aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

IMPORTÂNCIA DO PONTIFICADO

DO PAPA PAULO VI

 

A importância, para a Igreja e para o mundo, do pontificado de Paulo VI, como também o valor do seu elevado magistério, foram sublinhados por Bento XVI, ao receber no passado dia 3 de Março um grupo de responsáveis do Instituto Paulo VI de Bréscia, que tem «por fim favorecer o estudo da vida, do pensamento e da actividade daquele inesquecível pontífice».

 

Bento XVI começou por recordar os elos que o ligam pessoalmente ao seu predecessor, que o nomeou arcebispo de Munique e o incluiu no Colégio Cardinalício. Paulo VI – observou – «foi chamado pela Providência divina a guiar a barca de Pedro num período histórico marcado por muitos desafios e problemáticas». Evocando o pontificado do Papa Montini, há um elemento que sobressai:

«Impressiona o ardor missionário que o animou e que o levou a empreender importantes viagens apostólicas, mesmo a países distantes, e a realizar gestos proféticos de elevado alcance eclesial, missionário e ecuménico. Foi o primeiro Papa a deslocar-se à Terra onde Cristo viveu e da qual Pedro partiu para vir a Roma. Aquela visita, realizada apenas seis meses depois da sua eleição para Sumo Pastor do Povo de Deus e enquanto estava em curso o Concílio Ecuménico Vaticano II, revestiu um claro significado simbólico. Indicou à Igreja que o caminho da sua missão consiste em seguir os passos de Cristo».

E continuou: «O segredo da acção pastoral que Paulo VI desempenhou com incansável dedicação, por vezes chegando a tomar decisões difíceis e impopulares, está precisamente no seu amor a Cristo: amor que vibra com expressões tocantes em todos os seus ensinamentos. A sua alma de Pastor estava completamente impregnada por uma tensão missionária alimentada por um sincero desejo de diálogo com a humanidade».

O nome de Paulo VI «permanece sobretudo ligado ao Concílio Vaticano II. De facto, se foi João XXIII a convocá-lo e a iniciá-lo, tocou a ele, seu sucessor, completá-lo com mão experimentada, delicada e firme. Não menos árduo foi para o Papa Montini governar a Igreja no período pós-conciliar. Não se deixou condicionar por incompreensões e críticas, embora tenha tido que suportar sofrimentos e ataques por vezes violentos, mas em todas as circunstâncias permaneceu firme e prudente timoneiro da barca de Pedro».

 

 

«COMUNHÃO E LIBERTAÇÃO»

COM BENTO XVI

 

Mais de 70 mil pessoas, de 52 países, reuniram-se na manhã de 24 de Março passado com o Papa, na Praça de São Pedro, para assinalar os 25 anos do reconhecimento pontifício da «Fraternidade de Comunhão e Libertação».

 

Na sua intervenção, Bento XVI convidou os presentes a irem por todo o mundo, levando «a verdade, a beleza e a paz que se encontram em Cristo Redentor», desafio que já tinha sido lançado por João Paulo II.

O Papa lembrou o fundador de «Comunhão e Libertação», Mons. Luigi Giussani, a cujo funeral presidiu em Fevereiro de 2005, ainda enquanto Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e manifestou a sua homenagem e gratidão perante a experiência deste Movimento, empenhado em «testemunhar a beleza de ser cristão num tempo em que se estava a difundir a opinião de que o Cristianismo era algo de cansativo e que oprimia a vida».

Para Bento XVI, «Comunhão e Libertação» é uma experiência comunitária de fé originada por um encontro renovado com Cristo, portanto por impulso do Espírito Santo.

«Queridos amigos – comentou o Santo Padre –, o vosso Movimento insere-se assim no amplo florescimento de associações, movimentos e novas realidades eclesiais providencialmente suscitados pelo Espírito Santo na Igreja depois do Concílio Vaticano II. (…) Na mensagem enviada ao Congresso mundial dos Movimentos eclesiais, a 27 de Maio de 1998, o Servo de Deus João Paulo II repetiu que, na Igreja, não há contraste ou contraposição entre a dimensão institucional e a dimensão carismática, de que os Movimentos são uma expressão significativa, porque ambas são co-essenciais para a constituição divina do Povo de Deus. Na Igreja também as instituições essenciais são carismáticas e por outro lado os carismas devem de uma forma ou de outra institucionalizar-se para ter coerência e continuidade. Assim as duas dimensões, originadas pelo Espírito Santo para o mesmo Corpo de Cristo, concorrem juntas para tornar presente o mistério e a obra salvífica de Cristo no mundo. Isto explica a atenção com que o Papa e os Pastores olham para a riqueza dos dons carismáticos na época contemporânea.

A este propósito, durante um recente encontro com o clero e com os párocos de Roma, recordando o convite que São Paulo dirige na Primeira Carta aos Tessalonicenses para não apagar os carismas, disse que se o Senhor nos dá novos dons devemos ser-lhe gratos, mesmo se podem ser incómodos. Ao mesmo tempo, dado que a Igreja é una, se os Movimentos são realmente dons do Espírito Santo, devem inserir-se naturalmente na Comunidade eclesial e servi-la de modo que, no diálogo paciente com os Pastores, eles possam constituir elementos edificantes para a Igreja de hoje e de amanhã».

 

 

«JESUS DE NAZARÉ»,

DE J. RATZINGER-BENTO XVI

 

No passado dia 16 de Abril, 80.º aniversário natalício do Santo Padre, chegou às livrarias o seu livro «Jesus de Nazaré» (I vol.), em italiano, alemão, polaco e grego. Trata-se de uma meditação pessoal de Joseph Ratzinger, que procura devolver valor histórico aos relatos evangélicos e critica teorias que destroem a figura de Jesus.

 

O título simples não esconde décadas de trabalho, apresentando, numa linguagem teológica narrativa, uma busca pessoal do «rosto do Senhor» e procurando demonstrar a coincidência entre a dimensão religiosa e a dimensão histórica de Cristo.

Ao longo dos séculos, de forma mais ou menos espectacular, têm chegado teorias muito diversas sobre a vida de Jesus, muitas vezes com a pretensão de serem a «resposta definitiva» para as questões que se levantam. O Papa, neste livro, procura responder às tendências do actual contexto cultural, que procuram distanciar o Jesus da história do Cristo da fé, quase ignorando as respostas «institucionais» sobre a figura central do Cristianismo.

Os factos históricos, contudo, podem estar ao serviço da fé. Ao longo de 10 capítulos, Bento XVI mostra-se atento aos dados da pesquisa moderna sobre Jesus e apresenta o Jesus dos Evangelhos como o verdadeiro Jesus histórico, «uma figura sensata e convincente a que podemos e devemos fazer referência com confiança e sobre a qual temos motivos para apoiar a nossa fé e a nossa vida cristã».

Este livro é a primeira parte de uma obra cuja redacção, segundo o próprio autor, foi precedida por um «longo caminho interior». Corresponde a uma busca pessoal do «rosto do Senhor» da parte de Joseph Ratzinger e não se apresenta portanto como um documento do magistério. Objectivo principal é «favorecer no leitor o crescimento de uma relação viva com Jesus Cristo».

Na segunda parte, a publicar num segundo momento, o Papa espera «poder oferecer ainda um capítulo sobre as narrativas da infância» de Jesus e tratar o mistério da sua paixão, morte e ressurreição.

Trata-se, portanto, de um livro pastoral. Em todo o caso, é a obra de um teólogo rigoroso, que justifica cada uma das suas afirmações com base num amplíssimo conhecimento dos textos sagrados e da literatura crítica. Considera indispensável para uma exegese séria o método histórico-crítico, mas não ignora os limites deste. Como escreve o Papa: «Acreditar que era precisamente como homem que Jesus era Deus… vai para além das possibilidades do método histórico». E, contudo, «se não se radica em Deus, a pessoa de Jesus permanece esquiva, irreal e inexplicável». Joseph Ratzinger «considera Jesus a partir da sua comunhão com o Pai». Ele considera que no texto bíblico se encontram todos os elementos para afirmar que a personagem histórica de Jesus é também efectivamente o Filho de Deus que veio à terra para salvar a humanidade».

Rádio Vaticano

 

 

AS TRÊS CONVERSÕES DE

SANTO AGOSTINHO

 

De 21 a 22 de Abril passado, o Santo Padre esteve em visita pastoral a duas cidades da Lombardia, no Norte da Itália, numa peregrinação às relíquias de Santo Agostinho, que se conservam na Basílica de São Pedro, em Pavia.

 

Na homilia da Missa celebrada nesta Basílica, no domingo dia 22, Bento XVI centrou-a na «conversão», começando por sublinhar que se trata sempre de um caminho pessoal, segundo as circunstâncias que a cada um é dado viver. «Mas no decorrer da história da cristandade, o Senhor enviou-nos modelos de conversão, nos quais, se olharmos para eles, podemos encontrar orientação». Um dos maiores convertidos da história da Igreja foi Santo Aurélio Agostinho, falecido em 28 de Agosto de 430 na cidade portuária de Hipona, na África, então cercada pelos Vândalos.

«No seu livro 'As Confissões', Agostinho ilustrou de modo comovedor o caminho da sua conversão, que com o Baptismo que lhe foi administrado pelo Bispo Ambrósio na catedral de Milão tinha alcançado a sua meta. Quem As Confissões pode partilhar o caminho que Agostinho teve que percorrer numa longa luta interior para receber finalmente, na noite de Páscoa de 387, na fonte baptismal o Sacramento que marcou a grande mudança da sua vida. Seguindo atentamente o curso da vida de Santo Agostinho, podemos ver que a conversão não foi um acontecimento de um único momento, mas precisamente um caminho. E podemos ver que, na fonte baptismal, este caminho ainda não tinha terminado. Como antes do Baptismo, assim também depois dele a vida de Agostinho permaneceu, mesmo se de forma diversa, um caminho de conversão até à sua última doença, quando mandou colocar nas paredes os Salmos penitenciais para os ter sempre diante dos olhos; quando se auto-excluiu de receber a Eucaristia para repercorrer o caminho da penitência e receber a salvação das mãos de Cristo como dom das misericórdias de Deus. Assim podemos falar das «conversões» de Agostinho que, de facto, foram uma única grande conversão na busca do Rosto de Cristo e depois no caminhar juntamente com Ele».

 

As três conversões

 

«Gostaria de falar brevemente de três grandes etapas deste caminho de conversão, de três «conversões». A primeira conversão fundamental foi o caminho interior para o cristianismo, para o «sim» da fé e do Baptismo. Qual foi o aspecto essencial deste caminho? Agostinho, por um lado, era filho do seu tempo, profundamente condicionado pelos costumes e paixões nele dominantes, como também por todas as perguntas e problemas de um homem jovem. Vivia como todos os outros, e contudo havia nele algo de particular: permaneceu sempre uma pessoa em busca. Nunca se contentou com a vida como ela se apresentava e como todos a viviam. Estava sempre atormentado pela questão da verdade. Queria encontrar a verdade. Queria conseguir saber o que é o homem; de onde provém o mundo; de onde vimos nós mesmos, para onde vamos e como podemos encontrar a vida verdadeira. Desejava encontrar a vida recta e não simplesmente viver cegamente sem sentido e sem meta. A paixão pela verdade é a verdadeira palavra-chave da sua vida. A paixão pela verdade guiou-o realmente».

 

A segunda conversão

 

A sua segunda conversão descreve-a Bento XVI assim: «Depois do seu Baptismo, Agostinho tinha decidido regressar à África onde fundou, juntamente com os seus amigos, um pequeno mosteiro. Agora a sua vida devia estar dedicada totalmente ao diálogo com Deus e à reflexão e contemplação da beleza e da verdade da sua Palavra. Assim ele passou três anos felizes, durante os quais pensava ter alcançado a meta da sua vida; naquele período nasceu uma série de preciosas obras filosófico-teológicas. Em 391, quatro anos depois do baptismo, ele foi visitar na cidade portuária de Hipona um amigo, que desejava conquistar para o seu mosteiro.

Mas na liturgia dominical, na qual participou na catedral, foi reconhecido. O Bispo da cidade, um homem de proveniência grega, que não falava bem latim e tinha dificuldade em pregar, na sua homilia providencial disse que tinha a intenção de escolher um sacerdote ao qual confiar a tarefa da pregação. Imediatamente o povo circundou Agostinho e levou-o para a frente com determinação, para que fosse consagrado sacerdote ao serviço da cidade. (…) O bom sonho da vida contemplativa tinha-se desvanecido, a vida de Agostinho estava fundamentalmente mudada. Agora já não podia dedicar-se unicamente à meditação na solidão. Tinha que viver com Cristo por todos. Tinha que traduzir os seus conhecimentos e os seus pensamentos sublimes no pensamento e na linguagem do povo simples da sua cidade. A grande obra filosófica de toda uma vida, que tinha sonhado, não foi escrita. No seu lugar foi-nos dada uma coisa mais preciosa: o Evangelho traduzido na linguagem da vida quotidiana e dos seus sofrimentos».

 

A última conversão

 

«Há ainda uma terceira etapa decisiva no caminho de conversão de Santo Agostinho. Depois da sua Ordenação sacerdotal, ele pediu um período de férias para poder estudar mais profundamente as Sagradas Escrituras. O seu primeiro ciclo de homilias, depois desta pausa de reflexão, referiu-se ao Sermão da montanha; nelas explicava o caminho da vida recta, «da vida perfeita» indicada de modo novo por Cristo, apresentava-a como uma peregrinação ao monte santo da Palavra de Deus.

«Nestas homilias pode-se ver ainda todo o entusiasmo da fé acabada de encontrar e vivida: a firme convicção de que o baptizado, vivendo totalmente segundo a mensagem de Cristo, pode ser, precisamente, «perfeito», segundo o Sermão da montanha. Cerca de vinte anos depois, Agostinho escreveu um livro intitulado As Retratações, no qual revê de modo crítico as suas obras redigidas até àquele momento, fazendo correcções onde, entretanto, tinha aprendido coisas novas. Em relação ao ideal da perfeição nas suas homilias sobre o Sermão da montanha escreve: «Entretanto compreendi que só um é verdadeiramente perfeito e que as palavras do Sermão da montanha estão totalmente realizadas num só: em Jesus Cristo. Mas toda a Igreja – todos nós, incluídos os Apóstolos – devemos rezar todos os dias: perdoai-nos os nossos pecados assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido» (cf. Retract. I, 19, 1-3). Agostinho tinha aprendido um último grau de humildade não só a humildade de inserir o seu grande pensamento na fé humilde da Igreja, não só a humildade de traduzir os seus grandes conhecimentos na simplicidade do anúncio, mas também a humildade de reconhecer que a ele mesmo e a toda a Igreja peregrina era e é continuamente necessária a bondade misericordiosa de um Deus que perdoa sempre e nós acrescentava tornamo-nos semelhantes a Cristo, o único Perfeito, na maior medida possível, quando nos tornamos como Ele pessoas de misericórdia».

 

Homenagem a Santo Agostinho

 

Quase a concluir a visita pastoral a Pavia, na homilia pronunciada junto do túmulo de Santo Agostinho, Bento XVI explicou o sentido desta sua peregrinação: «venerar os despojos mortais de Santo Agostinho, para expressar tanto a homenagem de toda a Igreja Católica a um dos seus «Padres» maiores, como a minha pessoal devoção e reconhecimento àquele que grande parte teve na minha vida de teólogo e de pastor, mas diria antes ainda de homem e de sacerdote».

Comentando a frase do apóstolo João – «Nisto está o amor: não fomos nós a amar a Deus, foi Ele que nos amou e mandou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados» –, prosseguiu Bento XVI: «Aqui está o coração do Evangelho, o núcleo central do Cristianismo. Foi a luz deste amor que abriu os olhos de Agostinho, fazendo-o encontrar a beleza antiga e sempre nova, na qual encontra finalmente paz o coração do homem».

E foi neste contexto que o Papa quis confiar de novo à Igreja e ao mundo a Encíclica publicada no ano passado: «Aqui, diante do túmulo de Santo Agostinho, gostaria de entregar idealmente à Igreja e ao mundo a minha primeira Encíclica, que contém precisamente esta mensagem central do Evangelho: Deus caritas est, Deus é amor (1 Jo 4, 8. 16). Esta Encíclica, sobretudo a primeira parte, é amplamente devedora ao pensamento de Santo Agostinho, que foi um apaixonado do Amor de Deus, e o cantou, meditou, pregou em todos os seus escritos, e sobretudo testemunhou no seu ministério pastoral».

 

 

ESPERANÇA DE SALVAÇÃO

PARA AS CRIANÇAS SEM BAPTISMO

 

A Comissão Teológica Internacional, organismo consultivo da Santa Sé, publicou um documento em que afirma que não há razões fundadas para pensar que as crianças que morrem sem ser baptizadas não possam ir para o Céu.

 

O texto é o resultado de um atento estudo iniciado em 2004, quando o Cardeal Joseph Ratzinger presidia esta Comissão de teólogos, dependente da Congregação para a Doutrina da Fé.

Embora os documentos da Comissão não formem parte do Magistério da Igreja, deve-se considerar a reflexão teológica contida neste documento, cuja publicação foi aprovada pelo Papa, como uma versão autorizada do «estado da questão» sobre A esperança de salvação para as crianças que morrem sem baptismo.

Apesar de a existência do limbo nunca ter sido definida como dogma pela Igreja (e, de facto, não aparece no actual Catecismo da Igreja Católica, mas aparecia nos anteriores), foi durante séculos uma crença muito popular, que inspirou até numerosas obras de arte (Dante, Boticelli). O documento da Comissão Teológica Internacional apresenta uma síntese do pensamento da Igreja sobre o destino das crianças mortas sem baptismo e conclui que a Escritura e a Tradição «não oferecem respostas explícitas». Daí que durante séculos se tenha mantido como uma questão teológica aberta.

Esse mesmo tom de prudência é o que preside o texto da Comissão, que não tem afirmações taxativas: «A nossa conclusão – afirma – é que os muitos factores considerados [no documento] oferecem uma série base teológica e litúrgica para esperar na salvação e visão beatífica das crianças falecidas sem baptismo». E acrescenta: «Sublinhamos que estas são razões para uma oração de esperança, mais do que fundamentos para a certeza».

O problema é compaginar, por um lado, a infinita misericórdia de Deus, que não quer excluir da salvação eterna as crianças que não cometeram pecados pessoais; e por outro lado, o ensinamento fundamental da existência do pecado original e a necessidade do baptismo para remissão dele. O documento observa que o ensinamento de que o baptismo é necessário para a salvação precisa de ser entendido no sentido de que fora de Cristo não há salvação. Deus pode dar a graça do baptismo sem que se administre o sacramento, «e isto pode-se aplicar especificamente quando a administração do baptismo seja impossível».

A Comissão adverte que esta perspectiva teológica, um novo modo de explicar que se foi desenvolvendo nos últimos decénios, não se pode usar para negar a necessidade do baptismo para as crianças ou para atrasá-lo. Na realidade, «são razões para esperar que Deus salvará essas crianças, precisamente porque não foi possível fazer por eles o que teria sido mais desejável: baptizá-los na fé da Igreja e incorporá-los ao corpo de Cristo».

O documento afirma que o tema da salvação das crianças mortas antes do baptismo não é só uma questão para discussões teológicas, mas constitui um problema pastoral urgente. Por um lado, muitas delas nascem de pais que não são cristãos; e por outro lado, são também muitas as que não nascem vítimas do aborto.

O documento – de 41 páginas e assinado pelo Cardeal William Levada, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé – foi publicado em inglês, língua em que foi redigido.

 

Aceprensa


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