18º Domingo Comum

5 de Agosto de 2007



RITOS INICIAIS


Cântico de entrada: Deus, vinde em meu auxílio, F. da Silva, NRMS 53

Sl 69, 2.6

Antífona de entrada: Deus, vinde em meu auxílio, Senhor, socorrei-me e salvai-me. Sois o meu libertador e o meu refúgio: não tardeis, Senhor.


Introdução ao espírito da Celebração


Há dois erros em que podemos cair, quando organizamos a nossa vida: fazer como a criança que, no regresso da praia ou de algum passeio, vem carregada de coisas sem valor, que para nada servem; ou cultivar um desinteresse radical por tudo o que se refere à vida actual.

Na Liturgia da Palavra deste 18º Domingo do Tempo Comum, o Senhor alerta-nos para estes dois extremos e ensina-nos o caminho de um verdadeiro filho de Deus.


Reconheçamos humildemente que muitas vezes nos temos descuidado daquilo que é primordial na nossa vida, para corrermos atrás de banalidades: aquilo que dá prazer aos sentidos, a afirmação vaidosa diante dos outros, o amealhar bens materiais, sem olhar aos meios que usamos para isso.

Peçamos humildemente perdão ao Senhor de tudo isto, e prometamos-Lhe, contando com a Sua ajuda, emenda de vida.


Senhor, temos andado a correr atrás do que agrada aos sentidos,

à sensualidade, à boa mesa e à preguiça nas coisas de Deus.

Senhor, tende piedade de nós!


Senhor, tende piedade de nós!


Cristo, alimentamos uma grande preocupação de parecer bem,

apresentando uma vida que não corresponde ao que somos.

Cristo, tende piedade de nós!


Cristo, tende piedade de nós!


Senhor, procuramos juntar bens materiais sem olhar aos meios,

Cometendo injustiças e administrando mal o que nos confiais.

Senhor, tende piedade de nós!


Senhor, tende piedade de nós!


Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.


Oração colecta: Mostrai, Senhor, a vossa imensa bondade aos filhos que Vos imploram e dignai-Vos renovar e conservar os dons da vossa graça naqueles que se gloriam de Vos ter por seu criador e sua providência. Por Nosso Senhor...



Liturgia da Palavra


Primeira Leitura


Monição: O Livro de Qohelet – significa «pregador» – (ou Eclesiástico) apresenta-nos uma visão das coisas e da vida que pode parecer-nos pessimista.

Afinal, o que nos ensina o autor sagrado, é a fazer uma avaliação séria das razões da nossa vida.


Coélet 1, 2; 2, 21-23

2Vaidade das vaidades – diz Coélet – vaidade das vaidades: tudo é vaidade. 21Quem trabalhou com sabedoria, ciência e êxito, tem de deixar tudo a outro que nada fez. Também isto é vaidade e grande desgraça. 22Mas então, que aproveita ao homem todo o seu trabalho e a ânsia com que se afadigou debaixo do sol? 23Na verdade, todos os seus dias são cheios de dores e os seus trabalhos cheios de cuidados e preocupações; e nem de noite o seu coração descansa. Também isto é vaidade.


A leitura é tirada do livro cujo título grego latinizado é Eclesiastes, um livro que agora costumamos chamar com o título hebraico, Coélet, que significa «aquele que convoca a assembleia». No entanto a Neovulgata adopta o título grego por ser o tradicional no cânone cristão. Este livro nunca é citado ou aludido no Novo Testamento, pois, como comenta Muñoz Iglesias, «à luz do sol do meio dia já não se vêem as estrelas». No entanto, os rabinos usaram-no muito (cf. Pirkê Abot ou Sentenças dos Padres) por apreciarem na obra o convite ao gozo moderado dos bens deste mundo e à alegria, por isso era lido por ocasião das celebrações jubilosas da festa dos Tabernáculos.

1, 2 «Vaidade das vaidades, tudo é vaidade!» Este é o tema do livro: a vaidade ou caducidade absoluta de todas as coisas deste mundo (note-se o superlativo hebraico, expresso com o genitivo «das»), bem como a inutilidade de todas as canseiras humanas para alcançar a felicidade.

2, 22 «Que aproveita ao homem todo o seu trabalho?» Uma consideração mais superficial desta e de outras afirmações do livro poderia levar a pensar que o autor propugna uma visão pessimista do trabalho e da vida humana, refugiando-se por vezes numa atitude céptica e hedonista. Mas o autor, acima de tudo, recorre a uma fina ironia para pôr em causa todas as seguranças humanas. Muitas das suas afirmações entendem-se melhor como perguntas retóricas – que fazem pensar no sentido da vida –, do que como uma resposta a problemas humanos para os quais ele não tem ainda uma resposta completa.


Salmo Responsorial Sl 89 (90), 3-6.12-14.17 (R. 1)


Monição: A leitura do Livro do Eclesiastes fala-nos do vazio da vida humana quando não é guiada pelo desejo de fazer a vontade de Deus.

Só a fé alimentada pela Palavra de Deus nos ajuda a encontrar sentido para a vida presente.

Manifestemos ao Senhor o desejo e o propósito de nos mantermos mais atentos aos Seus ensinamentos.


Refrão: Senhor, tendes sido o nosso refúgio

através das gerações.


Vós reduzis o homem ao pó da terra

e dizeis: «Voltai, filhos de Adão».

Mil anos a vossos olhos são como o dia de ontem que passou

e como uma vigília da noite.


Vós os arrebatais como um sonho,

como a erva que de manhã reverdece;

de manhã floresce e viceja,

de tarde ela murcha e seca.


Ensinai-nos a contar os nossos dias,

para chegarmos à sabedoria do coração.

Voltai, Senhor! Até quando...

Tende piedade dos vossos servos.


Saciai-nos desde a manhã com a vossa bondade,

para nos alegrarmos e exultarmos todos os dias.

Desça sobre nós a graça do Senhor nosso Deus.

Confirmai, Senhor, a obra das nossas mãos.


Segunda Leitura


Monição: S. Paulo, na Carta aos fiéis da igreja de Colossos, anima-nos a procurar os bens eternos – os bens do alto – que nunca perdem o valor.


Colossenses 3, 1-5.9-11

Irmãos: 1Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. 2Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra. 3Porque vós morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. 4Quando Cristo, que á a vossa vida, se manifestar, também vós vos haveis de manifestar com Ele na glória. 5Portanto, fazei morrer o que em vós é terreno: imoralidade, impureza, paixões, maus desejos e avareza, que é uma idolatria. 9Não mintais uns aos outros, vós que vos despojastes do homem velho com as suas acções 10e vos revestistes do homem novo, que, para alcançar a verdadeira ciência, se vai renovando à imagem do seu Criador. 11Aí não há grego ou judeu, circunciso ou incircunciso, bárbaro ou cita, escravo ou livre; o que há é Cristo, que é tudo e está em todos.

Neste ano paulino, continuamos a ter como 2ª leitura excertos seguidos da Epístola aos Colossenses, cuja leitura se iniciou já no Domingo 15ª. Depois de na 1ª parte da epístola (1, 15 – 2, 23) ter abordado o tem da fé em Cristo, Senhor de toda a Criação, S. Paulo passa agora, na 2º parte (3, 1, – 4, 6), a expor uma série de consequências morais que tem para a vida do cristão o facto de este participar, pelo Baptismo, no domínio de Cristo sobre todas as coisas.

1-2 «Aspirai às coisas do alto… afeiçoai-vos…». Este apelo corresponde ao incitamento que, na Santa Missa, a Igreja sempre nos repete: Corações ao alto!

3-4 «Vós morrestes». Cf. Rom 6. A nossa união a Cristo pressupõe a morte para o pecado, que não pode reinar mais em nós. Com Cristo morto pelos nossos pecados, morremos para o pecado; com Cristo ressuscitado, vivamos vida de ressuscitados! É a vida da graça, uma vida toda interior, «escondida» no centro da alma, vida que ninguém pode arrebatar, vida que é toda feita de presença de Deus e de visão sobrenatural, levando-nos a santificar todos os afazeres diários, trabalhando com os pés bem firmes na terra, mas o coração e o olhar fixos no Céu.

9-10 «Vos despojastes do homem velho… vos revestistes do homem novo... à imagem do seu Criador». É o homem santificado pela acção redentora de Cristo, dotado duma nova vida, que é a vida sobrenatural, a vida da graça, na qual deve ir progredindo sempre: «se vai renovando» (v.10). De facto, pela graça, o homem torna-se «uma nova criatura» (Gal 6, 15), recriado – como na criação inicial - «à imagem de Deus» (cf. Gn 1, 27). A Redenção não é pois algo meramente extrínseco, mas algo que nos transforma interiormente: a graça faz-nos «filhos de Deus» (cf. Jo 1, 12; 1 Jo 3, 1-2; Rom 8, 14-15.29) e «participantes da própria natureza divina» (2 Pe 1, 4). Mas este ideal tão elevado só se pode concretizar pela mortificação – «fazendo morrer o que em vós é terreno» (v. 5) –, isto é, com o domínio das paixões desordenadas que há dentro de nós.


Aclamação ao Evangelho Mt 5, 3


Monição: A Lei de Deus não é um espartilho para a vida, um obstáculo à nossa felicidade. Ao contrário: é pelos caminhos da fidelidade ao Senhor que alcançaremos a felicidade nesta vida e na outra.

Aclamemos o Evangelho que nos anuncia estas consoladoras verdades, cantando.


Aleluia


Cântico: Aclamação – 4, F. Silva, NRMS 50-51


Bem-aventurados os pobres em espírito,

porque deles é o reino dos Céus.



Evangelho


São Lucas 12, 13-21

Naquele tempo, 13alguém, do meio da multidão, disse a Jesus: «Mestre, diz a meu irmão que reparta a herança comigo». 14Jesus respondeu-lhe: «Amigo, quem Me fez juiz ou árbitro das vossas partilhas?» 15Depois disse aos presentes: «Vede bem, guardai-vos de toda a avareza: a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens». 16E disse-lhes esta parábola: «O campo dum homem rico tinha produzido excelente colheita. Ele pensou consigo: 17‘Que hei-de fazer, pois não tenho onde guardar a minha colheita? 18Vou fazer assim: Deitarei abaixo os meus celeiros para construir outros maiores, onde guardarei todo o meu trigo e os meus bens. 19Então poderei dizer a mim mesmo: Minha alma, tens muitos bens em depósito para longos anos. Descansa, come, bebe, regala-te’. 20Mas Deus respondeu-lhe: ‘Insensato! Esta noite terás de entregar a tua alma. O que preparaste, para quem será?’ 21Assim acontece a quem acumula para si, em vez de se tornar rico aos olhos de Deus».


Era costume recorrer à arbitragem de um rabino para decidir em questões de partilhas de bens, como esta a que se refere o texto evangélico. Então porque é que Jesus se nega terminantemente a prestar ajuda a um homem que lhe pede socorro, talvez até vítima da injustiça? Não basta dizer que o homem tinha já o suficiente para viver e, por isso, Jesus não quereria ajudá-lo a alimentar a cobiça que o dominaria (cf. v. 15). A atitude de Jesus revela a natureza da sua missão e torna-se paradigmática: a missão de Jesus é uma missão salvadora, que não tem como objectivo a resolução técnica dos diversos problemas temporais dos homens; limita-se a apontar claramente os princípios superiores de ordem moral que, ao serem assumidos responsavelmente, conduzem com eficácia ao bem integral do ser humano. Este indivíduo recorreu a Jesus como juiz de partilhas; Jesus apresenta-se como o Mestre da Verdade que salva, libertando o homem de cair nas malhas da ambição, do egoísmo e do pecado; assim Ele aponta critérios do mais elementar bom senso humano - «a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens» (v. 15) -, assim como critérios do mais elevado sentido sobrenatural da fé - «tornar-se rico aos olhos de Deus» (v. 21), «dando os bens em esmola» (v. 33).

16-20 A parábola do rico insensato põe a nu a loucura do homem que vive de cálculos para gozar esta vida, esquecendo que esta não lhe pertence e lhe pode ser tirada repentinamente. Vem bem a propósito o que diz S. Paulo na 2ª leitura de hoje: «Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra» (Col 3, 2).


Sugestões para a homilia


Procuremos valores que não perecem

Ver as coisas e os acontecimentos à luz da fé

Usar os bens como administradores

Cidadãos do mundo

A Igreja e os bens temporais

O magistério social da Igreja

A procura do bem comum

Trabalhar para o bem comum


Procuremos valores que não perecem

Numa leitura superficial deste texto do Antigo Testamento, ficamos com a impressão de que é um incentivo ao pessimismo. Tudo é vaidade, vanidade, sem valor e nada vale a pena.

Partindo da verdade de fé de que a Palavra de Deus nunca nos conduz por caminhos errados – e o pessimismo é um erro – partimos do princípio de que se trata de uma visão realista da vida presente, verdadeira, que nos leva a corrigir desvios em que nos deixamos cair com frequência.


Ver as coisas e os acontecimentos à luz da fé. «Vaidade das vaidades (…), tudo é vaidade». Facilmente esquecemos o que não vemos. Como toda a nossa vida de relação com Deus se move num âmbito de fé, e invisibilidade, corremos o perigo de só darmos valor ao que os nossos sentidos podem alcançar: o prazer, os bens materiais e a afirmação pessoal. É contra este risco permanente que a Palavra de Deus nos acautela.

Temos de fazer um esforço constante – alimentados pela fé – para vivermos acima deste mundo sensível, deste ambiente materialista, sem deixarmos de levar uma vida normal como todas as outras pessoas.

A vaidade de que nos fala o texto sagrado significa vacuidade, falta de valor, ou melhor, o valor das coisas presentes é transitório, e só quando tem referência ao amor de Deus adquire um valor eterno.

A vida de cada dia toma a seu cargo ensinar-nos como isto é verdade. Doenças e contradições que atalham o curso duma vida aparentemente feliz; fortunas que se afundam ou dinheiro que se desvaloriza; ídolos que a comunicação social (TV, Rádio, Cinema) levanta, para logo os derrubar.

Wolsey, Chanceler de Henrique VIII, quando terminava os seus dias na sinistra prisão da Torre de Londres, depois de ter caído em desgraça, lamentava-se: «Se eu tivesse servido a Deus com a diligência que pus no serviço do rei, não me teria desamparado, agora que se tornam brancos os meus cabelos .»1


Usar os bens como administradores. «Quem trabalha com sabedoria, ciência e êxito, tem de deixar tudo a outro que nada fez.» A Palavra de Deus tem de ser meditada no seu conjunto. Quando fazemos isto, encontramos na parábola dos talentos e na do administrador infiel luz para conduzirmos a nossa vida.

Os bens materiais e espirituais são talentos que o Senhor nos confiou para os administrarmos bem e um dias prestaremos contas da sua administração. O tempo que passamos na terra, com todas as suas actividades, é o preço da nossa eternidade.

Viveríamos numa perspectiva egoísta se planeássemos a vida apenas de modo que as coisas bastassem para nós.

Há um segredo para valorizar tudo o que fazemos nesta vida: «Fazei tudo por Amor. – Assim não há coisas pequenas: tudo é grande. – A perseverança nas pequenas coisas, por Amor, é heroísmo.»2

Não é o que fazemos que tem valor, mas o amor com que o realizamos. Deste modo, conservaremos o equilíbrio. Cuidaremos das coisas, sem nos deixarmos atrair para o desleixo e desinteresse, ou para um cuidado das coisas que nos rouba o sono. Quando caímos neste desequilíbrio, então podemos dizer que tudo é vanidade, vacuidade.

As melhores esculturas e outras obras de arte degradam-se; os escritos banalizam-se, as colheitas passam.


Cidadãos do mundo. O texto do Livro de Coheleth não nos aponta para uma vida passada à margem de tudo, Deus quer-nos verdadeiramente interessados pela vida presente: económica, profissional, política e social.

Mais ainda: é com estas realidades que nos temos de santificar. Se procurássemos a santificação à margem de tudo isto, não realizaríamos a vontade de Deus a nosso respeito.

Ele quer que nos empenhemos na construção de um mundo melhor, pensando naqueles que nos hão-de suceder e mesmo nos que ainda vivem connosco. A mundo é uma grande família na construção da qual todos somos co-responsáveis, numa sadia comunhão.

Nesta perspectiva situa-se a preocupação de preparar um futuro confortável para os filhos, mais pelas virtudes neles desenvolvidas do que pela conta bancária legada. Dentro deste capítulo entre perfeitamente a ecologia. Trata-se de preparar um mundo saudável para os que virão depois de nós.

O nosso horizonte de cristãos é o mundo inteiro em todas as suas dimensões, e não apenas a perspectiva diminuta que conseguimos almejar. Esta foi a preocupação constante dos santos, vivada por amor: deixar o mundo melhor do que o encontraram

Mas, adejando sobre tudo isto, pensemos que as realidades em que nos movemos são transitórias e devem ser contempladas à luz da eternidade, ao mesmo tempo que sonhamos com a alegria do que virão depois, porque encontrarão um mundo mais belo, mais ordenado e com mais paz.

A Igreja e os bens temporais

O magistério social da Igreja. «Mestre, diz a meu irmão que reparta a herança comigo.» Certo jovem pediu a intervenção de Jesus na partilha dos bens patrimoniais com o seu irmão.

A missão da Igreja é ensinar às pessoas a prática de todas as virtudes humanas e sobrenaturais. Nada do que é humano lhe é indiferente.

Mas não esquece que há muitas formas de organização da sociedade temporal e a escolha de uma concreta pertence à livre escolha dos homens. Seria, portanto, atentar contra esta liberdade apontar um modelo único e obrigar todos a segui-lo.

Não faltou, ao longo da história, quem sonhasse com ver os cristãos transformados num partido único que pudesse impor o seu esquema de vida à sociedade. Há ainda hoje franjas grandes da sociedade que sonham com isto: impor, não só o esquema de vida civil, mas também religioso.


A procura do bem comum. «Jesus respondeu-lhe: ‘Amigo, quem Me fez juiz ou árbitro das vossas partilhas?’» À Igreja e a comunidade civil estão confiadas as mesmas pessoas, sem esquecer que vão a caminho da eternidade.

À Igreja está confiada a salvação eterna das pessoas, e à sociedade civil o bem comum. A Igreja apresenta-o no Concílio Vaticano II como «o conjunto de condições da vida social pelas quais os homens podem alcançar, com maior plenitude e facilidade, a própria perfeição (a qual) consiste fundamentalmente na salvaguarda dos direitos da pessoa humana e no cumprimento dos respectivos deveres(…).»3 Mas há muitas formas de alcançar este objectivo, e isto constitui u verdadeiro desafio à imaginação dos homens.

Cada pessoa leva para a sua actuação pública o que tem na inteligência e no coração. O mais normal, portanto, é que o cristão leve consigo a luz do Evangelho ao cuidado das realidades temporais. Seria um erro pensar que a fé não tem nada a ver com toda a actuação temporal. Terá de haver necessariamente, na vida do filho de Deus, uma coerência entre a fé e a sua actuação.

É somente quando há desvios neste campo que a Igreja tem o direito e o dever de chamar a atenção e dar o seu contributo para a construção do mundo. Fá-lo-á sempre com princípios gerais dentro de cujo âmbito cabem todas as opções humanas que respeitam a pessoa humana.


Trabalhar para o bem comum. «Assim acontece a quem acumula para si, em vez de se tornar rico aos olhos de Deus.» As pessoas que receberam de Deus qualidades para isso, devem empenhar-se seriamente na organização do sociedade, assumindo, quando necessário, o compromisso político concreto.

Quando as pessoas se refugiam preguiçosa e egoisticamente nos seus próprios interesses, facilmente outras sem mente e sem coração apoderam-se dos lugares de chefia, não para servirem, mas para se servirem.

É verdade que servir num cargo – sem descurar os outros compromissos – exige espírito de sacrifício, desprendimento até de bens económicos. Deus, que nos dá a existência, a saúde e a vida, tem o direito de nos pedir esta generosidade.

É na escola da Eucaristia que aprendemos este amor concreto à pessoa humana, ao contemplar a generosidade de Cristo na Cruz.

Quem poderia imaginar Nossa Senhora, em Nazaré, completamente alheada das realidades dos seus concidadãos, ou recusando um contributo generoso para resolver os problemas dos outros, quando isso está ao seu alcance?


Fala o Santo Padre


«A verdadeira riqueza é espiritual»


1. Neste Domingo, a liturgia volta a propor-nos o ensinamento de Jesus sobre a verdadeira riqueza: ela não é constituída pelos bens materiais, mas é espiritual, e consiste em reconhecer o primado de Deus na nossa vida, deixando-nos conduzir, com todas as escolhas quotidianas, pelo seu Evangelho. Para a multidão que o segue, Jesus explica que é insensato «quem acumula tesouros para si, mas não é rico diante de Deus» (cf. Lc 12, 21).

2. Caríssimos Irmãos e Irmãs! Uma testemunha singular e um exemplo eloquente desta «riqueza» espiritual é Maria, que se define «serva» do Senhor, e se abandona totalmente à vontade divina. Que a Virgem Maria nos oriente no caminho árduo mas libertador da santidade cristã, fonte de paz e de alegria interiores.


João Paulo II, Angelus, Castel Gandolfo, 1 de Agosto de 2004


Oração Universal


Irmãos e irmãs:

Deus quis fazer de todos nós uma só família,

na Igreja a que pertencemos pelo Baptismo.

Peçamos, por Jesus, no Espírito Santo, ao Pai,

nos ensine a viver uma verdadeira solidariedade,

própria dos são chamados filhos de Deus.

Oremos, confiantes:


Dai-nos, Senhor, a paz fundada na justiça!


1. Pelo Santo Padre, sinal de unidade da Igreja,

para que a doutrina social que nos anuncia

seja acolhida no coração de todos os fiéis,

de tal modo que nasça um mundo mais justo,

oremos, irmãos.


Dai-nos, Senhor, a paz fundada na justiça!


2. Pelos governantes de todas as nações,

para que procedam como administradores

de bens e que um dia prestarão contas a Deus

oremos, irmãos.


Dai-nos, Senhor, a paz fundada na justiça!


3. Pelos pastores que presidem à comunhão,

Para que iluminem as realidades temporais

com o anúncio da doutrina social da Igreja,

oremos, irmãos.


Dai-nos, Senhor, a paz fundada na justiça!


4. Os cristãos, com responsabilidades do ensino,

para que estudem a doutrina social da Igreja

e ajudem a construir um mundo novo,

oremos, irmãos.


Dai-nos, Senhor, a paz fundada na justiça!


5. Pela Europa, que luta para ser uma família,

para que os seus dirigentes compreendam

que tudo há ter como alicerce Jesus Cristo,

oremos, irmãos.


Dai-nos, Senhor, a paz fundada na justiça!


6. Por todos os membros desta comunidade,

para que o Senhor os ajude a compreender

que um mundo mais justo começa no coração,

oremos, irmãos.


Dai-nos, Senhor, a paz fundada na justiça!


7. Por todos os que partiram ao encontro do Pai,

para que seja abreviada a purificação das sua vida,

e contemplem a glória de Cristo ressuscitado,

oremos, irmãos.


Dai-nos, Senhor, a paz fundada na justiça!


Senhor que nos fizestes membros desta família

a Igreja, que brotou do Vosso lado na Cruz:

ajudai-nos a viver as exigências desta verdade,

para que, de mãos dadas, alcancemos o Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.



Liturgia Eucarística


Introdução à Liturgia Eucarística


A Palavra de Deus que acabámos de acolher em nosso coração deve agora tornar-se vida na nossa vida.

Para que mais facilmente realizemos este projecto divino, o Senhor vai transubstanciar o pão e o vinho, pelo ministério do sacerdote, no Seu Corpo e Sangue para nosso alimento.


Saudação da Paz


O Beato João XXIII dizia que a justiça é o novo nome da paz.

Desejamos viver em paz, mas temos de começar por viver a justiça para com todos os nossos irmãos.

Só com estas salutares disposições tem sentido o gesto de saudação que vamos trocar entre nós.


Saudai-vos na paz de Cristo!



Cântico do ofertório: Aceitai, Senhor, a nossa alegria, M. Carneiro, NRMS 73-74


Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, estes dons que Vos oferecemos como sacrifício espiritual, e fazei de nós mesmos uma oblação eterna para vossa glória. Por Nosso Senhor...


Santo: F. da Silva, NRMS 38


Monição da Comunhão


À imitação da entrega que Jesus Cristo faz de Si mesmo a cada um de nós, na Santíssima Eucaristia, devemos corresponder com uma entrega generosa aos nossos irmãos.

Na Sagrada Comunhão, peçamos ao Senhor a força necessária para lutarmos contra o egoísmo, fazendo do mundo uma só família.


Cântico da Comunhão: Senhor, nada somos sem Ti, F. da Silva, NRMS 84

Sab 16, 20

Antífona da comunhão: Saciastes o vosso povo com o pão dos Anjos, destes-nos, Senhor, o pão do Céu.

Ou: Jo 6, 35

Eu sou o pão da vida, diz o Senhor. Quem vem a Mim nunca mais terá fome, quem crê em Mim nunca mais terá sede.


Cântico de acção de graças: Bendiz, minha alma, M. Carneiro, NRMS 105


Oração depois da comunhão: Senhor, que nos renovais com o pão do Céu, protegei-nos sempre com o vosso auxílio, fortalecei-nos todos os dias da nossa vida e tornai-nos dignos da redenção eterna. Por Nosso Senhor...



Ritos Finais


Monição final


Somos, por vocação, mensageiros do amor de Deus no mundo, pelo testemunho de vida e pela palavra oportuna.

Partilhemos com os nossos familiares, companheiros de trabalho e lazer, a alegria de sermos filhos de Deus e irmãos uns dos outros.


Cântico final: É dura a caminhada, M. Faria, NRMS 6 (II)










Celebração e Homilia: Fernando Silva

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha



1 André Vázquez de Prada, Sir Tomás Moro, Lord Canciller de Inglaterra, E. Rialp, 7ª ed. 2004, pg 258.

2 S. Josemaria Escrivá, Caminho/Sulco/Forja, trad. port. , Edições Prumo/Rei dos Livros, Lisboa, 2002, nº 813.

3 Concílio Vaticano II, Decl. Dignitatis Humanæ sobre a Liberdade religiosa, nº 6.


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