Santos Anjos da Nossa Guarda

2 de Outubro de 2007

 

Memória

 

O Evangelho desta memória é próprio.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Senhor, trazei-nos a paz, Az. Oliveira, NRMS 90-91

Dan 3, 58

Antífona de entrada: Anjos do Senhor, bendizei o Senhor, louvai-O e exaltai-O para sempre.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Igreja, recorda-nos, no dia de hoje, que todos nós estamos acompanhados de um anjo da guarda fiel e protector. Ele foi colocado por Deus junto de cada um de nós, a fim de nos inspirar e proteger.

Aproveitemos esta oportunidade para, num reencontro interior, reconhecermos a nossa ingratidão por não respeitarmos a sua presença e o esquecimento a que votamos as suas inspirações.

 

Oração colecta: Senhor, que na vossa admirável providência enviais os Anjos para nos guardarem, ouvi as nossas súplicas e fazei que sejamos sempre defendidos pela sua protecção e gozemos eternamente da sua companhia.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Há sempre que seguir o anjo, ou mensageiro, que tem toda a autoridade divina. Ele será o guia certo para atingir a meta prometida e desejada.

 

Êxodo 23, 20-23

20Eis o que diz o Senhor: «Vou enviar um Anjo à tua frente, para que te proteja no caminho e te conduza ao lugar que preparei para ti. 21Respeita a sua presença e escuta a sua voz não lhe desobedeças. Ele não perdoaria as vossas transgressões, porque fala em meu nome. 22Mas, se ouvires a sua voz e fizeres tudo o que Eu te disser, serei inimigo dos teus inimigos e perseguirei os que te perseguirem. 23aO meu Anjo irá à tua frente».

 

Esta leitura é tirada do texto do Êxodo, da parte que se segue ao «Código da Aliança», e com que se introduzem disposições relativas à entrada na Palestina. Nestes versículos, Deus garante ao seu Povo uma protecção especial, que lhe permita entrar na posse da terra prometida. Daí a actualização que a Igreja faz deste texto, aplicando-o ao novo povo de Deus, a Igreja, que é guiada e assistida pelos Anjos da Guarda, a caminho do Céu. Lembramos que, quando no Antigo Testamento se fala do «anjo do Senhor», habitualmente designa-se a presença do próprio Deus ou uma sua directa intervenção (cf. Gn 16, 7; 22, 11.14; Ex 3, 2; 14, 19; etc.); mas, quando se fala de «o meu anjo», ou simplesmente de «o anjo» (cf. Ex 33, 2; Nm 20, 16), parece que se refere a seres espirituais distintos de Deus, os anjos. Que estes existem é uma verdade que está clara já em muitos textos do Antigo Testamento e sobretudo no Novo Testamento; pertence à fé da Igreja (cf. Catecismo da Igreja Católica, nº 334-336), que no símbolo de Niceia professa que Deus é criador do mundo invisível; estes seres invisíveis «não são as galáxias invisíveis, mas os puros espíritos angélicos» (Sequeri).

 

Salmo Responsorial    Sl 90 (91) 1-2. 3-4. 5-6. 10-11(R. 11)

 

Monição: Certo da protecção divina, o homem pode confiar no anjo do Senhor, perante qualquer perigo que tenha de enfrentar.

 

Refrão:         O Senhor mandará aos seus Anjos

                que te guardem em todos os teus caminhos.

 

Tu que habitas sob a protecção do Altíssimo

e moras à sombra do Omnipotente,

diz ao Senhor: «Sois o meu refúgio e a minha cidadela:

meu Deus, em Vós confio».

 

Ele te livrará do laço do caçador

e do flagelo maligno.

Cobrir-te-á com as suas penas,

debaixo das suas asas encontrarás abrigo.

 

A sua fidelidade é escudo e couraça:

não temerás o pavor da noite, nem a seta que voa de dia

nem a epidemia que se propaga nas trevas,

nem a peste que alastra em pleno dia.

 

Nenhum mal te acontecerá,

nem a desgraça se aproximará da tua morada.

Porque Ele mandará aos seus anjos

que te guardem em todos os teus caminhos.

 

 

Aclamação ao Evangelho        Sl 102 (103), 21

 

Monição: Cantemos aleluia saudando a feliz notícia de termos junto a cada um de nós um mensageiro, colocado por Deus, para nos guiar e amparar.

 

Aleluia

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 46

 

Bendizei o Senhor, todos os seus exércitos,

que estais ao seu serviço e executais a sua vontade.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 18, 1-5. 10

1Naquele tempo, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-Lhe: «Quem é o maior no reino dos Céus?». 2Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles 3e disse-lhes: «Em verdade vos digo: Se não vos converterdes e não vos tornardes como as crianças, não entrareis no reino dos Céus. 4Quem for humilde como esta criança esse será o maior no reino dos Céus. 5E quem acolher em meu nome uma criança como esta acolhe-Me a Mim. 10Vede bem. Não desprezeis um só destes pequeninos. Eu vos digo que os seus Anjos vêem continuamente o rosto de meu Pai que está nos Céus».

 

A leitura é tirada do início do chamado «discurso eclesiástico» de Jesus (Mt 18) sobre a vida na Igreja, concretamente como devem ser as relações dos cristãos entre si e como se deve exercer a autoridade; o discurso é introduzido com uma pergunta dos discípulos: «Quem é o maior no Reino dos Céus?».

10 «Os seus Anjos», isto é, os Anjos da Guarda das crianças. A contexto desta afirmação é o da importância que na Igreja se deve dar aos «pequeninos» (vv. 6.14), isto é, àqueles são mais necessitados de auxílio, quer pela sua pouca idade, quer pela pouca formação, ou recente conversão; é preciso ter um cuidado especial para não os escandalizar. O próprio Deus toma esses pequeninos ao seu cuidado, confiando-os a um Anjo protector; e esse mesmo Anjo se encarregará também de acusar diante do «Pai que está nos Céus», cujo «rosto vêem continuamente», todos aqueles que os levem a pecar. Mas não são apenas os pequeninos, são todos os seres humanos que têm o seu Anjo da Guarda (cf. Hebr 1, 14; Lc 16, 22; Catecismo da Igreja Católica, nº 336).

 

Sugestões para a homilia

 

A presença do Anjo da Guarda deve ser respeitada

Devemos pedir a sua protecção

Seguir as suas inspirações

A presença do Anjo da Guarda deve ser respeitada

Conta uma história que um peixe do mar, muito jovem, passou por outro mais velho e perguntou-lhe: – «Você, que tem mais experiência que eu, talvez me possa ajudar… Diga-me onde posso encontrar aquela coisa imensa a que chamam Oceano, pois que em toda a parte a procuro e nunca a consegui encontrar». O peixe interpelado respondeu-lhe: – «Mas é precisamente no Oceano que estás nadando!». «O quê!?» – Disse admirado o peixe novato. «Mas, isto é água, simplesmente! Eu procuro o grande Oceano…» e continuou nadando, muito desapontado, a procurar noutra parte.

Reflectindo sobre esta história podemos perguntar-nos quantas vezes procuramos fora de nós aquilo que lá mesmo se encontra: a paz, a sinceridade, o amor, a fraternidade, a solidariedade, a inspiração, que mais não são que uma presença real do Anjo da Guarda por quem, constantemente, somos assistidos. Todavia, quantas vezes pensamos nesta realidade? Quantas vezes respeitamos a sua presença em e junto de nós? Ao esquecermo-nos deste realidade, facilmente lhe faltamos ao respeito tentados pelas circunstâncias do momento, pelas fragilidades da vida, pelas conveniências, pelas vozes do mundo que se lhe sobrepõem e o fazem esquecer, bem como da sua acção junto de nós.

Devemos pedir a sua protecção

As múltiplas actividades da vida ocupam de tal modo o nosso tempo que facilmente nos esquecemos de que o Anjo do Senhor é nossa companhia permanente e… com facilidade o esquecemos.

Ainda hoje, devemos manter a pia devoção de nos encomendarmos logo pela manhã à acção benéfica do Anjo da guarda, recitando-lhe a oração que aprendemos nos tempos da catequese.

Infelizmente, há certas pessoas que sentem respeito humano em confessar que se encomendam ao Anjo da Guarda e outras ainda que o ignoram, por uma questão de moda, por dizerem que já se não usa, que é coisa do passado, quando afinal toda a Sagrada Escritura a ele se refere continuamente.

Encontramo-nos com anjos desde a criação e ao longo de toda a história da salvação, anunciando de longe ou de perto esta mesma salvação e postos ao serviço do plano divino da sua realização. Nos nossos dias eles continuam a ser uma realidade que nos acompanha, protege e inspira de modo a continuarmos hoje, na nossa história, esse plano divino a nosso respeito.

Façamos, pois, o firme propósito de nos encomendarmos quotidianamente à sua protecção.

Seguir as suas inspirações

Ao nos colocarmos sob a sua protecção, decerto que o nosso dia decorrerá sob a sua tutelar inspiração. Deste modo, todas as nossas acções beneficiarão indubitavelmente da sua ajuda oculta, mas poderosa.

O Anjo do Senhor «irá sempre à nossa frente» guiando-nos em todas as nossa atitudes, em todos os nossos pensamentos, iluminando-nos nas dúvidas, afastando-nos das perversidades, amparando-nos nas angústias e nos momentos de aflição, afastando-nos da tentação de escandalizar os pequeninos. E os pequeninos, perante Deus, são todos aqueles mais necessitados de auxílio, quer pela pouca idade, quer pela pouca formação ou recente conversão, que teremos de ter cuidado especial em não magoar com as nossas atitudes e de ajudar convenientemente, cuidando de ser simples como eles, para merecermos ser contados entre os maiores no Reino de Deus.

Confiemo-nos ao nosso Anjo da Guarda, sigamos as suas boas inspirações e não teremos razões para temer!

 

 

Oração Universal

 

Caríssimos irmãos:

Deus enviou-nos o Seu Filho para nos salvar

e confiou-nos à guarda providente de um Anjo

que nos segue e ampara dia e noite.

Perante estas provas do Amor divino,

apresentemos-Lhe, por intermédio de Jesus, as nossas preces:

 

1.  Pelo Santo Padre, pelos bispos, presbíteros e diáconos do mundo inteiro,

para que os seus Anjos os defendam

das ciladas de todos os seus inimigos,

oremos irmãos.

 

2.  Por aqueles que são os mais pequeninos,

para que sejam por todos nós respeitados na sua condição,

lembrados de que os seus Anjos

contemplam a face de Deus e os protegem.,

oremos irmãos.

 

3.  Por todos aqueles que seguem caminhos indesejáveis,

para eles e para a humanidade,

a fim de que se deixem interpelar pelo seu Anjo da Guarda

e sigam as inspirações por ele ditadas,

oremos irmãos.

 

4.  Por todos os jovens,

para que saibam confiar as suas dificuldades

ao seu Anjo da Guarda,

oremos irmãos.

 

5.  Por todos aqueles que já partiram para junto do Pai,

para que, por intercessão de Nossa Senhora, Rainha dos Anjos,

possam contemplar serenamente a face de Deus,

oremos irmãos.

 

Senhor, que nos destinastes Anjos da Guarda

para nos protegerem e guiarem,

ajudai-nos a seguir as suas inspirações com docilidade,

a fim de mais facilmente sermos conduzidos à felicidade que não acaba.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que é Deus convosco,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Bendito seja Deus, Az. Oliveira, NRMS 48

 

Oração sobre as oblatas: Recebei, Senhor, os dons que Vos apresentamos em honra dos santos Anjos e concedei-nos que, pela sua contínua protecção, sejamos livres dos perigos desta vida e cheguemos à felicidade eterna.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Unidos aos Santos Anjos da Nossa Guarda e por eles amparados, saibamos ser dignos de comungar o sagrado Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo, que por nós e para nossa salvação sofreu, morreu e ressuscitou.

 

Cântico da Comunhão: A toda a hora bendirei o Senhor, M. Valença, NRMS 60

Sl 137, 1

Antífona da comunhão: Na presença dos Anjos, eu Vos louvarei, meu Deus.

 

Oração depois da comunhão: Deus, nosso Pai, que nos alimentais neste admirável sacramento de vida eterna, dirigi os nossos passos, com a assistência dos santos Anjos, no caminho da salvação e da paz.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Depois de termos celebrado a comemoração dos Santos Anjos da Guarda, façamos o firme propósito de nunca nos esquecermos da sua presença activa junto de nós. Encomendemo-nos a eles no início de cada dia e saibamos seguir docilmente as suas inspirações.

 

Cântico final: Ao Deus do universo, J. Santos, NRMS 1 (I)

 

 

Homilias Feriais

 

feira, 3-X: A entrega e as demoras.

Ne 2, 1-8 / Lc 9, 57-62

Jesus respondeu-lhe: As raposas têm as suas tocas e as aves do céu os seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.

«Jesus partilha a vida dos pobres, desde o presépio até à Cruz: sabe o que é sofrer a fome, a sede e a indigência (não tinha onde reclinar a cabeça: cf. Ev)» (CIC, 544). Por isso é exigente com todos os que o querem seguir, pedindo-lhes uma maior disponibilidade que não admite quaisquer demoras (cf. Ev).

Um bom exemplo é o do profeta Neemias que, para participar na reconstrução da cidade santa (cf. Leit), pediu licença e ajuda para ultrapassar as previsíveis dificuldades da sua caminhada.

 

feira, 4-X: Significado do rito da saudação da paz.

Ne 8, 1-4. 5-6. 7-12 / Lc 10, 1-12

Quando entrardes nalguma casa, dizei primeiro: A paz a esta casa.

«A paz é, sem dúvida, uma aspiração radical que se encontra no coração de cada um; a Igreja dá voz ao pedido de paz e reconciliação que brota do espírito de cada pessoa de boa vontade, apresentando-a àquele que é a ‘nossa paz’ e pode pacificar de novo povos e pessoas, mesmo onde tivessem falido os esforços humanos» (SC, 49).

Ora a Eucaristia é, por sua natureza, o sacramento da paz, que se manifesta no rito da saudação da paz. É conveniente que seja vivido num clima de sobriedade, por exemplo, dando a paz a quem está mais próximo (cf. SC, 49).

 

feira, 5-X. A dimensão penitencial da Eucaristia.

Bar 1, 15-22 / Lc 10, 13-16

Desde o dia em que o Senhor fez sair os nossos pais da terra do Egipto até este dia, fomos rebeldes ao Senhor nosso Deus.

O profeta fala com Deus, em nome de todo o povo, pedindo perdão pelas sucessivas rebeldias: «não querendo escutar a sua voz» (Leit). Os habitantes das cidades de Corazim e Betsaida receberam muitas graças e, no entanto, não se arrependeram dos seus pecados (cf. Ev).

A dimensão penitencial está presente na celebração eucarística. Aparece não só no início, no acto penitencial, com as suas diversas formas, mas também no canto do Glória, no canto do Agnus Dei durante a fracção do pão, e na oração que dirigimos ao Senhor antes da Comunhão.

 

Sábado, 6-X: O Sim, o Fiat e o Ámen.

Bar 4, 5-12. 27-29 / Lc 10, 17-24

Jesus estremeceu de alegria… e disse: Eu te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra…Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado.

«O estremecimento de Jesus –‘Sim, ó Pai!’- revela o íntimo do seu coração, a sua adesão ao beneplácito do Pai, como um eco do ‘Fiat de sua Mãe aquando da sua concepção e como prelúdio de que Ele próprio dirá ao Pai na sua agonia» (CIC, 2603).

São para nós um modelo para as nossas respostas a Deus, pois há uma «profunda analogia entre o fiat pronunciado por Maria, em resposta às palavras do Anjo, e o Amen que cada fiel pronuncia quando recebe o Corpo do Senhor» (IVE, 55).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:       António Elísio Portela

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                 Nuno Romão

Sugestão Musical:              Duarte Nuno Rocha

 

 


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