S. João Baptista

Missa do Dia

24 de Junho de 2007

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Nós somos o povo de Deus, Frederico de Freitas, NRMS 9-10 (I)

Jo 1, 6-7; Lc 1, 17

Antífona de entrada: Apareceu um homem enviado por Deus, que tinha o nome de João. Ele veio para dar testemunho da luz e preparar o povo para a vinda do Senhor.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Igreja celebra com muita alegria o nascimento de S. João Baptista. Continua a ser para os homens de hoje um grande modelo: de fidelidade ao Senhor, de humildade, de valentia, de sobriedade.

Vamos hoje aprender com ele a amar a Jesus vivo aqui no meio de nós e que ele apresentou ao mundo.

 

Examinemo-nos dos nossos pecados para pedirmos perdão ao Senhor.

 

Oração colecta: Senhor, que enviastes São João Baptista a preparar o vosso povo para a vinda do Messias, concedei à vossa família o dom da alegria espiritual e guiai o coração dos fiéis no caminho da salvação e da paz. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Deus chamou João Baptista desde o seio materno para reconduzir a Ele o povo de Israel.

 

Isaías 49, 1-6

1Terras de Além-Mar, escutai-me povos de longe, prestai atenção. O Senhor chamou-me desde o ventre materno, disse o meu nome desde o seio de minha mãe. 2Fez da minha boca uma espada afiada, abrigou-me à sombra da sua mão. Tornou-me semelhante a uma seta aguda, guardou-me na sua aljava. 3E disse-me: «Tu és o meu servo, Israel, por quem manifestarei a minha glória». 4E eu dizia: «Cansei-me inutilmente, em vão e por nada gastei as minhas forças». 5Mas o meu direito está no Senhor e a minha recompensa está no meu Deus. E agora o Senhor falou-me, Ele que me formou desde o seio materno, para fazer de mim o seu servo, a fim de Lhe restaurar as tribos de Jacob e reconduzir os sobreviventes de Israel. Eu tenho merecimento aos olhos do Senhor e Deus é a minha força. 6Ele disse-me então: «Não basta que sejas meu servo, para restaurares as tribos de Jacob e reconduzires os sobreviventes de Israel. Farei de ti a luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da terra».

 

Este texto é o II Cântico do Servo de Yahwéh. O sentido profundo desta passagem visa o Messias, Luz das nações (v. 6; cf. Lc 2, 32). No entanto, temos aqui, como tantas vezes na Liturgia, uma adaptação deste texto a outra figura que não é o Messias, mas o seu Precursor, João Baptista. Joga-se, portanto, com o sentido acomodatício, que não é um sentido propriamente bíblico; é um sentido que nós pomos na Sagrada Escritura, tendo em conta uma certa semelhança de fundo ou meramente verbal. Aqui trata-se suma «acomodação real ou por extensão», pois há uma grande semelhança de fundo entre o texto e o que realmente se passou com o Baptista: v. 1b – Chamado antes do nascimento (cf. Lc 1, 13-17); v. 1b – Santificado no ventre materno (cf. Lc 1, 15.41-44); Chamado antes do nascimento (cf. Lc 1, 13-17); 1b – Santificado no ventre materno (cf. Lc 1, 15.41-44); 2 – Pregador intrépido das exigências divinas (cf. Mt 3, 7-10; 14, 4); 5-6 – Reconduz Israel a Deus e restaura o Povo (cf. Lc 1, 16-17; 3, 1-20.

 

Salmo Responsorial    Sl 138 (139), 1-3.13-14ab.14c-15 (R. 14a)

 

Monição: O Senhor conhece-nos pessoalmente desde toda a eternidade e chamou-nos a cada um de nós para missão muito importante: sermos santos. E para dá-lO a conhecer aos que nos rodeiam, como S. João Baptista.

 

Refrão:         Eu Vos dou graças, Senhor,

porque maravilhosamente me criastes.

 

Senhor, Vós conheceis o íntimo do meu ser:

sabeis quando me sento e quando me levanto.

De longe penetrais o meu pensamento:

Vós me vedes quando caminho e quando descanso,

Vós observais todos os meus passos.

 

Vós formastes as entranhas do meu corpo

e me criastes no seio de minha mãe.

Eu Vos dou graças por me terdes feito tão maravilhosamente:

admiráveis são as vossas obras.

 

Vós conhecíeis já a minha alma

e nada do meu ser Vos era oculto,

quando secretamente era formado,

modelado nas profundidades da terra.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Deus preparou a vinda de Seu Filho. Nasceu da descendência do rei David e foi anunciado por João Baptista, o maior de todos os profetas.

 

Actos dos Apóstolos 13, 22-26

Naqueles dias, Paulo falou deste modo: 22«Deus concedeu aos filhos de Israel David como rei, de quem deu este testemunho: ‘Encontrei David, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará sempre a minha vontade’. 23Da sua descendência, como prometera, Deus fez nascer Jesus, o Salvador de Israel. 24João tinha proclamado, antes da sua vinda, um baptismo de penitência a todo o povo de Israel. 25Prestes a terminar a sua carreira, João dizia: ‘Eu não sou quem julgais mas depois de mim, vai chegar Alguém, a quem eu não sou digno de desatar as sandálias dos seus pés’. 26Irmãos, descendentes de Abraão e todos vós que temeis a Deus: a nós é que foi dirigida esta palavra de salvação».

 

A leitura é tirada do discurso de São Paulo em Antioquia da Pisídia, por ocasião da primeira grande viagem, o primeiro discurso querigmático do Apóstolo a ser registado nos Actos dos Apóstolos. Corresponde a um modelo primitivo, mas a redacção de Lucas tem presente certamente os seus leitores.

24-25 «João dizia». Breve referência à substância da pregação do Baptista: a preparação do povo para receber bem o Messias que ele anunciava. Mas a santidade de João era tão grande e impressionante que ele precisou de deixar bem claro que «eu não sou aquilo que julgais», pois o tinham como o Messias (cf. Jo 1, 20-30; 3, 25-30).

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Lc 1, 76

 

Monição: Como Zacarias bendigamos a Deus pelas maravilhas que operou nos Seus santos.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 87

 

Tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo,

irás à frente do Senhor a preparar os seus caminhos.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1, 57-66.80

Naquele tempo, 57chegou a altura de Isabel ser mãe e deu à luz um filho. 58Os seus vizinhos e parentes souberam que o Senhor lhe tinha feito tão grande benefício e congratularam-se com ela. 59Oito dias depois, vieram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. 60Mas a mãe interveio e disse: «Não, Ele vai chamar-se João». 61Disseram-lhe: «Não há ninguém da tua família que tenha esse nome». 62Perguntaram então ao pai, por meio de sinais, como queria que o menino se chamasse. 63O pai pediu uma tábua e escreveu: «O seu nome é João». Todos ficaram admirados. 64Imediatamente se lhe abriu a boca e se lhe soltou a língua e começou a falar, bendizendo a Deus. 65Todos os vizinhos se encheram de temor e por toda a região montanhosa da Judeia se divulgaram estes factos. 66Quantos os ouviam contar guardavam-nos em seu coração e diziam: «Quem virá a ser este menino?». Na verdade, a mão do Senhor estava com ele. 80O menino ia crescendo e o seu espírito fortalecia-se. E foi habitar no deserto até ao dia em que se manifestou a Israel.

 

A leitura de hoje apresenta-nos o relato do nascimento do Precursor bem como da imposição do nome e circuncisão. Na vigília já se leu o anúncio do nascimento.

63 «O seu nome é João». Com grande surpresa para toda a família, o menino não recebe o nome do pai, ou, como era mais frequente, o do avô paterno, mas o nome anunciado pelo Arcanjo Gabriel: João, que quer dizer «Yahwéh concedeu uma graça». Do versículo anterior deduz-se que Zacarias estava mudo e surdo, pois lhe «perguntaram por sinais» (v. 62).

80 «E foi habitar no deserto». Não é crível que João tenha ido para o deserto ainda menino muito pequeno, como dizem os apócrifos, nem apenas pouco tempo antes da vida pública de Cristo. João, tendo à sua frente uma carreira brilhante, pois era da classe sacerdotal, renuncia a ela, para levar uma vida recolhida e penitente, vida que havia de conferir grande autenticidade e autoridade à sua futura pregação. Não foi para um deserto arenoso, mas para uma zona pobre e árida, provavelmente a Noroeste do Mar Morto. Por ali se fixaram os essénios, concretamente a seita de Qumrã, dirigida pelos sacerdotes sadoquitas dissidentes do sacerdócio oficial de Jerusalém. Até que ponto manteve João contacto com estes essénios é coisa para nós desconhecida, ainda que provável.

 

Sugestões para a homilia

 

Guardavam-nos em seu coração

Cansei-me inutilmente

Não sou digno

Guardavam-nos em seu coração

S. Lucas diz, no princípio do seu evangelho, que se informou cuidadosamente dos acontecimentos que ia contar. Foi com certeza da boca de Nossa Senhora que ouviu o relato que hoje escutámos. Ela estava presente e guardava no Seu coração e meditava estes feitos maravilhosos de Deus, que vinha salvar o Seu povo.

Tinha sido Ela três meses antes que tinha trazido Jesus àquela casa e assistido ao prodígio daquele menino que saltava de alegria no seio materno, sentindo a presença do Salvador.

Aquele menino foi santificado ainda antes de nascer e preparado com graças extraordinárias para a missão de precursor do Messias.

Maria, melhor que ninguém, ia captando essas maravilhas de Deus. A mão do Senhor estava com aquele menino. Ela foi como que a madrinha de S. João Baptista. Trouxe-lhe Jesus. Esteve a ajudar a sua mãe durante três meses. Cuidou dele quando nasceu. Assistiu à cena que há pouco escutámos. A língua de Zacarias, que estava mudo há muitos meses por ter duvidado, soltou-se miraculosamente, louvando a Deus por aquele menino e falando da missão, que o anjo tinha anunciado.

Ao recordar hoje, cheios de alegria, o nascimento do Precursor, louvemos a Deus que faz maravilhas nos Seus santos. Eles são a Sua obra prima. Mais que a grandeza do universo que nos rodeia. Mais que a beleza das flores, das plantas e dos animais, que nos encantam.

Deus fez maravilhas em S. João Baptista e nos santos de todos os tempos. Também naqueles que a Igreja vai canonizando em nossos dias. Eles são a manifestação da santidade, da graça e do poder de Deus.

João Paulo II e, agora, Bento XVI lembraram-nos repetidas vezes que Deus nos chama a todos à santidade. É para isso que estamos no mundo. Não para comer e beber e nos divertirmos, como se fôssemos apenas animais.

Ser santo é ser feliz. A igreja recorda com alegria em cada ano os seus santos. E o povo, mesmo não cristão, aproveita os santos populares para manifestações de alegria. Como que a dizer que a santidade é fonte da verdadeira felicidade já neste mundo.

Mesmo sofrendo, permanece sempre a alegria de filho de Deus. Por volta de 1931, S. Josemaria, estava a passar por sofrimentos muito grandes. Em Madrid queimavam-se igrejas e perseguiam-se os sacerdotes. Ele começava a ser alvo de calúnias e incompreensões. E, no eléctrico, o Senhor fez-lhe ouvir claramente no íntimo da alma: – Não és tu meu filho?

Contava ele, mais tarde, que, sem poder reprimir-se, ia repetindo pelas ruas, cheio de alegria, quase como louco, as palavras de S. Paulo: Abbá, Pai.

Cansei-me inutilmente

O profeta põe na boca de João Baptista este queixume de aparente desânimo: cansei-me inutilmente. Aos olhos dos homens, a vida de S. João foi um desastre. Acabou com a cabeça cortada por Herodes. Mas não. Celebramos hoje com alegria a sua festa, passados dois mil anos. Valeu a pena a sua vida. Valeu a pena a sua morte ao serviço da verdade, ao serviço de Cristo.

Podemos sentir a tentação do desânimo. Tentamos uma vez e outra e parece que não acabamos de corrigir os nossos defeitos. Fazemos propósitos, às vezes grandiosos, de amar a Deus, de servir os outros. E talvez no dia seguinte fazemos exactamente o contrário. Apetece-nos ficar caídos no chão depois de termos fracassado.

É preciso reagir. A santidade é fruto da graça de Deus. Temos de contar mais com o Espírito Santo, colaborar mais docilmente. Podemos aproveitar as nossas faltas e os nossos fracassos para crescer em humildade, que é virtude fundamental da santidade.

Celebrar as festas dos santos é algo de exigente e difícil. Trata-se não de comer e beber e divertir-se à sua custa, como pretendem alguns. Mas de nos animarmos a parecer-nos com eles. Começando por nos converter, pedindo perdão dos nossos pecados. As festas dos santos podem medir-se pelo número de confissões. Pelo sacramento do perdão passa a mudança interior de cada um de nós. Pelo confessionário passa o desejo firme de renovação interior, passam os propósitos de santidade.

O Espírito actua nas almas sobretudo no sacramento da reconciliação. Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados. (Jo 20,23).

S. João Baptista está de modo particular relacionado com este convite à conversão, na base do caminho da santidade. Celebrar a festa de S. João Baptista de verdade é ouvir este apelo de Deus a que nos convertamos a Ele cada dia, com nova esperança, com nova decisão de O amarmos nos afazeres diários. No lugar onde Deus nos colocou. Esse é o caminho da santidade.

E é o caminho da alegria, dessa alegria que muitos ainda hoje, sem dar conta, ligam com os santos.

Vale a pena levar essa mensagem a toda a parte. Purificar as festas dos santos daquilo que pode afastar de Deus, daquilo que acaba por roubar a alegria do coração do homem. Os santos descobriram o segredo da alegria verdadeira já neste mundo. E o caminho para ela não é fácil, exige sacrifício, luta de todos os dias. Mas está ao alcance de todos.

Vale a pena celebrar as festas dos santos. Eles não roubam a Deus a glória que só a Ele pertence. Pelo contrário, eles animam-nos a amar a Deus cada dia mais em nosso trabalho, na família, nos divertimentos, na vida social.

Os santos foram, ao longo da história humana, os grandes revolucionários, os que de facto contribuíram para transformar o mundo e para o tornar mais humano.

Não sou digno

S. João Baptista aparece no Evangelho como modelo de fé e de humildade. Ele «o maior entre os nascidos de mulher», como Jesus afirmou, não se julgava digno de desatar a correia das sandálias do Messias.

Ensina-nos a tratar a Jesus, a adorá-Lo na Eucaristia, a acolhê-Lo na sagrada comunhão. Temos de redescobrir este respeito diante de Jesus. Hoje as nossas igrejas parecem mais um espaço profano. pela maneira como muitos se comportam. Os casamentos assemelham-se a uma feira. E o mesmo pode acontecer em baptizados, velórios, ensaios de grupos corais. Muitas pessoas que andam na igreja perderam já o sentido desta presença do Senhor, que, sendo nosso amigo, não deixa de ser o nosso Deus e merecer o nosso respeito e adoração.

É conhecido o caso do Seminário de Viseu, transformado em quartel pelos republicanos em 1910.A igreja foi destinada a cocheira de peças de artilharia. Tentaram uma e outra vez que as mulas as levassem lá para dentro, mas os animais nem a bem nem a mal lá entraram. Muitas vezes os irracionais dão lições aos humanos.

Os sacerdotes temos de chamar a atenção para este respeito na casa de Deus, mesmo que alguns não gostem. E não só os padres. Todos os cristãos têm de zelar pela casa de Deus, sejam igrejas ou capelas.

Jesus expulsou os vendilhões do templo, que no adro vendiam e compravam as coisas para o serviço do culto. E disse-lhes «está escrito a minha casa é casa de oração e vós fizestes dela covil de ladrões» (Lc 19, 46)

A casa de Deus é lugar de silêncio, de oração. Não é para conversar nem estúdio para fotografias. Não é preciso fé para saber respeitá-la. Basta um pouco de educação. Se entrássemos no palácio da Rainha de Inglaterra não iríamos para lá fazer algazarra.

Temos de lutar para recuperar este respeito pela presença de Jesus na Eucaristia. Tratá-Lo bem, a Ele que é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. «Se actualmente o Cristianismo se deve caracterizar sobretudo pela arte da oração – dizia João Paulo II -como não sentir de novo a necessidade de permanecer longamente, em diálogo espiritual, adoração silenciosa, atitude de amor, diante de Cristo presente no Santíssimo Sacramento? Quantas vezes -confessava o papa – meus queridos irmãos e irmãs, fiz esta experiência, recebendo dela força, consolação e apoio» (A Igreja vive da Eucaristia, 25)

Que S. João Baptista nos ensine esta boa educação da piedade. E também Nossa Senhora que lhe levou Jesus.

 

Fala o Santo Padre

 

«A festa de João Baptista recorda-nos que a nossa vida é sempre «relativa» a Cristo.»

 

Hoje […] a liturgia faz-nos celebrar a Natividade de São João Baptista, o único Santo do qual se comemora o nascimento, porque marcou o início do cumprimento das promessas divinas: João é aquele «profeta», identificado com Elias, que estava destinado a preceder imediatamente o Messias para preparar o povo de Israel para a sua vinda (cf. Mt 11, 14; 17, 10-13). A sua festa recorda-nos que a nossa vida é inteira e sempre «relativa» a Cristo e realiza-se acolhendo-O, que é Palavra, Luz e Esposo, do qual nós somos vozes, lâmpadas e amigos (cf. Jo 1, 1-13; 1, 7-8; 3, 29). «Ele é que deve crescer, e eu diminuir» (Jo 3, 30): esta expressão do Baptista é programática para cada cristão.

Deixar que o «eu» de Cristo tome o lugar do nosso «eu» foi de modo exemplar o anseio dos Apóstolos Pedro e Paulo, que a Igreja venera com solenidade no próximo dia 29 de Junho. São Paulo escreveu de si: «Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim» (Gl 2, 20). […]

 

Bento XVI, Angelus, 25 de Junho de 2006

 

Oração Universal

 

Irmãos, apresentemos a Deus, que é admirável nos Seus santos,

as nossas súplicas pela intercessão de S. João Baptista:

 

1.  Pela Santa Igreja de Deus,

para que continue a despertar em todos os seus filhos desejos de santidade,

oremos irmãos.

 

2.  Pelo Santo Padre,

para que todos escutem o seu magistério

e se deixem conduzir pelos caminhos da fé e do amor de Deus,

oremos irmãos.

 

3.  Pelos bispos e sacerdotes,

para que sejam modelos e arautos corajosos duma exigente vida cristã,

oremos irmãos.

 

4.  Pela cristianização das festas religiosas,

para que sejam tempos fortes de evangelização e de renovação espiritual,

oremos irmãos.

 

5.  Pelos jovens,

para que saibam responder corajosamente aos desafios

duma vida de heroísmo no seguimento de Cristo,

oremos irmãos.

 

6.  Para que todos saibam viver nas igrejas e capelas

o respeito e a adoração de quem tem fé,

oremos irmãos.

 

Senhor que nos apresentais os santos como modelos e estímulo duma vida santa de filhos de Deus,

fazei que saibamos amar-Vos cada vez mais em nossa vida de cada dia. Por N.S.J.C. Vosso Filho,

que é Deus conVosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Não fostes vós que me escolhestes, Az. Oliveira, NRMS 59

 

Oração sobre as oblatas: Trazemos ao altar, Senhor, os nossos dons para celebrarmos condignamente o nascimento de São João Baptista, que anunciou a vinda do Salvador do mundo e O mostrou já presente no meio dos homens. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

A missão do Precursor

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Ao celebrarmos hoje a glória do Precursor, São João Baptista, proclamado o maior entre os filhos dos homens, anunciamos as vossas maravilhas: antes de nascer, ele exultou de alegria, sentindo a presença do Salvador; quando veio ao mundo, muitos se alegraram pelo seu nascimento; foi ele, entre todos os Profetas, que mostrou o Cordeiro que tira o pecado do mundo; nas águas do Jordão, ele baptizou o autor do Baptismo e desde então a água viva tem poder de santificar os crentes; por fim deu o mais belo testemunho de Cristo, derramando por Ele o seu sangue.

Por isso, com os Anjos e os Santos no Céu, proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 36

 

Monição da Comunhão

 

Acolhamos a Jesus com a fé e a humildade de S. João Baptista.

 

Cântico da Comunhão: O Cordeiro de Deus é o nosso pastor, Az. Oliveira, NRMS 90-91

Lc 1, 78

Antífona da comunhão: Graças ao coração misericordioso do nosso Deus, das alturas nos visitou o sol nascente.

 

Cântico de acção de graças: Quanta alegria é para mim, H. Faria, NRMS 18

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes à mesa do Cordeiro celeste, concedei à vossa Igreja, que se alegra com o nascimento de São João Baptista, a graça de reconhecer o autor do seu renascimento espiritual n'Aquele cuja vinda ao mundo foi anunciada pelo Precursor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Celebramos as festas dos santos para louvar a Deus, que neles operou maravilhas e para aprender com eles a viver neste mundo uma vida de santidade.

 

Cântico final: Exulta de alegria, M. Carneiro, NRMS 21

 

 

Homilias Feriais

 

12ª SEMANA

 

feira, 25-VI: A unidade e o perdão.

Gen 12, 1-9 / Mt 7, 1-5

O Senhor disse a Abraão: Farei de ti uma grande nação. Hei-de abençoar-te e dar-te um grande nome.

«Para reunir a humanidade dispersa, Deus escolhe Abraão, chamando-o para ‘deixar a sua terra, a sua família e a casa de seu pai’, para o fazer Abraão, quer dizer ‘pai de uma grande número de nações’: ‘Em ti serão abençoadas todas as nações da terra’ (Leit)» (CIC, 59).

Contribuiremos igualmente para a unidade através do perdão: «a medida que empregardes é que hão-de empregar para vós» (Ev). Não esqueçamos que «nada nos assemelha tanto a Deus como estar sempre dispostos a perdoar» (S. João Crisóstomo). E a maior obrigação de Deus é a unidade de todo o povo fiel, no Pai, no Filho e no Espírito Santo.

 

feira, 26-VI: A parábola dos dois caminhos.

Gen 13, 2. 5-18 / Mt 7, 6. 12-14

Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que levam à perdição.

«O caminho de Cristo ‘leva à vida’; um caminho contrário ‘leva à perdição’ (cf. Ev). A parábola evangélica dos dois caminhos está sempre presente na catequese da Igreja. E significa a importância das decisões morais para a nossa salvação. Há dois caminhos, um de vida, outro de morte, mas entre os dois existe uma grande diferença» (CIC, 1696).

Diante de Abraão e Lot também se abrem dois caminhos. Lot escolhe o mais rico, mas com cidades perversas (Sodoma), e acabou na perdição. Pelo contrário, Abraão ficou com o pior, e recebe uma enorme bênção de Deus (cf. Leit).

 

feira, 27-VI: Os frutos da celebração eucarística.

Gen 15, 1-12. 17-18 / Mt 7, 15-20

Assim toda a árvore boa dá bons frutos, e a árvore má dá maus frutos.

A garantia da obtenção de bons frutos é dada pela graça de Deus: «Segundo a palavra do Senhor, que diz: ‘Pelos seus frutos os conhecereis’ (Ev), a consideração dos benefícios da nossa vida e na vida dos santos oferece-nos uma garantia de que a graça de Deus opera em nós e nos incita a uma fé cada vez maior» (CIC, 2005). Na Santa Missa recebemos o próprio Autor da graça e o «efeito próprio deste sacramento é a conversão do homem em Cristo» (S. Tomás).

Fruto da correspondência de Abraão à sua vocação é uma descendência numerosa: «Olha para o Céu e conta as estrelas… É assim que será a tua descendência» (Leit).

 

feira, 28-VI: Exigências da vontade de Deus.

Gen 16, 6-12. 15-16 / Mt 7, 21-29

Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus, mas só quem faz a vontade de meu Pai.

O caminho que conduz ao Céu e à felicidade aqui na terra é a obediência à vontade divina (cf. Ev). O próprio Jesus declara que o seu alimento é fazer a vontade do Pai e, para cumpri-la, Ele obedeceu até à morte e morte de Cruz. Depois de participarmos na Missa, para nos identificarmos mais com os sentimentos de Cristo, devemos perguntar-nos: Estou a fazer a vontade de Deus neste momento, como Jesus a faria?

Agar, que se tinha afastado de Abraão, é aconselhada pelo Anjo a voltar. Cumpriu a vontade de Deus e teve uma descendência numerosa (cf. Leit).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:              Celestino Correia Ferreira

Nota Exegética:       Geraldo Morujão

Homilias Feriais:      Nuno Romão

Sugestão Musical:   Duarte Nuno Rocha

 


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