aCONTECIMENTOS eclesiais

DO PAÍS

 

FÁTIMA

 

CONGRESSO INTERNACIONAL

SOBRE A SSma. TRINDADE

 

Decorreu de 9 a 12 de Maio passado o Congresso Internacional sobre a Santíssima Trindade, organizado pelo Santuário de Fátima. Por ocasião da celebração dos 90 anos das aparições e sob a inspiração da aguardada nova igreja do Santuário, o Congresso propôs-se reflectir e meditar acerca da Santíssima Trindade, mistério nuclear e próprio da fé cristã.

 

No Congresso reuniram-se cerca de 300 congressistas para escutar e debater com vários especialistas, portugueses e estrangeiros (oriundos de Espanha, França, Itália, Alemanha, Grécia e Canadá), acerca das raízes, desenvolvimento, actualidade e implicações da fé no Deus Trindade.

A reflexão desenvolveu-se desde estudos acerca da Sagrada Escritura até a abordagens contemporâneas no Mistério Trinitário (dos teólogos K. Rahner e H. U. von Balthasar), passando pela experiência e linguagem litúrgicas, pelo esclarecimento e desenvolvimento da profissão da fé cristã no cristianismo dos primeiros séculos – em polémica com os movimentos gnósticos –, pelas distintas mas complementares acentuações entre Ocidente e Oriente cristãos (sobretudo ortodoxo). Houve ainda oportunidade de reflectir acerca da significação actual deste aspecto constituinte da fé cristã e das implicações que dele decorrem para o modo de olhar a Igreja, o mundo e o homem como «imagem e semelhança de Deus».

As aparições e a mensagem de Fátima revelaram-se particularmente fecundas para a reflexão empreendida neste Congresso. Na verdade, reconhecida a dificuldade de abordar a Trindade, pôde-se perceber, com o decorrer dos trabalhos, como a experiência do encontro com Deus feita pelos pastorinhos e a sua linguagem simples mas impregnada de «gozo e amor a Deus», concorrem para o esforço que os cristãos assumem de «dar as razões da sua esperança» (cf. 1 Pe 3, 15), ganhando assim uma luz sempre nova a exclamação de S. Agostinho: «Vês verdadeiramente a Trindade se vês o Amor».

 

Sínteses conclusivas

 

Destes dias de reflexão e trabalho poderemos extrair os seguintes aspectos conclusivos:

1) Reconhecer a pluralidade, a complementaridade e a interacção das vias para aceder ao Mistério do Deus Trindade – da experiência mística à busca sistemática de uma aprofundada inteligência da fé; da vida litúrgica às manifestações populares dos crentes; do exercício mais especulativo à singular experiência dos videntes de Fátima.

2) Esta pluralidade de vias é reflexo do excesso deste Mistério que tratamos – elas são abordagens de uma realidade que sempre nos ultrapassa e que, portanto, requer humildade crente a quem ousa aproximar-se dele.

3) A consciência da desproporção entre a grandeza do Mistério de Deus e a limitação dos recursos de quem sobre ele se debruça, não nos demite de reflectir, de meditar e de ter sobre ele um discurso – paradoxalmente, a consciência dos limites é essencial para que se possa aprofundar o sentido do Mistério confessado.

4) A experiência litúrgica e, em concreto, a linguagem doxológica emergem como «a fonte e cume» onde as diversas vias de abordagem da Trindade se encontram – reconhecer o lugar axial da lex orandi – lex credendi na integração dos aspectos diversos da experiência crente.

5) O Mistério trinitário é esclarecido «sub lumine Dei», luz que é transversal aos vários modos e tempos de encontro com a Trindade – sob a luz da Palavra, encarnada e escrita; sob a luz da experiência mística e litúrgica; sob a metáfora da luz com que os Padres da Igreja fazem entender a vida e as processões trinitárias; sob aquela luz que inundou e «encheu de gozo» os pequenos pastores de Fátima.

6) A teologia trinitária recebe do próprio Deus Amor a sua suprema fecundidade – Deus definitivamente revelado no Mistério Pascal, o Filho glorificado e o Espírito enviado: Ubi crux, ibi Trinitas.

7) A experiência dos videntes de Fátima revela-se fecunda para a descoberta do Amor de Deus: a beleza da luz refractada como imagem trinitária; a iniciação evolutiva dos pastorinhos ao Mistério trinitário; Deus na origem das aparições e que, no seu desenvolvimento e fecho, se vai manifestando como Deus Trindade.

8) Núcleo da regra da fé eclesial, a Trindade é a figura (Gestalt) concreta do monoteísmo cristão – a clareza deste traço da fé cristã permite ver como é ele que aproxima, mais do que separa, as diversas denominações cristãs; permite ainda encontrar na relação com outras religiões, monoteístas ou não, aquela consciência da própria identidade que torna o diálogo possível.

9) Nas aparições de Fátima faz-se a experiência de um Deus «contristado», isto é, um Deus compassivo para com a humanidade que lhe é infiel – é, no fundo, uma exortação à opção fundamental do Homem por Deus.

10) A confissão trinitária é uma perene proclamação da concretude e historicidade da fé cristã, bem como da pessoalidade e relacionalidade do Deus revelado, encarnado e tri-pessoal – actualidade manifestada na crescente recusa de um deus frio e puramente racional, próprio do modelo teológico deísta.

11) A confissão trinitária é ainda a resposta cristã – teológica e experiencial – quer ao paradigma modalista e/ou monista da realidade de Deus prevalente em certas correntes da Modernidade quer às formas contemporâneas com que se revestem as doutrinas gnósticas.

12) São vastas e fecundas as implicações da fé trinitária – a antropologia marcada pelo Mistério trinitário e o Homem como o caminho para Deus; a Igreja como ícone do Deus Trindade, tendendo para uma plenitude escatológica de comunhão.

13) Da identidade amorosa de Deus decorre a decisiva implicação espiritual da fé trinitária – e por isso plenamente teológica e pastoral – e, ao mesmo tempo, o critério fundamental de verificação da validade de um discurso acerca da Trindade: a caridade – Ubi caritas, Deus (Trinitas) ibi est.

 

«Da luz – o Pai – nós conhecemos a luz – o Filho – na luz – o Espírito; teologia breve e simples da Trindade» (S. Gregório de Nanzianzo, Discurso 31)

 

pela Comissão Científica,

H. Noronha Galvão

 

 

ALGARVE

 

PAIS DE MADDIE

COM O PAPA

 

Os pais de Maddie McCann, a menina desaparecida no Algarve desde o dia 3 de Maio passado, conversaram durante breves momentos com o Papa Bento XVI, a quem entregaram uma foto da sua filha, depois da audiência geral da quarta-feira 30 de Maio, que decorreu na Praça de São Pedro.

 

Após cumprimentar alguns Bispos de todo o mundo, o Papa deslocou-se para junto das primeiras filas de fiéis, onde falou com o casal Katee e Gerry McCann. Bento XVI procurou confortar os pais da pequena Maddie, visivelmente emocionados, a quem agarrou as mãos. O secretário pessoal do Papa, Georg Gaenswein, guardou a foto da pequena Maddie, sobre a qual Bento XVI tinha feito um pequeno gesto de bênção.

«Foi muito importante para nós termos entregue a foto de Madeleine, e quando o Papa a abençoou foi um momento muito emotivo porque sabemos que aquele toque nos vai ajudar nestes tempos difíceis», disse Kate McCann numa conferência de imprensa após o encontro.

«Ele disse que vai rezar por nós e pela família, e pelo regresso de Madeleine», referiu Kate.

Esta visita a Roma dos pais de Madeleine marca o início de um périplo por várias capitais europeias que a família McCann programou para divulgar a imagem da filha e recolher informações.

 

 

BRAGA

 

RITO BRACARENSE

EM NOVO ESTUDO

 

O Pe. Joaquim Augusto Félix de Carvalho, Vice-reitor do Seminário Conciliar de Braga, defendeu em Roma a tese de doutoramento em Sagrada Liturgi, no Pontifício Instituto Litúrgico Santo Anselmo, apresentando um estudo e edição do Manuscrito 870 do Arquivo Distrital de Braga, «um pontifical de luxo brácaro- romano».

 

Segundo o Pe. Joaquim Félix, que também exerce as funções de coordenador do Secretariado Arquidiocesano da Pastoral Litúrgica, «a necessidade de estudar o problema do rito bracarense» foi o ponto de partida para a escolha daquele códice como objecto da tese de doutoramento.

A tese de doutoramento, com mais de mil páginas (em dois volumes), baseia-se no estudo e edição do referido manuscrito «com interesse artístico, histórico e litúrgico», que, contudo, «não se reflecte na quantidade de publicações a ele dedicadas».

Com efeito, depois de António de Vasconcelos, em 1928, que falou dele no Congresso Litúrgico Nacional Romano-Bracarense, e também no ano de 1931, desta vez na revista dos beneditinos (Opus Dei), só em 1966 volta a haver notícias sobre o Manuscrito 870 do Arquivo Distrital de Braga.

Mais tarde, é Joaquim Bragança que o enumera no elenco dos pontificais manuscritos conservados nas bibliotecas portuguesas. Porém, a sua edição na íntegra só surgiu 15 anos mais tarde, com introdução de Joaquim Bragança, a quem o Pe. Joaquim Félix dedica a sua tese de doutoramento pelos contributos e conselhos que dele recebeu desde que, há cerca de dez anos, se aventurou no estudo do rito bracarense.

De resto, o último estudo dedicado ao Manuscrito 870 foi elaborado pelo próprio Pe. Joaquim Félix, aquando da dissertação de licenciatura, apresentada em 2004 no Pontifício Instituto Litúrgico Santo Anselmo. «Compreende uma introdução geral ao códice e a edição semi-crítica da secção das missas», explica o sacerdote na primeiras páginas da tese de doutoramento, que foi orientada pelo Prof. Renato De Zan.

«A nossa dissertação de licenciatura inseria-se na continuidade dos estudos e edições» de António de Vasconcelos e Joaquim Bragança, que «têm o mérito não apenas de revelar um manuscrito que permaneceu por muito tempo ignorado, mas também de ter iniciado a sua análise científica». Agora, com outras condições e depois de muitas visitas a igrejas de Portugal, Espanha e França, procedeu ao estudo interdisciplinar do códice, «mas com uma nova estruturação ao nível dos capítulos», e também, na segunda parte do primeiro volume, à edição integral do manuscrito.

 

 

LISBOA

 

TRISTE REGULAMENTAÇÃO

DA LEI DO ABORTO

 

Foi publicada no passado dia 21 de Junho a regulamentação da nova lei do aborto, que permite a interrupção da gravidez, até às 10 semanas, «por opção da mulher», um diploma decorrente do resultado do referendo de 11 de Fevereiro.

 

A Portaria n.º 741-A/2007 estabelece as medidas a adoptar nos estabelecimentos de saúde oficiais ou oficialmente reconhecidos com vista à realização da interrupção da gravidez nas situações previstas no artigo 142.º do Código Penal. A regulamentação entra em vigor dia 15 de Julho.

No artigo 16.º, em que se aborda a questão da «consulta prévia», são acolhidas algumas das recomendações que o Presidente da República fez ao promulgar a lei. A indicação de Cavaco Silva de mostrar a ecografia à mulher não foi seguida nesta regulamentação (para não condicionar a decisão da mulher ou para não haver decisão esclarecida?).

Está previsto que a mulher que decida interromper uma gravidez até às 10 semanas tenha, obrigatoriamente, uma consulta médica, no prazo de 5 dias, depois de solicitado o aborto.

«No âmbito da consulta, o médico, ou outro profissional de saúde habilitado, deve prestar todas as informações e os esclarecimentos necessários à mulher grávida ou ao seu representante legal, tendo em vista uma decisão livre, consciente e responsável», refere o texto, sublinhando que os esclarecimentos «devem, preferencialmente, ser acompanhados de informação escrita».

Entre outras questões, as mulheres deverão ser informadas sobre «as eventuais consequências para a saúde física e psíquica» do aborto e «as condições de apoio que o Estado pode dar à prossecução da gravidez e à maternidade».

À mulher é permitido «fazer-se acompanhar por outra pessoa, desde que seja essa a sua vontade» (não havendo qualquer referência ao pai do nascituro, na linha de considerar um assunto individual da mulher) (art. 5.º).

Estabelece-se a existência de um período obrigatório de reflexão, não inferior a 3 dias, antes de entregar o documento sobre o consentimento para a interrupção da gravidez (art. 18.º), durante o qual existe «a disponibilidade de acompanhamento psicológico e por técnico de serviço social» (art. 16.º).

Os estabelecimentos de saúde devem ainda disponibilizar à mulher um método contraceptivo para início imediato depois da realização do aborto (art. 19.º).

 

Objecção de consciência

 

Em relação à objecção de consciência (art. 12.º), diz-se que «os profissionais de saúde objectores de consciência devem assegurar o encaminhamento das mulheres grávidas que solicitem a interrupção da gravidez para os serviços competentes, dentro dos prazos legais» (incompreensível: como se o objector de consciência em relação à guerra, devesse providenciar para que outros fizessem essa guerra!).

No caso de a existência de objectores de consciência impossibilitar a realização do aborto, os serviços oficiais devem pedir a colaboração de outros estabelecimentos (mesmo assumindo os encargos daí resultantes!).

O documento pode ser consultado no seguinte endereço: http://dre.pt/pdf1sdip/2007/06/11801/00020011.PDF

É, pois, natural que um grupo de cerca de 30 deputados de vários partidos já tenha entregue no Tribunal Constitucional um pedido de fiscalização sucessiva da lei do aborto e da regulamentação produzida pelo Governo.

 

Cf. Agência Ecclesia

 

 

FÁTIMA

 

ÚLTIMO CONGRESSO DO

90.º ANIVERSÁRIO

 

A culminar o programa celebrativo do 9.º aniversário das Aparições do Anjo e de Nossa Senhora do Rosário aos três Pastorinhos de Aljustrel, será inaugurada a igreja dedicada à Santíssima Trindade e realizar-se-á o congresso Fátima para o Século XXI, de 9 a 12 de Outubro próximo, acompanhado por alguns eventos culturais, entre os quais a exposição de fotografia: Fátima no Mundo e a estreia da oratória: Fátima, sinal de esperança para a humanidade.

 

De facto, a revelação da Mensagem de Fátima começa (Aparições do Anjo) e termina (Visão da Santíssima Trindade), anunciando aos homens que Deus tem sobre a humanidade, dilacerada pelos seus erros e pecados, desígnios de Misericórdia. Para o efeito, a «Senhora mais brilhante que o sol» veio pedir – através de testemunhas escolhidas: três crianças – «conversão e oração».

O Congresso procurará aprofundar, com a ajuda de reconhecidos estudiosos da mensagem de Fátima, a mística e a espiritualidade próprias daquele lugar, tendo em conta as exigências do tempo presente e o contributo específico do Santuário no serviço do Evangelho:

– no primeiro dia (O Acontecimento), pretende reler o evento, contexto e reacções suscitadas dentro e fora do espaço eclesial;

– no segundo dia (A Mensagem), olhando para os diversos ciclos da Mensagem, revisita os seus conteúdos fundamentais e analisa a sua espantosa divulgação por todo o mundo;

– no terceiro dia (A Credibilidade), aborda os sinais proféticos do mistério de Fátima, que o acreditam perante a Igreja e o Mundo, bem como o testemunho de vida dos seus protagonistas, que no-lo confirmam;

– no quarto dia (A Actualidade), mostra a amorosa solicitude da misericórdia divina perante os sofrimentos da Humanidade, e, na vivência espiritual dos Pastorinhos, apresenta caminhos evangélicos de renovação da Igreja e da sociedade contemporânea.

 

Programa

 

Conforme anuncia o programa, três Cardeais integram a lista de congressistas.

Na tarde de 11 de Outubro, D. Ângelo Amato, Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, apresentará o tema «João Paulo II e o Segredo de Fátima».

Logo depois, D. Stanilaw Dziwisz, secretário pessoal do Papa João Paulo II e actual Arcebispo de Cracóvia, apresentará «Testemunho: o dia 13 de Maio de 1981».

No dia seguinte, a 12 de Outubro, na manhã dedicada ao Sub-tema «A conversão do homem a Deus», o Cardeal português D. José Saraiva Martins, Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, terminará com o tema «O dom dos Pastorinhos à Igreja e ao Mundo, no contexto da Nova Evangelização».

 


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