14º Domingo Comum

8 de Julho de 2007

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Oh que alegria, M. Faria, NRMS 67

Salmo 47, 10-11

Antífona de entrada: Recordamos, Senhor, a vossa misericórdia no meio do vosso templo. Toda a terra proclama o louvor do vosso nome, porque sois justo e santo, Senhor nosso Deus.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Quando olhamos à nossa volta constatamos que apesar de terem passado mais de dois mil anos da vinda de Cristo e da promessa de paz e de um mundo novo e melhor, somos capazes de nos sentir desanimados, já sem esperança. Aqueles que nos rodeiam e não frequentam as nossas igrejas não conseguem ver em nós aquele entusiasmo de que necessitam, para ouvir a Palavra que, segundo a nossa ténue convicção, deveria anunciar a libertação.

Teremos de ser anunciadores da Palavra seguros e esperançados, pois a vitória do Reino está garantida, segundo a própria promessa de Jesus. Em todos os momentos difíceis é preciso recordar que as promessas de Deus se realizarão.

Quem anuncia o Reino de Deus recebe a força da própria Palavra que proclama.

É isto que iremos meditar na liturgia da Palavra deste domingo.

 

Oração colecta: Deus de bondade infinita, que, pela humilhação do vosso Filho, levantastes o mundo decaído, dai aos vossos fiéis uma santa alegria, para que, livres da escravidão do pecado, possam chegar à felicidade eterna. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Este discurso do profeta Elias é dirigido à comunidade israelita que atravessa um período de desânimo e hesitação. É então que o profeta pronuncia as palavras de consolação. Ele convida o seu povo a alegrar-se, a exultar, a regozijar de alegria. Os israelitas mais firmes permanecem, por esse motivo, mais confiantes.

 

Isaías 66, 10-14c

10Alegrai-vos com Jerusalém, exultai com ela, todos vós que a amais. Com ela enchei-vos de júbilo, todos vós que participastes no seu luto. 11Assim podereis beber e saciar-vos com o leite das suas consolações, podereis deliciar-vos no seio da sua magnificência. 12Porque assim fala o Senhor: «Farei correr para Jerusalém a paz como um rio e a riqueza das nações como torrente transbordante. Os seus meninos de peito serão levados ao colo e acariciados sobre os joelhos. 13Como a mãe que anima o seu filho, também Eu vos confortarei: em Jerusalém sereis consolados. Quando o virdes, alegrar-se-á o vosso coração e, como a verdura, retomarão vigor os vossos membros. 14cA mão do Senhor manifestar-se-á aos seus servos.

 

O texto, faz parte dum discurso dotado de rara beleza poética, no final do livro de Isaías. Jerusalém, é apresentada como uma mãe que com seus peitos sacia de con­solação e deleite os seus filhos que regressam do exílio (vv. 10-11).

12 «A paz como um rio» é uma figura da paz messiânica que Cristo trouxe à «nova Jerusalém» que é «nossa Mãe», a Igreja (cf. Gal 4, 26-27), «o Israel de Deus» de que nos fala a 2.ª leitura de hoje (Gal 6, 16).

 

Salmo Responsorial    Sl 65 (66), 1-3a.4-7a.16.20 (R.1)

 

Monição: Ao convite para agradecer e cantar seguem-se os motivos: a travessia do Mar Vermelho, marcando a libertação do Egipto, e a travessia do rio Jordão, divisando a conquista da terra prometida. Deste modo, a comunidade aprende a partilhar a história e a reconhecer que Deus é fonte de libertação e de vida.

 

Refrão:         A terra inteira aclame o Senhor.

 

Aclamai a Deus, terra inteira,

cantai a glória do seu nome,

celebrai os seus louvores, dizei a Deus:

«Maravilhosas são as vossas obras».

 

A terra inteira Vos adore e celebre,

entoe hinos ao vosso nome.

Vinde contemplar as obras de Deus,

admirável na sua acção pelos homens.

 

Mudou o mar em terra firme,

atravessaram o rio a pé enxuto.

Alegremo-nos n’Ele:

domina eternamente com o seu poder.

 

Todos os que temeis a Deus, vinde e ouvi,

vou narrar-vos quanto Ele fez por mim.

Bendito seja Deus que não rejeitou a minha prece,

nem me retirou a sua misericórdia.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Paulo acusa os pregadores judaizantes de orgulho, cobardia e falsidade. Na realidade, eles visam a glória pessoal, fogem da perseguição e, embora preguem a Lei, eles próprios não a praticam. Paulo, embora perseguido, gloria-se na Cruz de Cristo.

 

Gálatas 6, 14-18

Irmãos: 14Longe de mim gloriar-me, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo. 15Pois nem a circuncisão nem a incircuncisão valem alguma coisa: o que tem valor é a nova criatura. 16Paz e misericórdia para quantos seguirem esta norma, bem como para o Israel de Deus. 17Doravante ninguém me importune, porque eu trago no meu corpo os estigmas de Jesus. 18Irmãos, a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja com o vosso espírito. Amen.

 

Temos hoje o empolgante final da carta aos Gálatas.

14 «Longe de mim gloriar-me...» S. Paulo rebate os cristãos judaizantes que, por um «proselitismo» mal entendido, queriam impor a circuncisão a fim de «fazerem boa figura (v. 11) e acharem motivo de glória na carne assim marcada dos convertidos (v. 13). Mas o proselitismo do Apóstolo é totalmente outro: baseia-se no imperativo de Jesus (Mt 28, 19) e é algo que o faz «compelido pelo amor de Cristo» (2 Cor 5, 14) e não compelido pelo zelo da própria glória. Paulo gloria-se na Cruz de Cristo, não no êxito humano das suas correrias apostólicas, no que seria glória mundana, mas sim no valor redentor da Cruz, na dor e humilhação máximas que Jesus suportou e de que participa o autêntico apóstolo (cf. Gal 2, 19).

15 «O que tem valor é a nova criatura.» Pouco importa, diante desta realidade sobrenatural, uma questão tão ridícula como a de ser ou não ser circuncidado. Nova criatura é o cristão, «homem novo, criado em conformidade com Deus na justiça e na santidade verdadeiras» (Ef 4, 24; cf. Ef 2, 15; 2 Cor 5, 17; Rom 6, 3ss; Jo 1, 13; 3, 5; etc.), regenerado pelo Baptismo. Nesta argumentação contra os judaizantes, S. Paulo usa a mesma designação com que os rabinos da época designavam um convertido ao judaísmo após a circuncisão e o «baptismo dos prosélitos»: era então considerado «beriyá hadaxá», isto é, nova criatura. Assim S. Paulo diz que o que interessa é ser nova criatura; e o cristão, de facto, torna-se isso mesmo num sentido radical e profundo, como se depreende de todo o seu ensino, pois é regenerado, santificado, torna-se filho de Deus, faz um só com Cristo que com a sua Morte e Ressurreição inaugura uma nova Humanidade, uma nova criação, em contraste com a criação inicial, a do velho Adão donde provém para todos o pecado e a morte.

17 «Ninguém me importune», entenda-se, com discussões acerca da circuncisão ou da minha condição de apóstolo (cf. Gal 5, 11;1, 8-18), uma vez que eu trago no meu corpo outras marcas, os estigmas de Jesus. Os escravos costumavam então trazer, marcadas, com ferro em brasa (ferrete), umas marcas que indicavam o dono. Sem duvida, que as marcas de Jesus que S. Paulo se gloria de trazer eram as próprias cicatrizes físicas dos seus padecimentos por Cristo, flagelações, apedrejamentos, etc., os «estigmas» da Paixão de Cristo, que autenticavam a sua pertença ao Senhor, o seu apostolado, a sua pregação.

 

Aclamação ao Evangelho        Col 3, 15a.16a

 

Monição: A paz habitará no interior de cada um se conseguir deixar as acções que visam egoisticamente os próprios interesses, em troca de actividades e serviço da reconciliação mútua e do bem comum.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 3, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Reine em vossos corações a paz de Cristo,

habite em vós a sua palavra.

 

 

Evangelho *

Nota de rodapé!!

* O texto que se encontra entre parêntesis pertence à forma longa e pode omitir-se.

 

Forma longa: São Lucas 10, 1-12.17-20;             forma breve: São Lucas 10, 1-9

1Naquele tempo, designou o Senhor setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir. 2E dizia-lhes: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara. 3Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. 4Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias, nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho. 5Quando entrardes nalguma casa, dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’. 6E se lá houver gente de paz, a vossa paz repousará sobre eles; senão, ficará convosco. 7Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem, que o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa. 8Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem, comei do que vos servirem, 9curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: ‘Está perto de vós o reino de Deus’. 10[Mas quando entrardes nalguma cidade e não vos receberem, saí à praça pública e dizei: 11‘Até o pó da vossa cidade que se pegou aos nossos pés sacudimos para vós. No entanto, ficai sabendo: Está perto o reino de Deus’. 12Eu vos digo: Haverá mais tolerância, naquele dia, para Sodoma do que para essa cidade». 17Os setenta e dois discípulos voltaram cheios de alegria, dizendo: «Senhor, até os demónios nos obedeciam em teu nome». 18Jesus respondeu-lhes: «Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago. 19Dei-vos o poder de pisar serpentes e escorpiões e dominar toda a força do inimigo; nada poderá causar-vos dano. 20Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão escritos nos Céus».]

 

 Apenas S. Lucas fala desta missão dos 72 (70 segundo alguns textos de menos valor). Neste discurso de Jesus aos 72 há grandes coincidências de forma e conteúdo com o discurso aos Doze em Mc 6, 6-13 e Mt 9, 5-23. Mas estas coincidências não parecem bastar para se pensar que se trata duma mesma missão e dum mesmo discurso. Na verdade, Lucas fala em 9, 1-6 de uma outra missão dos Doze, tomada de Mc 6, 6-13. Estes discípulos são «outros» como propõem autorizadas variantes do v. 1, isto é, discípulos diferentes dos Apóstolos outros» é uma variante textual importante recolhida na Neovulgata). As coincidências apontadas justificam-se pela semelhança do objectivo dos discursos de Jesus e pela própria tradição oral prévia que teria influído em ordem a uma transmissão semelhante, sem alterar a substância dos discursos. Este episódio contém, antes de mais, um grande ensinamento: é que, nem antes nem depois do Pentecostes, a evangelização foi um privilégio exclusivo dos Doze.

2 «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos». Jesus fala à maneira de um grande proprietário agrícola que, ao contemplar as suas grandes searas, vê enorme abundância de trigo maduro em risco de se perder, caso não seja colhido, sentindo a máxima preocupação por encontrar braços para o ingente e urgentíssimo trabalho. Deus, para salvar os homens, quer precisar de outros homens. «Pedi ao Dono da sara...». A urgência do trabalho não pode levar os discípulos a perderem o sentido da realidade sobrenatural que é uma «messe das almas»: embora eles sejam «ceifeiros», não se podem limitar a ceifar sem parança, têm de achar tempo e modo de pedir ao Dono o envio de novos ceifeiros, já que é dele que depende o bom êxito de todo o trabalho.

3-4 «Para o meio de lobos. Não leveis…». Dadas as dificuldades do trabalho apostólico e o seu vastíssimo alcance sobrenatural, o discípulo podia atemorizar-se ou deixar-se seduzir pela tentação de pôr a sua confiança nos recursos humanos. O Senhor quer dos seus grande desprendimento e audácia apostólica. «Nem vos demoreis a saudar …». «Não se trata de evitar a urbanidade de saudar, mas de eliminar um possível obstáculo ao serviço (cf. 2 Re 4, 29)... Saudar é uma coisa boa, mas melhor é executar quanto antes uma ordem divina, que muitas vezes se tornaria frustrada por um atraso» (Sto. Ambrósio, Hom. 17).

7 «Ficai... não andeis de casa em casa», isto é, aceitai a hospitalidade que vos oferecerem, sem qualquer reserva, e não andeis à procura da melhor casa, de quem vos dê mais vantagens pessoais.

11 «Até o pó... sacudimos para vós». Segundo a indicação rabínica de então, todo o bom israelita que entrava na Palestina vindo do território pagão devia sacudir o pó das sandálias, a fim de não contaminar a Terra Santa. Este gesto indica que os judeus que não recebem a Jesus se equiparam aos pagãos.

18 «Eu via Satanás cair…». Esta expressão não se refere ao pecado de Satanás que o precipita na condenação eterna, logo ao ser criado. Refere-se, sim, ao começo da sua derrocada que se consumará no fim dos tempos, mas que se vai realizando sempre que o Evangelho é pregado e aceite. Jesus utiliza uma imagem isaiana para significar a derrota de Satanás, com a perda do seu domínio sobre os homens (cf. Is 14, 12).

20 «Alegrai-vos antes...». Os discípulos sentiam uma alegria apoiada em motivos predominantemente humanos, como era o domínio sobre os demónios e o poder de realizarem milagres, mas o importante é fazerem a vontade de Deus (cf. Mt 7, 21-23); isto é o que conduz ao Céu, onde está a verdadeira felicidade, e eles são do número dos eleitos, isto é, têm os seus nomes inscritos nos Céus (cf. Ex 32, 32; Is 4, 3; Dan 12, 1; Mal 3, 16; Apc 20, 15).

 

Sugestões para a homilia

 

Coragem dos anunciadores da Palavra

As promessas de Deus sempre se realizam

A força do anúncio está na Palavra anunciada

Coragem dos anunciadores da Palavra

O anúncio do Evangelho não pode ser deixado à concepção daquele que o anuncia. Tal comunicação é obra duma comunidade. É isto que nos quer dizer S. Lucas quando nos relata o envio, dois a dois, dos 72 discípulos. Quem fala em nome de Cristo deve estar em comunhão com os irmãos de fé, não pode agir de forma autónoma.

Todavia, os apresentadores da Palavra, antes de prepararem o coração dos outros para acolher a Cristo, devem cuidar em preparar-se a si mesmos. Daí a urgência da oração que serve para modificar o apóstolo, transmitindo-lhe tranquilidade e paz interior. Deste modo, ele consegue distinguir, momento e momento, a intenção do «dono da messe». É necessário, portanto, que eles velem para que não surja no seu coração a natureza do lobo: fúria, ganância, rancor, vontade de predominar e de explorar os outros. Tais vaticínios levam sempre a pôr em uso as acções dos lobos: o exagero do domínio, o ataque, o furor, os insultos, a falsidade. Quando os cristãos se transformaram em lobos, erraram sempre na sua missão. Jesus salvou o mundo comportando-se como cordeiro e não como lobo.

Ele ordena que os anunciadores da sua Palavra tenham a coragem de se declarar ao mundo desprovidos de tudo: sem dinheiro, sem apoios económicos ou políticos. Somente quem tem a audácia de reconstituir toda a sua segurança na protecção que lhe é oferecida pelo Pastor é que pode ser testemunha credível do Reino. Por outro lado, não basta o anúncio feito de palavras. Estas devem ser acompanhadas de gestos concretos de caridade: a assistência aos pobres, o refúgio dos desfavorecidos, o acolhimento dos marginalizados, a protecção aos doentes…

Que sinais concretos de solidariedade amorosa proporciona a nossa comunidade?

As promessas de Deus sempre se realizam

Estes gestos concretos de conforto reportam-nos à consideração daquilo que o profeta Isaías proclamava na primeira leitura de hoje, quando convidava o seu povo a alegrar-se, a rejubilar, a contentar de alegria porque o luto havia terminado.

Assim, a profecia é-nos hoje especialmente dirigida, pois para se ser cristão não basta ter fé em Deus e não é bastante sequer observar os mandamentos. É preciso também acreditar que todas as promessas do Senhor se hão-de cumprir; é necessário sustentar a certeza de que o mundo novo se expressará, não obstante o mal ter tanta força. Decerto que não veremos a efectivação plena do Reino de Deus durante a nossa existência. Conseguiremos talvez adivinhar alguns pequenos sinais da sua vinda. Isso, porém, deve ser o suficiente para alimentar a nossa esperança, solidamente alicerçada no amor de Deus pelo homem, pois as promessas de Deus sempre se realizam.

A força do anúncio está na Palavra anunciada

A força do anúncio da Palavra reside na própria Palavra anunciada e não na glória daquele que a comunica.

O cristão não se faz reconhecer na reputação de sinais exteriores. Jesus nunca usou nenhum sinal particular que o identificasse. Ele fez o dom total de si mesmo por amor. A cruz é que o tornou distinto de todos os outros homens. A partir d’Ele todos os seus discípulos ficaram autenticados pela cruz.

Serão cristãos se, à semelhança do Mestre, souberem ofertar a vida pelos irmãos, como reconhece S. Paulo na segunda leitura. Ele pode gloriar-se de ter na própria carne os sinais do sofrimento que Cristo suportou.

E a nós, como nos reconhecem?

 

 

Oração Universal

 

Irmãos,

oremos a Deus nosso Pai

com toda a confiança,

sabendo que Ele sempre realiza

todas as suas promessas, dizendo (cantando):

 

Senhor, aumentai a nossa esperança.

 

1.  Pelo Papa, Bispos, Presbíteros e Diáconos,

para que, fiéis ao ensinamento de Cristo

saibam, através da oração, preparar o espírito,

em tranquilidade e paz interior,

para acolher a Palavra a anunciar,

oremos, irmãos.

 

2.  Pelos que se afastaram das nossas comunidades,

para que possam ser confrontados

com os nossos actos concretos

de solidariedade e amor fraterno

e desejem voltar ao seio comunitário,

oremos, irmãos.

 

3.  Por todos os que têm a coragem

de se proclamar ao mundo desprovidos de tudo,

constituindo a sua segurança

na protecção que lhe é oferecida pelo Pastor,

que é Jesus Cristo, nosso Mestre,

oremos, irmãos.

 

4.  Por todos os cristãos,

para que ao falarem em nome de Cristo

estejam em comunhão com os irmãos na fé,

oremos, irmãos.

 

5.  Pelos membros da nossa comunidade,

para que saibam reconhecer na cruz do dia-a-dia

o sinal particular da sua identificação como cristãos,

oremos, irmãos.

 

6.  Por todos aqueles fiéis

que já partiram deste mundo,

para que sejam recebidos por Deus, nosso Pai,

como participantes na sua eterna  glória,

oremos, irmãos.

 

 

Senhor nosso Deus e nosso Pai,

dai-nos um coração renovado

que se deixe guiar pela esperança,

de modo que receba alegremente

a vossa Palavra e a ponha em prática.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,

que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Cantai ao Senhor nosso Deus, M. Simões, NRMS 38

 

Oração sobre as oblatas: Fazei, Senhor, que a oblação consagrada ao vosso nome nos purifique e nos conduza, dia após dia, a viver mais intensamente a vida da graça. Por Nosso Senhor ...

 

Santo: F. dos Santos, NCT 84

 

Monição da Comunhão

 

Que a comunhão eucarística que vamos consumar nos ajude a renunciar às seguranças humanas, a fim de termos a coragem de estabelecer toda a confiança na protecção que nos é oferecida por Jesus Cristo, nosso Pastor.

 

Cântico da Comunhão: A messe é grande, C. Silva, NRMS 94

Salmo 33, 9

Antífona da comunhão: Saboreai e vede como o Senhor é bom, feliz o homem que n'Ele se refugia.

 

ou

Mt 11, 28

Vinde a Mim, todos vós que andais cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei, diz o Senhor.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos saciastes com estes dons tão excelentes, fazei que alcancemos os benefícios da salvação e nunca cessemos de cantar os vossos louvores. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A cruz de Cristo é a força e a glória de todo o cristão. Que tal convicção nos dê força, coragem e a esperança para desempenharmos a nossa missão de anunciadores da Palavra; que o nosso alicerce seja a oração e a força da própria Palavra a anunciar; apesar de todos os sinais contrários que nos possam rodear, acreditemos firmemente que o mal já foi aniquilado e a vitória do Reino de Deus está garantida pela fidelidade da sua própria promessa.

 

Cântico final: Cantai ao Senhor um cântico novo, Az. Oliveira, NRMS 48

 

 

Homilias Feriais

 

14ª SEMANA

 

feira, 9-VII: ‘Tocar’ no Senhor.

Gen 28, 10-22 / Mt 9, 18-26

Pois dizia consigo: Se eu, ao menos, lhe tocar na capa, ficarei curada.

Todos precisamos tocar no Senhor (entrar em contacto). As doenças da nossa alma, as feridas da luta interior, assim o exigem. «Quem somos nós para estar tão perto d’Ele? Como àquela mulher entre a multidão (cf. Ev) ofereceu-nos uma ocasião. E não apenas para tocar uma parte do seu manto. Temo-lo a Ele… Comemo-lo cada dia, falamos intimamente com Ele, como se fala com um pai, como se fala com o Amor» (S. Josemaria).

Deus entrou em contacto com Jacob, através de um sonho, renovando uma promessa. E Jacob reconheceu essa presença de Deus: «Realmente o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia» (Leit).

 

feira, 10-VII: O poder da oração.

Gen 32, 22-32 / Mt 9, 32-38

Jacob ficou para trás sozinho. Então alguém lutou com ele até ao romper da aurora.

«A Tradição espiritual da Igreja divisou nesta narrativa o símbolo da oração como combate de fé e vitória da perseverança (cf. Leit)» (CIC, 2573). Como fruto da sua petição Jacob recebeu uma bênção de Deus e viu-O (cf. Leit).

Jesus, o bom Pastor, tem grande compaixão das multidões que precisam de ajuda. Por isso nos exorta a pedir na oração que haja muitos trabalhadores para a messe (cf. Ev). E também que nos apoiemos na Eucaristia: «Para evangelizar o mundo, precisamos de apóstolos ‘especialistas’ na celebração, adoração e contemplação da Eucaristia» (J. Paulo II).

 

feira, 11-VII: S. Bento: A Eucaristia e a Europa.

Prov 2, 1-9 / Mt 19, 27-29

E todo aquele que tiver deixado casa, irmãos… por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá como herança a vida eterna.

S. Bento contribuiu enormemente para a implantação das raízes cristãs nos países que hoje constituem a Europa. Foi, por isso, nomeado seu Padroeiro (1964) pelo Papa Paulo VI.

Ouviu o chamamento do Senhor e deixou tudo por causa d’Ele (cf. Ev). O Senhor deu igualmente a sua vida pela salvação do mundo: «O Pão que eu hei-de dar é a minha carne pela salvação do mundo (Jo 6, 51). E todos os que acreditamos n’Ele havemos de fazer-nos ‘pão repartido’ para os outros e, consequentemente, a empenhar-nos por um mundo mais justo e fraterno» (SC, 88).

 

feira, 12-VII: As receitas do Médico divino.

Gen 44, 18-21. 23-29 / Mt 10, 7-15

Disse Jesus aos Apóstolos: Ide pregar, anunciando que está próximo o reino dos Céus. Curai os enfermos.

«’Curai os enfermos’ (Ev)… (A Igreja) crê na presença vivificante de Cristo, médico das almas e dos corpos, presença que age particularmente através dos sacramentos e, de modo muito especial, da Eucaristia, pão que dá a vida eterna» (CIC, 1509).

Se quisermos ser curados das doenças das almas precisamos recorrer ao Médico divino, tomando depois os remédios que Ele nos aconselha: os sacramentos, especialmente a Eucaristia. Também José matou a fome aos egípcios e à sua família: «foi para poupar as vossas vidas que Deus me enviou à vossa frente» (Leit).

 

feira, 13-VII: A Eucaristia, os olhos e a fé.

Gen 46, 1-7. 28-30 / Mt. 10, 16-23

Jacob disse a José: Agora sim, já posso morrer, porque vi o teu rosto e tu ainda estás vivo.

Palavras semelhantes foram ditas por Simeão, quando acolheu no Templo o Menino Jesus, nos braços de sua Mãe: «porque os meus olhos viram a vossa salvação».

Diante da Eucaristia os olhos enganam-nos: «A vista, o gosto, nada sabem. Só no que o ouvido sabe se há-de crer» (Adoro te devote). «E embora te sugiram o contrário, a deve dar-te a certeza do que é na realidade» (S. Cirilo Jerusalém). Também «Não vejo as chagas, como Tomé. Mas confesso-te meu Deus e meu Senhor» (Adoro te devote). Mas, como a Tomé, o Senhor diz-nos: «Bem aventurados os que sem terem visto, acreditaram»

 

Sábado, 14-VII: A Providência e a Eucaristia.

Gen 49, 29-33 ; 50, 15-26 / Mt 10, 24-33

Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais, portanto: valeis mais do que muitos passarinhos.

«Jesus reclama um abandono filial à Providência do Pai celeste, que cuida das mais pequenas necessidades dos seus filhos (cf. Ev)» (CIC, 305).

Nalguns casos, só com o decorrer do tempo, se vê que Ele pode tirar um bem das consequências de um mal, como foi o caso de José: «Deus nas sua omnipotente Providência, pode tirar um bem das consequências de um mal (mesmo moral), causado pelas criaturas (cf. Leit)» (CIC, 312). Assim aconteceu também com o maior mal jamais praticado: a morte de Cristo, que é actualizada no memorial da celebração eucarística.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:              António Elísio Portela

Nota Exegética:       Geraldo Morujão

Homilias Feriais:      Nuno Romão

Sugestão Musical:   Duarte Nuno Rocha

 


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