aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

RECONHECIMENTO PONTIFÍCIO PARA

AJUDA À IGREJA QUE SOFRE

 

O Vaticano anunciou no passado dia 29 de Maio que o presidente internacional da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), Hans Peter Röthlin, foi nomeado por Bento XVI como membro do Conselho Pontifício Cor Unum, o braço operativo para a caridade do Papa.

 

Esta distinção chega no ano do 60.º aniversário da Fundação, uma associação de direito pontifício. Hans Peter Röthlin, presidente da AIS desde 1999, considera que a nomeação do Vaticano «é uma alegria e uma honra, não só pessoalmente, mas também como uma expressão da confiança da Santa Sé na nossa organização».

Fundada em 1947 pelo Padre Werenfried van Straaten, a AIS é uma organização dependente da Santa Sé, tendo por objectivo apoiar projectos de cunho pastoral em países onde a Igreja Católica está em dificuldades. No início, o trabalho da Ajuda à Igreja que Sofre consistia apenas em auxiliar os refugiados da Alemanha de Leste que fugiam da ocupação comunista, mas rapidamente se espalhou pelos campos de refugiados da Europa e da Ásia, pelas Repúblicas Populares comunistas, pela América Latina e pela África.

 

 

 

PERFIL DESEJADO PARA OS

DIPLOMATAS ECLESIÁSTICOS

 

Um insistente apelo a uma íntima amizade com Jesus, para serem «fundamentalmente pastores» e «promotores de diálogo», junto aos outros pastores – dirigiu-o Bento XVI aos alunos da Pontifícia Academia Eclesiástica, que se preparam para o serviço diplomático da Santa Sé, recebidos no passado dia 2 de Junho no Vaticano.

 

«O que se pede à testemunha do Evangelho – recordou o Papa – é que permaneça fiel, em todas as circunstâncias, à missão que lhe foi confiada. O que comporta, em primeiro lugar, uma experiência pessoal e profunda do Deus incarnado, uma íntima amizade com Jesus».

«A fé cristã nunca se pode reduzir a um mero conhecimento intelectual de Cristo e da sua doutrina; deve também exprimir-se na imitação dos exemplos que Cristo nos deu como Filho do Pai e como Filho do homem. Em particular, quem colabora com o Sucessor de Pedro, Pastor supremo da Igreja católica, está chamado a fazer todo o possível para ser ele mesmo um autêntico pastor, pronto, como Jesus Bom Pastor, a dar a vida pelo seu rebanho».

Referindo-se a uma passagem da saudação que lhe tinha sido dirigida pelo arcebispo D. Justo Mullor, presidente da Academia Eclesiástica, Bento XVI congratulou-se com o desejo, manifestado pelos padres que frequentam este estabelecimento de formação, de «serem fundamentalmente pastores».

«Sempre pastores, junto dos outros pastores da Igreja, antes de serdes também, ao lado dos Representantes Pontifícios com quem colaborais, promotores de diálogo e de frutuosas relações com as autoridades e com as instâncias civis, como o requer a peculiar tradição católica. Cultivai esta vossa aspiração, de tal modo que os que de vós se aproximarem possam descobrir sempre o sacerdote que está em vós. Assim se tornará a todos claramente conhecido o carácter atípico da diplomacia pontifícia. Uma diplomacia, como podem constatar as numerosas missões diplomáticas acreditadas junto da Sede Apostólica, que, longe de defender interesses materiais ou visões parciais do homem, promove valores que brotam do Evangelho, como expressão dos altos ideais proclamados por Jesus, único Salvador universal».

«Aliás estes valores (reconheceu ainda o Papa) são, numa parte considerável, património partilhado por outras religiões e culturas».

 

 

V ENCONTRO DO EPISCOPADO

LATINO-AMERICANO

 

Bento XVI recebeu no passado dia 11 de Junho as conclusões da V Conferência Geral dos Episcopados da América Latina e das Caraíbas (CELAM), que decorreu de 13 a 31 de Maio, em Aparecida (Brasil). O Papa inaugurara os trabalhos desta reunião magna no domingo 13 de Maio.

 

O texto do documento final foi entregue pelos presidentes da Assembleia da Conferência, os Cardeais Giovanni Battista Re, Francisco Javier Errázuriz Ossa e Geraldo Majella Agnelo.

A CELAM apresentou, no resumo do documento final, oito pontos conclusivos, onde se considera, entre outras coisas, «a difícil situação da nossa Igreja nesta hora de desafios, fazendo um balanço de sinais positivos e negativos».

Durante o Encontro do episcopado latino-americano, no Santuário de Nossa Senhora de Aparecida, foram discutidos os desafios da Igreja na região, visando traçar directrizes e orientações sobre sua actuação.

Perante «as grandes mudanças que estão a suceder no nosso continente e no mundo, e que interpelam a evangelização», os Bispos analisam vários processos históricos complexos e em curso nos níveis sócio-cultural, económico, sócio-politico, étnico e ecológico, e «discernem grandes desafios como a globalização, a injustiça estrutural, a crise na transmissão da fé e outros».

Uma das grandes opões da Conferência passa por fazer da Igreja «uma comunidade mais missionária, dinamizando uma missão continental» que será definida nos próximos meses, da responsabilidade de cada conferência episcopal.

Ao falar da promoção da dignidade humana confirma-se «a opção preferencial pelos pobres e excluídos, que nos remete a Medellin». Em relação à temática da Família, pessoas e vida, defende-se «uma cultura do amor no matrimónio e na família, e uma cultura do respeito à vida na sociedade».

Num capítulo intitulado «Os nossos povos e a cultura», continuando e actualizando as opções de Puebla e de Santo Domingo pela evangelização da cultura e a evangelização inculturada, tratam-se «os desafios pastorais da educação e a comunicação, os novos areópagos e os centros de decisão, a pastoral das grandes cidades, a presença dos cristãos na vida pública».

Em especial é referido «o compromisso político dos leigos por uma cidadania plena na sociedade democrática, a solidariedade com os povos indígenas e afro-descendentes, e uma acção evangelizadora que aponte caminhos de reconciliação, fraternidade e integração entre os nossos povos, para formar uma comunidade regional de nações na América Latina e no Caribe».

Reconhecendo «as luzes e as sombras que há na vida cristã e na acção eclesial», os Bispos «querem iniciar uma nova etapa pastoral nas actuais circunstâncias históricas, marcada por um forte ardor apostólico e um maior compromisso missionário».

O texto tem três grandes partes que seguem o método de reflexão teológico-pastoral «ver, julgar, agir», prestando especial atenção à iniciação cristã, à catequese permanente e à formação pastoral. São abordadas questões como o cuidado do meio ambiente, a piedade popular, o diálogo ecuménico, as relações com o judaísmo e o diálogo inter-religioso.

Bento XVI deverá agora aprovar o texto, que só posteriormente será publicado na íntegra.

 

 

VATICANO ROMPE COM

AMNISTIA INTERNACIONAL

 

O presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz (CPJP), Cardeal Renato Martino, anunciou a suspensão dos contributos financeiros das instituições católicas à Amnistia Internacional (AI) devido à tendência abortista desta organização de promoção e defesa dos direitos humanos.

 

Numa entrevista ao National Catholic Register, o presidente do CPJP manifestou-se amargurado pelas posições abortistas da AI, sublinhando que o apoio à despenalização do aborto é «uma traição à finalidade institucional da organização».

«Graças a Deus, não existe um direito institucional ao aborto, internacionalmente reconhecido, como se deduz da Conferência do Cairo, que excluiu o aborto como meio lícito de controlo do nascimento», referiu o Cardeal Martino, que na altura liderou a delegação da Santa Sé nesse encontro promovido pelas Nações Unidas.

Criticando os lobies abortistas, o Cardeal Martino lamenta a difusão da «cultura da morte», em especial quando a mesma atinge organizações como a AI.

«A supressão voluntária de qualquer vida inocente é sempre um delito e mina as bases do bem comum da família humana», disse.

A consequência inevitável desta decisão, de acordo com o Cardeal, será a «suspensão de qualquer financiamento à Amnistia por parte de organizações católicas e católicos individuais».

 

 

PATRIARCA DE MOSCOVO ABERTO À

COOPERAÇÃO COM IGREJA CATÓLICA

 

A cooperação entre a Igreja Ortodoxa e a Igreja Católica teria implicações importantes para o futuro da Europa, considera o Patriarca ortodoxo de Moscovo, Alexis II.

 

O Patriarca Alexis II recebeu no passado dia 14 de Junho, em Moscovo, o Cardeal húngaro Peter Erdo, presidente do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE).

«Esta cooperação [entre as duas Igrejas cristãs, separadas há quase mil anos] é muito importante para o continente europeu, com profundas raízes cristãs. Infelizmente, estas raízes cristãs estão a ficar esquecidas ou até oprimidas», disse o Patriarca no referido encontro.

Alexis II constatou que as tentativas de impor uma mentalidade secularizada na sociedade, que afasta a religião dos locais públicos, são bem visíveis na Europa.

«Creio que a cooperação entre as nossas Igrejas está enriquecida por posições similares em muitas questões importantes, como a globalização, o papel da religião na sociedade, os direitos e a dignidade humana, os valores familiares, a demografia, a bioética e muitos outros», afirmou.

O Cardeal Erdö revelou que o seu encontro com o patriarca foi muito cordial, baseando-se nos valores fundamentais.

 

 

SANTA SÉ SAÚDA ESFORÇOS

CONTRA A PENA DE MORTE

 

O Cardeal Renato Martino, presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, defendeu em Roma, no passado dia 18 de Junho, a abolição da pena de morte em todo o mundo, sublinhando que não há nenhuma necessidade dela.

 

«A sociedade moderna tem todos os meios para tornar inofensiva uma pessoa que tenha cometido um delito e, por isso, não há, em absoluto, necessidade da pena de morte. Espero que, por fim, tenhamos não só uma moratória, mas a completa abolição da pena capital», referiu.

O membro da Cúria Romana falava numa iniciativa promovida pela Comunidade católica de Santo Egídio, intitulada «Africa for life», que reúne ministros da Justiça de 17 países africanos.

Para o Cardeal Martino, a pena de morte «não serve para reeducar o culpado: a pena para o crime deve ter em vista a reinserção na sociedade».

Pouco mais de 50 Estados ainda mantêm a pena de morte, em todo o mundo. Ao longo de 2006, 91% das execuções tiveram lugar em apenas seis países: China, Irão, Iraque, Sudão, Paquistão e EUA.

Os presidentes das instituições da União Europeia e do Conselho da Europa deverão assinar solenemente em Lisboa, a 9 de Outubro, uma declaração conjunta que estabelece o «Dia Europeu contra a Pena de Morte».

 

 

OS DEZ MANDAMENTOS

DA ESTRADA

 

O Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes (CPPMI) publicou no passado dia 19 de Junho os Dez Mandamentos da Estrada, manifestando a sua preocupação pelos milhões de mortes e feridos provocados pelos acidentes rodoviários em todo o mundo.

 

O primeiro desses «mandamentos», significativamente, é «não matarás». Noutro ponto sugere-se que se convençam «os jovens e os menos jovens a não conduzirem quando não estão em condições de o fazer», numa alusão à condução sob a influência do álcool, entre outras situações incapacitantes.

No novo documento deste organismo vaticano, que apresenta «Orientações para a Pastoral da Estrada», são recordados os 50 milhões de feridos e os 1,2 milhões de mortos que, em todos os anos, são vítimas dos acidentes nas estradas de todo o mundo, na sequência de transgressões e de negligência no cumprimento das regras de trânsito.

O Vaticano considera que esta «é uma triste realidade e, ao mesmo tempo, um grade desafio para a sociedade e para a Igreja».

Para fazer face a este drama, como referiu o Cardeal Renato Martino, presidente do CPPMI, aos condutores pede-se «controlo sobre si próprios, cortesia, prudência, espírito de serviço e conhecimento das normas do Código de Estrada».

Comentando o 5.º ponto do «decálogo do condutor» – O automóvel não seja para ti expressão de poder, de domínio e ocasião de pecado –, o Cardeal Martino pediu que sejam evitadas atitudes como «ultrapassagens perigosas», às quais o documento acrescenta «a falta de cortesia, gestos indelicados, insultos e blasfémias».

A utilização da estrada, indica o CPPMI, pode ajudar a exercer «virtudes cristãs», como «a prudência, a paciência e a caridade». O documento recomenda ainda que cada viagem seja iniciada com o sinal da cruz, colocando os passageiros sob «a protecção da Santíssima Trindade».

«Cada um, no âmbito das suas competências próprias, deve agir para criar uma consciência geral e pública no que diz respeito à segurança rodoviária e promover, com todos os meios, uma educação adequada dos condutores, dos passageiros e dos peões», concluiu o Cardeal Martino.

 

Decálogo dos condutores

 

I. Não matarás.

II. A estrada seja para ti um instrumento de comunhão, não de danos mortais.

III. Cortesia, correcção e prudência ajudar-te-ão.

IV. Sê caridoso e ajuda o próximo em necessidade, especialmente se for vítima de um acidente.

V. O automóvel não seja para ti expressão de poder, de domínio e ocasião de pecado.

VI. Convence os jovens e os menos jovens a não conduzirem quando não estão em condições de o fazer.

VII. Apoia as famílias das vítimas dos acidentes.

VIII. Procura conciliar a vítima e o automobilista agressor, para que possam viver a experiência libertadora do perdão.

IX. Na estrada, tutela a parte mais fraca.

X. Sente-te responsável pelos outros.

 

 

REFORÇADA A IMPORTÂNCIA 

DO DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO

 

Bento XVI nomeou no passado dia 25 de Junho o Cardeal Jean-Louis Tauran, antigo Secretário do Vaticano para as relações com os Estados, como presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso (CPDIR).

 

O Cardeal Tauran sucede a outro francês, D. Paul Poupard, que acumulava a presidência do CPDIR com a do Conselho Pontifício para a Cultura.

A fusão das presidências aconteceu em Março de 2006, depois de Bento XVI ter decidido enviar para o Cairo o Arcebispo Michael Fitzgerald, antigo presidente do CPDIR e actual Núncio no Egipto e representante da Santa Sé junto da Liga Árabe. Na altura, a decisão fora justificada com a vontade do Papa em «favorecer um diálogo mais intenso entre os homens da cultura e os representantes das várias religiões». Pouco mais de um ano depois, o CPDIR volta a ter uma presidência autónoma.

O actual Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso foi criado em 1988 pelo Papa João Paulo II, com a Constituição Apostólica Pastor Bonus. Neste documento pode ler-se que «o Conselho favorece e regula as relações com os membros e os grupos das religiões que não são compreendidas sob o nome cristão, e também com aqueles que, de algum modo, possuem o sentido religioso».

 

 

PEQUENA ALTERAÇÃO

NA ELEIÇÃO DO PAPA

 

No passado dia 26 de Junho, tornou-se público o Motu próprio em que Bento XVI restabelece a norma tradicional sobre a maioria necessária para a eleição do Sumo Pontífice: sempre dois terços dos cardeais presentes.

 

Este documento do Papa substitui a norma estabelecida por João Paulo II na Constituição apostólica Universi Dominici Gregis (1996), segundo a qual, passados três dias de votação sem eleição, havia um dia dedicado à reflexão e à oração. Depois, retomavam-se as votações durante sete escrutínios eventuais, aos quais se seguia outro dia de reflexão, outros sete escrutínios, outra pausa e outros sete escrutínios.

No caso de continuar sem resultados positivos (ao 33.º ou 34.º escrutínio), abandonava-se a norma da maioria dos três terços. Por maioria absoluta (metade mais um), decidia-se como continuar: ou por sufrágio com maioria absoluta, ou escolhendo por maioria absoluta entre os dois candidatos mais votados.

Agora, segundo o Motu próprio, ao chegar-se a este impasse ao 33.º ou 34.º escrutínio, escolhe-se entre os dois candidatos mais votados – que ficam impedidos de votar –, exigindo-se a maioria dos dois terços.

 

 

ANO PAULINO

DE 2008 a 2009

 

No passado dia 28 de Junho, na celebração das I Vésperas da Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo, Bento XVI anunciou a celebração de um «especial ano jubilar» dedicado ao Apóstolo Paulo, por ocasião dos 2000 anos do seu nascimento. O Ano Paulino vai decorrer de 28 de Junho de 2008 a 29 de Junho de 2009.

 

O Santo Padre lembrou que Paulo passou de violento perseguidor dos cristãos a Apóstolo de Jesus e por ele sofreu e morreu. «Como é actual, hoje, o seu exemplo», exclamou.

O nascimento de Paulo é colocado pelos historiadores entre o ano 7 a 10 depois de Cristo.

O Papa indicou que Roma será um local privilegiado para a celebração deste Ano Paulino, dado que a cidade conserva o túmulo de São Paulo, descoberto na Basílica romana de São Paulo Fora dos Muros.

«Na Basílica papal e na antiga abadia beneditina poderão ter lugar uma série de eventos litúrgicos, culturais e ecuménicos, pastorais e sociais, todos respeitantes à espiritualidade paulina», disse.

Um destaque especial vai ser dada às peregrinações junto ao túmulo do Apóstolo. Congressos de estudo e publicações especiais de textos paulinos juntam-se a estas iniciativas, para fazer conhecer cada vez melhor a imensa riqueza dos ensinamentos de São Paulo, verdadeiro «património da humanidade redimida em Cristo».

 

O túmulo

 

Os responsáveis vaticanos asseguram que o sarcófago que se encontra sob o altar papal da Basílica de São Paulo, em Roma, era considerado, já em 390, como o do Apóstolo. Já no fim do século II, o presbítero romano Gaio, citado por Eusébio, assinalava a existência do «tropaion» erguido como testemunho do martírio de Paulo.

As escavações que decorreram entre 2002 e 22 de Setembro de 2006 permitiram trazer à luz do dia a ábside da Basílica costantiniana, englobada no transepto do edifício dos três Imperadores, Teodósio, Valentiniano II e Arcádio (que ampliaram a Basílica de Constantino).

Foi aqui, debaixo do altar papal, que se deu o achado: um sarcófago com a inscrição incompleta «Paulo apostolo mart(yri)» (Paulo Apóstolo Mártir), visível desde a base do altar e ao nível da antiga basílica, construída no século IV.

 

 

CARTA DO PAPA AOS

CATÓLICOS DA CHINA

 

Bento XVI pede a Pequim «o respeito por uma autêntica liberdade religiosa» e rejeita a ideia de uma Igreja submissa às autoridades chinesas e independente do Vaticano. Assim escreve o Papa na carta dirigida ao clero e aos católicos da China, dada a conhecer pela Santa Sé na manhã do dia 30 de Junho.

 

O Papa declara-se «aberto a negociações» com o governo chinês mas sublinha que será necessário «tempo e boa vontade das duas partes» para chegar a «uma normalização das relações com a República Popular da China».

A Santa Sé e a China não mantêm relações diplomáticas desde 1951.

Na Carta, muito aguardada, Bento XVI assegura que a Igreja «convida os fiéis a serem bons cidadãos, colaboradores responsáveis e activos a favor do bem comum do seu país». Mas «é também claro ser obrigação do Estado garantir aos seus cidadãos católicos o pleno exercício da sua fé, no respeito de uma autêntica liberdade religiosa».

Bento XVI pede também a Pequim a liberdade de nomear os bispos e sublinha a ideia de que «uma Igreja independente» do Vaticano «é incompatível com a doutrina católica». O Papa assegura a todos os católicos chineses divididos entre uma Igreja clandestina fiel ao Vaticano e uma Igreja oficial, «uma proximidade fraternal» e apela à «unidade» e à «reconciliação» sob a sua autoridade.

Com a ideia de unidade, Bento XVI pede a todos os bispos, mesmo aqueles que não são reconhecidos pelo Vaticano, «que exerçam de forma válida o seu ministério». Esta carta do Papa «aos bispos, padres, pessoas consagradas e aos fiéis leigos da Igreja Católica da República Popular da China», foi também enviada às autoridades chinesas, segundo informação do Vaticano.

Estima-se que existam entre 8 a 12 milhões de católicos na China.


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