor de Deus, na fidelidade baptismal e não no prazer ou na vida cómoda.

 

b) O mal que vemos é um apelo do Senhor. «Por que me deixais ver a iniquidade e sois espectador da injustiça».

Choca-nos o escândalo do mal que triunfa, enquanto o bem luta contra muitas dificuldades.

É imprescindível lembrar-nos que, para alem de todo o aparato triunfalista que o Inimigo consegue ostentar, move-se o espírito de Deus no silêncio. Poderia acontecer que nos sentíssemos de tal modo atarantados com o ruído do mal, que nos esquecêssemos desta verdade de fé: nunca estamos sós. Deus, nosso Pai, é o primeiro empenhado nesta luta pela Sua causa. Nós somos apenas débeis instrumentos. Se nos portarmos com fidelidade, Ele fará maravilhas com a insignificância do nosso esforço

 

c) Fidelidade na vida de cada dia. «O justo viverá pela sua fidelidade.» O justo pergunta: «Por que me deixais ver...?»

Cada acontecimento – por vezes de sinal negativo aos nossos olhos – é um veemente apelo do Senhor à santidade, lançado no coração de cada um de nós.

Assim encararam as dificuldades os primeiros cristãos: não como um convite ao receio, ao desânimo, mas a um reduplicar a generosidade para com Deus.

A nossa fidelidade passa por lançar mãos dos meios tradicionais: formação doutrinal – na catequese, catecismo na família e na escola – oração e mortificação. (Para debelar os males que afligem o mundo, Nossa Senhora indica em Fátima aos Pastorinhos a oração e a penitência, a conversão pessoal, dando ao Senhor o lugar a que Ele tem direito na nossa vida.)

Temos de fazer um esforço para não nos deixarmos abater por esta aparência de vitória do Maligno.

2. A nossa fidelidade

A oração dos Apóstolos – «Senhor, aumenta a nossa fé – aponta-nos a verdadeira solução para todos os problemas que enfrentamos.

 

a) Crescer na fé. «Naquele tempo, os apóstolos disseram ao Senhor: ‘Aumenta a nossa fé’». Esta é a grande solução para sabermos ler as mensagens que o Senhor nos envia pelos acontecimentos que estamos continuamente a viver.

Muitas vezes, deixamo-nos cair no pessimismo, na lamentação fácil, no atirar as culpas do fracasso par cima dos ombros dos outros, porque a nossa fé é débil, e contemplamos as coisas e os acontecimentos à luz de um espírito humano, racionalista e orgulhos, e não à luz da fé.

Temos necessidade de contemplar os acontecimentos na oração, pedindo luz ao Senhor, para descobrirmos a sua verdadeira perspectiva.

Alem disso, para crescermos na fé, temos necessidade de renovar continuamente a nossa formação doutrinal.

 

b) Fidelidade doutrinal. «Se tivésseis fé como um grão de mostarda...» O Senhor mostra-nos a necessidade urgente e constante de crescer na fé. Para o conseguirmos, temos necessidade de procurar formação doutrinal para alimentar esta mesma fé. Seguidamente havemos de fazer um esforço para levar à vida de cada dia as exigências de todas estas verdades. A vida e a fé têm de caminhar indissoluvelmente unidas.

Sem doutrina, corremos o risco de cair num sentimentalismo estéril que nada tem a ver com fé que professamos.

Quando nos faltam as obras consequentes com a luz da fé, também esta corre perigo. Com efeito, «a fé sem obras é morta».

 

c) Humildade. «Assim também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: ‘Somos servos inúteis’. Fizemos o que devíamos fazer»

Há, de facto, uma parte da transformação do mundo que nos está entregue. O Senhor consagrou-nos, pelo Baptismo, como sal, fermento e luz de um mundo novo. Que fazemos da nossa vocação baptismal?

Mas tudo quanto o Senhor realizar por nós, fazendo frutificar os nossos esforços insignificantes, perante a grandeza da obra que Ele realiza, resta-nos uma atitude de humildade.

O jovem que disponibilizou os cinco pães e os dois peixes para alimentar uma multidão faminta; e os empregados das Boas de Caná da Galileia que encheram as talhas de água ofereceram o que estava ao seu alcance, para que Jesus realizasse um milagre.

Talvez ao falar-nos das maravilhas que a nossa fé pode conseguir, nos esteja a sugerir que da nossa fidelidade humilde dependem coisa muito grandes que Deus quer realizar por nosso intermédio.

Em cada Eucaristia, somos testemunhas desta magnanimidade do Senhor. Colocamos sobre o altar um pouco de pão ázimo e vinho. A partir desta nossa insignificante generosidade, Jesus transubstancia esta pequena dádiva – pelo ministério do sacerdote ordenado – no Seu Corpo e Sangue, para nosso alimento.

Aprendamos, com Nossa Senhora, a alimentar a fé com a Palavra de Deus – ouvia-a atentamente –; a vivê-la – procurava pô-la em prática; e a fazer dela, pela sua vida e acção apostólica, uma luz que iluminou os caminhos dos homens.

 

 

Oração Universal

 

Embora conheça perfeitamente as nossas necessidades,

Deus quer que elas sejam um motivo para a nossa oração,

Ajudando-nos, assim, a viver a nossa filiação divina.

Apresentemos, por Jesus, no Espírito santo, ao Pai,

As necessidades da Igreja, do mundo e de todos nós.

Oremos (cantando):

 

Senhor, aumentai a nossa fé!

 

1.  Pelo Santo Padre e pelos Bispos em união com ele,

para que sejam para todos nós zelosos mestres da fé,

oremos, irmãos.

 

Senhor, aumentai a nossa fé!

 

2.  Pelos pais de família e encarregados de edução,

para que sejam, diante dos jovens, testemunhas de Cristo

oremos, irmãos.

 

Senhor, aumentai a nossa fé!

 

3.  Por todos os que se dedicam ao ensino da catequese,

para que encontrem a alegria no cumprimento da sua missão

oremos, irmãos.

 

Senhor, aumentai a nossa fé!

 

4.  Por todos os jovens que se debatem com dúvidas de fé,

para que encontrem em Jesus Cristo a luz das suas vidas,

oremos, irmãos.

 

Senhor, aumentai a nossa fé!

 

5.  Pelos cristãos perseguidos pela sua fidelidade a Cristo,

para que o Senhor os conforte no meio das provações,

oremos, irmãos.

 

Senhor, aumentai a nossa fé!

 

6.  Pelos que não alcançaram ainda a plenitude da comunhão,

para que o Senhor a todos nos atraia ao Seu Coração divino,

oremos, irmãos.

 

Senhor, aumentai a nossa fé!

 

7.  Pelos irmãos que nos precederam na fé e são purificados,

para o Senhor os faça contemplar, quanto antes, a glória ,

oremos, irmãos.

 

Senhor, aumentai a nossa fé!

 

Senhor, que nos fazeis caminhar na vida presente,

guiados pela luz da revelação, ao Vosso encontro:

ensinai-nos e ajudai-nos a viver com fidelidade,

para que sejamos dignos de alcançar as Vossas promessas.

Por Nosso senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução à Liturgia Eucarística

 

A Liturgia eucarística em que vamos entrar agora é um apelo vigoroso para a fé que professamos.

Depois de a termos alimentado pela Palavra de deus que acolhemos em nosso coração, o Senhor vai agora oferecer-nos o alimento que nos fortalecerá para a convertermos na vida de cada. 

 

Cântico do ofertório: Senhor Jesus, Mestre Divino, J. Santos, NRMS 70

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, o sacrifício que Vós mesmo nos mandastes oferecer e, por estes sagrados mistérios que celebramos, confirmai em nós a obra da redenção. Por Nosso Senhor...

 

Santo: F. da Silva, NRMS 99-100

 

Saudação da Paz

 

A fé ensina-nos que formamos todos, com Jesus Cristo, um só corpo; e que a nossa vocação eterna é vivermos em comunhão com Ele e com todos no Céu.

Antecipemos, de algum modo, esta vida na bem-aventurança eterna, fortalecendo a nossa comunhão pelo perdão mútuo.

Com estas disposições,

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

A fé ensina-nos que somos convidados para a mesa do Senhor e que é Ele mesmo o nosso alimento.

Avivemos, uma vez mais, a nossa fé na Santíssima Eucaristia, e procuremos receber a Sagrada Comunhão como se fosse a última vez da nossa vida.

 

Cântico da Comunhão: O Pão de Deus, J. Santos, NRMS 662

Lam 3, 25

Antífona da comunhão: O Senhor é bom para quem n'Ele confia, para a alma que O procura.

 

Ou

cf. 1 Cor 10, 17

Porque há um só pão, todos somos um só corpo, nós que participamos do mesmo cálice e do mesmo pão.

 

Cântico de acção de graças: Vou cantar o vosso nome, S. Marques, NRMS 107

 

Oração depois da comunhão: Deus todo-poderoso, que neste sacramento saciais a nossa fome e a nossa sede, fazei que, ao comungarmos o Corpo e o Sangue do vosso Filho, nos transformemos n'Aquele que recebemos. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Temos, na vida, uma missão a cumprir: alimentar a nossa fé, pela Palavra de Deus; viver as suas consequências, no dia a dia; difundir esta luz de Deus em todos os caminhos que vamos percorrer durante esta semana: na família, no trabalho e na convivência amiga com todos.

 

Cântico final: A fé em Deus, F. da Silva, NRMS 11-12

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO COMUM

 

27ª SEMANA

 

feira, 8-X: Cuidar bem do próximo.

Jn 1, 1- 2, 1. 11 / Lc 10, 25-37

Mas um samaritano, que seguia de viagem, veio por junto dele e, quando o viu, encheu-se de compaixão.

No nosso caminho de cada dia encontramos sempre algum ferido (cf. Ev), que precisa do nosso auxílio. Há pessoas que atravessam circunstâncias dolorosas: de falta de carinho, de abandono, de miséria. E outros que têm feridas na alma: afastados de Deus, desconhecedores das verdades da fé… Esperam que sejamos o bom samaritano, que imitemos o próprio Cristo, que manifestou o seu amor por nós entregando a sua vida.

A Eucaristia, quando é autenticamente participada, há-de levar-nos a um compromisso de solidariedade com o próximo (cf. MN, 27). Nossa Senhora cuidou de Santa Isabel nos últimos três meses da sua gravidez.

 

feira, 9-X: Acompanhar o Senhor.

Jn 3, 1-10 / Lc 10, 38-42

(O Senhor): Marta, Marta, andas inquieta e agitada com muita coisa, quando uma só coisa é necessária.

A coisa que é necessária é mantermos a nossa união com Deus ao longo do dia. Arranjemos alguns momentos dedicados exclusivamente ao Senhor (como Maria): para a oração, a participação na Eucaristia, a leitura da palavra de Deus, etc. E também para nos lembrarmos do Senhor durante o trabalho (como Marta): indo com a imaginação até ao Sacrário mais perto do nosso local de trabalho.

O Senhor espera de nós uma conversão, como a dos habitantes de Nínive (cf. Leit), para nos afastarmos daquelas acções que nos afastam d’Ele. Nossa Senhora esteve muito unida ao seu filho Jesus durante toda a sua vida, mesmo quando estava fisicamente afastada d’Ele.

 

feira, 10-X: O Pão da vida e a misericórdia.

Jn 4, 1-11 / Lc 11, 1-4

Dai-nos em cada dia o pão para nos alimentarmos.

«Tomado no sentido qualitativo (cf. Ev), significa o necessário para a vida e, de um modo mais abrangente, todo o bem suficiente para a subsistência. Tomado à letra, designa directamente o Pão da vida, o corpo de Cristo, remédio de imortalidade, sem o qual não temos a vida em nós» (CIC, 2837).

Jonas não foi capaz de perdoar aos habitantes de Nínive, mas no Pai-nosso pedimos perdão para aqueles que nos ofendem. Na Santa Missa também pedimos frequentes vezes perdão ao Senhor: no Senhor tende piedade de nós, no Cordeiro de Deus… Mãe de misericórdia, ensina-nos a perdoar àqueles que nos ofendem.

 

feira, 11-X: Piedade nas orações da Missa.

Mal 3, 13-20 / Lc 11, 5-13

Não se levantará para lhos dar, por ser amigo dele. Mas, por causa da sua impertinência, levantar-se-á para lhe dar tudo o que precisa.

O Senhor anima-nos a uma oração persistente, perseverante (cf. Ev), ainda que nos pareça que os nossos pedidos não são atendidos: «É coisa inútil servir a Deus» (Leit).

Procuremos rezar com piedade e atenção as orações da Missa. Prestemos atenção aos diálogos, às aclamações, à recitação dos cânticos ou das partes comuns. E, de um modo especial, à Oração Eucarística: «As Orações Eucarísticas contidas no Missal foram-nos transmitidas pela Tradição viva da Igreja e caracterizam-se por uma riqueza teológica e espiritual inesgotável; os fiéis devem poder ser capazes de apreciá-la» (SC, 48).

 

feira, 12-X: O Espírito Santo e o Corpo de Cristo.

Joel, 1, 13-15 – 2, 1-2 / Lc 11, 15-26

Mas se eu expulso os demónios pelo dedo de Deus, então é porque o reino de Deus chegou até vós.

O dedo de Deus é um dos símbolos do Espírito Santo: «O dedo. É ‘pelo dedo de Deus que Jesus expulsa os demónios’ (Ev). O hino ‘Veni Creator Spiritus’ invoca o Espírito Santo como ‘dedo da mão direita do Pai’» (CIC, 700). Nas tentações precisamos de pedir a fortaleza a Deus e somos convidados a fazer uma maior penitência: «ponde as vestes da penitência» (Leit).

Na celebração eucarística, temos a «epiclese, que é invocação ao Pai para que faça descer o dom do Espírito, a fim de que o pão e o vinho se tornem o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo e para que a comunidade inteira se torne cada vez mais Corpo de Cristo» (SC, 13).

 

Sábado, 13-X: A Ave-Maria: o encanto de Deus.

Joel 4, 12-21 / Lc 11, 27-28

Feliz d’Aquela que te trouxe no seio e que te amamentou ao seu peito.

Nossa Senhora recebeu um duplo louvor: duma mulher e de seu Filho, porque ouviu a palavra de Deus e a levou à prática (cf. Ev). Na Ave-Maria as palavras «exprimem a admiração do céu e da terra, e deixam de certo modo transparecer o encanto do próprio Deus ao contemplar a sua obra prima… A repetição da Ave-Maria sintoniza-nos com este encanto de Deus» (RVM, 33).

Na Missa encontramos a mesma adesão ao desígnio de Deus: «sempre que, na liturgia eucarística nos abeiramos do Corpo e do Sangue de Cristo, dirigimo-nos também a Ela que, por toda a Igreja, acolheu o sacrifício de Cristo, aderindo plenamente ao mesmo» (SC, 33).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       Fernando Silva

Nota Exegética:    Geraldo Morujão

Homilias Feriais: Nuno Romão

Sugestão Musical:              Duarte Nuno Rocha

 


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