RECORTE

 

 

A CANÇÃO DAS ÁGUAS

 

Caminhava certo dia um homem ao lado de um pequeno riacho, que saltitava alegre por entre pedras e arbustos. Com curiosidade, foi acompanhando o curso do pequeno ribeiro que se foi avolumando até tornar-se um rio caudaloso.

Foi seguindo a margem por entre grandes pedras e encontrou uma gruta. Perante a lisura daquelas pedras enormes, admirou o trabalho do tempo. Olhou mais atentamente e viu uma placa numa das pedras, com algumas palavras gravadas. Concluiu que alguém já tinha entrado naquela gruta antes dele.

Com a sua lanterna, abeirou-se da placa e leu. Eram palavras belas da autoria do poeta Tagore, Prémio Nobel da literatura em 1913: «Não foi o martelo que deixou perfeitas estas pedras. Foi a água com a sua doçura a sua dança e a sua canção. Onde a dureza só faz destruir, a doçura consegue esculpir.»

Este belo pensamento de Tagore tem uma mensagem importante para todos nós, especialmente pais e educadores.

Os pais que tratam seus filhos com intransigência, com dureza de palavras, com medidas violentas não conseguem moldar a alma dos filhos que não aceitam as ordens, os conselhos e orientações dos seus progenitores. As pancadas duras do martelo não fazem esculturas belas...

A educação é uma maravilhosa obra de arte. Os professores que usam de dureza, para com os jovens que têm de instruir e educar, perdem o seu tempo.

Mas a suavidade, a amabilidade e o carinho dos pais e dos outros educadores, conseguem resultados surpreendentes, às vezes inesperados, como a água aperfeiçoou aquelas rochas duras com a sua canção suave e incessante. 

 

Pe. Mário Salgueirinho

«Voz Portucalense», 16-V-07

 

 


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