3.º Domingo da Quaresma

14 de Março de 2004


Onde se fizerem os escrutínios preparatórios para o Baptismo dos adultos, neste domingo, podem utilizar-se as orações rituais e as intercessões próprias: p. 1063 do Missal Romano.


RITOS INICIAIS


Cântico de entrada: Ao nosso Deus bondade infinita, M. Faria, NRMS 1 (I)

Salmo 24, 15-16

Antífona de entrada: Os meus olhos estão voltados para o Senhor, porque Ele livra os meus pés da armadilha. Olhai para mim, Senhor, e tende compaixão porque estou só e desamparado.


ou

Ez 36, 23-26

Quando Eu manifestar em vós a minha santidade, hei-de reunir-vos de todos os povos, derramarei sobre vós água pura e ficareis limpos de toda a iniquidade. Eu vos darei um espírito novo, diz o Senhor.


Não se diz o Glória.


Introdução ao espírito da Celebração


Em todo o coração humano se acoberta uma ânsia incontida e uma espera confiante de vida melhor.

Consciente ou inconscientemente, todos querem e procuram a felicidade. Será que alguém pode alimentar a esperança de a conseguir neste mundo?

Na utópica hipótese de alguém usufruir na vida tudo o que humana e socialmente deseje, poderia ser plenamente feliz?

Em espírito de fé e com profunda humildade, oiçamos a resposta do Senhor, através da mensagem das leituras sagradas da Santa Missa.


Oração colecta: Deus, Pai de misericórdia e fonte de toda a bondade, que nos fizestes encontrar no jejum, na oração e no amor fraterno os remédios do pecado, olhai benigno para a confissão da nossa humildade, de modo que, abatidos pela consciência da culpa, sejamos confortados pela vossa misericórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.



Liturgia da Palavra


Primeira Leitura


Monição: O Povo de Israel experimenta o cansaço e a tentação no seu caminhar pelo deserto. Apesar da forma impertinente com que o povo se queixa, Deus socorre-o de forma extraordinária.


Êxodo 3, 1-8a.13-15

Naqueles dias, 1Moisés apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madiã. Ao levar o rebanho para além do deserto, chegou ao monte de Deus, o Horeb. 2Apareceu-lhe então o Anjo do Senhor numa chama ardente, do meio de uma sarça. Moisés olhou para a sarça, que estava a arder, e viu que a sarça não se consumia. 3Então disse Moisés: «Vou aproximar-me, para ver tão assombroso espectáculo: por que motivo não se consome a sarça?» 4O Senhor viu que ele se aproximava para ver. Então Deus chamou-o do meio da sarça: «Moisés, Moisés!» Ele respondeu: «Aqui estou!» 5Continuou o Senhor: «Não te aproximes daqui. Tira as sandálias dos pés, porque o lugar que pisas é terra sagrada». 6E acrescentou: «Eu sou o Deus de teu pai, Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacob». Então Moisés cobriu o rosto, com receio de olhar para Deus. 7Disse-lhe o Senhor: «Eu vi a situação miserável do meu povo no Egipto; escutei o seu clamor provocado pelos opressores. Conheço, pois, as suas angústias. 8Desci para o libertar das mãos dos egípcios e o levar deste país para uma terra boa e espaçosa, onde corre leite e mel». Moisés disse a Deus: 13»Vou procurar os filhos de Israel e dizer-lhes: ‘O Deus de vossos pais enviou-me a vós’. Mas se me perguntarem qual é o seu nome, que hei-de responder-lhes?» 14Disse Deus a Moisés: «Eu sou ‘Aquele que sou’». E prosseguiu: «Assim falarás aos filhos de Israel: O que Se chama ‘Eu sou’ enviou-me a vós». 15Deus disse ainda a Moisés: «Assim falarás aos filhos de Israel: ‘O Senhor, Deus de vossos pais, Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacob, enviou-me a vós. Este é o meu nome para sempre, assim Me invocareis de geração em geração’».


Moisés encontrava-se numa situação de fugitivo do faraó e refugiado junto de Jetro, sacerdote de Madiã, tendo casado com umas das suas filhas, Séfora. «Madiã» era um reduto de tribos nómadas madianitas, situado a sudeste do golfo de Akabá (Eilat), mas parece mais lógico que Jetro vivesse nalgum oásis da península do Sinai. «O Monte de Deus, o Horeb», na tradição javista habitualmente chamado Sinai, é a montanha de Deus, porque Deus aqui se revela (cf. Ex 19). A sua localização é muito discutida, mas a antiga tradição identificou-o com o djebel Musa (montanha de Moisés: 2.224 metros).

2 «O Anjo do Senhor numa chama ardente». É por vezes uma forma de designar o próprio Deus, enquanto se manifesta ao homem (cf. Gn 16, 7.13). É uma forma de se exprimir deveras estranha para a nossa mentalidade: designar a Deus com o nome do seu mensageiro! Mas não haverá no fundo uma concepção exacta de que nesta vida a criatura não pode ver a Deus? Daí a ideia tão frequente na Bíblia de que não se pode ver a Deus sem morrer (Gn 16, 13; 32, 31; Ex 33, 20; Jz 6, 22.23; 13, 21-22). Por isso Moisés cobriu o rosto (v. 6). No entanto, a existência dos anjos consta claramente de outras passagens da S. E.. Notar que o fogo, chama ardente, como elemento menos material, tornou-se um símbolo da santidade divina, da sua transcendência.

5 «Tira as sandálias». Atitude de respeito prescrita para os sacerdotes judeus poderem entrar no santuário e que ainda hoje adoptam os árabes para entrar num lugar sagrado.

14 «Eu sou ‘Aquele que sou’... O que se chama ‘Eu sou’ enviou-me». Em hebraico «Eu sou» diz-se ’ehyéh. Uma forma muito discutida do verbo, mista e arcaica, na terceira pessoa, dá yahwéh, que é a forma que aparece no v. 15, traduzida habitualmente por «Senhor», segundo a tradução grega (Kyrios) adoptada pelos LXX e também preferida pelas traduções modernas que assim evitam ferir a sensibilidade judaica; de facto, os judeus, por respeito, nunca pronunciam o nome de Yahwéh, mas dizem Adonai (Senhor).

Também se discute qual o sentido do nome com que Deus se autodesigna: 1) Uns entendem: Eu sou Aquele que faz existir (dá o ser), isto é, Eu sou o Criador, uma interpretação pouco provável, pois o verbo hebraico correspondente (hayáh) não se usa na conjugação chamada hifil (a forma causativa). 2) Outros traduzem: «Eu serei o que sou», significando assim a imutabilidade e eternidade divina, mas, ainda que o imperfeito hebraico se possa traduzir tanto pelo presente como pelo futuro, não parece legítimo que na mesma frase se use diversa tradução para a mesma forma verbal. 3) Outros preferem uma tradução: «Eu sou porque sou», isto é, em Mim está toda a razão da minha existência, traduzindo o pronome relativo «que» (’axer) não como pronome, mas como conjunção causal, uma coisa pouco frequente. 4) Finalmente, temos aqueles que traduzem: «Eu sou Aquele que sou» (tradução mais habitual), ainda que haja divergências na interpretação; assim: a) uns entendem: Eu sou um ser inefável, indefinível através de qualquer nome, tendo em conta a mentalidade segundo a qual conhecer o nome duma divindade implicava um domínio mágico sobre ela: Deus, com esta maneira de falar, subtraía-se a dar o seu nome, revelando assim a sua transcendência (esta opinião não se coaduna bem com o contexto: v. 15); b) outros entendem: Eu sou Aquele que sou, em contraste com os deuses pagãos que não são, não têm existência real, pois «Eu sou, e serei contigo» (v. 12) para defender, guiar, proteger e salvar o meu povo. c) e também há quem entenda Eu sou Aquele que sou significando Aquele a quem compete a existência sem quaisquer restrições, realidade que a filosofia e a teologia vêm a explicitar dizendo que Deus é o ser necessário e absoluto, o ser a cuja essência pertence a existência, interpretação esta que, embora se coadune com a tradução grega dos LXX, Eu sou Aquele que existe, corresponde mais à reflexão filosófico-teológica do que à mentalidade semítica.

A pronúncia do nome divino Jeová não é correcta e procede do século XVI, quando os estudiosos leram as consoante do tetragrama divino, YHWH (4 consoantes) com as vogais do nome Adonai. Com efeito, quando, a partir do séc. VI p. C. os massoretas colocaram os sinais vocálicos no texto hebraico (que se escrevia só com consoantes), tiveram o cuidado de não colocar no nome de Yahwéh as suas vogais próprias, a fim de que um leitor distraído não pronunciasse o inefável nome divino, mas lesse Adonai. Note-se que o nome de Jesus (Yehoxúa) é teofórico, entrando na sua composição o nome Yahwéh: Yahwéh-salva. É por isso que, quando os cristãos invocam a Jesus, estão a utilizar e a santificar o nome de Yahwéh, e também é por isso que só no nome (na pessoa) de Jesus está a salvação (Act 4, 12). Por outro lado, Jesus nunca se dirige Deus com o nome de Yahwéh, ou o seu correspondente Senhor, mas com o nome que indica a distinção pessoal, Pai. Seria absurdo e ridículo pensar que, para alguém se salvar, tenha de usar o nome de Yahwéh no trato com Deus; Jesus, que veio para nos salvar, não impôs a obrigação de usarmos o nome de Yahwéh, como condição de salvação e a Igreja que continua a missão de Jesus nunca urgiu tal tratamento para Deus.


Salmo Responsorial Sl 102 (103), 1-4.6-8.11(R. 8a)


Monição: Ninguém neste mundo pode ter a certeza absoluta da salvação. Mas, a fé nos diz que se nos esforçarmos por ouvir e seguir a voz de Deus, Ele usará connosco da Sua Misericórdia Salvadora.


Refrão: O Senhor é clemente e cheio de compaixão.


Bendiz, ó minha alma, o Senhor

e todo o meu ser bendiga o seu nome santo.

Bendiz, ó minha alma, o Senhor

e não esqueças nenhum dos seus benefícios.


Ele perdoa todos os teus pecados

e cura as tuas enfermidades.

Salva da morte a tua vida

e coroa-te de graça e misericórdia.


O Senhor faz justiça

e defende o direito de todos os oprimidos.

Revelou a Moisés os seus caminhos

e aos filhos de Israel os seus prodígios.


O Senhor é clemente e compassivo,

paciente e cheio de bondade.

Como a distância da terra aos céus,

assim é grande a sua misericórdia para os que O temem.


Segunda Leitura


Monição: A esperança cristã apoia-se na obra redentora de Cristo que manifesta o Seu amor por nós, e na infusão do Espírito Santo que recebemos no Baptismo.


1 Coríntios 10, 1-6.10-12

Irmãos: 1Não quero que ignoreis que os nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, passaram todos através do mar e na nuvem e no mar, 2receberam todos o baptismo de Moisés. 3Todos comeram o mesmo alimento espiritual e todos beberam a mesma bebida espiritual. 4Bebiam de um rochedo espiritual que os acompanhava: esse rochedo era Cristo. 5Mas a maioria deles não agradou a Deus, pois caíram mortos no deserto. 6Esses factos aconteceram para nos servir de exemplo, a fim de não cobiçarmos o mal, como eles cobiçaram. 10Não murmureis, como alguns deles murmuraram, tendo perecido às mãos do Anjo exterminador. 11Tudo isto lhes sucedia para servir de exemplo e foi escrito para nos advertir, a nós que chegámos ao fim dos tempos. 12Portanto, quem julga estar de pé tome cuidado para não cair.


A leitura é tirada daquela parte da carta onde Paulo procura dar resposta a um problema prático que então ali se punha: se era lícito ou não comer as carnes que, depois de terem sido oferecidas num templo pagão a um ídolo, eram vendidas na praça, os chamados idolótitos. O Apóstolo, depois de ter explicado os princípios gerais, a saber, que se podiam comer, pois os ídolos não são nada (8, 1-6), adverte que era preciso ter em conta aqueles irmãos, fracos e timoratos, que se pudessem vir a escandalizar com isso (8, 7-13), e passa a ilustrar a doutrina exposta, primeiro, com o seu exemplo de renunciar a direitos para bem dos fiéis (9, 1-27), depois, com as lições da história de Israel (10, 1-13): apesar de os israelitas na peregrinação do deserto terem sido favorecidos com tantos prodígios, «a maioria dele não agradou a Deus» e pereceu (v.5). E isto é uma lição para todos nós, que não venhamos a arvorar-nos em fortes, pois também podemos vir a ser infiéis ao Senhor e a «cair» (v. 12). Os exegetas têm posto em relevo a actualidade de S. Paulo que, mesmo quando trata de assuntos ocasionais, que não nos dizem respeito, como neste caso, pois sempre apela para princípios válidos para todos os tempos e lugares.

2 «Na nuvem e no mar receberam todos o baptismo de Moisés», isto é, foram vinculados a Moisés aqueles antigos judeus pelo facto de, sob a sua chefia, se terem salvo com travessia das águas do «Mar» Vermelho e com a «nuvem» (sinal da presença protectora Deus). E isto a tal ponto que ficaram a constituir o que Actos 7, 38 chama a «igreja do deserto». Tudo isto era a figura, ou exemplo (vv. 6.11) dos cristãos, baptizados em Cristo e formando o novo e definitivo povo eleito, que é a Igreja.

3 «Alimento espiritual». O maná é chamado espiritual, pelo carácter sobrenatural de que se revestia a sua abundância e por ser também uma figura da SS. Eucaristia. A «bebida espiritual», a água do Êxodo, também é espiritual por milagrosa e pelo seu significado espiritual: uma figura do Espírito que Cristo dá aos crentes (cf. Jo 4, 10; 7, 37-39; 16, 7; 20, 22).

4 «O rochedo espiritual que os acompanhava». Parece que S. Paulo se soube aproveitar duma tradição rabínica que consta da Tosefta, segundo a qual a pedra da qual brotou água (Ex 17, 6) acompanhava os israelitas na sua peregrinação no deserto. Como os mestres rabinos costumavam identificar este rochedo com Yahwéh (cf. Ex 17, 6), a «Rocha de Israel» (Salm 18(17), 3), S. Paulo, para quem «esse rochedo era Cristo», insinua não só a preexistência de Cristo, mas também a sua divindade, a sua identificação com Yahwéh.

5 «Caíram mortos». Cf. Nm 14; 26, 65-65.


Aclamação ao Evangelho Mt 4, 17


Monição: A Samaritana que vai buscar água material para beber. o Senhor oferece-lhe algo muito mais valioso: a graça da salvação que é como uma nascente a jorrar para a vida eterna.

A água do deserto é figura da água viva prometida por Jesus à Samaritana. A esperança cristã é uma certeza. porque já possuímos a nascente da água viva


Aleluia


Arrependei-vos, diz o Senhor;

está próximo o reino dos Céus.


Cântico: J. Santos, NRMS 40



Evangelho


São Lucas 13, 1-9

1Naquele tempo, vieram contar a Jesus que Pilatos mandara derramar o sangue de certos galileus, juntamente com o das vítimas que imolavam. 2Jesus respondeu-lhes: «Julgais que, por terem sofrido tal castigo, esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus? 3Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo. 4E aqueles dezoito homens, que a torre de Siloé, ao cair, atingiu e matou? Julgais que eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? 5Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos de modo semelhante». 6Jesus disse então a seguinte parábola: «Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar os frutos que nela houvesse, mas não os encontrou. 7Disse então ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho procurar frutos nesta figueira e não os encontro. Deves cortá-la. Porque há-de estar ela a ocupar inutilmente a terra?’ 8Mas o vinhateiro respondeu-lhe: ‘Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. 9Talvez venha a dar frutos. Se não der, mandá-la-ás cortar no próximo ano».


Jesus contraria a opinião corrente de então e de hoje, que atribui todas as desgraças a um castigo de Deus; Ele antes quer que se vejam como um aviso de Deus, por isso aproveita estes acontecimentos para fazer um forte apelo à conversão.

1 «Pilatos mandara derramar o sangue...». Facto apenas conhecido por S. Lucas, mas que estava de acordo com o carácter violento e repressivo do procurador romano. Um acto semelhante, o mandar matar uns samaritanos por ocasião duma peregrinação ao Monte Garizim, no ano 35, foi a ocasião para os judeus conseguirem do imperador a sua destituição, segundo conta Flávio Josefo (cf. Antiquitates, XVIII).

4 «A torre de Siloé, ao cair...». Facto também só conhecido por este relato. Siloé é o nome duma piscina a Sueste de Jerusalém, na parte interior da muralha que naquele sítio teria provavelmente algum torreão que então caiu.

5 «Eu digo-vos que não». Deus nem sempre castiga nesta vida os mais culpados. As calamidades e os males que nos sobrevêm podem ser uma prova a que Deus nos sujeita, uma ocasião de expiarmos os nossos pecados e uma chamada à conversão: «se não vos converterdes…»

6-9 Com a parábola (exclusiva de S. Lucas) da figueira sem frutos, o Senhor pretende ensinar que é urgente que nos convertamos: Deus é paciente na sua misericórdia (cf. Pe 3, 9; Ez 33, 11; Jl 2, 13; Sab 11, 23), mas não podemos adiar o arrependimento para uma hora que pode já ser tardia. É urgente que dêmos frutos de santidade, pondo de lado a preguiça e o comodismo que tornam a vida inútil e estéril; Deus não deixa impune a falta de correspondência à cava e ao adubo da sua graça: «mandá-la-ás cortar».


Sugestões para a homilia


Deus revela o Seu nome a Moisés

Apelo à conversão

Quaresma em Primavera


Deus revela o Seu nome a Moisés

«Vi a aflição do Meu povo no Egipto; quero que os livres da escravidão» (1ª leitura).

É com estas palavras que o Senhor se dirige a Moisés. Interpela-o na sua língua, fala-lhe com paterna caridade, convida-o a ser o libertador do Seu povo para o levar deste país para uma terra boa e espaçosa Ele para que Moisés não tivesse dúvida de quem lhe falava, Deus dá-lhe a conhecer o Seu Nome. «Eu sou aquele que é». Assim Se mostra como verdadeiro Deus, em contraste com os deuses pagãos que não são , não têm existência real.

Adoremos este grande Ser que enche tudo da sua majestade; que nos vê e nos ouve; que nos criou à sua imagem. E obedeçamos aos seus mandamentos.

Infelizmente o povo sem preconceitos, esqueceu quanto devia ao Deus vivo e verdadeiro, deixando-se levar pelo culto dos falsos deuses. Tal comportamento não agradou ao Senhor, adverte S. Paulo (2ª Leitura) e acrescenta: estes factos aconteceram para nos servir de exemplo.

Também nós podemos cair na superstição e na idolatria. A superstição é o «culto falso» ao Deus verdadeiro. É um desvio do sentimento religioso e das práticas que ele impõe (C.I.C. 2111).

A idolatria é o «culto verdadeiro» a deuses falsos. Consiste em divinizar o que não é Deus. o poder, o dinheiro, o prazer, a moda, a droga (C.I.C. 2113).


Apelo à conversão

Se não vos emendardes morrereis todos da mesma maneira (Ev.). Palavras claras e fortes que nos convidam ao arrependimento dos pecados e à conversão, a essa contínua conversão que há-de ser a nossa vida cristã.

Se formos sinceros reconhecemos que nem sempre agradamos a Deus com a vida que levamos – no trabalho, na família (transmissão da vida, educação dos filhos, amor aos pais, na entrega ao outro cônjuge na vida social, (responsabilidade ao volante), perante os deveres cívicos; sindicais; palavras maliciosas; o não cumprimento do preceito dominical, violação da justiça, da caridade, por obras e omissões.

Precisamos de nos converter, de veras, ao Senhor. Tal conversão não pode quedar-se em simples palavras ou gestos. Há-de patentear-se em factos, em acções concretas que sejam a prova real duma autêntica mudança de vida. Esse fruto é-nos concedido pela graça do Espírito Santo.

Então, aquele que roubou que restitua como o Zaqueu; o adúltero que regresse à fidelidade que um dia prometeu e jurou; o preguiçoso e indolente que renove o esforço de cada dia para que a sua vida não seja estéril; o frívolo e o leviano que adquira seriedade e responsabilidade pelos seus actos; o mentiroso que cultive a verdade; quem odeia que se vença a si mesmo e aprenda a perdoar.


Quaresma em Primavera

Estamos no mês de Março que nos traz a Primavera. É um mês da passagem de estação do ano e um mês de revisão de vida. Traz-nos a Primavera e a Quaresma.

Elas andam sempre juntas. E tem sentido. Primavera é vida, flores, verdura, temperatura amena. Quaresma é silêncio, purificação, conversão, oração, partilha, amor. A convidar-nos a ser bons, puros, equilibrados, respeitadores da natureza e da vida, e a dar graças a Deus pelas coisas boas que Ele sempre cria no mundo e em cada um de nós.

O Evangelho fala da parábola da figueira. Deus podia ter-nos arrancado da sua vinha mas preferiu ter aquela paciência que tem apenas um limite, os anos que dura a nossa vida terrena. É que nos assegura que esta quaresma não será a última para nós?

Seja como for vamos vivê-la como se fosse realmente a última. Fazer uma confissão bem feita é o primeiro passo para nos colocarmos em situação de dar bons frutos. Cantemos o salmo responsorial: O Senhor é clemente e compassivo; ele perdoa todas as nossas culpas. Como mudaria o mundo, a tua casa, a tua vida, se eu tu e todos nós nos abeirássemos do perdão de Deus na Confissão.

O Senhor repete-nos: se queres ser bom, estás a querer ser feliz. E se te esforçares por ser bom, estás a viver a Quaresma, estás a pagar com amor o amor que Jesus nos tem. Estás a ser feliz e a tornar os outros felizes



Oração Universal


Oremos, irmãos,

a Deus Pai todo-poderoso,

e imploremos a misericórdia d'Aquele que não deseja a morte do pecador,

mas que se converta e viva.


1. Por toda a Santa Igreja de Deus:

para que perseverando na penitência quaresmal,

receba a consolação dos mistérios pascais

e veja neles o penhor da glória futura,

oremos, irmãos.


2. Pelos que estão investidos em autoridade

na nossa paróquia, na nossa pátria ou em todo o mundo:

para que sob o seu governo, vivamos em harmonia

e paz fraterna e demos glória a Cristo,

nossa Esperança e único Salvador,

oremos, irmãos.


3. Pelos doentes e por todos os que sofrem,

pelos que estão longe dos seus lares

e pelos que não têm trabalho:

para que nos homens,

encontrem justiça, compreensão e amor,

e, em Deus, consolação e graça,

oremos, irmãos.


4. Por todos aqueles que se afastaram da fé e da esperança

para que reconsiderem o seu descaminho,

e voltem aos braços de Deus Pai,

oremos, irmãos.


5. Por todos nós aqui presentes:

para que imitando os exemplos do Senhor Jesus,

penetremos no deserto da conversão

e participemos na renovação pascal,

oremos, irmãos.


6. Por intercessão da Santíssima Virgem Maria,

Mãe de Deus, Mãe Nossa e Senhora da Esperança,

oremos, irmãos.


Cheios de alegria pela proximidade da Páscoa,

nós Vos suplicamos, Senhor, Deus de bondade,

que atendais as nossas orações,

para gozarmos sempre da plenitude da Redenção.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.



Liturgia Eucarística


Cântico do ofertório: Confesso o meu pecado, J. Santos, NRMS 61


Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, por este sacrifício, que, ao pedirmos o perdão dos nossos pecados, perdoemos também aos nossos irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


Santo: A. Cartageno, Suplemento ao CT


Monição da Comunhão


Na Santíssima Eucaristia realizou o Senhor o manancial da «água viva» a jorrar para a vida eterna.

É pela sagrada Comunhão, frequentemente recebida, que já nesta vida teremos os frutos e o penhor da nossa Redenção.


Cântico da Comunhão: Bem-aventurados os que têm fome, M. Luís, NRMS 53

Salmo 83, 4-5

Antífona da comunhão: As aves do céu encontram abrigo e as andorinhas um ninho para os seus filhos, junto dos vossos altares, Senhor dos Exércitos, meu Rei e meu Deus. Felizes os que moram em vossa casa e a toda a hora cantam os vossos louvores.


Cântico de acção de graças: Deixai-me saborear, F. da Silva, NRMS 17


Oração depois da comunhão: Recebemos o penhor da glória eterna e, vivendo ainda na terra, fomos saciados com o pão do Céu. Nós Vos pedimos, Senhor, a graça de manifestarmos na vida o que celebramos neste sacramento. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.



Ritos Finais


Monição final


Uma vez que fomos feitos para Deus. só encontraremos na terra a felicidade na medida em que O amarmos e n'Ele confiarmos a libertação das nossas angústias.


Cântico final: Ó Cruz vitoriosa, F. da Silva, NRMS 29



Homilias Feriais


3ª SEMANA DA QUARESMA


2ª feira, 15-III: Os frutos da obediência.

2 Re 5, 1-15 / Lc 4, 24-30

E havia em Israel muitos leprosos, no tempo do profeta Eliseu, mas nenhum deles foi curado; só foi curado um homem da Síria, Naamã.

As leituras de hoje referem o milagre da cura de Naamã. E ele foi possível porque Naamã decidiu obedecer ao mandato de Eliseu (cf. Leit.). Todos nós ficamos igualmente curados pela obediência de Cristo.

«Nós pedimos ao Pai no Pai-nosso) que una a nossa vontade à do seu Filho, para que se cumpra a vontade d’Ele, o seu plano de salvação para a vida do mundo. Somos radicalmente impotentes para tal, mas unidos a Jesus e com o poder do seu Espírito Santo, podemos entregar-lhe a nossa vontade e decidir escolher o que o seu Filho sempre escolheu: fazer o que é do agrado do Pai» (CIC, 2825).


3ª feira, 16-III: Coração endurecido e o perdão.

Dan 3, 25. 34-43 / Mt 18, 21-35

Servo mau, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste. Não devias, tu também, compadecer-te do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?

Para conseguirmos perdoar àqueles que nos ofenderam, temos que ir até ao fundo do nosso coração: «A parábola do servo desapiedado, que conclui com o ensinamento do Senhor sobre a comunhão eclesial, termina com estas palavras: ‘Assim procederá convosco o meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão, do fundo do coração’ (Ev. do dia). É aí, de facto, no ‘fundo do coração’, que tudo se ata e desata» (CIC, 2843).

Se não perdoamos de todo o coração aos nossos irmãos «o nosso coração fecha-se, a sua dureza torna-se impenetrável ao amor misericordioso do Pai» (CIC, 2840).


4ª feira, 17-III: A Lei e a Sabedoria.

Dt 4, 1. 5-9 / Mt 5, 17-19

Não penseis que eu tenha vindo para revogar a Lei ou os profetas: não vim revogar mas dar pleno cumprimento.

«A Lei evangélica dá cumprimento aos mandamentos da Lei... Não acrescenta preceitos externos novos; mas chega a reformar a raiz dos actos, o coração, onde o homem escolhe entre o puro e o impuro, onde se formam a fé, a esperança e a caridade e, com elas, as outras virtudes. Assim o Evangelho leva a Lei à sua plenitude, pela imitação da perfeição do pai celeste, pelo perdão dos inimigos e pela oração pelos perseguidores, à maneira da generosidade divina» (CIC, 1967).

Tenhamos presente que quem cumpre a Lei ganha a sabedoria e entende melhor os acontecimentos. Os seus preceitos são justos e melhores que nenhuma outra (cf. Leit.).


5ª feira, 18-III: O acolhimento e a Palavra de Deus.

Jer 7, 23-28 / Lc 11, 14-23

Aí está o povo que não escuta a voz do Senhor, seu Deus, e não quer ser ensinado. Perdeu-se a fidelidade: fugiu da sua boca.

Queixa-se o Senhor, através do profeta Jeremias, de que o seu povo não escuta a sua voz (cf. Leit.). Coube depois a Jesus, o Verbo divino, proclamar a boa Nova do Reino de Deus. Como se faz hoje ouvir a voz do Senhor?

O Papa João Paulo II, ao chegar à Porta Santa, no Jubileu do ano 2000, levava nas suas mãos o livro do Evangelho: «É assim que aprendemos a sublime ciência de Jesus Cristo, com a leitura frequente das divinas Escrituras» (INE, 65). E aconselhou também: «Tomemos este livro nas nossas mãos! Recebamo-lo do Senhor, que continuamente no-lo oferece através da sua Igreja. Comamo-lo, para que se torne vida da nossa vida. Saboreemo-lo profundamente: embora sem nos poupar canseiras, conseguirá dar-nos alegria, porque é doce como o mel» (INE, 65).







Celebração e Homilia: Armando A. Barreto Marques

Comentários Bíblicos: Geraldo Morujão

Homilias Feriais: Nuno Romão

Sugestão Musical: Duarte Nuno Rocha


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