23º Domingo Comum

9 de Setembro de 2007

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vinde, prostremo-nos em terra, Az. Oliveira, NRMS 48

Sl 118, 137.124

Antífona de entrada: Vós sois justo, Senhor, e são rectos os vossos julgamentos. Tratai o vosso servo segundo a vossa bondade.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Vamos participar, que não apenas assistir, Santa Missa, renovação incruenta do sacrifício de Cristo no Calvário. Nada, porém, na vida do Senhor é alheio à redenção: nem o tempo da Sua morte, nem o tempo do Seu nascimento, nem o tempo decorrido entre a incarnação e a crucifixão. Cristo salvou-nos no amor e pelo amor. Esta foi a grande realidade de vida na sua vida toda: o amor é que venceu a morte, a sua própria morte.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que nos enviastes o Salvador e nos fizestes vossos filhos adoptivos, atendei com paternal bondade as nossas súplicas e concedei que, pela nossa fé em Cristo, alcancemos a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Os caminhos de Deus não são os nossos caminhos. Para os conhecermos precisamos de muita intimidade com Ele na oração, na escuta da sua Palavra e na recepção frutuosa dos Sacramentos.

 

Sabedoria 9, 13-19 (gr. 13-18b)

13Qual o homem que pode conhecer os desígnios de Deus? Quem pode sondar as intenções do Senhor? 14Os pensamentos dos mortais são mesquinhos e inseguras as nossas reflexões, 15porque o corpo corruptível deprime a alma e a morada terrestre oprime o espírito que pensa. 16Mal podemos compreender o que está sobre a terra e com dificuldade encontramos o que temos ao alcance da mão. Quem poderá então descobrir o que há nos céus? 17Quem poderá conhecer, Senhor, os vossos desígnios, se Vós não lhe dais a sabedoria e não lhe enviais o vosso espírito santo? 18Deste modo foi corrigido o procedimento dos que estão na terra, os homens aprenderam as coisas que Vos agradam e pela sabedoria foram salvos.

 

A leitura é o final da 2ª parte do livro da Sabedoria (cap. 6 – 9), em que se põe na boca de Salomão, protótipo do homem sábio, o elogio da sabedoria, terminando com uma longa oração (todo o cap. 9), de que lemos aqui os últimos versículos. A Vulgata latina dividiu o último versículo, o 18, em dois (18 e 19).

13-16 «Qual o homem que pode conhecer…?» O homem, entregue só às forças da sua própria razão, não pode descortinar os desígnios inescrutáveis de Deus, pois o seu espírito está prisioneiro da matéria, na linguagem da antropologia filosófica grega aqui adoptada: o corpo concebido como a morada terrestre do espírito (v. 15).

17-18 «A sabedoria, o santo espírito» é um dom divino para se poder pensar e proceder segundo o pensamento e a vontade de Deus. A história da salvação documenta o bem que é ser guiado pela sabedoria divina, a par do mal que é viver privado dela (cf. capítulos finais do livro da Sabedoria: 10 – 19).

 

Salmo Responsorial    Sl 89 (90), 3-6.12-14.17 (R. 1)

 

Monição: Peçamos ao Espírito Santo o dom da sabedoria para compreendermos os caminhos de Deus.

 

Refrão:         Senhor, tendes sido o nosso refúgio

                      através das gerações.

 

Vós reduzis o homem ao pó da terra

e dizeis: «Voltai, filhos de Adão».

Mil anos a vossos olhos são como o dia de ontem que passou

e como uma vigília da noite.

 

Vós os arrebatais como um sonho,

como a erva que de manhã reverdece;

de manhã floresce e viceja,

à tarde ela murcha e seca.

 

Ensinai-nos a contar os nossos dias,

para chegarmos à sabedoria do coração.

Voltai, Senhor! Até quando...

Tende piedade dos vossos servos.

 

Saciai-nos desde a manhã com a vossa bondade,

para nos alegrarmos e exultarmos todos os dias.

Desça sobre nós a graça do Senhor nosso Deus.

Confirmai, Senhor, a obra das nossas mãos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo intercede por um escravo a quem tinha feito filho de Deus pelo Baptismo. Como Cristo também S. Paulo não pretende destruir as estruturas sociais mas dar princípios que as hão-de modificar em benefício dos homens.

 

Filémon 9b-10.12-17

Caríssimo: 9bEu, Paulo, prisioneiro por amor de Cristo Jesus, 10rogo-te por este meu filho, Onésimo, que eu gerei na prisão. 12Mando-o de volta para ti, como se fosse o meu próprio coração. 13Quisera conservá-lo junto de mim, para que me servisse, em teu lugar, enquanto estou preso por causa do Evangelho. 14Mas, sem o teu consentimento, nada quis fazer, para que a tua boa acção não parecesse forçada, mas feita de livre vontade. 15Talvez ele se tenha afastado de ti durante algum tempo, a fim de o recuperares para sempre, 16não já como escravo, mas muito melhor do que escravo: como irmão muito querido. É isto que ele é para mim e muito mais para ti, não só pela natureza, mas também aos olhos do Senhor. 17Se me consideras teu amigo, recebe-o como a mim próprio.

 

Agora, provavelmente no seu primeiro cativeiro romano (60-62), S. Paulo escreve ao seu amigo a sua mais breve carta (25 versículos), uma peça de grande valor literário e que revela a sua fina sensibilidade. A leitura respiga apenas 8 versículos dispersos.

9 «Eu Paulo…» A tradução portuguesa suprimiu o adjectivo «velho», com que Paulo se classifica. Trata-se de uma velhice relativa, pois uns 25 anos antes, quando do martírio de Estêvão, é chamado «jovem» (Act 7, 58). No 1º cativeiro romano deveria ter entre 50 e 60 anos de idade. Bento XVI, ao proclamar este ano como ano paulino, parte da suposição de que S. Paulo nasceu no ano 7 da era cristã, o que condiz com esta idade. Dada a esperança de vida de então, uma pessoa com mais de 50 anos já se poderia considerar um ancião.

10 Onésimo, um escravo fugitivo de Filémon, cristão abastado de Colossos, a quem S. Paulo baptizou em Roma durante o cativeiro em regime de «custódia líbera», isto é, à solta, mas sempre vigiado por um soldado que se revezava trazendo o seu braço direito atado ao braço esquerdo dele. É por isso que é chamado «este meu filho que gerei na prisão». Onésimo em grego significa proveitoso, útil; S. Paulo brinca com um trocadilho (no v. 11 que não aparece na leitura): «ele outrora foi inútil para ti (porque fugitivo), mas agora é útil para ti e para mim». Toda a carta está repassada da fina sensibilidade do coração de Paulo e onde não falta até o bom humor.

17-17 «A fim de o recuperares para sempre, não já como escravo, mas... como irmão muito querido». S. Paulo envia a Filémon o escravo fugitivo, tornado agora um irmão, não só pela sua condição de homem - pela natureza - mas também pelo Baptismo - aos olhos do Senhor. Não é para ninguém estranhar que S. Paulo tenha transigido com a estrutura social da escravatura, remetendo um escravo fugitivo ao seu dono, embora com um cartão de recomendação. Abolir de chofre esta instituição era impossível; por outro lado, o objectivo da missão apostólica não era a revolução social, mas pôr no coração de todos os homens a doutrina e o amor de Cristo, que, quando vividos, são o fermento de renovação da própria sociedade e das suas estruturas.

 

Aclamação ao Evangelho        Sl 118 (119), 135

 

Monição: Agradeçamos a Jesus que nos trouxe o remédio para os males do mundo – o amor. Aclamemo-l’O cantando Aleluia

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 3,F. da Silva, NRMS 50-51

 

Fazei brilhar sobre mim, Senhor, a luz do vosso rosto

e ensinai-me os vossos mandamentos.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 14, 25-33

Naquele tempo, 25seguia Jesus uma grande multidão. Jesus voltou-Se e disse-lhes: 26«Se alguém vem ter comigo, sem Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. 27Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo. 28Quem de vós, que, desejando construir uma torre, não se senta primeiro a calcular a despesa, para ver se tem com que terminá-la? 29Não suceda que, depois de assentar os alicerces, se mostre incapaz de a concluir e todos os que olharem comecem a fazer troça, dizendo: 30‘Esse homem começou a edificar, mas não foi capaz de concluir’. 31E qual é o rei que parte para a guerra contra outro rei e não se senta primeiro a considerar se é capaz de se opor, com dez mil soldados, àquele que vem contra ele com vinte mil? 32Aliás, enquanto o outro ainda está longe, manda-lhe uma delegação a pedir as condições de paz. 33Assim, quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens, não pode ser meu discípulo».

 

S. Lucas apresenta «uma grande multidão» da Palestina a seguir Jesus, mas quer que, com as palavras de Jesus, fique bem claro para os seus leitores que há exigências para todos os que O hão-de seguir «até aos confins do mundo» (cf. Act 1, 8). É que não se trata apenas de se sentir atraído por uma doutrina superior, mas de seguir Jesus com todas as renúncias que isso implica: «Não pode ser meu discípulo…», insiste por três vezes (vv. 26.27.33). As exigências de Jesus são-nos aqui propostas sem rodeios e em toda a sua crueza e vigor. S. Lucas é o evangelista que mais acentua não só a bondade de Cristo, mas também as suas exigências.

26 «Sem me preferir ao pai...» Esta tradução pretende evitar o chocante idiotismo hebraico, «odiar o pai…», que, mais do que uma força da expressão, é uma forma expressiva, muito ao estilo de Jesus, para chamar a atenção para algo muito importante, de modo a que o ensino fique bem gravado para sempre na memória dos ouvintes. É que seguir a Jesus como seu discípulo não admite meias tintas, concessões ou contemporizações de qualquer espécie: Jesus exige um amor acima de tudo, que só Deus pode exigir, situando-se assim no mesmo plano de Deus, deixando ver a sua divindade. Sendo assim, «odiar…» poderia traduzir-se por «estar disposto a renunciar ao amor de…»; Jesus não revoga o 4º mandamento da Lei de Deus, mas situa-o na justa escala de valores, como se lê em Mt 10, 37: «quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim não é digno de Mim». Numa palavra, para seguir a Jesus é preciso estar disposto a sacrificar os afectos humanos mais nobres.

28-32 Estas duas parábolas – a do homem que constrói uma torre e a do rei que vai para a guerra – exclusivas de S. Lucas, demonstram graficamente que seguir a Jesus sem abraçar a sua cruz é afadigar-se a trabalhar para um saco roto: é deitar a perder tudo o que uma pessoa se propôs com o seguimento de Cristo.

33 «Renunciar a todos os seus bens». A radicalidade do seguimento de Cristo tem consequências também no que diz respeito aos bens deste mundo, exige o desprendimento deles, embora não necessariamente o prescindir deles; mas os bens não passam de simples meios para chegar a Deus. Seguir a Jesus é dizer não à mediocridade, a aurea mediocritas dos romanos, exaltada pelo poeta Horácio.

 

Sugestões para a homilia

 

1. Amar como Deus quer

2. ...Para sermos livres

1. Amar como Deus quer

Deus não proíbe amar. Pelo contrário tudo no Evangelho nos fala de amor. A mensagem que Jesus nos traz do Pai resume-se nestas palavras : Amarás o Senhor teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua inteligência. Amarás o teu próximo como a ti mesmo (Mt 22, 37).

Simplesmente. amar não é fácil. Não podemos amar de qualquer maneira. O amor tem regras às quais precisamos de nos submeter sob pena de o falsificar, de o esvaziar de conteúdo. Trata-se do exercício duma virtude, a maior de todas, que continuamente temos de aprender sem desânimo embora também sem presunção.

O amor a nós mesmos e ao próximo é secundário e subordinado ao amor a Deus. Há-de ser vivido dentro daquela ordem estabelecida pelos Mandamentos. O primeiro tem primazia sobre o segundo e os demais. Nem tudo é para amar quer em nós quer nos outros, mas tão somente aquilo que Deus ama. Devemos amar sempre, para além de agradáveis simpatias e de naturais repulsas. Estar sempre disponíveis no desejo de a todos procurar compreender e ajudar. Abrir o coração a todos, mesmo aos desconhecidos e até aos inimigos que nos odeiam, perseguem ou caluniam, desejando-lhes o bem e a felicidade. É preciso que haja mais amor e menos guerra, mais perdão e menos violência. Amar ainda à custa do sacrifício. Esta é a prova real do amor.

O amor encerra várias facetas ou aspectos. Um deles está na renúncia sobremaneira realçada no evangelho que acabamos de escutar. Amar é renunciar. Isto não nos deve surpreender porque o amor é vida e a vida é feita de renúncias, de opções. Renuncia quem segue a vida consagrada, na prática voluntária dos conselhos evangélicos. Renuncia igualmente, embora noutro plano, aquele que optou pela vida conjugal. Este procura a perfeição humana, a santidade, dentro das exigências do sacramento do matrimónio. Aquele procura a mesma perfeição e santidade num âmbito que transcende a natureza e só se justifica no plano sobrenatural duma oferta total.

Não se identificam amor e prazer sexual. Trata-se de duas realidades bem distintas as quais podem existir uma sem a outra. O amor de Deus, da Pátria, o amor paternal e filial desenvolvem-se sem o uso daquele instinto. Há amor, e talvez mais perfeito numa esmola dada ou num serviço prestado a um indigente ou até mesmo num simples aperto de mão a um desconhecido. O próprio amor conjugal deve crescer à medida que os anos avançam apesar da progressiva diminuição do prazer carnal. E a continência periódica no casamento, única via legítima para a honesta regulação da natalidade, é caminho e sinal de amor. É precisamente desta qualidade de amor que a sociedade moderna carece. De contrário aumentarão os casamentos fracassados.

2. ...Para sermos livres

Faz pena ouvir falar de amor em dimensões tão curtas e mesquinhas como as apresentadas nas telenovelas que teimam em ver amor apenas nos abraços conjugais e nos desmandos do amor livre. A sabedoria de Deus é oposta à sabedoria do mundo (1.ª leit.). Mas mostra o caminho da verdade. Por aí temos de enveredar. Com Cristo, como Seus discípulos, carregando a nossa cruz. Fazendo um com Ele. Só assim seremos verdadeiramente livres e salvos.

É fácil querer ser livre. Já não o será tanto sabê-lo ser. Não se trata apenas de deixar as cadeias duma prisão. Quantas outras cadeias bem mais difíceis de romper. Quem o ignora?

Aponto apenas algumas: – Vícios como a avareza que não nos deixa dispor do nosso dinheiro; a gula que nos arrasta a exageros na comida ou na bebida; a luxúria que não passa de paixão degradante.

– Preconceitos religiosos, políticos e racistas, de sexo, de idade, de condição social e de bairrismo que levam a fanatismos exacerbados de marginalização e desprezo dos outros, – Hábitos, v.g. de frequentar o café, de fumar um maço de cigarros por dia, de ir ao futebol ou qualquer outro desporto, hábitos que podem levar ao esquecimento dos nossos deveres quando não chegam mesmo ao extremo de tirar a liberdade de raciocinar e de agir. – Para não falar já dos hábitos de natureza sexual.

Para sermos livres de verdade precisamos de dizer não a muita coisa.

– Não a cada um dos tentáculos que nos prendem à rotina, à preguiça, ao automatismo. o qual transforma a nossa vida numa série esquematizada de actuações semi-inconscientes.

– Não aos apelos do laxismo e do hedonismo numa sociedade materialista e consumista que tudo coisifica e comercializa.

– Não àquele programa de TV que ataca os bons costumes, achincalha o sagrado, intoxica com sexo e pornografia asquerosa, tolera e até legitima e aconselha aquilo que a moral acha execrando.

– Não à prostituição, às discotecas, ao amor livre, que levam à licenciosidade pública e à difusão de fenómenos anormais como a violência. a delinquência e a falta de controlo dos impulsos mais irracionais.

– Não quando sabemos que é má aquela companhia à qual nos sentimos muito agarrados pela rotina, pela demorada convivência no trabalho, nos estudos ou por respeitos humanos que nos custam a vencer.

– Não quando a experiência nos diz que certos desvarios e facilidades põem em perigo a fidelidade conjugal, desviam da paternidade responsável e inutilizam a educação dos filhos.

– Não quando o décimo ou vigésimo cigarro já se aproxima da boca e sabemos que estamos a envenenarmo-nos como aliás acontece com o álcool e demais drogas.

De contrário talvez nos libertemos de prisões impostas pelos outros, mas continuamos escravos daquelas que nós próprios criamos. Contudo só depois desta libertação nos podemos considerar adultos e responsáveis. Só depois de nos vencermos e corrigirmos podemos pensar em exigir dos outros a nossa liberdade.

Na raiz dos males morais que dividem e laceram a sociedade, dizia João Paulo II, está o pecado. E que é o pecado senão a negação do amor a Deus e ao próximo? Só Deus e a sua lei são fonte de alegria, de paz, de felicidade e de salvação.

 

 

 

Fala o Santo Padre

 

«Carregar a cruz seguindo Cristo» não pôr nada nem ninguém antes d'Ele

 

1. «Pois que homem poderia conhecer a vontade de Deus?» (Sb 9, 13). A pergunta, feita pelo Livro da Sabedoria, tem uma resposta: só o Filho de Deus, feito homem para a nossa salvação no seio virginal de Maria, nos pode revelar o desígnio de Deus. Só Jesus Cristo sabe qual é o caminho para «alcançar a sabedoria do coração» (Salmo resp.) e obter paz e salvação.

Qual é o caminho? Ele mesmo no-lo indicou no Evangelho de hoje: é o caminho da cruz. As suas palavras são claras: «Quem não tomar a sua cruz para me seguir não pode ser meu discípulo» (Lc 14, 27).

«Carregar a cruz seguindo Cristo» significa estar dispostos a fazer qualquer sacrifício por amor a Ele. Significa não pôr nada nem ninguém antes d'Ele, nem mesmo as pessoas mais queridas, nem sequer a própria vida.

2. […] Vós sabeis que aderir a Cristo é uma opção exigente. Jesus não fala por acaso de «cruz». Contudo, Ele esclarece imediatamente: «após mim». É esta a grande palavra: não carregamos sozinhos a cruz. Diante de nós caminha Ele, abrindo-nos a estrada com a luz do seu exemplo e com a força do seu amor.

3. A cruz aceite por amor gera liberdade. Fez esta experiência o apóstolo Paulo, «idoso e agora também prisioneiro por Jesus Cristo», como ele mesmo se define na carta a Filémon, mas com o coração plenamente livre. É precisamente esta a impressão que temos da página que agora foi proclamada: Paulo está preso, mas o seu coração é livre, porque nele habita o amor de Cristo. Por isso, da escuridão da prisão em que sofre pelo seu Senhor, ele pode falar de liberdade a um amigo que está fora da prisão. Filémon é um cristão de Colossos: Paulo dirige-se a ele pedindo-lhe que liberte Onésimo, ainda escravo segundo o direito da época, mas que já se tornou irmão pelo baptismo. Renunciando ao outro como sua posse, Filémon terá o dom de um irmão. A lição que brota de toda esta vicissitude é clara: não há maior amor do que o da cruz; não há liberdade mais verdadeira do que a do amor; não há fraternidade mais plena do que a que nasce da cruz de Jesus.

 

João Paulo II, Loreto, 5 de Setembro de 2004

 

Oração Universal

 

Oremos, irmãos, a Deus Pai, rico em misericórdia,

Por intermédio de Jesus Cristo, no Espírito Santo.

 

1.  Pela Santa Igreja,

Mãe e Mestra da verdade,

para que não se canse de pregar as exigências do amor de Deus e ao próximo,

oremos irmãos.

 

2.  Pelo Santo Padre, e por toda a hierarquia em união com ele,

para que o Senhor lhes dê luz e coragem no santo ministério,

oremos irmãos.

 

3.  Pelo pobres, infelizes, tentados ou descrentes,

para que a voz de Cristo lhes inspire confiança,

oremos irmãos.

 

4.  Por todos nós,

para que sejamos capazes de aceitar as renúncias

que o mandamento do Senhor impõe,

oremos irmãos.

 

5.  Pelos agonizantes e moribundos,

para que o Senhor lhes conceda a graça

da reconciliação e a recompensa dos seus trabalhos,

oremos irmãos.

 

Ouvi, Senhor, as súplicas que Vos dirigimos

para levarmos com alegria o jugo suave da vossa lei,

como vossos discípulos dedicados. Vós que sois Deus com o Pai,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: O pão e o vinho que vos trazemos, B. Salgado, NRMS 12 (I)

 

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, fonte da verdadeira devoção e da paz, fazei que esta oblação Vos glorifique dignamente e que a nossa participação nos sagrados mistérios reforce os laços da nossa unidade. Por Nosso Senhor...

 

Santo: F. dos Santos, NCT 201

 

Monição da Comunhão

 

É a Eucaristia que torna humildes os orgulhosos, dóceis os violentos, que transforma homens fracos e pecadores em santos.

 

Cântico da Comunhão: Se vos amardes uns aos outros, F. da Silva, NRMS 22

Sl 41, 2-3

Antífona da comunhão: Como suspira o veado pela corrente das águas, assim minha alma suspira por Vós, Senhor. A minha alma tem sede do Deus vivo.

Ou:    Jo 8, 12

Eu sou a luz do mundo, diz o Senhor; quem Me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida.

 

Cântico de acção de graças: Quanta alegria é para mim, H. Faria, NRMS 18

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentais e fortaleceis à mesa da palavra e do pão da vida, fazei que recebamos de tal modo estes dons do Vosso Filho que mereçamos participar da sua vida imortal. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Celebrámos os sagrados mistérios. Recebemos os seus frutos. O nosso contacto com Cristo vivo na Sua Palavra e no Seu Corpo e Sangue dá-nos coragem no cumprimento do dever embora árduo, paciência no trabalho e na provação. A Eucaristia é o fogo que alimenta todas as virtudes, o segredo de todos os heroísmos, de toda a pureza, de toda a nobreza de alma.

 

Cântico final: Queremos ser construtores, Az. Oliveira, NRMS 35

 

 

Homilias Feriais

 

23ª SEMANA

 

feira, 10-IX: O sofrimento atrai a salvação para o mundo.

Col 1, 24- 2, 3 / Lc 6, 6-11

Alegro-me de sofrer por vós e completo em mim próprio o que falta às tribulações de Cristo, em benefício do seu Corpo, que é a Igreja.

A obra da Redenção continua a realizar-se com a participação de cada um de nós. Ofereçamos os nossos sacrifícios para benefício dos outros (cf. Leit).

«O sofrimento, penetrado pelo espírito de sacrifício de Cristo, é o mediador insubstituível e autor dos bens indispensáveis para a salvação do mundo. O sofrimento… torna presente na história da humanidade a força da redenção» (Salvifici doloris, 27). No pão e no vinho, colocados no altar, está representado o sofrimento e o empenho de viver como Cristo.

 

feira, 11-IX: Enraizados em Cristo.

Col 2, 6-15 / Lc 6, 12-19

Jesus partiu em direcção ao monte, para fazer oração, e passou a noite a rezar.

«O Evangelho segundo S. Lucas sublinha a acção do Espírito Santo e o sentido da oração no ministério de Cristo. Jesus ora antes dos momentos decisivos da sua missão…Reza também antes dos momentos decisivos que vão decidir a missão dos seus Apóstolos: antes de escolher e chamar os Doze (cf. Ev)» (CIC, 2600).

Orar significa estar enraizados em Deus; «uma vez que aceitastes Cristo Jesus, o Senhor, deveis proceder em união com Ele. Estai pois enraizados n’Ele» (Leit). Aproveitemos os momentos de silêncio da Santa Missa, que se hão-de prolongar fora de celebração, para nos mantermos unidos ao Senhor.

 

feira, 12-IX: Santíssimo Nome de Maria: Alcançar a felicidade.

Col 3, 1-11 / Lc 6, 20-26

Felizes de vós os pobres… os que agora estais cheios de fome… os que agora chorais…

Ao falar das bem-aventuranças (cf. Ev) Jesus quer recordar-nos, por um lado, que um homem, embora viva na terra na posse de muitos bens, pode ser infeliz. E, por outro, que o homem, no meio da pobreza, da dor, do abandono, pode ser feliz. S. Paulo também afirma que é preciso aspirar ás coisas do alto… que é preciso morrer com Cristo… que é preciso mortificar os membros terrenos (cf. Leit).

O recurso ao Santíssimo Nome de Maria ajuda-nos a alcançar a bem-aventurança eterna: «Ave Maria… rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte».

 

feira, 13-IX: A regra de ouro da caridade.

Col 3, 12-17 / Lc 6, 27-38

Tal como o Senhor vos perdoou, assim deveis vós fazer também.

O exercício de todas as virtudes é animado e inspirado pela caridade. Ela é o «vínculo da perfeição» (Leit).

É a caridade que nos há-de levar a suportar-nos uns aos outros, a querer-nos mutuamente (cf. Leit): a amar os nossos inimigos, a ser misericordiosos com os outros, a não julgar, a não condenar, a perdoar (cf. Ev). É bom aplicarmos esta regra que o Senhor nos ensinou: «A ‘regra de ouro’ é: tudo quanto quiserdes que os homens vos façam, fazei-lhe de igual modo, vós também» (CIC, 1789).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:    Armando Barreto Marques

Nota Exegética:             Geraldo Morujão

Homilias Feriais:            Nuno Romão

Sugestão Musical:         Duarte Nuno Rocha

 


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