15º Domingo Comum

15 de Julho de 2007

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Subirei alegre, M. Carneiro, NRMS 87

cf. Salmo 16, 15

Antífona de entrada: Eu venho, Senhor, à vossa presença: ficarei saciado ao contemplar a vossa glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Uma das maiores tentações dos nossos dias é a auto-suficiência, ou seja, cada qual faz o que lhe apetece.

É uma opção de vida que não tem futuro, nem natural, nem sobrenaturalmente, porque todos estamos estruturados para um determinado modo de viver, sem o qual procedemos à nossa destruição. Vivemos espartilhados por diversas regras: na alimentação, no descanso e em muitos outros aspectos da vida.

O Senhor ensina-nos – como o melhor dos pais – um conjunto de princípios que nos devem orientar nesta caminhada terrena, até ao Céu, onde nos espera uma eternidade feliz.

 

A tentação da serpente no paraíso terreal – sereis como deuses – continua a seduzir-nos, levando-nos pelos caminhos do erro.

 

(Pode escolher-se uma das formas do acto penitencial. Quando há procissão solene de entrada ou se o Presidente proceder à aspersão da Assembleia com a água benta, o acto penitencial será suprimido. Apresentamos, em alternativa, sugestões para o esquema penitencial C).

 

– Senhor Jesus, reconhecemos que não temos combatido

a ignorância religiosa, fruto da negligência continuada

em estudar a Vossa doutrina e viver de acordo com ela,

Senhor, tende piedade de nós!

 

Senhor, tende piedade de nós!

 

– Cristo, temos procurado apenas o que pode agradar

aos nossos sentidos, muitas vezes inclinados para o mal,

como se depois da vida na terra nada mais esperássemos,

Cristo, tende piedade de nós!

 

Cristo, tende piedade de nós!

 

– Senhor Jesus, vivemos num ambiente apenas preocupado,

com aqueles bens materiais que nos podem facultar

o prazer dos sentidos e uma imagem falsa diante dos outros.

Senhor, tende piedade de nós!

 

Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

Perdoe os nossos pecados e nos conduza à Vida Eterna.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que mostrais aos errantes a luz da vossa verdade para poderem voltar ao bom caminho, concedei a quantos se declaram cristãos que, rejeitando tudo o que é indigno deste nome, sigam fielmente as exigências da sua fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Moisés, em nome do Senhor, anima o Povo de Deus a cumprir os Mandamentos que lhes entregou junto ao monte Sinai.

Das tábuas frias de pedra, o Senhor passou este guia do comportamento moral das pessoas para o interior de cada um de nós, gravando-o no coração. Devemos, pois, procurar conhecer os Seus ensinamentos e procurar vivê-los.

 

Deuteronómio 30, 10-14

Moisés falou ao povo, dizendo: 10«Escutarás a voz do Senhor teu Deus, cumprindo os seus preceitos e mandamentos que estão escritos no Livro da Lei, e converter-te-ás ao Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma. 11Este mandamento que hoje te imponho não está acima das tuas forças nem fora do teu alcance. 12Não está no céu, para que precises de dizer: ‘Quem irá por nós subir ao céu, para no-lo buscar e fazer ouvir, a fim de o pormos em prática?’. 13Não está para além dos mares, para que precises de dizer: ‘Quem irá por nós transpor os mares, para no-lo buscar e fazer ouvir, a fim de o pormos em prática?’. 14Esta palavra está perto de ti, está na tua boca e no teu coração, para que a possas pôr em prática».

 

O texto da leitura é tirado da chamada «Aliança de Moab», o 3º discurso de Moisés (Dt 28, 69 – 30, 20). De uma forma poética e imaginosa muito bela, o autor afirma que o conhecimento da Lei de Deus é acessível a todos, sem serem necessários muitos estudos e longas investigações. S. Paulo em Rom 10, 6-8 faz uma aplicação deste texto ao conhecimento da «palavra da fé» pregada pelos Apóstolos.

 

Salmo Responsorial    Sl 68 (69), 14.17.30-31.33-34.36ab.37 (R. cf. 33)

 

Monição: O texto do Deuteronómio que foi proclamado  convida-nos à conversão pessoal, voltando-nos para Deus.

No salmo que vamos cantar, pedimos ao Senhor que Se volte para nós e nos acolha com misericórdia.

 

Refrão:         Procurai, pobres, o Senhor

e encontrareis a vida.

 

A Vós, Senhor, elevo a minha súplica,

pela vossa imensa bondade respondei-me.

Ouvi-me, Senhor, pela bondade da vossa graça,

voltai-Vos para mim pela vossa grande misericórdia.

 

Eu sou pobre e miserável:

defendei-me com a vossa protecção.

Louvarei com cânticos o nome de Deus

e em acção de graças O glorificarei.

 

Vós, humildes, olhai e alegrai-vos,

buscai o Senhor e o vosso coração se reanimará.

O Senhor ouve os pobres

e não despreza os cativos.

 

Deus protegerá Sião,

reconstruirá as cidades de Judá.

Os seus servos a receberão em herança

e nela hão-de morar os que amam o seu nome.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Jesus Cristo é a imagem perfeita de Deus e o princípio de uma nova humanidade, segundo o projecto inicial do Criador.

Ele é o novo Adão que devemos imitar em cada momento, depois de nos termos configurado com Ele pelo Baptismo.

 

Colossenses 1, 15-20

15Cristo Jesus é a imagem de Deus invisível, o Primogénito de toda a criatura; 16porque n’Ele foram criadas todas as coisas no céu e na terra, visíveis e invisíveis, Tronos e Dominações, Principados e Potestades: por Ele e para Ele tudo foi criado. 17Ele é anterior a todas as coisas e n’Ele tudo subsiste. 18Ele é a cabeça da Igreja, que é o seu corpo. Ele é o Princípio, o Primogénito de entre os mortos; em tudo Ele tem o primeiro lugar. 19Aprouve a Deus que n’Ele residisse toda a plenitude 20e por Ele fossem reconciliadas consigo todas as coisas, estabelecendo a paz, pelo sangue da sua cruz, com todas as criaturas na terra e nos céus.

 

O texto da nossa leitura, com um certo sabor de um hino a Cristo, condensa o ensino central desta carta do cativeiro, e é uma das belas e ricas sínteses da cristologia paulina. Em face da chamada «crise de Colossas», em que alguns põem em causa a primazia absoluta de Cristo, colocando-o ao nível de outros seres superiores e intermédios, quer da cultura pagã, quer da cultura judaica, S. Paulo ensina peremptoriamente a mais completa supremacia de Cristo sobre toda a Criação (vv. 15-17), em virtude da sua acção criadora, e também no campo da nova Criação (vv. 18-20), em virtude da sua acção redentora, que reconcilia todas as coisas com Deus na paz.

15 «Imagem de Deus invisível». Imagem, para um semita, não é simplesmente a figuração duma realidade, de natureza distinta, mas é, antes de mais, a exteriorização sensível da própria realidade oculta e da sua mesma essência. Assim, é afirmada a divindade de Cristo, o qual nos torna visível e tangível o próprio Deus invisível e transcendente (cf. Jo 1, 18; 14, 9-11; 2 Cor 4, 4; Hbr 1, 3). Cristo também é «o Primogénito de toda a criatura», no sentido da sua preeminência única sobre todas as criaturas, não só por Ele existir antes de todas, não, porém, no sentido ariano de primeira criatura, mas enquanto todas foram criadas «n’Ele», «por Ele» e «para Ele» (v.16).

19 «Toda a plenitude», isto é, a totalidade de todos os tesouros da graça que Deus comunica aos homens depois do pecado, em ordem à reconciliação que Ele realiza pelo seu sangue da sua Cruz (v. 20). Em Col 2, 9 diz-se que em Cristo «habita corporalmente toda a plenitude da natureza divina».

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Jo 6, 63c.68c

 

Monição: Jesus Cristo ensina-nos que considera como feito a Si próprio tudo o que fizermos em favor dos nossos irmãos.

Animemo-nos a viver de acordo com a Sua bondade e misericórdia, e aclamemos o Evangelho que proclama estas maravilhas da fé.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

As vossas palavras, Senhor, são espírito e vida:

Vós tendes palavras de vida eterna.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 10, 25-37

Naquele tempo, 25levantou-se um doutor da lei e perguntou a Jesus para O experimentar: «Mestre, que hei-de fazer para receber como herança a vida eterna?» 26Jesus disse-lhe: «Que está escrito na lei? Como lês tu?» 27Ele respondeu: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento; e ao próximo como a ti mesmo». 28Disse-lhe Jesus: «Respondeste bem. Faz isso e viverás». 29Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: «E quem é o meu próximo?» 30Jesus, tomando a palavra, disse: «Um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores. Roubaram-lhe tudo o que levava, espancaram-no e foram-se embora, deixando-o meio morto. 31Por coincidência, descia pelo mesmo caminho um sacerdote; viu-o e passou adiante. 32Do mesmo modo, um levita que vinha por aquele lugar, viu-o e passou também adiante. 33Mas um samaritano, que ia de viagem, passou junto dele e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão. 34Aproximou-se, ligou-lhe as feridas deitando azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. 35No dia seguinte, tirou duas moedas, deu-as ao estalajadeiro e disse: ‘Trata bem dele; e o que gastares a mais eu to pagarei quando voltar’. 36Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?» 37O doutor da lei respondeu: «O que teve compaixão dele». Disse-lhe Jesus: Então vai e faz o mesmo».

 

29 «E quem é o meu próximo?» Jesus não explica o conceito de próximo a quem se deve amar, por meio de definições abstractas, mas duma maneira gráfica, concreta e intuitiva, dizendo como actuou uma pessoa que possuía autêntico amor ao próximo (há quem pense tratar-se dum caso real, embora se costume considerar como uma parábola, exclusiva de Lucas).

30-35 Não se identifica quem foi o homem assaltado, talvez para realçar que o amor deve ser universal: o samaritano não pára para investigar de quem se trata; o que ele sabe é que se trata de um necessitado, embora estranho, desconhecido, sendo até de supor tratar-se de um judeu inimigo, uma vez que o caso se passa na Judeia. O samaritano faz tudo o que a necessidade do desgraçado exige, cumprindo, de maneira perfeita, o amor ao próximo. O doutor da lei tinha perguntado: «quem é o meu próximo?» A história deixa ver, antes de mais, que, quando uma pessoa leva o amor no coração, esse amor já lhe fará ver quem é o próximo. «A violação do preceito do amor ao próximo não procede nunca duma falta de conhecimento sobre a sua aplicação prática, mas sim duma falta de amor» (J. Schmid). O que importa não é investigar quem é o meu próximo, como faz o doutor da lei (v. 29), mas o que é preciso é saber ser próximo, proceder como próximo; por isso, Jesus pergunta: «qual dos três se portou como próximo?» Jesus não só acaba com as barreiras de raça, nacionalidade, religião (os samaritanos estavam separados por todas estas barreiras), como também nos situa acima dos acanhados horizontes legalistas do «sacerdote» e do «levita», que se julgavam juridicamente escusados de prestar socorro naquele caso.

37 «Vai e faz o mesmo». Jesus insiste em que não chega saber a teoria sobre a caridade, mas que é preciso tomar atitudes concretas, como esta. Houve Padres que viram no Bom Samaritano uma figura de Cristo que veio do Céu à terra para salvar a humanidade ferida de morte por causa do pecado em que jazia, abandonada pela Sinagoga (o sacerdote e o levita). Jesus salva essa humanidade caída, e deixa-a entregue à Igreja – a estalagem (v. 34) – até quando voltar (v. 35), no fim dos tempos.

 

Sugestões para a homilia

 

— A fidelidade à Lei de Deus

Ouvir o que o Senhor quer de nós

Fazer a Sua vontade

Conversão pessoal

É fácil conhecer o que Deus quer de nós

A Lei de Deus está gravada em nosso coração

A Lei de Deus concretiza-se no Amor

Os Mandamentos, caminho único para vida eterna

A Lei de Deus resume-se no Amor

 Amor ao próximo, a prova real do amor a Deus.

Introdução

Toda a máquina, por mais simples que seja, tem regras para o seu funcionamento e conservação.

Os automóveis e outros veículos, as máquinas para os trabalhos da lavoura e os computadores trazem instruções, por vezes mesmo em livro, para o seu bom funcionamento, as quais é necessário seguir fielmente, para que possamos obter delas o rendimento que desejamos.

Também a pessoa humana – perdoe-se a comparação –, para que se desenvolva até à plenitude e possa viver com saúde física e espiritual, com normalidade, deve observar um conjunto de regras que lhe foram dadas pelo Criador. Qualquer transgressão de um Mandamento da Lei de Deus, por insignificante que nos pareça, causa deformações, maiores ou menores, na pessoa humana. A mentira, o roubo, a impureza e outros desvios deformam progressivamente aquele que se deixa apanhar por estes desvios.

À luz destas verdades compreendemos melhor que os santos sejam dotados de um equilíbrio humano e sensatez que não encontramos em qualquer outro ser humano que se entregue ao vício.

A Lei de Deus não é, portanto, um conjunto de preceitos e proibições arbitrários, sem qualquer ligação à vida. Corresponde às exigências do nosso ser, e do respeito que mantemos por ela depende uma vida terrena alegre, normal e feliz.

Não está, pois, em causa, a promessa duma felicidade futura, abstracta, que não sabemos quando e se virá, mas uma felicidade que tem o seu começo na vida presente e vai continuar para sempre no Céu.

A fidelidade à Lei de Deus

Moisés, já no termo da longa travessia do deserto, exorta o Povo de Deus à fidelidade ao Senhor, ao cumprimento da Sua Lei. Para dar ainda mais força às suas palavras, recorda prodígios diversos que esse mesmo povo rebelde pôde constatar: «Guiei-vos durante quarenta anos através do desterro, vossas vestes não se gastaram sobre vós, nem se deteriorou a sandália do teu pé; não comestes pão nem bebestes vinho ou licor, para que reconhecêsseis que Eu sou o Senhor, vosso Deus

Concretiza, depois, o modo de este mesmo povo corresponder às graças que lhe foram concedidas.

 

Ouvir o que o Senhor quer de nós. «Hás-de ouvir a voz do Senhor.» Temos necessidade de ermos instruídos nas tarefas mais elementares: cuidados de higiene, modo de nos alimentarmos, a comunicarmos com as outras pessoas por palavras ou por gestos, etc. Todos estes ensinamentos passam de pais a filhos e chegam até nós por palavras e exemplos.

Se isto acontece nas coisas que os nossos sentidos captam com facilidade, que dizer daquelas que são de ordem espiritual?

Precisamos de formação doutrinal contínua, de conhecer a Sagrada Escritura, o Catecismo, ouvir os ensinamentos dos Pastores da Igreja e frequentar outros meios que nos possam ajudar.

Além disso, como os maus exemplos são do que muitos, e a nossa natureza tende para o que exige menos esforço, temos necessidade de uma formação contínua. A nossa mente confunde-se com tantos erros e facilmente nos deixamos convencer do que nos convém.

A dinâmica da vida cristã é a da sementeira: lançamos à terra do nosso coração a semente da doutrina para depois fazermos a colheita das boas obras. Quem nada semeia, nada colhe.

Na verdade, o maior inimigo de Deus no mundo de hoje é a ignorância religiosa.

 

Fazer a Sua vontade. «… e cumprir os Seus mandamentos e as Suas leis.» Toda a semente tem uma dinâmica interna que a estimula para o desenvolvimento, e a semente da Palavra de Deus não constitui excepção.

Mas é necessário facultar-lhe condições de desenvolvimento, para que ela possa vencer a resistência do terreno e aparecer à luz do sol. Preparamos a terra do nosso coração com a humildade e contrição, alimentamo-la com os Sacramentos e aquecemo-la com a oração perseverante. Sem este esforço, a semente pode ficar sem frutificar.

 

Conversão pessoal. «Hás-de voltar para o Senhor, teu Deus, de todo o coração e de toda a tua alma.» Ser fiel ao Senhor exige de nós uma luta contínua, nem sempre fácil, porque há em nós resistências contrárias ao querer de Deus.

Também nós podemos repetir a lamentação de S. Paulo: «eu não faço o bem que quero, mas faço o mal que não quero» (Rom 7, 20).

Este voltar-se para Deus que nos é pedido não é obra de um instante. Depois da decisão da vontade, ajudada pela graça, temos necessidade de recomeçar muitas vezes. A vida espiritual é como um desporto: uma sucessão de tentativas para superarmos as nossas limitações. Uma falta não quer dizer «eu não sou capaz», mas «ainda não consegui alcançar a meta.»

 

É fácil conhecer o que Deus quer de nós. «Pois esta Lei, que te imponho neste dia, não é difícil de mais para ti nem está fora do teu alcance.» O Senhor, que bem conhece as nossas debilidades, facilitou-nos o conhecimento da Sua Lei. Instituiu a Igreja, para fazer chegar até nós a Sua vontade.

Nós não esperamos novidades doutrinais: A Revelação pública – o conjunto de verdades que todos devemos conhecer e acreditar para alcançar a salvação – terminou com a morte de S. João Evangelista, o último dos Apóstolos a partir deste mundo.

Mas como estamos na era da publicidade, e quando um produto deixa de ser publicitado, facilmente nos convencemos que deixou de se fabricar e vender, de modo análogo, quando se deixa de falar numa verdade, um mandamento, facilmente nos deixamos arrastar pela mentira de que deixou de estar em vigor.  

 

A Lei de Deus está gravada em nosso coração. «É que a palavra está perto de ti, está na tua boca e no teu coração, para que a possas cumprir.» Deus gravou a fogo em nosso coração a Sua Lei e a lembrança dela é continuamente avivada por tudo o que ouvimos e vemos na Igreja.

O coração, porém, pode endurecer-se, e a consciência pode deformar-se pelo pecado e pelo erro, ou simplesmente não estar formada.

Temos de a defender do erro e viver numa preocupação saudável de acertar o nosso critério pelo dos Pastores: o Santo Padre, sucessor de Pedro, Cabeça do Colégio dos Bispos; e o que eles nos ensinam, aplicando a doutrina de sempre às situações concretas em que vivemos.

Um dos meios mais eficazes para fomentar a delicadeza de consciência é a frequência da confissão sacramental.

A Lei de Deus concretiza-se no Amor

Os Mandamentos, caminho único para vida eterna. «Mestre, que hei-de fazer para ter a vida eterna como herança?» Perdem-se muitas pessoas piedosas no labirinto de hipotéticas visões e devoções particulares e descuram aquilo que é essencial na vida de um cristão.

Não é na multiplicação das devoções nem nas manifestações de religiosidade que encontramos o caminho seguro para a eternidade feliz, mas no cumprimento delicado de cada um dos Dez Mandamentos da Lei de Deus. Sobre eles há-de incidir o nosso exame de consciência de cada dia.

Nada temos a esperar de extraordinário. A nossa atenção deve centrar-se neste cuidado de fidelidade aos mandamentos.

 

A Lei de Deus resume-se no Amor. «'Que está escrito na Lei? Como a lês?' Ele replicou-Lhe: 'Amarás o Senhor (…) e ao próximo'». Amamos a Deus na medida em que procuramos fazer a Sua vontade expressa nos Mandamentos.

O Amor de Deus, como dizia o Senhor a certa alma, não são palavras bonitas, mas obras, inspiradas nos Seus Mandamentos.  

 

Amor ao próximo, a prova real do amor a Deus. «E quem é o meu próximo?» Esta pergunta do jovem a Jesus ofereceu-lhe a oportunidade de nos contar a parábola do bom samaritano.

À luz desta parábola, o meu próximo é aquela pessoa que aqui e agora mais precisa da minha ajuda.

É fácil dizer ao Senhor que o amamos com todo o nosso coração, enquanto as exigências não se concretizam. E, na maior parte das vezes, elas fazem-se sentir pelo amor dedicado aos nossos irmãos.

Daí a advertência que o Senhor nos envia por S. João: «Aquele que não ama o seu irmão, a quem vê, como pode amar a Deus, a quem não vê? Temos de Deus este mandamento: que aquele que ama a Deus, ame também o seu irmão» (I Jo 4, 20).

 

Toda a preocupação de Nossa Senhor se centrou em ouvir a Palavra de Deus e procurar concretizar as suas exigências na vida.

Cristo é o nosso modelo de filhos de Deus, o Caminho para o Pai, a Verdade que temos de seguir, de acordo com a Vida que nos deu.

Na Celebração da Eucaristia, ilumina-nos com a Luz da Sua Palavra e alimentando as nossas forças com o Seu Corpo e Sangue.

Privar-se voluntariamente deste encontro semanal com Ele e com todo o Corpo Místico é negar praticamente o nosso desejo de fazer a vontade de Deus, vivendo como Seus filhos.

 

Fala o Santo Padre

 

«Ouvir a Palavra de Deus é a coisa mais importante da nossa vida.»

 

1. […] Neste Domingo, a Liturgia volta a propor à nossa meditação o episódio evangélico da visita de Jesus à casa de Marta e Maria (cf. Lc 10, 38-42). Enquanto Marta está totalmente imersa nas ocupações domésticas, Maria está sentada aos pés do Mestre e ouve a sua palavra. Cristo afirma que Maria «escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada» (Lc 10, 42). Ouvir a Palavra de Deus é a coisa mais importante da nossa vida.

2. Cristo está sempre no meio de nós e deseja falar ao nosso coração. Podemos ouvi-lo meditando com fé a Sagrada Escritura, recolhendo-nos na oração pessoal e comunitária, detendo-nos em silêncio diante do Tabernáculo, de onde Ele nos fala do seu amor.

Especialmente no Domingo, os cristãos são chamados a encontrar-se com o Senhor e a ouvi-lo. Isto acontece do modo mais completo, mediante a participação na Santa Missa, em que Cristo prepara para os fiéis a mesa da Palavra e do Pão da vida. Todavia, outros momentos de oração e de reflexão, de descanso e de fraternidade podem concorrer utilmente para santificar o dia do Senhor. […]

 

João Paulo II, Angelus, 18 de Julho de 2004

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Conscientes da ajuda que temos do Senhor,

para vivermos fielmente a nossa vocação cristã,

invoquemos a ajuda do Pai, no Espírito Santo,

por mediação de Jesus, Caminho, Verdade e Vida.

Oremos, cheios e confiança:

Ensinai-nos Senhor a fidelidade à Vossa Lei!

 

1.  Para que o Santo Padre, com os Bispos de toda a Igreja,

continue a pregar com generosidade, fortaleza e caridade

o respeito pelos direitos humanos, desde a concepção,

oremos, irmãos.

 

Ensinai-nos Senhor a fidelidade à Vossa Lei!

 

2.  Para os jovens, assaltados nos caminhos da vida

pelo inimigo, nos seus bens materiais e espirituais,

tomem consciência da situação em que se encontram

e aceitem a ajuda que por nós lhes é oferecida,

oremos, irmãos.

 

Ensinai-nos Senhor a fidelidade à Vossa Lei!

 

3.  Para que aqueles que se sentem prisioneiros

das paixões desordenadas, vivem no pecado,

e querem libertar-se, mas não o conseguem,

sejam ajudados por Jesus Cristo misericordioso,

oremos, irmãos.

 

Ensinai-nos Senhor a fidelidade à Vossa Lei!

 

4.  Para que, por uma formação doutrinal contínua,

as pessoas procurem sempre a vontade de Deus,

pelo cumprimento fiel e amoroso da Sua Lei,

oremos, irmãos.

 

Ensinai-nos Senhor a fidelidade à Vossa Lei!

 

5.  Para que todos os que se desorientaram na vida

e se encontram em perigo, nos caminhos do pecado,

possam contar com a nossa generosa solidariedade,

na ajuda fraterna da oração e do bom conselho,

oremos, irmãos.

 

Ensinai-nos Senhor a fidelidade à Vossa Lei!

 

6.  Para que todos os fiéis defuntos que ainda se purificam,

antes de tomarem parte na felicidade e glória celestial

por intercessão de Maria, contemplem, quanto antes,

face a face o rosto paterno e misericordioso de Deus,

oremos, irmãos.

 

Ensinai-nos Senhor a fidelidade à Vossa Lei!

 

 

Senhor, que bem conheceis a nossa fraqueza,

e sabeis com que facilidade faltamos ao prometido.

dai constância aos nossos firmes propósitos

de Vos amarmos nesta vida e na eternidade.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

Introdução à Liturgia Eucarística

 

Depois de ter avivado em nosso mente e coração a Sua Lei do Amor, com a Palavra que para nós foi proclamada, vai agora fortalecer-nos para o grande combate da vida.

Pelo ministério do sacerdote, vai transubstanciar o pão e o vinho que Lhe oferecemos no Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade, tão real e perfeitamente como está no Céu.

Depois, se estivermos espiritualmente limpos do pecado mortal, somos convidados a recebê-l’O, para que nos guarde sem mancha para a Vida Eterna.

 

Cântico do ofertório: Subam até vós, ó Senhor, M. Luis, NCT 250

 

Oração sobre as oblatas: Olhai, Senhor, para os dons da vossa Igreja em oração e concedei aos fiéis que os vão receber a graça de crescerem na santidade. Por Nosso Senhor.

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento CT

 

Saudação da paz

 

Toda a Lei de Deus se resume em amar. O Amor a Deus que tantas vezes proclamamos com as nossas palavras é inseparável do Amor ao próximo.

Somos convidados pelo Senhor, neste momento, a confessar publicamente que amamos sem reservas todas as pessoas

Manifestemos estes sentimentos, trocando entre nós a saudação da paz.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Da sagrada Comunhão, recebida com as indispensáveis condições – fé, estado de graça e devoção – nos vem a força de Deus para vivermos a fidelidade à Sua Lei, nesta caminhada para o Céu.

Agradeçamos este Dom, que é o próprio Senhor, e aproximemo-nos com reverência e Amor deste alimento divino.

 

Cântico da Comunhão: A semente é a Palavra de Deus, C. Silva, NCT 256

Salmo 83, 4-5

Antífona da comunhão: As aves do céu encontram abrigo e as andorinhas um ninho para os seus filhos, junto dos vossos altares, Senhor dos Exércitos, meu Rei e meu Deus. Felizes os que moram em vossa casa e a toda a hora cantam os vossos louvores.

 

Ou

Jo 6, 57

Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em Mim e Eu nele, diz o Senhor.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentais à vossa mesa santa, humildemente Vos suplicamos: sempre que celebramos estes mistérios, aumentai em nós os frutos da salvação. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Seremos, ao continuar esta Missa durante a semana, na vida de família, no trabalho e nos encontros com os nossos irmãos, testemunhas do Amor. 

Deus conta connosco, e nós contamos com a Sua ajuda, por intercessão de Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe.

 

Cântico final: Ao Deus do universo, J. Santos, NRMS 1(II)

 

 

Homilias Feriais

 

15ª SEMANA

 

2ª feira, 16-VII: Nª Sª do Carmo: Os caminhos para a vida eterna.

Ex 1, 8-14. 22 / Mt 10, 34- 11, 1

Quem tiver achado a vida há-de perdê-la; e quem tiver perdido a vida por minha causa há-de encontrá-la.

Os mártires e os demais santos perderam a vida para alcançar a vida eterna. O povo de Deus foi submetido no Egipto aos mais duros trabalhos ante de alcançar a terra prometida (cf. Leit).

A memória de Nª Sª do Carmo recorda-nos que a nossa Mãe se empenha em levar para o Céu os seus filhos que usam o escapulário do Carmo. Na verdade, «a sua assunção ao Céu em corpo e alma é, para nós, sinal de segura esperança, enquanto nos aponta a nós, peregrinos no tempo, aquela meta escatológica que o sacramento da Eucaristia desde já nos faz saborear» (SC, 33).

 

3ª feira, 17-VII: Eucaristia e conversão.

Ex 2, 1-15 / Mt 11, 20-24

Começou Jesus a censurar duramente as cidades em que tinha realizado a maioria dos seus milagres, por não terem feito penitência.

Os habitantes destas cidades não corresponderam às graças recebidas de Deus e os seus corações endureceram (cf. Ev). O mesmo aconteceu com o faraó do Egipto (cf. Leit).

«O coração do homem é pesado e endurecido. É necessário que Deus dê ao homem um coração novo. A conversão é, antes de mais obra da graça de Deus, a qual faz com que os nossos corações se voltem para Ele: ‘convertei-nos, Senhor, e seremos convertidos’» (CIC, 1432). A Eucaristia também estimula à conversão e purifica o coração penitente, consciente das próprias misérias e desejoso do perdão de Deus (cf. dimensão penitencial da Eucaristia).

 

4ª feira, 18-VII: Eucaristia: Pão da missão.

Ex. 3, 1-6. 9-12 / Mt. 11, 25-27

(Moisés): Mas quem sou eu para ir à presença do faraó e levar os filhos de Israel para fora do Egipto?

Quando Deus nos encarrega alguma missão, que nos parece impossível, também nos há-de dar os meios para levá-la a cabo: «Eu estarei contigo» (Leit). Com a sua ajuda recebemos uma energia renovada para ultrapassarmos os obstáculos.

«A Eucaristia pode chamar-se também o Pão da missão: ‘uma bela imagem’ nesse sentido é o alimento que foi dado a Elias, para continuar a realizar a sua missão, sem ceder perante as dificuldades do caminho: com o vigor daquela comida, andou quarenta dias e quarenta noites até ao Horeb, a montanha de Deus» (Ano da Eucaristia, 31).

 

5ª feira, 19-VII: Omnipotência e humilhação na Cruz.

Ex. 3, 13-20 / Mt 11, 28-30

Eu sei que o rei do Egipto não vos deixará partir… Mas eu estenderei a minha mão, para fustigar o Egipto.

«Ele vem para libertar da escravidão os seus descendentes. É o Deus que, para além do espaço e do tempo, pode e quer fazê-lo, e empenhar a sua Omnipotência na concretização desse desígnio (cf. Leit)» (CIC, 205).

Além da Omnipotência, Deus é para nós um exemplo. «Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração (Ev). Ora, «Deus Pai revelou a sua omnipotência, de modo mais misterioso, na humilhação voluntária e na ressurreição de seu Filho… Por isso, Cristo crucificado é ‘força de Deus e sabedoria de Deus’» (CIC, 272).

 

6ª feira, 20-VII: A Eucaristia e a libertação da humanidade.

Ex 11, 10 -12, 14 / Mt 12, 1-8

Comereis a toda a pressa…é uma sacrifício pascal em honra do Senhor.

«Esta ceia ritual, associada com a imolação dos cordeiros, era memória do passado mas, ao mesmo tempo também, memória profética… anúncio duma libertação futura» (SC, 10).

Jesus vai revelar-se como Verdadeiro Cordeiro imolado. «Assim manifesta o sentido salvífico da sua morte e ressurreição, mistério este que se torna uma realidade renovadora da história e do mundo inteiro. Com efeito, a instituição da Eucaristia mostra como aquela morte…se tenha tornado acto supremo de amor e libertação definitiva, para a humanidade, do mal» (SC, 10).

 

Sábado, 21-VII: O Espírito Santo e a celebração eucarística.

Ex 12, 37-42 / Mt. 12, 14-21

Eis o meu servo, a quem eu escolhi… Sobre ele farei pousar o meu Espírito.

«Os traços do Messias são revelados sobretudo nos cânticos do Servo (do profeta Isaías). Estes cânticos anunciam o sentido da paixão de Jesus, indicando assim a maneira como Ele derramará o Espírito Santo para dar vida à multidão» (CIC, 713).

Na celebração eucarística invocamos o Deus misericordioso para que envie o Espírito Santo sobre as oblações, para que transforme o pão no Corpo de Cristo e o vinho no Sangue de Cristo. «O que o Espírito Santo toca é santificado e transformado totalmente» (SC, 13).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:              Fernando Silva

Nota Exegética:       Geraldo Morujão

Homilias Feriais:      Nuno Romão

Sugestão Musical:   Duarte Nuno Rocha

 


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