eUCARISTIA

EUCARISTIA E ORDEM

 

Cardeal Angelo Scola

 

Na manhã de 13 de Março passado, o Cardeal Ângelo Scola, Patriarca de Veneza e Relator-Geral do Sínodo dos Bispos sobre a Eucaristia (realizado no Vaticano, de 2 a 23 de Outubro de 2005), deu uma conferência para a apresentação da Exortação Apostólica pós-sinodal de Bento XVI «Sacramentum Caritatis».

Oferecemos aos leitores o comentário que fez ao ponto sobre a relação entre a Eucaristia e a Ordem sacerdotal.

 

 

Particular atenção merece a relação entre a Eucaristia e os sacramentos da Ordem e do Matrimónio, quer devido ao rico debate que se teve na sala sinodal sobre estes temas, quer pelo autorizado desenvolvimento da parte do Santo Padre. Estes dois sacramentos – os sacramentos ao serviço da comunhão, como os chama o Catecismo da Igreja Católica – encontram na Eucaristia a sua profunda razão de ser e o seu alimento mais poderoso.

O texto da Exortação detém-se em muitas passagens sobre a relação entre Eucaristia, sacramento da Ordem e espiritualidade sacerdotal (cf. nn. 23-26, 39, 53, 75 e 80). A este propósito é reafirmada a insubstituibilidade do sacerdócio ministerial para a celebração válida da Santa Missa, a qual nunca deve ser confundida com outras celebrações na expectativa de sacerdote presididas por ministros autorizados (cf. n. 75). Bento XVI, além disso, aceitando quanto foi proposto pela Assembleia Sinodal, reafirma e aprofunda a relação entre ordenação sacerdotal e celibato: «Embora respeitando a prática e tradição oriental diferente, é necessário reiterar o sentido profundo do celibato sacerdotal, justamente considerado uma riqueza inestimável (...). Com efeito, nesta opção do sacerdote encontram expressão peculiar a dedicação que o conforma com Cristo e a oferta exclusiva de si mesmo pelo Reino de Deus. O facto de o próprio Cristo, eterno sacerdote, ter vivido a sua missão até ao sacrifício da cruz no estado de virgindade constitui o ponto de referência segura para perceber o sentido da tradição da Igreja Latina a tal respeito» (n. 24). Deste modo o Papa Bento XVI, retomando o Magistério dos seus predecessores e em particular as razões cristológicas, eclesiológicas e escatológicas da encíclica de Paulo VI sacerdotalis Caelibatus (1967), rejeita toda justificação do celibato em bases meramente funcionais. Ao contrário, trata-se de uma opção «esponsal; é identificação com o coração de Cristo Esposo que dá a vida pela sua Esposa» (n. 14). Desta forma é reconfirmada a prática latina da obrigatoriedade do celibato sacerdotal como riqueza inestimável para toda a communio eclesial.

A grande redução numérica do clero, que se verifica em alguns continentes, deve ser enfrentada antes de tudo com o testemunho da beleza da vida sacerdotal, mostrando aos jovens a profunda conveniência do seguimento radical de Cristo e, em segundo lugar, com uma formação vocacional esmerada, mediante uma clara proposta de vida espiritual e um rigoroso discernimento que verifique a autenticidade da motivação vocacional (cf. n. 25). O Santo Padre manifesta um sentido obrigado em geral aos presbíteros e, em particular, aos presbíteros fidei donum (cf. n. 26).

 

 

 

 

 


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